segunda-feira, 16 de agosto de 2010

o jornal

"O Jornal" relembra rotina nas redações antes da internet
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA

Como domingo é dia de ler jornal, digamos que se faça uma pausa às 11h20, no Telecine Light, para dar uma olhada em "O Jornal" (livre).
O filme de Ron Howard reúne de maneira verossímil personagens de redações. Menos marcante que "No Silêncio de uma Cidade" ou "Todos os Homens do Presidente", mas reflete o trabalho normal do jornal diário.
"O que é o trabalho normal" ou "o que era"? Porque não existia internet, blogs ou Twitter, que fizeram o trabalho da notícia mais imediato.
Mas perpassa o filme uma estranha serenidade, com a qual os jornalistas se identificam: pois seu trabalho também se faz da rotina.

"O homem merece ser sacaneado", diz ator da MTV
Karime Xavier/Folhapress



Ao estilo da Gaiola das Cabeçudas, o "bonde" filosófico-funkeiro do "Comédia MTV", pode-se teorizar sobre os princípios do humor exibido pela emissora.
Princípio número um, do ator Bento Ribeiro: "O homem merece ser sacaneado". Princípio número dois: "É preciso rir de si mesmo", também de Ribeiro. Princípio três: "Não há princípios".
É no último, aliás, que se baseia o humor da MTV, que, desde 2009, ganha mais espaço na programação do canal. Hoje, são quatro programas e nove humoristas.
Atores de stand-up comedy, eles exploram novas possibilidades no gasto quadro de humorísticos da TV (com produtos como "Zorra Total", na Globo desde 1999).
E, ao contrário dos mais recentes "CQC", da Band, e "Pânico", da Rede TV!, os programas no ar na MTV ("Furo MTV", "Comédia MTV", "Quinta Categoria" e "15 Minutos") não são sempre pautados pela realidade.
O mais "realista" é a sátira jornalística "Furo MTV", com Dani Calabresa e Bento Ribeiro. "A grande parada desse programa é a sacanagem com o mundo", avalia Bento. No jornal deles, nem o caso do goleiro Bruno passou sem piadas de humor negro.
Os demais programas lembram os tempos de "TV Pirata": têm esquetes de humor sobre qualquer tema, paródias hilárias e improviso.
Embora sejam hit entre jovens e tenham aumentado o público da MTV, os programas ainda se alimentam da pequena audiência do canal: em bons momentos, marcaram dois pontos no Ibope





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Pausa para o grito
Volume de comerciais chega a aumentar 4 vezes em relação à programação, contrariando lei; Ministério Público apura irregularidades
A punição prevista aos canais infratores é a suspensão das transmissões pelo prazo de 30 dias -90 dias em caso de reincidência.
JAMES CIMINO
DE SÃO PAULO

O escritor e jornalista Ale Rocha, 33, já fez um livro sobre seu hábito de assistir a televisão. No entanto, foi apenas devido ao filho, João Vitor, 4, que percebeu como os intervalos comerciais são mais barulhentos do que a programação normal.
"Meu filho [quando tinha um ano de idade] dormia no meu colo quando eu via TV e sempre resmungava na hora dos comerciais. Agora uso fone de ouvido para não incomodá-lo mais."
A variação de volume entre a programação da emissora e os intervalos comerciais é contra a lei federal 10.222 de maio de 2001.
De acordo com ela, "os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens padronizarão seus sinais de áudio, de modo a que não haja, no momento da recepção, elevação injustificável de volume nos intervalos comerciais".
A punição prevista aos canais infratores é a suspensão das transmissões pelo prazo de 30 dias -90 dias em caso de reincidência.
Como a percepção sonora varia de pessoa para pessoa, a Folha pediu ao perito judicial José Gonzalez que medisse a variação de volume em 26 canais para verificar se há diferenças entre o volume das atrações e o das propagandas veiculadas.
Os dados coletados pelo perito (leia na pág. E4) demonstram que quase todos os canais variam. Alguns em até 6dB, um aumento de quase quatro vezes no volume.
Pela medição de Gonzalez, as TVs pagas apresentam a maior variação, principalmente nos canais infantis. Na TV Rá Tim Bum e no Cartoon Network, há variação de 5dB.

LIMITES
Entre as TVs abertas a variação é a menor: apenas 1dB. A única que não apresenta essa diferença, segundo o perito, é a Rede TV!
De acordo com o engenheiro Mitsuo Yoshimoto, do laboratório de conforto ambiental do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a variação de 1dB é tecnicamente pequena.
No entanto, 1dB pode ser o limiar entre o bom e o mau humor, principalmente em São Paulo, em que o barulho do trânsito ultrapassa os 55dB, limite de ruído definido pela lei do Psiu durante a noite em áreas mistas (comercial e residencial).
Para poder ouvir seu programa favorito sem essa interferência, em geral o telespectador aumenta o volume da TV alguns decibéis acima do ruído do tráfego.
Some-se a isso mais 1dB do comercial e lá estará o pequeno João Vitor resmungando enquanto o pai perde o retorno do programa, pois tira o fone e não percebe que o comercial acabou.
Já o economista Caio César Falconi Pires, 29, mora na av. Brigadeiro Luís Antônio (região central de SP) e diz que esse aumento de volume é até engraçado.
"De repente, a sala parece um mercado de peixe. Um grita da cozinha, outro responde da sala. Quando alguém nota, pergunta: "Quem deixou a TV nesse volume?'"
Formada em marketing, a blogueira Bianca Muller, 25, diz que já pegou raiva de certas marcas pelo abuso. "Se o comercial é interessante, você presta atenção independentemente do volume."

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