"Me sinto comparada a uma mulher fruta", diz Balabanian
Para um noveleiro é inevitável esperar que Gemma, a italiana vivida por Aracy Balabanian, vire a qualquer momento em "Passione" e passe a dizer: "Eu vou derrubar esse prédio "na chon'!".
O bordão, da inesquecível Dona Armênia que Aracy interpretou em "Rainha da Sucata" (1990), é histórico na TV muito antes dos tempos de samba do sotaque doido nas novelas (em poucos anos, Tony Ramos, por exemplo, passou do grego e do indiano ao italiano).
Aos 70 anos, Aracy diz que é de "uma geração que ainda busca conteúdo" e que nada, nem mesmo o sotaque "italiano-abrasileirado" da novela global, é gratuito.
"Hoje, vejo que se tenta melhorar, melhorar, melhorar, e tudo ficou tecnicamente melhor. É HD, luz, equipamento, mas a televisão sofreu um empobrecimento", avalia ela, que começou a fazer teatro em 1963 e, em 1966, começou a trabalhar na TV.
É pela mudança de perfil do veículo e da cultura, diz ela, que ficou ainda mais difícil viver sobre esse "fio de navalha que é ser conhecido". "Eu me sinto comparada a uma mulher fruta", afirma. "É verdade! A gente é tão conhecida quanto uma Mulher Melancia! A TV se esvaziou."
"Era absolutamente feminina e intensa. Tem muito a ver com meu temperamento"
sobre Maria Faz-Favor, de "Coração Alado" (1980)
"Mãezona, tinha o sotaque como marca. Dizia "as minhas filhinhas" para os filhos homens"
sobre Dona Armênia,
de "Rainha da Sucata"
(1990)
"Tudo ficou tecnicamente melhor, mas a televisão sofreu um empobrecimento. É difícil viver nesse fio de navalha que é ser conhecido. A gente é tão conhecida quanto uma Mulher Melancia! A TV se esvaziou"
ARACY BALABANIAN,
atriz
"Diziam dela na novela: "Filomena não é má, Filomena é justa". Era uma mulher fina e muito dura"
sobre Filomena,
de "A Próxima Vítima" (1995)
"Era uma perua doida. Eu tinha vontade de rir, e o [diretor] Daniel Filho disse: "Ria""
sobre Cassandra,
de "Sai de Baixo" (1996 a 2002)
domingo, 8 de agosto de 2010
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