sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Velocidade não atinge 60% do contratado

3G EM TESTE BALANÇO

Velocidade não atinge 60% do contratado
Testes feitos pela Folha também constatam instabilidade da banda larga móvel; operadoras prometem melhorias

Procon-SP alerta que, mesmo sem regras para internet 3G, empresas não estão isentas de responsabilidade

ALEXANDRE ORRICO
DE SÃO PAULO

A Folha testou os serviços de banda larga móvel das quatro maiores operadoras do país (Claro, Oi, TIM e Vivo) e constatou o que reclamações de usuários do serviço já indicavam: a velocidade real de conexão fica bem abaixo da vendida. Nos testes, o download (recebimento de dados) não ultrapassou 60% da velocidade contratada.
Em dias úteis, isso fica pior, com velocidade média inferior à metade da contratada. No domingo, a situação melhora, mas em nenhum dos testes a conexão chegou à velocidade do plano comprado, de 1 Mbps.
No caso de upload -dados que você manda para a rede, como e-mails ou vídeos para o YouTube-, a velocidade ficou sempre abaixo de 30% do tal 1 Mbps. É preciso considerar, porém, que a velocidade de upload é sempre menor que a de download, mesmo em serviços internacionais de altíssima qualidade.
Além da velocidade, outro problema percebido nos testes, já constatado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e por órgãos de defesa do consumidor, é o da instabilidade do serviço.
É enorme a variação da velocidade, e a qualidade do serviço muda rapidamente. Uma página que apareceu em segundos, minutos depois fica parada sem razão aparente. Quedas de conexão também são frequentes.
Parte da culpa é da natureza da tecnologia 3G, sensível a inúmeros fatores, como condições climáticas, quantidade de pessoas conectadas numa mesma região e posição geográfica.
Os contratos afirmam isso, procurando isentar as operadoras de responsabilidade por garantir a integralidade da velocidade contratada. Em geral, as empresas garantem um mínimo de 10% da velocidade estabelecida.
Tais contratos têm gerado debates em órgãos de defesa do consumidor, e a Anatel está procurando estabelecer uma regulamentação geral para o setor.
As operadoras, porém, são obrigadas a cumprir o Código de Defesa do Consumidor, afirma o Procon.
Claro, Oi, TIM e Vivo adotam diferentes estratégias para tentar diminuir o número de reclamações e melhorar a qualidade do serviço de banda larga móvel.
Desde o final do mês passado, algumas passaram a vender planos desvinculados de promessa de velocidade, passando a comercializar o serviço por tempo. Mesmo assim, a velocidade de referência, como nos testes feitos pela Folha, é a de 1 Mbps.

Consulta para regras de 3G acontece hoje
DE SÃO PAULO

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) realiza hoje uma audiência pública sobre a revisão da qualidade do serviço pessoal móvel para impor regras mais rígidas à telefonia celular e criar metas de qualidade para a banda larga móvel.
A audiência será realizada na zona sul de São Paulo, na sede da Amcham (Câmara Americana de Comércio).
Foram criados três indicadores para a internet 3G: a taxa de conexão ao acesso, que é o indicador relativo à disponibilidade do sistema; a taxa de queda do acesso, que vai avaliar a estabilidade da conexão, e o monitoramento da garantia de velocidade contratada, estabelecendo percentuais mínimos de entrega da conexão.
Pela proposta, nos horários de maior uso, a prestadora terá de garantir uma velocidade mínima de 30% do valor máximo previsto no plano, tanto para download quanto para upload. Nos horários de menor tráfego, o percentual será de 50%.
Haverá ainda o aumento gradativo dos percentuais exigidos. Um ano depois da implementação do novo regulamento, a operadora terá de garantir, no mínimo, 50% do valor máximo nos horários de maior movimento e 70% nos outros períodos.
A definição da faixa horária considerada de pico será feita pela Anatel, antes que as regras passem a valer no começo do ano que vem, segundo a própria agência.
Atualmente, as operadoras só se comprometem a entregar o mínimo de 10% da velocidade comercializada, o que tem sido alvo de constantes reclamações não só na Anatel, mas também nos órgãos de defesa do consumidor. O documento prevê ainda que as tentativas de conexão à banda larga móvel devem ser estabelecidas em 98% dos casos no mês. (AO)

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