Paulo Henrique Amorim,
blog Conversa Afiada:
A crise do sigilo levou uma bala no peito com a reportagem da CartaCapital e de Leandro Fortes sobre as recordistas mundiais da abertura de sigilo, a filha do Serra e a irmã do Daniel Dantas.
Agora, é a crise do lobby, germinada pela Veja, a última flor do Fascio, aquela do grampo sem áudio.
Não bastará fazer como a Ministra Erenice fez: abriu todos os sigilos dela e da família e vai à Justiça.
Essa será uma ação individual contra uma instituição – a Editora Abril – que milita contra os interesses nacionais.
Amigo navegante me diz que PiG será diferente com a Dilma: a Dilma não estimula o preconceito racial, de classe, que há contra o Lula.
Discordo.
Haverá sempre o preconceito contra a mulher – e o preconceito de classe.
A Dilma, como a Marta em São Paulo, será sempre perseguida porque traiu a classe e dedicou a atividade política aos pobres.
Isso é imperdoável.
O caminho inverso é o que o PiG enaltece.
O pobre que tornar defensor dos ricos, como o José Serra.
O Mino Carta – que diz essa semana que o Zé Baixaria será o bode expiatório dos ex-donos do poder -, o Mino Carta sabe das coisas.
Ele foi o primeiro a dizer que a Dilma dava uma boa sucessora do Lula.
E, depois, o primeiro a lembrar que a Dilma não é metalúrgica.
Quer dizer, ela não vai poder recorrer ao carisma incomparável do antecessor: o metalúrgico nordestino, sem um dedo, que não fala inglês e chegou lá.
O PiG e a elite branca (e separatista) de São Paulo serão incansáveis contra a presidenta.
O problema nuclear é ela ser trabalhista.
Dilma, por isso, não poderá cometer o erro do Lula.
Dilma vai precisar de uma Ley de Medios, porque ela não é metalúrgica, nordestina – e porque é mulher.
Mais do que isso.
Mesmo que ela tivesse todos os atributos do presidente Lula, quem precisa de uma Ley de Medios é a democracia brasileira.
Assim como o Brasil precisa distribuir a renda, instalar saneamento básico, aprimorar a educação etc etc, o Brasil precisa enfrentar essa ameaça permanente à democracia: o PiG.
O PiG só produz crise, já disse, lá atrás, o professor Wanderley Guilherme dos Santos.
O PiG escreve a agenda do Congresso e da opinião pública, disse, na crise do “caos-aéreo”, a professora Marilena Chauí.
O PiG e especialmente a Globo interditam a informação.
Como diz o Yacov, amigo navegante deste ordinário blog, o Brasil não passa na Globo.
O notável fenômeno da incorporação de uma Argentina ao segmento da Classe Média, no período de 7 anos – 32 milhões de pessoas –, esse progresso que entra pelos olhos de qualquer brasileiro que vá à rua – a Globo não viu isso.
Nem o PiG.
E como a Globo e o PiG não viram, o PSDB de São Paulo não viu.
E o Zé Baixaria é isso o que está aí: um saco vazio cheio de ódio.
A “mídia nativa”, diz o Mino, fecha a porta do Brasil aos brasileiros.
Os brasileiros só podem ver o que o PiG quer.
A presidenta Dilma Rousseff terá a responsabilidade garantir o direito à comunicação.
Um direito que vem da Grécia, da Revolução Francesa, de Tocqueville.
Não só a sobrevivência do Governo Dilma Rousseff estará em jogo.
É a própria democracia.
É por isso que este ordinário blogueiro faz parte do Instituto Barão de Itararé, que sob a liderança edificante do professor Fabio Comparato, prepara uma ADIN por Omissão para entrar no Supremo contra o Congresso Nacional.
O Congresso foi sitiado pelo senador Evandro Guimarães, o chefe do escritório de lobby da Globo em Brasília.
O Itararé quer que este sitiado Congresso regule os artigos da Constituição de 88 que tratam da Comunicação.
Nós, blogueiros independentes, fazemos a nossa parte.
A presidenta terá que fazer a dela.
Ou cai.
Os detritos de maré baixa da Veja e do PiG poderão contaminar seu governo irremediavelmente.
Dilma não é metalúrgica.
Em tempo: o Brizola se perguntava sempre: quantos passaportes tem o Sr. Civita? Na Argentina, o governo mandou a Editora Abril embora. Mas, lá, militar torturador vai para a cadeia
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário