PAULO SANTOS LIMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Em conversa com Jean-Luc Godard realizada na época do lançamento de "Hannah e suas Irmãs" (TC Cult, 2h20, 12 anos), Woody Allen criticava o quanto a linguagem televisiva não era uma experiência memorável ao espectador.
Aproveitando o filme, o diretor francês perguntou se a cena na qual os personagens fazem um passeio pela arquitetura novaiorquina não era também televisiva, pela montagem acelerada, em tomadas curtas, que dificultava a retenção do olhar.
Allen desconversou. Mas, evidentemente, este, que talvez seja o seu melhor longa, é também dos seus mais cinematográficos. É justamente pela fluidez com a qual a narrativa se desenrola que a promiscuidade entre os personagens encontra uma imagem na tela e toda uma dimensão natural, inevitável.
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