ESPECIAL PARA A FOLHA
Por que Fidel Castro escolheu uma publicação, logo dos EUA, para dar sua segunda entrevista (a primeira foi ao "La Jornada" mexicano) desde que reapareceu depois de longa reclusão por motivo de saúde?
Talvez por tratar-se de uma revista com o selo de liberal, a "The Atlantic".
Mas o repórter Jeffrey Goldberg não viajou a Havana sozinho, o que resultou, segundo analistas, numa operação não somente jornalística. Também diplomática.
Goldberg foi a Cuba em companhia da acadêmica americana Julia Sweig, especialista em Cuba do Council on Foreign Relations. Fidel convidou os dois.
O Council tem relações íntimas com o poder em Washington e costuma estar em dia com os ventos que sopram na capital dos EUA.
Na agenda recente da secretária de Estado, Hillary Clinton, houve visita a ele. Julia certamente foi portadora de algum tipo de recado de Cuba.
Fidel recordou acontecimentos traumáticos, como a crise dos foguetes em 1962, e não hesitou em partir para um mea-culpa.
Já não pediria, como pediu, que a ex-União Soviética atacasse os EUA com armas nucleares, desde que houvesse riscos de uma invasão de Cuba. Diz que sabe hoje que isso de nada adiantaria.
O recado de Fidel, transmitido por meio da "Atlantic" e do Council on Foreign Relations, seria o de que Havana está pronta para conversar.
Abertura externa e também interna, com o esperado anúncio da redução do papel do Estado na economia cubana.
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NEWTON CARLOS é analista de assuntos internacionais
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