segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Orquestração das denúncias tem requintes de crueldade

cartacapital

Quais serão as próximas denúncias na campanha eleitoral?
Celso Marcondes

20 de setembro de 2010 às 13:34h

Depois de Receita e Erenice, surgem os casos Tamiflu, marido de Erenice, Cid e Ciro Gomes, diretor dos Correios e uso de televisão estatal pela campanha governista. Um roteiro dos últimos 4 dias.

Reta final de campanha eleitoral no Brasil tem um roteiro clássico, mas neste ano ele voltou a ser usado de forma mais aprimorada e orquestrada. Com requintes de crueldade. É tanta coisa a acontecer, que ninguém consegue acompanhar. As denúncias são mais rápidas que os olhos, um final de semana é pouco para se tomar conhecimento de todas elas. Quando o leitor começa a entender um caso, surge outro a se sobrepor. E o anterior desaparece do noticiário.
O roteiro é mais ou menos o seguinte;

Sexta-feira: repórter de publicação semanal manda um tuite: “Embarcando para outro fechamento. Um fechamento muito especial”. (para quem não entende o jargão jornalísitico, referia-se ao “fechamento” da edição da revista que iria às bancas no dia seguinte).
Ex-deputado federal cassado também tuita: “Revista semanal vai trazer bomba de mais de 1.000 megatons contra o PT”.

Sábado de manhã: a referida publicação chega às bancas e traz mais uma denúncia bombástica de capa contra o governo federal e sua candidata.

As emissoras de rádio imediatamente dão destaque ao tema.

Ministro dá entrevista coletiva e nega veementemente a acusação.

Na internet, é o principal assunto do dia.

Um jornal nacional na televisão dedica bom tempo do seu noticiário para repercutir a denúncia. Os três principais candidatos à Presidência da República aparecem na telinha para falar sobre o caso.

O horário gratuito de candidato da oposição na TV mostra sua indignação sobre a onda de corrupção que assolou o Planalto.

Domingo: os grandes jornais dão grande destaque para o assunto e trazem novas denúncias.
À noite, na televisão, os candidatos falam a respeito das denúncias.

Segunda-feira: os grandes jornais dão capa para o novo escândalo trazido pela revista e trazem mais outras denúncias contra o governo e sua candidata.

As denúncias repercutem no rádio, vários comentaristas políticos se mostram ainda mais irados com os descalabros que tomam conta da nação.

Segunda-feira, hora do almoço: A imprensa aguarda pronunciamento oficial do governo sobre as novas denúncias e cobra medidas imediatas.

O que virá até o final do dia? E na terça-feira? O leitor é convidado a continuar a redação deste enredo.



Celso Marcondes
Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br

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