quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Classe C ainda tem ‘caixa’ para consumir

Pesquisa do Ibope revela que 9,5 milhões de pessoas que fazem parte desse estrato social querem comprar um carro nos próximos 12 meses

Márcia De Chiara – O Estado de S.Paulo
A capacidade da nova classe média, a classe C, de assumir novas dívidas não se esgotou, apesar do grande avanço do consumo registrado nos últimos anos. Pesquisa do Ibope Mídia revela que 9,5 milhões pessoas que fazem parte desse estrato social pretendem comprar um automóvel novo ou usado nos próximos 12 meses. A classe C reúne um contingente com renda mensal familiar entre R$ 600 e R$ 2.099.

Além de carro, os planos de consumo da nova classe média incluem a compra da casa própria. Segundo a enquete, que ouviu 20 mil pessoas dessa camada social entre fevereiro de 2009 e janeiro deste ano nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e o interior de São Paulo, do Sul e do Sudeste do País, 19% dos entrevistados querem comprar imóvel nos próximos seis meses.

“O crédito imobiliário tende a crescer de forma absurda. Vai triplicar nos próximos três ou quatro anos”, afirma Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia e responsável pela pesquisa.

Ela destaca que a classe C corresponde hoje à metade da população brasileira ou 100 milhões de pessoas. A amostra da enquete, isto é, na população urbana das regiões metropolitanas pesquisadas e no interior de São Paulo, do Sul e Sudeste, retrata o desejo de consumo de 32 milhões de pessoas de 12 a 64 anos.

Dora observa que a intenção da classe C de dar passos importantes no curto prazo, como comprar uma casa ou um carro, é sustentada pelo otimismo que esse estrato social mantém em relação ao futuro. De acordo com a pesquisa feita em 2009, metade dos entrevistados acreditava que a sua situação econômica estaria melhor neste ano. Na pesquisa de 2005 que projetava a situação para 2006, esse índice era de 40%.

A pesquisa mostra dois resultados curiosos que revelam um comportamento de consumo diferente do que se pressupõe para essa nova classe média. O primeiro é que a maioria dessa população (61%) não gosta de ter dívidas. Eles compram a prazo por uma questão de necessidade.

Outro dado relevante é que 65% planejam a compra para bens de grande valor. Dora observa, no entanto, que essa não é atitude do consumidor de classe C no caso de produtos de menor valor. “29% dos entrevistados se declararam consumidores impulsivos quando vão ao supermercado”, diz ela.

Shoppings. Outro paradigma quebrado pela enquete é a preferência desse consumidor pelas lojas de rua. Mais da metade, 60% dos consumidores da classe C 1 e 53% da classe C2, fizeram compras em lojas de rua nos últimos 12 meses. Dora pondera que esse consumidor vai ao shopping para passear, mas realiza as compras em lojas de rua.

Com relação a aspectos qualitativos e gerais do perfil dessa nova classe média, Dora destaca que se trata de uma população mais jovem em relação às classes mais abastadas e composta em sua maioria por afrodescendentes, exceto nos Estados do Sul.

A presença da mulher como responsável pela família e com mais poder de decisão sobre o consumo é marcante: 32% das mulheres são chefes de família na classe C, ante 25 % na A/B.

Educação
Apenas 23% da população da nova classe média urbana fala um segundo idioma, aponta pesquisa do Ibope Mídia. Esse resultado indica um grande potencial para esse segmento educacional

QUEM É E O QUE PRETENDE A NOVA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA

Perfil
- É mais jovem que as classes A e B.
- A maioria é afrodescendente, sendo 41% em Salvador e 22% em Brasília. Esse resultado não é válido para os Estados do Sul. – Os homens vivem menos que as mulheres.
- As mulheres têm mais responsabilidade sobre a família, sendo 32% delas como chefes de famílias na classe C, ante 25% nas classes A e B.
- 27% da classe C está acima do peso, ante 31% das classes A e B.

Planos
- 9,5 milhões planejam comprar um automóvel novo ou usado nos próximos 12 meses.
- 19% pretendem adquirir a casa própria nos próximos seis meses.

Comportamento
- 61% não gostam de contrair dívidas e compram a prazo por necessidade.
- 65% planejam as compras quando vão adquirir itens de grande valor.
- 60% da classe C1 e 53% da C2 compram em lojas de rua

Perspectivas
As classes C, D e E vão crescer 8% ao ano até 2013, o dobro das classes A e B

Postado por Luis Favre
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Tags: Classe C, consumo, mercado interno, Renda

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Voltar para o início 06/10/2010 - 11:54h
Classe C: 19% vão comprar imóveis


Pesquisa do Ibope mostra ainda que 9,5 milhões pretendem adquirir um carro em 12 meses

Ronaldo D’Ercole – O Globo
SÃO PAULO. Maior grupo de consumo da população brasileira, com mais de 100 milhões de pessoas, a classe C tem pressa para adquirir casa própria e carro. Com maior estabilidade no emprego e a renda em ascensão nos últimos anos, 19% das pessoas da chamada “nova classe média” planejam comprar um imóvel nos próximos seis meses, e 9,5 milhões pretendem comprar um carro (novo ou usado) num horizonte de 12 meses.

Os dados são da pesquisa “Classe C Urbana no Brasil: somos iguais, somos diferentes”, divulgada ontem pelo Ibope Mídia.

— A vontade de comprar é altíssima nessa categoria social, capaz de fazer crescer consistentemente setores da indústria de bens e serviços — diz Dora Câmara, diretora Comercial do Ibope Mídia Brasil.

A pesquisa revela um otimismo crescente por trás desse desejo de consumo. Sobre o futuro, 84% disseram acreditar que estarão em situação econômica melhor daqui a 12 meses.

E, para 50%, as condições de vida melhoram no último ano.

Mesmo já inseridos no mercado de consumo — 53% têm cartão de crédito ou de loja —, 39% dizem não saber nada sobre finanças ou investimentos. Nas classes A e B, 83% dos consumidores usam cartão. Isso mostra, diz Dora, o enorme potencial para a expansão dos produtos financeiros na classe C.

O estudo revela ainda que, embora ávidas por consumo, 65% da classe C não abrem mão de planejar suas compras. E 29% disseram guiar-se pelo impulso na hora de consumir. Além disso, com 32% das famílias comandadas por mulheres, 61% dos entrevistados disseram não gostar de ter dívidas.

Também há diferenças entre os hábitos de consumo da classe C frente às de renda mais alta.

Enquanto 74% das pessoas das classes A e B compraram em shoppings nos últimos 12 meses, na classe C o percentual cai para 30%. Mais de 60% disseram preferir as lojas de rua.

— O ambiente de rua ainda é onde esse consumidor se sente mais à vontade — diz Dora.

Menos de 10% fazem compras pela internet A internet também é pouco explorada: menos de 10% compraram algo na web nos últimos 12 meses. Segundo a diretora do Ibope, como eles têm o cartão há pouco tempo, falta confiança para informar seu número na internet.

Esta é usada no contato pessoal: mais de 30% se conectam à rede principalmente para entrar em sites de relacionamento, como Orkut, Gazzag etc.

A pesquisa distribui os consumidores da classe C em quatro categorias: racionais, consumistas, personalistas e conformistas.

Os racionais (31%) têm predominantemente 35 anos. Eles planejam suas compras, buscam descontos e gostam de cuidar de si e de suas casas. Entre os consumistas (29%) destacam-se as mulheres. Em geral, são impulsivas, mas planejam na hora de consumir bens duráveis. Já os personalistas (21%) são, na maioria, jovens e vaidosos. Finalmente, os conformistas, na maioria homens, pouco se importam com a aparência e suas casas.

O Ibope Mídia identificou ainda como “traços básicos” da nova classe média o fato de ser predominantemente jovem e composta, em sua maioria, por afrodescendentes (com exceção da região Sul).

Foram entrevistadas 20 mil pessoas, entre fevereiro de 2009 e janeiro deste ano, nas principais regiões metropolitanas (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador e Campinas) e cidades do interior do Sul e Sudeste.

Postado por Luis Favre
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Tags: Classe C, Classe media, consumo, imóveis, mercado imobiliário, Renda

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Voltar para o início 06/10/2010 - 11:29h
Queda da desigualdade em 2009 foi mais lenta, mostra estudo do Ipea

Segundo instituto, os 60% mais pobres têm só 22% da renda nacional

Vivian Oswald – O Globo
BRASÍLIA. A desigualdade de renda voltou a cair no Brasil em 2009. O ritmo da queda, porém, foi mais lento do que nos cinco anos anteriores. A crise econômica mundial pode estar entre as principais explicações para esse fenômeno, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.

O coeficiente de Gini, usado para calcular o tamanho desigualdade, ficou em 0,538 no ano passado, contra 0,544 em 2008. O indicador varia de zero a um. Quanto mais próximo de zero, menor a concentração de renda. Mesmo com a trajetória declinante observada desde 1998, o estudo mostra que os 60% mais pobres detêm apenas 22% da renda do Brasil.

— Um quarto das diferenças entre os mais ricos e os mais pobres se explica pela falta de estudos — afirma Sergei Soares, técnico do Ipea.

Falta pouco para acabar com miséria extrema, diz técnico

Segundo o instituto, a renda do trabalho tem um peso muito maior sobre a queda da desigualdade do que outras fontes (renda previdenciária ou programas de transferência), o que explica a razão pela qual a velocidade dessa redução tenha sido menor em 2009, a despeito das ações do governo para mitigar os efeitos da crise e da alta do salário mínimo.

O estudo confirma a redução da pobreza. A população com renda familiar inferior a R$ 50 per capita caiu de 10,3% do total em 2001 para 4,8% em 2009; os que ganham menos de R$ 100 passaram de 26,1% para 13,7% e os que recebem até meio salário, de 45,4% para 29,2%.

— Matematicamente, falta pouco para eliminarmos a extrema pobreza. Mas isso não quer dizer que as políticas a serem adotadas sejam fáceis — diz Soares, lembrando que é preciso acertar o foco das ações.

Os 5% mais ricos da população tiveram o menor percentual de aumento de renda no período. Entre 2001 e 2005, na verdade, tiveram queda dos seus rendimentos, de 2%. De 2005 a 2009, mais do que recuperaram a perda com um aumento de 13%. Nos mesmos períodos, a renda dos 10% mais pobres subiu 64% e 20%, respectivamen

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