segunda-feira, 11 de outubro de 2010

GOVERNO CRIA NOVO CAMPING PARA A MÍDIA

Duas retroescavadeiras aplainavam ontem a área equivalente a um campo de futebol para criar um segundo camping para acomodar repórteres que não param de chegar à mina. Já estão no local 2.500 jornalistas de 33 países. A maior parte dessas pessoas deverá dormir na mina a partir de hoje, acompanhando os trabalhos de resgate.

Euforia toma conta de famílias que seguem resgate
DA ENVIADA A COPIAPÓ

Ontem foi um domingão na mina San José.
Muitas famílias que vinham acompanhando de longe os trabalhos de resgate fizeram questão de subir até a mina. Pontualmente, às 10h da manhã, o ônibus fretado pelo Exército chileno saiu da praça da Intendência, a mais importante de Copiapó, onde fica a sede do governo de Atacama.
Lotação máxima, levava 43 familiares de mineiros presos, dois padres franciscanos, um poeta.
Todos os dias, o ônibus do Exército sai na mesma hora, da mesma praça, desde o desabamento, em 5 de agosto.
Apesar de, durante todo o período de trabalho das máquinas, as famílias tentarem manter alto o moral, o ônibus sempre ia em silêncio, enquanto passava por áreas de vinhedos e olivais, depois por montanhas de deserto seco, até chegar à mina.
Ontem as coisas estavam diferentes. Já dentro do ônibus, uma mulher chamou a amiga pelo telefone: "Como não vai para a mina? Você foi no período mais triste e sem esperança e não vai agora? Não aceito. Venha já."
Em cinco minutos, a amiga estava no ônibus com duas crianças. Trazia consigo uma sacola de doces para os filhos dos outros mineiros.
Quando o ônibus partiu, apresentou-se ao pessoal o mineiro aposentado Guillermo Oroya Carvajal.
Hoje professor e escritor, Carvajal aproveitou que ontem era domingo e que amanhã será feriado no Chile, para levar ao mineiros a poesia que compôs em homenagem a eles. O título, "Perdidos, nunca esquecidos."
Todo o ônibus se levantou para aplaudi-lo quando ele acabou de declamar a poesia, enquanto as mulheres enxugavam as lágrimas.
Ao descer do ônibus, já na mina, eram só alegria. (LC)





A mesma foto do presidente chileno, o conservador Sebastián Piñera, abraçando o mineiro Florencio Ávalos ocupou a capa de jornais ao redor do mundo, ontem. E a mesma transmissão ao vivo, também com ambos, ocupou as televisões. Segundo a BBC, "a foto e o vídeo da saída dos mineiros" foram distribuídos "exclusivamente pelo governo chileno, via fotógrafo e TV oficiais". Ainda assim, em locuções na CNN, por exemplo, que se dedicou integralmente à cobertura, sobraram elogios às imagens. Isolado, o "New York Times" arriscou breve restrição.





Por outro lado, no relato da agência France Presse, a "desordem da mídia desfigurou a alegria da família" de Ávalos, "tomada subitamente de horror quando centenas de jornalistas pisotearam sua barraca", logo depois que ele deixou a mina. "Repórteres puxaram os cabelos, deram socos e quase nocautearam outros repórteres, quebrando móveis e derrubando a tenda. Finalmente, a turba midiática se dispersou." Poucas horas depois, outro mineiro, Mario Sepúlveda, dizia aos jornalistas: "A única coisa que peço à mídia é que não nos trate como artistas".

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