terça-feira, 9 de novembro de 2010
mídia e sociologia - Dominique Wolton - A solidão das redes sociais
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luisnassif, ter, 09/11/2010 - 15:00
Por NeyLima
Da Folha
Solidão no Facebook
As redes sociais mascaram a ausência de comunicação entre as pessoas, diz o sociólogo francês Dominique Wolton
MARCOS FLAMÍNIO PERES - FOLHA DE SÃO PAULO
Agora que o Facebook virou filme e as redes sociais parecem ter liberado o homem para toda forma possível de comunicação, vem um intelectual francês dizer que vivemos sob a ameaça da "solidão interativa".
Dominique Wolton, 63, que esteve no Brasil há duas semanas, bate ainda mais pesado. Para ele, a internet não serve para a constituição da democracia: "Só funciona para formar comunidades" -em que todos partilham interesses comuns-, "e não sociedades" -onde é preciso conviver com as diferenças.
Sociólogo da comunicação e diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica (Paris), ele defende na entrevista abaixo que, depois do ambiente, a "comunicação será a grande questão do século 21". Em tempo: "A Rede Social", de David Fincher, estreia nos cinemas brasileiros no início de dezembro.
Folha - Como vê a internet?
Dominique Wolton - Faço parte de uma minoria que não é fascinada por ela. Claro, é formidável para a comunicação entre pessoas e grupos que se interessam pela mesma coisa e, do ponto de vista pessoal, é melhor do que o rádio, a TV ou o jornal.
Mas, do ponto de vista da coesão social, é uma forma de comunicação muito frágil. A grandeza da imprensa, do rádio e da TV é justamente a de fazer a ligação entre meios sociais que são fundamentalmente diferentes. Nesse sentido, a internet não é uma mídia, mas um sistema de comunicação comunitário.
Mas e as redes sociais?
Elas retomam uma questão social muita antiga, que é a de procurar pessoas, amigos, amor. São um progresso técnico, sem dúvida, mas a comunicação humana não é algo tão simples.
Porque em algum momento será preciso que as pessoas se encontrem fisicamente -e aí reside toda a grandeza e dificuldade da comunicação para o ser humano.
Então a solidão é um risco nessas redes?
Sem dúvida: a "solidão interativa". Podemos passar horas, dias na internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira relação humana com quer que seja.
Isso tem a ver com o conceito que criou -o de "sociedade individualista de massa"?
Sim, porque na comunicação ocidental procuramos duas coisas inteiramente contraditórias: a liberdade individual -modelo herdado do século 18- e a igualdade por meio da inserção na sociedade de massa -que é o modelo do socialismo.
Usamos a internet porque ela é a liberdade individual. Na internet, todo mundo tem o direito de dar sua opinião, mas emitir uma opinião não significa comunicar-se.
Porque, se a expressão é uma fase da comunicação, a outra é o retorno por parte de um receptor e a negociação que implica -e isso toma tempo!
Há um fascínio pela rapidez da internet e por sua falta de controle.
Mas essa falta de controle é demagógica, porque a democracia não é a ausência de leis, mas a existência de leis utilizadas por todos.
A internet foi decisiva para a eleição de Barack Obama?
Acho que se projetou um sonho que não correspondeu à realidade. Obama sempre foi ligado às questões sociais e sabia de sua importância. O que fez foi usar a internet para multiplicar a eficácia dessas relações. Usou a internet de modo bastante clássico.
O Google está nos tornando estúpidos?
Ele está se tornando a primeira indústria do conhecimento, concentrando de forma gigantesca a informação e o saber -o que é um perigo.
Se um grupo de mídia quisesse concentrar toda a distribuição de informação, alguém diria: "Atenção, monopólio!". Mas não se faz isso em relação à internet, tamanho é o fascínio pela técnica na sociedade atual.
O papel está condenado?
Ao contrário! Porque internet é rapidez, livros e jornais são lentidão e legitimidade -informação organizada. A abundância de informações não suprime a questão prévia de que educação é formação.
http://www.google.com.br/search?q=Dominique+Wolton&rlz=1I7GGLL_pt-BR&ie=UTF-8&oe=UTF-8&sourceid=ie7&redir_esc=&ei=Ot7ZTLK9DMH48Aar-9z3CQ
http://www.google.com.br/search?q=site+Dominique+Wolton&rlz=1I7GGLL_pt-BR&ie=UTF-8&oe=UTF-8&sourceid=ie7&redir_esc=&ei=kd_ZTPftEoL58Abl6b3rCQ
http://www.wolton.cnrs.fr/
http://fr.wikipedia.org/wiki/Dominique_Wolton
Pensar a comunicação é uma obra de Dominique Wolton, publicada pela Flammarion em 1997 (republicada na série "Ciência Campos" em 1998). (ISBN 2080814133)
O livro é composto de 18 capítulos, agrupados em seis partes. Os últimos 5 peças resumir o trabalho de 20 anos de estudos de Dominique Wolton no campo da comunicação, enquanto a primeira parte revela os aspectos teóricos de seu pensamento, um método que chama-se "empírico-crítica" : empírico, pois enfatiza a importância da investigação prática, como elemento crucial para a interpretação do autor, tem precedência sobre a descrição.
"A área de pesquisa de Dominique Wolton sobre, por meio de numerosas publicações, a análise da relação entre cultura, comunicação, sociedade e política. Tendo escrito extensivamente sobre a mídia, a comunicação política, aEuropa, na Internet, que examina e cultural conseqüências políticas da globalização da informação e comunicação. " (Trecho do artigo da Wikipedia sobre Dominique Wolton)
A Teoria da Comunicação
Para Dominique Wolton, a comunicação abrange dois aspectos distintos que são a comunicação normativa e funcional da comunicação.
A comunicação refere-se ao ideal normativo que todo mundo é a comunicação: a comunicação que nos permite entender melhor, partilhar, partilhar com os outros. Por outro lado, a comunicação funcional, como o próprio nome sugere, a comunicação diretamente útil, que nós usamos para interagir uns com os outros. De alguma forma, a comunicação normativa é uma comunicação "bottom", onde a chave é a compreensão mútua,
a comunicação é uma comunicação funcional "forma", cujo objetivo é a maneira eficiente.
Para Dominique Wolton, estas duas dimensões da comunicação são inseparáveis e são encontradas em todos os níveis de comunicação, seja nas comunicações interpessoais, que, idealmente, são mais freqüentemente regido pela comunicação normativa, mas ainda não não estão livres do elemento de comunicação funcional, ou na comunicação técnica e social, que, embora seja na maioria das vezes usam uma comunicação funcional não é desprovida de elementos da comunicação normativa.
Ambos os aspectos são necessários para que ele a ter em conta sempre que refletimos sobre a comunicação necessária para localizá-lo e saber que conexão existe, uma vez que ambos os tipos de comunicações de grande sobreposição em diferentes situações .
É a partir dessa distinção entre a comunicação ea comunicação funcional normativo que D. Wolton pode desenvolver o que ele chama-se "a idéia central" de seu livro: que, graças à existência de um ideal de comunicação existe entre todos nós, ele nunca ser insano em princípios simples de comunicação funcional, como todas as indústrias de comunicações crescer em nome da comunicação normativa, deixando espaço para a crítica, a crítica que surge precisamente da diferença encontrada entre os "discursos e promessas e realidades interesses ".
Para desenvolver esta tese, D. Wolton é obrigado a assumir uma capacidade crítica do cidadão, defende tema em toda sua obra, mas também em suas outras obras.
A tese central de Dominique Wolton, é que o cidadão é ser crítico, que não é alienada pela mídia, dá a seus trabalhos uma grande força democrática e difere do pensamento tradicional sobre a tirania da mídia. De facto, D. Wolton lembra que não podemos assumir um cidadão não tem livre arbítrio, porque poria em causa o próprio fundamento da democracia.
Não há democracia sem comunicação, o autor reconcilia estes dois conceitos de um terceiro, que os une: a modernidade.
Para ele, o nascimento das democracias modernas, a partir da XVIIIª século, acompanhado pelo desenvolvimento das comunicações, desde o século XVII, o crescimento tem sido muito grandes inovações no XXº século, as mutações cada vez mais rápido (telefone, televisão e agora internet).
De acordo com D. Wolton,
o que caracteriza a modernidade é a vontade de se abrir ao outro,
e a comunicação é necessariamente um papel muito importante neste processo. É aí que vem a idéia de "dupla hélice da Comunicação", mostrando que as origens da comunicação normativa e normativa de comunicação funcional é o fruto do nosso sistema judaico-cristã, pretebde vê-la como uma maneira de descobrir a outros e, assim, melhorar o indivíduo,
e nosso pensamento democrático que faz os outros de igual para igual e, portanto, permite que a democracia, a comunicação funcional baseado no sentimento de querer se expressar, ter um total jurisprudência, e os rendimentos do potencial oferecido pela comunicação. Essas quatro raízes estão em oposição com a cultura do individualismo indivíduo nasce, compartilhando com a outra lógica nascido de interesse. Isto é o que o autor chama de "dupla hélice de comunicação" é o que faz girar.
D. Wolton também exibe seu trabalho na técnica e enfrentando dificuldades teóricas do pesquisador no campo da comunicação. Na verdade, esta disciplina, que não é uma realidade, já que depende de várias disciplinas, tais como aantropologia, a linguagem, ahistória, a psicologia, etc, é uma disciplina relativamente nova na história da pesquisa (cerca de trinta). O centro de comunicação do CNRS foi criado em 2006 por Dominique Wolton. E para ele, algumas áreas oferecem muita resistência à análise, porque a comunicação é uma área onde vários interesses jogadores não o querendo empurrar um texto científico: os jornalistas preferem os eventos de velocidade, do sexo masculino políticas meramente posição ideológica, técnicos de ouvir a inovação e tecnologia no mercado jogadores discurso analisar os mercados para vir. É por esta razão que o autor considera essencial para o verdadeiro conhecimento da comunicação, o que não é de profissionais, o que evita a sua instrumentalização. Depois de uma breve história da comunicação da ciência, D. Wolton erguidas cinco pontos são as chaves para o estudo da comunicação: manter em mente que a comunicação está na encruzilhada de várias disciplinas, promover a interpretação com relação à descrição, tendo em conta o contexto, o trabalho em longo prazo, alcançar comunidade científica em torno da comunicação.
Vinte anos de estudo [mudança]
O autor apresenta considerações teóricas sobre depois de seu "modo de pensar a comunicação", fruto de suas pesquisas e reflexões sobre a televisão, a comunicação ea democracia, o jornalismo, a novas tecnologias eda Europa, permitindo que ele para resumir 20 anos de estudo.
Em termos de televisão, o autor baseia-se na idéia de que, dentro da nossa sociedade individualista de atos em massa de laços sociais, ao contrário daEscola de Frankfurt, que viam nele um instrumento dealienação e dominação, e, portanto, privou-o de qualquer dimensão normativa. Para ele, a televisão permite aos cidadãos dar uma visão geral da empresa, uma vez que não escolher o que assistir, então ele quebra as fronteiras da UE que possam existir. Também desenvolve um sentido de pertença à sociedade, uma vez que todos os membros de uma sociedade de ver a mesma coisa ao mesmo tempo, e podem falar uns com os outros. Portanto D. Wolton não acho que a aparência de canais como uma revolução, porque eles não cumprem esse papel de laços sociais, mas desenvolve o senso de comunidade.
D. Wolton também fazer uma ligação entre comunicação e democracia, porque a comunicação é o componente-chave da democracia : na verdade, é uma comunicação que ajude a estabelecer um espaço público no qual os tópicos são debatidos na sociedade. Também os meios de comunicação disponíveis a ele que os cidadãos adquiram os conhecimentos necessários para as suas escolhas. Nesse sentido, D. Wolton longe da Escola de Frankfurt, que vê o surgimento de novas tecnologias como meio de dominação vai contra a democracia. O autor, apesar de não negar os efeitos negativos que pode ter comunicação de massa, mostra que a maioria é contrária a corrigir erros do sistema. Ele coloca todas as vezes de guarda contra os excessos da comunicação, nomeadamente em termos de comunicação política.
No que diz respeito ao jornalismo, o autor aponta para alguns problemas: a riqueza de informação nunca foi abundante e as pessoas ainda assim hoje têm menos confiança e menos em informações oficiais, o jornalista ainda está lutando para problemas pertencentes a XIXª século, como relata o jornalista / político (embora o mundo de hoje a pergunta é sim uma relatórios jornalista / economia), a liberdade de imprensa (embora seja quase ganhou em nossos países ocidentais, e tem de lidar com a sobrecarga de informação). Portanto, existe uma lacuna entre a representação que os jornalistas têm de si mesmos e lhes dá a confiança do público. Para superar esta crise, a profissão de jornalista precisa ser repensada pelos próprios jornalistas, usando suas chaves fornece Dominique Wolton.
Na sua seção sobre novas tecnologias, D. Wolton critica a visão comum de que a comunicação está passando, ou viver uma revolução em breve. Para ele, este termo deve ser qualificado, porque, se inegavelmente impressionante progresso técnico, uma revolução em algumas áreas, seja qual for, só pode vir através de uma profunda mudança de mentalidade, como foi o caso da invenção da imprensa, por exemplo. Ele disse que essas novas tecnologias não criam uma nova sociedade, como alguns prevêem. Os mecanismos dessa tecnologia ideologia são numerosos: eles são de que o público quer acreditar é verdade, como ele é sedutor, ele representa a mudança ea mudança em nossa civilização é sinônimo de progresso e é o símbolo modernidade.
Finalmente, D. Wolton termina o resumo de sua pesquisa para o papel da comunicação naEuropa. Para ele, aEuropa representa agora os problemas que podem estar relacionadas com a comunicação: na verdade, em todos os Estados-Membros, a mídia é majoritariamente alinhada por trás do projecto europeu, mas o público continua a ser suspeito ou céticos, De qualquer forma ele não mostra o entusiasmo que se comunica a mídia. Isso só reflete o que é talvez a característica mais importante da comunicação como um objeto de estudo: a resistência do receptor, o fator esquecido rapidamente na maioria das vezes. No entanto, a passagem da Europa para a Europa política econômica é um desafio para a comunicação, pois terá de ser um reflexo das diferentes identidades que é, e não de pensamento da Europa Ocidente.
Interesse dos trabalhos [editar]
O livro de Dominique Wolton difere de outros livros sobre comunicação, por natureza otimista. Na verdade, outras estruturas, como as feitas pelaEscola de Frankfurt , ou a tirania da comunicação,Ignácio Ramonet, por exemplo, ver a comunicação na sociedade de massa como um instrumento de dominação e alienação de pessoas. D. Wolton, é muito mais sutil, e se ele vê excessos e usa insalubres que são feitos de comunicação, demonstra que os mecanismos que governam são muito mais complexa do que parece. Para ele, a declaração, todos os enganosa e errada por causa da força do receptor, que não está em casa um escravo ovelhas imagens simples passando diante de seus olhos. Isto é o que dá a esta dimensão democrática para o livro, que leva o leitor a repensar seu conceito de democracia, um termo que é usado com freqüência e cujo significado é claro para nós, adquiriu, por isso que muitas vezes as nossas decisões que crescer para esquecer.
A segunda característica deste livro é fazer um balanço, em um livro conciso, 20 anos de estudo, permitindo que o leitor novato a ganhar uma base sólida para conduzir imediatamente a sua análise, ou o jogador mais experiente familiarizar-se com o pensamento de Dominique Wolton, em seguida, se necessário, consultar o livro correspondente. Nesse sentido, a extensa bibliografia contida no final de cada capítulo também permite ir mais longe. O livro oferece todas as condições para que seu título pode considerar, incluindo todo o equipamento necessário para pensar a comunicação e suas nuances, e em todos os níveis.
Finalmente, através de seu trabalho de investigação e análise, D. Wolton mostra que devemos tomar cuidado com os falsos profetas, que previu e ainda prever a revolução de nossas sociedades, com o advento das novas tecnologias, porque a realidade é mais complexa, e que demonstra que tudo isso é que Técnico ideologia.
Em suma, enquanto o livro nos convida à reflexão, ao invés de seguir as idéias que estão em sintonia com os tempos, o que soa bem mas que no entanto não refletem a complexidade do estudo da comunicação, que D. Wolton, através de sua vida e sua obra oferece uma base sólida para o estabelecimento de uma nova disciplina, cujo centro de investigação no CNRS acaba de abrir com o nome deInstituto de Ciências da Comunicação e do CNRS.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Penser_la_communication
http://fr.wikipedia.org/wiki/Dominique_Wolton
frases
vi uma reportagem sobre uma pesquisa que fizeram, na qual concluíram que, aqueles que têm acesso à net, têm muito mais chance de encontrar a cara metade
"O Twitter faz eu gostar de pessoas que nunca vi; o Facebook faz eu odiar as que eu conheço."
Àquela altura da batalha, não tive tempo de me deter no assunto. Porém, reestabelecida a paz, é hora de voltar ao tema.
Quem navega com alguma frequência pelos dois universos (do Twitter e do Facebook) há de concordar que de fato ocorre o que sugere a frase.
No twitter, onde os vínculos se estabelecem a partir de mensagens curtas - com no máximo 140 caracteres - nossa tendência é nos instalarmos numa espécie de 'cluster' virtual , um emaranhado de pessoas que têm em comum o interesse por determinados temas. Ou seja, a escolha dos pares é definida principalmente a partir do conteúdo das mais diversas mensagens que nos chegam.
Já no Facebook, onde os nexos se dão a partir das redes de relacionamentos prévios que cada um possui - familiares, colegas de trabalho, amigos de escola, torcedores do time, vizinhos de bairro, etc. - constroi-se um 'cluster' que tem como fator de união as várias dimensões sociais de cada um de nós. Aqui, partimos do mundo real para nos reunir no virtual.
E aí, comparando os dois 'mundos', os dois 'clusters' ou as duas 'nuvens', como queiram, descobre-se que nossa identidade é muito maior com os 'fulanos' do twitter do que com a larga família que nos rodeia no Facebook.
Bobagem? Talvez, mas creio que uma bobagem reveladora.
Com esses aparatos da internet, podemos hoje contatar gente de órbitas que desconhecemos em absoluto, captando de cada qual apenas aquilo que de comum tem conosco. Caem por terra os monopólios sociais, os limites físicos, os preconceitos étnicos, as hierarquias culturais, e tocamos diretamente um outro que sequer podemos saber se existe de fato, onde está ou que apito toca. Mas, apesar disso, compartilhamos algum ponto de vista, temos alguma afinidade, talvez única e ligeira, mas suficiente para ampliar nossos nexos com o mundo.
Noutros termos, se admitirmos que nossa existência é fundamentalmente uma resultante de nossas experiências comunicativas, então podemos dizer que - potencialmente ao menos - essas novas experiências de comunicação nos habilitam a expandir exponencialmente nossa existência. Notem bem, não penso exatamente no aspecto quantitativo, mas no fato de que os campos semânticos que nos servem de substrato para pensar e existir são intensa e irremediavelmente contaminados e, portanto, alargados a limites que não somos capazes sequer de antever.
Por outro lado, quando olhamos para nossa turma no Facebook, encontramos um monte de gente que nos é cara, grandes amigos, rostos saudosos. Mas, nesse ambiente virtual, explicitam-se os anacronismos daquelas relações, cujo amálgama descobrimos não ser exatamente as afinidades como supúnhamos, mas antes a escolha entre aqueles que, no limite, frequentam nosso estamento. No Facebook, com o auxílio da tecnologia, somos capazes de reunir todas as nossas patotas, de diferentes épocas e lugares. Mas, ali se revela o peso e a força da 'nossa' sociedade. A idéia abstrata de que somos um suporte de relações sociais nos diz bom dia.
Lucas Doca É interessante ouvir uma opinião com argumentos bem fundamentados de um não-entusiasta da internet. Uma avaliação crítica muito necessária, porém escassa. Como um assídio utilizador da internet (tanto no trabalho quanto em estudos e comunicação), é fácil se apaixonar pela bokha digital e esquecer das pouco práticas e fundamentais relações interpessoais diretas.
Por mais que eu passe horas conversando com um grande amigo pela internet, nada substitui um abraço. Por mais que eu escreva em caixa alta impropérios em uma discussão online, nada substitui a voz firme e gestos duros. Todos sabemos disso, não é?
Não é?
Outra coisa se formos pensar em meio a solidão - no principio também se achava que a televisão iria fazer com que as pessoas não conversassem mais etc etc - ao contrario - ela aproximou reunindo as pessoas em frente a elas e gerando comentários a respeito dos programas. Por isso radicalizar em meio ao processo comum e necessário de evolução no que diz respeito a comunicação eu sou contra a este tipo de pensamento e acho realmente que isso só nos faz parar no tempo e não seguir adiante.
Não concordo, dizer q a internet cria guetos e estimula a solidão é colocar a "carroça na frente da boiada",uma vez que o problema da individualização e, portanto, solidão vem da sociedade de consumo que vivemos, além do mais esse argumento, assim como tantos outros que se intitulam "os perigos da internet", me parece uma pré-disposição ao controle da mesma.
Humberto Cavalcanti Ótima inserçao.
Mas, Nassif,
náo gostei da rapidez, do tempo curto do Brasilianas desta 2a. feira.
A pessoa dissonante no programa teve pouquíssima oportunidade de falar, foi, pelo tempo da tv e do programa, foi cortada por vocé, pra ouvir outra pessoa, etc.
Náo sei se já comentei por aqui, mas os e as colunistas de cadernos de informa'tica e de blogs que acenam com o record mundial de brasileiros em redes sociais e de acesso á web como reflexo, como uma prova, demonstraçao do jeito amigável, aberto e liberal dos brasileiros acho que naó passa de auto-engano, de ilusáo, quem sabe pra compensar nosso atraso, nossas incivilidades que nos dificultam a ver e a contatar o outro (o Outro, isto é, o que é diferente de mim, e náo o contato entre mesmos, a conversa ou os debates entre os mesmos, mesmices superficiais, amizades superficiais.
Um mito realimentado nas superficiais revistas, jornais e na internet e cito aqui agora
> (vivi náo só pelo tempo, mas pelo senso de observaçao e trocas com poucos amigos muito observadores também vivendo em vários lugares no Brasil), um mito do nordestino mais fácil de fazer amigos (só se for com estrangeiro, com sulista, que dá status ter amizade ou ser simpático a visitantes menos atrasados )
versus
o mito do gaúcho fechado, desconfiado,
mitos que até gente alfabetizada, viajada, enxerga com olhos de preconcepcóes.
Levando ao extremo pra melhor falar desses mitos é a piada, quase a verdade consensual de que baianos e cariiocas sáo apenas supostos fáceis amigos, sendo falsos (na boca do povo é isso, ou vocé náo conhece o que é um outro mito, o do nordestino e do carioca na boa, levando tudo na boa:
Porém.... RJ sendo a 2a. capital de maior índice de hipertensáo, e sendo Recife a 1. colocada - de uma entrevista q ouvi recentemente na, perdoe, CBN Recife ).
O ínidice de record de acesso e de tempo e de amizades internéticas pelos brasileiros ao invés de trazer otimismo por uma suposta maior sociabilidade, esta acentuada pela ferramenta do computador e das redes, apenas, a meu ver, apontam pra uma tristeza, pra nossa moralidade (menina, moça, mulher direita é treinada pra cruzar com pessoas de outro sexo como se fossem fantasmas na rua, pela calçada, por todos os cantos, exceçao que náo é excecáo, sáo as passarelas adequadas de shopping-centers, e 'points' sociais de encontro, onde isso passa a ser uma obrigatoriedade, mostrar-se descolado, liberal, cheio de piercings, tatuagens, poses de atitudes pra.... compensar a deficiéncia justamente disso tudo. As pessoas, meninas de várias idades, as mais e realmente , verdadeiramente liberais que conheci foram exatamente as que náo usavam dessas fantasias, trajes e trejeitos, "atitudes", bundas empinadas, fios-dentais, beicinhos, charmes.
( To tentando ouvir e assistir ao Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias ! )
André Sobre a questão de comunidades com pessoas de interesses comuns, não esqueçamos que isso é apenas reflexo do que está a nosso redor: todo dia temos de conviver com as diferenças, mas há horas em que não queremos conviver com as diferenças e encontrar gente que tenha mais ou menos os nossos interesses. Se gosto de forró pé-de-serra e o pessoal a meu redor não gosta, a existência de comunidades sobre o assunto é uma ótima oportunidade de poder conversar com quem me entende, uma vez que na sociedade é muito comum que a tentativa de fazer os outros conviver com as diferenças que você possui são apenas e tão somente dar injeção em cadáver.
Sobre a solidão interativa, tenho notado isso muito no Orkut. Infelizmente o brasileiro resolveu provar ao mundo a escrita de que, quando vê algo bom, que funciona e é de graça, logo trata de apodrecer a coisa, em um podre que funciona bem e é de graça. Infelizmente a dinâmica de nosso povo é a de que, se alguém dá ideia, logo outros aceitam essa ideia e se essa ideia for ruim, logo se multiplicará exponencialmente. Foi o que aconteceu no site azulzinho da Google.
E por que falo isso? Porque antes de ele se tornar o que se tornou, era possível nas comunidades uma série de coisas extremamente interessantes, como debates sérios e abalizados (mesmo em comunidades humorísticas, até porque ninguém é mais sério do que aquele que faz humor) e orkontros (encontros marcados nas comunidades do Orkut). As pessoas até se esqueciam de que na maioria eram cabecinhas de ervilha e se esforçavam para debater. Até que alguém se lembrou que o era e logo criou coisas como "beija ou morre?", "conte até 10 sem ser interrompido" e outras besteiras em forma de joguinhos, que logo foram empesteando as comunidades, a ponto de só uma ou outra ter ficado intacta e funcionando bem, mas tendo a relevância de uma gota de água em um oceano.
E nessa, é claro, ficaram interativamente solitários os que gostavam do Orkut como era. Não mais veem lá aquilo que viram em 2004 ou 2005, anos áureos do portal. Aliás, em relação ao descobrimento do Facebook pelos brasileiros, dá para ver que os que o descobriram o fazem de uma maneira mais cuidadosa que a do Orkut:
1) Se convidam alguém a fazer parte, só o fazem para quem é mesmo chapa;
2) Não tende a haver tanta adição de pessoas como amigos. Só são mesmo aqueles que são amigos na vida real;
3) Como sabemos, o foco do Facebook não é em comunidades. Elas existem, mas ficam escondidinhas (aliás, se o Facebook quiser matar o Orkut no Brasil, que dê destaque às comunidades). O forte deles é o mural a mural, que não tem tanta força de propagação quanto comunidades. E nota-se que os brasileiros no Facebook vêm repudiando orkutices a ponto de os outros já terem "internalizado o tira". Sempre que alguém tenta fazer joguinho em comunidade do Facebook, logo algum consciente corta o barato e diz "tsc, tsc, típico tópico de Orkut".
Portanto, o lance para o fim da solidão interativa é quando as redes tinham a situação do Orkut na época mais produtiva
Cláudia Stefani De fato, a questão é como equacionar democracia e sociabilidade. Só acho que essa pequena entrevista deixou no ar a ideia de que a internet seria responsável por essa separação quando, na verdade, é apenas uma amplificadora do fenômeno.
JPSilveiras Não sei se a solidão presencial é menor ou maior que a mediada pela internet. O que posso perceber é que o anonimato e a máscara são muito mais cômodas e possíveis no virtual. É também percebível que a filtragem na validação e aprovação dos "convivas" se torna absolutamente radical, onde se deve, no entanto, lembrar que tanto para discriminadores quanto para discriminados é mais fácil e simples desviar-se da convivência indesejada.
A massa de informação acessível na Internet longe de tornar-se uma facilidade para a aquisição de conhecimento traz, entre outros novos desafios, a necessidade de se aprender e construir critérios e normas para se fazer as conexões de sentido com todo acessado. O resultado é que, na maioria das vezes, o sentido ou se perde ou fica na superficialidade.
O resultado disso é que no lugar de se perguntar diretamente ao morador do lado qual a atividade ou profissão que desenvolve, qual o clube que frequenta ou ainda se prefere churrasco, camarão ou ovos fritos, ficamos tentados a encontrar um "perfil" pronto ou até mesmo o cruzamento de vários para termos "certeza" de que, enfim, são "reais" e saciar nossa curiosidade/necessidade de relacionamento.
Destas inconfidências dificilmente vai brotar alguma relação pois não haverá trocas e ao menor de sinal de discordância entre nossos julgamentos e a realidade eventualmente presenciada no elevador já ficamos tentados a reler nossos apontamentos sob algum olhar discriminador, onde o possível vizinho se traveste do potencial inimigo.
Penso...
Roberto Locatelli É natural que as pessoas, no mundo virtual ou no mundo físico, se agrupem em torno de suas afinidades. É até desejável.
Seu eu sou violinista, não vou me sentir à vontade num grupo que detesta música clássica. Se eu sou evolucionista, não me interessa participar de um grupo que defende o criacionismo.
Francamente, esse medo da internet é, no fundo, o medo que as pessoas, ao se comunicarem mais, possam influenciar mais fortemente a sociedade.
Um exemplo: a blogosfera, as redes sociais e o intercâmbio por e-mail foram muito importantes para fazer um contraponto à campanha baixa e suja promovida por Serra.
Vamos parar com essa bobagem de ter medo da internet
Sebastião Augusto Ferreira O senhor Dominique não conhece a " grandeza da imprensa,do rádio e da Tv brasileira" prefiro ser um solitário interativo, do que um Homer, que a nossa mídia colonialista quer sejamos.
Marcos Fernandes Gonçalves A tese é fantástica. A mais pura realidade. A coletividade na internet é apenas aparente. No fundo, estamos todos cada vez mais sozinhos, isolados mesmo. Às vezes me pergunto: quantos sorrisos, ou risadas mesmo, as pessoas têm dado além do famoso "rs" digital? Quantas gargalhadas estamos dando frente aos nossos amigos e parentes? Se não tomarmos cuidado, vamos sair por aí, em vez de rindo, dizendo "ris", "ris", "ris". É fato, também, que nichos estão se formando, na web, cada vez mais. Realmente, muitos são "clubes do bolinha" ou da "luluzinha". Ou seja, se você não é partidário da mesma linha de pensamento - não necessariamente político - muito provavelmente será descartado ou isolado, senão espinafrado, conforme o caso. Cansei de presenciar esse procedimento na Internet (e já são 12 anos de web) em inúmeros espaços virtuais que participei
Henrique Marques Porto Nassif e NeyLima,
Tendo a não concordar com a tese, mesmo reconhecendo que as redes sociais da internet abrigam muitos solitários e muita solidão. Para quem quer conhecer pessoas -e, em princípio, todos querem- o melhor a fazer é desligar o computador e sair de casa.
Mas é a tal história: a internet inventou a solidão? Claro que não. Produz solidão? É um pouco demais.
A solidão já existia nos prédios de apartamentos, nos condomínios, nas ruas, nas vizinhanças, nas escolas e ambientes de tabalho e até no interior dos lares muito antes do primeiro computador ser ligado e da primeira rede começar a funcionar.
Curioso ele elogiar a TV por fazer (como o rádio e o jornal impresso) a "ligação entre meios sociais que são fundamentalmente diferentes". Nada é mais solitário do que uma TV ligada! Não importa o número de telespectadores reunidos diante dela.
Talvez seja ignorância minha, mas desde quando foi Domnique Wolton quem criou o conceito de "sociedade individualista de massa"? A expressão talvez, já o conceito, esse é velho como a gíria que lhe cabe: pra dedéu!
> Por fim, não seria má idéia convidar o sociólogo para fazer uma presença no próximo Sarau. Vai conhecer uma experiência diferente. Sim, porque quando se fala em "redes sociais", pensa-se logo nas grandes que reúnem muitos milhões de usuários no mundo inteiro, quando existem milhares de redes pequenas e médias, em blogs e sítios diversos, cuja experiência precisa ser levada em conta.
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