FERNANDO DE BARROS E SILVA
Dilma, vira, virou
SÃO PAULO - Uma das regras de ouro que o marketing eleitoral ensina aos políticos diz o seguinte: para perguntas genéricas, respostas específicas; para perguntas específicas, respostas genéricas.
Ninguém percebe muito, sobretudo na TV, onde o que está sendo avaliado é menos o conteúdo do que a performance do candidato. Tornou-se um lugar-comum dizer que "Dilma foi mal" ou que "Dilma foi bem", sem que se tenha que entrar no mérito do que ela falou.
A petista foi entrevistada pelo "JN", da Globo, e pelo "Jornal das Dez", da Globo News, anteontem à noite. Segundo os critérios de avaliação do mercado eleitoral, seria uma tolice dizer que ela se saiu mal.
Em comparação com o desempenho no debate da Band, Dilma evoluiu até demais. Tudo nela transpira administrativismo e tem certo aspecto soviético, por mais que tentem retocar. Mas os mo-mo-momentos de indecisão e gagueira nervosa desapareceram na Globo.
Em jargão publicitário, quando o candidato consegue transformar uma pergunta embaraçosa numa resposta que lhe é favorável, diz-se que ele "virou". E Dilma soube "virar" várias respostas na Globo.
Eis um exemplo, da Globo News: o jornalista indaga a Dilma se está de acordo com a política externa de Lula, de aproximação de países que desrespeitam os direitos humanos e a democracia, como Irã e Cuba.
A resposta é longa, mas no seu cerne estão duas frases: "Tenho uma história de vida, não vou nunca compactuar com qualquer ferimento aos direitos humanos"; "não acho que deva ser levado a sério um país que acha que opinião é crime".
A candidata sugeriu que nem Cuba nem Irã devem ser levados a sério. Mas ela não acha isso. O que ela acha (ou esconde) fica diluído num discurso difuso a favor dos direitos humanos, sem que a questão fosse respondida. Dilma desconversou, deu resposta genérica a uma pergunta específica.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
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