Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de vez o tom das críticas à oposição e fez duros ataques aos tucanos em comício realizado nesta sexta-feira (17), em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira. Ao lado da presidenciável Dilma Rousseff (PT), ele adotou um discurso inflamado e que não abandonou em nenhum momento o alvo nos tucanos. "Estou sabendo que tem gente nervosa do outro lado. Aqui não, não tem ninguém tremendo. Do outro lado tem gente que vai até perder os dedos".
Sem citar as acusações das quais seu governo foi alvo nas últimas semanas - quebra de sigilo fiscal e tráfico de influência na Casa Civil - o presidente foi irônico com o PSDB do candidato à Presidência, José Serra. "Tucano já nasce pensando que é especialista. Achavam que a eleição de Dilma era um caso perdido. Eles não têm conhecimento da sagacidade desta mulher".
Sob aplausos do público que lotou o espaço conhecido como Terreirão do Samba, no centro da cidade, o presidente lembrou o uso de sua imagem pela campanha de Serra à Presidência. Segundo Lula, colocaram sua imagem no programa eleitoral "como se fossem amigos".
No auge da crise envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que na quinta-feira (16) pediu exoneração do cargo, o presidente partiu para um ataque com endereço certo. A oposição, que tem cobrado da Polícia Federal e do próprio governo que investigue o caso, foi classificada pelo presidente como elitizada, preconceituosa, arrogante e sem visão sobre os problemas sociais do Brasil. "Eles têm preconceito contra as minorias. Essa gente não nos perdoou (de ter vencido a eleição em 2002 e 2006)".
Lula disse ainda que os tucanos, em alguns lugares, não querem "coisas" do governo federal. Segundo o presidente, por este motivo, em alguns estados, mudam o nome de programas do governo federal para colocarem sua marca nestes projetos.
"Quintal"
Como aconteceu em sua passagem por Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no início do mês, o presidente não poupou farpas ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB) e ao ex-governador, Aécio Neves (PSDB). Sem citar nomes, ele respondeu às críticas de lideranças do PSDB, de que sua entrada em cena na campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas era uma intervenção externa. "Eles acham que o Estado é uma espécie de quintal onde eles mandam".
No discurso mais duro contra os adversários até este momento das suas passagens por Minas, o presidente provocou os adversários, que, segundo ele, têm "vergonha do candidato deles (Serra)". Falando como quem tem como certa a vitória de sua candidata, ele ainda pediu aos mineiros que elejam aliados de Dilma para o Senado. "Pelo amor de Deus: a Dilma não pode ter o mesmo Senado que eu tive", afirmou, em referência à derrota sofrida por seu governo na Casa, que ajudou a derrubar a vigência da CPMF
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