Nunca Dantes no Uruguai: com os oprimidos e a democracia
Publicado em 28/03/2011 Compartilhe | Imprima | Vote (+11)
Ele tem lado
Num comício para celebrar o aniversário da Frente Ampla uruguaia e o aniversário do Mercosul – que o Cerra ia fechar – o Nunca Dantes foi o convidado de honra.
E fez um discurso espetacular.
Enunciou uma agenda para os trabalhistas brasileiros – e para trabalhistas em toda parte do mundo: o compromisso é com o oprimido e com a democracia.
E para o pessoal que fala grosso com a Bolívia e fininho com os Estados Unidos – clique aqui para ver o vídeo memorável em Bill Clinton desmoraliza FHC em público e ele não defende o Brasil nem a si próprio – o Nunca Dantes explica:
Não adianta ser rico se o vizinho é pobre.
Clique aqui para ler “Nunca Dantes não deixou a ALCA anexar o Brasil”.
Este discurso precisa ser publicado na íntegra.
O Nunca Dantes ainda falou um pouco de improviso, mas um amigo navegante não conseguiu transcrever ainda.
Um último lembrete, sobre a opção pelos oprimidos: a Presidenta lembrava sempre ao Padim, nos debates, que ela tinha lado.
O dos oprimidos.
É um lembrete para quem pensa em intrigá-la com o Nunca Dantes.
Aí vai o Lula.
Em tempo: amigo navegante informa que, quando o Nunca Dantes acabou de falar, o ginásio inteiro se levantou e cantou “Lula-lá !”
Saravá !
Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva
Por ocasião da cerimônia do 40o. aniversário da Frente Ampla. [Montevidéu, 25 de março de 2011]
Queridos companheiros e companheiras,
Estou profundamente honrado por ter sido convidado para dirigir-lhes a palavra neste ato de comemoração dos 40 anos da Frente Ampla.
Quero iniciar recordando um dezembro de 1993, quando vim pela primeira vez ao Uruguai.
Estava me preparando para ser, pela segunda vez, candidato a Presidente da República.
Precisei concorrer mais duas vezes para ser eleito!
Naquele dezembro de 1993, quando tive a oportunidade de sentir de perto a afetuosa hospitalidade deste país, conheci muitos companheiros frenteamplistas, que hoje aqui estão, como os fraternos amigos Tabaré Vázques e Pepe Mujica.
Mas conheci, igualmente, um grande companheiro, que não mais está entre nós.
Refiro-me ao inesquecível Líber Seregni, a quem presto hoje minha homenagem, como um dos maiores valores da Frente Ampla, da história do Uruguai e de toda a América Latina.
Dirigentes e militantes da Frente Ampla,
Nestas últimas décadas, a Frente Ampla mudou o panorama da política uruguaia, até então dominado por um sistema bi-partidário que não mais correspondia à evolução da sociedade.
Sua presença na cena nacional deu à política deste país uma nova qualidade.
Sei que seus militantes pagaram muitas vezes um alto preço por sua coerência e determinação durante o regime ditatorial, que infelicitou este país nos anos setenta e oitenta.
Mas sei, também, que a Frente foi fator decisivo no processo de democratização política do Uruguai, já muito antes de conquistar a Presidência da República.
Suas mobilizações foram fundamentais para impedir que a onda neo-liberal, que se abateu sobre todo nosso continente, prevalecesse no Uruguai.
Não fosse a luta da Frente Ampla, não fosse a resistência do movimento sindical e dos movimentos sociais, o Estado uruguaio teria sido desmontado pelos insensatos adoradores do mercado. Aqueles senhores que, em grande parte da América Latina, conseguiram privatizar o patrimônio público, desorganizar nossas economias, aumentar a pobreza e comprometer a soberania nacional. Aqui, felizmente, eles não tiveram o êxito que esperavam.
Em muitos de nossos países, eles deixaram um rastro de estagnação econômica e exclusão social.
Pior do que isso, agravaram a inflação que pretendiam combater e aprofundaram nossa vulnerabilidade externa.
O povo uruguaio, com a intervenção crucial da Frente Ampla, não permitiu que isso acontecesse. Que fosse entregue às gerações futuras deste país um Estado raquítico, incapaz de regular democraticamente a economia e de promover o desenvolvimento.
Mas nossa região mudou.
Hoje, há uma nova América do Sul. Um continente que ergueu a cabeça, libertou-se das tutelas internacionais e resgatou a sua soberania. Um continente que recuperou a autoestima e voltou a acreditar em si mesmo, em sua capacidade de tornar-se cada vez mais próspero e justo.
Nossos países estão demonstrando na prática que é possível crescer de modo vigoroso e continuado mantendo a inflação baixa. Que é perfeitamente viável crescer distribuindo os frutos da expansão econômica para toda a sociedade. Crescer combatendo a pobreza e a desigualdade. Que esta é, aliás, a forma mais consistente e duradoura de desenvolver-se. A única justa e sustentável.
Vocês uruguaios, e nós brasileiros, que tanto nos opusemos às políticas recessivas e excludentes do passado, temos muito o que comemorar. Hoje, vivemos uma nova realidade. Podemos, sem nenhum triunfalismo, festejar o êxito das nossas economias, os extraordinários avanços sociais, a vitalidade de nossas democracias.
Não celebramos apenas valores éticos e morais – que constituem obviamente um patrimônio irrenunciável – mas também o acerto de nossa estratégia de desenvolvimento e de nossas políticas públicas emancipadoras, que estão mudando para melhor a vida das classes populares.
Ainda falta muito por fazer. Mas as conquistas históricas dos anos recentes justificam plenamente a nossa confiança no futuro.
Companheiros e Companheiras,
Como ex-Presidente da República, militante e dirigente do Partido dos Trabalhadores, sempre tive uma enorme afinidade com a Frente Ampla.
As políticas que Tabaré e Mujica implementaram no Uruguai são muito próximas daquelas que implementei no Brasil e que Dilma Rousseff está desenvolvendo agora.
Mas o PT e a Frente Ampla têm muito mais em comum.
Alguns já disseram que o PT é, em realidade, uma frente e que a Frente Ampla é um partido.
As duas afirmações têm um fundo de verdade.
Por uma razão muito simples: tanto a Frente, como o PT, são organizações plurais, profundamente democráticas. Somos capazes de combinar uma indispensável unidade de ação, com a valorização da diversidade e da democracia interna.
Abrigamos distintas correntes de pensamento progressista. Respeitamos nossas diferenças ideológicas, mas não abrimos mão, em hipótese alguma, do compromisso com os trabalhadores e o povo pobre.
Sabemos que, nas últimas décadas, as grandes correntes de esquerda entraram em crise no mundo.
Muitos ficaram órfãos de referências político-ideológicas. Nenhuma força progressista esteve imune à crise. Mas nem por isso cruzamos os braços, mergulhando na perplexidade ou na passividade política. Conosco, foi diferente: não abandonamos nossas convicções de base. Para nós, as doutrinas têm a sua importância, mas o principal é o compromisso de vida com o destino dos oprimidos. A esquerda autêntica supera seus desafios participando cada vez mais nas lutas concretas do povo. Nossa bússola são as aspirações populares por uma vida digna.
Por isso, fomos capazes de promover, em plena crise das ideologias, reformas sociais tão importantes em nossos países.
As esquerdas no Uruguai e no Brasil souberam mudar, mas sem mudar de lado.
Também por essa razão, nossas experiências de Governo e nossos partidos são hoje referências, tanto para a América Latina como para outras regiões do mundo.
Tudo isso nos impõe responsabilidades redobradas.
Precisamos continuar e aprofundar as transformações em nossos países, tendo claro que esse é trabalho para mais de uma geração.
Mas precisamos também reconstruir o pensamento de esquerda, enfatizando, sobretudo, nosso compromisso inegociável com a democracia.
Não queremos dar lições a ninguém. Não buscamos construir paradigmas ou elaborar “modelos”.
Mas temos a obrigação política e moral de explicitar para o mundo o cerne de nossa experiência histórica.
E essa experiência mostra claramente duas coisas.
Que não haverá socialismo se ele não for profunda e radicalmente democrático.
Tampouco haverá uma autêntica democracia política se não houver uma democracia econômica e social.
Essa combinação de democracia política com democracia econômica e social nos dá a chave para formularmos o projeto histórico que queremos construir. É nossa missão dar consistência teórica e política a esse renovado ideal libertário. Tal consistência não virá somente dos livros. Ela surgirá sobretudo da luta dos trabalhadores e de nossa capacidade de refletir sobre os rumos da história.
Não poderá ser uma reflexão solitária, menos ainda confinada a um espaço nacional.
Mais do que uma constatação, cabe-nos fazer um convite, uma convocatória.
Nossos partidos – a Frente Ampla, o PT e outras organizações amigas da América Latina – têm de aprofundar sua relação, seu diálogo, para transmitir a outros movimentos o sentido de nossas experiências, com seus méritos, mas também com seus limites.
Eu ousaria dizer que há uma grande expectativa nesse sentido, inclusive por parte das esquerdas dos países desenvolvidos, que hoje enfrentam impasses profundos.
Aqueles que, sobretudo na Europa, observam o que está ocorrendo em nossa América, começam a dar-se conta, cada vez mais, de que seu Norte pode estar no Sul.
Companheiros e companheiras,
Não poderia deixar de destacar um aspecto fundamental da trajetória da Frente Ampla nestes quarenta anos de sua existência – seu compromisso com a integração sul-americana e latino-americana.
José Artigas, máximo líder da independência Oriental, foi um combatente pela liberdade muito além das fronteiras deste país.
Seguramente seu exemplo inspirou e continuará inspirando todos os que lutam pela pátria grande latino-americana.
A Frente Ampla sempre deu contribuições importantes a todas as iniciativas de integração regional, por meio das quais queremos garantir que a América do Sul tenha peso decisivo neste mundo multipolar que se está desenhando.
E os resultados desse processo de integração são cada vez mais positivos.
No terreno econômico, vivemos um momento muito promissor. Nunca houve tanto comércio entre os países da América do Sul. E o Mercosul, que amanhã completa 20 anos, é a locomotiva dessa expansão, o que só foi possível depois que conseguimos sepultar a proposta da ALCA, que não era de integração soberana, mas de anexação subalterna.
De 2003 a 2010, o comércio do Mercosul mais do que triplicou. Os investimentos produtivos conjuntos crescem de modo exponencial.
E o que é mais importante: a balança comercial e as relações entre os nossos países estão cada vez mais equilibradas. A integração está beneficiando a todos.
Nós, brasileiros, percebemos que só vale a pena o Brasil crescer e se tornar um país mais rico se os países vizinhos, os povos irmãos também crescerem e se tornarem mais ricos.
Temos consciência de que o caminho da integração não está isento de contradições e eventuais conflitos.
Mas estou certo de que saberemos construir instituições aptas a resolvê-los, porque aquilo que nos une é infinitamente mais importante do que aquilo que nos separa.
A verdadeira integração não pode ser apenas comercial. A parceria econômica é imprescindível, mas está longe de ser suficiente. A unidade do continente só será efetiva quando as nossas populações se conhecerem melhor, quando os sindicatos se articularem em escala regional, quando as nossas universidades tiverem um intercâmbio cotidiano, quando nossos cientistas estiverem pesquisando juntos, quando as nossas riquíssimas tradições culturais forem de fato compartilhadas. Quando a integração não for apenas dos produtos, ou dos Estados – mas dos povos.
Queridos amigos e amigas,
Permitam-me concluir dirigindo uma palavra à militância da Frente Ampla.
Vocês sabem melhor do que eu que a esquerda uruguaia conta com dirigentes de grande estatura moral e política. Líderes de extraordinária dignidade e maturidade, de inquebrantável amor ao seu país e ao seu povo. Líderes ouvidos e respeitados em toda a América Latina.
Mas conta também com uma admirável militância de base, espalhada por todo o país, sem a qual a trajetória da Frente, com certeza, não seria tão vitoriosa.
Feliz do povo que pode dispor de lutadores sociais e políticos tão generosos e tão dedicados ao bem comum.
Essa esplêndida militância é a prova de que o sonho igualitário não acabou. De que valeu a pena o sacrifício das gerações que nos precederam.
A força da Frente Ampla e de outras alianças populares da região mostra que chegou a vez do nosso continente. O século XXI tem tudo para ser o século da afirmação definitiva da América do Sul. Daquela América do Sul com que sonharam nossos próceres e pela qual deram suas vidas.
Uma comunidade de países soberanos, justos e desenvolvidos.
Viva a Frente Ampla!
Viva a querida República Oriental do Uruguai!
Viva a Pátria Grande Latino-Americana!
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segunda-feira, 28 de março de 2011
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Lula errou: o Mandela é ele. Dilma é a Thatcher (de esquerda)
Publicado em 03/11/2010 Compartilhe | Imprima | Vote
Vou te contar a última do Fernando Henrique
Na campanha, Lula tomou a iniciativa de comparar Dilma a Mandela.
Lula quis enfatizar a trajetória de um líder guerrilheiro, encarcerado, que entra na batalha – vitoriosa – de uma democracia.
Na entrevista de hoje, no Palácio do Planalto – clique aqui para ver que ele fala de uma nova CPMF – Lula voltou a se referir, implicitamente, ao passado da guerrilheira.
E disse que aquilo que parecia assustar muita gente, para ele, Lula, era uma virtude.
O que, também, ajuda a comparar Dilma a Serra.
Serra saiu do Comício das Diretas com Jango direto para o Chile, com uma passagem cinzenta pela Imigração dos Estados Unidos.
Mandela saiu da cadeia para liderar uma revolução democrática que acabou com o apartheid.
Acabou o mandato, Mandela foi embora.
Foi ser Estadista e ajudar a combater a iniquidade mundo afora.
Foi o que Lula fez hoje.
Anunciou que vai embora.
Vai deixar a Dilma governar.
De novo, que contraste edificante !
Lula não será o corneteiro do FHC, que ficou na arquibancada a torcer pelo quanto pior melhor.
A jogar lenha no Golpe do PiG (*).
Clique aqui para ler o irretocável obituário que o Mino escreveu sobre o FHC, o homem corroído pelo fanatismo da ambição.
Lula passou o bastão, hoje.
Desencarnou do papel de Chefe de Estado e vestiu a toga de estadista.
A este ordinário blogueiro chamou a atenção, especialmente, o olé que Lula deu no Ministro Marco Aurélio de Mello.
Deselegantemente, Mello atribuiu a Lula a culpa pelo papelão que o Supremo pregou na Nação, ao julgar a Lei da Ficha Lima.
Mello disse que Lula não indicou o substituto do Eros Grau e, com isso, provocou o impasse.
Lula disse, hoje, que não ia escolher o Ministro do Supremo em fim de mandato, sem consultar o presidente eleito – a Dilma ou o Serra.
E devolveu o Ministro Mello à sua ministerial insignificância.
Lula vai sair por aí.
Tomara que a Maria Inês Nassif tenha razão e ele vá para a África.
Levar o Bolsa Família, a Embrapa, o Minha Casa Minha Vida.
E quando encontrar o Mandela, rir muito às custas da vaidade do Fernando Henrique.
E a Dilma ?
Bom, na coletiva de hoje, ela assumiu.
Segura, firme, sabe os números, entende as sutilezas, foi hábil: o pré sal é um problema de hoje, do Presidente Lula e deste Congresso, disse ela.
E demonstrou, sobretudo, autoridade.
Firmeza.
Se o Lula é o Mandela, a Dilma é a Margaret Thatcher.
Bem entendido.
Como diz a Dilma: ela sempre teve “lado”.
O lado dela é o esquerdo.
Ela é a Thatcher do lado esquerdo.
Em tempo: Thatcher ficou onze anos no poder.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
Vou te contar a última do Fernando Henrique
Na campanha, Lula tomou a iniciativa de comparar Dilma a Mandela.
Lula quis enfatizar a trajetória de um líder guerrilheiro, encarcerado, que entra na batalha – vitoriosa – de uma democracia.
Na entrevista de hoje, no Palácio do Planalto – clique aqui para ver que ele fala de uma nova CPMF – Lula voltou a se referir, implicitamente, ao passado da guerrilheira.
E disse que aquilo que parecia assustar muita gente, para ele, Lula, era uma virtude.
O que, também, ajuda a comparar Dilma a Serra.
Serra saiu do Comício das Diretas com Jango direto para o Chile, com uma passagem cinzenta pela Imigração dos Estados Unidos.
Mandela saiu da cadeia para liderar uma revolução democrática que acabou com o apartheid.
Acabou o mandato, Mandela foi embora.
Foi ser Estadista e ajudar a combater a iniquidade mundo afora.
Foi o que Lula fez hoje.
Anunciou que vai embora.
Vai deixar a Dilma governar.
De novo, que contraste edificante !
Lula não será o corneteiro do FHC, que ficou na arquibancada a torcer pelo quanto pior melhor.
A jogar lenha no Golpe do PiG (*).
Clique aqui para ler o irretocável obituário que o Mino escreveu sobre o FHC, o homem corroído pelo fanatismo da ambição.
Lula passou o bastão, hoje.
Desencarnou do papel de Chefe de Estado e vestiu a toga de estadista.
A este ordinário blogueiro chamou a atenção, especialmente, o olé que Lula deu no Ministro Marco Aurélio de Mello.
Deselegantemente, Mello atribuiu a Lula a culpa pelo papelão que o Supremo pregou na Nação, ao julgar a Lei da Ficha Lima.
Mello disse que Lula não indicou o substituto do Eros Grau e, com isso, provocou o impasse.
Lula disse, hoje, que não ia escolher o Ministro do Supremo em fim de mandato, sem consultar o presidente eleito – a Dilma ou o Serra.
E devolveu o Ministro Mello à sua ministerial insignificância.
Lula vai sair por aí.
Tomara que a Maria Inês Nassif tenha razão e ele vá para a África.
Levar o Bolsa Família, a Embrapa, o Minha Casa Minha Vida.
E quando encontrar o Mandela, rir muito às custas da vaidade do Fernando Henrique.
E a Dilma ?
Bom, na coletiva de hoje, ela assumiu.
Segura, firme, sabe os números, entende as sutilezas, foi hábil: o pré sal é um problema de hoje, do Presidente Lula e deste Congresso, disse ela.
E demonstrou, sobretudo, autoridade.
Firmeza.
Se o Lula é o Mandela, a Dilma é a Margaret Thatcher.
Bem entendido.
Como diz a Dilma: ela sempre teve “lado”.
O lado dela é o esquerdo.
Ela é a Thatcher do lado esquerdo.
Em tempo: Thatcher ficou onze anos no poder.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Gerar milhares de empregos é bom. Garantir sua continuidade é melhor ainda
)
Mais do que empregar nove mil trabalhadores para a construção de um navio – 3 mil diretos e 6 mil indiretos – a retomada da indústria naval brasileira pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Promef trouxeram para o Brasil uma perspectiva de continuidade na geração desses empregos, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, Alex Santos.
Nos anos anteriores, quando se lançava um navio, nós costumávamos dizer que, junto com ele, três mil trabalhadores eram lançados ao mar, porque gerava desemprego. Hoje em dia eles têm uma perspectiva de continuidade: lança-se um navio, e há outro na carreira para ser lançado novamente.
O renascimento da indústria naval brasileira vem transformando a vida de muita gente. Como a do casal Suelen e Gilson. Ela, após um curso profissionalizante, se tornou soldadora, profissão que exibe com orgulho. “Minha vida agora é muito melhor”, diz, com orgulho. “Antes eu não tinha garantia nenhuma de emprego. Agora, mesmo entregando um navio, sabemos que há outros para serem construídos e que o emprego da gente está garantido.”
Gilson, ex-cobrador de ônibus, trabalha há quatro anos na indústria naval e hoje é encarregado da produção. Para ele, uma das grandes vantagens da profissão é a possibilidade de crescimento. “Mudou praticamente tudo na minha vida. É daqui que levo meu sustento, é daqui que estou conseguindo comprar o meu carro. Graças a Deus estou conseguindo o que eu tinha almejado antes. Aqui só não aprende e cresce se você não quiser.”
Mais do que empregar nove mil trabalhadores para a construção de um navio – 3 mil diretos e 6 mil indiretos – a retomada da indústria naval brasileira pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Promef trouxeram para o Brasil uma perspectiva de continuidade na geração desses empregos, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, Alex Santos.
Nos anos anteriores, quando se lançava um navio, nós costumávamos dizer que, junto com ele, três mil trabalhadores eram lançados ao mar, porque gerava desemprego. Hoje em dia eles têm uma perspectiva de continuidade: lança-se um navio, e há outro na carreira para ser lançado novamente.
O renascimento da indústria naval brasileira vem transformando a vida de muita gente. Como a do casal Suelen e Gilson. Ela, após um curso profissionalizante, se tornou soldadora, profissão que exibe com orgulho. “Minha vida agora é muito melhor”, diz, com orgulho. “Antes eu não tinha garantia nenhuma de emprego. Agora, mesmo entregando um navio, sabemos que há outros para serem construídos e que o emprego da gente está garantido.”
Gilson, ex-cobrador de ônibus, trabalha há quatro anos na indústria naval e hoje é encarregado da produção. Para ele, uma das grandes vantagens da profissão é a possibilidade de crescimento. “Mudou praticamente tudo na minha vida. É daqui que levo meu sustento, é daqui que estou conseguindo comprar o meu carro. Graças a Deus estou conseguindo o que eu tinha almejado antes. Aqui só não aprende e cresce se você não quiser.”
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SEGUNDO TURNO
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Meio ambiente, ética e transparência continuarão dando a tônica do governo
O respeito ao meio ambiente, à ética e à transparência são prioridades para o governo e essa tônica será mantida afirmou o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) em entrevista coletiva concedida no Palácio da Alvorada nesta terça-feira (5/10) após reunião do presidente Lula com governadores e senadores eleitos no último dia 3 de outubro.
“O governo respeita o meio ambiente no processo de licenciamento que ele faz e vai manter essa tônica. O governo tem muito a mostrar nos ganhos que nós construímos nos últimos oito anos com a agenda ambiental”, disse Padilha, lembrando que todo o processo de licenciamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) respeitam as orientações do Ministério do Meio Ambiente:
Por conta do processo de licenciamento ambiental, são feitas revisões. O maior exemplo disso foi todo o processo de licenciamento ambiental da usina Belo Monte. Fizemos a revisão do projeto, reduzimos os impactos ambientais e construímos um projeto de desenvolvimento para aquela região: investimento em saneamento, habitação, infraestrutura da cidade, saúde, educação, iniciativas da área de reflorestamento, apoio ao desenvolvimento local, preservação das reservas indígenas, entre outros.
Em relação ao combate à corrupção, o ministro afirmou que o governo sempre demonstrou que apura irregularidades de forma prioritária, reafirmando compromisso com a transparência no combate à corrupção:
Esse é um tema que não temos nenhum medo de enfrentar, muito pelo contrário, o nosso governo é um exemplo de combate à corrupção, de busca para apuração de irregularidades. Esse é um tema que não devemos nada.
O governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, também conversou com a imprensa. Disse que foi ao encontro agradecer o apoio do presidente Lula às campanhas regionais e “conversar sobre a conjuntura política”. A reunião contou com governadores de 10 estados, além de senadores e ministros do governo.
“O governo respeita o meio ambiente no processo de licenciamento que ele faz e vai manter essa tônica. O governo tem muito a mostrar nos ganhos que nós construímos nos últimos oito anos com a agenda ambiental”, disse Padilha, lembrando que todo o processo de licenciamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) respeitam as orientações do Ministério do Meio Ambiente:
Por conta do processo de licenciamento ambiental, são feitas revisões. O maior exemplo disso foi todo o processo de licenciamento ambiental da usina Belo Monte. Fizemos a revisão do projeto, reduzimos os impactos ambientais e construímos um projeto de desenvolvimento para aquela região: investimento em saneamento, habitação, infraestrutura da cidade, saúde, educação, iniciativas da área de reflorestamento, apoio ao desenvolvimento local, preservação das reservas indígenas, entre outros.
Em relação ao combate à corrupção, o ministro afirmou que o governo sempre demonstrou que apura irregularidades de forma prioritária, reafirmando compromisso com a transparência no combate à corrupção:
Esse é um tema que não temos nenhum medo de enfrentar, muito pelo contrário, o nosso governo é um exemplo de combate à corrupção, de busca para apuração de irregularidades. Esse é um tema que não devemos nada.
O governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, também conversou com a imprensa. Disse que foi ao encontro agradecer o apoio do presidente Lula às campanhas regionais e “conversar sobre a conjuntura política”. A reunião contou com governadores de 10 estados, além de senadores e ministros do governo.
Quem venceu as eleições em 3 de outubro?
CC
Coluna do Leitor
5 de outubro de 2010 às 17:08h
Pedro Benedito Maciel Neto: A base aliada do governo federal venceu as eleições
O PT com 88 Deputados Federais e o PMDB com 79 tem as maiores bancadas. Esses dois partidos na companhia bem-vinda do PDT (28), PSB, (34), PCdoB (15), PR (41) e, infelizmente do adesista PP (41) representarão à eleição de Dilma a grande possibilidade da realização e desenvolvimento de um governo com o necessário apoio da Câmara dos Deputados. O chamado “bloco de esquerda” (PSB, PDT e PCdo) chegou a 77 deputados, 13 a mais do que em 2006, e o “bloco de direita” (PR, PP, PTB) que também apóia do governo também cresceu,pois elegeu 15 deputados a mais que em 2006. Ou seja, a coligação da ex-ministra Dilma tem maioria na Câmara.
A mesma lógica é aplicável ao Senado, onde os partidos que apóiam o governo Lula e apóiam a candidatura de Dilma obtiveram expressivo crescimento. E a nota de destaque é que os maiores oposicionistas de Lula ficaram fora do Senado. Perderam seus mandatos por decisão do povo de seus estados: Arthur Virgilio do PSDB do Amazonas, aquele que disse que ia “dar uma surra” em Lula, não foi eleito, assim como Tasso Jereissati do PSDB do Ceará, Efraim de Moraes e Marco Maciel do DEM e o folclórico Senador Mão Santa do PSC do Piauí.
É importante diminuição da representatividade do DEM, parceiro histórico do PSDB, que também perdeu representatividade no congresso nacional.
Penso que quem venceu em 3 de outubro foi o Presidente Lula e seus aliados. Essa é a resposta mais honesta à questão levantada acima.
E com a eventual vitória de Dilma Rousseff nós cidadãos temos de refletir sobre qual é o nosso papel a partir de agora. Por quê?
Porque através da vitória de uma mulher com sua história pessoal se consolidará e se efetivará a terceira geração de direitos humanos e a sociedade brasileira, graças à luta pela democracia e aos governos civis a partir de 1985, tem consciência que os direitos que vão além do direito individual e social e porque vivemos num outro pais, outra realidade, um tempo de grandes e infinitas possibilidades, fato que é grandemente resultado de um governo democrático que resistiu aos ataques e golpes de setores conservadores e alterou a lógica da permanente impossibilidade conservadora e trouxe para a classe média milhões de famílias e tirou da miséria um contingente igualmente significativo de famílias, de brasileiros.
E, penso, é nosso dever discutir e definir as ações para esta e planos, idéias para as futuras gerações com responsabilidade, humanidade e generosidade, pois podemos determinar a estratégia para a conquista de uma paz social duradoura no Brasil, desenvolvimento sustentável, criação e distribuição justa de riqueza e o estabelecimento de um padrão de vida para os brasileiros sem nos esquecermos que tudo é possível quando desejamos verdadeiramente.
Apesar da verdadeira revolução social e institucional que o Governo Lula fez, não podemos estar contentes, não importa o quanto tenha sido o avanço, quão alto o padrão geral de vida é e pode ser, afinal ainda há parcelas enormes do nosso povo brasileiro mal alimentadas, mal vestidas, mal- alojadas, e inseguras.
A luta pela redemocratização, os governos democráticos e em especial o governo Lula declararam e cada um a seu tempo e a seu modo deu efetividade a certos direitos individuais, sociais e políticos.
Mas o Brasil tem crescido em tamanho e importância, somos o “B” do BRIC, o G-20 é obra nossa e a economia industrial brasileira expande-se rapidamente, por isso tudo e é necessário que outros direitos sejam reconhecidos como fundamentais.
Por isso assegurar a igualdade de oportunidades na busca da conquista da felicidade é um dos nossos deveres, é papel da sociedade, afinal aprendemos que a liberdade individual não pode existir sem segurança econômica e independência política, pois “Os homens necessitados não são homens livres.” Ao contrário do que dizem os críticos do “BOLSA FAMILIA”, são as pessoas que estão com fome e sem emprego são o material de que as ditaduras são feitas e não o contrário.
O “bolsa família” é o maior e mais ambicioso programa de transferência de renda da história do Brasil, ele é fruto da experiência brasileira e nasceu para enfrentar o maior desafio da nossa sociedade, que é o de combater a fome e a miséria, e promover a emancipação das famílias mais pobres do país.
Através do BOLSA FAMÍLIA, o governo federal concede mensalmente benefícios em dinheiro para famílias mais necessitadas.
Por isso, penso, hoje temos de trabalhar e caminhar sobre uma base de segurança e prosperidade para todos, independentemente da religião, raça ou credo.
O próximo governo tem de manter, ampliar e desenvolver políticas públicas capazes de garantir trabalho útil e remunerado para todos, em indústrias produtivas e éticas, em estabelecimentos comerciais, e na área de serviços ou no campo.
O próximo governo tem de assegurar o direito de cada homem de negócios, grandes e pequenos, para negociar em uma atmosfera de segurança jurídica, livre de concorrência desleal e da dominação de monopólios, assim como manter e ampliar o MINHA CASA MINHA VIDA de tal sorte que todas as famílias tenham acesso a uma moradia digna.
Da mesma forma caberá ao próximo governo ampliar o direito à assistência médica adequada e a oportunidade de todos alcançarem e gozarem de boa saúde, assim como merecerá atenção o direito à proteção adequada dos temores econômicos de velhice, doenças, acidentes e desemprego, além, naturalmente, o direito a uma boa educação.
É isso. E aqueles que estejam lendo nisso algo de terrivelmente subversivo confesso que esse texto foi inspirado não em Marx, mas no Second Bill of Rights, de Franklin D. Roosevelt
Coluna do Leitor
5 de outubro de 2010 às 17:08h
Pedro Benedito Maciel Neto: A base aliada do governo federal venceu as eleições
O PT com 88 Deputados Federais e o PMDB com 79 tem as maiores bancadas. Esses dois partidos na companhia bem-vinda do PDT (28), PSB, (34), PCdoB (15), PR (41) e, infelizmente do adesista PP (41) representarão à eleição de Dilma a grande possibilidade da realização e desenvolvimento de um governo com o necessário apoio da Câmara dos Deputados. O chamado “bloco de esquerda” (PSB, PDT e PCdo) chegou a 77 deputados, 13 a mais do que em 2006, e o “bloco de direita” (PR, PP, PTB) que também apóia do governo também cresceu,pois elegeu 15 deputados a mais que em 2006. Ou seja, a coligação da ex-ministra Dilma tem maioria na Câmara.
A mesma lógica é aplicável ao Senado, onde os partidos que apóiam o governo Lula e apóiam a candidatura de Dilma obtiveram expressivo crescimento. E a nota de destaque é que os maiores oposicionistas de Lula ficaram fora do Senado. Perderam seus mandatos por decisão do povo de seus estados: Arthur Virgilio do PSDB do Amazonas, aquele que disse que ia “dar uma surra” em Lula, não foi eleito, assim como Tasso Jereissati do PSDB do Ceará, Efraim de Moraes e Marco Maciel do DEM e o folclórico Senador Mão Santa do PSC do Piauí.
É importante diminuição da representatividade do DEM, parceiro histórico do PSDB, que também perdeu representatividade no congresso nacional.
Penso que quem venceu em 3 de outubro foi o Presidente Lula e seus aliados. Essa é a resposta mais honesta à questão levantada acima.
E com a eventual vitória de Dilma Rousseff nós cidadãos temos de refletir sobre qual é o nosso papel a partir de agora. Por quê?
Porque através da vitória de uma mulher com sua história pessoal se consolidará e se efetivará a terceira geração de direitos humanos e a sociedade brasileira, graças à luta pela democracia e aos governos civis a partir de 1985, tem consciência que os direitos que vão além do direito individual e social e porque vivemos num outro pais, outra realidade, um tempo de grandes e infinitas possibilidades, fato que é grandemente resultado de um governo democrático que resistiu aos ataques e golpes de setores conservadores e alterou a lógica da permanente impossibilidade conservadora e trouxe para a classe média milhões de famílias e tirou da miséria um contingente igualmente significativo de famílias, de brasileiros.
E, penso, é nosso dever discutir e definir as ações para esta e planos, idéias para as futuras gerações com responsabilidade, humanidade e generosidade, pois podemos determinar a estratégia para a conquista de uma paz social duradoura no Brasil, desenvolvimento sustentável, criação e distribuição justa de riqueza e o estabelecimento de um padrão de vida para os brasileiros sem nos esquecermos que tudo é possível quando desejamos verdadeiramente.
Apesar da verdadeira revolução social e institucional que o Governo Lula fez, não podemos estar contentes, não importa o quanto tenha sido o avanço, quão alto o padrão geral de vida é e pode ser, afinal ainda há parcelas enormes do nosso povo brasileiro mal alimentadas, mal vestidas, mal- alojadas, e inseguras.
A luta pela redemocratização, os governos democráticos e em especial o governo Lula declararam e cada um a seu tempo e a seu modo deu efetividade a certos direitos individuais, sociais e políticos.
Mas o Brasil tem crescido em tamanho e importância, somos o “B” do BRIC, o G-20 é obra nossa e a economia industrial brasileira expande-se rapidamente, por isso tudo e é necessário que outros direitos sejam reconhecidos como fundamentais.
Por isso assegurar a igualdade de oportunidades na busca da conquista da felicidade é um dos nossos deveres, é papel da sociedade, afinal aprendemos que a liberdade individual não pode existir sem segurança econômica e independência política, pois “Os homens necessitados não são homens livres.” Ao contrário do que dizem os críticos do “BOLSA FAMILIA”, são as pessoas que estão com fome e sem emprego são o material de que as ditaduras são feitas e não o contrário.
O “bolsa família” é o maior e mais ambicioso programa de transferência de renda da história do Brasil, ele é fruto da experiência brasileira e nasceu para enfrentar o maior desafio da nossa sociedade, que é o de combater a fome e a miséria, e promover a emancipação das famílias mais pobres do país.
Através do BOLSA FAMÍLIA, o governo federal concede mensalmente benefícios em dinheiro para famílias mais necessitadas.
Por isso, penso, hoje temos de trabalhar e caminhar sobre uma base de segurança e prosperidade para todos, independentemente da religião, raça ou credo.
O próximo governo tem de manter, ampliar e desenvolver políticas públicas capazes de garantir trabalho útil e remunerado para todos, em indústrias produtivas e éticas, em estabelecimentos comerciais, e na área de serviços ou no campo.
O próximo governo tem de assegurar o direito de cada homem de negócios, grandes e pequenos, para negociar em uma atmosfera de segurança jurídica, livre de concorrência desleal e da dominação de monopólios, assim como manter e ampliar o MINHA CASA MINHA VIDA de tal sorte que todas as famílias tenham acesso a uma moradia digna.
Da mesma forma caberá ao próximo governo ampliar o direito à assistência médica adequada e a oportunidade de todos alcançarem e gozarem de boa saúde, assim como merecerá atenção o direito à proteção adequada dos temores econômicos de velhice, doenças, acidentes e desemprego, além, naturalmente, o direito a uma boa educação.
É isso. E aqueles que estejam lendo nisso algo de terrivelmente subversivo confesso que esse texto foi inspirado não em Marx, mas no Second Bill of Rights, de Franklin D. Roosevelt
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domingo, 3 de outubro de 2010
Dilmistas podem ocupar 2/3 do Senado, deixando oposição sem número até para CPIs
Ação de Lula deve tirar da Casa parlamentares com histórico contrário ao governo, como Artur Virgílio e Marco Maciel
Daniel Bramatti,
O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – Se as pesquisas de intenção de voto se confirmarem, PMDB e PT sairão da eleição de hoje com as maiores bancadas no Senado. Os dois partidos darão as principais contribuições para que um eventual governo Dilma Rousseff tenha maioria qualificada na Casa.
Pesquisas em 26 Estados e no Distrito Federal indicam que há 12 peemedebistas entre os favoritos na disputa por duas vagas em cada unidade da Federação. Outros três integrantes do PMDB estão em terceiro lugar, não muito longe dos líderes. Os eleitos vão se juntar a outros três peemedebistas com mandato até 2014 no Senado: José Sarney (AP), Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).
Entre os petistas, dez encontram-se na primeira ou na segunda posição. Outros cinco estão em terceiro lugar, mas com desvantagem de menos de cinco pontos porcentuais em relação ao segundo.
Em Estados como Pernambuco, Rio, Acre, Mato Grosso do Sul e Piauí, há candidatos do PT isolados em primeiro lugar nas pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha. Em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, há petistas em empate técnico na primeira colocação.
No PT, os atuais senadores com mandato até 2014 são Eduardo Suplicy (SP) e Tião Viana – favorito para vencer no primeiro turno a eleição para o governo do Acre, que deve ser substituído por um suplente do partido.
Outro petista deve ser empossado no Senado, caso se confirme a vitória do senador Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo Espírito Santo. A suplente é Ana Rita Esgário (PT).
Com outros prováveis eleitos do PDT, do PC do B e do PSB, entre outros, Dilma terá, caso vença a eleição presidencial, uma base com mais de 3/5 dos integrantes do Senado.
Com essa representação, que caracteriza a chamada maioria qualificada, seria possível promover mudanças na Constituição. Pesquisas recentes ainda mostram candidatos “dilmistas” em condições de conquistar de 38 a 46 das 54 vagas em disputa no Senado. Já a oposição elegeria de 8 a 16 representantes.
Há outros 27 senadores, eleitos em 2006, que têm mais quatro anos de mandato – 14 de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 13 aliados do presidente. Com a soma dos prováveis eleitos em 2010, uma eventual base de Dilma no Senado teria de 51 a 59 integrantes.
O quorum mínimo necessário para aprovar mudanças constitucionais é de 49 senadores. A oposição a um eventual governo Dilma corre o risco de nem sequer conquistar 27 cadeiras – o mínimo necessário para conseguir aprovar a criação, por exemplo, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
A atuação do presidente Lula como cabo eleitoral tem atrapalhado os planos de reeleição de notórios líderes oposicionistas. Heráclito Fortes (DEM-PI), Artur Virgílio (PSDB-AM), Antero Paes de Barros (PSDB-MT), Efraim Moraes (DEM-PB) e Marco Maciel (DEM-PE) são exemplos de parlamentares com histórico de embates com o governo Lula que correm risco de não se reeleger, apesar de terem largado bem nas primeiras pesquisas após o início da campanha.
Ataque direto. Todos foram ultrapassados por candidatos que acabaram promovidos por Lula em gravações no horário eleitoral de rádio e televisão. No caso de Marco Maciel, a queda começou após um ataque direto do presidente Lula, durante um comício realizado no Recife, no fim de agosto. Sem citar nomes, Lula disse, no palanque, que há candidato que parece estar no Senado “desde o tempo do Império”. “Já foi presidente da Câmara, ministro e até vice-presidente da República. O que ele trouxe para Pernambuco?”
sábado, 2 de outubro de 2010
Lula lamenta 'autoritarismo da imprensa' em um país que 'dá grandes lições de liberdade'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou que o Brasil, apesar de dar "grandes lições ao mundo de liberdade de imprensa", tenha setores da mídia pautados pelo "autoritarismo".
"Este é um país que dá grandes lições ao mundo de democracia, de liberdade de imprensa. É uma pena que tem gente que confunde liberdade de imprensa com autoritarismo da imprensa", disse o presidente após carreata com sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, em São Bernardo do Campo (ABC paulista), na véspera das eleições.
Parte dessa mídia, segundo Lula, seria composta por "senhores" que preferem ignorar "as pessoas da senzala [...] dentro da casa grande".
Alguns senhores não se deram conta que as pessoas da senzala estão dentro da casa grande, e que as pessoas precisam conviver democraticamente com a diversidade."
A profusão de ataques contra a cobertura jornalística havia desacelerado nos últimos dias, em parte para conter derrapada da presidenciável petista nas pesquisas da quinzena final de setembro.
A "sangria" de votos --já interrompida segundo última pesquisa Datafolha, que computa 52% dos votos válidos para Dilma-- foi atribuída principalmente aos escândalos na Casa Civil, mas também à intensidade dos ataques de Lula a alguns veículos midiáticos.
No mês passado, o presidente acusou a imprensa de se comportar como "partido de oposição" e engrossar torcida contra ele em coberturas que "beiram o ódio".
'MAIS DO QUE EM 2006'
Lula reconheceu ter se esforçado mais para emplacar Dilma no Planalto do que na própria reeleição, há quatro anos. Tudo pela continuidade.
"Viajei mais do que viajei na minha campanha em 2006 porque eu estava convencido que o grande legado que a gente deveria deixar para o Brasil era eleger gente para continuar governando."
O presidente e a primeira-dama, Marisa, acompanharam Dilma e Aloizio Mercadante, nome petista para o governo de São Paulo, em carreata pelo centro de São Bernardo, no ABC paulista. Fora Lula, todos vestiam vermelho, cor-símbolo do PT.
O passeio, feito em cima de um carro aberto, durou cerca de 1h e cumpriu à risca o gabarito político: Lula e Dilma abanaram uma bandeira do Brasil, e a candidata abraçou várias crianças no trajeto.
Mais atrás, outro veículo trazia o senador Eduardo Suplicy (PT) e os dois aspirantes ao Senado apoiados por Lula em São Paulo, Netinho de Paula (PC do B) e a petista Marta Suplicy.
Lula também comentou o 1º de janeiro, quando passará a faixa presidencial para seu sucessor --a eleição deste domingo será a primeira, desde 1989, sem o ex-líder sindical na disputa.
FUTURO
"O 1º de janeiro será um problema", ponderou o presidente, para então arrematar em tom de brincadeira: "Problema de muita festa para a posse de Dilma e, espero, para a posse de Mercadante".
Enquanto apostava suas fichas no sucesso do PT, Lula tratou seu próprio futuro como "uma incógnita".
Se Dilma tem liderança folgada e pode vencer no primeiro turno, Mercadante passa sufoco maior na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
Segundo último Datafolha, ele reduziu diferença para Geraldo Alckmin (PSDB) de 28 para 22 pontos percentuais. Mas, com 27% das intenções de voto, ainda perderia para o tucano no primeiro turno.
"Nós vamos até o último minuto. A gente só termina quando não tiver mais luz", disse Mercadante no ABC paulista
"Este é um país que dá grandes lições ao mundo de democracia, de liberdade de imprensa. É uma pena que tem gente que confunde liberdade de imprensa com autoritarismo da imprensa", disse o presidente após carreata com sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, em São Bernardo do Campo (ABC paulista), na véspera das eleições.
Parte dessa mídia, segundo Lula, seria composta por "senhores" que preferem ignorar "as pessoas da senzala [...] dentro da casa grande".
Alguns senhores não se deram conta que as pessoas da senzala estão dentro da casa grande, e que as pessoas precisam conviver democraticamente com a diversidade."
A profusão de ataques contra a cobertura jornalística havia desacelerado nos últimos dias, em parte para conter derrapada da presidenciável petista nas pesquisas da quinzena final de setembro.
A "sangria" de votos --já interrompida segundo última pesquisa Datafolha, que computa 52% dos votos válidos para Dilma-- foi atribuída principalmente aos escândalos na Casa Civil, mas também à intensidade dos ataques de Lula a alguns veículos midiáticos.
No mês passado, o presidente acusou a imprensa de se comportar como "partido de oposição" e engrossar torcida contra ele em coberturas que "beiram o ódio".
'MAIS DO QUE EM 2006'
Lula reconheceu ter se esforçado mais para emplacar Dilma no Planalto do que na própria reeleição, há quatro anos. Tudo pela continuidade.
"Viajei mais do que viajei na minha campanha em 2006 porque eu estava convencido que o grande legado que a gente deveria deixar para o Brasil era eleger gente para continuar governando."
O presidente e a primeira-dama, Marisa, acompanharam Dilma e Aloizio Mercadante, nome petista para o governo de São Paulo, em carreata pelo centro de São Bernardo, no ABC paulista. Fora Lula, todos vestiam vermelho, cor-símbolo do PT.
O passeio, feito em cima de um carro aberto, durou cerca de 1h e cumpriu à risca o gabarito político: Lula e Dilma abanaram uma bandeira do Brasil, e a candidata abraçou várias crianças no trajeto.
Mais atrás, outro veículo trazia o senador Eduardo Suplicy (PT) e os dois aspirantes ao Senado apoiados por Lula em São Paulo, Netinho de Paula (PC do B) e a petista Marta Suplicy.
Lula também comentou o 1º de janeiro, quando passará a faixa presidencial para seu sucessor --a eleição deste domingo será a primeira, desde 1989, sem o ex-líder sindical na disputa.
FUTURO
"O 1º de janeiro será um problema", ponderou o presidente, para então arrematar em tom de brincadeira: "Problema de muita festa para a posse de Dilma e, espero, para a posse de Mercadante".
Enquanto apostava suas fichas no sucesso do PT, Lula tratou seu próprio futuro como "uma incógnita".
Se Dilma tem liderança folgada e pode vencer no primeiro turno, Mercadante passa sufoco maior na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
Segundo último Datafolha, ele reduziu diferença para Geraldo Alckmin (PSDB) de 28 para 22 pontos percentuais. Mas, com 27% das intenções de voto, ainda perderia para o tucano no primeiro turno.
"Nós vamos até o último minuto. A gente só termina quando não tiver mais luz", disse Mercadante no ABC paulista
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Sob garoa, Dilma encerra campanha com Lula, em São Bernardo, e alfineta Serra
Uma carreata pelo centro de São Bernardo do Campo, o simbólico berço do PT. Foi assim que Dilma Rousseff encerrou sua campanha antes da eleição deste domingo.
Antes, a presidenciável concedeu uma entrevista coletiva na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, local onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou sua carreira política. Ela aproveitou para alfinetar o rival na corrida presidencial, o tucano José Serra. “Nós representamos o crescimento. Eles são do período da estagnação”, disse Dilma.
Como aconteceu nas últimas declarações, a candidata fez um balanço da campanha, classificando-a de “exaustiva” e “intensa”. “A pior parte foram as mentiras sorrateiras que surgiram do baixo mundo da política”, afirmou, em referência à onda de boatos que surgiram sobre sua suposta disposição de propor, se eleita, a legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Depois, ela desfilou em carro aberto ao lado de Lula, da primeira-dama, dona Mariza, e do postulante petista ao governo paulista, Aloizio Mercadante. No carro de trás, os candidatos ao Senado da coligação, Marta Suplicy e Netinho de Paula acompanhavam a carreata.
A garoa deu uma trégua durante o trajeto pelo centro da cidade. Cerca de três mil pessoas, a maioria militantes do PT, seguiram o cortejo eleitoral, realizado no final da manhã deste sábado (2).
Dilma vai viajar neste sábado a Porto Alegre (RS), onde vota no domingo de manhã. A previsão é que ela viaje para Brasília para acompanhar a apuração dos votos e se manifestar sobre o resultado, possivelmente ao lado de Lula, seu maior cabo eleitoral.
Antes, a presidenciável concedeu uma entrevista coletiva na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, local onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou sua carreira política. Ela aproveitou para alfinetar o rival na corrida presidencial, o tucano José Serra. “Nós representamos o crescimento. Eles são do período da estagnação”, disse Dilma.
Como aconteceu nas últimas declarações, a candidata fez um balanço da campanha, classificando-a de “exaustiva” e “intensa”. “A pior parte foram as mentiras sorrateiras que surgiram do baixo mundo da política”, afirmou, em referência à onda de boatos que surgiram sobre sua suposta disposição de propor, se eleita, a legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Depois, ela desfilou em carro aberto ao lado de Lula, da primeira-dama, dona Mariza, e do postulante petista ao governo paulista, Aloizio Mercadante. No carro de trás, os candidatos ao Senado da coligação, Marta Suplicy e Netinho de Paula acompanhavam a carreata.
A garoa deu uma trégua durante o trajeto pelo centro da cidade. Cerca de três mil pessoas, a maioria militantes do PT, seguiram o cortejo eleitoral, realizado no final da manhã deste sábado (2).
Dilma vai viajar neste sábado a Porto Alegre (RS), onde vota no domingo de manhã. A previsão é que ela viaje para Brasília para acompanhar a apuração dos votos e se manifestar sobre o resultado, possivelmente ao lado de Lula, seu maior cabo eleitoral.
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Marilza de Melo Foucher: Velha mídia, nova derrota
Uma vez mais a mídia tradicional brasileira será derrotada numa eleição presidencial. Ela assumiu nas ultimas eleições de Lula, e agora com Dilma, a candidata de Lula, o principal papel de opositor. A chamada grande imprensa brasileira, que de grande não tem nada, tendo em vista sua parcialidade, sempre detestou o cidadão Lula e o presidente Lula. Não se conhece na historia republicana mundial um presidente que tenha sido tão desrespeitado quanto Lula.
Nunca se viu tanto racismo, tanto discriminação tanto ódio na boca de certos políticos e jornalistas. Tentaram por todos os meios impedir que chegasse ao poder. Como Lula persistiu, foi eleito e reeleito para o desespero deles, passaram a praticar uma oposição permanente ao governo, sem nenhuma visão critica. Foram incapazes de reconhecer que o governo conseguiu desenvolver um bom trabalho de inclusão social, diminuindo consideravelmente as desigualdades no território brasileiro. Foram também incapazes de reconhecer que hoje o Brasil é exemplo internacional na luta contra a fome, que tem credibilidade internacional.
Tentam agora, a todo custo, criar sensacionalismo por meio de um clima permanente de denúncias sem provas. Esta passou a ser a única estratégia para desacreditar o governo Lula e sua candidata. Nesses últimos anos o debate político no Brasil perdeu o brilho da racionalidade que exige a boa análise. Aquela que contextualiza, que coloca a nu certas contradições e cujo conteúdo leva o leitor a refletir sobre sua realidade.
A TV Globo, certas revistas e jornais alimentaram e provocaram sempre o baixo nível do debate político no Brasil e nada ajudaram na construção de uma cidadania política. O pior, para essa mídia reacionária, é que o presidente Lula, que tanto lutou pela democratização do Brasil, nunca utilizou da censura. A imprensa sempre teve total liberdade. No fundo eles gostariam de provocar o acirramento para serem censurados, assim poderiam acusar o Lula de ditador!
Também para o desespero desse tipo de mídia, acostumada a manipular a opinião publica brasileira, um parte da população passou a ter acesso a outro tipo de informação política via internet, que vai proporcionar outro tipo de debate político, com efeito multiplicador nos centros de formação de opinião, fora do “padrão globo” habitual. Houve também um amadurecimento político no exercício da cidadania. Os brasileiros, mesmo sendo críticos a certos projetos do governo Lula, reconhecem que o Brasil mudou para melhor e querem a continuidade com Dilma.
O Brasil é hoje uma grande nação e merece que o jornalismo seja praticado dentro do rigor intelectual necessário. Nada de bajulação, apenas neutralidade necessária para analisar os fatos tais como eles se apresentam. Um jornalismo independente do poder político enaltecerá sem duvida a democracia dessa jovem nação. Felizmente nos restam alguns jornais e poucas revistas politicamente corretos.
O que fazer, seu Zé?
Lamentavelmente, José Serra perdeu a capacidade política de participar num debate digno de uma eleição presidencial. Trata-se de um momento propício para a confrontação de idéias, programas sobre o que cada um tem a propor para o povo brasileiro. Quando a política perde seu “P” maiúsculo, a politicagem assume o picadeiro do circo. Aí vira esse triste espetáculo que só enfraquece a jovem democracia brasileira.
O governador Serra, que viveu exilado no Chile, poderia pelo menos ter uma visão mais digna de um homem político que lutou pela democracia. Ou ele é cego ou vê mal a realidade brasileira, daí não aceita comparar os resultados do governo FHC (de que participou) com o governo Lula. Daí o desespero e despreparo político de Serra para enfrentar uma conjuntura econômica e política mais propícia ao governo de Lula. Seu comportamento de vampiro que quer sugar sua adversária, gorgolejando palavras ferinas em nada enaltece o modo de exercer um cargo político.
Ele esquece, junto com seus aliados da mídia reacionária, que o povo hoje está vacinado contra o efeito nefasto do padrão Globo. Espera dos políticos outro tipo de comportamento. Quer propostas concretas para assegurar o futuro de um Brasil para todos, sem exclusão.
Marilza de Melo Foucher é doutora em economia e especializada em desenvolvimento territorial integrado e solidário
Nunca se viu tanto racismo, tanto discriminação tanto ódio na boca de certos políticos e jornalistas. Tentaram por todos os meios impedir que chegasse ao poder. Como Lula persistiu, foi eleito e reeleito para o desespero deles, passaram a praticar uma oposição permanente ao governo, sem nenhuma visão critica. Foram incapazes de reconhecer que o governo conseguiu desenvolver um bom trabalho de inclusão social, diminuindo consideravelmente as desigualdades no território brasileiro. Foram também incapazes de reconhecer que hoje o Brasil é exemplo internacional na luta contra a fome, que tem credibilidade internacional.
Tentam agora, a todo custo, criar sensacionalismo por meio de um clima permanente de denúncias sem provas. Esta passou a ser a única estratégia para desacreditar o governo Lula e sua candidata. Nesses últimos anos o debate político no Brasil perdeu o brilho da racionalidade que exige a boa análise. Aquela que contextualiza, que coloca a nu certas contradições e cujo conteúdo leva o leitor a refletir sobre sua realidade.
A TV Globo, certas revistas e jornais alimentaram e provocaram sempre o baixo nível do debate político no Brasil e nada ajudaram na construção de uma cidadania política. O pior, para essa mídia reacionária, é que o presidente Lula, que tanto lutou pela democratização do Brasil, nunca utilizou da censura. A imprensa sempre teve total liberdade. No fundo eles gostariam de provocar o acirramento para serem censurados, assim poderiam acusar o Lula de ditador!
Também para o desespero desse tipo de mídia, acostumada a manipular a opinião publica brasileira, um parte da população passou a ter acesso a outro tipo de informação política via internet, que vai proporcionar outro tipo de debate político, com efeito multiplicador nos centros de formação de opinião, fora do “padrão globo” habitual. Houve também um amadurecimento político no exercício da cidadania. Os brasileiros, mesmo sendo críticos a certos projetos do governo Lula, reconhecem que o Brasil mudou para melhor e querem a continuidade com Dilma.
O Brasil é hoje uma grande nação e merece que o jornalismo seja praticado dentro do rigor intelectual necessário. Nada de bajulação, apenas neutralidade necessária para analisar os fatos tais como eles se apresentam. Um jornalismo independente do poder político enaltecerá sem duvida a democracia dessa jovem nação. Felizmente nos restam alguns jornais e poucas revistas politicamente corretos.
O que fazer, seu Zé?
Lamentavelmente, José Serra perdeu a capacidade política de participar num debate digno de uma eleição presidencial. Trata-se de um momento propício para a confrontação de idéias, programas sobre o que cada um tem a propor para o povo brasileiro. Quando a política perde seu “P” maiúsculo, a politicagem assume o picadeiro do circo. Aí vira esse triste espetáculo que só enfraquece a jovem democracia brasileira.
O governador Serra, que viveu exilado no Chile, poderia pelo menos ter uma visão mais digna de um homem político que lutou pela democracia. Ou ele é cego ou vê mal a realidade brasileira, daí não aceita comparar os resultados do governo FHC (de que participou) com o governo Lula. Daí o desespero e despreparo político de Serra para enfrentar uma conjuntura econômica e política mais propícia ao governo de Lula. Seu comportamento de vampiro que quer sugar sua adversária, gorgolejando palavras ferinas em nada enaltece o modo de exercer um cargo político.
Ele esquece, junto com seus aliados da mídia reacionária, que o povo hoje está vacinado contra o efeito nefasto do padrão Globo. Espera dos políticos outro tipo de comportamento. Quer propostas concretas para assegurar o futuro de um Brasil para todos, sem exclusão.
Marilza de Melo Foucher é doutora em economia e especializada em desenvolvimento territorial integrado e solidário
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
CONVERSA AFIADA: O que Lula faria se Ali Kamel manipulasse o debate
O que Lula faria se Ali Kamel
Publicado em 30/09/2010 Compartilhe | Imprima | Vote (+41)
Na foto, o rio Titê, o último jazigo
Um dos momentos mais trevosos da televisão brasileira tornou-se um exemplo mundial de como a televisão pode manipular uma eleição.
Trata-se da edição do jornal nacional na véspera da eleição do segundo turno com o debate entre Collor e Lula.
Roberto Marinho mandou editar tudo o que Collor fez de bom e tudo o que Lula fez de mau.
A seguir, entrou um editorial lido por Alexandre Maluf Garcia que associava a vitória de Collor aos mais elevados princípios da Democracia.
Livros de jornalismo pelas faculdades do mundo afora tratam desse episódio com espanto e horror.
Vamos supor que esta seja uma das últimas balas de prata do Serra e do Ali Kamel.
Ou, o que dá no mesmo, do Ali Kamel e do Serra.
Ali Kamel, o mais poderoso e obstinado jornalista que a Rede Globo já teve, é especialista em levar eleições para o segundo turno.
Uma edição do jornal nacional que ignorou a tragédia da Gol levou para o segundo turno a eleição de 2006.
Clique aqui para ler: “O primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.
O Conversa Afiada tem dito que o importante não é o debate mas, a edição do debate.
Vamos supor que a Globo resolva reeditar amanhã o debate entre Collor e Lula: tudo de bom do Serra e tudo de mau da Dilma.
Trata-se de uma suposição.
O que o Lula poderia fazer ?
O Lula poderia convocar uma rede de rádio e televisão na sexta à noite e no sábado e desmascarar o Kamel e a Globo.
Ao contrário de 89, na eleição de Lula e Collor, hoje tem Internet.
Hoje tem blog sujo.
Hoje tem Twitter.
E o debate, numa versão fidedigna, com uma edição equilibrada, estará no ar poucos minutos depois de encerrar-se e nessa entrada em rede nacional o Lula poderia exibir o debate de uma forma levemente diferente daquela que a Globo exibisse.
Este Conversa Afiada gostaria muito que isso acontecesse.
Este final melancólico de campanha permitiu que se afundassem nas límpidas águas do Tietê, uns enrolados nas tripas dos outros, como sugeria Voltaire, Serra, Dantas e Gilmar.
Se a Globo ousar fazer da edição do debate um novo exemplo de manipulação o Lula, por suposição, poderia enrolar as tripas do Ali Kamel nas tripas dos filhos do Roberto Marinho e jogar nas águas limpas do Rio Pinheiros.
Seria o glorioso funeral de um Brasil morto e provisoriamente insepulto.
Paulo Henrique Amorim
Publicado em 30/09/2010 Compartilhe | Imprima | Vote (+41)
Na foto, o rio Titê, o último jazigo
Um dos momentos mais trevosos da televisão brasileira tornou-se um exemplo mundial de como a televisão pode manipular uma eleição.
Trata-se da edição do jornal nacional na véspera da eleição do segundo turno com o debate entre Collor e Lula.
Roberto Marinho mandou editar tudo o que Collor fez de bom e tudo o que Lula fez de mau.
A seguir, entrou um editorial lido por Alexandre Maluf Garcia que associava a vitória de Collor aos mais elevados princípios da Democracia.
Livros de jornalismo pelas faculdades do mundo afora tratam desse episódio com espanto e horror.
Vamos supor que esta seja uma das últimas balas de prata do Serra e do Ali Kamel.
Ou, o que dá no mesmo, do Ali Kamel e do Serra.
Ali Kamel, o mais poderoso e obstinado jornalista que a Rede Globo já teve, é especialista em levar eleições para o segundo turno.
Uma edição do jornal nacional que ignorou a tragédia da Gol levou para o segundo turno a eleição de 2006.
Clique aqui para ler: “O primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.
O Conversa Afiada tem dito que o importante não é o debate mas, a edição do debate.
Vamos supor que a Globo resolva reeditar amanhã o debate entre Collor e Lula: tudo de bom do Serra e tudo de mau da Dilma.
Trata-se de uma suposição.
O que o Lula poderia fazer ?
O Lula poderia convocar uma rede de rádio e televisão na sexta à noite e no sábado e desmascarar o Kamel e a Globo.
Ao contrário de 89, na eleição de Lula e Collor, hoje tem Internet.
Hoje tem blog sujo.
Hoje tem Twitter.
E o debate, numa versão fidedigna, com uma edição equilibrada, estará no ar poucos minutos depois de encerrar-se e nessa entrada em rede nacional o Lula poderia exibir o debate de uma forma levemente diferente daquela que a Globo exibisse.
Este Conversa Afiada gostaria muito que isso acontecesse.
Este final melancólico de campanha permitiu que se afundassem nas límpidas águas do Tietê, uns enrolados nas tripas dos outros, como sugeria Voltaire, Serra, Dantas e Gilmar.
Se a Globo ousar fazer da edição do debate um novo exemplo de manipulação o Lula, por suposição, poderia enrolar as tripas do Ali Kamel nas tripas dos filhos do Roberto Marinho e jogar nas águas limpas do Rio Pinheiros.
Seria o glorioso funeral de um Brasil morto e provisoriamente insepulto.
Paulo Henrique Amorim
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Lula grava mensagem para Dilma
uol
presidente fala do "submundo da política" que agiria contra sua candidata
Trata-se de comercial gravado pela equipe do publicitário João Santana. Vai ao ar esta noite (29.set.2010) e amanhã à noite (30.set.2010). A inserção tem 30 segundos.
O objetivo desse comercial é tentar usar a imagem de Lula para novamente blindar Dilma contra boatos que vicejam nesta fase final de campanha (aliás, contra todos os candidatos).
Além deste alerta, Lula gravou mais um depoimento para a propaganda de Dilma. Nessa outra inserção, ele agradece a todos que o assistiram nesta campanha –e termina pedindo voto para Dilma.
Eis o vídeo no qual Lula fala sobre o "submundo da política"
presidente fala do "submundo da política" que agiria contra sua candidata
Trata-se de comercial gravado pela equipe do publicitário João Santana. Vai ao ar esta noite (29.set.2010) e amanhã à noite (30.set.2010). A inserção tem 30 segundos.
O objetivo desse comercial é tentar usar a imagem de Lula para novamente blindar Dilma contra boatos que vicejam nesta fase final de campanha (aliás, contra todos os candidatos).
Além deste alerta, Lula gravou mais um depoimento para a propaganda de Dilma. Nessa outra inserção, ele agradece a todos que o assistiram nesta campanha –e termina pedindo voto para Dilma.
Eis o vídeo no qual Lula fala sobre o "submundo da política"
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Frases de Lula no Terra Magazine sobre Serra
"O Serra foi candidato contra mim em 2002 quando o povo queria mudança e eu era mudança e ele, situação. Agora, ele quer mudança quando o povo quer continuidade. Então, foram dois momentos muito delicados. A mesma coisa fui eu. Fui candidato contra o Plano Real e era um massacre"
"Já faz tempo que o Serra fez oposição, foi 1970, porque depois já virou secretário da Fazenda do (Franco) Montoro. Então as pessoas desabituaram a fazer oposição e fazem isso com certo preconceito, com uma certa raiva. Eu antigamente ficava ofendido com o preconceito. Hoje, eu acho que nós já vencemos todos os preconceitos. O PT também errou muito quando era oposição. Nós erramos muito"
"Já faz tempo que o Serra fez oposição, foi 1970, porque depois já virou secretário da Fazenda do (Franco) Montoro. Então as pessoas desabituaram a fazer oposição e fazem isso com certo preconceito, com uma certa raiva. Eu antigamente ficava ofendido com o preconceito. Hoje, eu acho que nós já vencemos todos os preconceitos. O PT também errou muito quando era oposição. Nós erramos muito"
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Frases de Lula no Terra Magazine sobre Tiririca
"O Tiririca é um cidadão que representa uma parcela da sociedade brasileira"
"Eu não sei se é voto de protesto, ele pode surpreender, sabe...eu acho legal, o Romário está entrando na política, acho legal o Bebeto estar entrando na política, o Marcelinho..."
"Eu não sei se é voto de protesto, ele pode surpreender, sabe...eu acho legal, o Romário está entrando na política, acho legal o Bebeto estar entrando na política, o Marcelinho..."
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Lula diz que tiveram "medo" de tentar derrubá-lo em 2005
Lula sobre risco de golpe: 'Não sabiam da minha força'
Antonio Prada
Bob Fernandes
Gilberto Nascimento
Direto de Brasília
Na entrevista exclusiva dada ao Terra e publicada desde a manhã desta quinta-feira (23), o presidente Lula aborda um tema delicado. Ao recordar o ano de 2005 e o chamado "Mensalão", o presidente da República deixa claro que, no seu entender, adversários pensaram em derrubá-lo do poder. À pergunta sobre se teria sido uma "tentativa de golpe", Lula esquiva-se de repetir as expressões "golpe" e "derrubar", mas diz com todas as palavras:
- Eles não sabiam da força que eu tinha na rua. Eu reuni o governo aqui e eu disse: "olhe, vocês fiquem aqui porque essa gente vai me enfrentar é na rua (bate na mesa)". Eu não sei se a intenção era essa... não quero tratar isso de forma, eu diria, pequena. Eu acho que eles não foram mais adiante de medo de não saber o que iria acontecer. E acho que não foram mais adiante porque (achavam que) já tinham me desgastado demais.
Se alguma dúvida restar sobre o que quer dizer Lula, e a percepção, ou informações que guardou daqueles dias, leia-se um pouco mais do que disse o presidente na conversa com o Terra:
- Eu acho que nós tivemos muita, mas muita, muita dificuldade em 2005. Foi um momento em que os setores conservadores deste País tentaram repetir Getúlio Vargas, tentaram repetir João Goulart, tentaram repetir Juscelino (Kubitschek). Porque mostra-se a parte boa de Juscelino, mas não mostra que diziam: "Juscelino não pode ser presidente", "se for, não pode ganhar, não pode tomar posse" e "se tomar posse, a gente derruba". Era assim que eles falavam!
Terra - Uma pergunta de balanço final. Qual o senhor acha que foi o pior momento do seu governo e o melhor?
Luiz Inácio Lula da Silva Eu vou dizer uma coisa. Acho que a gente só vai ter noção... (pausa) Não sei se você já perdeu alguém da sua família. Eu quando perdi a minha esposa... você leva um tempo para descobrir que acabou. Você sofre no dia do enterro, no velório, nos primeiros dias parece que você está meio anestesiado. Chega um dia em que você cai na real. Eu estou com muito cuidado para não tomar nenhuma decisão precipitada porque a avaliação correta do governo... (pausa) Normalmente o cara deixa o governo e diz: "vou fazer um livro (mudando a voz)". O cara tem de deixar amadurecer alguns anos, o cara tem que pelo menos saber o que os outros pensam dele para ele não ficar escrevendo "eu me amo". Não dá (risos).
Eu acho que nós tivemos muita, mas muita, muita dificuldade em 2005. Foi um momento em que os setores conservadores deste País tentaram repetir Getúlio Vargas, tentaram repetir João Goulart, tentaram repetir Juscelino (Kubitschek). Porque mostra-se a parte boa de Juscelino, mas não mostra que diziam: "Juscelino não pode ser presidente", "se for, não pode ganhar, não pode tomar posse" e "se tomar posse, a gente derruba". Era assim que eles falavam!
Terra - O senhor compreende hoje, então, que em 2005 havia uma tentativa de golpe?....
Tinha uma diferença... tinha uma diferença...
Terra - Qual era?
Eles não sabiam da força que eu tinha na rua. Eu reuni o governo aqui e eu disse: "olhe, vocês fiquem aqui porque essa gente vai me enfrentar é na rua (bate na mesa)". Eu não sei se a intenção era essa... não quero tratar isso de forma , eu diria, pequena. Eu acho que eles não foram mais adiante de medo de não saber o que iria acontecer. E acho que não foram mais adiante porque já tinham me desgastado demais.
Terra - Sangrando...
Eu vou contar o milagre, mas não vou contar o santo.
Terra - Isso a gente fala depois...
Não! Eu, uma vez, fui em um jantar dos setores dos meios de comunicação. Tinha quatro ou cinco pessoas conversando e discutindo, os políticos, pergunta, resposta... Você presidente, ele é convidado para um jantar, mas no fundo todo mundo fica perguntando. Não fica nem comendo. Como é feio comer de boca cheia, então não come! E também é chique, o presidente não pode beber... Então você tem de tomar Coca-Cola e água. Bem, nessa reunião, conversa vai, conversa vem, quando eu saí, já umas onze horas da noite, uma pessoa falou: "nossa, o presidente está muito bem!" (bate na mesa). Isso era mais ou menos no final de 2005, comecinho de 2006... "O presidente está com muita convicção de que vai ganhar". Aí um dos puxa-sacos, você sabe que sempre tem puxa-saco onde tem chefe, fala todo assim: "isso é fingimento. Ele sabe que está desmoralizado. Ele sabe que não pode concorrer à reeleição".
Terra - Você ouviu isso?
Uma pessoa que estava lá depois me contou. Então, isso é apenas para demonstrar como é que as pessoas fazem avaliação equivocada. As pessoas não conhecem o Brasil. Não é possível dirigir o Brasil de Brasília. Você tem de entrar nas entranhas deste País, é quase fazer um check up todo santo dia. Porque a gente vai fazer um check up e coloca a gente numa máquina e tira fotos das tuas tripas, de tudo que você tem por dentro? É para ver se você tem alguma coisa! Então você tem de fazer check up deste País todo santo dia. Às vezes é difícil descobrir as coisas. Mas o Brasil começou a andar... o que é importante é que mudamos um paradigma. Quem vier depois, sabe que tem um patamar
Antonio Prada
Bob Fernandes
Gilberto Nascimento
Direto de Brasília
Na entrevista exclusiva dada ao Terra e publicada desde a manhã desta quinta-feira (23), o presidente Lula aborda um tema delicado. Ao recordar o ano de 2005 e o chamado "Mensalão", o presidente da República deixa claro que, no seu entender, adversários pensaram em derrubá-lo do poder. À pergunta sobre se teria sido uma "tentativa de golpe", Lula esquiva-se de repetir as expressões "golpe" e "derrubar", mas diz com todas as palavras:
- Eles não sabiam da força que eu tinha na rua. Eu reuni o governo aqui e eu disse: "olhe, vocês fiquem aqui porque essa gente vai me enfrentar é na rua (bate na mesa)". Eu não sei se a intenção era essa... não quero tratar isso de forma, eu diria, pequena. Eu acho que eles não foram mais adiante de medo de não saber o que iria acontecer. E acho que não foram mais adiante porque (achavam que) já tinham me desgastado demais.
Se alguma dúvida restar sobre o que quer dizer Lula, e a percepção, ou informações que guardou daqueles dias, leia-se um pouco mais do que disse o presidente na conversa com o Terra:
- Eu acho que nós tivemos muita, mas muita, muita dificuldade em 2005. Foi um momento em que os setores conservadores deste País tentaram repetir Getúlio Vargas, tentaram repetir João Goulart, tentaram repetir Juscelino (Kubitschek). Porque mostra-se a parte boa de Juscelino, mas não mostra que diziam: "Juscelino não pode ser presidente", "se for, não pode ganhar, não pode tomar posse" e "se tomar posse, a gente derruba". Era assim que eles falavam!
Terra - Uma pergunta de balanço final. Qual o senhor acha que foi o pior momento do seu governo e o melhor?
Luiz Inácio Lula da Silva Eu vou dizer uma coisa. Acho que a gente só vai ter noção... (pausa) Não sei se você já perdeu alguém da sua família. Eu quando perdi a minha esposa... você leva um tempo para descobrir que acabou. Você sofre no dia do enterro, no velório, nos primeiros dias parece que você está meio anestesiado. Chega um dia em que você cai na real. Eu estou com muito cuidado para não tomar nenhuma decisão precipitada porque a avaliação correta do governo... (pausa) Normalmente o cara deixa o governo e diz: "vou fazer um livro (mudando a voz)". O cara tem de deixar amadurecer alguns anos, o cara tem que pelo menos saber o que os outros pensam dele para ele não ficar escrevendo "eu me amo". Não dá (risos).
Eu acho que nós tivemos muita, mas muita, muita dificuldade em 2005. Foi um momento em que os setores conservadores deste País tentaram repetir Getúlio Vargas, tentaram repetir João Goulart, tentaram repetir Juscelino (Kubitschek). Porque mostra-se a parte boa de Juscelino, mas não mostra que diziam: "Juscelino não pode ser presidente", "se for, não pode ganhar, não pode tomar posse" e "se tomar posse, a gente derruba". Era assim que eles falavam!
Terra - O senhor compreende hoje, então, que em 2005 havia uma tentativa de golpe?....
Tinha uma diferença... tinha uma diferença...
Terra - Qual era?
Eles não sabiam da força que eu tinha na rua. Eu reuni o governo aqui e eu disse: "olhe, vocês fiquem aqui porque essa gente vai me enfrentar é na rua (bate na mesa)". Eu não sei se a intenção era essa... não quero tratar isso de forma , eu diria, pequena. Eu acho que eles não foram mais adiante de medo de não saber o que iria acontecer. E acho que não foram mais adiante porque já tinham me desgastado demais.
Terra - Sangrando...
Eu vou contar o milagre, mas não vou contar o santo.
Terra - Isso a gente fala depois...
Não! Eu, uma vez, fui em um jantar dos setores dos meios de comunicação. Tinha quatro ou cinco pessoas conversando e discutindo, os políticos, pergunta, resposta... Você presidente, ele é convidado para um jantar, mas no fundo todo mundo fica perguntando. Não fica nem comendo. Como é feio comer de boca cheia, então não come! E também é chique, o presidente não pode beber... Então você tem de tomar Coca-Cola e água. Bem, nessa reunião, conversa vai, conversa vem, quando eu saí, já umas onze horas da noite, uma pessoa falou: "nossa, o presidente está muito bem!" (bate na mesa). Isso era mais ou menos no final de 2005, comecinho de 2006... "O presidente está com muita convicção de que vai ganhar". Aí um dos puxa-sacos, você sabe que sempre tem puxa-saco onde tem chefe, fala todo assim: "isso é fingimento. Ele sabe que está desmoralizado. Ele sabe que não pode concorrer à reeleição".
Terra - Você ouviu isso?
Uma pessoa que estava lá depois me contou. Então, isso é apenas para demonstrar como é que as pessoas fazem avaliação equivocada. As pessoas não conhecem o Brasil. Não é possível dirigir o Brasil de Brasília. Você tem de entrar nas entranhas deste País, é quase fazer um check up todo santo dia. Porque a gente vai fazer um check up e coloca a gente numa máquina e tira fotos das tuas tripas, de tudo que você tem por dentro? É para ver se você tem alguma coisa! Então você tem de fazer check up deste País todo santo dia. Às vezes é difícil descobrir as coisas. Mas o Brasil começou a andar... o que é importante é que mudamos um paradigma. Quem vier depois, sabe que tem um patamar
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sábado, 18 de setembro de 2010
Lula diz que imprensa "inventa" coisas
Um dia depois de demitir uma ministra por acusação de lobby na Casa Civil, presidente volta a atacar jornais
Ataques do presidente são repetidos por Dilma, que evitou falar sobre as suspeitas de tráfico de influência na sua gestão
PAULO PEIXOTO
ENVIADO ESPECIAL A JUIZ DE FORA (MG)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar ontem a imprensa ao dizer que "alguns jornais" não são neutros e insinuar que eles apoiam a candidatura presidencial de José Serra (PSDB). Disse que os jornais "inventam coisas" contra ele.
As críticas foram feitas um dia depois de Lula demitir a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, ex-braço direito da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, depois de duas acusações de lobby envolvendo seus familiares em órgãos do governo.
Por 29 minutos Lula ironizou a oposição e criticou os jornais. Falou na condição de "cabo eleitoral" de Dilma, conforme ele próprio disse, durante comício da petista em Juiz de Fora (MG).
Dilma também atacou, afirmando que a oposição se utiliza de "calúnias e falsidades" contra o governo.
Para Lula, os jornais deveriam ter assumir "as cores do partido que defendem". "Essa gente não nos perdoa."
Para o presidente, "quem faz oposição neste país -eles ficam doidos-, é determinado tipo de imprensa".
Lula chegou a falar que a imprensa inventa fatos contra ele. "Ah! Como inventam coisa contra o Lula", disse, acrescentando que não teria 80% de aprovação, mas "zero", se dependesse da mídia.
Os ataques começaram quando o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), candidato ao Senado, afirmou que a oposição percebe que vai perder a disputa e parte para "outros métodos", usando a imprensa como meio de propagação.
"Se não conseguem pelo voto, tentam pela calúnia e pela baixaria que plantam nos jornais", afirmou.
Pimentel foi afastado do comando da campanha de Dilma depois de comandar um "grupo de inteligência" na pré-campanha, que recebeu papeis com dados sobre aliados e familiares de Serra.
Logo depois, sempre sem citar o escândalo na Casa Civil, foi a vez de Dilma atacar.
Mais cedo, durante entrevista coletiva, ela se negou a falar sobre as acusações, que se referem ao período em que ela ainda era a ministra.
"Diante da eleição, aqueles que temem perder no voto utilizam de mecanismos, utilizam de calúnias e falsidades. Por isso é importante que vocês estejam atentos e percebam que isso acontece sempre 15 dias antes das eleições", disse, no palanque.
Foi uma referência velada ao caso dos "aloprados", em que petistas foram flagrados com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo para comprar um dossiê contra Serra.
Ataques do presidente são repetidos por Dilma, que evitou falar sobre as suspeitas de tráfico de influência na sua gestão
PAULO PEIXOTO
ENVIADO ESPECIAL A JUIZ DE FORA (MG)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar ontem a imprensa ao dizer que "alguns jornais" não são neutros e insinuar que eles apoiam a candidatura presidencial de José Serra (PSDB). Disse que os jornais "inventam coisas" contra ele.
As críticas foram feitas um dia depois de Lula demitir a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, ex-braço direito da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, depois de duas acusações de lobby envolvendo seus familiares em órgãos do governo.
Por 29 minutos Lula ironizou a oposição e criticou os jornais. Falou na condição de "cabo eleitoral" de Dilma, conforme ele próprio disse, durante comício da petista em Juiz de Fora (MG).
Dilma também atacou, afirmando que a oposição se utiliza de "calúnias e falsidades" contra o governo.
Para Lula, os jornais deveriam ter assumir "as cores do partido que defendem". "Essa gente não nos perdoa."
Para o presidente, "quem faz oposição neste país -eles ficam doidos-, é determinado tipo de imprensa".
Lula chegou a falar que a imprensa inventa fatos contra ele. "Ah! Como inventam coisa contra o Lula", disse, acrescentando que não teria 80% de aprovação, mas "zero", se dependesse da mídia.
Os ataques começaram quando o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), candidato ao Senado, afirmou que a oposição percebe que vai perder a disputa e parte para "outros métodos", usando a imprensa como meio de propagação.
"Se não conseguem pelo voto, tentam pela calúnia e pela baixaria que plantam nos jornais", afirmou.
Pimentel foi afastado do comando da campanha de Dilma depois de comandar um "grupo de inteligência" na pré-campanha, que recebeu papeis com dados sobre aliados e familiares de Serra.
Logo depois, sempre sem citar o escândalo na Casa Civil, foi a vez de Dilma atacar.
Mais cedo, durante entrevista coletiva, ela se negou a falar sobre as acusações, que se referem ao período em que ela ainda era a ministra.
"Diante da eleição, aqueles que temem perder no voto utilizam de mecanismos, utilizam de calúnias e falsidades. Por isso é importante que vocês estejam atentos e percebam que isso acontece sempre 15 dias antes das eleições", disse, no palanque.
Foi uma referência velada ao caso dos "aloprados", em que petistas foram flagrados com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo para comprar um dossiê contra Serra.
MG: Lula ataca adversários e diz que oposição está "tremendo"
Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de vez o tom das críticas à oposição e fez duros ataques aos tucanos em comício realizado nesta sexta-feira (17), em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira. Ao lado da presidenciável Dilma Rousseff (PT), ele adotou um discurso inflamado e que não abandonou em nenhum momento o alvo nos tucanos. "Estou sabendo que tem gente nervosa do outro lado. Aqui não, não tem ninguém tremendo. Do outro lado tem gente que vai até perder os dedos".
Sem citar as acusações das quais seu governo foi alvo nas últimas semanas - quebra de sigilo fiscal e tráfico de influência na Casa Civil - o presidente foi irônico com o PSDB do candidato à Presidência, José Serra. "Tucano já nasce pensando que é especialista. Achavam que a eleição de Dilma era um caso perdido. Eles não têm conhecimento da sagacidade desta mulher".
Sob aplausos do público que lotou o espaço conhecido como Terreirão do Samba, no centro da cidade, o presidente lembrou o uso de sua imagem pela campanha de Serra à Presidência. Segundo Lula, colocaram sua imagem no programa eleitoral "como se fossem amigos".
No auge da crise envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que na quinta-feira (16) pediu exoneração do cargo, o presidente partiu para um ataque com endereço certo. A oposição, que tem cobrado da Polícia Federal e do próprio governo que investigue o caso, foi classificada pelo presidente como elitizada, preconceituosa, arrogante e sem visão sobre os problemas sociais do Brasil. "Eles têm preconceito contra as minorias. Essa gente não nos perdoou (de ter vencido a eleição em 2002 e 2006)".
Lula disse ainda que os tucanos, em alguns lugares, não querem "coisas" do governo federal. Segundo o presidente, por este motivo, em alguns estados, mudam o nome de programas do governo federal para colocarem sua marca nestes projetos.
"Quintal"
Como aconteceu em sua passagem por Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no início do mês, o presidente não poupou farpas ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB) e ao ex-governador, Aécio Neves (PSDB). Sem citar nomes, ele respondeu às críticas de lideranças do PSDB, de que sua entrada em cena na campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas era uma intervenção externa. "Eles acham que o Estado é uma espécie de quintal onde eles mandam".
No discurso mais duro contra os adversários até este momento das suas passagens por Minas, o presidente provocou os adversários, que, segundo ele, têm "vergonha do candidato deles (Serra)". Falando como quem tem como certa a vitória de sua candidata, ele ainda pediu aos mineiros que elejam aliados de Dilma para o Senado. "Pelo amor de Deus: a Dilma não pode ter o mesmo Senado que eu tive", afirmou, em referência à derrota sofrida por seu governo na Casa, que ajudou a derrubar a vigência da CPMF
Direto de Belo Horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de vez o tom das críticas à oposição e fez duros ataques aos tucanos em comício realizado nesta sexta-feira (17), em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira. Ao lado da presidenciável Dilma Rousseff (PT), ele adotou um discurso inflamado e que não abandonou em nenhum momento o alvo nos tucanos. "Estou sabendo que tem gente nervosa do outro lado. Aqui não, não tem ninguém tremendo. Do outro lado tem gente que vai até perder os dedos".
Sem citar as acusações das quais seu governo foi alvo nas últimas semanas - quebra de sigilo fiscal e tráfico de influência na Casa Civil - o presidente foi irônico com o PSDB do candidato à Presidência, José Serra. "Tucano já nasce pensando que é especialista. Achavam que a eleição de Dilma era um caso perdido. Eles não têm conhecimento da sagacidade desta mulher".
Sob aplausos do público que lotou o espaço conhecido como Terreirão do Samba, no centro da cidade, o presidente lembrou o uso de sua imagem pela campanha de Serra à Presidência. Segundo Lula, colocaram sua imagem no programa eleitoral "como se fossem amigos".
No auge da crise envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que na quinta-feira (16) pediu exoneração do cargo, o presidente partiu para um ataque com endereço certo. A oposição, que tem cobrado da Polícia Federal e do próprio governo que investigue o caso, foi classificada pelo presidente como elitizada, preconceituosa, arrogante e sem visão sobre os problemas sociais do Brasil. "Eles têm preconceito contra as minorias. Essa gente não nos perdoou (de ter vencido a eleição em 2002 e 2006)".
Lula disse ainda que os tucanos, em alguns lugares, não querem "coisas" do governo federal. Segundo o presidente, por este motivo, em alguns estados, mudam o nome de programas do governo federal para colocarem sua marca nestes projetos.
"Quintal"
Como aconteceu em sua passagem por Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no início do mês, o presidente não poupou farpas ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB) e ao ex-governador, Aécio Neves (PSDB). Sem citar nomes, ele respondeu às críticas de lideranças do PSDB, de que sua entrada em cena na campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas era uma intervenção externa. "Eles acham que o Estado é uma espécie de quintal onde eles mandam".
No discurso mais duro contra os adversários até este momento das suas passagens por Minas, o presidente provocou os adversários, que, segundo ele, têm "vergonha do candidato deles (Serra)". Falando como quem tem como certa a vitória de sua candidata, ele ainda pediu aos mineiros que elejam aliados de Dilma para o Senado. "Pelo amor de Deus: a Dilma não pode ter o mesmo Senado que eu tive", afirmou, em referência à derrota sofrida por seu governo na Casa, que ajudou a derrubar a vigência da CPMF
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
"Um gigante se impõe", mancheteia francês "Le Monde"
A HERANÇA Com o enunciado "Um gigante se impõe", o francês "Le Monde" publicou longo especial sobre o "país continente" Brasil e "a herança de Lula", abrindo com perfil de seis páginas, depois apresentando os principais candidatos e os 25 anos de democracia
COINCIDÊNCIA?" Com o enunciado "Para onde vai o Brasil...", a revista do "Le Monde Diplomatique" dedica especial ao país, abrindo com a previsão de que, depois de décadas de inexpressividade, será a quinta economia em 2014. "A mudança corresponde à chegada ao poder de Lula"
"GLÓRIA" Com o enunciado "O país onde a esquerda deu certo", a revista pop "Les Inrocks" saúda Lula, que sai "em plena glória", "ergueu seu país ao nível de grande potência internacional" e "é, junto com Mandela, o único sucesso da esquerda nos últimos anos"
todamídia fsp
COINCIDÊNCIA?" Com o enunciado "Para onde vai o Brasil...", a revista do "Le Monde Diplomatique" dedica especial ao país, abrindo com a previsão de que, depois de décadas de inexpressividade, será a quinta economia em 2014. "A mudança corresponde à chegada ao poder de Lula"
"GLÓRIA" Com o enunciado "O país onde a esquerda deu certo", a revista pop "Les Inrocks" saúda Lula, que sai "em plena glória", "ergueu seu país ao nível de grande potência internacional" e "é, junto com Mandela, o único sucesso da esquerda nos últimos anos"
todamídia fsp
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Lula afirma que a direita tentou e ainda tenta derrubar o seu governo; Dilma defende voto na mulher
ESTELITA HASS CARAZZAI
ENVIADA ESPECIAL A JOINVILLE (SC)
Em comício ontem à noite em Joinville ao lado da candidata Dilma Rousseff (PT), o presidente Lula afirmou que é preciso "extirpar" o DEM da política brasileira, pois é um partido que "alimenta ódio".
Lula se referia a uma frase dita em 2005 pelo então presidente do PFL (atual DEM), Jorge Bornhausen, durante o escândalo do mensalão. Ao falar do PT, ele comentou: "Estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos".
Na época, petistas acusaram Bornhausen de racismo, o que o então senador negou.
No comício, Lula lamentou o apoio que deu ao governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), na eleição de 2002: "Eu pensava que era para mudar. Mas ele trouxe de volta o DEM, que nós precisamos extirpar da política brasileira", disse.
Em Santa Catarina, o candidato ao governo Raimundo Colombo (DEM) lidera as pesquisas de intenção de voto. A senadora Ideli Salvatti (PT) está em terceiro lugar.
Como já ocorreu em outros comícios, coube a Lula o papel de rebater as acusações da oposição e as denúncias veiculadas na imprensa contra Dilma Rousseff. Segundo Lula, o povo é "seu próprio formador de opinião".
JOIO E TRIGO
"O povo consegue separar o joio do trigo, o que é verdade e o que é mentira", disse Lula. "Nós pensamos pela nossa cabeça e nós enxergamos pelos nossos olhos."
As declarações foram dadas após o presidente afirmar que a direita do país tentou e ainda tenta "derrubar" o seu governo.
Lula disse que não vai admitir que sua honra seja perdida "a troco de mentira ou de safadeza de quem quer que seja neste país".
Dilma, que falou durante breves 15 minutos e ficou sentada durante boa parte do discurso do presidente devido à torção que teve no pé, defendeu o voto numa mulher para governar o país.
"Eu não posso errar. Se uma mulher errar, eles vão falar (...) que mulher não pode ser presidente", disse.
A petista ainda pediu para que o público não votasse nos candidatos que representam o "atraso" e o "passado", fazendo menção ao partido que votou contra o Prouni -mais uma vez, o DEM.
Havia cartazes entre o público parabenizando a candidata pelo nascimento de seu neto, mas Dilma não mencionou esse fato em seu discurso. Este foi o primeiro comício da candidata após o nascimento da criança.
ENVIADA ESPECIAL A JOINVILLE (SC)
Em comício ontem à noite em Joinville ao lado da candidata Dilma Rousseff (PT), o presidente Lula afirmou que é preciso "extirpar" o DEM da política brasileira, pois é um partido que "alimenta ódio".
Lula se referia a uma frase dita em 2005 pelo então presidente do PFL (atual DEM), Jorge Bornhausen, durante o escândalo do mensalão. Ao falar do PT, ele comentou: "Estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos".
Na época, petistas acusaram Bornhausen de racismo, o que o então senador negou.
No comício, Lula lamentou o apoio que deu ao governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), na eleição de 2002: "Eu pensava que era para mudar. Mas ele trouxe de volta o DEM, que nós precisamos extirpar da política brasileira", disse.
Em Santa Catarina, o candidato ao governo Raimundo Colombo (DEM) lidera as pesquisas de intenção de voto. A senadora Ideli Salvatti (PT) está em terceiro lugar.
Como já ocorreu em outros comícios, coube a Lula o papel de rebater as acusações da oposição e as denúncias veiculadas na imprensa contra Dilma Rousseff. Segundo Lula, o povo é "seu próprio formador de opinião".
JOIO E TRIGO
"O povo consegue separar o joio do trigo, o que é verdade e o que é mentira", disse Lula. "Nós pensamos pela nossa cabeça e nós enxergamos pelos nossos olhos."
As declarações foram dadas após o presidente afirmar que a direita do país tentou e ainda tenta "derrubar" o seu governo.
Lula disse que não vai admitir que sua honra seja perdida "a troco de mentira ou de safadeza de quem quer que seja neste país".
Dilma, que falou durante breves 15 minutos e ficou sentada durante boa parte do discurso do presidente devido à torção que teve no pé, defendeu o voto numa mulher para governar o país.
"Eu não posso errar. Se uma mulher errar, eles vão falar (...) que mulher não pode ser presidente", disse.
A petista ainda pediu para que o público não votasse nos candidatos que representam o "atraso" e o "passado", fazendo menção ao partido que votou contra o Prouni -mais uma vez, o DEM.
Havia cartazes entre o público parabenizando a candidata pelo nascimento de seu neto, mas Dilma não mencionou esse fato em seu discurso. Este foi o primeiro comício da candidata após o nascimento da criança.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Le Monde: : as afinidades eletivas de Lula e Dilma Rousseff
A disputa prometia ser incerta entre os dois principais candidatos à eleição presidencial de 3 de outubro no Brasil. Pelo menos em teoria.
Do lado do governo, Dilma Rousseff, 62 anos. Essa mulher de bastidores, competente e trabalhadora, fez a maior parte de sua carreira em cargos administrativos, antes de ser notada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e depois promovida a chefe da Casa Civil, uma espécie de primeira-ministra não-oficial. Absorvida por essa função crucial, mas discreta, e nunca tendo enfrentado as urnas, “Dilma” era, até seis meses atrás, desconhecida da maioria dos brasileiros.
Do lado da oposição, José Serra, 68 anos. Esse político de longa experiência, à vontade nos palanques e diante das câmeras, tem a vantagem de uma trajetória com saldo muitas vezes favorável, como ministro da Saúde (1998-2002) e como governador (2007-2010) do Estado de São Paulo, que abriga a maior cidade da América do Sul. Para esse homem, enfrentar e vencer uma adversária novata em política parecia uma aposta razoável.
Hoje, a cinco semanas do pleito, a neófita se encontra bem à frente de seu rival. As pesquisas lhe dão uma vantagem de 10 a 15 pontos e chegam a prever a vitória logo no primeiro turno. A terceira candidata mais importante, a ambientalista Marina Silva, está estagnada com cerca de 10% das intenções de voto. A menos que haja uma reviravolta, Dilma Rousseff se tornará, no dia 1º de janeiro de 2011, o 40º presidente da República do Brasil, e a primeira mulher a ocupar essa função.
Por que se está vendo um cenário como esse, que tira o suspense da campanha? A resposta reside em uma palavra: Lula. Pela primeira vez em 21 anos, o ex-metalúrgico não participa de uma disputa presidencial, uma vez que a Constituição lhe impede de concorrer a um terceiro mandato de quatro anos.
Mas o chefe do Estado continua sendo o principal personagem da competição. Ele envolveu a fundo na campanha para conseguir a vitória daquela que ele escolheu secretamente para ser sua sucessora já há dois anos, que em seguida a apresentou ao público ao dividir com ela os palanques de seus comícios, e que ele impôs à sua própria família política, argumentando que ela era a melhor para sucedê-lo.
Dirigindo-se aos hesitantes, Lula está sempre elogiando “Dilma”, especialmente durante a propaganda eleitoral na TV, onde ele aparece para apoiar sua favorita. Ele mostra a mesma “generosidade” para com todos aqueles que, em seu partido, bem como nos partidos aliados, conseguiram sua simpatia: deputados federais, senadores, membros das assembleias legislativas do Estado, que buscam ser eleitos ou reeleitos em 3 de outubro.
Lula tem cedido a Dilma Rousseff grande parte dos méritos que até hoje ele costumava atribuir a si mesmo, ao conduzir uma política econômica e social de sucessos inegáveis. Ele a chama de “mãe do povo” após tê-la batizado de “mãe do PAC” – um programa de grandes obras visando estimular o crescimento - ou ainda “mãe do programa Luz para Todos”. Daí a ironia de Marina Silva, que lamenta assim a “infantilização” dos cidadãos.
Lula costuma contar que aos poucos foi descobrindo na administradora e técnica Dilma Rousseff “um animal político” de personalidade forte. Estranha confissão, considerando se tratar de uma mulher que ele sabia ter sido, aos 20 anos, ativista revolucionária sob a ditadura militar e que pagou caro por sua militância: 22 dias de tortura e três anos de prisão.
O presidente brasileiro está prestes a conseguir um feito raríssimo na política: ele deixará o cargo com mais popularidade do que quando entrou na presidência, com cerca de 80% de opiniões favoráveis, um número estável há muitos meses.
Ele investiu esse enorme capital de simpatia em benefício de sua herdeira política. A operação hoje está dando frutos. No início de 2010, os analistas se perguntavam se Lula conseguiria transferir a Dilma uma parte suficiente de sua popularidade. Hoje não há mais dúvidas.
A provável futura presidente, entretanto, não possui nem o carisma nem o dom da oratória que fizeram o sucesso de Lula. Seu batismo de fogo, durante o primeiro debate televisionado, há três semanas, só foi parcialmente bem sucedido. Desde então, com a ajuda das pesquisas, ela parece ter adquirido confiança em si mesma.
Mas o principal está em outro lugar, para a maioria dos brasileiros que amam o presidente e só acompanham a vida política de longe: Dilma Rousseff é “a candidata de Lula”. É garantia suficiente. São muitos os eleitores que poderiam dizer, como esse pedreiro do Nordeste contou à revista “Veja”: “Se Lula apoiasse Serra, eu votaria no Serra”.
José Serra não tem chance. Mais uma vez, esse veterano social-democrata, respeitado e competente, encontra Lula em seu caminho. Perdeu para ele em 2002, e preferiu não enfrentá-lo em 2006, certo de que seria derrotado. Essa campanha é sua última oportunidade para se tornar presidente, um objetivo para o qual ele diz “ter se preparado a vida inteira”. E novamente é Lula, mais do que Dilma Rousseff, que o impedirá de atingi-lo.
Não só o líder da oposição toma cuidado para nunca criticar Lula, como ele tenta se aproveitar do prestígio do presidente. Algumas de suas propagandas o mostram ao lado de Lula, e seu jingle eleitoral proclama, em ritmo de samba, uma mensagem deliberadamente ambígua: “Quando o Lula da Silva sair/É o Zé que eu quero lá”.
Para José Serra, é importante mostrar que “Dilma não é Lula”, que ela não tem mais direito do que qualquer outro de sucedê-lo. O presidente, que sentiu o perigo, tem feito cada vez mais elogios à sua candidata. Ele chega a anunciar que, se ela for eleita, ele viajará pelo Brasil e, se for preciso, lhe telefonará dizendo: “Pode fazer, minha filha, que eu não consegui fazer”. Ninguém deve duvidar que votar em Dilma Rousseff, em 3 de outubro, é satisfazer a vontade de Lula.
Assim, José Serra corre o risco de ser vítima de um fenômeno talvez inédito em uma grande democracia, e que deverá empolgar os cientistas políticos: a eleição de um chefe de Estado graças ao brilho da glória que seu antecessor projeta sobre sua candidatura.
Do lado do governo, Dilma Rousseff, 62 anos. Essa mulher de bastidores, competente e trabalhadora, fez a maior parte de sua carreira em cargos administrativos, antes de ser notada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e depois promovida a chefe da Casa Civil, uma espécie de primeira-ministra não-oficial. Absorvida por essa função crucial, mas discreta, e nunca tendo enfrentado as urnas, “Dilma” era, até seis meses atrás, desconhecida da maioria dos brasileiros.
Do lado da oposição, José Serra, 68 anos. Esse político de longa experiência, à vontade nos palanques e diante das câmeras, tem a vantagem de uma trajetória com saldo muitas vezes favorável, como ministro da Saúde (1998-2002) e como governador (2007-2010) do Estado de São Paulo, que abriga a maior cidade da América do Sul. Para esse homem, enfrentar e vencer uma adversária novata em política parecia uma aposta razoável.
Hoje, a cinco semanas do pleito, a neófita se encontra bem à frente de seu rival. As pesquisas lhe dão uma vantagem de 10 a 15 pontos e chegam a prever a vitória logo no primeiro turno. A terceira candidata mais importante, a ambientalista Marina Silva, está estagnada com cerca de 10% das intenções de voto. A menos que haja uma reviravolta, Dilma Rousseff se tornará, no dia 1º de janeiro de 2011, o 40º presidente da República do Brasil, e a primeira mulher a ocupar essa função.
Por que se está vendo um cenário como esse, que tira o suspense da campanha? A resposta reside em uma palavra: Lula. Pela primeira vez em 21 anos, o ex-metalúrgico não participa de uma disputa presidencial, uma vez que a Constituição lhe impede de concorrer a um terceiro mandato de quatro anos.
Mas o chefe do Estado continua sendo o principal personagem da competição. Ele envolveu a fundo na campanha para conseguir a vitória daquela que ele escolheu secretamente para ser sua sucessora já há dois anos, que em seguida a apresentou ao público ao dividir com ela os palanques de seus comícios, e que ele impôs à sua própria família política, argumentando que ela era a melhor para sucedê-lo.
Dirigindo-se aos hesitantes, Lula está sempre elogiando “Dilma”, especialmente durante a propaganda eleitoral na TV, onde ele aparece para apoiar sua favorita. Ele mostra a mesma “generosidade” para com todos aqueles que, em seu partido, bem como nos partidos aliados, conseguiram sua simpatia: deputados federais, senadores, membros das assembleias legislativas do Estado, que buscam ser eleitos ou reeleitos em 3 de outubro.
Lula tem cedido a Dilma Rousseff grande parte dos méritos que até hoje ele costumava atribuir a si mesmo, ao conduzir uma política econômica e social de sucessos inegáveis. Ele a chama de “mãe do povo” após tê-la batizado de “mãe do PAC” – um programa de grandes obras visando estimular o crescimento - ou ainda “mãe do programa Luz para Todos”. Daí a ironia de Marina Silva, que lamenta assim a “infantilização” dos cidadãos.
Lula costuma contar que aos poucos foi descobrindo na administradora e técnica Dilma Rousseff “um animal político” de personalidade forte. Estranha confissão, considerando se tratar de uma mulher que ele sabia ter sido, aos 20 anos, ativista revolucionária sob a ditadura militar e que pagou caro por sua militância: 22 dias de tortura e três anos de prisão.
O presidente brasileiro está prestes a conseguir um feito raríssimo na política: ele deixará o cargo com mais popularidade do que quando entrou na presidência, com cerca de 80% de opiniões favoráveis, um número estável há muitos meses.
Ele investiu esse enorme capital de simpatia em benefício de sua herdeira política. A operação hoje está dando frutos. No início de 2010, os analistas se perguntavam se Lula conseguiria transferir a Dilma uma parte suficiente de sua popularidade. Hoje não há mais dúvidas.
A provável futura presidente, entretanto, não possui nem o carisma nem o dom da oratória que fizeram o sucesso de Lula. Seu batismo de fogo, durante o primeiro debate televisionado, há três semanas, só foi parcialmente bem sucedido. Desde então, com a ajuda das pesquisas, ela parece ter adquirido confiança em si mesma.
Mas o principal está em outro lugar, para a maioria dos brasileiros que amam o presidente e só acompanham a vida política de longe: Dilma Rousseff é “a candidata de Lula”. É garantia suficiente. São muitos os eleitores que poderiam dizer, como esse pedreiro do Nordeste contou à revista “Veja”: “Se Lula apoiasse Serra, eu votaria no Serra”.
José Serra não tem chance. Mais uma vez, esse veterano social-democrata, respeitado e competente, encontra Lula em seu caminho. Perdeu para ele em 2002, e preferiu não enfrentá-lo em 2006, certo de que seria derrotado. Essa campanha é sua última oportunidade para se tornar presidente, um objetivo para o qual ele diz “ter se preparado a vida inteira”. E novamente é Lula, mais do que Dilma Rousseff, que o impedirá de atingi-lo.
Não só o líder da oposição toma cuidado para nunca criticar Lula, como ele tenta se aproveitar do prestígio do presidente. Algumas de suas propagandas o mostram ao lado de Lula, e seu jingle eleitoral proclama, em ritmo de samba, uma mensagem deliberadamente ambígua: “Quando o Lula da Silva sair/É o Zé que eu quero lá”.
Para José Serra, é importante mostrar que “Dilma não é Lula”, que ela não tem mais direito do que qualquer outro de sucedê-lo. O presidente, que sentiu o perigo, tem feito cada vez mais elogios à sua candidata. Ele chega a anunciar que, se ela for eleita, ele viajará pelo Brasil e, se for preciso, lhe telefonará dizendo: “Pode fazer, minha filha, que eu não consegui fazer”. Ninguém deve duvidar que votar em Dilma Rousseff, em 3 de outubro, é satisfazer a vontade de Lula.
Assim, José Serra corre o risco de ser vítima de um fenômeno talvez inédito em uma grande democracia, e que deverá empolgar os cientistas políticos: a eleição de um chefe de Estado graças ao brilho da glória que seu antecessor projeta sobre sua candidatura.
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