Publicado em 06/02/2011
Na foto, os donos do Sul
O Conversa Afiada tem o prazer de publicar artigo do professor Venício Lima sobre a tentativa de um sócio da Globo passar uma rasteira na discussão da Ley de Medios.
Venício está de olho !
Extraído do Observatório da Imprensa:
DEBATE ABERTO
Propriedade cruzada: interesses explicitados
O editorial “Mudança de Rumo”, do grupo RBS, poderia ser considerado cômico se não se tratasse de uma questão fundamental para as liberdades democráticas. E mais: se a RBS não controlasse praticamente todas as formas de comunicação de massa no RS e em SC, constituindo um exemplo emblemático dos malefícios da propriedade cruzada.
Venício Lima
Comentando manchete de primeira página e matéria sob o título “Convergência de mídias leva governo a desistir de veto à propriedade cruzada” no Estadão de 27 de janeiro pp., levantei recentemente duas questões: (1) quem estaria interessado em confundir “convergência de mídias” com propriedade cruzada? e (2) quem estaria interessado em colocar na agenda pública a precária hipótese aventada por um conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações, como se aquela opinião pudesse constituir uma decisão de governo em matéria que, de fato, é constitucional? [cf. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=627IPB001].
As respostas às questões começam a aparecer publicamente, mais rápido do que o esperado.
O Grupo RBS
Em editorial – “Mudança de rumo” – publicado no dia 31 de janeiro nos seus oito jornais, comentado em suas 24 emissoras de rádio AM e FM e nos seus 18 canais de TV aberta espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Grupo RBS – afiliado das Organizações Globo – afirma sem meias palavras:
“Felizmente, o governo Dilma começa a emitir sinais de que está mudando o rumo do debate sobre o novo marco regulatório do setor de comunicações. Ao que tudo indica, sairão de cena velhos ranços ideológicos, entre os quais a campanha pelo veto à propriedade cruzada de veículos de informação e a obsessão pelo controle social da mídia, e entrarão em discussão temas objetivos como a própria liberdade de imprensa, a qualidade dos conteúdos e o cumprimento rigoroso dos preceitos constitucionais. (…) É bom que assim seja, até mesmo para que o país não perca tempo e energia com impasses ultrapassados, como o do veto à propriedade cruzada. A própria tecnologia se encarregou de derrubar este conceito, pois a convergência das mídias fez com que informações, dados e imagens passassem a trafegar simultaneamente em todas as plataformas” [cf. http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,41,3192512,16399 ].
Para o Grupo RBS, a “convergência das mídias” encarregou-se de derrubar o conceito de propriedade cruzada que, aliás, é “ranço ideológico”, “perda de tempo e energia” e “impasse ultrapassado”.
O editorial “Mudança de Rumo” poderia ser considerado cômico se não se tratasse de uma questão fundamental para as liberdades democráticas. E mais: se o Grupo RBS não controlasse praticamente todas as formas de comunicação de massa no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, constituindo um exemplo emblemático dos malefícios que a propriedade cruzada provoca para a pluralidade e a diversidade que deveriam circular no “mercado livre de idéias”.
E sabe quem pensa assim? O Ministério Público Federal (MPF) de Santa Catarina.
Ação Civil Pública
Em janeiro de 2009, uma ação civil pública foi proposta pelo MPF SC com o objetivo de anular a aquisição do jornal A Notícia, de Joinville e reduzir o número de emissoras de televisão do Grupo RBS aos limites permitidos pelo decreto-lei 236 de 1967 (cf. Ação nº. 2008.72.00.014043-5 disponível em http://www.direitoacomunicacao.org.br/index2.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=429&Itemid=99999999 ).
À época, um dos procuradores que elaborou a medida judicial, Celso Três, concedeu entrevista na qual afirmava que “a RBS governa o estado (de Santa Catarina)”.
Além disso, nota do MPF sobre a Ação afirmava:
“… o grupo (RBS) detém no estado o controle de seis emissoras de televisão; os jornais Diário Catarinense, Hora de Santa Catarina, Jornal de Santa Catarina e, recentemente, o jornal A Notícia; além de três emissoras de rádio. O pool de emissoras e jornais utiliza o nome fantasia Grupo RBS. Com o conhecimento expresso do Ministério das Comunicações, as empresas são registradas em nome de diferentes pessoas da mesma família com o objetivo de não ultrapassar o limite estabelecido em lei. Para o MPF, a situação de oligopólio é clara, em que um único grupo econômico possui quase a total hegemonia das comunicações no estado. Por isso, a ação discute questões como a necessidade de pluralidade dos meios de comunicação social para garantir o direito de informação e expressão; e a manutenção da livre concorrência e da liberdade econômica, ameaçadas por práticas oligopolistas” (ver aqui)
O processo da ação civil pública nº. 2008.72.00.014043-5 encontra-se concluso desde outubro de 2010 e aguarda a sentença a ser proferida pelo Juiz Diógenes Marcelino Teixeira da Terceira Vara Federal de Florianópolis.
Interesses explicitados
Enquanto a Justiça não se pronuncia, o Grupo RBS declara publicamente seus interesses como se fossem coincidentes com “os interesses do público e do país”. Ignora o § 5º do artigo 220 da Constituição e, mesmo assim, recomenda “o cumprimento rigoroso dos preceitos constitucionais”.
Defende e pratica a propriedade cruzada – que, na verdade, constitui uma forma disfarçada de censura – e tem a coragem de afirmar, em editorial, que “a liberdade de expressão não é uma prerrogativa dos meios e dos profissionais de comunicação – é um direito sagrado e constitucional dos cidadãos brasileiros”.
Pelo menos, a cidadania fica sabendo, diretamente, de quem e quais os interesses que de fato estão em jogo quando se defende a propriedade cruzada.
Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
MÍDIA GOLPÍSTA - WikiLeaks: os EUA e a mídia venezuelana
BLOG
luisnassif, ter, 25/01/2011 - 20:04
Por Elimpio Severo
Demorou, mas começaram a aparecer os primeiros vazamentos do Wikileaks envolvendo jornalistas. O caso é na Venezuela. Trata-se de jornalistas financiados diretamente pela "dimplomaCIA" americana:
"
Cable de Wikileaks reveló que dueños de medios privados venezolanos han solicitado dinero a EE UU
Caracas, 25 Ene. AVN .- Directores y dueños de comunicación privados del país se han reunido con autoridades norteamericanas para conseguir financiamiento que les permita “mantener vivos” sus periódicos y televisoras.
Así lo denunció la investigadora Eva Golinger quien, utilizando como prueba un documento desclasificado por Wikileaks, aseguró que el dueño del diario El Nacional, Miguel Henrique Otero y los dueños de Globovisión, Nelson Mezerhane y Guillermo Zuloaga, se reunieron en 2010 con el representante diplomático de EE UU, Patrick Duddy
luisnassif, ter, 25/01/2011 - 20:04
Por Elimpio Severo
Demorou, mas começaram a aparecer os primeiros vazamentos do Wikileaks envolvendo jornalistas. O caso é na Venezuela. Trata-se de jornalistas financiados diretamente pela "dimplomaCIA" americana:
"
Cable de Wikileaks reveló que dueños de medios privados venezolanos han solicitado dinero a EE UU
Caracas, 25 Ene. AVN .- Directores y dueños de comunicación privados del país se han reunido con autoridades norteamericanas para conseguir financiamiento que les permita “mantener vivos” sus periódicos y televisoras.
Así lo denunció la investigadora Eva Golinger quien, utilizando como prueba un documento desclasificado por Wikileaks, aseguró que el dueño del diario El Nacional, Miguel Henrique Otero y los dueños de Globovisión, Nelson Mezerhane y Guillermo Zuloaga, se reunieron en 2010 con el representante diplomático de EE UU, Patrick Duddy
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
mídia golpista - Justiça condena O Globo por ofensa ao Ipea
Umberto Martins
Vermelho:
O juiz Gustavo André Oliveira dos Santos, da 13ª Vara Federal (SJ/DF), condenou o jornal O Globo a conceder direito de resposta ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) contra matérias publicadas nos dias 22 e 24 de agosto deste ano, julgadas inverídicas e ofensivas à honra da instituição.
Nos textos em questão, intitulados “Uma máquina de alto custo” e “Especialistas criticam ingerência no Ipea”, o diário afirma que o instituto de pesquisa havia se transformado “numa máquina de propaganda do governo e braço de articulação política externa movida pela ideologia, deixando em segunda mão sua missão primordial”.
Liberdade de imprensa
Em sua sentença, o juiz faz um arrazoado em defesa da liberdade de imprensa e em particular das críticas bem fundamentadas a instituições do Estado. “Pontuo, também, ser indiscutível que a imprensa possui liberdade de criticar a atuação dos órgãos públicos, informando à sociedade das deficiências, possíveis problemas e desvirtuamentos da Administração pública em geral, denúncias essas que contribuem para o desenvolvimento do Estado Democrático de Direito”.
Todavia, a liberdade de imprensa não é um direito absoluto e não pode atropelar os demais direitos fundamentais, como a honra. Não deve servir de escudo à manipulação ideológica dos fatos. “A partir do momento que a crítica transmuda-se em ofensa descontextualizada de fatos certos [o que ficou caracterizado na conduta de O Globo], permitido é ao ofendido se socorrer do Poder Judiciário para obter resposta proporcional”, julga Oliveira dos Santos.
A acusação formulada pelo jornal contra o Ipea, ou seja, de ter se transformado uma máquina de propaganda do governo movida a ideologia, não tem fundamentos nos fatos, segundo a Justiça, que também apontou as contradições e incoerências do próprio O Globo quando divulga com objetividade (ainda que por interesse próprio) as atividades do instituto. Neste caso, o próprio pasquim dos Marinho se desmente e mostra “que o Ipea vem realizando um trabalho científico imparcial”, conforme a conclusão do juiz. A hipocrisia global salta aos olhos.
Contradições e incoerências
“Ademais”, diz na sentença, “o Ipea juntou diversas outras notícias/reportagens publicadas no O Globo que demonstram a contradição com as reportagens atacadas, no ponto em que aduzem estar o Ipea a serviço de interesses políticos determinados. Confira-se: A) Manchete: “Principais aeroportos não conseguem atender à demanda, diz Ipea” (Publicada em 31/05/2010); B) Manchete: “Falta de investimento na juventude brasileira preocupa” (Publicada em 19/01/2010 às 18h26m. Em tal reportagem, fora registrado que: “O livro Juventude e políticas sociais no Brasil” lançado nesta terça-feria pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) revela que é preocupante a falta de investimento na juventude brasileira; C) Manchete: “Ferrovias brasileiras precisam de investimentos de R$40 bi, diz estudo do Ipea” (Publicada em 19/05/2010 às 17h39m – fls. 35); D) Manchete: “Estudo do Ipea mostra que país corre risco de apagão logístico por falta de investimento em portos” (Publicada no dia 17/05/2010). Todas essas publicações, também recentes, demonstram, por evidência, que o Ipea vem realizando um trabalho científico imparcial, pois os estudos, pela simples leitura das manchetes, em nada favorecem o governo federal.”
Fica evidente que a acusação feita contra o Ipea pelo jornal não tem base na realidade e possui notórias motivações ideológicas.
Viúvas do neoliberalismo
Arvorando-se em dono da verdade, O Globo acusa o Ipea de ser movido “pela ideologia”. Mas é este próprio meio de comunicação que produziu uma peça ideológica rancorosa e de duvidosa qualidade conta o instituto. A diferença é que, no caso, o veículo destila uma ideologia reacionária, de direita, a ideologia da mentira, da manipulação, da hipocrisia.
O jornal da família Marinho é inspirado pelo ódio ao caráter progressista que o economista Marcio Pochmann imprimiu às pesquisas e estudos desenvolvidos pela equipe da Ipea, subtraindo-o à influência do chamado Consenso de Washington, aproximando-o dos movimentos sociais e conferindo-lhe uma orientação desenvolvimentista. O Ipea já não é o mesmo da era neoliberal tucana. Daí o ódio das viúvas do neoliberalismo e a tentativa de desmoralizar a instituição.
Anticomunismo
As referências preconceituosas nas duas matérias ao relacionamento do Ipea com a Venezuela, palco de uma revolução socialista, e Cuba, citadas na sentença, são sinais do anticomunismo atávico subjacente à ideologia que move o padrão globo de jornalismo. Assim como se vale do artifício de “citar os dois lados” para fingir imparcialidade e esconder os interesses escusos que embasam suas opiniões, O Globo se serve do pretexto da liberdade de imprensa para produzir matérias tendenciosas e difundir uma falsa ideologia.
Segundo o juiz, "o direito de resposta surge para o ente público quando a crítica, qualificada como ofensa, atinge a honra objetiva do órgão mediante a publicação de texto sem embasamento fático". Daí conclui: “Pelo exposto, com fulcro no art. 269, I, do CPC, JULGO PROCEDENTE o pedido para o fim de determinar que o réu proceda a publicação da RESPOSTA do requerente, conforme texto de fls. 89/90, na sua edição de domingo, na primeira página (chamada) e no caderno “O País” no quadro “ELEIÇÕES 2010”, bem como na sua edição de terça-feira no caderno “O País”. O réu também foi condenado a pagar honorários advocatícios
Vermelho:
O juiz Gustavo André Oliveira dos Santos, da 13ª Vara Federal (SJ/DF), condenou o jornal O Globo a conceder direito de resposta ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) contra matérias publicadas nos dias 22 e 24 de agosto deste ano, julgadas inverídicas e ofensivas à honra da instituição.
Nos textos em questão, intitulados “Uma máquina de alto custo” e “Especialistas criticam ingerência no Ipea”, o diário afirma que o instituto de pesquisa havia se transformado “numa máquina de propaganda do governo e braço de articulação política externa movida pela ideologia, deixando em segunda mão sua missão primordial”.
Liberdade de imprensa
Em sua sentença, o juiz faz um arrazoado em defesa da liberdade de imprensa e em particular das críticas bem fundamentadas a instituições do Estado. “Pontuo, também, ser indiscutível que a imprensa possui liberdade de criticar a atuação dos órgãos públicos, informando à sociedade das deficiências, possíveis problemas e desvirtuamentos da Administração pública em geral, denúncias essas que contribuem para o desenvolvimento do Estado Democrático de Direito”.
Todavia, a liberdade de imprensa não é um direito absoluto e não pode atropelar os demais direitos fundamentais, como a honra. Não deve servir de escudo à manipulação ideológica dos fatos. “A partir do momento que a crítica transmuda-se em ofensa descontextualizada de fatos certos [o que ficou caracterizado na conduta de O Globo], permitido é ao ofendido se socorrer do Poder Judiciário para obter resposta proporcional”, julga Oliveira dos Santos.
A acusação formulada pelo jornal contra o Ipea, ou seja, de ter se transformado uma máquina de propaganda do governo movida a ideologia, não tem fundamentos nos fatos, segundo a Justiça, que também apontou as contradições e incoerências do próprio O Globo quando divulga com objetividade (ainda que por interesse próprio) as atividades do instituto. Neste caso, o próprio pasquim dos Marinho se desmente e mostra “que o Ipea vem realizando um trabalho científico imparcial”, conforme a conclusão do juiz. A hipocrisia global salta aos olhos.
Contradições e incoerências
“Ademais”, diz na sentença, “o Ipea juntou diversas outras notícias/reportagens publicadas no O Globo que demonstram a contradição com as reportagens atacadas, no ponto em que aduzem estar o Ipea a serviço de interesses políticos determinados. Confira-se: A) Manchete: “Principais aeroportos não conseguem atender à demanda, diz Ipea” (Publicada em 31/05/2010); B) Manchete: “Falta de investimento na juventude brasileira preocupa” (Publicada em 19/01/2010 às 18h26m. Em tal reportagem, fora registrado que: “O livro Juventude e políticas sociais no Brasil” lançado nesta terça-feria pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) revela que é preocupante a falta de investimento na juventude brasileira; C) Manchete: “Ferrovias brasileiras precisam de investimentos de R$40 bi, diz estudo do Ipea” (Publicada em 19/05/2010 às 17h39m – fls. 35); D) Manchete: “Estudo do Ipea mostra que país corre risco de apagão logístico por falta de investimento em portos” (Publicada no dia 17/05/2010). Todas essas publicações, também recentes, demonstram, por evidência, que o Ipea vem realizando um trabalho científico imparcial, pois os estudos, pela simples leitura das manchetes, em nada favorecem o governo federal.”
Fica evidente que a acusação feita contra o Ipea pelo jornal não tem base na realidade e possui notórias motivações ideológicas.
Viúvas do neoliberalismo
Arvorando-se em dono da verdade, O Globo acusa o Ipea de ser movido “pela ideologia”. Mas é este próprio meio de comunicação que produziu uma peça ideológica rancorosa e de duvidosa qualidade conta o instituto. A diferença é que, no caso, o veículo destila uma ideologia reacionária, de direita, a ideologia da mentira, da manipulação, da hipocrisia.
O jornal da família Marinho é inspirado pelo ódio ao caráter progressista que o economista Marcio Pochmann imprimiu às pesquisas e estudos desenvolvidos pela equipe da Ipea, subtraindo-o à influência do chamado Consenso de Washington, aproximando-o dos movimentos sociais e conferindo-lhe uma orientação desenvolvimentista. O Ipea já não é o mesmo da era neoliberal tucana. Daí o ódio das viúvas do neoliberalismo e a tentativa de desmoralizar a instituição.
Anticomunismo
As referências preconceituosas nas duas matérias ao relacionamento do Ipea com a Venezuela, palco de uma revolução socialista, e Cuba, citadas na sentença, são sinais do anticomunismo atávico subjacente à ideologia que move o padrão globo de jornalismo. Assim como se vale do artifício de “citar os dois lados” para fingir imparcialidade e esconder os interesses escusos que embasam suas opiniões, O Globo se serve do pretexto da liberdade de imprensa para produzir matérias tendenciosas e difundir uma falsa ideologia.
Segundo o juiz, "o direito de resposta surge para o ente público quando a crítica, qualificada como ofensa, atinge a honra objetiva do órgão mediante a publicação de texto sem embasamento fático". Daí conclui: “Pelo exposto, com fulcro no art. 269, I, do CPC, JULGO PROCEDENTE o pedido para o fim de determinar que o réu proceda a publicação da RESPOSTA do requerente, conforme texto de fls. 89/90, na sua edição de domingo, na primeira página (chamada) e no caderno “O País” no quadro “ELEIÇÕES 2010”, bem como na sua edição de terça-feira no caderno “O País”. O réu também foi condenado a pagar honorários advocatícios
domingo, 12 de dezembro de 2010
economia - Folha: quem reduziu a pobreza mesmo foi... o regime militar
O Conversa Afiada reproduz post do Viomundo, de Luiz Carlos Azenha:
Folha: Quem reduziu a pobreza mesmo foi o regime militar
por Luiz Carlos Azenha
A Folha apresenta neste domingo uma reportagem sobre ex-vizinhos do Palácio do Planalto que melhoraram de vida desde que Lula assumiu, em 2002.
Sob o título “A classe C mora ao lado”, a reportagem é uma confissão envergonhada de que algo mudou no Brasil.
Mas para por aí.
Usando como “base estatística” quatro famílias, o jornal do Otavinho diz que três delas subiram na vida sem ajuda do governo.
Mas o mais impressionante é a “análise” de Gustavo Patu (reproduzida abaixo).
O analista da Folha diz que não existem estatísticas confiáveis que permitam uma avaliação de longo prazo sobre a ascensão social no Brasil e sobre as causas de tal ascensão.
E, na ausência de tais estatísticas, conclui que “recuar mais no tempo provocaria uma comparação incômoda com os resultados obtidos durante os anos 70, na ditadura militar”.
Ué, Patu, mas na ausência das estatísticas e estudos, como é que você sabe que a comparação seria “incômoda”?
É a lógica do jornal do Otavinho, em ação.
Fiquem com esta jóia:
Oportunismo contamina debate sobre a pobreza
GUSTAVO PATU
DE BRASÍLIA
“Nós tiramos” X milhões da pobreza (ou miséria) “e elevamos” Y milhões à classe média, repete, desde os tempos de candidata, a presidente eleita, Dilma Rousseff.
A ascensão social não é apresentada como mérito dos indivíduos, mas como feito dos governantes. X e Y variam conforme o estudo mais recente ou conveniente a ser citado. O debate sobre a pobreza permanece contaminado por escassez de diagnósticos e por sobra de oportunismo político.
A pobreza do debate começa pela inexistência de uma base estatística sólida sobre o tema -elaborada com metodologia transparente, atualizada com regularidade e capaz de abarcar uma série histórica longa.
Restam trabalhos isolados, ainda que meritórios, produzidos por meia dúzia de economistas especializados, com variadas definições do que seria um pobre, um miserável ou um cidadão de classe média.
Os governistas só exibem os dados contabilizados a partir de 2004 — o ano de 2003, de aumento da pobreza, é deixado de lado — ou, no máximo, depois do Plano Real. Recuar mais no tempo provocaria uma comparação incômoda com os resultados obtidos durante os anos 70, na ditadura militar.
É indiscutível que a pobreza teve forte queda nos últimos anos, com créditos para a administração petista já reconhecidos pelo eleitorado. Mais complexo é ponderar o peso de cada uma das causas do fenômeno.
Crescimento econômico, que não depende só das políticas domésticas, aparenta ser mais crucial que o salário mínimo ou o Bolsa Família.
A transformação demográfica hoje vivida pelo Brasil, com redução do número de filhos por família e maior proporção de adultos produtivos na população, já ajudou a enriquecer o mundo desenvolvido no passado.
Até o dólar barato, que ameaça a indústria e as exportações, contribuiu decisivamente para a sensação geral de bem-estar ao reduzir a inflação sem necessidade de juros ainda mais altos.
Folha: Quem reduziu a pobreza mesmo foi o regime militar
por Luiz Carlos Azenha
A Folha apresenta neste domingo uma reportagem sobre ex-vizinhos do Palácio do Planalto que melhoraram de vida desde que Lula assumiu, em 2002.
Sob o título “A classe C mora ao lado”, a reportagem é uma confissão envergonhada de que algo mudou no Brasil.
Mas para por aí.
Usando como “base estatística” quatro famílias, o jornal do Otavinho diz que três delas subiram na vida sem ajuda do governo.
Mas o mais impressionante é a “análise” de Gustavo Patu (reproduzida abaixo).
O analista da Folha diz que não existem estatísticas confiáveis que permitam uma avaliação de longo prazo sobre a ascensão social no Brasil e sobre as causas de tal ascensão.
E, na ausência de tais estatísticas, conclui que “recuar mais no tempo provocaria uma comparação incômoda com os resultados obtidos durante os anos 70, na ditadura militar”.
Ué, Patu, mas na ausência das estatísticas e estudos, como é que você sabe que a comparação seria “incômoda”?
É a lógica do jornal do Otavinho, em ação.
Fiquem com esta jóia:
Oportunismo contamina debate sobre a pobreza
GUSTAVO PATU
DE BRASÍLIA
“Nós tiramos” X milhões da pobreza (ou miséria) “e elevamos” Y milhões à classe média, repete, desde os tempos de candidata, a presidente eleita, Dilma Rousseff.
A ascensão social não é apresentada como mérito dos indivíduos, mas como feito dos governantes. X e Y variam conforme o estudo mais recente ou conveniente a ser citado. O debate sobre a pobreza permanece contaminado por escassez de diagnósticos e por sobra de oportunismo político.
A pobreza do debate começa pela inexistência de uma base estatística sólida sobre o tema -elaborada com metodologia transparente, atualizada com regularidade e capaz de abarcar uma série histórica longa.
Restam trabalhos isolados, ainda que meritórios, produzidos por meia dúzia de economistas especializados, com variadas definições do que seria um pobre, um miserável ou um cidadão de classe média.
Os governistas só exibem os dados contabilizados a partir de 2004 — o ano de 2003, de aumento da pobreza, é deixado de lado — ou, no máximo, depois do Plano Real. Recuar mais no tempo provocaria uma comparação incômoda com os resultados obtidos durante os anos 70, na ditadura militar.
É indiscutível que a pobreza teve forte queda nos últimos anos, com créditos para a administração petista já reconhecidos pelo eleitorado. Mais complexo é ponderar o peso de cada uma das causas do fenômeno.
Crescimento econômico, que não depende só das políticas domésticas, aparenta ser mais crucial que o salário mínimo ou o Bolsa Família.
A transformação demográfica hoje vivida pelo Brasil, com redução do número de filhos por família e maior proporção de adultos produtivos na população, já ajudou a enriquecer o mundo desenvolvido no passado.
Até o dólar barato, que ameaça a indústria e as exportações, contribuiu decisivamente para a sensação geral de bem-estar ao reduzir a inflação sem necessidade de juros ainda mais altos.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
MÍDIA GOLPISTA E OBVIEDADES SIAMESAS - Pesquisa aponta Folha e Globo como líderes em "credibilidade"
Empresários consultados citam "tradição, seriedade e integridade"
DE SÃO PAULO
A Folha foi considerada o veículo de maior credibilidade do país em pesquisa do escritório de relações públicas CDN. A empresa ouviu 800 empresários de São Paulo e do Rio para a quarta tomada da pesquisa Credibilidade da Mídia Espontânea.
De acordo com a CDN, os entrevistados citaram como fatores de credibilidade a tradição, a seriedade e a integridade do jornal.
Com isso, a Folha alcançou a liderança no quesito credibilidade em negócios e mercados, com 23% das respostas dos empresários. Isso significou um avanço de sete pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, de 2008.
O veículo também foi citado, ao lado de "O Globo", como o jornal mais lido no país.
Ao todo, 41% dos empresários escutados pelo levantamento indicaram a preferência pelos dois jornais nos hábitos de leituras.
A pesquisa, realizada pelo grupo CDN, analisa o impacto do noticiário na imagem de grandes grupos empresariais e instituições públicas há 16 anos. O levantamento auxilia na ponderação da avaliação de acordo com a reputação e credibilidade dos veículos. A quarta tomada da pesquisa Credibilidade da Mídia Espontânea foi realizada em outubro deste ano.
A CDN Comunicação Corporativa, que inaugurou escritório fora do país no ano passado, tem 23 anos de atuação no mercado de comunicação e atende empresas como Itaú, Carrefour, Bunge, Walmart e Petrobras
DE SÃO PAULO
A Folha foi considerada o veículo de maior credibilidade do país em pesquisa do escritório de relações públicas CDN. A empresa ouviu 800 empresários de São Paulo e do Rio para a quarta tomada da pesquisa Credibilidade da Mídia Espontânea.
De acordo com a CDN, os entrevistados citaram como fatores de credibilidade a tradição, a seriedade e a integridade do jornal.
Com isso, a Folha alcançou a liderança no quesito credibilidade em negócios e mercados, com 23% das respostas dos empresários. Isso significou um avanço de sete pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, de 2008.
O veículo também foi citado, ao lado de "O Globo", como o jornal mais lido no país.
Ao todo, 41% dos empresários escutados pelo levantamento indicaram a preferência pelos dois jornais nos hábitos de leituras.
A pesquisa, realizada pelo grupo CDN, analisa o impacto do noticiário na imagem de grandes grupos empresariais e instituições públicas há 16 anos. O levantamento auxilia na ponderação da avaliação de acordo com a reputação e credibilidade dos veículos. A quarta tomada da pesquisa Credibilidade da Mídia Espontânea foi realizada em outubro deste ano.
A CDN Comunicação Corporativa, que inaugurou escritório fora do país no ano passado, tem 23 anos de atuação no mercado de comunicação e atende empresas como Itaú, Carrefour, Bunge, Walmart e Petrobras
mídia golpista brasileira desmascarada - de novo! : Conversa com Irã deve ter Brasil, diz analista
fsp
Para Graham Allison, de Harvard, proposta turco-brasileira deve ser ponto de partida
LUCIANA COELHO
EM BOSTON
Apesar da retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano anteontem e ontem em Genebra, após um hiato de um ano e meio, cresce nos EUA a aposta em um desfecho sombrio.
"Fizemos uma simulação há um ano aqui em Harvard, e a pergunta era onde estaríamos hoje. Bom, estamos no mesmo lugar", disse à Folha Graham Allison, ex-consultor do Pentágono e autor de "Nuclear Terrorism" (terrorismo nuclear). "O tempo favorece os iranianos."
Após as negociações, o único avanço anunciado ontem pelo Irã e pelo P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) é uma nova reunião em janeiro, na Turquia. Teerã diz que quer energia; seus interlocutores temem que queira uma bomba.
Allison vê como irrealista a exigência do P5+1 pela suspensão total do enriquecimento de urânio.
E defende como um começo a proposta feita por Brasil e Turquia. O plano, de maio, se amparou em pontos dados pelo governo Barack Obama, mas foi rechaçado.
Para o professor, que dirige em Harvard o Centro Belfer para Ciências e Questões Internacionais, Luiz Inácio Lula da Silva e o turco Taiyyp Erdorgan teriam um papel na negociação por contarem com a credibilidade de ambos os lados -como defende o Itamaraty.
Folha - Como o sr. vê a retomada das negociações? Graham Allison - Nenhuma das partes parece cair na real.
A proposta do Brasil e da Turquia foi vista como um empecilho aqui. O sr. concorda?
Não. [A carta de Obama a Lula] mostra que eles agiram pensando estar em consonância com os EUA. Creio que os iranianos estivessem preparados para aceitar.
Mas aí o governo dos EUA já havia concluído que era melhor avançar para as sanções. Eu era a favor das sanções, mas também não via problema na proposta turco-brasileira. Ela era um bom começo.
O anúncio recente do Irã de que obteve um concentrado de urânio pesa?
Ressalta o compromisso deles em obter uma infraestrutura nuclear completa. Eles terão a opção de fazer a bomba, e só uma decisão política os impedirá. O desafio dos EUA é achar uma combinação de incentivos e de pressão que os leve a essa decisão.
Qual? Há sinais de racha no regime iraniano, e, nos EUA, Obama não tem margem com um Congresso opositor.
De fato. Repete-se que negociar é a melhor opção só porque as alternativas são piores -uma guerra ou uma bomba iraniana.
Não consigo pensar em uma fórmula que faça um país retroceder em algo que já obteve.
A esperança é que a soma das sanções à má gestão econômica, mais o alinhamento dos reformistas e eleições, abrissem uma janela. Isso é possível, mas é uma loteria.
Sanções não poderá unir o país diante de um inimigo comum?
É difícil medir o impacto em todos os grupos. Elas pesam mais sobre os mais pobres e servem como bode expiatório para os erros econômicos do governo. Mas também podem levar parte da população a defender o retorno à comunidade internacional. Lula e Erdogan podem ser muito persuasivos aí.
Para Graham Allison, de Harvard, proposta turco-brasileira deve ser ponto de partida
LUCIANA COELHO
EM BOSTON
Apesar da retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano anteontem e ontem em Genebra, após um hiato de um ano e meio, cresce nos EUA a aposta em um desfecho sombrio.
"Fizemos uma simulação há um ano aqui em Harvard, e a pergunta era onde estaríamos hoje. Bom, estamos no mesmo lugar", disse à Folha Graham Allison, ex-consultor do Pentágono e autor de "Nuclear Terrorism" (terrorismo nuclear). "O tempo favorece os iranianos."
Após as negociações, o único avanço anunciado ontem pelo Irã e pelo P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) é uma nova reunião em janeiro, na Turquia. Teerã diz que quer energia; seus interlocutores temem que queira uma bomba.
Allison vê como irrealista a exigência do P5+1 pela suspensão total do enriquecimento de urânio.
E defende como um começo a proposta feita por Brasil e Turquia. O plano, de maio, se amparou em pontos dados pelo governo Barack Obama, mas foi rechaçado.
Para o professor, que dirige em Harvard o Centro Belfer para Ciências e Questões Internacionais, Luiz Inácio Lula da Silva e o turco Taiyyp Erdorgan teriam um papel na negociação por contarem com a credibilidade de ambos os lados -como defende o Itamaraty.
Folha - Como o sr. vê a retomada das negociações? Graham Allison - Nenhuma das partes parece cair na real.
A proposta do Brasil e da Turquia foi vista como um empecilho aqui. O sr. concorda?
Não. [A carta de Obama a Lula] mostra que eles agiram pensando estar em consonância com os EUA. Creio que os iranianos estivessem preparados para aceitar.
Mas aí o governo dos EUA já havia concluído que era melhor avançar para as sanções. Eu era a favor das sanções, mas também não via problema na proposta turco-brasileira. Ela era um bom começo.
O anúncio recente do Irã de que obteve um concentrado de urânio pesa?
Ressalta o compromisso deles em obter uma infraestrutura nuclear completa. Eles terão a opção de fazer a bomba, e só uma decisão política os impedirá. O desafio dos EUA é achar uma combinação de incentivos e de pressão que os leve a essa decisão.
Qual? Há sinais de racha no regime iraniano, e, nos EUA, Obama não tem margem com um Congresso opositor.
De fato. Repete-se que negociar é a melhor opção só porque as alternativas são piores -uma guerra ou uma bomba iraniana.
Não consigo pensar em uma fórmula que faça um país retroceder em algo que já obteve.
A esperança é que a soma das sanções à má gestão econômica, mais o alinhamento dos reformistas e eleições, abrissem uma janela. Isso é possível, mas é uma loteria.
Sanções não poderá unir o país diante de um inimigo comum?
É difícil medir o impacto em todos os grupos. Elas pesam mais sobre os mais pobres e servem como bode expiatório para os erros econômicos do governo. Mas também podem levar parte da população a defender o retorno à comunidade internacional. Lula e Erdogan podem ser muito persuasivos aí.
Governo Chávez obtém 1/5 de ações de canal opositor e mídia golpista esperneia
Movimento é feito depois de ordenada a liquidação de uma das empresas proprietárias da TV Globovisión
Presidente não terá poder editoral e de indicar diretores; decisões são tomadas por maioria de 55%
FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS
O governo Hugo Chávez anunciou ter assumido o controle de um quinto das ações do canal opositor Globovisión após ordenar a liquidação de uma das empresas proprietárias da TV.
A companhia Sindicato Ávila, dona de 20% da emissora, está vinculada ao Banco Federal, sob intervenção do Estado desde junho por suposta falta de liquidez.
A agência oficial de notícias informou ainda na noite de anteontem que outros 5,8% das ações da TV, pertencentes ao dono do Federal, Nelson Mezerhane, também estão bloqueados.
Desde a ação contra o banco, Chávez vinha advertindo que seu governo atuaria para controlar parte da Globovisión, canal de aberta oposição ao governo.
A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e a Relatoria para a Liberdade de Expressão da OEA (Organização dos Estados Americanos) criticam os processos legais envolvendo a TV, que classificam de intimidatórios.
Além de Mezerhane, o acionista majoritário da Globovisión, Guillermo Zuloaga (45%), responde a processo na Justiça da Venezuela.
Ambos estão foragidos e acusam o governo de perseguição política.
Também dono de uma concessionária, Zuloaga é acusado de usura por supostamente esconder veículos em sua residência.
Ontem, Mezerhane divulgou carta aberta na qual diz que "o propósito final [do governo]" é "silenciar o único meio televisivo que diz e informa sobre seus atropelos à democracia".
Prometeu não descansar até ver Chávez "julgado e condenado" num tribunal internacional e negou que a empresa Sindicato Ávila seja ligada ao Federal.
SEM VOTO
Em princípio, Chávez não terá poder sobre a linha editorial da Globovisión nem poderá indicar seus diretores. O motivo é que as decisões da junta controladora são tomadas por votos de 55% dos acionistas.
Porém, o presidente já insinuou, no passado, que tem na mira outros 20% da empresa controladora.
Trata-se da participação de Luis Teófilo Nuñez, morto em 2007.
Chávez afirmou haver um vazio legal sobre o direito de herança em caso de concessões do Estado.
A advogada da Globovisión, Ana Cristina Núnez, chamou ontem de "confusa" as informações do governo sobre o caso.
A advogada foi acompanhada por funcionários do canal, vestidos de branco.
Em 2007, o governo venezuelano foi duramente criticado por não renovar a concessão da RCTV, abertamente oposicionista e então canal mais popular do país
Presidente não terá poder editoral e de indicar diretores; decisões são tomadas por maioria de 55%
FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS
O governo Hugo Chávez anunciou ter assumido o controle de um quinto das ações do canal opositor Globovisión após ordenar a liquidação de uma das empresas proprietárias da TV.
A companhia Sindicato Ávila, dona de 20% da emissora, está vinculada ao Banco Federal, sob intervenção do Estado desde junho por suposta falta de liquidez.
A agência oficial de notícias informou ainda na noite de anteontem que outros 5,8% das ações da TV, pertencentes ao dono do Federal, Nelson Mezerhane, também estão bloqueados.
Desde a ação contra o banco, Chávez vinha advertindo que seu governo atuaria para controlar parte da Globovisión, canal de aberta oposição ao governo.
A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e a Relatoria para a Liberdade de Expressão da OEA (Organização dos Estados Americanos) criticam os processos legais envolvendo a TV, que classificam de intimidatórios.
Além de Mezerhane, o acionista majoritário da Globovisión, Guillermo Zuloaga (45%), responde a processo na Justiça da Venezuela.
Ambos estão foragidos e acusam o governo de perseguição política.
Também dono de uma concessionária, Zuloaga é acusado de usura por supostamente esconder veículos em sua residência.
Ontem, Mezerhane divulgou carta aberta na qual diz que "o propósito final [do governo]" é "silenciar o único meio televisivo que diz e informa sobre seus atropelos à democracia".
Prometeu não descansar até ver Chávez "julgado e condenado" num tribunal internacional e negou que a empresa Sindicato Ávila seja ligada ao Federal.
SEM VOTO
Em princípio, Chávez não terá poder sobre a linha editorial da Globovisión nem poderá indicar seus diretores. O motivo é que as decisões da junta controladora são tomadas por votos de 55% dos acionistas.
Porém, o presidente já insinuou, no passado, que tem na mira outros 20% da empresa controladora.
Trata-se da participação de Luis Teófilo Nuñez, morto em 2007.
Chávez afirmou haver um vazio legal sobre o direito de herança em caso de concessões do Estado.
A advogada da Globovisión, Ana Cristina Núnez, chamou ontem de "confusa" as informações do governo sobre o caso.
A advogada foi acompanhada por funcionários do canal, vestidos de branco.
Em 2007, o governo venezuelano foi duramente criticado por não renovar a concessão da RCTV, abertamente oposicionista e então canal mais popular do país
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
midia golpista - Periodista de El País que ataca a Venezuela y Cuba conspiraba con los golpistas en 2002
Jean-Guy Allard
Rebelión
Juan Jesús Aznárez, el autor de un texto publicado este miércoles primero de diciembre por el diario madrileño El País, denigrando a Cuba y Venezuela a partir de un documento de Wikileaks, era corresponsal del periódico en Caracas en los días del golpe de Estado del 2002 y frecuentaba con asiduidad la Embajada española, la de EE.UU. y al golpista Pedro Carmona
Lo cuenta José Manuel Fernández, asesor parlamentario de Izquierda Unida de España, en un texto publicado hace meses en un blog madrileño.
Añade Fernández una terrible anécdota: Aznárez “coincidió en vísperas del golpe de Estado con el enviado de El Mundo, en el aeropuerto caraqueño de Maiquetía, y le confió que "Chávez se va a enterar quién es Jesús de Polanco, que siempre logra lo que quiere. Dentro de unos días hablamos".
El referido Jesús de Polanco es el fundador del grupo Prisa, dueño del diario El País. Falleció en 2007.
Fernández completa el retrato señalando que Juan Jesús Aznárez, mantenía entonces estrechos contactos con el embajador de España, Manuel Viturro, con el embajador de Estados Unidos, Charles Shapiro, y con al presidente de Fedecámaras Pedro Carmona Estanga, el “líder” del fracasado intento de poner fin a la Revolución bolivariana.
El texto de Aznárez publicado por El País y titulado “Los espías cubanos actúan por libre en Venezuela y despachan con Chávez” intenta demostrar que no son los cientos de funcionarios de inteligencia estadounidenses que se activan en Venezuela que agraden el país sino que ellos son víctimas de la curiosidad de “un equipo bajo control cubano”. Una afirmación que carece por cierto de fundamento.
Sin embargo, la colaboración servil de El País con los golpistas ha sido ilustrada de manera inequívoca por la actuación de la jefa de su oficina en Caracas, Ludmila Vinogradoff, asesora y amiga personal del magnate Gustavo Cisneros.
Irónicamente, para el diario madrileño Cuba, Venezuela y los demás países del Sur agredidos por el gigantesco aparato de inteligencia norteamericano deben quedarse de brazos cruzados ante las operaciones masivas de injerencia, penetración, espionaje, subversión y desestabilización que desencadena Washington a golpes de miles de millones de dólares para provocar el derrocamiento de sus gobiernos.
Álvarez había dado otra demostración de la objetividad con la cua se trabaja en Prisa cuando se trata de los amigos de Hugo Chávez, el 24 de mayo de 2005 publicó otra obra inmortal en el mismo diario bajo el título "La red de amigos de Cuba" y el antetítulo "El régimen cubano cuenta, gracias a las simpatías políticas o a la penetración de sus servicios secretos, con una amplia plataforma de vigilancia y apoyo en España".
En él atacaba al prestigioso sitio web Rebelión como “la punta de lanza de una defensa a ultranza de la causa" de la Revolución cubana.
No hay la menor duda para cualquier observador de las actividades de inteligencia de Estados Unidos, como a la propia lectura de los documentos de Wikileaks que enseñan el modus vivendi de la monstruosa estructura diplomática de Estados Unidos que la salida al público de las llamadas filtraciones ha sido pilotada desde dentro por los “corresponsales” de la compañía.
El País, que encabeza desde hace años campañas de difamación contra los gobiernos progresistas de América latina no iba a perder la menor oportunidad de recuperar el escándalo Wikileaks para seguir con sus ataques a todo lo que suena socialismo en este continente que sigue llevando huellas fatales del colonialismo español.
El periódico que en el curso de los años se ha identificado de manera siempre más cruda con el poder imperial de Estados Unidos, las transnacionales hispanas y la peste falangista del Partido Popular, pertenece al Grupo Prisa, un gigantesco cártel mediático que extiende sus tentáculos desde la capital de España a toda América Latina.
Al recibir de Julian Assange, el fundador de Wikileaks, de manera algo sorprendente, el privilegio de manejar las decenas de miles de documentos secretos del Departamento de Estado, el diario entendió que le tocaba la tarea de orientar el escándalo a favor de sus intereses de corporación multinacional y de los que le proveen protección y asistencia.
Dueño de El País, el Grupo Prisa se ha convertido en los últimos años en un monstruo internacional de la comunicación que controla más de MIL emisoras en España, Estados Unidos, México, Panamá, Costa Rica, Colombia, Panamá, Argentina y Chile, con cerca de 30 millones de oyentes.
En Colombia, Prisa controla el potente grupo Radio Caracol, como en México que tiene Radiópolis y Televisa. Mientras, en los propios Estados Unidos cuenta con GLR Networks con unas 60 emisoras afiliadas. Prisa está ahora presente en 22 países con más de 10.000 trabajadores.
Ya se sabe que El País y los otros cuatro gigantes de la prensa comercial que recibieron copia del material almacenado por Wikileaks avisaron al Departamento de Estado con antelación de la publicación en estos días de este material explosivo.
Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes
Rebelión
Juan Jesús Aznárez, el autor de un texto publicado este miércoles primero de diciembre por el diario madrileño El País, denigrando a Cuba y Venezuela a partir de un documento de Wikileaks, era corresponsal del periódico en Caracas en los días del golpe de Estado del 2002 y frecuentaba con asiduidad la Embajada española, la de EE.UU. y al golpista Pedro Carmona
Lo cuenta José Manuel Fernández, asesor parlamentario de Izquierda Unida de España, en un texto publicado hace meses en un blog madrileño.
Añade Fernández una terrible anécdota: Aznárez “coincidió en vísperas del golpe de Estado con el enviado de El Mundo, en el aeropuerto caraqueño de Maiquetía, y le confió que "Chávez se va a enterar quién es Jesús de Polanco, que siempre logra lo que quiere. Dentro de unos días hablamos".
El referido Jesús de Polanco es el fundador del grupo Prisa, dueño del diario El País. Falleció en 2007.
Fernández completa el retrato señalando que Juan Jesús Aznárez, mantenía entonces estrechos contactos con el embajador de España, Manuel Viturro, con el embajador de Estados Unidos, Charles Shapiro, y con al presidente de Fedecámaras Pedro Carmona Estanga, el “líder” del fracasado intento de poner fin a la Revolución bolivariana.
El texto de Aznárez publicado por El País y titulado “Los espías cubanos actúan por libre en Venezuela y despachan con Chávez” intenta demostrar que no son los cientos de funcionarios de inteligencia estadounidenses que se activan en Venezuela que agraden el país sino que ellos son víctimas de la curiosidad de “un equipo bajo control cubano”. Una afirmación que carece por cierto de fundamento.
Sin embargo, la colaboración servil de El País con los golpistas ha sido ilustrada de manera inequívoca por la actuación de la jefa de su oficina en Caracas, Ludmila Vinogradoff, asesora y amiga personal del magnate Gustavo Cisneros.
Irónicamente, para el diario madrileño Cuba, Venezuela y los demás países del Sur agredidos por el gigantesco aparato de inteligencia norteamericano deben quedarse de brazos cruzados ante las operaciones masivas de injerencia, penetración, espionaje, subversión y desestabilización que desencadena Washington a golpes de miles de millones de dólares para provocar el derrocamiento de sus gobiernos.
Álvarez había dado otra demostración de la objetividad con la cua se trabaja en Prisa cuando se trata de los amigos de Hugo Chávez, el 24 de mayo de 2005 publicó otra obra inmortal en el mismo diario bajo el título "La red de amigos de Cuba" y el antetítulo "El régimen cubano cuenta, gracias a las simpatías políticas o a la penetración de sus servicios secretos, con una amplia plataforma de vigilancia y apoyo en España".
En él atacaba al prestigioso sitio web Rebelión como “la punta de lanza de una defensa a ultranza de la causa" de la Revolución cubana.
No hay la menor duda para cualquier observador de las actividades de inteligencia de Estados Unidos, como a la propia lectura de los documentos de Wikileaks que enseñan el modus vivendi de la monstruosa estructura diplomática de Estados Unidos que la salida al público de las llamadas filtraciones ha sido pilotada desde dentro por los “corresponsales” de la compañía.
El País, que encabeza desde hace años campañas de difamación contra los gobiernos progresistas de América latina no iba a perder la menor oportunidad de recuperar el escándalo Wikileaks para seguir con sus ataques a todo lo que suena socialismo en este continente que sigue llevando huellas fatales del colonialismo español.
El periódico que en el curso de los años se ha identificado de manera siempre más cruda con el poder imperial de Estados Unidos, las transnacionales hispanas y la peste falangista del Partido Popular, pertenece al Grupo Prisa, un gigantesco cártel mediático que extiende sus tentáculos desde la capital de España a toda América Latina.
Al recibir de Julian Assange, el fundador de Wikileaks, de manera algo sorprendente, el privilegio de manejar las decenas de miles de documentos secretos del Departamento de Estado, el diario entendió que le tocaba la tarea de orientar el escándalo a favor de sus intereses de corporación multinacional y de los que le proveen protección y asistencia.
Dueño de El País, el Grupo Prisa se ha convertido en los últimos años en un monstruo internacional de la comunicación que controla más de MIL emisoras en España, Estados Unidos, México, Panamá, Costa Rica, Colombia, Panamá, Argentina y Chile, con cerca de 30 millones de oyentes.
En Colombia, Prisa controla el potente grupo Radio Caracol, como en México que tiene Radiópolis y Televisa. Mientras, en los propios Estados Unidos cuenta con GLR Networks con unas 60 emisoras afiliadas. Prisa está ahora presente en 22 países con más de 10.000 trabajadores.
Ya se sabe que El País y los otros cuatro gigantes de la prensa comercial que recibieron copia del material almacenado por Wikileaks avisaron al Departamento de Estado con antelación de la publicación en estos días de este material explosivo.
Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes
domingo, 28 de novembro de 2010
mídia,o terror, fsp - Na ditadura, Dilma deu aulas de política
Na ditadura, Dilma deu aulas de política
Presidente eleita tinha tarefa de coordenar operários e ensinar a trabalhadores para "doutrinar o proletariado'
Relato sobre a atuação consta de processo que estava trancado no STM; depoimentos confirmam os relatos
LUCAS FERRAZ
MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
A mulher que vai suceder o presidente-metalúrgico a partir de janeiro teve, entre outras atribuições, a responsabilidade de atuar na coordenação operária e dar aulas de política a trabalhadores nas organizações da esquerda armada que integrou.
Do final de 1966 até ser presa pela repressão, em janeiro de 1970, a hoje presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), ensinou política acreditando que só "a doutrinação do proletariado" poderia mudar o país e que isso deveria ser feito paralelamente à luta armada contra a ditadura.
Em 1969, quando já estava em São Paulo integrando o comando da VAR-Palmares (uma das organizações da esquerda armada), Dilma esteve próxima ao "proletariado (...) ministrando aulas de marxismo-leninismo".
O relato consta do processo sobre a atuação de Dilma no regime militar, que estava trancado no Superior Tribunal Militar e foi liberado após três meses de disputa judicial travada pela Folha.
Os cursos, que ocorriam em salas de universidades ou em "aparelhos" (onde se escondiam os militantes), compreendiam ainda a exposição de lutas políticas como as revoluções russa, cubana e chinesa -modelos para a esquerda brasileira à época.
Além das aulas, Dilma colaborou com um jornal chamado "O Piquete", editado pelo setor operário e estudantil da Colina (Comando de Libertação Nacional), a segunda das organizações de esquerda em que a presidente eleita militou.
Mas as ideias da petista sobre a doutrinação do operariado eram antigas.
O INÍCIO
Documentos mostram que Dilma comandava aulas de política quando ainda morava em Belo Horizonte e era da Polop, sua primeira organização de esquerda.
O contato de Dilma com o comunismo, segundo companheiros de escola e juventude, se deu em 1965, quando ela ainda tinha 17 anos.
Depoimentos de colegas de militância descrevem a futura presidente como a responsável pelo "operariado". Em entrevistas à Folha na semana passada, eles confirmaram a participação de Dilma nessas atividades.
Documento do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, de maio de 1970, cita Dilma como "coordenadora dos setores operário e estudantil" da VAR-Palmares.
"Dilma sempre acreditou que a base da política é a mobilização social. Ela nunca apoiou o militarismo", disse à Folha Apolo Heringer, 67 anos, médico que foi colega dos primeiros anos de militância, em BH.
Ele foi professor de comunismo de Dilma, dando à jovem as primeiras lições sobre materialismo histórico, luta de classes, história do operariado e, quase lugar comum à época, a crise do capitalismo.
"Ela amadureceu muito cedo, era uma pessoa muito centrada. E nunca foi da esquerda festiva. Estava sempre lendo e estudando", completou Apolo. Ele critica a colega, hoje, por ser "desenvolvimentista demais", esquecendo, segundo ele, o meio ambiente.
Ageu Heringer, 61, irmão de Apolo, foi um dos alunos de Dilma na época. Os irmãos, contudo, não pregavam a luta armada. Ageu refere-se às aulas como "discussões políticas".
"SENSO DE HUMOR"
"Ela era muito afetuosa e tinha um grande senso de humor". Já naqueles anos, conta ele, Dilma tinha como característica um "senso de autoridade e profundidade", que foi sua marca durante o governo Lula.
"Ela passa a fazer esse trabalho quando começa a ser o suporte do comando nacional da organização", afirmou à reportagem Amilcar Baiardi, antigo militante, atualmente professor na Universidade Federal da Bahia.
Os papéis arquivados no STM mostram que, ao lado de uma colega militante, Dilma ministrou "dois cursos de capacitação política marxista para uma célula do setor operário" da VAR-Palmares. "Tal curso", completa o documento, "teve a duração aproximada de dois meses".
O operariado sempre foi um tema caro à esquerda. Desde a publicação do "Manifesto Comunista", de Karl Marx e Friedrich Engels, em 1848, toda e qualquer revolução socialista, com ou sem armas, se tornou indissociável do "proletariado".
CRÍTICAS
No Brasil da década de 1960, todas as organizações clandestinas da esquerda pregavam a tomada do poder -derrubando os militares- com a participação dos trabalhadores. Algumas eram mais militaristas do que outras e defendiam a tomada do poder pela luta armada.
O presidente Lula, em declarações feitas entre 1978 e 1980, criticava o modelo de atuação das organizações de esquerda na ditadura, como a desenvolvida por Dilma.
"A esquerda no Brasil sempre usou o nome da classe trabalhadora, mas nunca teve a classe trabalhadora", disse Lula em depoimento presente no livro "Lula, o início", do jornalista Mário Morel, publicado em 1981.
Presidente eleita tinha tarefa de coordenar operários e ensinar a trabalhadores para "doutrinar o proletariado'
Relato sobre a atuação consta de processo que estava trancado no STM; depoimentos confirmam os relatos
LUCAS FERRAZ
MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
A mulher que vai suceder o presidente-metalúrgico a partir de janeiro teve, entre outras atribuições, a responsabilidade de atuar na coordenação operária e dar aulas de política a trabalhadores nas organizações da esquerda armada que integrou.
Do final de 1966 até ser presa pela repressão, em janeiro de 1970, a hoje presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), ensinou política acreditando que só "a doutrinação do proletariado" poderia mudar o país e que isso deveria ser feito paralelamente à luta armada contra a ditadura.
Em 1969, quando já estava em São Paulo integrando o comando da VAR-Palmares (uma das organizações da esquerda armada), Dilma esteve próxima ao "proletariado (...) ministrando aulas de marxismo-leninismo".
O relato consta do processo sobre a atuação de Dilma no regime militar, que estava trancado no Superior Tribunal Militar e foi liberado após três meses de disputa judicial travada pela Folha.
Os cursos, que ocorriam em salas de universidades ou em "aparelhos" (onde se escondiam os militantes), compreendiam ainda a exposição de lutas políticas como as revoluções russa, cubana e chinesa -modelos para a esquerda brasileira à época.
Além das aulas, Dilma colaborou com um jornal chamado "O Piquete", editado pelo setor operário e estudantil da Colina (Comando de Libertação Nacional), a segunda das organizações de esquerda em que a presidente eleita militou.
Mas as ideias da petista sobre a doutrinação do operariado eram antigas.
O INÍCIO
Documentos mostram que Dilma comandava aulas de política quando ainda morava em Belo Horizonte e era da Polop, sua primeira organização de esquerda.
O contato de Dilma com o comunismo, segundo companheiros de escola e juventude, se deu em 1965, quando ela ainda tinha 17 anos.
Depoimentos de colegas de militância descrevem a futura presidente como a responsável pelo "operariado". Em entrevistas à Folha na semana passada, eles confirmaram a participação de Dilma nessas atividades.
Documento do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, de maio de 1970, cita Dilma como "coordenadora dos setores operário e estudantil" da VAR-Palmares.
"Dilma sempre acreditou que a base da política é a mobilização social. Ela nunca apoiou o militarismo", disse à Folha Apolo Heringer, 67 anos, médico que foi colega dos primeiros anos de militância, em BH.
Ele foi professor de comunismo de Dilma, dando à jovem as primeiras lições sobre materialismo histórico, luta de classes, história do operariado e, quase lugar comum à época, a crise do capitalismo.
"Ela amadureceu muito cedo, era uma pessoa muito centrada. E nunca foi da esquerda festiva. Estava sempre lendo e estudando", completou Apolo. Ele critica a colega, hoje, por ser "desenvolvimentista demais", esquecendo, segundo ele, o meio ambiente.
Ageu Heringer, 61, irmão de Apolo, foi um dos alunos de Dilma na época. Os irmãos, contudo, não pregavam a luta armada. Ageu refere-se às aulas como "discussões políticas".
"SENSO DE HUMOR"
"Ela era muito afetuosa e tinha um grande senso de humor". Já naqueles anos, conta ele, Dilma tinha como característica um "senso de autoridade e profundidade", que foi sua marca durante o governo Lula.
"Ela passa a fazer esse trabalho quando começa a ser o suporte do comando nacional da organização", afirmou à reportagem Amilcar Baiardi, antigo militante, atualmente professor na Universidade Federal da Bahia.
Os papéis arquivados no STM mostram que, ao lado de uma colega militante, Dilma ministrou "dois cursos de capacitação política marxista para uma célula do setor operário" da VAR-Palmares. "Tal curso", completa o documento, "teve a duração aproximada de dois meses".
O operariado sempre foi um tema caro à esquerda. Desde a publicação do "Manifesto Comunista", de Karl Marx e Friedrich Engels, em 1848, toda e qualquer revolução socialista, com ou sem armas, se tornou indissociável do "proletariado".
CRÍTICAS
No Brasil da década de 1960, todas as organizações clandestinas da esquerda pregavam a tomada do poder -derrubando os militares- com a participação dos trabalhadores. Algumas eram mais militaristas do que outras e defendiam a tomada do poder pela luta armada.
O presidente Lula, em declarações feitas entre 1978 e 1980, criticava o modelo de atuação das organizações de esquerda na ditadura, como a desenvolvida por Dilma.
"A esquerda no Brasil sempre usou o nome da classe trabalhadora, mas nunca teve a classe trabalhadora", disse Lula em depoimento presente no livro "Lula, o início", do jornalista Mário Morel, publicado em 1981.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
MÍDIA - Conselhos fortalecem a democracia
Confira o artigo de integrantes do Intervozes publicado no dia 30 de outubro na seção Tendências/Debates do jornal Folha de São Paulo em resposta a questão "A criação de conselhos de comunicação estaduais é uma forma de restrição da mídia?"
A aprovação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa do Ceará foi a senha para uma nova ofensiva da mídia comercial contra a regulamentação do setor e iniciativas análogas em debate em outros Estados.
O argumento é o de que os conselhos seriam órgãos de censura da mídia pelo governo.
A afirmação confunde e esconde o objetivo real dessas estruturas, que já existem em áreas vitais para o desenvolvimento, como saúde e educação, garantindo a participação da população na elaboração das políticas públicas para tais setores e a fiscalização da prestação do serviço público de acordo com a legislação.
Ao contrário do que bradam os grupos de comunicação, e até mesmo a OAB, os conselhos visam a ampliação do exercício da liberdade de expressão, e não sua restrição; portanto, nada têm de inconstitucionais. Não se trata de censurar conteúdos, muito menos de definir a atuação da imprensa.
Ao criá-los, os Estados não definem novas regras para a radiodifusão, o que seria prerrogativa da União, mas apoiam a aplicação dos princípios constitucionais e leis já existentes, muitas vezes ignorados por concessionárias de rádio e TV.
Os conselhos tratam das políticas estaduais, como o desenvolvimento da precária radiodifusão pública e comunitária local, o acesso da população à banda larga, e de critérios democráticos de distribuição das verbas publicitárias governamentais, feitas, em geral, de forma pouco transparente.
Em parceria com o Poder Executivo federal, podem ainda, por exemplo, fazer audiências para ouvir a população no momento de renovação de uma outorga de TV. Ou encaminhar ao Ministério Público denúncias de discriminação, que se multiplicam em programas policialescos exibidos à luz do dia.
Assim, os conselhos nada mais são do que espaços para a sociedade brasileira, representada em sua diversidade, participar da construção de políticas públicas de comunicação, acompanhar a prestação desse serviço e cobrar das devidas instâncias a responsabilização por violações das regras do setor.
Tratar a legítima reivindicação da população de se fazer ouvir nesses processos como ameaça à liberdade de imprensa é movimento daqueles que, pouco afeitos à sua responsabilidade social, querem manter privilégios em um campo marcado pela concentração de propriedade, homogeneização cultural e desrespeito à legislação.
O que a sociedade reivindica é justamente o exercício direto da liberdade de expressão por todos os segmentos, e não apenas pelos poucos que detêm o controle dos meios e impõem suas ideias à opinião pública como se fossem porta-vozes de uma diversidade que ignoram e omitem. Essa é a real censura à liberdade de expressão no país.
Ao questionar esse modelo, a Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu milhares de representantes de organizações sociais, governos (não apenas o federal) e empresários que compreenderam a importância do debate democrático com a população, aprovou, em votação quase unânime, a criação de um conselho nacional e de conselhos estaduais.
Infelizmente, a cobertura sobre o tema tem distorcido as propostas e censurado visões favoráveis aos conselhos, o que comprova que setores dos meios de comunicação interditam o debate quando ele toca em seus interesses comerciais.
É sintomático que aqueles que se arvoram no papel de informar censurem o contraditório e defendam um ambiente desprovido de obrigações legais e mecanismos de fiscalização. A regulação da comunicação está consolidada em todas as democracias como baliza de Estados efetivamente plurais.
Se nesses países, com sistemas de comunicação mais desenvolvidos, iniciativas como essa não são consideradas ameaças à liberdade de expressão, por que aqui deveriam ser?
*Bia Barbosa, 33, Jonas Valente, 29, Pedro Caribé, 27, e João Brant, 31, são integrantes do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.
A aprovação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa do Ceará foi a senha para uma nova ofensiva da mídia comercial contra a regulamentação do setor e iniciativas análogas em debate em outros Estados.
O argumento é o de que os conselhos seriam órgãos de censura da mídia pelo governo.
A afirmação confunde e esconde o objetivo real dessas estruturas, que já existem em áreas vitais para o desenvolvimento, como saúde e educação, garantindo a participação da população na elaboração das políticas públicas para tais setores e a fiscalização da prestação do serviço público de acordo com a legislação.
Ao contrário do que bradam os grupos de comunicação, e até mesmo a OAB, os conselhos visam a ampliação do exercício da liberdade de expressão, e não sua restrição; portanto, nada têm de inconstitucionais. Não se trata de censurar conteúdos, muito menos de definir a atuação da imprensa.
Ao criá-los, os Estados não definem novas regras para a radiodifusão, o que seria prerrogativa da União, mas apoiam a aplicação dos princípios constitucionais e leis já existentes, muitas vezes ignorados por concessionárias de rádio e TV.
Os conselhos tratam das políticas estaduais, como o desenvolvimento da precária radiodifusão pública e comunitária local, o acesso da população à banda larga, e de critérios democráticos de distribuição das verbas publicitárias governamentais, feitas, em geral, de forma pouco transparente.
Em parceria com o Poder Executivo federal, podem ainda, por exemplo, fazer audiências para ouvir a população no momento de renovação de uma outorga de TV. Ou encaminhar ao Ministério Público denúncias de discriminação, que se multiplicam em programas policialescos exibidos à luz do dia.
Assim, os conselhos nada mais são do que espaços para a sociedade brasileira, representada em sua diversidade, participar da construção de políticas públicas de comunicação, acompanhar a prestação desse serviço e cobrar das devidas instâncias a responsabilização por violações das regras do setor.
Tratar a legítima reivindicação da população de se fazer ouvir nesses processos como ameaça à liberdade de imprensa é movimento daqueles que, pouco afeitos à sua responsabilidade social, querem manter privilégios em um campo marcado pela concentração de propriedade, homogeneização cultural e desrespeito à legislação.
O que a sociedade reivindica é justamente o exercício direto da liberdade de expressão por todos os segmentos, e não apenas pelos poucos que detêm o controle dos meios e impõem suas ideias à opinião pública como se fossem porta-vozes de uma diversidade que ignoram e omitem. Essa é a real censura à liberdade de expressão no país.
Ao questionar esse modelo, a Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu milhares de representantes de organizações sociais, governos (não apenas o federal) e empresários que compreenderam a importância do debate democrático com a população, aprovou, em votação quase unânime, a criação de um conselho nacional e de conselhos estaduais.
Infelizmente, a cobertura sobre o tema tem distorcido as propostas e censurado visões favoráveis aos conselhos, o que comprova que setores dos meios de comunicação interditam o debate quando ele toca em seus interesses comerciais.
É sintomático que aqueles que se arvoram no papel de informar censurem o contraditório e defendam um ambiente desprovido de obrigações legais e mecanismos de fiscalização. A regulação da comunicação está consolidada em todas as democracias como baliza de Estados efetivamente plurais.
Se nesses países, com sistemas de comunicação mais desenvolvidos, iniciativas como essa não são consideradas ameaças à liberdade de expressão, por que aqui deveriam ser?
*Bia Barbosa, 33, Jonas Valente, 29, Pedro Caribé, 27, e João Brant, 31, são integrantes do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
mídia - uma visão direista,conservadora e fascista - fsp - Imprensa latina entra na lista negra
Buenos Aires
A imprensa da América Latina, censurada e aliada de ditadores sangrentos durante a Guerra Fria, está, mais uma vez, na mira. Há sinais sombrios sobre sua "séria e rápida deterioração". As atuais ameaças vêm de dois novos inimigos: o crime organizado, em países como México e Honduras, e na forma de intimidação por parte de governos eleitos pelo povo, que aprovam leis limitando o poder da imprensa ou abalando seu modelo empresarial.
Mas os ataques à liberdade de imprensa não se restringem à América Latina. A Rússia, de Vladimir Putin e seus herdeiros, empreende uma das mais flagrantes e violentas repressões à mídia, desde o impune assassinato de Anna Politkovskaia em 2006 até a brutal agressão no começo de novembro a um jovem jornalista do popular diário "Kommersant", Oleg Kashin. Num notório exemplo de censura, a imprensa estatal chinesa nem mencionou a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo, que foi proibido de viajar a Oslo para recebê-lo.
Durante sua reunião entre os dias 5 e 9 de novembro em Mérida, no México, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticou duramente o presidente Felipe Calderón pelos índices de violência contra jornalistas mexicanos. Mas Calderón isentou seu governo de responsabilidade, dizendo que "a apuração de 90% dos atuais crimes contra os jornalistas é de responsabilidade das autoridades locais".
Mas a justiça parece estar mais observando do que protegendo os repórteres e fotógrafos. A guerra às drogas já matou 65 jornalistas no México -sendo 11 neste ano e seis nos últimos seis meses-, sem contar os três atentados contra sucursais da rede Televisa em diferentes Estados do país, em um intervalo de apenas dez dias.
Em Honduras, cuja democracia se deteriorou fortemente desde a violenta deposição do presidente Manuel Zelaya em 2009, nove jornalistas foram mortos desde o início do ano. Segundo a entidade Repórteres Sem Fronteiras, Honduras se tornou um dos países mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo, superando até a Colômbia.
O novo presidente da SIP, Gonzalo Marroquín, editor do "Prensa Libre", da Guatemala, está horrorizado com a rapidez com que Honduras entrou nessa lista negra. "O pior é que, ao contrário do México, não está claro se os ataques vêm do narcotráfico ou da criminalidade de gangues", afirmou. "Enquanto isso, as investigações não dão em nada. Não houve detenções em Honduras."
O Brasil é parte desse cenário nefasto, pois três jovens jornalistas foram mortos em outubro, e ninguém foi preso.
No entanto, ataques mais sutis à imprensa vêm na forma de medidas hostis à mídia, adotadas por governos democraticamente eleitos. Essas políticas, segundo alguns especialistas, são mais restritivas à livre iniciativa do que à liberdade de expressão propriamente dita.
A campeã dessa abordagem é a Venezuela, com suas leis reguladoras de 2004 e o fechamento de emissoras de rádio e TV. Logo atrás vem a Argentina, onde tramita um projeto de lei que impõe um limite à quantidade de emissoras de rádio e TV e de provedores de internet que uma mesma empresa pode acumular. Essa proposta pode causar um sério dano econômico para o Grupo Clarín S.A., um dos maiores conglomerados de mídia do mundo hispânico.
Na Bolívia, uma bem intencionada lei antirracismo, aprovada em 8 de outubro, causou preocupações nas entidades jornalísticas pelos ambíguos poderes de fiscalização que confere ao governo. E, no Equador, especula-se que o presidente Rafael Correa, aliado do venezuelano Hugo Chávez, vai ressuscitar uma lei que autoriza a vigilância sobre meios de comunicação, o que pode estimular a autocensura.
Para se contrapor à imprensa privada, jornais pró-governo e uma rede de blogueiros desbocados recebem financiamento do Estado em vários países. O resultado é uma erosão da liberdade de imprensa, leitores polarizados e uma oposição enfraquecida. É uma situação que, segundo alguns, não se via desde a década de 1970.
"O denominador comum é que esses governos adotam leis reguladoras hostis quando querem se reeleger", disse Marroquín.
A Venezuela agora tem "uma versão da Constituição cubana de 1976 na época do BlackBerry, já que ela assume os recursos de uma democracia para controlar a informação e impor a hegemonia da imprensa estatal", disse Asdrubal Aguiar, ex-magistrado da Corte Interamericana de Direitos Humanos e colunista do jornal "El Universal", de Caracas. Aguiar disse que essas leis também promovem uma agenda libertária, em que as mídias privadas são consideradas bens e serviços de utilidade pública, em vez de ferramentas para o equilíbrio do poder.
Em todos esses países, enormes verbas públicas são usadas para financiar uma imprensa governista cada vez mais radicalizada. Na Venezuela, há atualmente mais jornais pró-Chávez do que independentes. Para esses governos, a melhor forma de reforçar o poder do Estado é fundar um jornal.
A imprensa da América Latina, censurada e aliada de ditadores sangrentos durante a Guerra Fria, está, mais uma vez, na mira. Há sinais sombrios sobre sua "séria e rápida deterioração". As atuais ameaças vêm de dois novos inimigos: o crime organizado, em países como México e Honduras, e na forma de intimidação por parte de governos eleitos pelo povo, que aprovam leis limitando o poder da imprensa ou abalando seu modelo empresarial.
Mas os ataques à liberdade de imprensa não se restringem à América Latina. A Rússia, de Vladimir Putin e seus herdeiros, empreende uma das mais flagrantes e violentas repressões à mídia, desde o impune assassinato de Anna Politkovskaia em 2006 até a brutal agressão no começo de novembro a um jovem jornalista do popular diário "Kommersant", Oleg Kashin. Num notório exemplo de censura, a imprensa estatal chinesa nem mencionou a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo, que foi proibido de viajar a Oslo para recebê-lo.
Durante sua reunião entre os dias 5 e 9 de novembro em Mérida, no México, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticou duramente o presidente Felipe Calderón pelos índices de violência contra jornalistas mexicanos. Mas Calderón isentou seu governo de responsabilidade, dizendo que "a apuração de 90% dos atuais crimes contra os jornalistas é de responsabilidade das autoridades locais".
Mas a justiça parece estar mais observando do que protegendo os repórteres e fotógrafos. A guerra às drogas já matou 65 jornalistas no México -sendo 11 neste ano e seis nos últimos seis meses-, sem contar os três atentados contra sucursais da rede Televisa em diferentes Estados do país, em um intervalo de apenas dez dias.
Em Honduras, cuja democracia se deteriorou fortemente desde a violenta deposição do presidente Manuel Zelaya em 2009, nove jornalistas foram mortos desde o início do ano. Segundo a entidade Repórteres Sem Fronteiras, Honduras se tornou um dos países mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo, superando até a Colômbia.
O novo presidente da SIP, Gonzalo Marroquín, editor do "Prensa Libre", da Guatemala, está horrorizado com a rapidez com que Honduras entrou nessa lista negra. "O pior é que, ao contrário do México, não está claro se os ataques vêm do narcotráfico ou da criminalidade de gangues", afirmou. "Enquanto isso, as investigações não dão em nada. Não houve detenções em Honduras."
O Brasil é parte desse cenário nefasto, pois três jovens jornalistas foram mortos em outubro, e ninguém foi preso.
No entanto, ataques mais sutis à imprensa vêm na forma de medidas hostis à mídia, adotadas por governos democraticamente eleitos. Essas políticas, segundo alguns especialistas, são mais restritivas à livre iniciativa do que à liberdade de expressão propriamente dita.
A campeã dessa abordagem é a Venezuela, com suas leis reguladoras de 2004 e o fechamento de emissoras de rádio e TV. Logo atrás vem a Argentina, onde tramita um projeto de lei que impõe um limite à quantidade de emissoras de rádio e TV e de provedores de internet que uma mesma empresa pode acumular. Essa proposta pode causar um sério dano econômico para o Grupo Clarín S.A., um dos maiores conglomerados de mídia do mundo hispânico.
Na Bolívia, uma bem intencionada lei antirracismo, aprovada em 8 de outubro, causou preocupações nas entidades jornalísticas pelos ambíguos poderes de fiscalização que confere ao governo. E, no Equador, especula-se que o presidente Rafael Correa, aliado do venezuelano Hugo Chávez, vai ressuscitar uma lei que autoriza a vigilância sobre meios de comunicação, o que pode estimular a autocensura.
Para se contrapor à imprensa privada, jornais pró-governo e uma rede de blogueiros desbocados recebem financiamento do Estado em vários países. O resultado é uma erosão da liberdade de imprensa, leitores polarizados e uma oposição enfraquecida. É uma situação que, segundo alguns, não se via desde a década de 1970.
"O denominador comum é que esses governos adotam leis reguladoras hostis quando querem se reeleger", disse Marroquín.
A Venezuela agora tem "uma versão da Constituição cubana de 1976 na época do BlackBerry, já que ela assume os recursos de uma democracia para controlar a informação e impor a hegemonia da imprensa estatal", disse Asdrubal Aguiar, ex-magistrado da Corte Interamericana de Direitos Humanos e colunista do jornal "El Universal", de Caracas. Aguiar disse que essas leis também promovem uma agenda libertária, em que as mídias privadas são consideradas bens e serviços de utilidade pública, em vez de ferramentas para o equilíbrio do poder.
Em todos esses países, enormes verbas públicas são usadas para financiar uma imprensa governista cada vez mais radicalizada. Na Venezuela, há atualmente mais jornais pró-Chávez do que independentes. Para esses governos, a melhor forma de reforçar o poder do Estado é fundar um jornal.
MÍDIA E HISTÓRIA - FOLHA vs. LULA,O coro da Barão de Limeira
Luiz Antonio Magalhães
OI
O diretor de Redação da Folha de S. Paulo e filho do dono do jornal, Otavio Frias Filho, bem que avisou. Na quinta-feira (24/10), três dias antes de Luiz Inácio Lula da Silva se tornar pela vontade das urnas o novo presidente brasileiro, Frias Filho escreveu em sua coluna semanal que o jornalismo tem a função de "desafinar o coro dos contentes".
Os editores do jornal parecem ter entendido bem o recado do chefe. Com a confirmação da chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, a Folha saiu a campo para mostrar aos novos poderosos que eles não terão refresco daqui para frente. Pelo menos não com o pessoal da Barão de Limeira.
Na edição de segunda-feira (28/10), Lula teve seu dia de glória em todos os jornais brasileiros e a Folha até deu uma trégua rápida. Na terça (29/10), porém, o diário paulista começou um festival de baboseiras como há muito não se via. Neste dia, o jornal abriu uma página nobre, no primeiro caderno, com matéria intitulada "Primeiro dia de Lula eleito custa 94,2 mil". Os dois primeiros parágrafos do texto, assinado por Gabriela Athias, são exemplo acabado do estilo Folha de "desafinar o coro dos contentes":
"As primeiras 24 horas de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente eleito custaram ao PT pelo menos R$ 94,2 mil. O dinheiro foi gasto com hospedagem (R$ 32.200), aluguel de helicóptero (R$ 2.000) e a festa da avenida Paulista (R$ 60.000).
Os ternos italianos, as barbas impecáveis e os bem cortados terninhos femininos, que, esteticamente, consagraram o estilo ‘PT light’ nessa eleição também chegaram ao quesito hospedagem. Entre domingo à tarde e ontem de manhã o partido hospedou os Lula da Silva no cinco estrelas Gran Meliá. Os convidados de outros Estados ficaram no Intercontinental (centro), com igual número de estrelas. Deveriam sair ontem à noite."
Sobre este primeiro exemplo, cabem alguns comentários:
1. Legalmente, não há nada de errado no dinheiro gasto por Lula e pelo PT. As contas das despesas do candidato serão apresentadas à justiça eleitoral, a quem cabe fiscalizar se o que o partido declarou ter arrecadado bate com o que foi gasto na campanha. O dinheiro gasto pelo PT só será um problema público se houver alguma irregularidade na sua prestação de contas. Ou seja, a pauta da Folha começou mal, pois simplesmente não tinha razão de ser.
2. O jornal repete a mais antiga tática usada para criticar Lula, que o persegue desde o início de sua carreira política: o falso moralismo. Ao lembrar que o padrão de hospedagem petista agora é condizente com "os ternos italianos e as barbas impecáveis" apresentados pelo petista nesta campanha, a Folha faz o que todo reacionário já fez alguma vez na vida: cobrar de Lula e do PT que se comportem como os pobres e os despossuídos que eles defendem. Assim, "é um acinte" que Lula beba vinhos franceses, vista ternos italianos, use barba bem feita ou durma em hotéis caros. Para a Folha, pelo visto, o presidente eleito faria melhor se tomasse Sangue de Boi, vestisse macacão e dormisse em qualquer espelunca da baixa Augusta.
Manual empoeirado
Na mesma edição, outro título chamava atenção: "Lula terá de passar vergonha, diz Mendonça". O Mendonça em questão é o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que, a julgar por sua atrapalhada passagem pelo governo Fernando Henrique, certamente sabe do que está falando. Para quem não lembra, Mendonção foi enxotado do ministério após o escândalo das conversas sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, episódio até hoje muito mal explicado.
No dia seguinte (quarta-feira, 30/10), a Folha bem que tentou "elevar o nível" na sua tentativa de desafinar ao coro dos contentes. Dá até para imaginar os editores na reunião de pauta, vaticinando que "essa esquerda do PT ainda vai acabar com o governo Lula". A brilhante idéia virou uma reportagem, destacada também como abre de página e com um sombrio aviso ao novo presidente como título "Esquerda petista se reúne e articula pressão a Lula".
A linha-fina, como se diz no jargão jornalístico, não foi das mais felizes: "Grupo de três deputados defende rompimento com o FMI e não-assinatura da Alca". Sim, o número é esse mesmo: três deputados (Luciana Genro, Lindberg Farias e Luiz Eduardo Greenhalgh), dos quais apenas um (Lindberg) falou à Folha. Se não bastasse a pequena expressão numérica dos envolvidos, até mesmo a linha fina da matéria está errada: apenas Lindberg defendeu o rompimento com o FMI, como se pode ler na reportagem. Os outros dois parlamentares não se pronunciaram a este respeito. A nota oficial dos participantes da reunião também não diz nada sobre rompimento com o Fundo e foi classificada pelo repórter da própria Folha como "branda".
Voltando à tese de Otavio Frias Filho, é salutar (e um tanto óbvio) que a imprensa tome para si a função de "desafinar o coro dos contentes", ainda que boa parte dela – Grupo Folha incluso – tenha por muito tempo integrado o próprio coro. Mas águas passadas não movem moinhos: Lula e seu governo devem ser tratados com todo o rigor. Para tanto, é preciso investir em pautas relevantes, ter equilíbrio na edição e, sobretudo, ética na apuração. Não é tão difícil assim: está tudo no Manual de Redação da Folha. A menos que o governo Lula mereça um novo verbete na próxima edição.
OI
O diretor de Redação da Folha de S. Paulo e filho do dono do jornal, Otavio Frias Filho, bem que avisou. Na quinta-feira (24/10), três dias antes de Luiz Inácio Lula da Silva se tornar pela vontade das urnas o novo presidente brasileiro, Frias Filho escreveu em sua coluna semanal que o jornalismo tem a função de "desafinar o coro dos contentes".
Os editores do jornal parecem ter entendido bem o recado do chefe. Com a confirmação da chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, a Folha saiu a campo para mostrar aos novos poderosos que eles não terão refresco daqui para frente. Pelo menos não com o pessoal da Barão de Limeira.
Na edição de segunda-feira (28/10), Lula teve seu dia de glória em todos os jornais brasileiros e a Folha até deu uma trégua rápida. Na terça (29/10), porém, o diário paulista começou um festival de baboseiras como há muito não se via. Neste dia, o jornal abriu uma página nobre, no primeiro caderno, com matéria intitulada "Primeiro dia de Lula eleito custa 94,2 mil". Os dois primeiros parágrafos do texto, assinado por Gabriela Athias, são exemplo acabado do estilo Folha de "desafinar o coro dos contentes":
"As primeiras 24 horas de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente eleito custaram ao PT pelo menos R$ 94,2 mil. O dinheiro foi gasto com hospedagem (R$ 32.200), aluguel de helicóptero (R$ 2.000) e a festa da avenida Paulista (R$ 60.000).
Os ternos italianos, as barbas impecáveis e os bem cortados terninhos femininos, que, esteticamente, consagraram o estilo ‘PT light’ nessa eleição também chegaram ao quesito hospedagem. Entre domingo à tarde e ontem de manhã o partido hospedou os Lula da Silva no cinco estrelas Gran Meliá. Os convidados de outros Estados ficaram no Intercontinental (centro), com igual número de estrelas. Deveriam sair ontem à noite."
Sobre este primeiro exemplo, cabem alguns comentários:
1. Legalmente, não há nada de errado no dinheiro gasto por Lula e pelo PT. As contas das despesas do candidato serão apresentadas à justiça eleitoral, a quem cabe fiscalizar se o que o partido declarou ter arrecadado bate com o que foi gasto na campanha. O dinheiro gasto pelo PT só será um problema público se houver alguma irregularidade na sua prestação de contas. Ou seja, a pauta da Folha começou mal, pois simplesmente não tinha razão de ser.
2. O jornal repete a mais antiga tática usada para criticar Lula, que o persegue desde o início de sua carreira política: o falso moralismo. Ao lembrar que o padrão de hospedagem petista agora é condizente com "os ternos italianos e as barbas impecáveis" apresentados pelo petista nesta campanha, a Folha faz o que todo reacionário já fez alguma vez na vida: cobrar de Lula e do PT que se comportem como os pobres e os despossuídos que eles defendem. Assim, "é um acinte" que Lula beba vinhos franceses, vista ternos italianos, use barba bem feita ou durma em hotéis caros. Para a Folha, pelo visto, o presidente eleito faria melhor se tomasse Sangue de Boi, vestisse macacão e dormisse em qualquer espelunca da baixa Augusta.
Manual empoeirado
Na mesma edição, outro título chamava atenção: "Lula terá de passar vergonha, diz Mendonça". O Mendonça em questão é o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que, a julgar por sua atrapalhada passagem pelo governo Fernando Henrique, certamente sabe do que está falando. Para quem não lembra, Mendonção foi enxotado do ministério após o escândalo das conversas sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, episódio até hoje muito mal explicado.
No dia seguinte (quarta-feira, 30/10), a Folha bem que tentou "elevar o nível" na sua tentativa de desafinar ao coro dos contentes. Dá até para imaginar os editores na reunião de pauta, vaticinando que "essa esquerda do PT ainda vai acabar com o governo Lula". A brilhante idéia virou uma reportagem, destacada também como abre de página e com um sombrio aviso ao novo presidente como título "Esquerda petista se reúne e articula pressão a Lula".
A linha-fina, como se diz no jargão jornalístico, não foi das mais felizes: "Grupo de três deputados defende rompimento com o FMI e não-assinatura da Alca". Sim, o número é esse mesmo: três deputados (Luciana Genro, Lindberg Farias e Luiz Eduardo Greenhalgh), dos quais apenas um (Lindberg) falou à Folha. Se não bastasse a pequena expressão numérica dos envolvidos, até mesmo a linha fina da matéria está errada: apenas Lindberg defendeu o rompimento com o FMI, como se pode ler na reportagem. Os outros dois parlamentares não se pronunciaram a este respeito. A nota oficial dos participantes da reunião também não diz nada sobre rompimento com o Fundo e foi classificada pelo repórter da própria Folha como "branda".
Voltando à tese de Otavio Frias Filho, é salutar (e um tanto óbvio) que a imprensa tome para si a função de "desafinar o coro dos contentes", ainda que boa parte dela – Grupo Folha incluso – tenha por muito tempo integrado o próprio coro. Mas águas passadas não movem moinhos: Lula e seu governo devem ser tratados com todo o rigor. Para tanto, é preciso investir em pautas relevantes, ter equilíbrio na edição e, sobretudo, ética na apuração. Não é tão difícil assim: está tudo no Manual de Redação da Folha. A menos que o governo Lula mereça um novo verbete na próxima edição.
sábado, 20 de novembro de 2010
MÍDIA - CARTACAPITAL - Abertura do processo da ditadura contra Dilma: uma perversão - Paulo Cezar da Rosa
19 de novembro de 2010 às 9:57h
Esta semana, a Folha de S. Paulo obteve autorização para ter acesso ao processo da Ditadura Militar contra Dilma Roussef. Fui contra isso antes das eleições, porque era evidente o objetivo eleitoral de atingir a candidatura de Dilma. Mas agora estou achando ótimo, porque se liberaram um processo que envolveu a atual presidente da República, a Justiça vai ser obrigada a liberar todos os podres da Ditadura. É, ou não é?
Sei, o cérebro do PIG é perverso é já deve ter antecipado uma medida contra essa abertura ampla, geral e irrestrita. Vai que apareçam as colaborações que fizeram à Ditadura? Como explicar?
Se os relatos dos Inquéritos Militares não trouxerem nenhuma inverdade (o que é pouco provável, porque depoimentos obtidos sob tortura por princípio nunca são verdadeiros nem traduzem a verdade), podem conferir o que eu tenho a dizer: Dilma não matou ninguém, não feriu ninguém. Dilma não teve em sua militância nenhuma ação armada direta. Diz o folclore no Rio Grande do Sul que a única ação em que teria participado teria sido a do “roubo” do cofre do Ademar. Como Ademar de Barros é tido um ladrão renomado na política brasileira, teria havido justiça na “expropriação”.
O que também não quer dizer nada. Dilma poderia ter participado de ações consideradas pela Ditadura como “terroristas” e isso, hoje, a rigor, foi um ato de bravura. Porque não se pode julgar atos passados com critérios posteriores. Imaginem julgar hoje um escravocrata do século XVII com critérios do século XXI. Não é possível. Essa é a maior perversidade do cérebro do PIG. Querer dizer que quem lutou contra a Ditadura com as armas que tinha na época estava errado.
Dilma, pessoalmente, pode, hoje, diante desta perversidade, ter tido a sorte política de não ter participado de nenhuma ação “terrorista” direta em sua juventude. Mas, hoje, não podemos lhe negar o direito de haver sido subversiva, assim como não podemos negar o direito a Tiradentes de haver conspirado contra o Império.
O valor da subversão no twitter
“Pensando bem, a melhor justificativa para votar em Dilma é ela ter sido “guerrilheira” e “terrorista”. Mulher assim é de faca na bota. Beleza!”
Esta manifestação no twitter, no dia 23 de outubro, no calor dos acontecimentos, do jornalista e escritor gaúcho Juremir Machado, dá um pouco o tom com que os gaúchos encararam esta história da Dilma “terrorista”. Ninguém levou muito a sério. E se for pra levar, quero saber quantos brasileiros a Folha ajudou a conduzir pros cárceres da Ditadura nos anos de chumbo…..
Paulo Cezar da Rosa
Paulo Cezar da Rosa é jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda. É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br
Esta semana, a Folha de S. Paulo obteve autorização para ter acesso ao processo da Ditadura Militar contra Dilma Roussef. Fui contra isso antes das eleições, porque era evidente o objetivo eleitoral de atingir a candidatura de Dilma. Mas agora estou achando ótimo, porque se liberaram um processo que envolveu a atual presidente da República, a Justiça vai ser obrigada a liberar todos os podres da Ditadura. É, ou não é?
Sei, o cérebro do PIG é perverso é já deve ter antecipado uma medida contra essa abertura ampla, geral e irrestrita. Vai que apareçam as colaborações que fizeram à Ditadura? Como explicar?
Se os relatos dos Inquéritos Militares não trouxerem nenhuma inverdade (o que é pouco provável, porque depoimentos obtidos sob tortura por princípio nunca são verdadeiros nem traduzem a verdade), podem conferir o que eu tenho a dizer: Dilma não matou ninguém, não feriu ninguém. Dilma não teve em sua militância nenhuma ação armada direta. Diz o folclore no Rio Grande do Sul que a única ação em que teria participado teria sido a do “roubo” do cofre do Ademar. Como Ademar de Barros é tido um ladrão renomado na política brasileira, teria havido justiça na “expropriação”.
O que também não quer dizer nada. Dilma poderia ter participado de ações consideradas pela Ditadura como “terroristas” e isso, hoje, a rigor, foi um ato de bravura. Porque não se pode julgar atos passados com critérios posteriores. Imaginem julgar hoje um escravocrata do século XVII com critérios do século XXI. Não é possível. Essa é a maior perversidade do cérebro do PIG. Querer dizer que quem lutou contra a Ditadura com as armas que tinha na época estava errado.
Dilma, pessoalmente, pode, hoje, diante desta perversidade, ter tido a sorte política de não ter participado de nenhuma ação “terrorista” direta em sua juventude. Mas, hoje, não podemos lhe negar o direito de haver sido subversiva, assim como não podemos negar o direito a Tiradentes de haver conspirado contra o Império.
O valor da subversão no twitter
“Pensando bem, a melhor justificativa para votar em Dilma é ela ter sido “guerrilheira” e “terrorista”. Mulher assim é de faca na bota. Beleza!”
Esta manifestação no twitter, no dia 23 de outubro, no calor dos acontecimentos, do jornalista e escritor gaúcho Juremir Machado, dá um pouco o tom com que os gaúchos encararam esta história da Dilma “terrorista”. Ninguém levou muito a sério. E se for pra levar, quero saber quantos brasileiros a Folha ajudou a conduzir pros cárceres da Ditadura nos anos de chumbo…..
Paulo Cezar da Rosa
Paulo Cezar da Rosa é jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda. É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br
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MÍDIA - CHAUÍ - "A guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação"
Em entrevista à Carta Maior, Marilena Chauí avalia a guerra eleitoral travada na disputa presidencial e chama a atenção para a dificuldade que a oposição teve em manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: "o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula". Para a professora de Filosofia da USP, essa foi a novidade mais instigante da eleição: a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação. E esta última venceu.
Redação
CARTA MAIOR: Qual sua avaliação sobre a cobertura da chamada grande mídia brasileira nas eleições deste ano? Na sua opinião, houve alguma surpresa ou novidade em relação à eleição anterior?
MARILENA CHAUÍ: Eu diria que, desta vez, o cerco foi mais intenso, assumindo tons de guerra, mais do que mera polarização de opiniões políticas. Mas não foi surpresa: se considerarmos que 92% da população aprovam o governo Lula como ótimo e bom, 4% o consideram regular, restam 4% de desaprovação a qual está concentrada nos meios de comunicação. São as empresas e seus empregados que representam esses 4% e são eles quem têm o poder de fogo para a guerra.
O interessante foi a dificuldade para manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou, então, para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula.
Isso me parece a novidade mais instigante, isto é, uma sociedade diretamente informada pelas ações governamentais que mudaram seu modo de vida e suas perspectivas, de maneira que a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação.
CM: Passada a eleição, um dos debates que deve marcar o próximo período diz respeito à regulamentação do setor de comunicação. Como se sabe, a resistência das grandes empresas de mídia é muito forte. Como superar essa resistência?
MC: Numa democracia, o direito à informação é essencial. Tanto o direito de produzir e difundir informação como o direito de receber e ter acesso à informação. Isso se chama isegoria, palavra criada pelos inventores da democracia, os gregos, significando o direito emitir em público uma opinião para ser discutida e votada, assim como o direito de receber uma opinião para avaliá-la, aceitá-la ou rejeitá-la.
Justamente por isso, em todos os países democráticos, existe regulamentação do setor de comunicação. Essa regulamentação visa assegurar a isegoria, a liberdade de expressão e o direito ao contraditório, além de diminuir, tanto quanto possível, o monopólio da informação.
Evidentemente, hoje essa regulamentação encontra dificuldades postas pela estrutura oligopólica dos meios, controlados globalmente por um pequeno número de empresas transnacionais. Mas não é por ser difícil, que a regulamentação não deve ser estabelecida e defendida. Trata-se da batalha moderna entre o público e o privado.
CM: Você concorda com a seguinte afirmação: "A mídia brasileira é uma das mais autoritárias do mundo".
MC: Se deixarmos de lado o caso óbvio das ditaduras e considerarmos apenas as repúblicas democráticas, concordo.
CM: Na sua opinião, é possível fazer alguma distinção entre os grandes veículos midiáticos, do ponto de vista de sua orientação editorial? Ou o que predomina é um pensamento único mesmo.
MC: As variações se dão no interior do pensamento único, isto é, da hegemonia pós-moderna e neoliberal. Ou seja, há setores reacionários de extrema direita, setores claramente conservadores e setores que usam “a folha de parreira”. A folha de parreira, segundo a lenda, serviu para Adão e Eva se cobrirem quando descobriram que estavam nus.
Na mídia, a “folha de parreira” consiste em dar um pequeno e controlado espaço à opinião divergente ou contrária à linha da empresa. Às vezes, não dá certo. O caso do Estadão contra Maria Rita Kehl mostra que uma vigorosa voz destoante no coral do “sim senhor” não pode ser suportada
Redação
CARTA MAIOR: Qual sua avaliação sobre a cobertura da chamada grande mídia brasileira nas eleições deste ano? Na sua opinião, houve alguma surpresa ou novidade em relação à eleição anterior?
MARILENA CHAUÍ: Eu diria que, desta vez, o cerco foi mais intenso, assumindo tons de guerra, mais do que mera polarização de opiniões políticas. Mas não foi surpresa: se considerarmos que 92% da população aprovam o governo Lula como ótimo e bom, 4% o consideram regular, restam 4% de desaprovação a qual está concentrada nos meios de comunicação. São as empresas e seus empregados que representam esses 4% e são eles quem têm o poder de fogo para a guerra.
O interessante foi a dificuldade para manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou, então, para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula.
Isso me parece a novidade mais instigante, isto é, uma sociedade diretamente informada pelas ações governamentais que mudaram seu modo de vida e suas perspectivas, de maneira que a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação.
CM: Passada a eleição, um dos debates que deve marcar o próximo período diz respeito à regulamentação do setor de comunicação. Como se sabe, a resistência das grandes empresas de mídia é muito forte. Como superar essa resistência?
MC: Numa democracia, o direito à informação é essencial. Tanto o direito de produzir e difundir informação como o direito de receber e ter acesso à informação. Isso se chama isegoria, palavra criada pelos inventores da democracia, os gregos, significando o direito emitir em público uma opinião para ser discutida e votada, assim como o direito de receber uma opinião para avaliá-la, aceitá-la ou rejeitá-la.
Justamente por isso, em todos os países democráticos, existe regulamentação do setor de comunicação. Essa regulamentação visa assegurar a isegoria, a liberdade de expressão e o direito ao contraditório, além de diminuir, tanto quanto possível, o monopólio da informação.
Evidentemente, hoje essa regulamentação encontra dificuldades postas pela estrutura oligopólica dos meios, controlados globalmente por um pequeno número de empresas transnacionais. Mas não é por ser difícil, que a regulamentação não deve ser estabelecida e defendida. Trata-se da batalha moderna entre o público e o privado.
CM: Você concorda com a seguinte afirmação: "A mídia brasileira é uma das mais autoritárias do mundo".
MC: Se deixarmos de lado o caso óbvio das ditaduras e considerarmos apenas as repúblicas democráticas, concordo.
CM: Na sua opinião, é possível fazer alguma distinção entre os grandes veículos midiáticos, do ponto de vista de sua orientação editorial? Ou o que predomina é um pensamento único mesmo.
MC: As variações se dão no interior do pensamento único, isto é, da hegemonia pós-moderna e neoliberal. Ou seja, há setores reacionários de extrema direita, setores claramente conservadores e setores que usam “a folha de parreira”. A folha de parreira, segundo a lenda, serviu para Adão e Eva se cobrirem quando descobriram que estavam nus.
Na mídia, a “folha de parreira” consiste em dar um pequeno e controlado espaço à opinião divergente ou contrária à linha da empresa. Às vezes, não dá certo. O caso do Estadão contra Maria Rita Kehl mostra que uma vigorosa voz destoante no coral do “sim senhor” não pode ser suportada
MÍDIA E ESQUEMA GOLPISTA DEMOTUCANO - CARTAMAIOR - O ROTEIRO DO TERCEIRO TURNO
Passados 18 dias desde a vitória de Dilma Rousseff sobre Serra, por uma vantagem de 12 milhões de votos, a coalizão demotucana e seu dispositivo midiático não recolheram as garras um só minuto. Cinco dias após o revés nas urnas, o candidato da derrota estava em Biarritz levando um 'por que no te callas', em resposta a tentativa de armar o palanque de oposição em território francês. O jornalismo nativo não deixa por menos. Cumpre religiosamente o roteiro do terceiro turno. Dia sim, dia não, tem uma crise produzida, maquiada e estampada nas capas da mídia conservadora --disputa por ministérios; desfeita de Lula a Celso Amorim; desindustrialização galopante; impasse do salário mínimo;crise na Petrobrás; denuncismo contra a equipe de transição; denuncismo contra supostos candidatos a ministro; crise do ENEM; veto do IBAMA a Belo Monte etc etc. Em resumo, não se disfarça a intenção de minar a autoridade da Presidente eleita antes mesmo de sua posse. Agora, a Folha se prepara para dar legitimidade 'jornalística' a um relatório produzido nos porões da ditadura militar sobre a militancia revolucionária de Dilma Rousseff nos anos 70. O enredo dessa trama está para a isenção jornalística assim como o rio Tietê para a preservação do meio ambiente. A aposta em curso é que, uma vez Lula fora da cena política, não haverá força capaz de deter o trator oposicionista, cujas rodas em poucos meses estarão transitando por cima do cadáver político do novo governo. Desta vez, ao contrário do que ocorreu em 2005/2006 eles não hesitarão em lavrar um pedido de impeachment para materializar o terceiro turno agora esboçado. Com a palavra, os movimentos sociais.
(Carta Maior, 18-11)
(Carta Maior, 18-11)
MÍDIA E DITADURA - A vingança póstuma de Otavio Frias
Eduardo Guimarães,
Blog da Cidadania:
O homem fardado e a declaração na foto acima correspondem a Otávio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal Folha de São Paulo. Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas explicam por que seu herdeiro Otavio Frias Filho, o “Otavinho”, foi resgatar em arquivos dos órgãos de repressão da ditadura militar as desculpas usadas por esta para prender e torturar Dilma Vana Rousseff, a presidente eleita do Brasil.
Frias de Oliveira lutou na Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Getúlio Vargas. Coerente com seu apreço pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais não gostava, apoiou o golpe militar de 1964. Nesse período, a Folha de São Paulo serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exaltá-los e ao transportar para eles seus presos políticos até os centros de tortura do regime.
No dia 21 de setembro de 1971, a Ação Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os responsáveis acusavam o dono do jornal de emprestar os veículos para transporte de presos políticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira página no dia seguinte, sob o título “Banditismo”.
Eis um trecho do texto:
“Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. [...] Um país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.” (Editorial: Banditismo – publicado em 22 de setembro de 1971; Octavio Frias de Oliveira).
O presidente da República de então era Emílio Garrastazu Médici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o período mais duro da ditadura militar. Foi a época do auge das prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos de esquerda pelo regime.
Apesar dos elogios de Frias de Oliveira à ditadura, segundo a Fundação Getúlio Vargas foi no governo Médici que a miséria e a concentração de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo no período, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
O uso político que o jornal Folha de São Paulo começou a fazer neste sábado das desculpas da ditadura para prender e torturar impiedosamente uma garota de 19 anos que lutava para libertar seu país do regime de exceção constitui-se, portanto, em uma vingança póstuma de um homem que dedicou sua vida à uma luta incessante contra a democracia, obviamente por acreditar que o povo não sabia votar.
Blog da Cidadania:
O homem fardado e a declaração na foto acima correspondem a Otávio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal Folha de São Paulo. Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas explicam por que seu herdeiro Otavio Frias Filho, o “Otavinho”, foi resgatar em arquivos dos órgãos de repressão da ditadura militar as desculpas usadas por esta para prender e torturar Dilma Vana Rousseff, a presidente eleita do Brasil.
Frias de Oliveira lutou na Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Getúlio Vargas. Coerente com seu apreço pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais não gostava, apoiou o golpe militar de 1964. Nesse período, a Folha de São Paulo serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exaltá-los e ao transportar para eles seus presos políticos até os centros de tortura do regime.
No dia 21 de setembro de 1971, a Ação Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os responsáveis acusavam o dono do jornal de emprestar os veículos para transporte de presos políticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira página no dia seguinte, sob o título “Banditismo”.
Eis um trecho do texto:
“Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. [...] Um país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.” (Editorial: Banditismo – publicado em 22 de setembro de 1971; Octavio Frias de Oliveira).
O presidente da República de então era Emílio Garrastazu Médici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o período mais duro da ditadura militar. Foi a época do auge das prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos de esquerda pelo regime.
Apesar dos elogios de Frias de Oliveira à ditadura, segundo a Fundação Getúlio Vargas foi no governo Médici que a miséria e a concentração de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo no período, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
O uso político que o jornal Folha de São Paulo começou a fazer neste sábado das desculpas da ditadura para prender e torturar impiedosamente uma garota de 19 anos que lutava para libertar seu país do regime de exceção constitui-se, portanto, em uma vingança póstuma de um homem que dedicou sua vida à uma luta incessante contra a democracia, obviamente por acreditar que o povo não sabia votar.
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O homem fardado e a declaração na foto acima correspondem a Otávio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal Folha de São Paulo. Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas explicam por que seu herdeiro Otavio Frias Filho, o “Otavinho”, foi resgatar em arquivos dos órgãos de repressão da ditadura militar as desculpas usadas por esta para prender e torturar Dilma Vana Rousseff, a presidente eleita do Brasil.
Frias de Oliveira lutou na Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Getúlio Vargas. Coerente com seu apreço pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais não gostava, apoiou o golpe militar de 1964. Nesse período, a Folha de São Paulo serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exaltá-los e ao transportar para eles seus presos políticos até os centros de tortura do regime.
No dia 21 de setembro de 1971, a Ação Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os responsáveis acusavam o dono do jornal de emprestar os veículos para transporte de presos políticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira página no dia seguinte, sob o título “Banditismo”.
Eis um trecho do texto:
“Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. [...] Um país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.” (Editorial: Banditismo – publicado em 22 de setembro de 1971; Octavio Frias de Oliveira).
O presidente da República de então era Emílio Garrastazu Médici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o período mais duro da ditadura militar. Foi a época do auge das prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos de esquerda pelo regime.
Apesar dos elogios de Frias de Oliveira à ditadura, segundo a Fundação Getúlio Vargas foi no governo Médici que a miséria e a concentração de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo no período, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
O uso político que o jornal Folha de São Paulo começou a fazer neste sábado das desculpas da ditadura para prender e torturar impiedosamente uma garota de 19 anos que lutava para libertar seu país do regime de exceção constitui-se, portanto, em uma vingança póstuma de um homem que dedicou sua vida à uma luta incessante contra a democracia, obviamente por acreditar que o povo não sabia votar.
Blog da Cidadania:
O homem fardado e a declaração na foto acima correspondem a Otávio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal Folha de São Paulo. Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas explicam por que seu herdeiro Otavio Frias Filho, o “Otavinho”, foi resgatar em arquivos dos órgãos de repressão da ditadura militar as desculpas usadas por esta para prender e torturar Dilma Vana Rousseff, a presidente eleita do Brasil.
Frias de Oliveira lutou na Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Getúlio Vargas. Coerente com seu apreço pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais não gostava, apoiou o golpe militar de 1964. Nesse período, a Folha de São Paulo serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exaltá-los e ao transportar para eles seus presos políticos até os centros de tortura do regime.
No dia 21 de setembro de 1971, a Ação Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os responsáveis acusavam o dono do jornal de emprestar os veículos para transporte de presos políticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira página no dia seguinte, sob o título “Banditismo”.
Eis um trecho do texto:
“Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. [...] Um país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.” (Editorial: Banditismo – publicado em 22 de setembro de 1971; Octavio Frias de Oliveira).
O presidente da República de então era Emílio Garrastazu Médici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o período mais duro da ditadura militar. Foi a época do auge das prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos de esquerda pelo regime.
Apesar dos elogios de Frias de Oliveira à ditadura, segundo a Fundação Getúlio Vargas foi no governo Médici que a miséria e a concentração de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo no período, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
O uso político que o jornal Folha de São Paulo começou a fazer neste sábado das desculpas da ditadura para prender e torturar impiedosamente uma garota de 19 anos que lutava para libertar seu país do regime de exceção constitui-se, portanto, em uma vingança póstuma de um homem que dedicou sua vida à uma luta incessante contra a democracia, obviamente por acreditar que o povo não sabia votar.
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mídia que ajudou a ditadura agora "revela " que "Dilma tinha código de acesso a arsenal usado por guerrilha "
Revelação foi feita em 1970 sob tortura por ex-colega da petista na luta armada e confirmada por ele em entrevista
Grupo VAR-Palmares guardava em imóvel 58 fuzis e 4 metralhadoras; armamento foi roubado de batalhão do ABC
MATHEUS LEITÃO
LUCAS FERRAZ
DE BRASÍLIA
A presidente eleita, Dilma Rousseff, zelava, junto com outros dois militantes, pelo arsenal da VAR-Palmares, organização que combateu a ditadura militar (1964-1985).
Entre os armamentos, havia 58 fuzis Mauser, 4 metralhadoras Ina, 2 revólveres, 3 carabinas, 3 latas de pólvora, 10 bombas de efeito moral, 100 gramas de clorofórmio, 1 rojão de fabricação caseira, 4 latas de "dinamite granulada" e 30 frascos com substâncias para "confecção de matérias explosivas", como ácido nítrico. Além de caixas com centenas de munições.
A descrição consta do processo que a ditadura abriu contra Dilma e seus colegas nos anos 70. A Folha teve acesso a uma cópia do documento. Com tarja de "reservado", até anteontem ele estava trancado nos cofres do Superior Tribunal Militar.
Trata-se de depoimento dado em março de 1970 por João Batista de Sousa, militante do mesmo grupo de guerrilha do qual Dilma foi dirigente.
Sob tortura, ele revelou detalhes do arsenal reunido para combater a repressão e disse que Dilma tinha recebido a senha para acessá-lo.
Quarenta anos depois, Sousa confirmou à Folha o que havia dito aos policiais -e deu mais detalhes.
Dilma já havia admitido, em entrevista à Folha em fevereiro, que na juventude fez treinamento com armas de fogo. O documento do STM, porém, é a primeira peça que a vincula diretamente à ação armada durante a ditadura.
Procurada pela Folha, a presidente eleita não quis falar sobre o assunto.
O armamento foi roubado do 10º Batalhão da Força Pública do Estado de São Paulo em São Caetano do Sul (SP), de acordo com o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).
A ação ocorreu em junho de 1969, mês em que as organizações VPR e Colina se fundiram na VAR-Palmares.
Sousa disse que foi responsável por guardar o arsenal após a fusão. Com medo de ser preso, fez um "código" com o endereço do "aparelho" -como eram chamados os apartamentos onde militantes se escondiam.
Para sua própria segurança e do arsenal, Sousa dividiu o endereço do "aparelho" em Santo André (SP) em duas partes.
Assim, só duas pessoas juntas poderiam saber onde estavam as armas. Uma parte da informação foi entregue a Dilma, codinome "Luisa". A outra, passada a Antonio Carlos Melo Pereira, guerrilheiro anistiado pelo governo depois de morrer.
O documento registra assim a informação: "Que, tal código, entregou a "Tadeu" e "Luisa", sendo que deu a cada um uma parte e apenas a junção das duas partes é que poderia o mencionado código ser decifrado".
"Fiz isso para que Dilma, minha chefe na VAR, pudesse encontrar as armas", diz, hoje, Sousa.
Tido pelos colegas como um dos mais corajosos da VAR-Palmares, Sousa afirma ter sido torturado por mais de 20 dias. Ficou quatro anos preso e, hoje, pede indenização ao governo federal.
Aposentado, depois de trabalhar como relações públicas e com assistência técnica para carros no interior de São Paulo, ele diz ter votado em Dilma. Na entrevista, chamou a presidente eleita de "minha coordenadora".
"PONTOS"
Sousa contou que tinha três "pontos" -como eram chamados os locais e horas de encontro na clandestinidade- com Dilma nos dias seguintes à sua prisão. Mas disse que não entregou as datas e endereços durante as sessões de tortura -inclusive com choques elétricos na "cadeira do dragão".
Sousa participou de operações armadas, como assaltos a bancos e mercados. "Informava todas as ações para Dilma com três dias de antecedência", declarou.
Com a "dinamite granulada", por exemplo, ele afirma ter feito bombas com canos de água "cortados no tamanho de quatro polegadas, com pregos dentro".
Quando 18 militares à paisana cercaram seu "aparelho", Sousa os recebeu com rajadas de metralhadoras e com as bombas caseiras. Um militar ficou ferido.
Os agentes conseguiram uma trégua após duas horas de intenso tiroteio.
Sousa diz que, meses depois, Dilma contou a ele que, quando ele não apareceu nos encontros previstos, ela usou o código para pegar o arsenal: Dilma e Melo encontraram a casa perfurada de balas e a rua semelhante a uma trincheira de guerra, com enormes buracos.
O depoimento registra 13 bombas jogadas contra os militares. Com um vizinho, Dilma e Melo descobriram que o companheiro esquerdista havia sido levado vivo pela repressão.
Grupo VAR-Palmares guardava em imóvel 58 fuzis e 4 metralhadoras; armamento foi roubado de batalhão do ABC
MATHEUS LEITÃO
LUCAS FERRAZ
DE BRASÍLIA
A presidente eleita, Dilma Rousseff, zelava, junto com outros dois militantes, pelo arsenal da VAR-Palmares, organização que combateu a ditadura militar (1964-1985).
Entre os armamentos, havia 58 fuzis Mauser, 4 metralhadoras Ina, 2 revólveres, 3 carabinas, 3 latas de pólvora, 10 bombas de efeito moral, 100 gramas de clorofórmio, 1 rojão de fabricação caseira, 4 latas de "dinamite granulada" e 30 frascos com substâncias para "confecção de matérias explosivas", como ácido nítrico. Além de caixas com centenas de munições.
A descrição consta do processo que a ditadura abriu contra Dilma e seus colegas nos anos 70. A Folha teve acesso a uma cópia do documento. Com tarja de "reservado", até anteontem ele estava trancado nos cofres do Superior Tribunal Militar.
Trata-se de depoimento dado em março de 1970 por João Batista de Sousa, militante do mesmo grupo de guerrilha do qual Dilma foi dirigente.
Sob tortura, ele revelou detalhes do arsenal reunido para combater a repressão e disse que Dilma tinha recebido a senha para acessá-lo.
Quarenta anos depois, Sousa confirmou à Folha o que havia dito aos policiais -e deu mais detalhes.
Dilma já havia admitido, em entrevista à Folha em fevereiro, que na juventude fez treinamento com armas de fogo. O documento do STM, porém, é a primeira peça que a vincula diretamente à ação armada durante a ditadura.
Procurada pela Folha, a presidente eleita não quis falar sobre o assunto.
O armamento foi roubado do 10º Batalhão da Força Pública do Estado de São Paulo em São Caetano do Sul (SP), de acordo com o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).
A ação ocorreu em junho de 1969, mês em que as organizações VPR e Colina se fundiram na VAR-Palmares.
Sousa disse que foi responsável por guardar o arsenal após a fusão. Com medo de ser preso, fez um "código" com o endereço do "aparelho" -como eram chamados os apartamentos onde militantes se escondiam.
Para sua própria segurança e do arsenal, Sousa dividiu o endereço do "aparelho" em Santo André (SP) em duas partes.
Assim, só duas pessoas juntas poderiam saber onde estavam as armas. Uma parte da informação foi entregue a Dilma, codinome "Luisa". A outra, passada a Antonio Carlos Melo Pereira, guerrilheiro anistiado pelo governo depois de morrer.
O documento registra assim a informação: "Que, tal código, entregou a "Tadeu" e "Luisa", sendo que deu a cada um uma parte e apenas a junção das duas partes é que poderia o mencionado código ser decifrado".
"Fiz isso para que Dilma, minha chefe na VAR, pudesse encontrar as armas", diz, hoje, Sousa.
Tido pelos colegas como um dos mais corajosos da VAR-Palmares, Sousa afirma ter sido torturado por mais de 20 dias. Ficou quatro anos preso e, hoje, pede indenização ao governo federal.
Aposentado, depois de trabalhar como relações públicas e com assistência técnica para carros no interior de São Paulo, ele diz ter votado em Dilma. Na entrevista, chamou a presidente eleita de "minha coordenadora".
"PONTOS"
Sousa contou que tinha três "pontos" -como eram chamados os locais e horas de encontro na clandestinidade- com Dilma nos dias seguintes à sua prisão. Mas disse que não entregou as datas e endereços durante as sessões de tortura -inclusive com choques elétricos na "cadeira do dragão".
Sousa participou de operações armadas, como assaltos a bancos e mercados. "Informava todas as ações para Dilma com três dias de antecedência", declarou.
Com a "dinamite granulada", por exemplo, ele afirma ter feito bombas com canos de água "cortados no tamanho de quatro polegadas, com pregos dentro".
Quando 18 militares à paisana cercaram seu "aparelho", Sousa os recebeu com rajadas de metralhadoras e com as bombas caseiras. Um militar ficou ferido.
Os agentes conseguiram uma trégua após duas horas de intenso tiroteio.
Sousa diz que, meses depois, Dilma contou a ele que, quando ele não apareceu nos encontros previstos, ela usou o código para pegar o arsenal: Dilma e Melo encontraram a casa perfurada de balas e a rua semelhante a uma trincheira de guerra, com enormes buracos.
O depoimento registra 13 bombas jogadas contra os militares. Com um vizinho, Dilma e Melo descobriram que o companheiro esquerdista havia sido levado vivo pela repressão.
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