12 de novembro de 2010 às 10:23h
Quase toda a imprensa usou mapas coloridos nas representações dos resultados da eleição presidencial. E, por razões evidentes, foi consenso pintar de vermelho os estados onde Dilma Rousseff ganhou e de azul aqueles em que José Serra se saiu melhor.
É um procedimento que ajuda a visualizar o que aconteceu, mas que leva a diversos equívocos. O mais grave é dar a impressão de que fomos “dois Brasis” na eleição: na metade- de baixo (Sul, Sudeste e Centro-Oeste), predominando o azul e, na de cima (Nordeste e Norte), o vermelho.
Como todo mundo sabe que a parte azul é mais rica e moderna e a vermelha mais pobre e atrasada, a impressão provocada por mapas desse tipo é de que o Brasil desenvolvido foi derrotado pelo subdesenvolvido. Se dependesse do primeiro, Serra seria o presidente. Inversamente, dos mapas emerge a conclusão de que Dilma venceu à custa da pobreza.
Mas é possível ir adiante nessa cartografia, buscando os matizes de cada cor. Por meio deles podemos identificar os nichos mais típicos de cada candidato, os lugares onde o azul é mais azul e o vermelho mais vermelho. É neles que o serrismo e o dilmismo atingiram seu auge e sua essência ficou mais clara.
Os da presidente eleita são fáceis de antecipar: Dilma alcançou seu máximo nos bolsões de extrema pobreza do interior do Nordeste. Lá, onde o Bolsa Família cobre quase toda a população, ela ultrapassou 90% dos votos, esmagando o adversário.
Que bela e convincente maneira de demonstrar que, quanto maior a pobreza, maior a derrota de Serra, maior a vitória do “paternalismo” sobre a “modernidade”, do analfabeto sobre o educado. O que deixa o quadro menos arrumado e complica a versão fácil que empolga os setores conservadores é que o serrismo tem uma geografia que desafia essa explicação. Pois, se o vermelho se acentua de forma previsível, o azul fica mais carregado em lugares inesperados. Em outras palavras, o voto Serra chegou ao ápice em municípios e regiões que de modernos e educados não têm nada.
São várias as explicações para o fato de o Acre ter sido o paraíso do serrismo. Não foi em São Paulo, onde ninguém estranharia que vencesse por larga margem, nem nas partes mais tradicionais do País que ele teve sua melhor performance. Foi lá, longe do “Sul Maravilha”, que Serra obteve mais que o dobro dos votos da petista, venceu em todos os municípios (salvo em Feijó) e está o município mais serrista do Brasil, Porto Acre, cidade miserável e de baixos níveis de escolaridade, onde suplantou Dilma por uma vantagem amazônica.
A versão mais corrente é que o petismo acriano seria responsável pela catástrofe. Depois de 12 anos no poder, o eleitorado teria mostrado, pelo voto em Serra, sua insatisfação com os irmãos Viana e seu grupo. Hipotéticas evidências são arroladas para sustentar a tese, desde desgastes com o funcionalismo público estadual a críticas ao modo como dialogam com a mídia.
O problema desse raciocínio é que tanto Tião Viana se elegeu governador quanto Jorge Viana senador. Ou seja, os acrianos teriam se comportado de maneira totalmente esdrúxula: para protestar contra os dois, os elegeram, mas derrotaram a candidata a presidente que apoiavam. Não seria muito mais lógico impedir que continuassem a administrar o estado?
Para complicar o “mistério acriano” e colocar sob suspeita as explicações localistas, Marina Silva também perdeu para Serra, apesar de “filha da terra”. E, em outros estados do “corredor do agronegócio”, houve vários resultados que sugerem que a avaliação de quem apoiava Dilma não teve efeito no voto que ela recebeu. Blairo Maggi, por exemplo, foi um dos campeões de voto para o Senado, elegeu seu candidato ao governo do Mato Grosso, mas viu Dilma perder.
Não foram fatos locais que explicaram o que aconteceu no Acre e nos demais estados vencidos pelo tucano. Também não foi uma oposição “Brasil moderno” vs. “Brasil arcaico”, como ilustram amplamente os casos do Acre e de Porto Acre. Não foi a educação que deu votos a Serra e a ignorância a Dilma.
Serra venceu onde venceu por fatores ideológicos (exceção de São Paulo, onde o bairrismo teve influência). Não foi um voto explicado pela sociologia (ou a geografia), mas pela política.
No Brasil inteiro, foi basicamente o eleitor antipetista, em mui-tos casos anticonservacionista, anti-indigenista e “antimovimentos sociais”, a favor da “agenda moral” e dos “valores tradicionais” que votou em Serra. Foi o eleitor de direita. No Sul e no Centro-Oeste, chegando ao Acre e a Roraima, ele era maioria, ainda que pequena. Por isso, Serra venceu nessas regiões. E perdeu no País, onde esse voto é minoria.
O predomínio do voto de direita no Acre é algo que merece estudo. Mas o certo é que Tião e Jorge Viana estão de parabéns pela vitória que tiveram em um estado que se inclinou tanto nessa direção. Sua votação mostra que, apesar disso, o eleitorado do Acre reconhece o trabalho que fizeram em benefício do estado.
Marcos Coimbra
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Maria Victoria Benevides - "Lula não poderá ser sombra de Dilma"
Reproduzo entrevista da socióloga Maria Victoria Benevides, publicada na revista IstoÉ:
Aos 68 anos, Maria Victoria Benevides é uma das mais importantes e independentes sociólogas do País. Professora titular da Escola de Educação da Universidade de São Paulo, ela estudou na França e nos Estados Unidos. Observadora atenta do cenário político brasileiro, Maria Victória tem dez livros publicados, entre eles “O Governo Kubitschek”, “A UDN e o Udenismo” e o “PTB e o Trabalhismo”.
É uma das pioneiras do estudo dos direitos humanos e, em 1986, recebeu do Conselho Nacional de Mulheres o título de Mulher do Ano na área de ciência política.
Tem participado dos debates públicos sobre a reforma política, com ênfase nos instrumentos de democracia direta. Participou dos debates de fundação do PT, mas se afastou do partido em 2005, e nunca perdeu sua independência intelectual e acadêmica (*).
Maria Victoria faz críticas ao processo eleitoral e enumera os desafios que deverão ser enfrentados pela presidente eleita, Dilma Rousseff. “Num país ainda dominado por uma política machista e personalista, ter pela primeira vez uma mulher como presidente da República é uma grande novidade”, disse.
O maior desafio, entretanto, ainda está por vir. “Haverá sobre Dilma uma dupla cobrança. Assim como Lula dizia que não podia errar por ser um operário de origem pobre, ela não poderá errar exatamente pelo fato de ser mulher”, explica a socióloga.
A entrevista é de Claudio Dantas Sequeira e Sérgio Pardellas e publicada pela revista IstoÉ, no. 219, 05-11-2010. Eis a entrevista:
O que representa a vitória da Dilma Rousseff?
A primeira observação é bastante óbvia. A eleição de Dilma significa o apoio à continuidade do governo Lula. Ela foi a candidata de uma coligação partidária que é a base de apoio do governo e pessoalmente indicada pelo presidente como sua sucessora. Mas há uma especificidade nessa vitória: o fato de ser a primeira mulher presidente do Brasil, embora já tenha ocorrido em outros países europeus e latino-americanos, para nós é uma grande novidade. Ela terá um peso muito grande sobre si. Será cobrada como presidente e como mulher.
O fato de Dilma ser mulher embute uma cobrança maior?
Sim. A política brasileira não é apenas muito machista, mas também personalista. A própria Dilma, quando candidata, sempre se referiu a isso. Lula dizia que não podia errar por ser um operário, pau-de-arara, um nordestino de origem pobre que chegou a presidente do Brasil. Não podia errar e trair a confiança de todos que votaram nele e se identificaram com ele. Dilma, por sua vez, não poderá errar pelo fato de ser a primeira mulher.
A sra. acha que o presidente, assim que passar a faixa presidencial, deve se retirar da cena política?
Acho que Lula deve ser retirar sim, inclusive por respeito à presidente eleita e às regras republicanas e democráticas. Ele não pode ser uma sombra para a presidente. Lula terá ainda algum tempo na Presidência para fazer a transição da melhor maneira e, evidentemente, discutir com ela temas cruciais que serão herdados naturalmente. Há uma lista grande: reformas política, tributária, fundiária e agrária, toda a problemática do desenvolvimento sustentável e o agronegócio, assim como a revisão do processo de nomeação de novos membros do Supremo Tribunal Federal e o enfrentamento do poder hegemônico e sem controle dos meios de comunicação de massa.
Dilma terá condições de aglutinar os partidos para a aprovação das reformas?
As reformas não foram feitas porque o presidente Lula fosse contra seu conteúdo, mas porque eram mais difíceis na correlação de forças. O Lula não tinha a maioria que o novo governo terá no Congresso. Sua personalidade também é diferente, baseada na negociação e conciliação. Dilma deverá fugir do estilo de conciliação do presidente Lula, será mais favorável ao encaminhamento das reformas. Ela tem uma excelente relação com o PT. Não tem ligações com grupos envolvidos em disputas políticas. O papel dela será extremamente importante. Mas a sua equipe, o ministério e seu conselho político deverão ter um peso especial para redirecionar, de certa forma, a relação do Executivo com o Legislativo.
O PT, que agora é maioria na Câmara, terá mais responsabilidade nessa tarefa?
O partido certamente tem a obrigação de dividir com o presidente essa responsabilidade. Mas temos de lembrar que programa de um partido é uma coisa e programa de governo, outra. E isso terá que ser muito bem avaliado. Mas confio que o partido terá esse bom-senso, ainda mais porque as lideranças partidárias sabem perfeitamente que não ganharam sozinhas a eleição. Fizeram alianças e coligações. Vale lembrar que o Brasil é uma federação, em que o peso dos Estados conta e o resultado eleitoral mostra um mapa diferenciado de adesão à candidatura vitoriosa.
Diante do resultado fraco nas eleições, qual o caminho para a oposição? PSDB e DEM devem ficar unidos?
Durante os oito anos do governo FHC, eles estiveram unidos. Essa aliança se repetiu agora, e é muito forte em São Paulo, Minas e alguns Estados do Nordeste e do Sul. Então, vejo PSDB-DEM como uma unidade, o que lamento. Acho que seria importante para o Brasil ter uma oposição crítica, que fiscalize e controle, e uma social-democracia autêntica, o que infelizmente não temos. A oposição vai partir para uma linha mais aguerrida e vai dar muito trabalho dentro e fora do Congresso. Essa oposição pode ter perdido as eleições, mas não perdeu necessariamente seu espaço na sociedade. Com raríssimas exceções, toda a chamada grande imprensa apoiou a candidatura PSDB-DEM.
Aécio Neves tem a capacidade de circular não só na oposição, mas também entre os partidos governistas Qual será o papel dele a partir de agora?
Aécio é um nome natural para 2014. É um candidato que já demonstrou que tem em primeiríssimo lugar a sua carreira pes¬soal. Haja visto seu comportamento durante todo o primeiro turno das eleições presidenciais, quando não participou da campanha de José Serra. Tanto por sua própria vontade como por seus desacertos com o Serra e a cúpula paulista do PSDB. Vejo o ex-governador Aécio como um político jovem que vai se dedicar daqui para a frente a assumir um papel de oposição a outro político jovem que se destacou muito nessas últimas eleições, que é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Quer dizer, temos de um lado o neto de Miguel Arraes e de outro o neto de Tancredo Neves, como jovens políticos que têm o objetivo legítimo de se candidatar aos cargos mais elevados.
Eles representam uma nova forma de fazer política ou reproduzem a tradição de seus avós?
Isso eu não saberia dizer. Pelo que conheço de Arraes e Tancredo, nenhum de seus netos tem o mesmo estilo de fazer política, simplesmente porque o Brasil e o mundo mudaram muito. É claro que o nome da família continua forte, mas o aproveitamento é só dessa tradição.
Aécio, Eduardo Campos e a própria Dilma se destacam pela boa gestão. Estamos diante de uma nova geração de políticos com perfil mais técnico?
Se for isso, eu lamentarei muito. Porque um político, ainda mais num cargo executivo elevado, como presidente da República ou governador de Estado, não é principalmente um gestor. Ele tem que ter uma equipe que seja competente, eficiente e moderna, para melhor aproveitar os recursos materiais e humanos disponíveis. Mas o político, acima de tudo, é político. Tem o compromisso com o interesse público em torno de princípios e principalmente na definição de prioridades. Costumo dizer a meus alunos que se votar para presidente, para governador, para prefeito se resumisse na escolha do melhor gerente, não precisaríamos de uma eleição, mas de um concurso público.
Com os 20 milhões de votos obtidos no primeiro turno, Marina Silva se consolida como alternativa política para o futuro?
Não. Política é muito mais do que um nicho eleitoral. Ela tem uma história de vida maravilhosa, tem compromisso ético e agregou muito ao debate com a questão ambiental. Mas em termos de grande política, seu programa é claramente insuficiente, assim como sua agilidade política para perceber quando e como agir. Considero, por exemplo, bastante ruim, do ponto de vista político, ela não ter definido uma posição para o segundo turno. Fica muito difícil entender essa posição de neutralidade. Isso não existe na política.
É viável o retorno do presidente Lula em 2014?
Nenhum presidente saiu do governo com um apoio de 80% da população. Então, é perfeitamente legítimo que haja a proposta de uma volta. Mas a nova presidente tem o direito de tentar a reeleição. E seria uma falta de respeito com Dilma extirpar radicalmente essa hipótese.
Considerando a guerra suja travada especialmente no segundo turno e as confusões em torno da Lei da Ficha Limpa, que lições se pode tirar da campanha?
No Brasil ainda há um subdesenvolvimento político muito grande, especialmente em termos de conscientização e entendimento do que é participar politicamente. Nossa democracia participativa ainda é muito incipiente, embora tenha dado um exemplo eloquente com a campanha da Ficha Limpa. Além disso, temos de entender o peso da religiosidade na mentalidade do brasileiro. PSDB e DEM se aproveitaram sordidamente dessa religiosidade do povo brasileiro e uma parte da Igreja Católica se comportou de maneira ignóbil. Temas de foro íntimo, de moral privada e de religião não podem ser explorados politicamente nas campanhas eleitorais. O aborto, por exemplo, é uma questão de saúde pública.
*****
(*) Após a publicação da entrevista, a professora enviou esclarecimento importante para sua lista de emails:
"Venho informar que, ao contrário do que aparece na apresentação de minha entrevista à revista IstoÉ, não me afastei do PT, embora tenha sofrido muito com a crise de 2005. Pertenço à corrente Mensagem ao Partido, liderada por Tarso Genro, Paulo Vannuchi, Fernando Haddad, José Eduardo Cardoso,Carlos Neder, Zilah Abramo, André Singer, entre outros.
Favor divulgar,
Abraços, Maria Victoria Benevides"
Aos 68 anos, Maria Victoria Benevides é uma das mais importantes e independentes sociólogas do País. Professora titular da Escola de Educação da Universidade de São Paulo, ela estudou na França e nos Estados Unidos. Observadora atenta do cenário político brasileiro, Maria Victória tem dez livros publicados, entre eles “O Governo Kubitschek”, “A UDN e o Udenismo” e o “PTB e o Trabalhismo”.
É uma das pioneiras do estudo dos direitos humanos e, em 1986, recebeu do Conselho Nacional de Mulheres o título de Mulher do Ano na área de ciência política.
Tem participado dos debates públicos sobre a reforma política, com ênfase nos instrumentos de democracia direta. Participou dos debates de fundação do PT, mas se afastou do partido em 2005, e nunca perdeu sua independência intelectual e acadêmica (*).
Maria Victoria faz críticas ao processo eleitoral e enumera os desafios que deverão ser enfrentados pela presidente eleita, Dilma Rousseff. “Num país ainda dominado por uma política machista e personalista, ter pela primeira vez uma mulher como presidente da República é uma grande novidade”, disse.
O maior desafio, entretanto, ainda está por vir. “Haverá sobre Dilma uma dupla cobrança. Assim como Lula dizia que não podia errar por ser um operário de origem pobre, ela não poderá errar exatamente pelo fato de ser mulher”, explica a socióloga.
A entrevista é de Claudio Dantas Sequeira e Sérgio Pardellas e publicada pela revista IstoÉ, no. 219, 05-11-2010. Eis a entrevista:
O que representa a vitória da Dilma Rousseff?
A primeira observação é bastante óbvia. A eleição de Dilma significa o apoio à continuidade do governo Lula. Ela foi a candidata de uma coligação partidária que é a base de apoio do governo e pessoalmente indicada pelo presidente como sua sucessora. Mas há uma especificidade nessa vitória: o fato de ser a primeira mulher presidente do Brasil, embora já tenha ocorrido em outros países europeus e latino-americanos, para nós é uma grande novidade. Ela terá um peso muito grande sobre si. Será cobrada como presidente e como mulher.
O fato de Dilma ser mulher embute uma cobrança maior?
Sim. A política brasileira não é apenas muito machista, mas também personalista. A própria Dilma, quando candidata, sempre se referiu a isso. Lula dizia que não podia errar por ser um operário, pau-de-arara, um nordestino de origem pobre que chegou a presidente do Brasil. Não podia errar e trair a confiança de todos que votaram nele e se identificaram com ele. Dilma, por sua vez, não poderá errar pelo fato de ser a primeira mulher.
A sra. acha que o presidente, assim que passar a faixa presidencial, deve se retirar da cena política?
Acho que Lula deve ser retirar sim, inclusive por respeito à presidente eleita e às regras republicanas e democráticas. Ele não pode ser uma sombra para a presidente. Lula terá ainda algum tempo na Presidência para fazer a transição da melhor maneira e, evidentemente, discutir com ela temas cruciais que serão herdados naturalmente. Há uma lista grande: reformas política, tributária, fundiária e agrária, toda a problemática do desenvolvimento sustentável e o agronegócio, assim como a revisão do processo de nomeação de novos membros do Supremo Tribunal Federal e o enfrentamento do poder hegemônico e sem controle dos meios de comunicação de massa.
Dilma terá condições de aglutinar os partidos para a aprovação das reformas?
As reformas não foram feitas porque o presidente Lula fosse contra seu conteúdo, mas porque eram mais difíceis na correlação de forças. O Lula não tinha a maioria que o novo governo terá no Congresso. Sua personalidade também é diferente, baseada na negociação e conciliação. Dilma deverá fugir do estilo de conciliação do presidente Lula, será mais favorável ao encaminhamento das reformas. Ela tem uma excelente relação com o PT. Não tem ligações com grupos envolvidos em disputas políticas. O papel dela será extremamente importante. Mas a sua equipe, o ministério e seu conselho político deverão ter um peso especial para redirecionar, de certa forma, a relação do Executivo com o Legislativo.
O PT, que agora é maioria na Câmara, terá mais responsabilidade nessa tarefa?
O partido certamente tem a obrigação de dividir com o presidente essa responsabilidade. Mas temos de lembrar que programa de um partido é uma coisa e programa de governo, outra. E isso terá que ser muito bem avaliado. Mas confio que o partido terá esse bom-senso, ainda mais porque as lideranças partidárias sabem perfeitamente que não ganharam sozinhas a eleição. Fizeram alianças e coligações. Vale lembrar que o Brasil é uma federação, em que o peso dos Estados conta e o resultado eleitoral mostra um mapa diferenciado de adesão à candidatura vitoriosa.
Diante do resultado fraco nas eleições, qual o caminho para a oposição? PSDB e DEM devem ficar unidos?
Durante os oito anos do governo FHC, eles estiveram unidos. Essa aliança se repetiu agora, e é muito forte em São Paulo, Minas e alguns Estados do Nordeste e do Sul. Então, vejo PSDB-DEM como uma unidade, o que lamento. Acho que seria importante para o Brasil ter uma oposição crítica, que fiscalize e controle, e uma social-democracia autêntica, o que infelizmente não temos. A oposição vai partir para uma linha mais aguerrida e vai dar muito trabalho dentro e fora do Congresso. Essa oposição pode ter perdido as eleições, mas não perdeu necessariamente seu espaço na sociedade. Com raríssimas exceções, toda a chamada grande imprensa apoiou a candidatura PSDB-DEM.
Aécio Neves tem a capacidade de circular não só na oposição, mas também entre os partidos governistas Qual será o papel dele a partir de agora?
Aécio é um nome natural para 2014. É um candidato que já demonstrou que tem em primeiríssimo lugar a sua carreira pes¬soal. Haja visto seu comportamento durante todo o primeiro turno das eleições presidenciais, quando não participou da campanha de José Serra. Tanto por sua própria vontade como por seus desacertos com o Serra e a cúpula paulista do PSDB. Vejo o ex-governador Aécio como um político jovem que vai se dedicar daqui para a frente a assumir um papel de oposição a outro político jovem que se destacou muito nessas últimas eleições, que é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Quer dizer, temos de um lado o neto de Miguel Arraes e de outro o neto de Tancredo Neves, como jovens políticos que têm o objetivo legítimo de se candidatar aos cargos mais elevados.
Eles representam uma nova forma de fazer política ou reproduzem a tradição de seus avós?
Isso eu não saberia dizer. Pelo que conheço de Arraes e Tancredo, nenhum de seus netos tem o mesmo estilo de fazer política, simplesmente porque o Brasil e o mundo mudaram muito. É claro que o nome da família continua forte, mas o aproveitamento é só dessa tradição.
Aécio, Eduardo Campos e a própria Dilma se destacam pela boa gestão. Estamos diante de uma nova geração de políticos com perfil mais técnico?
Se for isso, eu lamentarei muito. Porque um político, ainda mais num cargo executivo elevado, como presidente da República ou governador de Estado, não é principalmente um gestor. Ele tem que ter uma equipe que seja competente, eficiente e moderna, para melhor aproveitar os recursos materiais e humanos disponíveis. Mas o político, acima de tudo, é político. Tem o compromisso com o interesse público em torno de princípios e principalmente na definição de prioridades. Costumo dizer a meus alunos que se votar para presidente, para governador, para prefeito se resumisse na escolha do melhor gerente, não precisaríamos de uma eleição, mas de um concurso público.
Com os 20 milhões de votos obtidos no primeiro turno, Marina Silva se consolida como alternativa política para o futuro?
Não. Política é muito mais do que um nicho eleitoral. Ela tem uma história de vida maravilhosa, tem compromisso ético e agregou muito ao debate com a questão ambiental. Mas em termos de grande política, seu programa é claramente insuficiente, assim como sua agilidade política para perceber quando e como agir. Considero, por exemplo, bastante ruim, do ponto de vista político, ela não ter definido uma posição para o segundo turno. Fica muito difícil entender essa posição de neutralidade. Isso não existe na política.
É viável o retorno do presidente Lula em 2014?
Nenhum presidente saiu do governo com um apoio de 80% da população. Então, é perfeitamente legítimo que haja a proposta de uma volta. Mas a nova presidente tem o direito de tentar a reeleição. E seria uma falta de respeito com Dilma extirpar radicalmente essa hipótese.
Considerando a guerra suja travada especialmente no segundo turno e as confusões em torno da Lei da Ficha Limpa, que lições se pode tirar da campanha?
No Brasil ainda há um subdesenvolvimento político muito grande, especialmente em termos de conscientização e entendimento do que é participar politicamente. Nossa democracia participativa ainda é muito incipiente, embora tenha dado um exemplo eloquente com a campanha da Ficha Limpa. Além disso, temos de entender o peso da religiosidade na mentalidade do brasileiro. PSDB e DEM se aproveitaram sordidamente dessa religiosidade do povo brasileiro e uma parte da Igreja Católica se comportou de maneira ignóbil. Temas de foro íntimo, de moral privada e de religião não podem ser explorados politicamente nas campanhas eleitorais. O aborto, por exemplo, é uma questão de saúde pública.
*****
(*) Após a publicação da entrevista, a professora enviou esclarecimento importante para sua lista de emails:
"Venho informar que, ao contrário do que aparece na apresentação de minha entrevista à revista IstoÉ, não me afastei do PT, embora tenha sofrido muito com a crise de 2005. Pertenço à corrente Mensagem ao Partido, liderada por Tarso Genro, Paulo Vannuchi, Fernando Haddad, José Eduardo Cardoso,Carlos Neder, Zilah Abramo, André Singer, entre outros.
Favor divulgar,
Abraços, Maria Victoria Benevides"
cartacapital - Dois pesos e duas medidas
Coluna do Leitor
9 de novembro de 2010 às 9:50h
Por Marcelo Borges*
Os que criticam a alegada inexperiência política de Dilma, afirmando sua incapacidade de governar, são exatamente os mesmos que rendem homenagens e elogios à competência administrativa do governador eleito, Antônio Anastasia. Alguém que, como todos sabem, desempenhou funções tão técnicas nos dois mandatos do governo atual de Minas, quanto nossa presidente durante a Casa Civil.
Também fala-se por aí da influência exacerbada que o presidente Lula pode ter na gestão de Dilma, prejudicando a democracia e fragilizando a autonomia de sua sucessora. No final de semana, véspera da votação, recebi várias mensagens de telemarketing na secretária eletrônica perguntando se “Dilma dá conta do recado sem o Lula”.
Para início de conversa Dilma não é garota de recado. E para as tantas leituras que se pode dar a esta pergunta, no mínimo rasteira, é que a oposição apoia-se na ideia de que Dilma é inexperiente, ou que ela é mera construção de Lula. Porém, mais que isso, talvez a motivação para essa pergunta, que se alimenta de profundos preconceitos inconfessos de nossa sociedade, é desqualificar nossa presidente eleita com a sugestão de que a mulher não tem nenhum poder sem um homem que lhe dê respaldo. O preconceito subliminar dessa pergunta reforça a justificativa de que Dilma é incapaz porque a mulher só tem condições de atuar se tiver um homem para garanti-la. Machismos? Fique a conclusão a cargo de quem lê.
Além disso, afirma-se inclusive que, construir um governo à sombra do líder que a antecedeu, fará do mandato de Dilma uma espécie de remendo entre os 8 anos de Lula e sua hipotética tentativa de retorno como presidente ao Planalto. Ou seja, mais uma vez Dilma, a mulher, é vista como uma auxiliar, alguém inferior ao homem e que só teria importância na medida em que viabiliza os objetivos de Lula. Nessa leitura não é concedida nenhuma capacidade de agir e pensar por conta própria de parte da presidente eleita.
O curioso, mais uma vez, é que os analistas que levantam estas questões se esquecem de olhar para o próprio território, onde Anastasia enfrenta o mesmíssimo desafio de Dilma. Afinal é inegável o peso dos nomes de Aécio e de Lula, assim como a certeza de que a atuação política e a influência desses homens não acabará pela sua saída do executivo. Não importa quais sejam seus sucessores, se homens, se mulheres, gays ou mesmo o E.T. de Varginha. A desenvoltura política de Lula e de Aécio não obstrui o caminho de seus escolhidos na construção de grandes administrações com marca própria, tanto na instância federal quanto na estadual.
Afinal, se Anastasia pode, a mulher também pode.
*Marcelo Borges é designer gráfico formado na UEMG e mestrando em Artes Visuais na UFMG.
Coluna do Leitor
Este espaço do site de CartaCapital publica textos dos leitores, Sócios Capitais. As opiniões expressas aqui não refletem a opinião desta revista. Para participar, basta se cadastrar no espaço do Sócio Capital na home deste site.
9 de novembro de 2010 às 9:50h
Por Marcelo Borges*
Os que criticam a alegada inexperiência política de Dilma, afirmando sua incapacidade de governar, são exatamente os mesmos que rendem homenagens e elogios à competência administrativa do governador eleito, Antônio Anastasia. Alguém que, como todos sabem, desempenhou funções tão técnicas nos dois mandatos do governo atual de Minas, quanto nossa presidente durante a Casa Civil.
Também fala-se por aí da influência exacerbada que o presidente Lula pode ter na gestão de Dilma, prejudicando a democracia e fragilizando a autonomia de sua sucessora. No final de semana, véspera da votação, recebi várias mensagens de telemarketing na secretária eletrônica perguntando se “Dilma dá conta do recado sem o Lula”.
Para início de conversa Dilma não é garota de recado. E para as tantas leituras que se pode dar a esta pergunta, no mínimo rasteira, é que a oposição apoia-se na ideia de que Dilma é inexperiente, ou que ela é mera construção de Lula. Porém, mais que isso, talvez a motivação para essa pergunta, que se alimenta de profundos preconceitos inconfessos de nossa sociedade, é desqualificar nossa presidente eleita com a sugestão de que a mulher não tem nenhum poder sem um homem que lhe dê respaldo. O preconceito subliminar dessa pergunta reforça a justificativa de que Dilma é incapaz porque a mulher só tem condições de atuar se tiver um homem para garanti-la. Machismos? Fique a conclusão a cargo de quem lê.
Além disso, afirma-se inclusive que, construir um governo à sombra do líder que a antecedeu, fará do mandato de Dilma uma espécie de remendo entre os 8 anos de Lula e sua hipotética tentativa de retorno como presidente ao Planalto. Ou seja, mais uma vez Dilma, a mulher, é vista como uma auxiliar, alguém inferior ao homem e que só teria importância na medida em que viabiliza os objetivos de Lula. Nessa leitura não é concedida nenhuma capacidade de agir e pensar por conta própria de parte da presidente eleita.
O curioso, mais uma vez, é que os analistas que levantam estas questões se esquecem de olhar para o próprio território, onde Anastasia enfrenta o mesmíssimo desafio de Dilma. Afinal é inegável o peso dos nomes de Aécio e de Lula, assim como a certeza de que a atuação política e a influência desses homens não acabará pela sua saída do executivo. Não importa quais sejam seus sucessores, se homens, se mulheres, gays ou mesmo o E.T. de Varginha. A desenvoltura política de Lula e de Aécio não obstrui o caminho de seus escolhidos na construção de grandes administrações com marca própria, tanto na instância federal quanto na estadual.
Afinal, se Anastasia pode, a mulher também pode.
*Marcelo Borges é designer gráfico formado na UEMG e mestrando em Artes Visuais na UFMG.
Coluna do Leitor
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Lula: Eleição de Dilma reflete o alcance das políticas sociais e econômicas do governo
Na primeira edição do programa de rádio Café com o Presidente após as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a eleição de Dilma Rousseff representa o desejo de continuidade e reflete o alcance das políticas sociais e econômicas de seu governo.
“No nosso governo não teve nenhum segmento da sociedade que não ganhou. Os empresários ganharam, os trabalhadores ganharam, os mais pobres ganharam, os trabalhadores rurais ganharam. E eu acho que a sociedade inteira ganhou”, disse Lula, que classificou a eleição de Dilma como “uma vitória do bom senso”.
Lula disse que o clima de confronto com a oposição, acirrado durante o período eleitoral, tem que ser deixado para trás. “Não é que as pessoas que fizeram oposição durante a campanha deixem de ser oposição, pelo contrário, a oposição faz parte da consolidação do processo democrático. O que é importante é que a oposição seja feita de forma civilizada, de forma a fazer uma política madura.”
O Café com o Presidente havia sido suspenso durante a campanha pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido da coligação liderada pelo PSDB.
“No nosso governo não teve nenhum segmento da sociedade que não ganhou. Os empresários ganharam, os trabalhadores ganharam, os mais pobres ganharam, os trabalhadores rurais ganharam. E eu acho que a sociedade inteira ganhou”, disse Lula, que classificou a eleição de Dilma como “uma vitória do bom senso”.
Lula disse que o clima de confronto com a oposição, acirrado durante o período eleitoral, tem que ser deixado para trás. “Não é que as pessoas que fizeram oposição durante a campanha deixem de ser oposição, pelo contrário, a oposição faz parte da consolidação do processo democrático. O que é importante é que a oposição seja feita de forma civilizada, de forma a fazer uma política madura.”
O Café com o Presidente havia sido suspenso durante a campanha pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido da coligação liderada pelo PSDB.
sábado, 6 de novembro de 2010
Caso Erenice provocou 2º turno, diz marqueteiro de Dilma
FERNANDO RODRIGUES
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR
Dilma Rousseff ganhou a eleição para presidente da República, a primeira de sua vida. Mas seu marqueteiro, João Santana, venceu sua terceira disputa desse gênero. Ele é o profissional latino-americano mais bem-sucedido na área de comunicação política-eleitoral em anos recentes.
Veja aqui fotos inéditas de Dilma com João Santana
Além de ser o responsável pelas propagandas de TV e de rádio de Dilma, atuou também na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e na eleição do presidente de El Salvador, Mauricio Funes, em 2009.
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Em uma de suas raras entrevistas, Santana, 57 anos, falou à Folha na última quarta-feira, em sua casa de veraneio próxima a Salvador, na Bahia. Fez uma ampla análise do processo eleitoral brasileiro e da última campanha.
Roberto Stuckert-nov.2010
Caso Erenice provocou 2º turno, diz marqueteiro de Dilma
Sobre as razões de a disputa ter sido remetida ao segundo turno, aponta como principal fator o escândalo de suspeita de tráfico de influência na Casa Civil, envolvendo Erenice Guerra, sucessora de Dilma naquela pasta:
"O caso Erenice foi o mais decisivo porque atuou, negativamente, de forma dupla: reacendeu a lembrança do mensalão e implodiu, temporariamente, a moldura mais simbólica que estávamos construindo da competência de Dilma, no caso a Casa Civil."
Pesquisas mostraram, diz Santana, que a onda religiosa e o debate sobre aborto tiveram efeito limitado. Ele faz uma autocrítica: "Erramos quando, no primeiro momento embarcamos nessa onda, e erraram mais eles que insistiram nessa maré hipócrita. Isso, aliás, foi um dos maiores fatores de desgaste e inibição do crescimento de [José] Serra [PSDB, adversário de Dilma] no segundo turno".
Contratado eventual do PT, Santana também atuou como consultor de imagem de Lula nos últimos quatro anos. Jornalista de formação, o marqueteiro baiano foi o criador de algumas das marcas e siglas mais famosas do lulismo, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida (cujo nome inicial proposto pela burocracia do governo era o anódino "Casa para Todos").
Assim como Lula, faz algumas metáforas futebolísticas. "A substituição de Lula por Dilma foi como a troca de Pelé por Amarildo na Copa de 1962. Mas o Amarildo entrou e deu conta do recado", diz ele, evocando o episódio em que a seleção brasileira de futebol ficou sem seu principal jogador na disputa que rendeu o segundo título mundial ao país.
Gosta de elucubrar sobre a troca de poder de Lula para Dilma. "As paixões populares são múltiplas porque o povo não é politicamente monogâmico. O povo é, por natureza, sincretista e politicamente polígamo", diz Santana. Para ele, haverá um "vazio oceânico" com a saída de Lula. Mas haveria "na mitologia política e sentimental brasileira uma imensa cadeira vazia" que ele chama "metaforicamente de 'cadeira da rainha', e que poderá ser ocupada por Dilma". E arrisca um conselho aos políticos em geral: "Não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente".
O marqueteiro lembra que "a República brasileira não produziu uma única grande figura feminina, nem mesmo conjugal" até hoje. "Dilma tem tudo para ocupar esse espaço", apesar da sua proverbial falta de carisma.
Logo após o caso Erenice, Santana relata ter sido necessária uma reaproximação entre Lula e Dilma 'de emergência'. Mas a superexposição do presidente, de maneira exaltada, em comícios no final do segundo turno mereceu reprovação do marqueteiro: "Alguém quando está no palanque esquece que trechos editados de sua fala podem aparecer em telejornais de grande audiência".
Muito próximo tanto de Lula como de Dilma durante os últimos 12 meses, ele fala também com um pouco de ironia sobre a mudança estética e o treinamento da candidata neófita em disputas eleitorais: "A decisão de fazer a operação plástica, por exemplo, foi dela. Como toda mulher, quando se trata de estética, ela gosta de ela mesma tomar iniciativa. Ou, pelo menos, de pensar que foi dela a decisão".
Na semana passada, o marqueteiro fez mais um trabalho para Lula: dirigiu o depoimento do presidente à nação que foi transmitido na sexta-feira à noite em cadeia de rádio e de TV. Agora, pretende tirar alguns dias de férias. Estudar propostas de trabalho que recebeu para atuar em eleições presidenciais em cinco países: Peru, Argentina, Guatemala, República Dominicana e México.
A seguir, trechos da entrevista de Santana à Folha:
Folha - O sr. fez o marketing das duas últimas campanhas presidenciais vitoriosas no Brasil. Quais as diferenças e semelhanças?
João Santana - Foram campanhas profundamente dessemelhantes.
Destaco alguns dos pontos que tiveram em comum: o profundo desdém da oposição aos candidatos Lula e Dilma nas pré-campanhas; o susto que eles tomaram no início dos dois primeiros turnos com o crescimento rápido e vigoroso dos nossos dois candidatos; a falsa ilusão de vitória que eles criaram na passagem do primeiro para o segundo turno, e a desilusão e desfecho finais.
Entre os vários pontos de dessemelhança, eu gostaria de frisar apenas um, e que diz respeito diretamente à minha área: apesar das aparências, a campanha de 2010 foi de uma complexidade estratégica, e principalmente tática, imensamente maior do que a de 2006. Eu diria, até, que do ponto de vista do marketing, esta talvez tenha sido a campanha presidencial mais complexa dos últimos tempos no Brasil.
A percepção da oposição, então, segundo sua avaliação, foi equivocada?
Na pré-campanha de 2006, a oposição imaginou, erroneamente, que Lula estivesse destruído com o escândalo do mensalão. Imaginou que um discurso udenista, neurótico e tardio, pudesse influenciar amplas camadas da população na campanha. Não perceberam o incipiente, porém já vigoroso, movimento de ascensão social e de gratificação simbólica e material que vinha sendo produzido pelo governo Lula.
Na pré-campanha de 2010, houve um erro porque menosprezaram o valor pessoal e o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de Lula. É o período da arrogante, equivocada e elitista 'teoria do poste'.
O grande crescimento que Lula, em 2006, e Dilma, em 2010, tiveram no final das pré-campanhas, e especialmente no início do primeiro turno, deixou-os atordoados. Só se recuperaram um pouco quando foram favorecidos por fatores extracampanhas, o caso dos aloprados e o escândalo Erenice.
Por que Dilma não venceu no 1º turno? Lembro-me que as previsões internas eram de que ela teria de 56% a 57% dos votos...
Por vários fatores, alguns já facilmente percebidos e explicados. Outros que levarão ainda algum tempo para serem corretamente analisados. Começo indo na contramão da maioria dos analistas: o eleitorado brasileiro é, hoje, um dos mais maduros do mundo. E cada dia sabe jogar melhor.
Uma das provas desse amadurecimento é a consolidação, cada vez maior, da "cultura de segundo turno" nas eleições presidenciais. E ela atua, paradoxalmente, junto com a consolidação de um outro comportamento aparentemente antagônico: a consagração do princípio da reeleição. O de deixar um bom governo continuar, mas, ao mesmo tempo não aceitar passivamente tudo o que ele faz. Este conflito é uma forte demonstração de amadurecimento do eleitor brasileiro. No fundo é aquele maravilhoso conflito humano entre a reflexão e a decisão, entre a fé a descrença, entre a confiança e a suspeita, entre a entrega e a autodefesa.
Nas últimas eleições, parte do eleitorado tinha um fabuloso atalho, que era a candidatura Marina, para praticar o "voto de espera", o voto reflexivo. E utilizou este ancoradouro, este auxílio luxuoso que era a candidatura Marina, para mandar alguns recados para os dois principais candidatos. Por essas e por outras razões houve segundo turno.
Que recados foram estes que os eleitores mandaram para Dilma e para Serra?
No nosso caso foi: "Olha, eu aprovo o governo de vocês, mas não concordo com tudo que acontece dentro dele; adoro o Lula mas quero conhecer melhor a Dilma".
No caso do Serra: "Seja mais você mesmo, porque desse jeito aí você não me engana; mas afinal, qual é mesmo esse Brasil novo que você propõe?; me diga lá: você é candidato a prefeito, a pastor ou a presidente?".
Os candidatos, no segundo turno, deram respostas eficientes a esses recados dos eleitores?
Nenhuma campanha, em nenhum lugar do mundo, responde a todas as perguntas, preenche todas dúvidas, nem atenua, completamente, os conflitos racionais e emocionais dos eleitores. Uma campanha será sempre um copo com água pela metade, meio vazio pra alguns, meio cheio pra outros.
No nosso caso, acho que respondemos algumas perguntas. A prova é que não apenas crescemos quantitativamente, como houve uma melhoria, mais que significativa, na percepção dos atributos da nossa candidata.
Em que se sustenta a tese de que essa foi a mais complexa campanha, estratégica e taticamente dos últimos tempos?
Por várias características atípicas, originais e exclusivas desta campanha. Para não me alongar muito, vou comentar apenas alguns fatores do nosso lado. Nós tínhamos um presidente, em final de mandato, com avaliação recorde, paixão popular sem limite e personalidade vulcânica.
Uma caso único não só na história brasileira como mundial. Uma espécie de titã moderno.
Do outro lado, tínhamos uma candidata, escolhida por ele, que era uma pessoa de grande valor, enorme potencial, porém muitíssimo pouco conhecida.
Tínhamos o desafio de transformar em voto direto, e apaixonado, uma pessoa que chegava à primeira cena por força de uma escolha indireta, quase imperial. Tínhamos que transformar a força vulcânica de Lula em fator equilibrado de transferência de voto, com o risco permanente da transfusão virar overdose e aniquilar o receptor.
Tínhamos a missão de fazer Dilma conhecida e ao mesmo tempo amada; uma personagem original, independente, de ideias próprias e, ao mesmo tempo, uma pessoa umbilicalmente ligada a Lula; uma pessoa capaz de continuar o governo Lula mas também capaz de inovar.
Tudo isso dentro de um curtíssimo prazo e dentro do cenário de uma das maiores, mais vibrantes e maravilhosamente mal construída democracias do mundo, que é a democracia brasileira. E que tem um dos modelos de propaganda eleitoral, ao mesmo tempo, mais permissivo e restritivo do mundo; um calendário eleitoral hipocritamente dos mais curtos, e, na prática, dos mais longos do mundo. Isso é dose. É um coquetel infernal.
O que mais facilitou e atrapalhou o trabalho?
Acho que o que mais nos ajudou foram as lendas equivocadas que a oposição, secundada por alguns setores da mídia, foi construindo sistematicamente. E se aferrando desesperadamente a elas, mesmo que os fatos fossem derrotando uma após outra.
No início, construíram quatro lendas eleitorais: que Lula não transferia voto, que Dilma ia ser péssima na TV, que Dilma ia ser um desastre nos debates e que Dilma, a qualquer momento, iria provocar uma gafe irremediável nas entrevistas. Nada disso ocorreu, muito pelo contrário.
Construíram, pelo menos, quatro lendas biográficas: que Dilma tinha um passado obscuro na luta armada, que era uma pessoa de currículo inconsistente, que teve um mau desempenho no governo Lula, e que o fato de ter tido câncer seria fatal para a candidatura. Nada disso se confirmou.
E construíram lendas políticas. As principais eram que Dilma não uniria o PT, não teria jogo de cintura para as negociações políticas e que não saberia dialogar com a base aliada. Outra vez, tudo foi por terra.
Ora, com tantas apostas equivocadas, o resultado não podia ser outro. Se você permitir, eu gostaria adiante de comentar sobre novas lendas equivocadas que já estão começando a construir em relação ao futuro governo Dilma.
Na fase final, a oposição apostou numa guerra moral e religiosa, no mundo da ética e dos valores. Isso não atrapalhou?
De forma irreversível, não. Acho, inclusive, que no final o feitiço virou mais contra o feiticeiro. As questões do aborto e da suposta blasfêmia foram apenas vírgulas que ajudaram a nos levar para o segundo turno. Repito, apenas vírgulas.
O caso Erenice foi o mais decisivo porque atuou, negativamente, de forma dupla: reacendeu a lembrança do mensalão e implodiu, temporariamente, a moldura mais simbólica que estávamos construindo da competência de Dilma, no caso a Casa Civil.
Por motivos óbvios, vínhamos ressaltando, com grande ênfase, a importância da Casa Civil. Na cabeça das pessoas, a Casa Civil estava se transformando numa espécie de gabinete paralelo da presidência. E o escândalo Erenice abalou, justamente, esse alicerce.
Voltando à questão da moral religiosa: como a oposição abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra.
Mas essa opção às vezes à direita da oposição, em certa medida, era algo esperado. Ou não?
Eu alertei sobre isso, inclusive, em um seminário interno da Folha que participei em maio. Este é um fenômeno que infelizmente vem acontecendo, na América Latina, com alguns setores desgarrados, que antes de autointitulavam de socialdemocratas e se inclinaram perigosamente para a direita.
Passaram a utilizar, em suas campanhas, um mix de técnicas do Partido Republicano americano, mais ferramentas da direita espanhola e de operadores antichavistas da Venezuela.
Eu me defrontei com este aparato na campanha que fiz para o presidente Mauricio Funes, em El Salvador. Fomos vítimas de uma das mais insidiosas e obscuras campanhas negativas. Mas vencemos. O ideário é o mesmo, os conceitos manipulados semelhantes, as técnicas de medo iguais. O que varia é a dosagem e os instrumentos.
Aqui a direitização ficou mais circunscrita a certos tabus morais e religiosos. Mas também trafegou, principalmente na internet, no obscurantismo político de pior extração. Quem estuda este fenômeno e viu um vídeo que circulou na internet, intitulado a 'Dama de Vermelho', sabe do que estou falando. Por sinal, este vídeo é uma réplica de alguns que foram produzidos contra Mauricio Funes, em El Salvador, e a favor da campanha de Felipe Calderón no México.
No início da entrevista, o sr. disse que iria comentar o que considera 'novas lendas equivocadas' projetadas para o governo Dilma. Do que se trata?
Eu acho necessário um humilde alerta: não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente.
Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem.
Não há dúvida de que a ausência de Lula deixa uma espécie de vazio oceânico. Lula é uma figura única, que uma nação precisa de séculos pra construir. Mas Dilma, em lugar de ser prejudicada por este vazio, será beneficiada por ele. Basta saber aproveitar --e acho que ela saberá-- a oportunidade única e rara, que tem nas mãos, de se tornar conhecida e amada ao mesmo tempo.
É preciso também estar atento para o fato de que as paixões populares são múltiplas porque o povo não é politicamente monogâmico. O povo é, por natureza, sincretista e politicamente polígamo. E há na mitologia política e sentimental brasileira uma imensa cadeira vazia, que chamo metaforicamente de "cadeira da rainha", e que poderá ser ocupada por Dilma.
A República brasileira não produziu uma única grande figura feminina, nem mesmo conjugal. Dilma tem tudo para ocupar esse espaço. O espaço metafórico da cadeira da rainha só foi parcialmente ocupado pela princesa Isabel. Para um homem sim, seria uma tarefa hercúlea suceder a Lula. Para uma mulher, não. Em especial, uma mulher como Dilma. Lula sabia disso e este talvez seja o conteúdo mais genial da sua escolha.
Quando ficou claro que haveria 2º turno? No dia?
No dia da apuração. Havia fortes indícios de perda de substância da nossa candidata, porém, os indicadores nos davam uma relativa segurança de que ganharíamos no primeiro turno.
Ao contrário da eleição de 2006, quando eu fui o primeiro a alertar o presidente Lula de que iríamos para o 2o turno, desta vez eu fui um dos últimos a admitir isso. Acompanhando a apuração no Alvorada, ao contrário de 2006, eu era um dos poucos que ainda acreditava que ainda ganharíamos por uma margem estreita.
A receita do 2º turno deste ano se assemelha à de 2006: acusar os tucanos de serem privatistas e contra o patrimônio nacional. Mas desta vez o efeito não foi tão forte como há quatro anos. Essa fórmula está perto do esgotamento?
É reducionismo dizer que a receita do segundo turno foi a de acusar os tucanos de privatistas. Se você rever os programas e comerciais, vai constatar que discutimos modelo de política econômica, políticas sociais, modelo de desenvolvimento, entre outros temas.
Fui o responsável pela introdução do tema privatizações em 2006. Na verdade, não estava muito apaixonado pela ideia de utilizá-lo outra vez nesta campanha. Inclusive porque, ao contrário de certos homens marketing, não gosto de repetir fórmulas. Mas havia um consenso, na cúpula da campanha, de que o tema ainda estava vivo. Meu convencimento final veio quando decidimos acoplá-lo, de forma mais que justa, ao futuro do pré-sal.
Essa abordagem sobre 'tucanos privatistas X petistas defensores do patrimônio nacional' não seria uma exploração indevida do imaginário popular?
Já falei sobre isso e não fui muito bem interpretado. Tucanos e petistas divergem, de fato, profundamente neste tema. A sociedade brasileira sempre acompanhou com o máximo de interesse, receio e com muita cautela essa discussão.
O debate continua vivo. Por que é manipulação reacender ou esquentar esse debate? A propaganda eleitoral brasileira é um espaço bastante democrático, e mais que apropriado para este tipo de discussão. Nela, cada um pode expor seu pontos de vista e estabelecer o contraditório. Com fatos e argumentos. Sem medo e sem timidez.
Por que o Vox Populi, contratado pela campanha de Dilma, não captou a queda nas pesquisas de maneira mais precisa?
Essa é uma pergunta que o instituto pode responder melhor do que eu.
Quando as pesquisas diárias ('trackings') começaram as ser feitas? E os grupos de análise qualitativa? Dilma assistiu a alguns desses grupos?
Os trackings começaram uma semana antes da propaganda eleitoral. Os grupos de pesquisas qualitativas começaram também nesse período, e eram quase diários.
No segundo turno, os grupos de qualis eram diários. Eram 12 grupos, distribuídos pelas várias regiões do país. Em São Paulo, eram sempre quatro grupos, variando entre capital e interior. Duas empresas faziam esse trabalho. Em São Paulo, a Oma Pesquisas. No restante do país, a Síntese. A candidata Dilma não assistiu aos grupos por falta de tempo e de interesse direto.
Foi um erro a forma como Lula fez alguns comícios na parte final do 1º turno, falando em extirpar o DEM da política e dizendo que 'a opinião pública somos nós'?
Como eu já disse, o presidente tem uma personalidade vulcânica. Sua intuição emocional faz com que ele acerte bastante, e às vezes cometa erros. Mas o saldo nesta e em outras campanhas sempre foi muito positivo.
Mas houve uma certa overdose de Lula no final do 1º turno, com ele aparecendo não de forma exaltada em comícios?
Na propaganda eleitoral, não. Desde o início, eu sabia que uma das coisas mais difíceis era a modulação da presença de Lula. Fiz um desenho estático que considero correto. Dividi a campanha com base nos 45 dias de TV e rádio em três fases iguais de 15 dias cada. A primeira, consistiu em colar bastante Lula a Dilma. Depois, seria preciso atenuar um pouco a presença dele no meio da campanha. E, por fim, voltar a colá-los fortemente no final.
Na primeira fase, era preciso mostrar aos eleitores que havia afinidade, respeito e confiança entre eles. Consumado isso em 15 dias, como eu esperava, com êxito, era então necessário reforçar a identidade própria de Dilma. Isso só seria possível se as pessoas conseguissem enxergá-la sem a sombra luminosa de Lula. Assim, os segundos 15 dias da campanha tiveram a troca da persona Lula pela intensificação da representação simbólica do governo Lula.
Só que no final dessa segunda fase ocorreu uma trágica coincidência: o escândalo Erenice.
E o que foi feito?
Fomos forçados a fazer uma reaproximação entre Lula e Dilma de emergência.
Mas Lula não se excedeu nos comícios?
De certa forma, sim. Mas isso é até explicável. A presença de um político no palanque permite certo tipo de arroubo que a propaganda eleitoral não comporta. Acontece que alguém quando está no palanque esquece que trechos editados de sua fala podem aparecer em telejornais de grande audiência.
Na passagem do 1º para o 2º turno, ele deu uma sumida. Por quê?
Foi por um período muito curto. Foi intencional por dois motivos. Primeiro, porque era necessário dar um certo refresco para a imagem do presidente por causa do uso excessivo em todas as campanhas em todas as unidades da Federação. Os candidatos em todos os níveis usaram e abusaram da imagem de Lula de forma excessiva e até irresponsável como nunca ocorrera antes.
Segundo, estávamos fazendo um reposicionamento estratégico, e antes que as transições conceituais ficassem claras, era importante preservar o nosso principal trunfo, que era o presidente. Foi uma operação tão delicada e corajosa que o próprio presidente Lula, na passagem do primeiro para o segundo turno, chegou a me questionar a respeito.
Muitos temeram a derrota nessa fase?
Temer a derrota é inerente a qualquer um envolvido em uma campanha. Sobretudo quando há uma quebra de expectativa, que foi o que ocorreu com a ida para o segundo turno.
De certa maneira, esse mesmo sentimento perpassou a campanha de 2006, no início daquele segundo turno.
Quando Dilma teve câncer, o que a área de marketing da pré-campanha fez?
Primeiro, foi um susto. Uma situação insólita. Iniciar uma campanha com uma candidata pouco conhecida e enfrentando um desafio dessa magnitude. Só havia então um caminho que era buscar o máximo de transparência. Todo o tratamento foi ampla e livremente noticiado pela mídia. Num caso como este não se pode, nem se deve inventar ou maquiar nada. A verdade é o melhor remédio. Até porque ela sempre prevalece.
A sua contratação ocorreu a partir de quando?
O PT me contratou para dar consultoria e fazer as propagandas partidárias em 2009.
Como Dilma reagiu à necessidade de fazer operação plástica no rosto e na região do pescoço, mudar o vestuário, treinar oratória, aceitar cabeleireiro e maquiadora sempre perto?
Variou. A decisão de fazer a operação plástica, por exemplo, foi dela. Como toda mulher, quando se trata de estética, ela gosta de ela mesma tomar iniciativa. Ou, pelo menos, de pensar que foi dela a decisão.
Por que Dilma tem dificuldade para falar em público, às vezes não completando um raciocínio?
Durante toda a sua vida, Dilma foi treinada mais para fazer do que para falar. Além disso, ela é daquelas pessoas que tem raciocínio mais rápido do que a verbalização. E algo ainda mais complexo: imagine uma pessoa que nunca foi candidata a nada inaugurando sua vida eleitoral sendo candidata a presidente de um país do tamanho do Brasil?
Tudo isso provoca um tipo de tensão e ansiedade que obviamente repercute na maneira de se comunicar. Porém, o mais surpreendente, é que Dilma superou todos esses obstáculos de maneira brilhante. O mérito maior é dela.
Como era sua equipe na campanha?
Tive a felicidade de formar um "dream team". Cerca de 200 pessoas estiveram envolvidas. Alguns já trabalhavam comigo há muito anos como Eduardo Costa, meu braço direito e um dos grandes responsáveis pelo sucesso da campanha. Outros se reaproximaram e foram fundamentais como Marcelo Kértesz, Lô Politi e Giovani Lima, como diretores de vídeo. Sem falar da presença essencial de Mônica Moura, minha mulher e sócia.
Como presidente Lula interagiu com Dilma durante a campanha?
Em termos presenciais, o contato foi muito menor do que quando ela estava no governo.
Haveria alguma forma de o PSDB usar de maneira positiva, em nível nacional, a imagem de FHC em uma campanha presidencial?
Num período muito curto de campanha, seria muito difícil, quase impossível. Se eu estivesse no lugar de Luiz Gonzalez [publicitário da campanha de José Serra], que considero um dos melhores marqueteiros do Brasil, talvez eu fizesse o mesmo que ele fez.
O uso da imagem de FHC só seria viável eleitoralmente depois de um trabalho consistente ao longo de um período de vários anos. Seria preciso recuperar uma narrativa do governo tucano, que teve méritos, mas ficou com a imagem avariada por causa do final da administração FHC.
Creio ter havido um desleixo da parte do próprio Fernando Henrique, com uma atitude olímpica. Quem sabe, por vício acadêmico, ele esperava um resgate histórico que viesse apenas por gravidade. Mas, no seu caso, seria necessário mais do que isso. Ele e seu partido teriam de se esforçar para defender a imagem daquela administração, deixando de lado a timidez ou o medo que demonstram ter.
Teria sido possível neste ano eleger José Serra ou algum candidato de oposição? Com qual estratégia?
Muito improvável. A menos que cometêssemos alguns erros e a oposição milhões de acertos
Aécio Neves teria tido condições de vencer Dilma?
Poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado.
Como foi e com qual frequência se deu neste ano sua relação com o publicitário de Serra, Luiz González?
Sempre tivemos uma boa relação. Admiro o González tanto por sua competência como por seu caráter. E é sempre uma parada dura enfrentá-lo numa campanha. Nos falamos várias vezes durante esta campanha para negociarmos regras de debates e outros detalhes envolvendo participações dos nossos candidatos.
A negociação mais insólita foi quando liguei, pra ele, na véspera do Círio de Belém, sugerindo que abríssemos mão da propaganda eleitoral na TV no dia da festa, no Pará. Ele pediu pra consultar o Serra e topou. Tenho certeza que os paraenses gostaram muito desta atitude e Nossa Senhora de Nazaré, com certeza, abençoou os dois candidatos.
Esta eleição teve dez debates. Quais foram os mais úteis eleitoralmente? Os da Globo, pela alta audiência?
Todos foram importantes, mas nenhum decisivo.
Todos os debates foram engessados por regras impostas pelos candidatos e seus assessores. O que seria necessário para haver debates mais livres?
Os debates, como algumas regras da propaganda eleitoral, têm de ser revistos. O problema dos debates é que dependem da vontade dos candidatos. E vontade dos candidatos é a coisa mais difícil de administrar.
E no caso do horário eleitoral, o que pode ser feito?
Eu acho que a lei de propaganda eleitoral é uma das mais modernas do mundo. Porém, há situações anômalas que devem ser corrigidas. Por exemplo, a legislação sobre pré-campanha. Outra, a legislação do segundo turno.
No caso do segundo turno, como está concebido, é uma violência contra os candidatos, contra os partidos, contra os eleitores e contra as equipes que produzem os programas eleitorais. Deveria haver menos propaganda, mais debates obrigatórios, mais liberdade de entrevistas nos meios de comunicação eletrônicos e a eleição em si ser mais próxima da do primeiro turno.
Qual foi a importância da internet na campanha?
Ao contrário do que se fala, a internet teve um papel importante nesta eleição. Pena que tenha sido usada, muito fortemente, para veicular campanha negativa raivosa, anônima e, muitas vezes, criminosa. Isso terminou por diminuir muito a credibilidade do material que circulava na web. Mas a cada dia o papel da internet será maior nas eleições brasileiras. E isso é muito bom para a disputa eleitoral e para o avanço democrático.
Nos EUA, a web é usada na difusão de propaganda negativa, mas também na arrecadação de fundos. Quando haverá isso aqui?
Como já disse, houve um predomínio de propaganda negativa. Mas a mobilização nas redes sociais foi também intensa. Esta é a grande chave, no futuro, para aumentar o impacto da web nas eleições.
Qual foi o saldo da contratação de técnicos que trabalharam na campanha da web de Barack Obama?
A participação deles ficou praticamente restrita à transferência de tecnologia e de ferramentas. Não participaram da estratégia nem da conceituação da campanha em nenhum nível. Mas são profissionais bem competentes em sua área.
Teria sido possível eleger algum outro ministro técnico como Dilma usando a mesma estratégia?
Acho que seria muito difícil. A escolha de Dilma foi uma das maiores provas da intuição e da genialidade política do presidente Lula. Eu tive o privilégio de ser uma das primeiras pessoas a saber da decisão do presidente e a fazer estudos sobre isso, a pedido dele.
Desde o início ficou claro que a transferência de votos se daria de forma harmônica e fluídica. Está provado que a transferência, na maioria das vezes, se dá mais pelas características do receptor do que do doador. De todos os possíveis candidatos, Dilma reunia as melhores condições para isso. Era mulher, ocupava um papel-chave no governo, tinha passado e presente limpos, era competente, firme, corajosa, combativa e tinha fidelidade absoluta ao presidente.
Além disso, por causa do tipo de personalidade de Lula, era muito mais natural e com maior poder de sedução junto ao seu eleitorado, ele pedir voto para uma mulher do que para um homem.
Em 2014, os parâmetros de exigência da população estarão elevados para outro patamar e o Bolsa Família terá menos importância?
Primeiro é bom esclarecer, que no campo da psicologia do voto, o Bolsa Família é percebido pelos seus beneficiários como um detalhe importante, porém um detalhe, de uma coisa ainda maior e mais forte para eles que é o olhar social do governo Lula.
O programa, em si, tem apelo eleitoral? Tem. Porém menos do que se apregoa. E, como já disse, não funciona de forma isolada. Acho que poucos governos, como o do presidente Lula, e, tenho certeza, o da presidenta Dilma, reúnem tantas condições de poder acompanhar o que você chama de elevação de parâmetros de exigência da população.
Na verdade é mais do que isso. Quando o governo Lula retirou 28 milhões de pessoas da miséria e levou 36 milhões para a classe média estava, ao mesmo tempo, dando vida digna e cidadania a estas pessoas, elevando seu nível de vida e, simultaneamente, elevando os seus 'parâmetros de exigência'. Ou seja, as políticas públicas de Lula e de Dilma são maiores do que qualquer tipo de pragmatismo eleitoral.
Se quiser vencer, o que deve fazer a oposição daqui até 2014?
Não me sinto apto a dar conselhos à oposição. Ela tem consultores mais competentes do que eu para isso.
O sr. foi convidado a continuar prestando assessoria de imagem e marketing para Dilma Rousseff?
A presidenta eleita não me falou nada sobre isso e eu tenho uma agenda internacional carregada, nos próximos três anos, que atrapalharia bastante um trabalho deste tipo.
Uma ala do PT, entre os quais José Dirceu e Fernando Pimentel, desejava a sua saída e a volta de Duda Mendonça. Como foi essa disputa?
É natural que na política, nos negócios e no amor as pessoas queiram se associar com quem têm afinidade. Até hoje, não sei exatamente quem participou dessa articulação. Só sei que foi um grupo muito pequeno e que não contava com o apoio da cúpula da campanha nem do PT. Lula e Dilma sempre me apoiaram integralmente. O ex-presidente do PT Ricardo Berzoini e o presidente atual da legenda, José Eduardo Dutra, sempre me deram todo apoio.
Quais são os seus planos profissionais a partir de agora?
Eu tenho muitos clientes fora do Brasil e provavelmente me dedique mais a eles, nos próximos dois anos. Estou examinando também, com carinho, uma proposta de sociedade de uma empresa americana de marketing político para atuação junto ao eleitorado latino, nos Estados Unidos.
Quero ver, também, se tenho tempo de terminar dois livros que estou escrevendo, um romance e outro sobre marketing político. Além disso, quero ver se volto a me dedicar à música.
Quanto o sr. cobrou para fazer a campanha de Dilma Rousseff?
O custo total da área de propaganda e marketing, incluindo as pesquisas qualitativas e as quantis estratégicas, foi de R$ 44 milhões.
O Brasil é o país latino-americano no qual as campanhas políticas são as mais caras?
O custo das campanhas no Brasil está diretamente relacionado ao tamanho do eleitorado, à força de sua economia e à qualidade e sofisticação do seu marketing eleitoral. Sem dúvida, um dos melhores do mundo.
Continua a existir uma imagem negativa dos marqueteiros. Esse é um problema de marketing que os principais envolvidos não conseguem solucionar?
Acho que esta suposta imagem negativa está circunscrita a determinados setores da sociedade que não entendem --ou não querem entender-- o verdadeiro papel do marketing político.
Para a maioria da população ocorre exatamente o contrário: há uma profunda curiosidade e atração pelo nosso trabalho. Assim como somos um país com dezenas de milhões de técnicos de futebol, estamos também nos transformando num país com milhões de marqueteiros.
É incrível como hoje todo mundo discute e "entende" de marketing político. Chega a ser pitoresco, nos grupos de pesquisa qualitativa, como eleitores de todas as camadas sociais comentam, opinam e desvendam os segredos do marketing. É uma escola de prática de política.
Há semelhanças entre a transferência de poder do russo Vladimir Putin para Dmitri Medvedev, em 2008, e agora no caso dos brasileiros Lula e Dilma?
Li sobre isso na mídia internacional. É um equívoco absoluto, uma leitura caricata e ligeira. A democracia no Brasil é mais complexa e sofisticada. Mas isso me faz lembrar uma história curiosa.
Como a eleição brasileira chama a atenção em vários países, no início de maio, um emissário não oficial do governo russo mandou um recado para a campanha de Dilma. Essa pessoa queria oferecer o que seria uma técnica que dizia ser infalível de transferência de votos baseada na experiência exitosa de Putin para Medvedev.
Demos muita risada e é claro que recusamos. Mas tenho a impressão que um ou outro integrante da nossa campanha chegou a ficar tentado em pelo menos ouvir o que os russos tinham a dizer. Mas é óbvio que nenhum contato foi feito, embora o episódio demonstre como era imprevisível para alguns a capacidade de Lula de transferir votos para Dilma.
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR
Dilma Rousseff ganhou a eleição para presidente da República, a primeira de sua vida. Mas seu marqueteiro, João Santana, venceu sua terceira disputa desse gênero. Ele é o profissional latino-americano mais bem-sucedido na área de comunicação política-eleitoral em anos recentes.
Veja aqui fotos inéditas de Dilma com João Santana
Além de ser o responsável pelas propagandas de TV e de rádio de Dilma, atuou também na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e na eleição do presidente de El Salvador, Mauricio Funes, em 2009.
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Em uma de suas raras entrevistas, Santana, 57 anos, falou à Folha na última quarta-feira, em sua casa de veraneio próxima a Salvador, na Bahia. Fez uma ampla análise do processo eleitoral brasileiro e da última campanha.
Roberto Stuckert-nov.2010
Caso Erenice provocou 2º turno, diz marqueteiro de Dilma
Sobre as razões de a disputa ter sido remetida ao segundo turno, aponta como principal fator o escândalo de suspeita de tráfico de influência na Casa Civil, envolvendo Erenice Guerra, sucessora de Dilma naquela pasta:
"O caso Erenice foi o mais decisivo porque atuou, negativamente, de forma dupla: reacendeu a lembrança do mensalão e implodiu, temporariamente, a moldura mais simbólica que estávamos construindo da competência de Dilma, no caso a Casa Civil."
Pesquisas mostraram, diz Santana, que a onda religiosa e o debate sobre aborto tiveram efeito limitado. Ele faz uma autocrítica: "Erramos quando, no primeiro momento embarcamos nessa onda, e erraram mais eles que insistiram nessa maré hipócrita. Isso, aliás, foi um dos maiores fatores de desgaste e inibição do crescimento de [José] Serra [PSDB, adversário de Dilma] no segundo turno".
Contratado eventual do PT, Santana também atuou como consultor de imagem de Lula nos últimos quatro anos. Jornalista de formação, o marqueteiro baiano foi o criador de algumas das marcas e siglas mais famosas do lulismo, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida (cujo nome inicial proposto pela burocracia do governo era o anódino "Casa para Todos").
Assim como Lula, faz algumas metáforas futebolísticas. "A substituição de Lula por Dilma foi como a troca de Pelé por Amarildo na Copa de 1962. Mas o Amarildo entrou e deu conta do recado", diz ele, evocando o episódio em que a seleção brasileira de futebol ficou sem seu principal jogador na disputa que rendeu o segundo título mundial ao país.
Gosta de elucubrar sobre a troca de poder de Lula para Dilma. "As paixões populares são múltiplas porque o povo não é politicamente monogâmico. O povo é, por natureza, sincretista e politicamente polígamo", diz Santana. Para ele, haverá um "vazio oceânico" com a saída de Lula. Mas haveria "na mitologia política e sentimental brasileira uma imensa cadeira vazia" que ele chama "metaforicamente de 'cadeira da rainha', e que poderá ser ocupada por Dilma". E arrisca um conselho aos políticos em geral: "Não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente".
O marqueteiro lembra que "a República brasileira não produziu uma única grande figura feminina, nem mesmo conjugal" até hoje. "Dilma tem tudo para ocupar esse espaço", apesar da sua proverbial falta de carisma.
Logo após o caso Erenice, Santana relata ter sido necessária uma reaproximação entre Lula e Dilma 'de emergência'. Mas a superexposição do presidente, de maneira exaltada, em comícios no final do segundo turno mereceu reprovação do marqueteiro: "Alguém quando está no palanque esquece que trechos editados de sua fala podem aparecer em telejornais de grande audiência".
Muito próximo tanto de Lula como de Dilma durante os últimos 12 meses, ele fala também com um pouco de ironia sobre a mudança estética e o treinamento da candidata neófita em disputas eleitorais: "A decisão de fazer a operação plástica, por exemplo, foi dela. Como toda mulher, quando se trata de estética, ela gosta de ela mesma tomar iniciativa. Ou, pelo menos, de pensar que foi dela a decisão".
Na semana passada, o marqueteiro fez mais um trabalho para Lula: dirigiu o depoimento do presidente à nação que foi transmitido na sexta-feira à noite em cadeia de rádio e de TV. Agora, pretende tirar alguns dias de férias. Estudar propostas de trabalho que recebeu para atuar em eleições presidenciais em cinco países: Peru, Argentina, Guatemala, República Dominicana e México.
A seguir, trechos da entrevista de Santana à Folha:
Folha - O sr. fez o marketing das duas últimas campanhas presidenciais vitoriosas no Brasil. Quais as diferenças e semelhanças?
João Santana - Foram campanhas profundamente dessemelhantes.
Destaco alguns dos pontos que tiveram em comum: o profundo desdém da oposição aos candidatos Lula e Dilma nas pré-campanhas; o susto que eles tomaram no início dos dois primeiros turnos com o crescimento rápido e vigoroso dos nossos dois candidatos; a falsa ilusão de vitória que eles criaram na passagem do primeiro para o segundo turno, e a desilusão e desfecho finais.
Entre os vários pontos de dessemelhança, eu gostaria de frisar apenas um, e que diz respeito diretamente à minha área: apesar das aparências, a campanha de 2010 foi de uma complexidade estratégica, e principalmente tática, imensamente maior do que a de 2006. Eu diria, até, que do ponto de vista do marketing, esta talvez tenha sido a campanha presidencial mais complexa dos últimos tempos no Brasil.
A percepção da oposição, então, segundo sua avaliação, foi equivocada?
Na pré-campanha de 2006, a oposição imaginou, erroneamente, que Lula estivesse destruído com o escândalo do mensalão. Imaginou que um discurso udenista, neurótico e tardio, pudesse influenciar amplas camadas da população na campanha. Não perceberam o incipiente, porém já vigoroso, movimento de ascensão social e de gratificação simbólica e material que vinha sendo produzido pelo governo Lula.
Na pré-campanha de 2010, houve um erro porque menosprezaram o valor pessoal e o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de Lula. É o período da arrogante, equivocada e elitista 'teoria do poste'.
O grande crescimento que Lula, em 2006, e Dilma, em 2010, tiveram no final das pré-campanhas, e especialmente no início do primeiro turno, deixou-os atordoados. Só se recuperaram um pouco quando foram favorecidos por fatores extracampanhas, o caso dos aloprados e o escândalo Erenice.
Por que Dilma não venceu no 1º turno? Lembro-me que as previsões internas eram de que ela teria de 56% a 57% dos votos...
Por vários fatores, alguns já facilmente percebidos e explicados. Outros que levarão ainda algum tempo para serem corretamente analisados. Começo indo na contramão da maioria dos analistas: o eleitorado brasileiro é, hoje, um dos mais maduros do mundo. E cada dia sabe jogar melhor.
Uma das provas desse amadurecimento é a consolidação, cada vez maior, da "cultura de segundo turno" nas eleições presidenciais. E ela atua, paradoxalmente, junto com a consolidação de um outro comportamento aparentemente antagônico: a consagração do princípio da reeleição. O de deixar um bom governo continuar, mas, ao mesmo tempo não aceitar passivamente tudo o que ele faz. Este conflito é uma forte demonstração de amadurecimento do eleitor brasileiro. No fundo é aquele maravilhoso conflito humano entre a reflexão e a decisão, entre a fé a descrença, entre a confiança e a suspeita, entre a entrega e a autodefesa.
Nas últimas eleições, parte do eleitorado tinha um fabuloso atalho, que era a candidatura Marina, para praticar o "voto de espera", o voto reflexivo. E utilizou este ancoradouro, este auxílio luxuoso que era a candidatura Marina, para mandar alguns recados para os dois principais candidatos. Por essas e por outras razões houve segundo turno.
Que recados foram estes que os eleitores mandaram para Dilma e para Serra?
No nosso caso foi: "Olha, eu aprovo o governo de vocês, mas não concordo com tudo que acontece dentro dele; adoro o Lula mas quero conhecer melhor a Dilma".
No caso do Serra: "Seja mais você mesmo, porque desse jeito aí você não me engana; mas afinal, qual é mesmo esse Brasil novo que você propõe?; me diga lá: você é candidato a prefeito, a pastor ou a presidente?".
Os candidatos, no segundo turno, deram respostas eficientes a esses recados dos eleitores?
Nenhuma campanha, em nenhum lugar do mundo, responde a todas as perguntas, preenche todas dúvidas, nem atenua, completamente, os conflitos racionais e emocionais dos eleitores. Uma campanha será sempre um copo com água pela metade, meio vazio pra alguns, meio cheio pra outros.
No nosso caso, acho que respondemos algumas perguntas. A prova é que não apenas crescemos quantitativamente, como houve uma melhoria, mais que significativa, na percepção dos atributos da nossa candidata.
Em que se sustenta a tese de que essa foi a mais complexa campanha, estratégica e taticamente dos últimos tempos?
Por várias características atípicas, originais e exclusivas desta campanha. Para não me alongar muito, vou comentar apenas alguns fatores do nosso lado. Nós tínhamos um presidente, em final de mandato, com avaliação recorde, paixão popular sem limite e personalidade vulcânica.
Uma caso único não só na história brasileira como mundial. Uma espécie de titã moderno.
Do outro lado, tínhamos uma candidata, escolhida por ele, que era uma pessoa de grande valor, enorme potencial, porém muitíssimo pouco conhecida.
Tínhamos o desafio de transformar em voto direto, e apaixonado, uma pessoa que chegava à primeira cena por força de uma escolha indireta, quase imperial. Tínhamos que transformar a força vulcânica de Lula em fator equilibrado de transferência de voto, com o risco permanente da transfusão virar overdose e aniquilar o receptor.
Tínhamos a missão de fazer Dilma conhecida e ao mesmo tempo amada; uma personagem original, independente, de ideias próprias e, ao mesmo tempo, uma pessoa umbilicalmente ligada a Lula; uma pessoa capaz de continuar o governo Lula mas também capaz de inovar.
Tudo isso dentro de um curtíssimo prazo e dentro do cenário de uma das maiores, mais vibrantes e maravilhosamente mal construída democracias do mundo, que é a democracia brasileira. E que tem um dos modelos de propaganda eleitoral, ao mesmo tempo, mais permissivo e restritivo do mundo; um calendário eleitoral hipocritamente dos mais curtos, e, na prática, dos mais longos do mundo. Isso é dose. É um coquetel infernal.
O que mais facilitou e atrapalhou o trabalho?
Acho que o que mais nos ajudou foram as lendas equivocadas que a oposição, secundada por alguns setores da mídia, foi construindo sistematicamente. E se aferrando desesperadamente a elas, mesmo que os fatos fossem derrotando uma após outra.
No início, construíram quatro lendas eleitorais: que Lula não transferia voto, que Dilma ia ser péssima na TV, que Dilma ia ser um desastre nos debates e que Dilma, a qualquer momento, iria provocar uma gafe irremediável nas entrevistas. Nada disso ocorreu, muito pelo contrário.
Construíram, pelo menos, quatro lendas biográficas: que Dilma tinha um passado obscuro na luta armada, que era uma pessoa de currículo inconsistente, que teve um mau desempenho no governo Lula, e que o fato de ter tido câncer seria fatal para a candidatura. Nada disso se confirmou.
E construíram lendas políticas. As principais eram que Dilma não uniria o PT, não teria jogo de cintura para as negociações políticas e que não saberia dialogar com a base aliada. Outra vez, tudo foi por terra.
Ora, com tantas apostas equivocadas, o resultado não podia ser outro. Se você permitir, eu gostaria adiante de comentar sobre novas lendas equivocadas que já estão começando a construir em relação ao futuro governo Dilma.
Na fase final, a oposição apostou numa guerra moral e religiosa, no mundo da ética e dos valores. Isso não atrapalhou?
De forma irreversível, não. Acho, inclusive, que no final o feitiço virou mais contra o feiticeiro. As questões do aborto e da suposta blasfêmia foram apenas vírgulas que ajudaram a nos levar para o segundo turno. Repito, apenas vírgulas.
O caso Erenice foi o mais decisivo porque atuou, negativamente, de forma dupla: reacendeu a lembrança do mensalão e implodiu, temporariamente, a moldura mais simbólica que estávamos construindo da competência de Dilma, no caso a Casa Civil.
Por motivos óbvios, vínhamos ressaltando, com grande ênfase, a importância da Casa Civil. Na cabeça das pessoas, a Casa Civil estava se transformando numa espécie de gabinete paralelo da presidência. E o escândalo Erenice abalou, justamente, esse alicerce.
Voltando à questão da moral religiosa: como a oposição abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra.
Mas essa opção às vezes à direita da oposição, em certa medida, era algo esperado. Ou não?
Eu alertei sobre isso, inclusive, em um seminário interno da Folha que participei em maio. Este é um fenômeno que infelizmente vem acontecendo, na América Latina, com alguns setores desgarrados, que antes de autointitulavam de socialdemocratas e se inclinaram perigosamente para a direita.
Passaram a utilizar, em suas campanhas, um mix de técnicas do Partido Republicano americano, mais ferramentas da direita espanhola e de operadores antichavistas da Venezuela.
Eu me defrontei com este aparato na campanha que fiz para o presidente Mauricio Funes, em El Salvador. Fomos vítimas de uma das mais insidiosas e obscuras campanhas negativas. Mas vencemos. O ideário é o mesmo, os conceitos manipulados semelhantes, as técnicas de medo iguais. O que varia é a dosagem e os instrumentos.
Aqui a direitização ficou mais circunscrita a certos tabus morais e religiosos. Mas também trafegou, principalmente na internet, no obscurantismo político de pior extração. Quem estuda este fenômeno e viu um vídeo que circulou na internet, intitulado a 'Dama de Vermelho', sabe do que estou falando. Por sinal, este vídeo é uma réplica de alguns que foram produzidos contra Mauricio Funes, em El Salvador, e a favor da campanha de Felipe Calderón no México.
No início da entrevista, o sr. disse que iria comentar o que considera 'novas lendas equivocadas' projetadas para o governo Dilma. Do que se trata?
Eu acho necessário um humilde alerta: não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente.
Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem.
Não há dúvida de que a ausência de Lula deixa uma espécie de vazio oceânico. Lula é uma figura única, que uma nação precisa de séculos pra construir. Mas Dilma, em lugar de ser prejudicada por este vazio, será beneficiada por ele. Basta saber aproveitar --e acho que ela saberá-- a oportunidade única e rara, que tem nas mãos, de se tornar conhecida e amada ao mesmo tempo.
É preciso também estar atento para o fato de que as paixões populares são múltiplas porque o povo não é politicamente monogâmico. O povo é, por natureza, sincretista e politicamente polígamo. E há na mitologia política e sentimental brasileira uma imensa cadeira vazia, que chamo metaforicamente de "cadeira da rainha", e que poderá ser ocupada por Dilma.
A República brasileira não produziu uma única grande figura feminina, nem mesmo conjugal. Dilma tem tudo para ocupar esse espaço. O espaço metafórico da cadeira da rainha só foi parcialmente ocupado pela princesa Isabel. Para um homem sim, seria uma tarefa hercúlea suceder a Lula. Para uma mulher, não. Em especial, uma mulher como Dilma. Lula sabia disso e este talvez seja o conteúdo mais genial da sua escolha.
Quando ficou claro que haveria 2º turno? No dia?
No dia da apuração. Havia fortes indícios de perda de substância da nossa candidata, porém, os indicadores nos davam uma relativa segurança de que ganharíamos no primeiro turno.
Ao contrário da eleição de 2006, quando eu fui o primeiro a alertar o presidente Lula de que iríamos para o 2o turno, desta vez eu fui um dos últimos a admitir isso. Acompanhando a apuração no Alvorada, ao contrário de 2006, eu era um dos poucos que ainda acreditava que ainda ganharíamos por uma margem estreita.
A receita do 2º turno deste ano se assemelha à de 2006: acusar os tucanos de serem privatistas e contra o patrimônio nacional. Mas desta vez o efeito não foi tão forte como há quatro anos. Essa fórmula está perto do esgotamento?
É reducionismo dizer que a receita do segundo turno foi a de acusar os tucanos de privatistas. Se você rever os programas e comerciais, vai constatar que discutimos modelo de política econômica, políticas sociais, modelo de desenvolvimento, entre outros temas.
Fui o responsável pela introdução do tema privatizações em 2006. Na verdade, não estava muito apaixonado pela ideia de utilizá-lo outra vez nesta campanha. Inclusive porque, ao contrário de certos homens marketing, não gosto de repetir fórmulas. Mas havia um consenso, na cúpula da campanha, de que o tema ainda estava vivo. Meu convencimento final veio quando decidimos acoplá-lo, de forma mais que justa, ao futuro do pré-sal.
Essa abordagem sobre 'tucanos privatistas X petistas defensores do patrimônio nacional' não seria uma exploração indevida do imaginário popular?
Já falei sobre isso e não fui muito bem interpretado. Tucanos e petistas divergem, de fato, profundamente neste tema. A sociedade brasileira sempre acompanhou com o máximo de interesse, receio e com muita cautela essa discussão.
O debate continua vivo. Por que é manipulação reacender ou esquentar esse debate? A propaganda eleitoral brasileira é um espaço bastante democrático, e mais que apropriado para este tipo de discussão. Nela, cada um pode expor seu pontos de vista e estabelecer o contraditório. Com fatos e argumentos. Sem medo e sem timidez.
Por que o Vox Populi, contratado pela campanha de Dilma, não captou a queda nas pesquisas de maneira mais precisa?
Essa é uma pergunta que o instituto pode responder melhor do que eu.
Quando as pesquisas diárias ('trackings') começaram as ser feitas? E os grupos de análise qualitativa? Dilma assistiu a alguns desses grupos?
Os trackings começaram uma semana antes da propaganda eleitoral. Os grupos de pesquisas qualitativas começaram também nesse período, e eram quase diários.
No segundo turno, os grupos de qualis eram diários. Eram 12 grupos, distribuídos pelas várias regiões do país. Em São Paulo, eram sempre quatro grupos, variando entre capital e interior. Duas empresas faziam esse trabalho. Em São Paulo, a Oma Pesquisas. No restante do país, a Síntese. A candidata Dilma não assistiu aos grupos por falta de tempo e de interesse direto.
Foi um erro a forma como Lula fez alguns comícios na parte final do 1º turno, falando em extirpar o DEM da política e dizendo que 'a opinião pública somos nós'?
Como eu já disse, o presidente tem uma personalidade vulcânica. Sua intuição emocional faz com que ele acerte bastante, e às vezes cometa erros. Mas o saldo nesta e em outras campanhas sempre foi muito positivo.
Mas houve uma certa overdose de Lula no final do 1º turno, com ele aparecendo não de forma exaltada em comícios?
Na propaganda eleitoral, não. Desde o início, eu sabia que uma das coisas mais difíceis era a modulação da presença de Lula. Fiz um desenho estático que considero correto. Dividi a campanha com base nos 45 dias de TV e rádio em três fases iguais de 15 dias cada. A primeira, consistiu em colar bastante Lula a Dilma. Depois, seria preciso atenuar um pouco a presença dele no meio da campanha. E, por fim, voltar a colá-los fortemente no final.
Na primeira fase, era preciso mostrar aos eleitores que havia afinidade, respeito e confiança entre eles. Consumado isso em 15 dias, como eu esperava, com êxito, era então necessário reforçar a identidade própria de Dilma. Isso só seria possível se as pessoas conseguissem enxergá-la sem a sombra luminosa de Lula. Assim, os segundos 15 dias da campanha tiveram a troca da persona Lula pela intensificação da representação simbólica do governo Lula.
Só que no final dessa segunda fase ocorreu uma trágica coincidência: o escândalo Erenice.
E o que foi feito?
Fomos forçados a fazer uma reaproximação entre Lula e Dilma de emergência.
Mas Lula não se excedeu nos comícios?
De certa forma, sim. Mas isso é até explicável. A presença de um político no palanque permite certo tipo de arroubo que a propaganda eleitoral não comporta. Acontece que alguém quando está no palanque esquece que trechos editados de sua fala podem aparecer em telejornais de grande audiência.
Na passagem do 1º para o 2º turno, ele deu uma sumida. Por quê?
Foi por um período muito curto. Foi intencional por dois motivos. Primeiro, porque era necessário dar um certo refresco para a imagem do presidente por causa do uso excessivo em todas as campanhas em todas as unidades da Federação. Os candidatos em todos os níveis usaram e abusaram da imagem de Lula de forma excessiva e até irresponsável como nunca ocorrera antes.
Segundo, estávamos fazendo um reposicionamento estratégico, e antes que as transições conceituais ficassem claras, era importante preservar o nosso principal trunfo, que era o presidente. Foi uma operação tão delicada e corajosa que o próprio presidente Lula, na passagem do primeiro para o segundo turno, chegou a me questionar a respeito.
Muitos temeram a derrota nessa fase?
Temer a derrota é inerente a qualquer um envolvido em uma campanha. Sobretudo quando há uma quebra de expectativa, que foi o que ocorreu com a ida para o segundo turno.
De certa maneira, esse mesmo sentimento perpassou a campanha de 2006, no início daquele segundo turno.
Quando Dilma teve câncer, o que a área de marketing da pré-campanha fez?
Primeiro, foi um susto. Uma situação insólita. Iniciar uma campanha com uma candidata pouco conhecida e enfrentando um desafio dessa magnitude. Só havia então um caminho que era buscar o máximo de transparência. Todo o tratamento foi ampla e livremente noticiado pela mídia. Num caso como este não se pode, nem se deve inventar ou maquiar nada. A verdade é o melhor remédio. Até porque ela sempre prevalece.
A sua contratação ocorreu a partir de quando?
O PT me contratou para dar consultoria e fazer as propagandas partidárias em 2009.
Como Dilma reagiu à necessidade de fazer operação plástica no rosto e na região do pescoço, mudar o vestuário, treinar oratória, aceitar cabeleireiro e maquiadora sempre perto?
Variou. A decisão de fazer a operação plástica, por exemplo, foi dela. Como toda mulher, quando se trata de estética, ela gosta de ela mesma tomar iniciativa. Ou, pelo menos, de pensar que foi dela a decisão.
Por que Dilma tem dificuldade para falar em público, às vezes não completando um raciocínio?
Durante toda a sua vida, Dilma foi treinada mais para fazer do que para falar. Além disso, ela é daquelas pessoas que tem raciocínio mais rápido do que a verbalização. E algo ainda mais complexo: imagine uma pessoa que nunca foi candidata a nada inaugurando sua vida eleitoral sendo candidata a presidente de um país do tamanho do Brasil?
Tudo isso provoca um tipo de tensão e ansiedade que obviamente repercute na maneira de se comunicar. Porém, o mais surpreendente, é que Dilma superou todos esses obstáculos de maneira brilhante. O mérito maior é dela.
Como era sua equipe na campanha?
Tive a felicidade de formar um "dream team". Cerca de 200 pessoas estiveram envolvidas. Alguns já trabalhavam comigo há muito anos como Eduardo Costa, meu braço direito e um dos grandes responsáveis pelo sucesso da campanha. Outros se reaproximaram e foram fundamentais como Marcelo Kértesz, Lô Politi e Giovani Lima, como diretores de vídeo. Sem falar da presença essencial de Mônica Moura, minha mulher e sócia.
Como presidente Lula interagiu com Dilma durante a campanha?
Em termos presenciais, o contato foi muito menor do que quando ela estava no governo.
Haveria alguma forma de o PSDB usar de maneira positiva, em nível nacional, a imagem de FHC em uma campanha presidencial?
Num período muito curto de campanha, seria muito difícil, quase impossível. Se eu estivesse no lugar de Luiz Gonzalez [publicitário da campanha de José Serra], que considero um dos melhores marqueteiros do Brasil, talvez eu fizesse o mesmo que ele fez.
O uso da imagem de FHC só seria viável eleitoralmente depois de um trabalho consistente ao longo de um período de vários anos. Seria preciso recuperar uma narrativa do governo tucano, que teve méritos, mas ficou com a imagem avariada por causa do final da administração FHC.
Creio ter havido um desleixo da parte do próprio Fernando Henrique, com uma atitude olímpica. Quem sabe, por vício acadêmico, ele esperava um resgate histórico que viesse apenas por gravidade. Mas, no seu caso, seria necessário mais do que isso. Ele e seu partido teriam de se esforçar para defender a imagem daquela administração, deixando de lado a timidez ou o medo que demonstram ter.
Teria sido possível neste ano eleger José Serra ou algum candidato de oposição? Com qual estratégia?
Muito improvável. A menos que cometêssemos alguns erros e a oposição milhões de acertos
Aécio Neves teria tido condições de vencer Dilma?
Poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado.
Como foi e com qual frequência se deu neste ano sua relação com o publicitário de Serra, Luiz González?
Sempre tivemos uma boa relação. Admiro o González tanto por sua competência como por seu caráter. E é sempre uma parada dura enfrentá-lo numa campanha. Nos falamos várias vezes durante esta campanha para negociarmos regras de debates e outros detalhes envolvendo participações dos nossos candidatos.
A negociação mais insólita foi quando liguei, pra ele, na véspera do Círio de Belém, sugerindo que abríssemos mão da propaganda eleitoral na TV no dia da festa, no Pará. Ele pediu pra consultar o Serra e topou. Tenho certeza que os paraenses gostaram muito desta atitude e Nossa Senhora de Nazaré, com certeza, abençoou os dois candidatos.
Esta eleição teve dez debates. Quais foram os mais úteis eleitoralmente? Os da Globo, pela alta audiência?
Todos foram importantes, mas nenhum decisivo.
Todos os debates foram engessados por regras impostas pelos candidatos e seus assessores. O que seria necessário para haver debates mais livres?
Os debates, como algumas regras da propaganda eleitoral, têm de ser revistos. O problema dos debates é que dependem da vontade dos candidatos. E vontade dos candidatos é a coisa mais difícil de administrar.
E no caso do horário eleitoral, o que pode ser feito?
Eu acho que a lei de propaganda eleitoral é uma das mais modernas do mundo. Porém, há situações anômalas que devem ser corrigidas. Por exemplo, a legislação sobre pré-campanha. Outra, a legislação do segundo turno.
No caso do segundo turno, como está concebido, é uma violência contra os candidatos, contra os partidos, contra os eleitores e contra as equipes que produzem os programas eleitorais. Deveria haver menos propaganda, mais debates obrigatórios, mais liberdade de entrevistas nos meios de comunicação eletrônicos e a eleição em si ser mais próxima da do primeiro turno.
Qual foi a importância da internet na campanha?
Ao contrário do que se fala, a internet teve um papel importante nesta eleição. Pena que tenha sido usada, muito fortemente, para veicular campanha negativa raivosa, anônima e, muitas vezes, criminosa. Isso terminou por diminuir muito a credibilidade do material que circulava na web. Mas a cada dia o papel da internet será maior nas eleições brasileiras. E isso é muito bom para a disputa eleitoral e para o avanço democrático.
Nos EUA, a web é usada na difusão de propaganda negativa, mas também na arrecadação de fundos. Quando haverá isso aqui?
Como já disse, houve um predomínio de propaganda negativa. Mas a mobilização nas redes sociais foi também intensa. Esta é a grande chave, no futuro, para aumentar o impacto da web nas eleições.
Qual foi o saldo da contratação de técnicos que trabalharam na campanha da web de Barack Obama?
A participação deles ficou praticamente restrita à transferência de tecnologia e de ferramentas. Não participaram da estratégia nem da conceituação da campanha em nenhum nível. Mas são profissionais bem competentes em sua área.
Teria sido possível eleger algum outro ministro técnico como Dilma usando a mesma estratégia?
Acho que seria muito difícil. A escolha de Dilma foi uma das maiores provas da intuição e da genialidade política do presidente Lula. Eu tive o privilégio de ser uma das primeiras pessoas a saber da decisão do presidente e a fazer estudos sobre isso, a pedido dele.
Desde o início ficou claro que a transferência de votos se daria de forma harmônica e fluídica. Está provado que a transferência, na maioria das vezes, se dá mais pelas características do receptor do que do doador. De todos os possíveis candidatos, Dilma reunia as melhores condições para isso. Era mulher, ocupava um papel-chave no governo, tinha passado e presente limpos, era competente, firme, corajosa, combativa e tinha fidelidade absoluta ao presidente.
Além disso, por causa do tipo de personalidade de Lula, era muito mais natural e com maior poder de sedução junto ao seu eleitorado, ele pedir voto para uma mulher do que para um homem.
Em 2014, os parâmetros de exigência da população estarão elevados para outro patamar e o Bolsa Família terá menos importância?
Primeiro é bom esclarecer, que no campo da psicologia do voto, o Bolsa Família é percebido pelos seus beneficiários como um detalhe importante, porém um detalhe, de uma coisa ainda maior e mais forte para eles que é o olhar social do governo Lula.
O programa, em si, tem apelo eleitoral? Tem. Porém menos do que se apregoa. E, como já disse, não funciona de forma isolada. Acho que poucos governos, como o do presidente Lula, e, tenho certeza, o da presidenta Dilma, reúnem tantas condições de poder acompanhar o que você chama de elevação de parâmetros de exigência da população.
Na verdade é mais do que isso. Quando o governo Lula retirou 28 milhões de pessoas da miséria e levou 36 milhões para a classe média estava, ao mesmo tempo, dando vida digna e cidadania a estas pessoas, elevando seu nível de vida e, simultaneamente, elevando os seus 'parâmetros de exigência'. Ou seja, as políticas públicas de Lula e de Dilma são maiores do que qualquer tipo de pragmatismo eleitoral.
Se quiser vencer, o que deve fazer a oposição daqui até 2014?
Não me sinto apto a dar conselhos à oposição. Ela tem consultores mais competentes do que eu para isso.
O sr. foi convidado a continuar prestando assessoria de imagem e marketing para Dilma Rousseff?
A presidenta eleita não me falou nada sobre isso e eu tenho uma agenda internacional carregada, nos próximos três anos, que atrapalharia bastante um trabalho deste tipo.
Uma ala do PT, entre os quais José Dirceu e Fernando Pimentel, desejava a sua saída e a volta de Duda Mendonça. Como foi essa disputa?
É natural que na política, nos negócios e no amor as pessoas queiram se associar com quem têm afinidade. Até hoje, não sei exatamente quem participou dessa articulação. Só sei que foi um grupo muito pequeno e que não contava com o apoio da cúpula da campanha nem do PT. Lula e Dilma sempre me apoiaram integralmente. O ex-presidente do PT Ricardo Berzoini e o presidente atual da legenda, José Eduardo Dutra, sempre me deram todo apoio.
Quais são os seus planos profissionais a partir de agora?
Eu tenho muitos clientes fora do Brasil e provavelmente me dedique mais a eles, nos próximos dois anos. Estou examinando também, com carinho, uma proposta de sociedade de uma empresa americana de marketing político para atuação junto ao eleitorado latino, nos Estados Unidos.
Quero ver, também, se tenho tempo de terminar dois livros que estou escrevendo, um romance e outro sobre marketing político. Além disso, quero ver se volto a me dedicar à música.
Quanto o sr. cobrou para fazer a campanha de Dilma Rousseff?
O custo total da área de propaganda e marketing, incluindo as pesquisas qualitativas e as quantis estratégicas, foi de R$ 44 milhões.
O Brasil é o país latino-americano no qual as campanhas políticas são as mais caras?
O custo das campanhas no Brasil está diretamente relacionado ao tamanho do eleitorado, à força de sua economia e à qualidade e sofisticação do seu marketing eleitoral. Sem dúvida, um dos melhores do mundo.
Continua a existir uma imagem negativa dos marqueteiros. Esse é um problema de marketing que os principais envolvidos não conseguem solucionar?
Acho que esta suposta imagem negativa está circunscrita a determinados setores da sociedade que não entendem --ou não querem entender-- o verdadeiro papel do marketing político.
Para a maioria da população ocorre exatamente o contrário: há uma profunda curiosidade e atração pelo nosso trabalho. Assim como somos um país com dezenas de milhões de técnicos de futebol, estamos também nos transformando num país com milhões de marqueteiros.
É incrível como hoje todo mundo discute e "entende" de marketing político. Chega a ser pitoresco, nos grupos de pesquisa qualitativa, como eleitores de todas as camadas sociais comentam, opinam e desvendam os segredos do marketing. É uma escola de prática de política.
Há semelhanças entre a transferência de poder do russo Vladimir Putin para Dmitri Medvedev, em 2008, e agora no caso dos brasileiros Lula e Dilma?
Li sobre isso na mídia internacional. É um equívoco absoluto, uma leitura caricata e ligeira. A democracia no Brasil é mais complexa e sofisticada. Mas isso me faz lembrar uma história curiosa.
Como a eleição brasileira chama a atenção em vários países, no início de maio, um emissário não oficial do governo russo mandou um recado para a campanha de Dilma. Essa pessoa queria oferecer o que seria uma técnica que dizia ser infalível de transferência de votos baseada na experiência exitosa de Putin para Medvedev.
Demos muita risada e é claro que recusamos. Mas tenho a impressão que um ou outro integrante da nossa campanha chegou a ficar tentado em pelo menos ouvir o que os russos tinham a dizer. Mas é óbvio que nenhum contato foi feito, embora o episódio demonstre como era imprevisível para alguns a capacidade de Lula de transferir votos para Dilma.
Deus veio para a mídia
Por Deonísio da Silva em 2/11/2010
Fez bem a revista Superinteressante em dar capa a Deus no número de novembro. Afinal, em outubro, Deus, por ínvios caminhos, esteve na pauta da mídia de um modo ou de outro, às vezes trazido de falas de bispos, padres e pastores, outras vezes ressoando por temas de domínio conexo nos programas dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno. Esses temas frequentaram igualmente o programa da candidata que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, por tratar-se de pessoa formada nas comunidades eclesiais de base da igreja católica.
Todavia Marina Silva trocou de partido, deixando o PT para migrar para o PV; e de religião, migrando dos católicos para os evangélicos. Dilma Rousseff e José Serra também apresentaram ingrediente religioso nas respectivas campanhas, seja nas missas a que compareceram, deixando-se fotografar e filmar (José Serra chegou a comungar sem confessar, numa delas), seja nos complexos argumentos religiosos invocados para defender a vida e fixar posição contra o aborto. Como se em plena modernidade não fosse possível defender a vida sem incorrer no pecado de "invocar seu santo nome em vão".
Motivos plurais
Deus não atrapalha ninguém na defesa da vida, mas se alguém quisesse, por hipótese, defender a morte, encontraria, principalmente no Antigo Testamento, um Deus que se propõe a exterminar a oposição, não a dos demônios, mas a dos homens. As chacinas de estrangeiros patrocinadas pelo Deus de Israel, o Senhor dos Exércitos, são um espanto. O Jeová do Antigo Testamento é mesmo durão! Felizmente, a civilização datada dos tempos d.C., inaugurados ainda no primeiro século do primeiro milênio, alicerçou-se no supremo mandamento "amai-vos uns aos outros". O discurso pacífico não impediu, porém, que os massacres continuassem, irrompendo em séculos sangrentos.
Hoje mesmo nossa civilização é herdeira de duas guerras mundiais na primeira metade do século passado e de numerosos conflitos que trazem no bojo o ingrediente religioso. Mata-se em nome de Deus, tenha ele o nome que tenha, seja Deus ou Alá. Mata-se em campos de batalha, mata-se nas ruas, mata-se em casa e matam-se nascituros fora ou dentro do ventre das mães, por aborto, inanição, desnutrição, fome etc. Por que então o aborto ganhou a primazia das mortes a evitar?
Infelizmente a mídia submeteu-se aos discursos dos candidatos e nem ela mesma foi capaz de fixar uma defesa leiga da vida, como se precisássemos de temperos religiosos para sermos éticos, justos, humanitários, compassivos, solidários, preocupados com o outro, que, vivendo ou não em nosso mundo, faz por merecer o nosso respeito. Misturar isso já resultou em Inquisição, em genocídios, em diversas formas de excluir o outro do convívio, por ser de outra cor, por ser pobre, por morar em tal ou qual lugar do mundo e não em nossos domínios imediatos; enfim, os motivos são plurais, mas todos têm um só e mesmo objetivo: a exclusão. Se todas as estratégias falharem, ainda temos a guerra e a morte, no varejo ou no atacado, para resolver os conflitos.
Invocação indevida
Superinteressante, diferentemente dos programas dos candidatos à presidência da República, não perde a oportunidade de informar e formar, duas coisas que os programas de todos os partidos esqueceram, fixando-se num combate, como se os programas de televisão fossem arenas e não passarelas. O que diria o público se num desfile espetacular de modelos, Gisele Bündchen puxasse os cabelos da concorrente, baixasse o biquíni de outras candidatas e mostrasse ocultas cicatrizes, marcas para disfarçar celulites e outras imperfeições de pele ou aludisse ao passado delas, proclamando o seu como exemplar?
Seria difícil escolher a vencedora. Pois, chutatis chutandi, foi mais ou menos esse o quadro apresentado aos eleitores. Não admira que tenha sido a campanha presidencial que menos interesse despertou no distinto público. E o resultado está aí: por insondáveis ou claros motivos, 36.339.177 eleitores não votaram em nenhum dos dois candidatos. Esta foi a soma de abstenções, votos nulos, votos em branco.
José Serra, o candidato derrotado, teve 43.711.388. E a vencedora, a primeira mulher eleita presidente da República, teve 55.752.529 votos. Aqueles que, de um ou modo ou de outro, não votaram nela, somaram 80.050.565 eleitores. Mas agora ela é a presidente da República de todos os brasileiros, inclusive daqueles que ainda não são eleitores, alguns dos quais vão nascer depois que ela for diplomada e tomar posse.
São obviedades? São. Mas são dados muito importantes. E Deus não poderá ser invocado como desculpa para novos fracassos e incompetências que nos impeçam de resolver problemas seculares que afligem o Brasil.
Fez bem a revista Superinteressante em dar capa a Deus no número de novembro. Afinal, em outubro, Deus, por ínvios caminhos, esteve na pauta da mídia de um modo ou de outro, às vezes trazido de falas de bispos, padres e pastores, outras vezes ressoando por temas de domínio conexo nos programas dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno. Esses temas frequentaram igualmente o programa da candidata que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, por tratar-se de pessoa formada nas comunidades eclesiais de base da igreja católica.
Todavia Marina Silva trocou de partido, deixando o PT para migrar para o PV; e de religião, migrando dos católicos para os evangélicos. Dilma Rousseff e José Serra também apresentaram ingrediente religioso nas respectivas campanhas, seja nas missas a que compareceram, deixando-se fotografar e filmar (José Serra chegou a comungar sem confessar, numa delas), seja nos complexos argumentos religiosos invocados para defender a vida e fixar posição contra o aborto. Como se em plena modernidade não fosse possível defender a vida sem incorrer no pecado de "invocar seu santo nome em vão".
Motivos plurais
Deus não atrapalha ninguém na defesa da vida, mas se alguém quisesse, por hipótese, defender a morte, encontraria, principalmente no Antigo Testamento, um Deus que se propõe a exterminar a oposição, não a dos demônios, mas a dos homens. As chacinas de estrangeiros patrocinadas pelo Deus de Israel, o Senhor dos Exércitos, são um espanto. O Jeová do Antigo Testamento é mesmo durão! Felizmente, a civilização datada dos tempos d.C., inaugurados ainda no primeiro século do primeiro milênio, alicerçou-se no supremo mandamento "amai-vos uns aos outros". O discurso pacífico não impediu, porém, que os massacres continuassem, irrompendo em séculos sangrentos.
Hoje mesmo nossa civilização é herdeira de duas guerras mundiais na primeira metade do século passado e de numerosos conflitos que trazem no bojo o ingrediente religioso. Mata-se em nome de Deus, tenha ele o nome que tenha, seja Deus ou Alá. Mata-se em campos de batalha, mata-se nas ruas, mata-se em casa e matam-se nascituros fora ou dentro do ventre das mães, por aborto, inanição, desnutrição, fome etc. Por que então o aborto ganhou a primazia das mortes a evitar?
Infelizmente a mídia submeteu-se aos discursos dos candidatos e nem ela mesma foi capaz de fixar uma defesa leiga da vida, como se precisássemos de temperos religiosos para sermos éticos, justos, humanitários, compassivos, solidários, preocupados com o outro, que, vivendo ou não em nosso mundo, faz por merecer o nosso respeito. Misturar isso já resultou em Inquisição, em genocídios, em diversas formas de excluir o outro do convívio, por ser de outra cor, por ser pobre, por morar em tal ou qual lugar do mundo e não em nossos domínios imediatos; enfim, os motivos são plurais, mas todos têm um só e mesmo objetivo: a exclusão. Se todas as estratégias falharem, ainda temos a guerra e a morte, no varejo ou no atacado, para resolver os conflitos.
Invocação indevida
Superinteressante, diferentemente dos programas dos candidatos à presidência da República, não perde a oportunidade de informar e formar, duas coisas que os programas de todos os partidos esqueceram, fixando-se num combate, como se os programas de televisão fossem arenas e não passarelas. O que diria o público se num desfile espetacular de modelos, Gisele Bündchen puxasse os cabelos da concorrente, baixasse o biquíni de outras candidatas e mostrasse ocultas cicatrizes, marcas para disfarçar celulites e outras imperfeições de pele ou aludisse ao passado delas, proclamando o seu como exemplar?
Seria difícil escolher a vencedora. Pois, chutatis chutandi, foi mais ou menos esse o quadro apresentado aos eleitores. Não admira que tenha sido a campanha presidencial que menos interesse despertou no distinto público. E o resultado está aí: por insondáveis ou claros motivos, 36.339.177 eleitores não votaram em nenhum dos dois candidatos. Esta foi a soma de abstenções, votos nulos, votos em branco.
José Serra, o candidato derrotado, teve 43.711.388. E a vencedora, a primeira mulher eleita presidente da República, teve 55.752.529 votos. Aqueles que, de um ou modo ou de outro, não votaram nela, somaram 80.050.565 eleitores. Mas agora ela é a presidente da República de todos os brasileiros, inclusive daqueles que ainda não são eleitores, alguns dos quais vão nascer depois que ela for diplomada e tomar posse.
São obviedades? São. Mas são dados muito importantes. E Deus não poderá ser invocado como desculpa para novos fracassos e incompetências que nos impeçam de resolver problemas seculares que afligem o Brasil.
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Dilma e o legado do governo Lula
Por Altamiro Borges
A eleição no Brasil se deu num quadro de relativa estabilidade econômica. A crise capitalista mundial de 2008/2009 atingiu o país numa situação distinta de outras recessões recentes que geraram explosões de desemprego e corrosão salarial. Não houve um tsunami, como torcia a oposição neoliberal-conservadora, mas também não foi uma suave “marolinha”, como afirmou o presidente Lula. A economia brasileira encolheu 0,2% em 2009, ceifando milhares de empregos. As empresas também utilizaram a crise para fazer terrorismo, cortando salários e direitos sociais.
Mas, objetivamente, o Brasil demorou a entrar na crise e revelou surpreendente capacidade para sair rapidamente dela. O governo Lula projeta crescimento de 7% na economia em 2010. Como na depressão de 1929, quando Getúlio Vargas apostou na industrialização e na superação da condição de nação arcaica, a atual crise também pode abrir uma nova “janela de oportunidades”. Para o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a robusta retomada do crescimento já projeta o Brasil como a quinta economia mundial, com melhores condições para enfrentar seus gargalos estruturais e os graves problemas sociais. Cada um por cento de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) representa cerca de 400 mil novos empregos com carteira assinada.
Quadro mais favorável às lutas
A rápida retomada da economia é saudada pelos trabalhadores e cria um quadro mais favorável às lutas sociais. Somente no primeiro semestre de 2010 foram criados 1,473 milhão de empregos com carteira assinada – o melhor resultado desde o início do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 1992. A estimativa é que o ano se encerre com a criação de mais de 2,5 milhões de novos postos de trabalho, o que aquece o mercado interno, reforça a produção e o comércio e eleva a renda dos assalariados num circulo virtuoso de desenvolvimento sustentado.
Dado surpreendente da vitalidade da economia é que em pleno auge da crise mundial a renda do trabalho não despencou. Segundo o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), 93% das categorias obtiveram aumento real ou igual à inflação em 2009. O crescimento econômico também garantiu aumento da arrecadação tributária, o que garante a manutenção e ampliação dos programas sociais, maior investimento do estado na infra-estrutura e desmascara as falácias neoliberais sobre déficit na Previdência Social como forma de se opor ao reajuste das aposentarias e pensões e ao fim do fator previdenciário.
Razões do crescimento econômico
A surpreendente retomada da economia nacional decorre de vários fatores. Não é expressão de pura sorte ou dádiva divina, como dizem os invejosos neoliberais. O sindicalismo brasileiro, que lutou e arrancou a política de aumento real do salário mínimo, é um dos responsáveis pela atual reação. Estudo da Fundação Getúlio Vargas comprova que a valorização do mínimo foi decisiva para aquecer o mercado interno, atenuando os estragos da crise mundial.
Já os programas sociais implantados pelo atual governo, que também derivam da pressão dos movimentos populares por saídas emergências para a fome e miséria, tiveram papel de destaque, principalmente nas regiões interioranas do país. O Bolsa Família é hoje um fator de dinamização das economias locais. Ele saltou de um atendimento de 3,6 milhões de famílias, em 2003, para 12,3 milhões, em 2009. Para Marcelo Neri, economista da FGV/RJ, a valorização do salário mínimo e os programas sociais foram os responsáveis pela contenção da crise.
“Foi uma ‘pequena grande década’. A melhora da renda hoje é muita mais sustentável”, confessa Neri, um crítico do atual governo. Essa melhora da renda garantiu maior consumo, o que forçou maior produção e gerou mais empregos. Desde 2003 foram criados 12,2 milhões de empregos formais no Brasil. A renda média no país cresceu 5,3% ao ano; no Nordeste, o ritmo de crescimento foi “chinês”, de 7,3% - segundo a FGV.
Bancos públicos e política externa
A rápida reação à crise mundial também decorreu da existência de potentes estatais, como a Petrobras, e de musculosos bancos públicos, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES – que não foram privatizados no reinado de FHC graças à intensa resistência social. Eles garantiram a circulação de dinheiro no mercado interno, a chamada liquidez, num momento de sumiço dos recursos externos e de chantagens da ditadura financeira.
Diferentemente das gestões neoliberais, o governo também usou medidas anticíclicas, reduzindo impostos, para aquecer a economia interna. Por último, vale realçar o papel da política externa. Fugindo da armadilha do “alinhamento automático aos EUA”, o Brasil diversificou seu comércio exterior e fortaleceu o Mercosul e as relações Sul-Sul. Caso mantida a política anterior, quando o país dependia em quase 30% do comércio com os EUA, o desastre seria inevitável. A política externa soberana e altiva foi decisiva para salvar o Brasil da grave crise capitalista internacional.
Graves problemas estruturais
Estas conquistas, porém, não superam os graves problemas estruturais do país. Elas devem ser comemoradas, mas não podem nos embriagar ou acomodar. Afinal, o Brasil ainda é um país extremamente injusto. O capital financeiro mantém seus privilégios. Mesmo na crise, os bancos registraram as mais altas taxas de lucros das Américas, segundo a consultoria Economática, devido aos estratosféricos juros (153% nos cheques especiais), às taxas escorchantes dos serviços bancários (alta de 328% no ano passado) e à brutal exploração dos bancários.
Já a estrutura agrária é uma das mais atrasadas do mundo, com 1% dos latifundiários controlando 48% das terras agricultáveis. E a renda do trabalho ainda é ridícula. Pesquisa da OIT revela que um em cada quatro brasileiros ganha menos de US$ 75 por mês e que a cobertura do seguro-desemprego atende menos de 10% das vítimas. Mesmo reconhecendo que houve melhoria na distribuição de renda – a pobreza caiu de 43%, em 2003, para 25,8%, em 2008 –, a OIT garante que o Brasil ainda é um dos países de pior distribuição de renda e riqueza do planeta
A eleição no Brasil se deu num quadro de relativa estabilidade econômica. A crise capitalista mundial de 2008/2009 atingiu o país numa situação distinta de outras recessões recentes que geraram explosões de desemprego e corrosão salarial. Não houve um tsunami, como torcia a oposição neoliberal-conservadora, mas também não foi uma suave “marolinha”, como afirmou o presidente Lula. A economia brasileira encolheu 0,2% em 2009, ceifando milhares de empregos. As empresas também utilizaram a crise para fazer terrorismo, cortando salários e direitos sociais.
Mas, objetivamente, o Brasil demorou a entrar na crise e revelou surpreendente capacidade para sair rapidamente dela. O governo Lula projeta crescimento de 7% na economia em 2010. Como na depressão de 1929, quando Getúlio Vargas apostou na industrialização e na superação da condição de nação arcaica, a atual crise também pode abrir uma nova “janela de oportunidades”. Para o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a robusta retomada do crescimento já projeta o Brasil como a quinta economia mundial, com melhores condições para enfrentar seus gargalos estruturais e os graves problemas sociais. Cada um por cento de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) representa cerca de 400 mil novos empregos com carteira assinada.
Quadro mais favorável às lutas
A rápida retomada da economia é saudada pelos trabalhadores e cria um quadro mais favorável às lutas sociais. Somente no primeiro semestre de 2010 foram criados 1,473 milhão de empregos com carteira assinada – o melhor resultado desde o início do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 1992. A estimativa é que o ano se encerre com a criação de mais de 2,5 milhões de novos postos de trabalho, o que aquece o mercado interno, reforça a produção e o comércio e eleva a renda dos assalariados num circulo virtuoso de desenvolvimento sustentado.
Dado surpreendente da vitalidade da economia é que em pleno auge da crise mundial a renda do trabalho não despencou. Segundo o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), 93% das categorias obtiveram aumento real ou igual à inflação em 2009. O crescimento econômico também garantiu aumento da arrecadação tributária, o que garante a manutenção e ampliação dos programas sociais, maior investimento do estado na infra-estrutura e desmascara as falácias neoliberais sobre déficit na Previdência Social como forma de se opor ao reajuste das aposentarias e pensões e ao fim do fator previdenciário.
Razões do crescimento econômico
A surpreendente retomada da economia nacional decorre de vários fatores. Não é expressão de pura sorte ou dádiva divina, como dizem os invejosos neoliberais. O sindicalismo brasileiro, que lutou e arrancou a política de aumento real do salário mínimo, é um dos responsáveis pela atual reação. Estudo da Fundação Getúlio Vargas comprova que a valorização do mínimo foi decisiva para aquecer o mercado interno, atenuando os estragos da crise mundial.
Já os programas sociais implantados pelo atual governo, que também derivam da pressão dos movimentos populares por saídas emergências para a fome e miséria, tiveram papel de destaque, principalmente nas regiões interioranas do país. O Bolsa Família é hoje um fator de dinamização das economias locais. Ele saltou de um atendimento de 3,6 milhões de famílias, em 2003, para 12,3 milhões, em 2009. Para Marcelo Neri, economista da FGV/RJ, a valorização do salário mínimo e os programas sociais foram os responsáveis pela contenção da crise.
“Foi uma ‘pequena grande década’. A melhora da renda hoje é muita mais sustentável”, confessa Neri, um crítico do atual governo. Essa melhora da renda garantiu maior consumo, o que forçou maior produção e gerou mais empregos. Desde 2003 foram criados 12,2 milhões de empregos formais no Brasil. A renda média no país cresceu 5,3% ao ano; no Nordeste, o ritmo de crescimento foi “chinês”, de 7,3% - segundo a FGV.
Bancos públicos e política externa
A rápida reação à crise mundial também decorreu da existência de potentes estatais, como a Petrobras, e de musculosos bancos públicos, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES – que não foram privatizados no reinado de FHC graças à intensa resistência social. Eles garantiram a circulação de dinheiro no mercado interno, a chamada liquidez, num momento de sumiço dos recursos externos e de chantagens da ditadura financeira.
Diferentemente das gestões neoliberais, o governo também usou medidas anticíclicas, reduzindo impostos, para aquecer a economia interna. Por último, vale realçar o papel da política externa. Fugindo da armadilha do “alinhamento automático aos EUA”, o Brasil diversificou seu comércio exterior e fortaleceu o Mercosul e as relações Sul-Sul. Caso mantida a política anterior, quando o país dependia em quase 30% do comércio com os EUA, o desastre seria inevitável. A política externa soberana e altiva foi decisiva para salvar o Brasil da grave crise capitalista internacional.
Graves problemas estruturais
Estas conquistas, porém, não superam os graves problemas estruturais do país. Elas devem ser comemoradas, mas não podem nos embriagar ou acomodar. Afinal, o Brasil ainda é um país extremamente injusto. O capital financeiro mantém seus privilégios. Mesmo na crise, os bancos registraram as mais altas taxas de lucros das Américas, segundo a consultoria Economática, devido aos estratosféricos juros (153% nos cheques especiais), às taxas escorchantes dos serviços bancários (alta de 328% no ano passado) e à brutal exploração dos bancários.
Já a estrutura agrária é uma das mais atrasadas do mundo, com 1% dos latifundiários controlando 48% das terras agricultáveis. E a renda do trabalho ainda é ridícula. Pesquisa da OIT revela que um em cada quatro brasileiros ganha menos de US$ 75 por mês e que a cobertura do seguro-desemprego atende menos de 10% das vítimas. Mesmo reconhecendo que houve melhoria na distribuição de renda – a pobreza caiu de 43%, em 2003, para 25,8%, em 2008 –, a OIT garante que o Brasil ainda é um dos países de pior distribuição de renda e riqueza do planeta
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Avanço democrático
Coluna do Leitor
4 de novembro de 2010 às 16:12h
Por René Ruschel*
A vitória da candidata Dilma Rousseff foi um passo importante e fundamental para consolidação da democracia reiniciada em 1989, após 21 anos de ditadura militar. De lá pra cá o Brasil amadureceu e avançou em seus propósitos. Foi capaz de superar crises econômicas e políticas sem pôr em risco as instituições; sofreu reformulações, mudanças e pode escolher livremente seus representantes. A liberdade de expressão e de pensamento prevaleceu sobre o arbítrio e a censura de antanho. Enfim, se durante décadas ouvimos que o Brasil era o país do futuro agora, finalmente, esse futuro não é apenas uma luz ao fim do túnel, mas a realidade que só não vê quem faz de conta que não enxerga.
Neste processo, só não fomos capazes de aprimorar o conteúdo dos discursos e debates eleitorais. Pela enésima vez é preciso repetir que a eleição de 2010, principalmente no segundo turno, foi a mais leviana, suja e sórdida dos últimos anos, onde prevaleceu a mentira, a farsa e os interesses das elites retrógradas. A chamada grande imprensa, ao invés de pautar a discussão de temas voltados aos interesses nacionais, desta vez expôs sem qualquer escrúpulo ou pudor sua carranca na tentativa de servir como instrumento a disseminar os efeitos devastadores da mentira.
Não menos surpreendente foi a postura dissimulada do candidato tucano, José Serra. Seu passado de homem público esteve pautado pelo discurso progressista, na defesa da democracia e seus valores. Exilado político no Chile foi vitima da ditadura militar tanto aqui como lá. E todos sabem do que são capazes os ditadores. Mas agora, na ânsia de buscar a vitória a qualquer preço, Serra se uniu e praticou tudo aquilo que sua biografia até então aparentava rejeitar. Arrastou consigo a nata do conservadorismo, aliou-se a mesma elite que no passado o expulsou do país. Buscou guarida no fundamentalismo religioso e foi capaz de falsear uma fé que publicamente jamais professou em outras campanhas. Aliás, uma cena em Foz do Iguaçu, PR, quando se postou à frente numa convenção de pastores evangélicos é o retrato da falácia, da mentira, da extorsão. Assumiu não só a postura como encarnou o discurso da moral e dos bons costumes ao acusar a então candidata Dilma Rousseff de ser favorável ao aborto. Mas foi traído pela denúncia que sua mulher Monica Serra, no exílio, havia feito um aborto. Jamais desmentiu o fato ou permitiu que ela falasse sobre o tema. Exceto uma nota publicada na Folha de S. Paulo, os jornais e revistas aliados a sua candidatura não imprimiram em seus periódicos uma linha sequer sobre o assunto. Após esse fato o tema aborto simplesmente desapareceu do debate. Pergunto eu: uma mulher vítima de acusação falsa, leviana e grave como essa ficaria calada ou buscaria seus direitos na Justiça? Ou quem cala consente?
Felizmente o processo democrático pressupõe a vontade da maioria e permite que a sociedade escolha pelo voto o seu presidente da República. Nesse caso, a nova presidente. Duas propostas distintas estavam em jogo e os eleitores optaram pela continuidade de um projeto preocupado com as questões sociais; onde os números, as realizações, as vantagens ou desvantagens desse modelo, assim como a aprovação ou reprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se resumem a estatísticas publicadas em estudos acadêmicos ou pesquisas de opinião pública. Basta caminhar pelas ruas e conversar com o povo.
A derrota de Serra serviu para demonstrar que o Brasil consolidou de fato sua democracia. A “elite branca” acostumada a impor goela abaixo seus interesses em cumplicidade com setores da imprensa dessa vez tropeçou na própria farsa. O lixo resultante da campanha só é útil para engrossar o folclore político nacional. Se estivesse vivo, o jornalista Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta – teria assunto de sobra para reeditar uma nova versão de sua imortal obra “O Festival de Besteira Que Assola o País – FEBEAPA”.
*René Ruschel é jornalista em Curitiba, PR. www.aagendacapital.blogspot.com
4 de novembro de 2010 às 16:12h
Por René Ruschel*
A vitória da candidata Dilma Rousseff foi um passo importante e fundamental para consolidação da democracia reiniciada em 1989, após 21 anos de ditadura militar. De lá pra cá o Brasil amadureceu e avançou em seus propósitos. Foi capaz de superar crises econômicas e políticas sem pôr em risco as instituições; sofreu reformulações, mudanças e pode escolher livremente seus representantes. A liberdade de expressão e de pensamento prevaleceu sobre o arbítrio e a censura de antanho. Enfim, se durante décadas ouvimos que o Brasil era o país do futuro agora, finalmente, esse futuro não é apenas uma luz ao fim do túnel, mas a realidade que só não vê quem faz de conta que não enxerga.
Neste processo, só não fomos capazes de aprimorar o conteúdo dos discursos e debates eleitorais. Pela enésima vez é preciso repetir que a eleição de 2010, principalmente no segundo turno, foi a mais leviana, suja e sórdida dos últimos anos, onde prevaleceu a mentira, a farsa e os interesses das elites retrógradas. A chamada grande imprensa, ao invés de pautar a discussão de temas voltados aos interesses nacionais, desta vez expôs sem qualquer escrúpulo ou pudor sua carranca na tentativa de servir como instrumento a disseminar os efeitos devastadores da mentira.
Não menos surpreendente foi a postura dissimulada do candidato tucano, José Serra. Seu passado de homem público esteve pautado pelo discurso progressista, na defesa da democracia e seus valores. Exilado político no Chile foi vitima da ditadura militar tanto aqui como lá. E todos sabem do que são capazes os ditadores. Mas agora, na ânsia de buscar a vitória a qualquer preço, Serra se uniu e praticou tudo aquilo que sua biografia até então aparentava rejeitar. Arrastou consigo a nata do conservadorismo, aliou-se a mesma elite que no passado o expulsou do país. Buscou guarida no fundamentalismo religioso e foi capaz de falsear uma fé que publicamente jamais professou em outras campanhas. Aliás, uma cena em Foz do Iguaçu, PR, quando se postou à frente numa convenção de pastores evangélicos é o retrato da falácia, da mentira, da extorsão. Assumiu não só a postura como encarnou o discurso da moral e dos bons costumes ao acusar a então candidata Dilma Rousseff de ser favorável ao aborto. Mas foi traído pela denúncia que sua mulher Monica Serra, no exílio, havia feito um aborto. Jamais desmentiu o fato ou permitiu que ela falasse sobre o tema. Exceto uma nota publicada na Folha de S. Paulo, os jornais e revistas aliados a sua candidatura não imprimiram em seus periódicos uma linha sequer sobre o assunto. Após esse fato o tema aborto simplesmente desapareceu do debate. Pergunto eu: uma mulher vítima de acusação falsa, leviana e grave como essa ficaria calada ou buscaria seus direitos na Justiça? Ou quem cala consente?
Felizmente o processo democrático pressupõe a vontade da maioria e permite que a sociedade escolha pelo voto o seu presidente da República. Nesse caso, a nova presidente. Duas propostas distintas estavam em jogo e os eleitores optaram pela continuidade de um projeto preocupado com as questões sociais; onde os números, as realizações, as vantagens ou desvantagens desse modelo, assim como a aprovação ou reprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se resumem a estatísticas publicadas em estudos acadêmicos ou pesquisas de opinião pública. Basta caminhar pelas ruas e conversar com o povo.
A derrota de Serra serviu para demonstrar que o Brasil consolidou de fato sua democracia. A “elite branca” acostumada a impor goela abaixo seus interesses em cumplicidade com setores da imprensa dessa vez tropeçou na própria farsa. O lixo resultante da campanha só é útil para engrossar o folclore político nacional. Se estivesse vivo, o jornalista Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta – teria assunto de sobra para reeditar uma nova versão de sua imortal obra “O Festival de Besteira Que Assola o País – FEBEAPA”.
*René Ruschel é jornalista em Curitiba, PR. www.aagendacapital.blogspot.com
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Acusado de torturar Dilma sofre ação do MPF
Rede Brasil Atual
4 de novembro de 2010 às 18:36h
Quatro militares acusados de envolvimento em desaparecimentos e torturas sofrem, a partir desta quinta-feira (4), ação que pede a responsabilização pelos atos. O Ministério Público Federal em São Paulo quer a declaração de responsabilidade civil dos ex-integrantes da Operação Bandeirante (Oban), órgão de repressão da ditadura militar (1964-85).
Como, por enquanto, não há possibilidade de implicação penal, a ideia é que os possíveis réus sejam condenados a pagar indenização à sociedade, percam as aposentadorias e ajudem a União a cobrir os gastos de indenizações a vítimas.
Os procuradores apontam o envolvimento dos militares reformados das Forças Armadas Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes Lima e do capitão reformado da Polícia Militar de São Paulo, João Thomaz, em 15 casos.
Informações mantidas em arquivos públicos e depoimentos de militares levaram a concluir a participação de Lima na tortura da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, detida no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Além disso, o grupo atuou no sequestro de Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, que liderou em 1968 o sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick.
Os procuradores lembram na ação que os militares participaram da tortura da família de Jonas, detida no dia seguinte à morte do integrante da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Como relataram os familiares em entrevistas dadas neste ano à Rede Brasil Atual, os filhos de Jonas eram levados de casa em casa na busca de uma família que os quisesse adotar. Ilda Gomes da Silva, esposa do militante, ficou detida durante meses e incomunicável com os filhos, inclusive com a bebê de quatro meses. De acordo com a ação do MPF, até mesmo a menina Isabel foi torturada com aplicação de choques elétricos na presença de Ilda.
Este ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que a Lei de Anistia vale também para torturadores, o que exclui a possibilidade de condenação penal. Na leitura da maioria dos ministros do STF, o texto aprovado em 1979 foi fruto de um amplo acordo da sociedade.
Há, no entanto, uma possibilidade de invalidar a decisão. A Corte Interamericana de Direitos Humanos deve se pronunciar até o fim deste ano a respeito de ação movida por organizações da sociedade civil. Tendo em vista a definição da Corte em casos anteriores, imagina-se que será determinado ao Brasil o cumprimento de acordos internacionais que visa à reparação dos danos provocados pelo Estado.
4 de novembro de 2010 às 18:36h
Quatro militares acusados de envolvimento em desaparecimentos e torturas sofrem, a partir desta quinta-feira (4), ação que pede a responsabilização pelos atos. O Ministério Público Federal em São Paulo quer a declaração de responsabilidade civil dos ex-integrantes da Operação Bandeirante (Oban), órgão de repressão da ditadura militar (1964-85).
Como, por enquanto, não há possibilidade de implicação penal, a ideia é que os possíveis réus sejam condenados a pagar indenização à sociedade, percam as aposentadorias e ajudem a União a cobrir os gastos de indenizações a vítimas.
Os procuradores apontam o envolvimento dos militares reformados das Forças Armadas Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes Lima e do capitão reformado da Polícia Militar de São Paulo, João Thomaz, em 15 casos.
Informações mantidas em arquivos públicos e depoimentos de militares levaram a concluir a participação de Lima na tortura da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, detida no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Além disso, o grupo atuou no sequestro de Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, que liderou em 1968 o sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick.
Os procuradores lembram na ação que os militares participaram da tortura da família de Jonas, detida no dia seguinte à morte do integrante da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Como relataram os familiares em entrevistas dadas neste ano à Rede Brasil Atual, os filhos de Jonas eram levados de casa em casa na busca de uma família que os quisesse adotar. Ilda Gomes da Silva, esposa do militante, ficou detida durante meses e incomunicável com os filhos, inclusive com a bebê de quatro meses. De acordo com a ação do MPF, até mesmo a menina Isabel foi torturada com aplicação de choques elétricos na presença de Ilda.
Este ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que a Lei de Anistia vale também para torturadores, o que exclui a possibilidade de condenação penal. Na leitura da maioria dos ministros do STF, o texto aprovado em 1979 foi fruto de um amplo acordo da sociedade.
Há, no entanto, uma possibilidade de invalidar a decisão. A Corte Interamericana de Direitos Humanos deve se pronunciar até o fim deste ano a respeito de ação movida por organizações da sociedade civil. Tendo em vista a definição da Corte em casos anteriores, imagina-se que será determinado ao Brasil o cumprimento de acordos internacionais que visa à reparação dos danos provocados pelo Estado.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Cabe à nova técnica a montagem do time. “Estarei na arquibancada, torcendo.”
A nova técnica titular da “seleção” do governo federal é a presidente eleita Dilma Rousseff e cabe a ela fazer as melhores escolhas para montar um time coeso, defendeu o presidente Lula em entrevista coletiva à imprensa realizada nesta quarta-feira (3/11) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Com Dilma ao seu lado durante a entrevista, Lula afirmou que a nova presidente conhece bem, de dentro e de fora, os nomes que poderão compor seu ministério e que fará as escolhas de acordo com sua vontade. “A bola está com a senhora, dona Dilma. Monte o seu time que eu estarei na arquibancada, de camisa uniformizada, sem corneta, batendo palma e nunca vaiando”, afirmou o “torcedor” Lula.
Sobre as especulações que circulam pela imprensa de que estaria indicando nomes de seu próprio governo para a gestão Dilma, Lula ressaltou que a continuidade é da política e não das pessoas, e que a presidente eleita tomará as decisões sem seus palpites e opinião.
Assim como o Mano Menezes, que quando foi chamado para a Seleção não disse quais jogadores deveriam ficar no Corinthians, eu não darei palpites nas pessoas que ela deve escolher. Ela sabe que ela tem que montar uma equipe que, primeiro, seja harmoniosa. Se o time não estiver coeso, se o time não estiver treinado e não tiver com muita harmonia entre os jogadores, se eles estiverem brigando entre si, o jogo não dá certo. Essa mulher tem o direito de montar uma equipe excepcional.
Segundo Lula, o “jogo” tende a ser cada vez melhor para o Brasil, pois o cenário que a nova presidenta encontrará será melhor do que o encontrado por Lula em 2003, uma vez que a bancada no Congresso Nacional está mais consolidada e que haverá senadores “com menos raiva” do que os que saíram, o que é melhor para o País, já que conversar e dialogar com a base aliada e com a oposição faz parte da “lógica do jogo”:
O Congresso é a cara da sociedade. Eu fico olhando vocês aqui e vejo que o Congresso tem a média da cara de vocês. Tem gente de todas as classes sociais, tem gente de todas as origens, tem gente de todas as cores, tem gente de todas os estados. Só de não brigar, conversar, é uma vantagem. E é importante lembrar que nós conseguimos aprovar tudo o que mandamos para o Congresso, com exceção da CPMF. Mas agora a nova safra de governadores vai dizer o que vai querer e todo mundo sabe que vai precisar de dinheiro para a saúde
Sobre as especulações que circulam pela imprensa de que estaria indicando nomes de seu próprio governo para a gestão Dilma, Lula ressaltou que a continuidade é da política e não das pessoas, e que a presidente eleita tomará as decisões sem seus palpites e opinião.
Assim como o Mano Menezes, que quando foi chamado para a Seleção não disse quais jogadores deveriam ficar no Corinthians, eu não darei palpites nas pessoas que ela deve escolher. Ela sabe que ela tem que montar uma equipe que, primeiro, seja harmoniosa. Se o time não estiver coeso, se o time não estiver treinado e não tiver com muita harmonia entre os jogadores, se eles estiverem brigando entre si, o jogo não dá certo. Essa mulher tem o direito de montar uma equipe excepcional.
Segundo Lula, o “jogo” tende a ser cada vez melhor para o Brasil, pois o cenário que a nova presidenta encontrará será melhor do que o encontrado por Lula em 2003, uma vez que a bancada no Congresso Nacional está mais consolidada e que haverá senadores “com menos raiva” do que os que saíram, o que é melhor para o País, já que conversar e dialogar com a base aliada e com a oposição faz parte da “lógica do jogo”:
O Congresso é a cara da sociedade. Eu fico olhando vocês aqui e vejo que o Congresso tem a média da cara de vocês. Tem gente de todas as classes sociais, tem gente de todas as origens, tem gente de todas as cores, tem gente de todas os estados. Só de não brigar, conversar, é uma vantagem. E é importante lembrar que nós conseguimos aprovar tudo o que mandamos para o Congresso, com exceção da CPMF. Mas agora a nova safra de governadores vai dizer o que vai querer e todo mundo sabe que vai precisar de dinheiro para a saúde
Lula errou: o Mandela é ele. Dilma é a Thatcher (de esquerda)
Publicado em 03/11/2010 Compartilhe | Imprima | Vote
Vou te contar a última do Fernando Henrique
Na campanha, Lula tomou a iniciativa de comparar Dilma a Mandela.
Lula quis enfatizar a trajetória de um líder guerrilheiro, encarcerado, que entra na batalha – vitoriosa – de uma democracia.
Na entrevista de hoje, no Palácio do Planalto – clique aqui para ver que ele fala de uma nova CPMF – Lula voltou a se referir, implicitamente, ao passado da guerrilheira.
E disse que aquilo que parecia assustar muita gente, para ele, Lula, era uma virtude.
O que, também, ajuda a comparar Dilma a Serra.
Serra saiu do Comício das Diretas com Jango direto para o Chile, com uma passagem cinzenta pela Imigração dos Estados Unidos.
Mandela saiu da cadeia para liderar uma revolução democrática que acabou com o apartheid.
Acabou o mandato, Mandela foi embora.
Foi ser Estadista e ajudar a combater a iniquidade mundo afora.
Foi o que Lula fez hoje.
Anunciou que vai embora.
Vai deixar a Dilma governar.
De novo, que contraste edificante !
Lula não será o corneteiro do FHC, que ficou na arquibancada a torcer pelo quanto pior melhor.
A jogar lenha no Golpe do PiG (*).
Clique aqui para ler o irretocável obituário que o Mino escreveu sobre o FHC, o homem corroído pelo fanatismo da ambição.
Lula passou o bastão, hoje.
Desencarnou do papel de Chefe de Estado e vestiu a toga de estadista.
A este ordinário blogueiro chamou a atenção, especialmente, o olé que Lula deu no Ministro Marco Aurélio de Mello.
Deselegantemente, Mello atribuiu a Lula a culpa pelo papelão que o Supremo pregou na Nação, ao julgar a Lei da Ficha Lima.
Mello disse que Lula não indicou o substituto do Eros Grau e, com isso, provocou o impasse.
Lula disse, hoje, que não ia escolher o Ministro do Supremo em fim de mandato, sem consultar o presidente eleito – a Dilma ou o Serra.
E devolveu o Ministro Mello à sua ministerial insignificância.
Lula vai sair por aí.
Tomara que a Maria Inês Nassif tenha razão e ele vá para a África.
Levar o Bolsa Família, a Embrapa, o Minha Casa Minha Vida.
E quando encontrar o Mandela, rir muito às custas da vaidade do Fernando Henrique.
E a Dilma ?
Bom, na coletiva de hoje, ela assumiu.
Segura, firme, sabe os números, entende as sutilezas, foi hábil: o pré sal é um problema de hoje, do Presidente Lula e deste Congresso, disse ela.
E demonstrou, sobretudo, autoridade.
Firmeza.
Se o Lula é o Mandela, a Dilma é a Margaret Thatcher.
Bem entendido.
Como diz a Dilma: ela sempre teve “lado”.
O lado dela é o esquerdo.
Ela é a Thatcher do lado esquerdo.
Em tempo: Thatcher ficou onze anos no poder.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
Vou te contar a última do Fernando Henrique
Na campanha, Lula tomou a iniciativa de comparar Dilma a Mandela.
Lula quis enfatizar a trajetória de um líder guerrilheiro, encarcerado, que entra na batalha – vitoriosa – de uma democracia.
Na entrevista de hoje, no Palácio do Planalto – clique aqui para ver que ele fala de uma nova CPMF – Lula voltou a se referir, implicitamente, ao passado da guerrilheira.
E disse que aquilo que parecia assustar muita gente, para ele, Lula, era uma virtude.
O que, também, ajuda a comparar Dilma a Serra.
Serra saiu do Comício das Diretas com Jango direto para o Chile, com uma passagem cinzenta pela Imigração dos Estados Unidos.
Mandela saiu da cadeia para liderar uma revolução democrática que acabou com o apartheid.
Acabou o mandato, Mandela foi embora.
Foi ser Estadista e ajudar a combater a iniquidade mundo afora.
Foi o que Lula fez hoje.
Anunciou que vai embora.
Vai deixar a Dilma governar.
De novo, que contraste edificante !
Lula não será o corneteiro do FHC, que ficou na arquibancada a torcer pelo quanto pior melhor.
A jogar lenha no Golpe do PiG (*).
Clique aqui para ler o irretocável obituário que o Mino escreveu sobre o FHC, o homem corroído pelo fanatismo da ambição.
Lula passou o bastão, hoje.
Desencarnou do papel de Chefe de Estado e vestiu a toga de estadista.
A este ordinário blogueiro chamou a atenção, especialmente, o olé que Lula deu no Ministro Marco Aurélio de Mello.
Deselegantemente, Mello atribuiu a Lula a culpa pelo papelão que o Supremo pregou na Nação, ao julgar a Lei da Ficha Lima.
Mello disse que Lula não indicou o substituto do Eros Grau e, com isso, provocou o impasse.
Lula disse, hoje, que não ia escolher o Ministro do Supremo em fim de mandato, sem consultar o presidente eleito – a Dilma ou o Serra.
E devolveu o Ministro Mello à sua ministerial insignificância.
Lula vai sair por aí.
Tomara que a Maria Inês Nassif tenha razão e ele vá para a África.
Levar o Bolsa Família, a Embrapa, o Minha Casa Minha Vida.
E quando encontrar o Mandela, rir muito às custas da vaidade do Fernando Henrique.
E a Dilma ?
Bom, na coletiva de hoje, ela assumiu.
Segura, firme, sabe os números, entende as sutilezas, foi hábil: o pré sal é um problema de hoje, do Presidente Lula e deste Congresso, disse ela.
E demonstrou, sobretudo, autoridade.
Firmeza.
Se o Lula é o Mandela, a Dilma é a Margaret Thatcher.
Bem entendido.
Como diz a Dilma: ela sempre teve “lado”.
O lado dela é o esquerdo.
Ela é a Thatcher do lado esquerdo.
Em tempo: Thatcher ficou onze anos no poder.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dilma Presidenta: VITÓRIA DO POVO BRASILEIRO!!
31/10/2010
Venceu o povo! Venceu o Brasil! Vencemos todos nós, que garantimos nas urnas o sonho de um País melhor, justo, igualitário e soberano.
Venceram também os que votaram em nosso adversário, ao exercer a cidadania e preservar o fundamental direito à liberdade de escolha.
Leia mais
#DilmaDay agita o Twitter no domingo de eleições
31/10/2010
Os ativistas digitais acordaram animados neste domingo (31) com a expectativa de vitória da candidata Dilma Rousseff. Utilizando as hashtags #DilmaDay e #13Neles, tuiteir@s de todo o Brasil colocaram Dilma entre os assuntos mais comentados da rede social.
A intenção dos apoiadores de #Dilma13 é contribuir para uma cobertura democrática nestas eleições, dando voz e visibilidade para a população. É o caso do tuiteiro @antoniobander. Pai coruja, desde o primeiro turno ele compartilha na rede algumas fotos da sua filhinha. "Olha a felicidade da filhota com Dilma! Eu quero um Brasil cada vez melhor! Eu quero #dilma! http://twitpic.com/32lkf6".
Leia mais
31/10/2010 Assista aqui ao vídeo de nossa candidata em Porto Alegre
31/10/2010 Tuiteiras comemoram voto em Dilma presidenta
31/10/2010 No exterior, brasileiros querem uma mulher na presidência
31/10/2010 Dilma vota cedo, em Porto Alegre
31/10/2010 Lula diz confiar em vitória de Dilma e que Serra sai 'menor' da disputa
Ver mais Blogs Amigosmascote_dilminha_2000_display.png
Discurso de Serra foi duro recado para Aécio - Por Weden(Enviado por Luiz Nassif)
Festa da vitória de Dilma em Coité conta com a participação de Assis do PT e Alex do PMDB
Ver mais Galera da DilmaDilma, a juventude e um Brasil que já mudou
O Brasil está votando Dilma 13
Dilma vota em Porto Alegre e destaca festa democrática
Ver mais Mulheres com DilmaBrasil tem a primeira mulher presidente: Dilma Rousseff
O sonho só está começando…
Brasileiros votam em Dilma
Ver mais Dilma13Presidenta vai erradicar a miséria e fortalecer a economia
Íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma
Brasil tem a primeira mulher presidente: Dilma Rousseff
Ver mais
Venceu o povo! Venceu o Brasil! Vencemos todos nós, que garantimos nas urnas o sonho de um País melhor, justo, igualitário e soberano.
Venceram também os que votaram em nosso adversário, ao exercer a cidadania e preservar o fundamental direito à liberdade de escolha.
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#DilmaDay agita o Twitter no domingo de eleições
31/10/2010
Os ativistas digitais acordaram animados neste domingo (31) com a expectativa de vitória da candidata Dilma Rousseff. Utilizando as hashtags #DilmaDay e #13Neles, tuiteir@s de todo o Brasil colocaram Dilma entre os assuntos mais comentados da rede social.
A intenção dos apoiadores de #Dilma13 é contribuir para uma cobertura democrática nestas eleições, dando voz e visibilidade para a população. É o caso do tuiteiro @antoniobander. Pai coruja, desde o primeiro turno ele compartilha na rede algumas fotos da sua filhinha. "Olha a felicidade da filhota com Dilma! Eu quero um Brasil cada vez melhor! Eu quero #dilma! http://twitpic.com/32lkf6".
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31/10/2010 Assista aqui ao vídeo de nossa candidata em Porto Alegre
31/10/2010 Tuiteiras comemoram voto em Dilma presidenta
31/10/2010 No exterior, brasileiros querem uma mulher na presidência
31/10/2010 Dilma vota cedo, em Porto Alegre
31/10/2010 Lula diz confiar em vitória de Dilma e que Serra sai 'menor' da disputa
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Discurso de Serra foi duro recado para Aécio - Por Weden(Enviado por Luiz Nassif)
Festa da vitória de Dilma em Coité conta com a participação de Assis do PT e Alex do PMDB
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O Brasil está votando Dilma 13
Dilma vota em Porto Alegre e destaca festa democrática
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Brasileiros votam em Dilma
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Íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma
Brasil tem a primeira mulher presidente: Dilma Rousseff
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domingo, 31 de outubro de 2010
Dilma Lá! Sem medo de ser feliz!
Dilma Rousseff deve ser eleita 1ª mulher presidente do Brasil
Vota Brasil! Dilma 13 presidente
Encontro de evangélicos desmascara campanha de ódio contra Dilma
31 de outubro de 2010
A pedido do presidente Lula e de Dilma, o senador Magno Malta (PR-ES) tem viajado o país desmascarando a campanha de ódio e mentiras contra a candidata petista à Presidência da República. Evangélico e conhecido pela contundência com que defende valores morais no Senado, Malta está acima de qualquer suspeita para defender Dilma da central de boatos inédita que se armou na internet para favorecer José Serra se utilizando de preconceitos religiosos.
Junto com ele, estiveram no Clube Homs, na Avenida Paulista, outras lideranças como o deputado federal bispo Robson Rodovalho (PP-DF), o prefeito de Osasco Emidio de Souza, os vereadores de São Paulo, Carlos Apolinário (DEM) e Jamil Murad (PCdoB), Ciro Moura, que foi candidato ao Senado pelo PTC, o vereador de Cotia, Toninho Kalunga (PT) e o deputado estadual José Candido (PT), entre outras lideranças.
O senador desmascara o cinismo de quem ativou a campanha contra Dilma, contando que, a partir de uma pesquisa qualitativa, perceberam que era possível empurrar José Serra ao segundo turno aumentando a votação de Marina, se utilizando de sua ligação com os evangélicos. “Foi aqui nessa avenida Paulista que fizeram isso. Enquanto nosso povo se digladia com mentiras contra a Dilma, eles tomam whisky e riem de nós”, afirmou Malta.
Embora não tenha ligação com o PT, o senador disse que entrou nessa disputa de idéias porque acredita no projeto do Governo de Dilma. “O que me move e me trouxe hoje aqui é o meu senso de justiça. Pensam que eu sou corajoso, mas não sou, tenho sede de justiça. É esse senso que me faz vencer os umbrais do medo”, afirmou. O senador disse que, assim que começaram os ataques baixos contra Dilma, Lula pediu que ele fizesse por ela o que fez por ele, cruzando o país “dessatanizando” o petista.
“Quando você vê um esfaqueado, você tem que ajudar. Não pode deixar de salvar porque tem medo de sujar o carro ou ter que depor na polícia”, disse. Malta contou que também é vítima de preconceito por ser filho de uma faxineria nordestina e negra, assim como por ser evangélico e nunca ter feito uma faculdade. “A elite do meu estado nunca engoliu minha eleição. Com tantos ricos, cultos e bonitos e elegem esse pé-rapado”, afirmou.
Malta ressaltou o modo heróico como Dilma tem levado a tortura pública que tem sofrido. “Mulher é mesmo mais forte que homem. O que essa mulher sofreu não é brincadeira. Homem é tudo frouxo. Pra aguentar o que essa mulher está aguentando, só sendo mulher!”
O senador lembrou aos cristãos presentes que “a boca que honra Deus, não desonra ninguém”, referindo-se às calúnias que muitos espalham contra Dilma sem verificar se são verdadeiras. “Quem fala pelo cotovelo é obrigado a desmentir com a boca”, intimou.
Alertou para o fato dos eleitores cristãos não estarem trabalhando para eleger um papa ou um pastor. “Os adversários levaram o debate para um viés religioso e não espiritual”, salientou. Ele distinguiu a solidariedade e a busca pela justiça como valores espirituais, diferente de temas ligados à doutrinas de igrejas.
O senador foi pródigo em exemplos do que ocorreu nesta eleição para destruir a reputação de Dilma. São tantos e tão absurdos que Malta brincou: “Aí, já é cansar muito”. Citou vários ataques específicos feitos à candidata e foi revelando a farsa de cada um, assim como sua irrelevância para o processo eleitoral. Malta chegou a questionar porque Serra e Marina não são questionados por contradições mais graves.
“A Marina não é meia boca não, ela é cristã mesmo, mas ninguém cobrou Marina sobre o apoio que deu a Gabeira, no Rio”, disse ele sobre o político do mesmo partido da acreana, que defende a legalização das drogas e o casamento homossexual. “Assistindo o programa de TV em que Marina defende Gabeira, se fechar o olho, você vai achar que ela está falando do apóstolo Paulo”, afirmo o senador, provocando risos. Ele defendeu a atitude da candidata, pois o partido é plural.
Malta reverenciou a luta de Dilma contra a ditadura, usada pelo adversário de forma subterrânea para desqualificá-la. “Foi a luta de pessoas como a Dilma que me deu, a mim o filho da faxineria do interior do nordeste, a possibilidade de ser senador da República”, afirmou, brincando que, se Dilma se convertesse a evangélica, haveria fila nas igrejas para ver a “ex-guerrilheira que Jesus salvou”.
Entre muitas outras considerações sobre o nível de baixaria que a campanha de Serra assumiu como estratégia eleitoral oficial e extra-oficial, Malta também falou dos inúmeros avanços do governo Lula contra os atrasos que representaram o governo de Fernando Henrique. Ele defendeu que são esses os verdadeiros argumentos a serem considerados pelos cristãos brasileiros na hora de votar. O evento encerrou-se com a oração: “Te agradecemos de ter nascido nesse Brasil abençoado. Dai-nos, ó Deus bendito, a Dilma presidente!”
Manifestações
Depois do senador Malta ter sido tão contundente e detalhista em sua defesa de Dilma, os demais participantes se restringiram a sucintas declarações:
“Deus nos deu um grande presente: um governo que é a resposta à oração. Um presidente sensível. Conheço Dilma e não vejo ela focada em nada que não seja trabalho. Esse governo na mão dela vai ser uma benção”, foi a fala do bispo Rodovalho.
O vereador Apolinário afirmou apenas que “quem quiser andar pra trás, vota no Serra”. O político que é da mesma base aliada de Serra afirmou que o Brasil que quer é Dilma presidente. “Com certeza vamos continuar tendo esse Brasil maravilhoso que tivemos com o presidente Lula”, reconheceu.
O presidente do PTC, Ciro Moura, declarou que o evento vem confirmar a vontade cristã de eleger Dilma. “Sou antigo, quase história viva, e quero dizer que nunca vi uma campanha tão agressiva. O nosso adversário deixou sua teórica educação para desrespeitar a Dilma com mentiras.” Ciro afirmou que se qualquer boato contra Dilma fosse verdade, o Partido Trabalhista Cristão não estaria com Dilma. “Quero alertar o seguinte: quem mente não merece o voto e nosso adversário está mentindo. O Lula foi um presidente bom? Foi o melhor presidente que conheci na minha vida. Dilma será a continuidade dele.”
O prefeito de Osasco, Emidio de Souza (PT) minimizou a força da boataria dizendo que, após o início do primeiro turno houve dúvidas, mas a boataria deu lugar à verdade. “Os cristãos, católicos e evangélicos, estão despertando para a verdade”, afirmou.
“A Dilma é uma mulher muito honrada que ajudou esse país que o Lula está fazendo”, ressaltou. Ele disse, ainda, que vivemos num país que tem valores e valorizar a família é o que a Dilma e o presidente Lula têm feito. “Todas as fases da vida têm que ser protegidas, desde a gravidez, até a juventude e a velhice.”
“Eu, como cristão, quero pedir que não se deixem levar pelas calúnias que se espalharam pelos subterrâneos da internet”, disse Emídio. Ele ainda pediu que, em vez de ficar respondendo mentiras que nunca acabam, resta-nos falar o que temos de bom na nossa candidata. “Não precisa falar mal de ninguém”, disse
A pedido do presidente Lula e de Dilma, o senador Magno Malta (PR-ES) tem viajado o país desmascarando a campanha de ódio e mentiras contra a candidata petista à Presidência da República. Evangélico e conhecido pela contundência com que defende valores morais no Senado, Malta está acima de qualquer suspeita para defender Dilma da central de boatos inédita que se armou na internet para favorecer José Serra se utilizando de preconceitos religiosos.
Junto com ele, estiveram no Clube Homs, na Avenida Paulista, outras lideranças como o deputado federal bispo Robson Rodovalho (PP-DF), o prefeito de Osasco Emidio de Souza, os vereadores de São Paulo, Carlos Apolinário (DEM) e Jamil Murad (PCdoB), Ciro Moura, que foi candidato ao Senado pelo PTC, o vereador de Cotia, Toninho Kalunga (PT) e o deputado estadual José Candido (PT), entre outras lideranças.
O senador desmascara o cinismo de quem ativou a campanha contra Dilma, contando que, a partir de uma pesquisa qualitativa, perceberam que era possível empurrar José Serra ao segundo turno aumentando a votação de Marina, se utilizando de sua ligação com os evangélicos. “Foi aqui nessa avenida Paulista que fizeram isso. Enquanto nosso povo se digladia com mentiras contra a Dilma, eles tomam whisky e riem de nós”, afirmou Malta.
Embora não tenha ligação com o PT, o senador disse que entrou nessa disputa de idéias porque acredita no projeto do Governo de Dilma. “O que me move e me trouxe hoje aqui é o meu senso de justiça. Pensam que eu sou corajoso, mas não sou, tenho sede de justiça. É esse senso que me faz vencer os umbrais do medo”, afirmou. O senador disse que, assim que começaram os ataques baixos contra Dilma, Lula pediu que ele fizesse por ela o que fez por ele, cruzando o país “dessatanizando” o petista.
“Quando você vê um esfaqueado, você tem que ajudar. Não pode deixar de salvar porque tem medo de sujar o carro ou ter que depor na polícia”, disse. Malta contou que também é vítima de preconceito por ser filho de uma faxineria nordestina e negra, assim como por ser evangélico e nunca ter feito uma faculdade. “A elite do meu estado nunca engoliu minha eleição. Com tantos ricos, cultos e bonitos e elegem esse pé-rapado”, afirmou.
Malta ressaltou o modo heróico como Dilma tem levado a tortura pública que tem sofrido. “Mulher é mesmo mais forte que homem. O que essa mulher sofreu não é brincadeira. Homem é tudo frouxo. Pra aguentar o que essa mulher está aguentando, só sendo mulher!”
O senador lembrou aos cristãos presentes que “a boca que honra Deus, não desonra ninguém”, referindo-se às calúnias que muitos espalham contra Dilma sem verificar se são verdadeiras. “Quem fala pelo cotovelo é obrigado a desmentir com a boca”, intimou.
Alertou para o fato dos eleitores cristãos não estarem trabalhando para eleger um papa ou um pastor. “Os adversários levaram o debate para um viés religioso e não espiritual”, salientou. Ele distinguiu a solidariedade e a busca pela justiça como valores espirituais, diferente de temas ligados à doutrinas de igrejas.
O senador foi pródigo em exemplos do que ocorreu nesta eleição para destruir a reputação de Dilma. São tantos e tão absurdos que Malta brincou: “Aí, já é cansar muito”. Citou vários ataques específicos feitos à candidata e foi revelando a farsa de cada um, assim como sua irrelevância para o processo eleitoral. Malta chegou a questionar porque Serra e Marina não são questionados por contradições mais graves.
“A Marina não é meia boca não, ela é cristã mesmo, mas ninguém cobrou Marina sobre o apoio que deu a Gabeira, no Rio”, disse ele sobre o político do mesmo partido da acreana, que defende a legalização das drogas e o casamento homossexual. “Assistindo o programa de TV em que Marina defende Gabeira, se fechar o olho, você vai achar que ela está falando do apóstolo Paulo”, afirmo o senador, provocando risos. Ele defendeu a atitude da candidata, pois o partido é plural.
Malta reverenciou a luta de Dilma contra a ditadura, usada pelo adversário de forma subterrânea para desqualificá-la. “Foi a luta de pessoas como a Dilma que me deu, a mim o filho da faxineria do interior do nordeste, a possibilidade de ser senador da República”, afirmou, brincando que, se Dilma se convertesse a evangélica, haveria fila nas igrejas para ver a “ex-guerrilheira que Jesus salvou”.
Entre muitas outras considerações sobre o nível de baixaria que a campanha de Serra assumiu como estratégia eleitoral oficial e extra-oficial, Malta também falou dos inúmeros avanços do governo Lula contra os atrasos que representaram o governo de Fernando Henrique. Ele defendeu que são esses os verdadeiros argumentos a serem considerados pelos cristãos brasileiros na hora de votar. O evento encerrou-se com a oração: “Te agradecemos de ter nascido nesse Brasil abençoado. Dai-nos, ó Deus bendito, a Dilma presidente!”
Manifestações
Depois do senador Malta ter sido tão contundente e detalhista em sua defesa de Dilma, os demais participantes se restringiram a sucintas declarações:
“Deus nos deu um grande presente: um governo que é a resposta à oração. Um presidente sensível. Conheço Dilma e não vejo ela focada em nada que não seja trabalho. Esse governo na mão dela vai ser uma benção”, foi a fala do bispo Rodovalho.
O vereador Apolinário afirmou apenas que “quem quiser andar pra trás, vota no Serra”. O político que é da mesma base aliada de Serra afirmou que o Brasil que quer é Dilma presidente. “Com certeza vamos continuar tendo esse Brasil maravilhoso que tivemos com o presidente Lula”, reconheceu.
O presidente do PTC, Ciro Moura, declarou que o evento vem confirmar a vontade cristã de eleger Dilma. “Sou antigo, quase história viva, e quero dizer que nunca vi uma campanha tão agressiva. O nosso adversário deixou sua teórica educação para desrespeitar a Dilma com mentiras.” Ciro afirmou que se qualquer boato contra Dilma fosse verdade, o Partido Trabalhista Cristão não estaria com Dilma. “Quero alertar o seguinte: quem mente não merece o voto e nosso adversário está mentindo. O Lula foi um presidente bom? Foi o melhor presidente que conheci na minha vida. Dilma será a continuidade dele.”
O prefeito de Osasco, Emidio de Souza (PT) minimizou a força da boataria dizendo que, após o início do primeiro turno houve dúvidas, mas a boataria deu lugar à verdade. “Os cristãos, católicos e evangélicos, estão despertando para a verdade”, afirmou.
“A Dilma é uma mulher muito honrada que ajudou esse país que o Lula está fazendo”, ressaltou. Ele disse, ainda, que vivemos num país que tem valores e valorizar a família é o que a Dilma e o presidente Lula têm feito. “Todas as fases da vida têm que ser protegidas, desde a gravidez, até a juventude e a velhice.”
“Eu, como cristão, quero pedir que não se deixem levar pelas calúnias que se espalharam pelos subterrâneos da internet”, disse Emídio. Ele ainda pediu que, em vez de ficar respondendo mentiras que nunca acabam, resta-nos falar o que temos de bom na nossa candidata. “Não precisa falar mal de ninguém”, disse
A "trilha sonora" de Dilma
BLOG
luisnassif, dom, 31/10/2010 - 09:13
Por Gunter Zibell
As campanhas podem ter sido o que há de mais insosso. Mas eu gostei das músicas feitas oficialmente ou espontaneamente para a campanha de Dilma. As que "colecionei" podem servir de “trilha sonora” para a apuração... rsrs
Várias não receberam título. Pela ordem :
- a que acho mais bonita, de Lucidio Santana (ou Lucino Santana)
- a versão que Paulo E. Reis (Dilmaboy) fez para o hit de Lady Gaga. Ganhou uma animação bem engraçadinha com a Dilmatoy
- o primeiro dos jingles oficiais, compostos ou produzidos por João Santana
- o segundo jingle oficial, na versão completa (na propaganda da TV o texto sobre as regiões foi no geral omitido ou encurtado)
- “Marchinha da Dilma”
- “Quero Dilma”, de Tião Simpatia (a que mais circulou na pré-campanha)
- “Rap da Dilma”
- um curtinho em ritmo nordestino
- mais um oficial, “Agora é Dilma” (ou “O Brasil tá querendo Dilma”)
- “Dilma-lá!”, o clássico revisitado por Wagner Tiso
- “O que a gente quer é Dilma Presidente" de Claudio Salles. (bem longuinho... 5 m.)
luisnassif, dom, 31/10/2010 - 09:13
Por Gunter Zibell
As campanhas podem ter sido o que há de mais insosso. Mas eu gostei das músicas feitas oficialmente ou espontaneamente para a campanha de Dilma. As que "colecionei" podem servir de “trilha sonora” para a apuração... rsrs
Várias não receberam título. Pela ordem :
- a que acho mais bonita, de Lucidio Santana (ou Lucino Santana)
- a versão que Paulo E. Reis (Dilmaboy) fez para o hit de Lady Gaga. Ganhou uma animação bem engraçadinha com a Dilmatoy
- o primeiro dos jingles oficiais, compostos ou produzidos por João Santana
- o segundo jingle oficial, na versão completa (na propaganda da TV o texto sobre as regiões foi no geral omitido ou encurtado)
- “Marchinha da Dilma”
- “Quero Dilma”, de Tião Simpatia (a que mais circulou na pré-campanha)
- “Rap da Dilma”
- um curtinho em ritmo nordestino
- mais um oficial, “Agora é Dilma” (ou “O Brasil tá querendo Dilma”)
- “Dilma-lá!”, o clássico revisitado por Wagner Tiso
- “O que a gente quer é Dilma Presidente" de Claudio Salles. (bem longuinho... 5 m.)
Dilma lidera com 19 pontos de vantagem sobre Serra em MG
DataTempo/CP2.Levantamento mostra petista com 59,50% das intenções de voto contra 40,50% do tucano
Liderança é mantida no levantamento espontâneo com frente de 16,73 pontos
Publicado no Jornal OTEMPO em 30/10/2010
CARLA KREEFFT
Pesquisa DataTempo/CP2 realizada em todo o Estado mostra vantagem da candidata do PT, Dilma Rousseff, de 19 pontos percentuais em relação ao seu adversário, o candidato do PSDB, José Serra. A petista registra 59,50% dos votos válidos (não são considerados os brancos, nulos e os indecisos) contra 40,50% do tucano.
Contabilizando todas as intenções de votos (brancos, nulos, indecisos), Dilma tem 52,53% da preferência do eleitorado contra 35,81% de Serra. São 16,72 pontos percentuais de frente para a petista. Afirmam que não sabem em quem votar ou não respondem 5,40% dos pesquisados. Dizem que vão anular o voto 4,14% e 1,54% pretende votar em branco. Afirma que não quer votar em ninguém 0,58% dos entrevistados.
Na comparação com a pesquisa DataTempo/CP2 divulgada em 20 de outubro, as intenções de voto em Dilma cresceram de 51,22% para 52,53% – variação abaixo da margem de erro, que é de 2,16 pontos percentuais. Já José Serra caiu de 38,37% para 35,81% – um pouco acima da margem de erro.
Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, Dilma Rousseff se mantém na liderança. Nessa situação, ela tem 50,80% das intenções de voto contra 34,07% de José Serra. São 16,73 pontos percentuais de diferença em favor da petista – praticamente a mesma vantagem verificada no levantamento estimulado.
análise
“O voto parece mais cristalizado”
A pesquisa publicada em 2 de outubro previa uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, o que não se confirmou nas urnas. Isso decorreu da intensa movimentação nos três últimos dias de campanha, que resultou no crescimento de Marina Silva. Na campanha do segundo turno, após o impacto inesperado, Dilma reage, enquanto Serra, que esboçou um crescimento no início, cai na reta final.
Agora não deverá ocorrer o mesmo o erro. O motivo? O voto parece mais cristalizado em decorrência da saturação do embate eleitoral.
Antônio de Pádua
Diretor do Datatempo/CP2
Dados
DataTempo/CP2. Foram realizadas 2.062 entrevistas em Minas Gerais, de 26 a 28 de outubro. A margem de erro é de 2,16 pontos percentuais e o registro na Justiça Eleitoral tem número 3750/2010
Liderança é mantida no levantamento espontâneo com frente de 16,73 pontos
Publicado no Jornal OTEMPO em 30/10/2010
CARLA KREEFFT
Pesquisa DataTempo/CP2 realizada em todo o Estado mostra vantagem da candidata do PT, Dilma Rousseff, de 19 pontos percentuais em relação ao seu adversário, o candidato do PSDB, José Serra. A petista registra 59,50% dos votos válidos (não são considerados os brancos, nulos e os indecisos) contra 40,50% do tucano.
Contabilizando todas as intenções de votos (brancos, nulos, indecisos), Dilma tem 52,53% da preferência do eleitorado contra 35,81% de Serra. São 16,72 pontos percentuais de frente para a petista. Afirmam que não sabem em quem votar ou não respondem 5,40% dos pesquisados. Dizem que vão anular o voto 4,14% e 1,54% pretende votar em branco. Afirma que não quer votar em ninguém 0,58% dos entrevistados.
Na comparação com a pesquisa DataTempo/CP2 divulgada em 20 de outubro, as intenções de voto em Dilma cresceram de 51,22% para 52,53% – variação abaixo da margem de erro, que é de 2,16 pontos percentuais. Já José Serra caiu de 38,37% para 35,81% – um pouco acima da margem de erro.
Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, Dilma Rousseff se mantém na liderança. Nessa situação, ela tem 50,80% das intenções de voto contra 34,07% de José Serra. São 16,73 pontos percentuais de diferença em favor da petista – praticamente a mesma vantagem verificada no levantamento estimulado.
análise
“O voto parece mais cristalizado”
A pesquisa publicada em 2 de outubro previa uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, o que não se confirmou nas urnas. Isso decorreu da intensa movimentação nos três últimos dias de campanha, que resultou no crescimento de Marina Silva. Na campanha do segundo turno, após o impacto inesperado, Dilma reage, enquanto Serra, que esboçou um crescimento no início, cai na reta final.
Agora não deverá ocorrer o mesmo o erro. O motivo? O voto parece mais cristalizado em decorrência da saturação do embate eleitoral.
Antônio de Pádua
Diretor do Datatempo/CP2
Dados
DataTempo/CP2. Foram realizadas 2.062 entrevistas em Minas Gerais, de 26 a 28 de outubro. A margem de erro é de 2,16 pontos percentuais e o registro na Justiça Eleitoral tem número 3750/2010
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