quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Leonard Cohen - Songs From The Road
Songs from the Road" traz versões sofisticadas de temas menos óbvios
CARLOS MESSIAS
DO "AGORA"
Quem se deixou arrebatar pelo ótimo "Live in London" (2009), registro de uma apresentação de Leonard Cohen realizada em 2008, irá se surpreender com o repertório e com o teor de sua nova coletânea ao vivo, "Songs from the Road", que sai em CD e DVD nos Estados Unidos.
Enquanto o anterior comprovava a eficácia das suas músicas mais conhecidas ao vivo, este traz uma abordagem amadurecida e sofisticada de temas menos óbvios, extraídos de 11 shows que aconteceram entre 2008 e 2009. "The Future" e "Dance Me to the End of Love" são ausências notáveis.
O músico priorizou o cancioneiro de sua fase trovador, vivida entre os álbuns "Songs of Leonard Cohen" (1968) e "New Skin for the Old Ceremony" (1974), período no qual suas composições se desenvolviam em longas narrativas de alta densidade poética e diferenciavam-se pela singeleza da interpretação. O que lhes atribuía um inegável tom confessional.
Mas, como Bob Dylan, Cohen se recusa a servir de fantoche para o passado e todo o seu repertório passa pelo crivo de suas preferências estéticas (e de suas capacidades técnicas) atuais.
E as variações se dão em todas as esferas, de andamento e arranjo à estrutura básica de algumas canções, como um verso completamente novo que foi acrescentado a "Bird on a Wire".
Temas imortalizados no formato voz e violão ganharam novos instrumentos como guitarra de 12 cordas, alaúde, flauta e bandolim.
Este último é responsável pelas introduções de "Lover, Lover, Lover" e "The Partisan", que ganham um inegável verniz de flamenco. A compassiva "Chelsea Hotel", em que Cohen canta acompanhado por órgão, torna-se um gospel suave e ainda mais intimista.
Uma das mais gratas surpresas do disco, "Heart with no Companion" tem coro feminino e slide guitar, assemelhando-se a um country de bar de caminhoneiros.
Mais do que um trabalho de reciclagem, "Songs from the Road" apresenta uma noção de unidade capaz de amarrar suas 12 faixas como se elas compartilhassem o conceito de um álbum.
Tanto que as famigeradas "Suzanne" e "Waiting for the Miracle", além de "Bird on a Wire", misturam-se facilmente às demais.
Além de fazer um importante registro do músico na maturidade, a coletânea atiça ainda mais a expectativa para o novo disco de inéditas de Leonard Cohen, prometido para 2011.
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