por Luiz Carlos Azenha
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) resume a situação, grosseiramente, assim: os bancos mandam no governo, os bancos mandam na oposição, os bancos mandam na mídia.
Por isso, o debate sobre a dívida pública brasileira (de 2 trilhões de reais) e os juros e amortizações pagos em função dela (380 bilhões de reais em 2009) inexiste.
A partir da CPI da Dívida Pública, que teve baixíssima repercussão na mídia brasileira, Valente produziu um relatório de 870 páginas que apresentou ao Ministério Público Federal, propondo que haja uma auditoria das irregularidades e ilegalidades. “A grande mídia não tinha interesse nesse debate”, afirmou.
Motivo? Qualquer debate sobre o assunto pode causar “instabilidade no consenso conservador” que se formou entre o governo Lula e a oposição.
Valente também acha importante que se debata o custo que as reservas internacionais de cerca de 300 bilhões de dólares tem para o Brasil. Três quartos delas são em títulos do Tesouro americano que pagam juros baixíssimos, quando pagam. Em compensação, os títulos públicos que o Brasil emitiu para sustentar as reservas custam “até 14% de juros”. É como reservar o salário pagando com cheque especial.
O deputado diz que a dívida pública é “o grande gargalo” que impede os investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
Na educação, diz que o PT “absorveu ideologias do tucanato”: o papel do governo, via ENEM, por exemplo, seria apenas o de avaliar, não de investir maciçamente em educação pública para todos, em todos os níveis.
Ele lembra que o Congresso aprovou em 2001 o investimento mínimo de 7% do PIB na educação, projeto vetado pelo então presidente FHC. O veto foi mantido ao longo de todo o governo Lula, com a taxa de investimento na educação chegando aos 5% apenas agora, em 2010.
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quinta-feira, 3 de março de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
ECONOMIA - Câmbio e Inflação - Amir Khair
Texto publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 14/11/2010
O que controla a inflação? Segundo o mercado financeiro e o Banco Central (BC), é a Selic que serve para regular a demanda. Será que cumpre essa função? Não creio.
Além da massa salarial, o que influencia a demanda são os juros ao consumidor e este se descolou da Selic faz tempo. É bom recordar. Ao final de 2008 foi demitido o presidente do Banco do Brasil (BB), que discordou da orientação do governo para reduzir as taxas de juros. O mercado reagiu fazendo em dois dias despencar o preço das ações do BB, pois baixar juros iria prejudicar seus lucros. Na prática, o BB se expandiu, os lucros cresceram e o preço das ações, após oito meses, tinham dobrado, e agora já triplicaram.
Com a redução das taxas de juros e a expansão do BB e da Caixa Econômica Federal (Caixa) para ajudar no combate à crise financeira, ocorreu o descolamento dos juros ao consumidor em relação à Selic. Desde dezembro de 2008 até abril deste ano, a Selic passou de 13,75% para 8,75%, com queda de 5,0 pontos porcentuais (pp). Nesse período a redução dos juros para as empresas foi de 4,4 pp e, para os consumidores, 16,8 pp. A partir de maio, o BC elevou a Selic até 10,75%, subindo 2,0 pp, e os juros para as empresas subiram 2,7 pp e, para os consumidores, caíram (!) 1,7 pp.
Resultado: a alteração da Selic não serviu para dificultar o crédito ao consumidor e funcionou para prejudicar as empresas, o que atenta contra a inflação. Além dessa política de colocar o BB e a CEF para induzir o setor financeiro privado a reduzir suas taxas de juros, contribuíram para o descolamento a opção das pessoas pelo crédito consignado e a política do comércio em procurar adaptar as prestações ao bolso do consumidor.
Portanto, sob o aspecto de controlar o consumo, a Selic não cumpre mais essa função. Mas, então, para que serve?
Apreciação do real. Serve para apreciar o real e essa é a corrente de transmissão para o controle da inflação. O BC usa duas formas para apreciar o real: 1) manter a Selic elevada para atrair investimentos estrangeiros em títulos do governo, com juros de pai e mãe para filho; 2) elevar as reservas para manter a posição "vendida" dos bancos. Assim, não pararam de entrar dólares no País atraídos por ganhos fáceis e seguros e essa conta é paga por todos nós. Além disso, a apreciação do real desestimula as exportações, que, em parte, são desviadas para o mercado interno, e estimula as importações, que permitem atender o que a oferta interna não consegue. É a famosa âncora cambial, considerada em várias análises como o principal instrumento de controle inflacionário. Essa foi a base do Plano Real, só que naquela ocasião a Selic era o triplo da atual.
Mas o BC nega que use o câmbio para controlar a inflação, pois compra mais dólares para engordar as reservas do que o saldo do fluxo cambial. Neste ano, até outubro, o fluxo cambial foi positivo em US$ 24 bilhões, mas o BC elevou as reservas em US$ 46 bilhões. Os especialistas em câmbio já deixaram claro que o BC, ao fazer isso, leva os bancos a ficarem com a posição "vendida" em dólares, ou seja, apostarem na apreciação do real. O Ministério da Fazenda (MF) parece que ainda não percebeu essa estratégia e fala em endividar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) adquirindo títulos da dívida pública para comprar dólares. Assim, ambos, BC e MF, iriam contribuir para ampliar a posição "vendida" dos bancos. Isso serve claramente aos objetivos do BC, que usa a âncora cambial para controlar a inflação e vai contra os três principais objetivos do MF: a) redução das despesas com juros; b) redução da dívida pública, e c) conter a apreciação do real. Caso adote essa política de endividar o FSB, o MF não conseguirá reduzir a dívida líquida para 30% do PIB ao final de 2014, conforme compromisso fiscal assumido pela futura presidente, pois a elevação das despesas com os juros impediria isso.
Com a elevada liquidez internacional, que crescerá nos próximos meses com os US$ 600 bilhões a serem injetados pelo Banco Central americano e a política dos bancos centrais dos países desenvolvidos de taxas de juros próximas a zero, os capitais internacionais irão procurar cada vez mais aplicações de ganhos fáceis e sem risco. O Brasil, líder mundial das maiores taxas de juros, é a opção preferida.
Defesa Cambial. O Ministério da Fazenda, com a elevação do IOF sobre as operações especulativas de estrangeiros, anulou parte desses ganhos, mas deveria elevar o IOF de 6% para 8%, retornar a tributação do imposto de renda sobre o lucro dessas operações e elevar o IOF nos investimentos externos em ações, hoje em 2%, um dos maiores temores do mercado, junto com a quarentena de permanência dos investimentos externos. Além disso, o governo deve restringir os limites de transações com exposição à variação cambial dos bancos e a utilização de linhas externas que dão suporte às posições "vendidas" no mercado à vista. O real é uma das moedas que, nos últimos anos, mais se apreciou perante o dólar devido à elevada Selic. Com o aumento de 6% para 8% no IOF, fecha-se uma das portas de entrada de dólares, que são as aplicações em títulos de renda fixa.
Resta fechar outras portas para conter a enxurrada de dólares, que começa a ser despejada pelo Banco Central americano. Além das citadas, vale destacar a proposta feita em artigo do último dia 6 no Estado, do professor José Luiz Conrado Vieira, estudioso da legislação cambial brasileira. Ele sugeriu, baseado em soluções já adotadas no País, que os novos capitais que se destinassem ao Brasil teriam de efetuar depósito obrigatório no BC de 30% a 50%, não remunerado e com prazos adequados. Isso seria de "fácil operacionalização, não exigiria ações de esterilização monetária nem traria riscos relevantes de exposição cambial ao BC, visto que os recursos ficariam no exterior em conta da autoridade e seriam devolvidos, ao final, na mesma moeda. Ademais, os rendimentos da sua aplicação pelo BC ajudariam a mitigar um pouco, indiretamente, o custo de manutenção das reservas".
Despesas públicas. Está claro para todos os analistas que a causa do problema cambial brasileiro está na Selic, agravada pela elevada liquidez internacional e ampliação das reservas, que gera a posição "vendida" dos bancos. A elevada Selic e o nível elevado de reservas causam custos fiscais insuportáveis para o carregamento dessas reservas. Neste ano, o rombo deve superar R$ 50 bilhões! E, se isso não mudar imediatamente, estaremos caminhando para um verdadeiro suicídio fiscal.
Algumas análises, no entanto, afirmam que a Selic só poderá começar a cair para níveis internacionais se, e somente se, for feita forte redução das despesas públicas, para ampliar o superávit primário (receitas menos despesas, exclusive juros) e assim reduzir a relação da dívida pública sobre o PIB, que indica ao mercado o grau de solvência dessa dívida. O mercado mais confiante não iria exigir Selic tão elevada para emprestar recursos ao governo federal. Essas análises parecem desconhecer que juro é despesa pública (R$ 184 bilhões nos últimos doze meses).
Essa "solução" é demorada e de baixa eficácia, pois: a) a despesa pública, exclusive juros, é de 35% do PIB; b) 43% dela, exclusive previdência social, é do governo federal; c) os 57% restantes são dos estados e municípios e sobre elas nada se pode fazer, pois são dimensionadas pelo montante de suas receitas; d) apenas 20% das despesas do governo federal, inclusos aí os investimentos, são passíveis de serem racionalizadas devido às amarrações legais que caracterizam o orçamento federal; e) admitindo que se consiga reduzir 20% delas via gestão, se teria uma economia na despesa pública de 0,6% do PIB (35% x 43% x 20% x 20%).
A saída rápida e eficaz para derrubar as despesas é baixar a Selic e parar de elevar as reservas, e isso deveria ser feito ainda neste ano, para reduzir a avalanche de dólares injetada pelos EUA. Ela causa uma despesa com juros de 5,4% do PIB. Se o Brasil tivesse uma taxa de juros a nível internacional, seria de 1,8% do PIB, permitindo uma economia de 3,6% do PIB! São seis vezes (!) mais que uma eventual e demorada redução das demais despesas públicas. Essa economia poderia ser usada para reduzir o elevado déficit social e de infraestrutura do País.
Mudanças à vista. A inflação deve ser combatida não da forma danosa como o BC vem fazendo, criando problemas fiscais e cambiais, mas de forma articulada com outras políticas de governo, baseadas em estímulos ao crescimento da oferta e rígido controle de preços de monopólios, como no caso do minério de ferro, que ajudou o lucro da Vale, à custa das demais empresas, que dependem deste insumo, e dos consumidores.
Esse é um dos principais desafios do novo governo e a futura presidente parece ter dado sinais nesta direção, se trouxer para si a articulação do comando da economia. Se fizer isso, estará dando sinal claro de continuidade do crescimento econômico, controle eficaz da inflação, das finanças públicas e do enfrentamento da questão cambial. Vamos aguardar
O que controla a inflação? Segundo o mercado financeiro e o Banco Central (BC), é a Selic que serve para regular a demanda. Será que cumpre essa função? Não creio.
Além da massa salarial, o que influencia a demanda são os juros ao consumidor e este se descolou da Selic faz tempo. É bom recordar. Ao final de 2008 foi demitido o presidente do Banco do Brasil (BB), que discordou da orientação do governo para reduzir as taxas de juros. O mercado reagiu fazendo em dois dias despencar o preço das ações do BB, pois baixar juros iria prejudicar seus lucros. Na prática, o BB se expandiu, os lucros cresceram e o preço das ações, após oito meses, tinham dobrado, e agora já triplicaram.
Com a redução das taxas de juros e a expansão do BB e da Caixa Econômica Federal (Caixa) para ajudar no combate à crise financeira, ocorreu o descolamento dos juros ao consumidor em relação à Selic. Desde dezembro de 2008 até abril deste ano, a Selic passou de 13,75% para 8,75%, com queda de 5,0 pontos porcentuais (pp). Nesse período a redução dos juros para as empresas foi de 4,4 pp e, para os consumidores, 16,8 pp. A partir de maio, o BC elevou a Selic até 10,75%, subindo 2,0 pp, e os juros para as empresas subiram 2,7 pp e, para os consumidores, caíram (!) 1,7 pp.
Resultado: a alteração da Selic não serviu para dificultar o crédito ao consumidor e funcionou para prejudicar as empresas, o que atenta contra a inflação. Além dessa política de colocar o BB e a CEF para induzir o setor financeiro privado a reduzir suas taxas de juros, contribuíram para o descolamento a opção das pessoas pelo crédito consignado e a política do comércio em procurar adaptar as prestações ao bolso do consumidor.
Portanto, sob o aspecto de controlar o consumo, a Selic não cumpre mais essa função. Mas, então, para que serve?
Apreciação do real. Serve para apreciar o real e essa é a corrente de transmissão para o controle da inflação. O BC usa duas formas para apreciar o real: 1) manter a Selic elevada para atrair investimentos estrangeiros em títulos do governo, com juros de pai e mãe para filho; 2) elevar as reservas para manter a posição "vendida" dos bancos. Assim, não pararam de entrar dólares no País atraídos por ganhos fáceis e seguros e essa conta é paga por todos nós. Além disso, a apreciação do real desestimula as exportações, que, em parte, são desviadas para o mercado interno, e estimula as importações, que permitem atender o que a oferta interna não consegue. É a famosa âncora cambial, considerada em várias análises como o principal instrumento de controle inflacionário. Essa foi a base do Plano Real, só que naquela ocasião a Selic era o triplo da atual.
Mas o BC nega que use o câmbio para controlar a inflação, pois compra mais dólares para engordar as reservas do que o saldo do fluxo cambial. Neste ano, até outubro, o fluxo cambial foi positivo em US$ 24 bilhões, mas o BC elevou as reservas em US$ 46 bilhões. Os especialistas em câmbio já deixaram claro que o BC, ao fazer isso, leva os bancos a ficarem com a posição "vendida" em dólares, ou seja, apostarem na apreciação do real. O Ministério da Fazenda (MF) parece que ainda não percebeu essa estratégia e fala em endividar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) adquirindo títulos da dívida pública para comprar dólares. Assim, ambos, BC e MF, iriam contribuir para ampliar a posição "vendida" dos bancos. Isso serve claramente aos objetivos do BC, que usa a âncora cambial para controlar a inflação e vai contra os três principais objetivos do MF: a) redução das despesas com juros; b) redução da dívida pública, e c) conter a apreciação do real. Caso adote essa política de endividar o FSB, o MF não conseguirá reduzir a dívida líquida para 30% do PIB ao final de 2014, conforme compromisso fiscal assumido pela futura presidente, pois a elevação das despesas com os juros impediria isso.
Com a elevada liquidez internacional, que crescerá nos próximos meses com os US$ 600 bilhões a serem injetados pelo Banco Central americano e a política dos bancos centrais dos países desenvolvidos de taxas de juros próximas a zero, os capitais internacionais irão procurar cada vez mais aplicações de ganhos fáceis e sem risco. O Brasil, líder mundial das maiores taxas de juros, é a opção preferida.
Defesa Cambial. O Ministério da Fazenda, com a elevação do IOF sobre as operações especulativas de estrangeiros, anulou parte desses ganhos, mas deveria elevar o IOF de 6% para 8%, retornar a tributação do imposto de renda sobre o lucro dessas operações e elevar o IOF nos investimentos externos em ações, hoje em 2%, um dos maiores temores do mercado, junto com a quarentena de permanência dos investimentos externos. Além disso, o governo deve restringir os limites de transações com exposição à variação cambial dos bancos e a utilização de linhas externas que dão suporte às posições "vendidas" no mercado à vista. O real é uma das moedas que, nos últimos anos, mais se apreciou perante o dólar devido à elevada Selic. Com o aumento de 6% para 8% no IOF, fecha-se uma das portas de entrada de dólares, que são as aplicações em títulos de renda fixa.
Resta fechar outras portas para conter a enxurrada de dólares, que começa a ser despejada pelo Banco Central americano. Além das citadas, vale destacar a proposta feita em artigo do último dia 6 no Estado, do professor José Luiz Conrado Vieira, estudioso da legislação cambial brasileira. Ele sugeriu, baseado em soluções já adotadas no País, que os novos capitais que se destinassem ao Brasil teriam de efetuar depósito obrigatório no BC de 30% a 50%, não remunerado e com prazos adequados. Isso seria de "fácil operacionalização, não exigiria ações de esterilização monetária nem traria riscos relevantes de exposição cambial ao BC, visto que os recursos ficariam no exterior em conta da autoridade e seriam devolvidos, ao final, na mesma moeda. Ademais, os rendimentos da sua aplicação pelo BC ajudariam a mitigar um pouco, indiretamente, o custo de manutenção das reservas".
Despesas públicas. Está claro para todos os analistas que a causa do problema cambial brasileiro está na Selic, agravada pela elevada liquidez internacional e ampliação das reservas, que gera a posição "vendida" dos bancos. A elevada Selic e o nível elevado de reservas causam custos fiscais insuportáveis para o carregamento dessas reservas. Neste ano, o rombo deve superar R$ 50 bilhões! E, se isso não mudar imediatamente, estaremos caminhando para um verdadeiro suicídio fiscal.
Algumas análises, no entanto, afirmam que a Selic só poderá começar a cair para níveis internacionais se, e somente se, for feita forte redução das despesas públicas, para ampliar o superávit primário (receitas menos despesas, exclusive juros) e assim reduzir a relação da dívida pública sobre o PIB, que indica ao mercado o grau de solvência dessa dívida. O mercado mais confiante não iria exigir Selic tão elevada para emprestar recursos ao governo federal. Essas análises parecem desconhecer que juro é despesa pública (R$ 184 bilhões nos últimos doze meses).
Essa "solução" é demorada e de baixa eficácia, pois: a) a despesa pública, exclusive juros, é de 35% do PIB; b) 43% dela, exclusive previdência social, é do governo federal; c) os 57% restantes são dos estados e municípios e sobre elas nada se pode fazer, pois são dimensionadas pelo montante de suas receitas; d) apenas 20% das despesas do governo federal, inclusos aí os investimentos, são passíveis de serem racionalizadas devido às amarrações legais que caracterizam o orçamento federal; e) admitindo que se consiga reduzir 20% delas via gestão, se teria uma economia na despesa pública de 0,6% do PIB (35% x 43% x 20% x 20%).
A saída rápida e eficaz para derrubar as despesas é baixar a Selic e parar de elevar as reservas, e isso deveria ser feito ainda neste ano, para reduzir a avalanche de dólares injetada pelos EUA. Ela causa uma despesa com juros de 5,4% do PIB. Se o Brasil tivesse uma taxa de juros a nível internacional, seria de 1,8% do PIB, permitindo uma economia de 3,6% do PIB! São seis vezes (!) mais que uma eventual e demorada redução das demais despesas públicas. Essa economia poderia ser usada para reduzir o elevado déficit social e de infraestrutura do País.
Mudanças à vista. A inflação deve ser combatida não da forma danosa como o BC vem fazendo, criando problemas fiscais e cambiais, mas de forma articulada com outras políticas de governo, baseadas em estímulos ao crescimento da oferta e rígido controle de preços de monopólios, como no caso do minério de ferro, que ajudou o lucro da Vale, à custa das demais empresas, que dependem deste insumo, e dos consumidores.
Esse é um dos principais desafios do novo governo e a futura presidente parece ter dado sinais nesta direção, se trouxer para si a articulação do comando da economia. Se fizer isso, estará dando sinal claro de continuidade do crescimento econômico, controle eficaz da inflação, das finanças públicas e do enfrentamento da questão cambial. Vamos aguardar
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Para Lula, mundo vai à falência se países ricos não estimularem consumo
SEUL, 11 Nov 2010 (AFP) -Os países ricos devem estimular o consumo interno, como fizeram as nações emergentes, já que se incentivarem apenas as exportações como forma de sair da crise "o mundo vai à falência", alertou nesta quinta-feira em Seul o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao contrário das nações emergentes, que adotaram políticas expansivas durante o auge da crise financeira internacional, "os países ricos, que têm uma margem de manobra menor sobre o consumo (...), fizeram uma contenção do gasto", afirmou o presidente do Brasil.
"Mas se eles (os países desenvolvidos) não consumirem e se quiserem apostar apenas nas exportações (como mecanismo para sair da crise), o mundo vai à falência", advertiu Lula antes do início da reunião de cúpula do G20.
O presidente também destacou que o comércio mundial depende diretamente do consumo nas nações desenvolvidas.
"Todo mundo quer ganhar mais com mais exportação. E não é possível apostar apenas nisto", completou Lula, em uma entrevista coletiva antes da reunião de cúpula do G20.
"Os países emergentes não suportam ser responsáveis pelo consumo e pela produção ao mesmo tempo", disse, antes de pedir um acordo no G20 para ações de consenso destinadas a corrigir os desequilíbrios cambiais que afetam o comércio mundial.
Lula foi consultado sobre a alternativa de uma cesta de moedas para substituir o dólar como moeda de referência, e disse que o Brasil trabalha nesta possibilidade com China, Rússia e Índia.
"Desde o ano passado estamos discutindo no BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), para fazer comércio em nossas moedas. Isto é fácil de falar, mas estamos tão acostumados a trabalhar com o dólar que há medo de fazer algo novo", afirmou.
"Mas o dólar não pode continuar sendo uma moeda de referência se é feito por apenas um país. Tem que haver outras possibilidades de referência", concluiu o presidente brasileiro.
Ao lado do presidente Lula durante a entrevista, o ministro da Fazenda Guido Mantega, que criou o termo "guerra cambial", advertiu que se o G20 não alcançar um acordo que permita evitar as manipulações cambiais, o mundo seguirá para um "protecionismo comercial".
"É preciso obter acordos sobre moedas chaves, já que se cada um se defender e cada um manipular o câmbio, isto leva os países que têm mercado a tentar protegê-los", destacou Mantega.
"Se o desequilíbrio cambial não for contido, os países que têm excesso de dólares deverão adotar medidas defensivas de controle de capital", completou Mantega, em referência às decisões anunciadas pelo ministério da Fazenda para tentar conter o fluxo de capitais especulativos que buscam no Brasil melhores rendimentos do que em mercados tradicionais de países ricos.
"A guerra cambial que se transforma em guerra comercial é um tema importante para ser debatido no G20", disse o ministro.
"Há países que procuram desvalorizar suas moedas para que as mercadorias fiquem mais baratas e melhorar suas exportações", declarou, citando China e Estados Unidos.
Ao contrário das nações emergentes, que adotaram políticas expansivas durante o auge da crise financeira internacional, "os países ricos, que têm uma margem de manobra menor sobre o consumo (...), fizeram uma contenção do gasto", afirmou o presidente do Brasil.
"Mas se eles (os países desenvolvidos) não consumirem e se quiserem apostar apenas nas exportações (como mecanismo para sair da crise), o mundo vai à falência", advertiu Lula antes do início da reunião de cúpula do G20.
O presidente também destacou que o comércio mundial depende diretamente do consumo nas nações desenvolvidas.
"Todo mundo quer ganhar mais com mais exportação. E não é possível apostar apenas nisto", completou Lula, em uma entrevista coletiva antes da reunião de cúpula do G20.
"Os países emergentes não suportam ser responsáveis pelo consumo e pela produção ao mesmo tempo", disse, antes de pedir um acordo no G20 para ações de consenso destinadas a corrigir os desequilíbrios cambiais que afetam o comércio mundial.
Lula foi consultado sobre a alternativa de uma cesta de moedas para substituir o dólar como moeda de referência, e disse que o Brasil trabalha nesta possibilidade com China, Rússia e Índia.
"Desde o ano passado estamos discutindo no BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), para fazer comércio em nossas moedas. Isto é fácil de falar, mas estamos tão acostumados a trabalhar com o dólar que há medo de fazer algo novo", afirmou.
"Mas o dólar não pode continuar sendo uma moeda de referência se é feito por apenas um país. Tem que haver outras possibilidades de referência", concluiu o presidente brasileiro.
Ao lado do presidente Lula durante a entrevista, o ministro da Fazenda Guido Mantega, que criou o termo "guerra cambial", advertiu que se o G20 não alcançar um acordo que permita evitar as manipulações cambiais, o mundo seguirá para um "protecionismo comercial".
"É preciso obter acordos sobre moedas chaves, já que se cada um se defender e cada um manipular o câmbio, isto leva os países que têm mercado a tentar protegê-los", destacou Mantega.
"Se o desequilíbrio cambial não for contido, os países que têm excesso de dólares deverão adotar medidas defensivas de controle de capital", completou Mantega, em referência às decisões anunciadas pelo ministério da Fazenda para tentar conter o fluxo de capitais especulativos que buscam no Brasil melhores rendimentos do que em mercados tradicionais de países ricos.
"A guerra cambial que se transforma em guerra comercial é um tema importante para ser debatido no G20", disse o ministro.
"Há países que procuram desvalorizar suas moedas para que as mercadorias fiquem mais baratas e melhorar suas exportações", declarou, citando China e Estados Unidos.
EUA jogam conta do ajuste nas outras economias, diz Dilma em Seul
presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, criticou nesta quinta-feira (11) em Seul, na Coreia do Sul, a política monetária dos Estados Unidos, afirmando que a decisão do Fed (o banco central americano) de injetar US$ 600 bilhões na economia local é uma "desvalorização disfarçada" do dólar.
Dilma está na capital sul-coreana para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião de cúpula do G20 (o grupo das 20 principais economias do mundo), a partir desta quinta-feira.
"Há uma política que é grave para o mundo inteiro, que é a política do dólar fraco. Até o (Alan) Greenspan (ex-diretor do Fed) falou sobre isso hoje", afirmou Dilma após dar um passeio por Seul antes da chegada de Lula.
"Essa é uma questão que sempre causou problema, porque a política do dólar fraco faz com que o ajuste americano fique na conta das outras economias", disse.
Cesta de moedas
Questionada sobre a declaração dada na véspera pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a substituição do dólar por uma cesta de moedas como referência para transações internacionais, Dilma afirmou que "essa é uma das posições, há várias na mesa".
"Acho que vai ser uma questão de negociação. A melhor solução seria não haver desvalorização do dólar", afirmou.
Para ela, a adoção da cesta de moedas como referência "não é só uma questão de vontade". "Se fosse só vontade já teria sido feito", afirmou.
"Pode ser também uma questão de acordo, como foi em Bretton Woods (a reunião que definiu as bases do sistema financeiro internacional no pós-guerra). Lá isso já tinha sido colocado como possibilidade, pela representação inglesa, liderada por (John Maynard) Keynes. Ele defendia a cesta de moedas", disse a presidente eleita.
Real
Dilma afirmou ainda que "não é bom" o fato de o real ser uma das moedas mais valorizadas do mundo.
"Não acho isso bom. Vamos ter de olhar cuidadosamente e tomar todas as medidas possíveis. Isso não é bom para o Brasil", afirmou a presidente eleita.
Ela não quis comentar, porém, quais seriam as medidas a serem tomadas para evitar a valorização excessiva da moeda brasileira.
"Se eu tivesse medidas (para anunciar), não viria aqui (no lobby do hotel em Seul, onde falou aos jornalistas brasileiros)", afirmou.
Citando o ex-premiê britânico Winston Churchill, Dilma afirmou que "há certas medidas que a gente não confessa nem para nós mesmos".
'Atração' do G20, Dilma deve acompanhar a agenda de Lula durante a cúpula, mas não terá participação ativa na reunião, reservada apenas aos chefes de Estado ou Governo em exercício.
"O G20 é um um fórum oficial entre os países, então a representação do Brasil é do presidente Lula", disse a presidente eleita.
Ela negou o rótulo de "atração" da reunião após a revista americana Forbes tê-la indicado como a 16ª pessoa mais influente do mundo.
"Atração é presidente no exercício do cargo, presidente eleita não é atração, é só notícia", disse.
Dilma, que viajou a Seul em um avião de carreira, acompanhada do ministro Guido Mantega, disse que não conversou com ele sobre sua possível permanência ou sua saída do cargo no próximo governo durante o voo.
"Não teria sentido tratar disso no avião", afirmou.
"Vou tratar disso quando tratar da questão de todo o ministério, e ainda estou tratando. Na hora que for anunciar, vou anunciar direitinho, não vou especular", afirmou.
Dilma está na capital sul-coreana para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião de cúpula do G20 (o grupo das 20 principais economias do mundo), a partir desta quinta-feira.
"Há uma política que é grave para o mundo inteiro, que é a política do dólar fraco. Até o (Alan) Greenspan (ex-diretor do Fed) falou sobre isso hoje", afirmou Dilma após dar um passeio por Seul antes da chegada de Lula.
"Essa é uma questão que sempre causou problema, porque a política do dólar fraco faz com que o ajuste americano fique na conta das outras economias", disse.
Cesta de moedas
Questionada sobre a declaração dada na véspera pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a substituição do dólar por uma cesta de moedas como referência para transações internacionais, Dilma afirmou que "essa é uma das posições, há várias na mesa".
"Acho que vai ser uma questão de negociação. A melhor solução seria não haver desvalorização do dólar", afirmou.
Para ela, a adoção da cesta de moedas como referência "não é só uma questão de vontade". "Se fosse só vontade já teria sido feito", afirmou.
"Pode ser também uma questão de acordo, como foi em Bretton Woods (a reunião que definiu as bases do sistema financeiro internacional no pós-guerra). Lá isso já tinha sido colocado como possibilidade, pela representação inglesa, liderada por (John Maynard) Keynes. Ele defendia a cesta de moedas", disse a presidente eleita.
Real
Dilma afirmou ainda que "não é bom" o fato de o real ser uma das moedas mais valorizadas do mundo.
"Não acho isso bom. Vamos ter de olhar cuidadosamente e tomar todas as medidas possíveis. Isso não é bom para o Brasil", afirmou a presidente eleita.
Ela não quis comentar, porém, quais seriam as medidas a serem tomadas para evitar a valorização excessiva da moeda brasileira.
"Se eu tivesse medidas (para anunciar), não viria aqui (no lobby do hotel em Seul, onde falou aos jornalistas brasileiros)", afirmou.
Citando o ex-premiê britânico Winston Churchill, Dilma afirmou que "há certas medidas que a gente não confessa nem para nós mesmos".
'Atração' do G20, Dilma deve acompanhar a agenda de Lula durante a cúpula, mas não terá participação ativa na reunião, reservada apenas aos chefes de Estado ou Governo em exercício.
"O G20 é um um fórum oficial entre os países, então a representação do Brasil é do presidente Lula", disse a presidente eleita.
Ela negou o rótulo de "atração" da reunião após a revista americana Forbes tê-la indicado como a 16ª pessoa mais influente do mundo.
"Atração é presidente no exercício do cargo, presidente eleita não é atração, é só notícia", disse.
Dilma, que viajou a Seul em um avião de carreira, acompanhada do ministro Guido Mantega, disse que não conversou com ele sobre sua possível permanência ou sua saída do cargo no próximo governo durante o voo.
"Não teria sentido tratar disso no avião", afirmou.
"Vou tratar disso quando tratar da questão de todo o ministério, e ainda estou tratando. Na hora que for anunciar, vou anunciar direitinho, não vou especular", afirmou.
Maria da Conceição Tavares e as três medidas contra a crise cambial
ig
A economista Maria da Conceição Tavares é amiga pessoal do presidente Lula e da presidenta eleita Dilma Rousseff.
Ela deu uma palestra em sessão conjunta das comissões de Economia da Câmara e do Senado na qual explicou sua proposta de solução para a crise cambial “que vai ter que se resolver de uma forma ou de outra”.
Segundo ela, não apenas baixar a taxa de juros, nem uma maxidesvalorização do real, nem adotar a solução chinesa de se atrelar a variação do real à do dolar definitivamente e nem a chamada flutuação suja.
A fórmula é a junção de três medidas:
Realinhamento lento do câmbio;
baixar as taxas de juros;
e controle da entrada de capitais.
É esperar e conferir se a economista ainda tem voz ativa junto a Dilma, Lula e à equipe econômica.
Veja o vídeo:
A economista Maria da Conceição Tavares é amiga pessoal do presidente Lula e da presidenta eleita Dilma Rousseff.
Ela deu uma palestra em sessão conjunta das comissões de Economia da Câmara e do Senado na qual explicou sua proposta de solução para a crise cambial “que vai ter que se resolver de uma forma ou de outra”.
Segundo ela, não apenas baixar a taxa de juros, nem uma maxidesvalorização do real, nem adotar a solução chinesa de se atrelar a variação do real à do dolar definitivamente e nem a chamada flutuação suja.
A fórmula é a junção de três medidas:
Realinhamento lento do câmbio;
baixar as taxas de juros;
e controle da entrada de capitais.
É esperar e conferir se a economista ainda tem voz ativa junto a Dilma, Lula e à equipe econômica.
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MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Câmbio - Falta um personagem histórico em Seul
A tentativa do governo americano de purgar a crise interna com expansão da liquidez significa transferir os efeitos colaterais do colapso americano para os países em desenvolvimento. A equação paradoxal manipulada pelo FED e a Casa Branca fortalece a economia no núcleo duro do capitalismo ao desvalorizar a moeda de troca elevando a competitividade das suas exportações para gerar crises de superliquidez no resto do mundo. Sobretudo o mundo pobre e em desenvolvimento perde fôlego comercial e capacidade soberana de coodenar sua economia, por conta da invasão de capitais especulativos vazados das burras do Tesouro gringo. A inexistência de um movimento socialista forte no resto do mundo, a exemplo do que havia nos anos 30, e depois da Segunda Guerra, permite que Obama promova 'esse repasse do ônus', sem maiores riscos. Durante o governo Roosevelt, iniciado em 1933, deu-se o oposto. Para reverter a crise de 29 foi necessário que o Estado americano assumisse o comando da economia. À revelia dos mercados Roosevelt acionou uma inédita política desenvolvimentista de recorte estatal feita de gigantescas obras públicas, ações sociais e frentes de trabalho. Omitir-se então, e transferir o ajuste aos mercados pela superliquidez, como agora, significaria abrir espaço ao avanço do movimento socialista europeu e do poder sindical dentro dos EUA. A ausência desse personagem histórico explica o impasse no G 20 e a conversa mole de busca de coordenação internacional quando na verdade o que interessa aos EUA é destruir qualquer articulação política que possa se opor aos desígnios do seu ajuste unilateral. O corolário desse teatro foi expresso por Barack Obama nesta 2º feira na Índia. Com escárnio, o democrata, que fica cada dia menor à medida em que a crise se agiganta, disse sobre as ações do FED e do Tesouro: 'O que é bom para os EUA é bom para o mundo". O único lugar no mundo que pode dar uma resposta consequente a Obama é a América Latina com seu colar de governos progressistas dotados de uma incipente capacidade de coordenação. Basta isso para avaliar a octanagem conservadora da pregação demotucana e de seu dispositivo midiático contra a integração sulamericana. E é essa gente hoje que vem falar em risco de desindustrialização...
[Leia 'Desindustrialização, Guerra cambial e Hipocrisia']
EUA: O CONSUMIDOR NÃO COMPRA, AS EMPRESAS NÃO INVESTEM, OS BANCOS NÃO EMPRESTAM
"...as empresas não financeiras [nos EUA] detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita" [Delfim Neto, Valor, 09-11]
[Leia 'Desindustrialização, Guerra cambial e Hipocrisia']
EUA: O CONSUMIDOR NÃO COMPRA, AS EMPRESAS NÃO INVESTEM, OS BANCOS NÃO EMPRESTAM
"...as empresas não financeiras [nos EUA] detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita" [Delfim Neto, Valor, 09-11]
Carta Maior/Câmbio A DIFERENÇA ENTRE OBAMA E ROOSEVELT:FALTA UM PERSONAGEM EM SEUL
A tentativa do governo americano de purgar a crise interna com expansão da liquidez significa transferir os efeitos colaterais do colapso americano para os países em desenvolvimento. A equação paradoxal manipulada pelo FED e a Casa Branca fortalece a economia no núcleo duro do capitalismo ao desvalorizar a moeda de troca elevando a competitividade das suas exportações para gerar crises de superliquidez no resto do mundo. Sobretudo o mundo pobre e em desenvolvimento perde fôlego comercial e capacidade soberana de coodenar sua economia, por conta da invasão de capitais especulativos vazados das burras do Tesouro gringo. A inexistência de um movimento socialista forte no resto do mundo, a exemplo do que havia nos anos 30, e depois da Segunda Guerra, permite que Obama promova 'esse repasse do ônus', sem maiores riscos. Durante o governo Roosevelt, iniciado em 1933, deu-se o oposto. [Leia mais]
EUA: O CONSUMIDOR NÃO COMPRA, AS EMPRESAS NÃO INVESTEM, OS BANCOS NÃO EMPRESTAM
"...as empresas não financeiras [nos EUA] detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita" [Delfim Neto, Valor, 09-11]
EUA: O CONSUMIDOR NÃO COMPRA, AS EMPRESAS NÃO INVESTEM, OS BANCOS NÃO EMPRESTAM
"...as empresas não financeiras [nos EUA] detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita" [Delfim Neto, Valor, 09-11]
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Delfim/Câmbio - Os EUA e o risco cambial
Antonio Delfim Netto |VALOR
Existe uma grande perplexidade sobre as consequências da política de afrouxamento monetário (”quantitative easing”) posta em prática pelo Federal Open Market Committee (Fomc) do Fed, o banco central dos EUA . Perplexidade interna e externa! No início da crise, o Fed comprou quase US$ 1,8 trilhão de ativos (60% do PIB brasileiro de 2010), inundando de liquidez seu mercado interno. Diante dos resultados insatisfatórios dessa política, decidiu comprar mais US$ 600 bilhões de títulos do Tesouro até o segundo trimestre de 2011, à base de mais ou menos US$ 75 bilhões por mês. Continuará a recomprar o principal das aplicações anteriores que estão vencendo (mais ou menos US$ 35 bilhões por mês). Com isso, as compras e recompras do Tesouro nos próximos oito meses serão da ordem de US$ 110 bilhões mensais, totalizando, praticamente, mais US$ 900 bilhões. O seu efeito dependerá da capacidade de Obama de recuperar a confiança do setor privado.
A explicação para esse esforço redobrado do Fed está, como disse o chairman Bernanke, no fato que o seu mandato exige que o Fomc objetive, simultaneamente, “o máximo nível de emprego” e a “estabilidade dos preços”. O problema é que hoje os dois objetivos estão se distanciando. Nas suas próprias palavras, “a maioria das avaliações da inflação estrutural sinalizam algo abaixo de 2%, ou um pouco menor do que a taxa que a maioria dos estrategistas do Fed considera mais adequada para um vigoroso crescimento econômico a longo prazo”. Em suma, o Fed precisa criar uma expectativa de inflação e não cuidar do equilíbrio mundial! Por outro lado, “o nível de desemprego está inaceitavelmente alto, quase 10%”.
De fato, a despeito da recessão ter “oficialmente” terminado, o setor da construção civil permanece em coma. A relação entre o número de empregos e a população civil em idade de trabalhar está num dos seus pontos mais baixos, diminuindo a procura de emprego pela crença de não poder encontrá-lo; parte da população com mais de 65 anos voltou a procurar emprego (de qualquer natureza), porque viu suas poupanças destruídas pela crise financeira. Não é, portanto, sem razões objetivas que a “confiança” dos empresários e consumidores se encontra em níveis muito baixos, aumentando a indisposição para o consumo e para o investimento.
Excedente de liquidez deverá ir para a especulação financeira
Hoje, com o benefício de o “futuro” ter se tornado “presente”, é evidente que o grande esforço com múltiplos focos do governo Obama produziu mais calor do que luz. Numa larga medida, a política fiscal com seus “multiplicadores” e a política monetária com seus juros “negativos” foram incapazes de restabelecer a confiança do setor privado, que Obama, conscientemente ou não, tratou muito mal, com ameaças de intervenção e aumento de impostos num momento de grande incerteza.
Talvez a forma mais cabal de mostrar a falta de foco da política econômica e o equívoco da inversão das prioridades sociais de Obama, é considerar o tempo, a energia e os recursos que despendeu para a aprovação do seu generoso programa de direito à saúde. Ele encontrou uma – para nós incompreensível – resistência da sociedade e do Congresso. Hoje, com a maioria republicana na Câmara, ele pode ser bloqueado pelo controle das suas verbas. Parece claro, agora, que cometeu grave erro estratégico, que cresceu com a escolha do seu “time”: um conjunto de “estrelas” que não cabiam numa mesma galáxia e das quais agora está se libertando…
A maior prova de que nem a política fiscal nem a monetária produziram o que delas se esperava, é que as empresas não financeiras detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita. Enquanto houver uma ameaça de deflação e a taxa de juro real for nula (a “armadilha da liquidez”), é pouco provável que qualquer aumento de liquidez possa estimular fortemente a economia real dos EUA, pela simples e boa razão que o “dinheiro distribuído de helicóptero” (como lembrou o ministro Mantega) não será gasto internamente, porque valerá mais amanhã. As consequências de mais longo prazo dessa política para os EUA e o mundo, quando a situação mudar, poderão ser muito sérias, mas é assunto para outro artigo.
No curto prazo, deverão induzir uma valorização ainda maior das moedas dos países emergentes exportadores de produtos primários, como é o caso do Brasil. O “excedente” de liquidez vai ser encaminhado para a especulação financeira, desesperada em busca de qualquer rentabilidade positiva. Nas atuais condições de pressão e temperatura, a desvalorização do dólar e do yuan vai aumentar o preço das matérias-primas que exportamos e pressionar a inflação. O enorme diferencial de juros e as condições favoráveis vão continuar atraindo o capital para nossa bolsa e podem nos levar a “importar” bolhas.
Temos de falar alto em Seul contra a política americana, mas não poupar a chinesa! Sem uma efetiva coordenação, a “guerra cambial” vai terminar numa trágica “guerra comercial”.
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras
Existe uma grande perplexidade sobre as consequências da política de afrouxamento monetário (”quantitative easing”) posta em prática pelo Federal Open Market Committee (Fomc) do Fed, o banco central dos EUA . Perplexidade interna e externa! No início da crise, o Fed comprou quase US$ 1,8 trilhão de ativos (60% do PIB brasileiro de 2010), inundando de liquidez seu mercado interno. Diante dos resultados insatisfatórios dessa política, decidiu comprar mais US$ 600 bilhões de títulos do Tesouro até o segundo trimestre de 2011, à base de mais ou menos US$ 75 bilhões por mês. Continuará a recomprar o principal das aplicações anteriores que estão vencendo (mais ou menos US$ 35 bilhões por mês). Com isso, as compras e recompras do Tesouro nos próximos oito meses serão da ordem de US$ 110 bilhões mensais, totalizando, praticamente, mais US$ 900 bilhões. O seu efeito dependerá da capacidade de Obama de recuperar a confiança do setor privado.
A explicação para esse esforço redobrado do Fed está, como disse o chairman Bernanke, no fato que o seu mandato exige que o Fomc objetive, simultaneamente, “o máximo nível de emprego” e a “estabilidade dos preços”. O problema é que hoje os dois objetivos estão se distanciando. Nas suas próprias palavras, “a maioria das avaliações da inflação estrutural sinalizam algo abaixo de 2%, ou um pouco menor do que a taxa que a maioria dos estrategistas do Fed considera mais adequada para um vigoroso crescimento econômico a longo prazo”. Em suma, o Fed precisa criar uma expectativa de inflação e não cuidar do equilíbrio mundial! Por outro lado, “o nível de desemprego está inaceitavelmente alto, quase 10%”.
De fato, a despeito da recessão ter “oficialmente” terminado, o setor da construção civil permanece em coma. A relação entre o número de empregos e a população civil em idade de trabalhar está num dos seus pontos mais baixos, diminuindo a procura de emprego pela crença de não poder encontrá-lo; parte da população com mais de 65 anos voltou a procurar emprego (de qualquer natureza), porque viu suas poupanças destruídas pela crise financeira. Não é, portanto, sem razões objetivas que a “confiança” dos empresários e consumidores se encontra em níveis muito baixos, aumentando a indisposição para o consumo e para o investimento.
Excedente de liquidez deverá ir para a especulação financeira
Hoje, com o benefício de o “futuro” ter se tornado “presente”, é evidente que o grande esforço com múltiplos focos do governo Obama produziu mais calor do que luz. Numa larga medida, a política fiscal com seus “multiplicadores” e a política monetária com seus juros “negativos” foram incapazes de restabelecer a confiança do setor privado, que Obama, conscientemente ou não, tratou muito mal, com ameaças de intervenção e aumento de impostos num momento de grande incerteza.
Talvez a forma mais cabal de mostrar a falta de foco da política econômica e o equívoco da inversão das prioridades sociais de Obama, é considerar o tempo, a energia e os recursos que despendeu para a aprovação do seu generoso programa de direito à saúde. Ele encontrou uma – para nós incompreensível – resistência da sociedade e do Congresso. Hoje, com a maioria republicana na Câmara, ele pode ser bloqueado pelo controle das suas verbas. Parece claro, agora, que cometeu grave erro estratégico, que cresceu com a escolha do seu “time”: um conjunto de “estrelas” que não cabiam numa mesma galáxia e das quais agora está se libertando…
A maior prova de que nem a política fiscal nem a monetária produziram o que delas se esperava, é que as empresas não financeiras detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita. Enquanto houver uma ameaça de deflação e a taxa de juro real for nula (a “armadilha da liquidez”), é pouco provável que qualquer aumento de liquidez possa estimular fortemente a economia real dos EUA, pela simples e boa razão que o “dinheiro distribuído de helicóptero” (como lembrou o ministro Mantega) não será gasto internamente, porque valerá mais amanhã. As consequências de mais longo prazo dessa política para os EUA e o mundo, quando a situação mudar, poderão ser muito sérias, mas é assunto para outro artigo.
No curto prazo, deverão induzir uma valorização ainda maior das moedas dos países emergentes exportadores de produtos primários, como é o caso do Brasil. O “excedente” de liquidez vai ser encaminhado para a especulação financeira, desesperada em busca de qualquer rentabilidade positiva. Nas atuais condições de pressão e temperatura, a desvalorização do dólar e do yuan vai aumentar o preço das matérias-primas que exportamos e pressionar a inflação. O enorme diferencial de juros e as condições favoráveis vão continuar atraindo o capital para nossa bolsa e podem nos levar a “importar” bolhas.
Temos de falar alto em Seul contra a política americana, mas não poupar a chinesa! Sem uma efetiva coordenação, a “guerra cambial” vai terminar numa trágica “guerra comercial”.
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras
‘Meirelles eo câmbio - Não podemos assumir prejuízos para ajudar os Estados Unidos’
Meirelles afirma que o Brasil já está fazendo sua parte para garantir o crescimento da economia mundial
Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo
BASILEIA – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, garantiu que o País já está fazendo sua parte para garantir o crescimento da economia mundial e que “não cabe ao Brasil assumir os prejuízos para ajudar a economia americana”.
Em entrevista ao Estado, Meirelles admitiu que a injeção de liquidez de US$ 600 bilhões feita pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode ter um impacto negativo. Mas insiste que o Brasil está tomando “todas as medidas necessárias” para proteger sua economia.
Meirelles participou nos últimos dois dias do encontro entre os dirigentes dos principais bancos centrais do mundo, em evento na Basileia, Suíça. A seguir, a entrevista.
O Brasil deu sinais de ter resistido bem à crise de 2008. A onda de liquidez atual pode ameaçar a economia brasileira em 2011 ou gerar risco de criar bolha de ativos?
O Brasil está tomando todas as medidas necessárias para proteger a economia brasileira do excesso de liquidez mundial e impedir a formação de bolhas nos preços de ativos. Como exemplo, o Banco Central do Brasil tem comprado o excesso de liquidez em dólares, e esterilizado os reais que são emitidos em consequência da compra de reservas. Além disso, o Banco Central tem reforçado as regras prudenciais, para evitar que o excesso de liquidez se transforme em aumento inadequado do risco de crédito no sistema financeiro brasileiro. Também foram adotadas medidas fiscais, através do IOF.
Qual a posição do Brasil em relação à política de expansão monetária americana?
A posição do Brasil é de que esse aumento da liquidez americana, que gera fluxos de entrada em países que estão mostrando solidez na economia, é negativa para o Brasil. O País está crescendo com uma expansão robusta do mercado doméstico. Portanto, como não precisamos dessa excessiva liquidez externa, ela torna-se prejudicial à economia brasileira.
O governo americano insiste que a injeção de US$ 600 bilhões é de interesse de todos, já que seria de interesse de todos ver o crescimento da economia americana. Além disso, declaram que o objetivo não é desvalorizar a moeda. O sr. acha que a recuperação da economia dos Estados Unidos é uma meta que deve ser buscada por todos e que de fato merece o sacrifício de outras economias?
O Brasil já está dando a sua devida contribuição para a recuperação da economia mundial através de um crescimento substancial da demanda doméstica, portanto consideramos que o Brasil já cumpriu sua parte. Não cabe ao Brasil assumir prejuízos para ajudar a economia americana. Em consequência, estamos tomando todas as medidas necessárias para proteger a economia brasileira.
Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, falou que a incerteza é o que marca a atual etapa da economia mundial. De que forma isso afeta o Brasil e os planos de crescimento do País em 2011?
O Banco Central do Brasil está levando em consideração essa incerteza em seu processo decisório. Estamos tomando todas as providências para evitar que mudanças de cenário sejam prejudiciais para o Brasil. Atualizamos as nossas hipóteses de trabalho constantemente, visando adaptar a economia brasileira às incertezas da economia mundial. Por exemplo, o desempenho abaixo do esperado da economia mundial, a partir do segundo trimestre, foi imediatamente incorporado nas hipóteses de trabalho do BC e no seu processo de tomada de decisões. A força da economia brasileira, aliada aos bons fundamentos, ao forte crescimento da demanda doméstica e à não dependência da demanda externa, faz com que as perspectivas de crescimento para o Brasil em 2011 sejam sólidas.
Basileia 3 deve ser aprovada nesta semana. Qual será o impacto para o Brasil? O Brasil terá bancos entre aqueles considerados como influência sistêmica e que exigirão maior capital?
O impacto para o Brasil será limitado, na medida em que grande parte das diretrizes aprovadas já estão implantadas no Brasil. Faremos algumas mudanças pontuais, como a do crédito fiscal intertemporal, mas haverá tempo suficiente para adaptação do sistema até 2019. Não estão finalizados os critérios para a definição de quais são os bancos sistemicamente importantes e, portanto, é prematuro definir se existirão instituições brasileiras classificadas nessa categoria.
No próximo governo, o sr. aceitaria um posto que não fosse o de presidente do Banco Central?
No momento adequado, vou pensar no assunto
Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo
BASILEIA – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, garantiu que o País já está fazendo sua parte para garantir o crescimento da economia mundial e que “não cabe ao Brasil assumir os prejuízos para ajudar a economia americana”.
Em entrevista ao Estado, Meirelles admitiu que a injeção de liquidez de US$ 600 bilhões feita pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode ter um impacto negativo. Mas insiste que o Brasil está tomando “todas as medidas necessárias” para proteger sua economia.
Meirelles participou nos últimos dois dias do encontro entre os dirigentes dos principais bancos centrais do mundo, em evento na Basileia, Suíça. A seguir, a entrevista.
O Brasil deu sinais de ter resistido bem à crise de 2008. A onda de liquidez atual pode ameaçar a economia brasileira em 2011 ou gerar risco de criar bolha de ativos?
O Brasil está tomando todas as medidas necessárias para proteger a economia brasileira do excesso de liquidez mundial e impedir a formação de bolhas nos preços de ativos. Como exemplo, o Banco Central do Brasil tem comprado o excesso de liquidez em dólares, e esterilizado os reais que são emitidos em consequência da compra de reservas. Além disso, o Banco Central tem reforçado as regras prudenciais, para evitar que o excesso de liquidez se transforme em aumento inadequado do risco de crédito no sistema financeiro brasileiro. Também foram adotadas medidas fiscais, através do IOF.
Qual a posição do Brasil em relação à política de expansão monetária americana?
A posição do Brasil é de que esse aumento da liquidez americana, que gera fluxos de entrada em países que estão mostrando solidez na economia, é negativa para o Brasil. O País está crescendo com uma expansão robusta do mercado doméstico. Portanto, como não precisamos dessa excessiva liquidez externa, ela torna-se prejudicial à economia brasileira.
O governo americano insiste que a injeção de US$ 600 bilhões é de interesse de todos, já que seria de interesse de todos ver o crescimento da economia americana. Além disso, declaram que o objetivo não é desvalorizar a moeda. O sr. acha que a recuperação da economia dos Estados Unidos é uma meta que deve ser buscada por todos e que de fato merece o sacrifício de outras economias?
O Brasil já está dando a sua devida contribuição para a recuperação da economia mundial através de um crescimento substancial da demanda doméstica, portanto consideramos que o Brasil já cumpriu sua parte. Não cabe ao Brasil assumir prejuízos para ajudar a economia americana. Em consequência, estamos tomando todas as medidas necessárias para proteger a economia brasileira.
Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, falou que a incerteza é o que marca a atual etapa da economia mundial. De que forma isso afeta o Brasil e os planos de crescimento do País em 2011?
O Banco Central do Brasil está levando em consideração essa incerteza em seu processo decisório. Estamos tomando todas as providências para evitar que mudanças de cenário sejam prejudiciais para o Brasil. Atualizamos as nossas hipóteses de trabalho constantemente, visando adaptar a economia brasileira às incertezas da economia mundial. Por exemplo, o desempenho abaixo do esperado da economia mundial, a partir do segundo trimestre, foi imediatamente incorporado nas hipóteses de trabalho do BC e no seu processo de tomada de decisões. A força da economia brasileira, aliada aos bons fundamentos, ao forte crescimento da demanda doméstica e à não dependência da demanda externa, faz com que as perspectivas de crescimento para o Brasil em 2011 sejam sólidas.
Basileia 3 deve ser aprovada nesta semana. Qual será o impacto para o Brasil? O Brasil terá bancos entre aqueles considerados como influência sistêmica e que exigirão maior capital?
O impacto para o Brasil será limitado, na medida em que grande parte das diretrizes aprovadas já estão implantadas no Brasil. Faremos algumas mudanças pontuais, como a do crédito fiscal intertemporal, mas haverá tempo suficiente para adaptação do sistema até 2019. Não estão finalizados os critérios para a definição de quais são os bancos sistemicamente importantes e, portanto, é prematuro definir se existirão instituições brasileiras classificadas nessa categoria.
No próximo governo, o sr. aceitaria um posto que não fosse o de presidente do Banco Central?
No momento adequado, vou pensar no assunto
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Carta Maior - GUERRA CAMBIAL
"...depois da irresponsabilidade da crise de 2008, o sistema financeiro não pode continuar sem controle. É preciso, no mínimo, que tenha um instrumento multilateral que possa fiscalizar a alavancagem ... para evitar especulação, sobretudo como aconteceu no mercado imobiliário americano, ou no mercado futuro de commodities..." (Presidente Lula, que participa nesta 4º feira, em Seul, da Reunião do G-20; 08-11)
DESINDUSTRIALIZAÇÃO E HIPOCRISIA
Um dos papéis desempenhados pelas grandes empresas estatais é servir como instrumento de política industrial. Dirigir compras à indústrial local, induzir pesquisa e desenvolvimento tecnológico adequados a sua demanda específica são ferramentas clássicas de desenvolvimento industrial só acessíveis, naturalmente, aos governos que preservam, fortalecem e expandem empresas públicas. O pré-sal significará um impulso industrializante para a economia brasileira graças à existencia da Petrobrás e à decisão política de atribuir à estatal o comando estratégico na exploração dessa riqueza. O mesmo ocorrerá agora com a implantaçção da rede nacional de banda larga, que deve chegar a 39,8 milhões de domicílios brasileiros até 2014. Quando o governo decidiu que a Eletrobrás seria fortalecida para coordenar esse processo, a mídia e o privatismo demotucanos gastaram rios de tinta e florestas de celulose em protestos e denúncias pré-eleitorais. Agora se entende o motivo: as licitações para aquisição dos equipamentos necessários à implantação da rede somarão R$ 5,7 bilhões em cinco anos. A Telebras exige que os concorrentes ofertem produtos fabricados no Brasil. Com tecnologia desenvolvida aqui. Nesta 2º feira, a Folha, no caderno de economia ['Mercado'], estampa manchete elucidativa dos interesses em jogo: "Governo decide comprar apenas equipamento local e irrita múltis'. A mesma Folha, note-se, abriga a crítica serrista de que o governo Lula estaria 'promovendo' a desindustrialização da economia brasileira por conta da valorização do Real. [Leia mais]
DESINDUSTRIALIZAÇÃO E HIPOCRISIA
Um dos papéis desempenhados pelas grandes empresas estatais é servir como instrumento de política industrial. Dirigir compras à indústrial local, induzir pesquisa e desenvolvimento tecnológico adequados a sua demanda específica são ferramentas clássicas de desenvolvimento industrial só acessíveis, naturalmente, aos governos que preservam, fortalecem e expandem empresas públicas. O pré-sal significará um impulso industrializante para a economia brasileira graças à existencia da Petrobrás e à decisão política de atribuir à estatal o comando estratégico na exploração dessa riqueza. O mesmo ocorrerá agora com a implantaçção da rede nacional de banda larga, que deve chegar a 39,8 milhões de domicílios brasileiros até 2014. Quando o governo decidiu que a Eletrobrás seria fortalecida para coordenar esse processo, a mídia e o privatismo demotucanos gastaram rios de tinta e florestas de celulose em protestos e denúncias pré-eleitorais. Agora se entende o motivo: as licitações para aquisição dos equipamentos necessários à implantação da rede somarão R$ 5,7 bilhões em cinco anos. A Telebras exige que os concorrentes ofertem produtos fabricados no Brasil. Com tecnologia desenvolvida aqui. Nesta 2º feira, a Folha, no caderno de economia ['Mercado'], estampa manchete elucidativa dos interesses em jogo: "Governo decide comprar apenas equipamento local e irrita múltis'. A mesma Folha, note-se, abriga a crítica serrista de que o governo Lula estaria 'promovendo' a desindustrialização da economia brasileira por conta da valorização do Real. [Leia mais]
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