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sábado, 2 de outubro de 2010

Para Lula, ação contra Correa foi "burrice

GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES

O presidente Lula chamou de "burrice" a rebelião no Equador e disse que "os golpistas" já devem estar "arrependidos". Em evento na Grande São Paulo, ele disse que conversou por telefone com Rafael Correa e que "não há, no mundo, quem concorde com golpe".
O rechaço do presidente reforçou a posição do Brasil diante do caso, que foi "condenado energicamente" e chamado de "tentativa de golpe" pelos membros da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
O bloco realizou uma reunião presidencial de urgência na madrugada de ontem, em Buenos Aires, e pediu que "os responsáveis pela revolta golpista sejam julgados e condenados".
O encontro reuniu os presidentes de Argentina, Chile, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Uruguai, além do secretário-geral da Unasul, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner.
Lula não viajou por causa das eleições e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, cancelou sua presença por conta de crise alérgica.
O bloco advertiu que, em caso de nova quebra da ordem institucional, as fronteiras do Equador serão fechadas e haverá interrupção no comércio e no fornecimento de energia.

A Unasul também decidiu enviar chanceleres para respaldar Correa. O Brasil foi representado pelo secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota.
Segundo analistas, a reação rápida e unânime do bloco demonstra maior sintonia entre os governos, que conseguiram superar diferenças ideológicas em defesa da estabilidade regional

Correa reage e promete "depurar" polícia

De volta ao palácio, presidente do Equador reafirma ter sofrido tentativa de golpe e diz que não haverá perdão

Comandante da polícia renuncia após revolta; governo rejeita recuar em lei que detonou os protestos pelo país

Guillermo Granja/Reuters

Presidente equatoriano Rafael Correa discursa no palácio de governo, após ser resgatado do hospital onde permaneceu 12 horas sob sítio de rebeldes

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A QUITO

O presidente Rafael Correa retomou ontem o controle do Equador, reafirmou ter sido alvo de uma tentativa de golpe e de assassinato e prometeu uma "profunda depuração na Polícia Nacional".
Na noite anterior, ele saiu sob tiros do hospital onde ficou 12 horas, dizendo-se sitiado por policiais rebeldes.
Foi "resgatado" pelo GOE (Grupo de Operações Especiais), uma tropa de elite da polícia que se manteve fiel.
Os rebeldes protestavam contra uma reforma que diminui alguns benefícios.
Anteontem, barricadas foram erguidas na capital Quito e outras cidades, e Correa foi atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo. A situação, apesar de ainda tensa, estava mais calma ontem.
O resgate do presidente deixou rastro de mal-estar que sinaliza que a crise entre governo e policiais e entre as próprias forças de segurança do país ainda não acabou.
Dois policiais morreram e dois estão gravemente feridos, internados na UTI do hospital visitado ontem pela Folha -além de três mortos no restante do país.
A morte dos policiais foi o resultado do enfrentamento entre militares, policiais rebeldes e leais ao presidente durante cerca de uma hora.
Na sala contígua ao pequeno quarto do hospital onde Correa se internou é possível ver o buraco de um tiro.

FERIDA ABERTA
Enquanto o presidente fala em expurgar a polícia dos que promoveram a sublevação - "nem esquecimento nem perdão", bradou- um dos policiais que o salvaram mostra desconforto.
"Ficou uma ferida aberta. Pessoalmente, estou completamente em desacordo pela forma como utilizaram as armas", diz o major Cristian Miño, 36, que participou da operação de resgate.
Miño teve de enfrentar seus próprios companheiros de força para conseguir tirar Correa do hospital.
Quando o carro com o presidente a salvo partiu, disse ele, seus homens foram atacados. "Foi a situação mais difícil da minha vida."
Ontem, o chefe da Polícia Nacional, Freddy Martínez, assumiu a responsabilidade pelos protestos, embora não os tenha apoiado.
Agora, especula-se que Correa, em dificuldade política, lance ofensiva para capitalizar a suposta tentativa de golpe e destitua a Assembleia Nacional.
Isso lhe permitiria governar, mediante decreto, até a realização de um novo pleito presidencial e legislativo.
A manobra, que está prevista na Constituição com o nome de "morte cruzada", precisaria, porém, ser aprovada pela Corte de Justiça

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

LULA: As democracias mundiais condenam a tentativa de golpe no Equador

O presidente Lula, em entrevista após cerimônia de inauguração da República Terapêutica e do Consultório de Rua para Dependentes Químicos e outras ações relacionadas ao Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, comentou sobre rebelião ocorrida no Equador nas últimas horas, nesta sexta-feira (1º/10), em São Bernardo do Campo. Segundo Lula “é melhor as pessoas discutirem, fazerem acordo, mas um presidente eleito precisa ser respeitado”. O presidente brasileiro disse que Rafael Correa é um grande presidente e que precisa ser respeitado.

“Não é possível que as pessoas não entendam que esse tipo de tentativa não é correta. Policiais jogarem bomba em um presidente é menos correto ainda. Então eu acho que todos nós da América Latina e do mundo, todos nós democratas precisamos condenar da forma mais veemente possível essa tentativa de golpe no Equador e apoiar o presidente Rafael Correa. Eu acho que hoje os golpistas já se deram conta da burrice que fizeram. E nós, todos os presidentes da América do Sul, sem nenhuma restrição, apoiamos a democracia no Equador e a manutenção do presidente Rafael Correa”, disse.

EQUADOR - 13 HORAS DE CORAGEM E DIGNIDADE DO POVO

POVO FOI ÀS RUAS E AJUDOU A LIBERTAR O PRESIDENTE SEQUESTRADO NUM HOSPITAL...O POVO RESISTIU TAMBÉM GRAÇAS AOS CANAIS DE TELEVISÃO PÚBLICA - TELE-SUR E, PRINCIPALMENTE, DO CANAL PÚBLICO ECUADOR-TV....