"Os Intocáveis" tem referências a Hitchcock e a Eisenstein
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA
Se há uma sequência que me deixa indiferente em "Os Intocáveis" é aquela da escadaria, em que Eliot Ness evita que um carrinho de bebê tenha o mesmo destino que em "O Encouraçado Potenkim".
Não pela referência ao filme de Serguei Eisenstein, mas porque a sequência me parece um tanto postiça, como se nos quisesse forçar a ver outro filme naquele momento e a buscar prazer nessa diversidade.
Posso estar errado, mas minha impressão é que as citações de De Palma, as boas, funcionam em vai e vem: reconhecemos Hitchcock ali e o primeiro impulso é dizer: "De Palma, plagiário sujo".
Depois esquecemos Hitchcock e notamos que De Palma não é nada disso.
Com Serguei Eisenstein isso não ocorre, talvez porque a citação seja ostensiva demais, ou porque o filme seja "importante" e não mera história de crime.
De todo modo, "Os Intocáveis" é uma beleza.
o intocáveis
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sábado, 2 de outubro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
"Vestida para Matar" mostra como De Palma fala com imagens
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA
Consta que John Ford, ao filmar, era capaz de jogar fora páginas e páginas de um roteiro e substituí-las por alguns gestos, alguns objetos, uma luz específica. A imagem é o fundamento do cinema, mesmo no sonoro.
Mas nem todos sabem falar com imagens. Mais raros sabem falar tão bem quanto Brian de Palma.
Quem duvidar que veja, hoje, em "Vestida para Matar" (TCM, 22h, 14 anos), a parte de Angie Dickinson quando vai ao museu, tem um encontro amoroso, faz uma descoberta terrível sobre o amante e é morta num elevador. Tudo ali é imagem.
Não é tão diferente, à parte a algazarra, do início do terror "Carrie, a Estranha" (TCM, 23h35, 18 anos), quando o sangue escorre pelo corpo de Sissy Spacek, ou de seus finais.
Pode-se conferir as mesmas virtudes em "Operação França" (TC Cult, 0h05, 12 anos), de Friedkin, e, talvez, em "Fale com Ela" (TC Cult, 22h, 18 anos), de Almodóvar.
CRÍTICO DA FOLHA
Consta que John Ford, ao filmar, era capaz de jogar fora páginas e páginas de um roteiro e substituí-las por alguns gestos, alguns objetos, uma luz específica. A imagem é o fundamento do cinema, mesmo no sonoro.
Mas nem todos sabem falar com imagens. Mais raros sabem falar tão bem quanto Brian de Palma.
Quem duvidar que veja, hoje, em "Vestida para Matar" (TCM, 22h, 14 anos), a parte de Angie Dickinson quando vai ao museu, tem um encontro amoroso, faz uma descoberta terrível sobre o amante e é morta num elevador. Tudo ali é imagem.
Não é tão diferente, à parte a algazarra, do início do terror "Carrie, a Estranha" (TCM, 23h35, 18 anos), quando o sangue escorre pelo corpo de Sissy Spacek, ou de seus finais.
Pode-se conferir as mesmas virtudes em "Operação França" (TC Cult, 0h05, 12 anos), de Friedkin, e, talvez, em "Fale com Ela" (TC Cult, 22h, 18 anos), de Almodóvar.
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