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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

mídia - Ferreira Gullar e a ira dos inconformados

Ricardo Kotscho,
"Eleições 2010: o velho poeta e a ira dos inconformados", publicado no blog Balaio do Kotscho:

Eleição para presidente é bom por causa disso: só acontece de quatro em quatro anos, tem dia e hora para acabar. Em pouco tempo, fica-se sabendo quem ganhou e quem perdeu. No dia seguinte, a vida segue seu rumo. Os vencedores escolhem o time que vai governar e os perdedores reorganizam suas tropas para a próxima eleição. Por isso, como vocês sabem, nem pretendia voltar ao assunto.

Nas democracias costuma ser assim, mas não é bem o que está acontecendo no Brasil nestas duas semanas que se passaram desde que fomos às urnas. Em alguns “bolsões sinceros mas radicais”, como se dizia nos tempos dos militares, quando não se podia votar para presidente, nota-se um rancoroso inconformismo com o resultado, especialmente na imprensa e nas redes sociais.

Manifestações diárias deste sentimento podemos encontrar em mensagens e artigos carregados de ira, preconceitos e intolerância que circulam em colunas, editoriais, blogs, celulares, facebooks, twitters e que tais, nas velhas e nas novas mídias impressas e eletrônicas, por toda parte - hoje como ontem, os mais estridentes redutos do que sobrou da oposição radical. Não são tantos como pensam, mas fazem muito barulho.

Um exemplo patético do que pensa este tipo de eleitor derrotado é o inacreditável artigo publicado domingo na Folha de S. Paulo pelo poeta Ferreira Gullar, sob o título “Ah, se não fosse a realidade!”. De fato, se não fosse a realidade das urnas, ele talvez estivesse hoje mais feliz, menos amargo, escrevendo novos versinhos, mas o voto digitado não tem volta e os resultados oficiais já foram proclamados pelo TSE.

A começar pelo trecho destacado no texto - “Ninguém imagina que Lula deixe dona Marisa em São Bernardo para instalar-se na alcova de Dilma” -, Gullar destila sua bílis num panfleto carregado de ódio e desrespeito, que não deve fazer bem a quem o escreve, muito menos a quem o lê num final de tarde de domingo como aconteceu comigo.

Viúvo do comunismo de resultados de Roberto Freire, o octogenário poeta ganhou destaque na reta final da campanha eleitoral como uma espécie de líder dos intelectuais de oposição, encabeçando manifestos e abaixo-assinados “em defesa da democracia e da vida”, como se ambas estivessem ameaçadas.

Fez o que pode e o que não pode, como se pudesse, para impedir a vitória de Dilma Rousseff, candidata de um governo que ele abomina desde que tomou posse, em 2003. Por isso, ele até hoje simplesmente não aceita a derrota.

“De fato, como acreditar que uma mulher que nunca se candidatara a nada, destituída de carisma e até mesmo de simpatia, fosse capaz de derrotar um candidato como José Serra, dono de uma folha de serviços invejável, tanto como parlamentar quanto como ministro de Estado, prefeito e governador? Não obstante, aconteceu (…)”

Gullar faz parte do elenco fixo de intelectuais e “ólogos” em geral sempre requisitados pela imprensa para escrever artigos ou dar entrevistas contra o governo Lula, a presidente eleita e o PT. Até hoje, tem gente que não admite e não se conforma com as vitórias de Lula em 2002 e 2006, e muito menos com a de Dilma este ano.

Premiado porta-letras de um setor da sociedade que o venera nos saraus dos salões elegantes, o poeta é figurinha carimbada, mas agora é hora de renovar o plantel, pois ninguém vai conseguir ler sempre os mesmos lamentos e insultos por muito tempo.

Na semana passada, a mesma Folha recolheu do anonimato dois articulistas do melhor estilo “neocon”, que atribuem aos feios, sujos e malvados as razões de todas as nossas desgraças, e os abrigou em sua terceira página.

Primeiro, foi um rapaz chamado Leandro Narloch. Em seu breve currículo, ele informa já ter trabalhado na Veja e que é autor do livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. Sob o título “Sim, eu tenho preconceito”, ele escreveu um texto em defesa da elite branca de Cláudio Lembo e da moça que culpou os nordestinos pela derrota e sugeriu o afogamento deles como solução. É mais um autor “neocon” em busca de um nicho de mercado dominado por “oldcons”.

Pouco importa que, mesmo sem os votos do Norte-Nordeste, Dilma tivesse vencido as eleições do mesmo jeito, com mais de 1,3 milhão de votos de vantagem. A tese dos neocons é que os pobres, doentes e iletrados das “regiões mais atrasadas” ganharam dos sábios, saudáveis e abonados do Sul-Sudeste maravilha, o que para eles é inconcebível.

A segunda a entrar em cena foi a professora doutora Janaina Conceição Paschoal, apresentada ao público como professora associada (de quem?) de Direito Penal na gloriosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Na mesma linha, ela publicou o artigo “Em defesa da estudante Mayara” e colocou a culpa pela explosão do “racismo regional” em Lula.

Enquanto a oposição procura juntar os cacos e entender o que aconteceu, sem a participação do seu líder derrotado, que sumiu do mapa e fez apenas uma fugaz e infeliz aparição no Sul da França, o noticiário pós-eleitoral se concentra nas muitas crises entre os partidos aliados na disputa por cargos no novo governo e no superdimensionamento de problemas administrativos enfrentados pela administração federal.

Pelo jeito, boa parcela do eleitorado mais conservador continua sem lideranças na representação político-partidária e no movimento social, embora tenha mostrado sua força na recente eleição, o que leva bispos, poetas, pastores e setores da imprensa a exercer este papel cada vez com maior furor.

Como dizia um velho jornalista dos meus tempos de Estadão, o mestre Frederico Branco, ainda nos anos 60 do século passado: eles não aprendem, não esquecem e não perdoam

sábado, 25 de setembro de 2010

Lula ameniza críticas à imprensa durante comício no RS

'A imprensa é muito importante para nós', afirma Lula durante comício no RS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva amenizou as críticas à imprensa durante discurso realizado na noite desta sexta-feira, em Porto Alegre (RS). Lula afirmou que "a democracia é isso: cada um fala o que quer, escreve o que quer e publica o que quer. A imprensa é muito importante para nós". Entretanto, o presidente voltou a alfinetar a oposição: "Não adianta os adversários quererem mostrar o passado da Dilma, o meu, o do Tarso. Nós não temos medo de mostrar o nosso passado".

Para uma plateia de cerca de 35 mil pessoas, Lula disse que "tinha a necessidade de recuperar a cidadania deste País. Nós tínhamos a cabeça muito colonizada, só prestava o que saía no New York Times, no Le Monde - jornais americano e francês, respectivamente. "É importante avaliar o meu governo por décadas enão por números, mas por quebras de paradigmas", acrescentou.

A candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, alertou que "ao ódio, nós, vamos responder com esperança. Somos democratas porque acreditamos no povo e na liberdade de expressão". A ex-ministra declarou que "nunca um governo fez tanto pelo Rio Grande do Sul como o governo Lula".

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lula, pelas elites daqui e de lá

TIJOLAÇO

O Estadão e O Globo disparam, hoje, furibundos editoriais contra Lula. Para o Estadão, Lula detesta as pessoas “que lêem”:

“(…) a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes.”

E usa as palavras daquele ex-presidente que falava francês, inglês e qualquer outra língua em que soubesse dizer “sim, senhor”, para dizer que Lula “desprezando o componente democrático para ficar na posição de caudilho”.

Já o jornal dos Marinho diz que Lula anda tomado pelo “espírito do Rei Sol, um Luís XIV tropicalizado. Porque? Porque quer dar lições de democracia a um jornal e a um império de comunicação que viveu e tornou-se um gigante sob as asas do governo militar, dos censores e da pressão?

As elites que eles tanto admiram, lá fora, não enxergam isso. O jornal francês Le Figaro publica hoje uma matéria extremamente elogiosa a Lula. “O presidente que modernizou o Brasil”

Numa tradução parcial da BBC, que pode ser lida aqui, a matéria diz:

“O chefe de Estado reagrupou algumas medidas sociais do seu antecessor e lhes deu uma dimensão inimaginável”, diz a reportagem do jornal.

“Pela primeira vez na história, o Brasil assiste a uma redução contínua e inédita das desigualdades. Em dois mandatos, 24 milhões de brasileiros saíram da miséria e 31 milhões entraram para a classe média.”

O jornal diz que o governo quer agora usar a riqueza dos novos campos de petróleo descobertos no litoral brasileiro para criar um fundo que beneficie os mais pobres.

Meu francês não chega nem perto de poder ler no original, aqui, para ler no original, mas dá perfeitamente para traduzir a frase do economista Marcelo Neri que encerra a matéria:

“De Gaulle teve razão durante muito tempo. Mas as coisas mudam. Nós estamos a caminho de sermos um país sério”.

Estamos mesmo, e não vamos sair deste caminho

Lula foi o presidente que modernizou o Brasil, diz o conservador Le Figaro

Uma reportagem na edição desta terça-feira do jornal francês Le Figaro afirma que Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente responsável por "modernizar o Brasil".


O texto, que recebeu uma chamada na capa do Le Figaro, é assinado pela correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Lamia Oualalou.


A reportagem conta a história de Ricardo Mendonça, paraibano de Itatuba que se mudou para o Rio de Janeiro em busca de emprego em 2003 e conseguiu entrar na universidade graças a uma bolsa do programa Pro-Uni, do governo federal.


O jornal atribui o sucesso de Mendonça às políticas do governo Lula.


"Histórias como esta de Ricardo o Brasil registra aos milhões. A três meses do fim do seu segundo mandato, este é um país mudado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará ao seu sucessor", escreve o Le Figaro.


'Barbudo onipresente'


O jornal diz que quando Lula chegou ao poder, em 2003, o Brasil era um país sem "grandes esperanças" que havia finalmente dado uma chance a um "turbulento barbudo onipresente na cena eleitoral desde o restabelecimento da democracia".


O Le Figaro destaca que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu combater a hiperinflação com o Plano Real, mas que se tornou "muito impopular" antes de deixar o poder em 2002.


Citando analistas políticos brasileiros, o jornal diz que Lula foi responsável por ampliar políticas sociais do governo anterior.


"O chefe de Estado reagrupou algumas medidas sociais do seu antecessor e lhes deu uma dimensão inimaginável", diz a reportagem do jornal.


"Pela primeira vez na história, o Brasil assiste a uma redução contínua e inédita das desigualdades. Em dois mandatos, 24 milhões de brasileiros saíram da miséria e 31 milhões entraram para a classe média."


O jornal diz que o governo quer agora usar a riqueza dos novos campos de petróleo descobertos no litoral brasileiro para criar um fundo que beneficie os mais pobres.

domingo, 19 de setembro de 2010

Tucanos comem até os próprios filhotes no ninho...Eles são danados."

LULA, EM COMÍCIO

Não sou eu que vou censurá-los [a mídia], é o telespectador, é o ouvinte, é o leitor que medirá o que é mentira e o que é verdade", disse.

LULA, EM COMÍCIO...

Não sou eu que vou censurá-los [a mídia], é o telespectador, é o ouvinte, é o leitor que medirá o que é mentira e o que é verdade", disse.

LULA, EM CONÍCIO...

CARTAMAIOR: PRESIDENTE LULA MOBILIZA 30 MIL PESSOAS EM CAMPINAS E CONVOCA A RESISTÊNCIA AO GOLPISMO MIDIÁTICO

13 DIAS ATÉ 3 DE OUTUBRO


aspas para o Estadão, 17-09: "... o Largo do Rosário, na região central de Campinas foi tomado por cerca de 30 mil pessoas... Apesar do esquema para proteger Lula, muitos prédios comerciais no entorno estavam abarrotados de curiosos nas janelas. Um limpador de janelas parou o que estava fazendo na marquise de um prédio ,ao lado do palco, quando Lula começou a discursar...." Aspas para o discurso do Presidente:

"...nós não vamos derrotar apenas os blocos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não têm coragem de dizer que são partido político e têm candidato...Eu estive lendo algumas revistas que vão sair essa semana, sobretudo uma que eu não sei o nome dela. Parece "óia” ... destila ódio e mentira. Ódio...Tem dia que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal e o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste instante. E eles falam em democracia... Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública...Eles não suportam escrever que a economia brasileira vai crescer 7% este ano, não se conformam é que um metalúrgico vai criar mais emprego que presidentes elitistas que governaram este País.Não tem nada que faça um tucano sofrer mais do que a gente provar que eles têm um bico muito grande para falar e um bico pequeno para fazer..." (Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe; 19-09)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quase 30 milhões entraram na classe média durante governo Lula - essa é a manchete que o Partido da Imprensa Golpísta não dá

Cerca de 29 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2003 e 2009 e integraram a classe média, que representa metade da população do Brasil, de acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).


Cerca de 94,9 milhões de pessoas, ou seja, 50,5% dos brasileiros, fazem parte desta classe social, cujos salários vão dos 1126 aos 4854 reais mensais (dos 512 aos 2210 euros).


"Nunca a classe média foi tão importante neste país", congratulou-se Marcelo Neri, autor do estudo que foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).


Em 1992, a classe média representava apenas um terço da população, sublinhou o investigador do Centro de Políticas Sociais da FGV, acrescentando que as desigualdades sociais "diminuíram desde 2001".


De 2001 a 2009, a receita per capita de 10% dos brasileiros mais ricos aumentou 1,49%, ao passo que as receitas dos mais pobres progrediram 6,79% por ano.


A população mais rica representa 20 milhões de brasileiros (10,5% da população), mas detém 50% das receitas, o que faz do Brasil um dos dez países onde há mais desigualdades em todo o mundo, afirmou Neri.


No entanto, a classe média concentrava 46,2% do poder de compra dos brasileiros em 2009, ultrapassando os mais ricos, com 44,1%.


"O tamanho do bolo brasileiro cresce mais rápido e com mais fermento entre os pobres", disse o investigador, acrescentando que, se o crescimento do Brasil continuar inferior ao da China ou da Índia, a sua qualidade é, "sem dúvida, melhor".


Isto porque, no Brasil, esse crescimento faz-se acompanhar de uma queda constante das desigualdades sociais, o que não é o caso nos outros dois países, explicou Neri.

sábado, 11 de setembro de 2010

Jornalismo?

do Blog leiturasfavre

O Globo decidiu inovar no jornalismo. Publica uma pagina das perguntas que teria feito, se a candidata que o jornal gostaria de entrevistar tivesse aceito o convite.

Uma curiosa forma de ditadura da mídia esta presente na atitude do jornal. Ou você aceita ser entrevistado ou eu o constranjo publicamente. Esta parece ser a filosofia que preside o fato. O jornal não se contenta em afirmar que a pessoa recusou a entrevista. Utiliza o fato para constranger.

A inovação jornalística teve, porém, um mérito indireto.

Serviu para expor o que os diferentes jornalistas escalados para a sabatina – que não aconteceu -, pensam sobre as questões a serem abordadas. Com a avantagem suplementar, em alguns casos, de mostrar que vários deles pretender debater, – como se candidatos fossem – e formular suas opiniões travestidos de jornalistas isentos. Suas perguntas embutem suas próprias respostas e opiniões.

De sorte que não é bem uma entrevista ao qual convidam a candidata e sim a um debate onde pretendem expressar suas próprias opiniões político-partidárias.

Observem a formulação feita por alguns desses entrevistadores e saquem suas próprias conclusões.

Merval Pereira

2 Candidata, a senhora vem sofrendo uma transformação radical, à vista de todos, tanto na fisionomia quanto na ideologia. Qual é a verdadeira Dilma, a gerentona do governo, que já colocou muitos ministros a chorar depois de discussões, ou a mãe gentil do povo brasileiro? A que coloca o chapéu do MST e diz que não trata dos movimentos sociais na base da polícia, ou a que diz que não convém colocar o chapéu do MST e que não tolerará ilegalidades? A que se orgulha de ter participado da luta armada contra a ditadura e foi saudada por José Dirceu como “minha companheira em armas” ou a que nega ter pegado em armas contra a ditadura? A que classificou de “rudimentar” a proposta do então ministro Antônio Palocci de limitar os gastos do governo, ou a que defende o corte de gastos e tem o mesmo Antônio Palocci como coordenador de sua campanha?

Míriam Leitão

10 O governo tem banalizado o crime de quebra de sigilo fiscal dos líderes da oposição e familiares do candidato José Serra com frases espantosas. O ministro da Fazenda disse que vazamentos sempre acontecem; o presidente Lula perguntou num comício “cadê esse tal de sigilo?”; a senhora declarou que falar disso é desespero e jogo eleitoral da oposição. Tente imaginar a situação inversa: os dados da sua filha sendo espionados no órgão que deve zelar pela proteção constitucional do sigilo. O que a senhora sentiria? A senhora considera normal que órgãos do Estado sejam usados para espionar adversários políticos?

(no caso de Miriam Leitão, seu engajamento é tão militante, que na sabatina do próprio Serra, introduziou na sua pergunta a frase seguinte: “Dá para ver que, nos últimos cinco anos, houve aumento de renda, mas o melhor ano foi 1996. O acesso à telefonia, depois da privatização, aumentou 300%. E, na educação, os avanços são lentos, mas foram um pouco mais rápidos no governo Fernando Henrique”).

Arnaldo Jabor

16 Se a senhora for eleita, vai seguir a trilha do Lula, mais conciliadora, ou vai dar ouvidos às ordens de petistas de carteirinha como Dirceu, Berzoini e outros?

Será que algum jornalista se permitiria formular assim suas perguntas para José Serra?

Por exemplo, o senhor é conhecido por ser um truculento que persegue jornalistas e pede para os donos dos jornais demití-los quando não concordam com o senhor. Caso vier a ser eleito, a perseguição continuará? Que garantias o senhor pode oferecer para acreditar que mudará e não continuará a perseguir quem com o senhor discorda?

Ou, outro exemplo, seu partido é conhecido por vender o patrimônio público, ser inimigo do Estado Brasileiro e defender permanentemente os interesses privados ou estrangeiros em detrimento do interesse público e nacional, caso eleito aplicara a filosofia vende-pátria do seu partido ou governará pensando no interesse do Brasil?

Que tal você mesmo, querido leitor, formular as suas perguntas inspirados no método “jornalístico” e “isento”, dos profissionais citados precedentemente? Ou responder ao Quiz? Formula tuas perguntas e te direi para quem estas fazendo campanha eleitoral disfarçada?

Luis Favre

A Seguir reprodução da página do jornal O Globo

O que Dilma não respondeu
Perguntas que colunistas do GLOBO fariam para a petista, que se recusou a debater

Ancelmo Gois

1 Eu gostaria de repetir a pergunta que fiz a Lula, então candidato em 2002, até porque, em que pesem as promessas do atual presidente, de lá para cá o problema se agravou ainda mais. Por que acreditar que, com a senhora na Presidência, o problema da violência poderia ser atenuado?

Merval Pereira

2 Candidata, a senhora vem sofrendo uma transformação radical, à vista de todos, tanto na fisionomia quanto na ideologia. Qual é a verdadeira Dilma, a gerentona do governo, que já colocou muitos ministros a chorar depois de discussões, ou a mãe gentil do povo brasileiro? A que coloca o chapéu do MST e diz que não trata dos movimentos sociais na base da polícia, ou a que diz que não convém colocar o chapéu do MST e que não tolerará ilegalidades? A que se orgulha de ter participado da luta armada contra a ditadura e foi saudada por José Dirceu como “minha companheira em armas” ou a que nega ter pegado em armas contra a ditadura? A que classificou de “rudimentar” a proposta do então ministro Antônio Palocci de limitar os gastos do governo, ou a que defende o corte de gastos e tem o mesmo Antônio Palocci como coordenador de sua campanha?

Ilimar Franco

3 A necessidade de uma reforma política é recorrente no discurso de todos os partidos. Os presidentes da República falam de sua necessidade, mas nenhum deles assumiu a responsabilidade de levá-la adiante. Nas gestões do presidente Lula, a Câmara esteve próxima de aprovar uma reforma que previa a votação em lista fechada para a Câmara dos Deputados e o financiamento público das campanhas.

Se a senhora for eleita presidente da República, pretende trabalhar pela votação de uma reforma política? A senhora é favorável, ou não, ao voto em lista? A senhora é favorável, ou não, ao financiamento público?

Ricardo Noblat

4 Se Lula não a tivesse escolhido para ser candidata à sucessão dele, a senhora cogitava ser candidata a qualquer outra coisa? Caso seja eleita e Lula queira voltar em 2014, a senhora abrirá mão da reeleição?

Jorge Bastos Moreno

5 Qual a sua verdadeira posição em relação ao sistema de partilha do pré-sal, já que, como integrante do governo, a senhora não foi tão enfática?

Elio Gaspari

6 No campo político a senhora defende a introdução do voto de lista. Vamos ser claros: desde 1946 o eleitor brasileiro votou em candidato para a Câmara dos Deputados, indicando-o nominalmente. Por exemplo: o eleitor quer votar em Dilma Rousseff para deputado e vota em Dilma Rousseff. Como funcionará isso no seu sistema de lista? O eleitor votará no partido, digamos o PTB, presidido por Roberto Jefferson, e qual será a ordem de entrada dos candidatos? A da vontade da direção do PTB ou de qualquer outro partido que organizou a lista?

Zuenir Ventura

7 A senhora disse que a oposição está com medo de que uma mulher dê certo na Presidência. A senhora já se considera eleita? Não é cedo para cantar vitória?

Verissimo

8 Se eleita, qual será o seu primeiro gesto, aquele ato de impacto que costuma inaugurar governos? Ou não haverá nada disso?

Chico Caruso

9 Como pretende conviver com caricaturas e caricaturistas, se for eleita?

Míriam Leitão

10 O governo tem banalizado o crime de quebra de sigilo fiscal dos líderes da oposição e familiares do candidato José Serra com frases espantosas. O ministro da Fazenda disse que vazamentos sempre acontecem; o presidente Lula perguntou num comício “cadê esse tal de sigilo?”; a senhora declarou que falar disso é desespero e jogo eleitoral da oposição. Tente imaginar a situação inversa: os dados da sua filha sendo espionados no órgão que deve zelar pela proteção constitucional do sigilo. O que a senhora sentiria? A senhora considera normal que órgãos do Estado sejam usados para espionar adversários políticos?

Flávia Oliveira

11 Uma das primeiras medidas do governo Lula na área econômica foi a elevação dos juros básicos para controlar uma inflação crescente em 2002/2003.

O resultado foi um primeiro ano de governo com PIB estagnado.

Que medidas fiscais e monetárias a senhora pretende adotar no início do seu mandato para manter o Brasil com crescimento econômico e baixa inflação?

Fernando Calazans

12 A senhora disse que, se eleita, estenderia a mão para os adversários. A mão ainda pode ser estendida? É possível ou impossível um entendimento, no governo, com o PSDB? Por quê?

Artur Xexéo

13 Uma das áreas mais polêmicas do atual governo, a administrada pelo Ministério da Cultura, não recebeu até agora uma só menção no seu programa do horário eleitoral. Caso ganhe as eleições, quais são as suas prioridades na área da cultura?

Joaquim Ferreira dos Santos

14 O presidente Lula praticamente não esteve presente a eventos de cultura, como uma peça de teatro, um concerto de clássicos ou música popular. A senhora também não tem sido vista em plateias de cultura. Qual a sua relação pessoal com os hábitos culturais?

Cora Rónai

15 A senhora tem sido apresentada, na sua campanha, como um duplo do presidente Lula, “Lula e Dilma”, como se ambos tivessem governado o país juntos ao longo dos últimos anos. Caso venha a ser eleita, a parceria continua? Teremos “Dilma e Lula” no poder?

Arnaldo Jabor

16 Se a senhora for eleita, vai seguir a trilha do Lula, mais conciliadora, ou vai dar ouvidos às ordens de petistas de carteirinha como Dirceu, Berzoini e outros?

Arnaldo Bloch

17 O maestro John Neschling disse que teve um encontro com a senhora e ficou impressionado com seu conhecimento das óperas russas, a ponto de cantar árias inteiras. Como a senhora vê, em contrapartida, a situação da cultura brasileira, completamente ausente do debate eleitoral?

sábado, 28 de agosto de 2010

O marco regulatório das telecomunicações ampliará o conhecimento do Brasil

A arte de viver em qualquer situação de adversidade é a crença em nós mesmos, é a convicção de que temos o poder de superação. Essa afirmação do presidente Lula foi dada, nesta sexta-feira (20/8), em Sorocaba (SP), durante cerimônia de inauguração das instalações do campus Sorocaba, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Na ocasião, foi inaugurado simultaneamente o campus Curitibanos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

”Eu compreendi que era normal que as pessoas mais pobres do país tivessem dúvida em relação a mim, porque se elas não acreditavam em si mesmas, como poderiam acreditar em alguém igual a elas?”, disse.

Ouça abaixo a íntegra do discurso do presidente Lula
Baixar arquivo mp3

Para o presidente, a grande lição de sua vida foi compreender que para governar é preciso conhecer o povo profundamente. “Por isso, hoje, eu defendo o marco regulatório das telecomunicações, que tem que acontecer neste país, pois nós vivemos com um marco regulatório de telecomunicações de 1962. Porque é importante que quem está no interior saiba o que acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas é fundamental que quem está em São Paulo e no Rio veja o que acontece nas outras regiões, conheça outras expressões culturais, senão parece que a gente tem uma cara só, que somos todos iguais”, disse.

O presidente concluiu com uma mensagem de positividade aos jovens, afirmando que cabe a eles definir os novos rumos do Brasil. “Nós só teremos uma grande nação quando a gente estiver exportando conhecimento. É por isso que eu vim aqui na inauguração. Vocês estão começando agora, então daqui para frente, em vez de cobrar, façam o que vocês têm que fazer, porque agora é a vez de vocês mostrarem que são capazes de fazer deste país uma grande nação”.

Na ocasião, o presidente visitou um dos dez laboratórios da UFSCar, que conta ainda com 14 salas de aula, quadra poliesportiva, restaurante universitário e biblioteca, em uma área de aproximadamente 70 mil metros quadrados. Já o campus de Curitibanos, da UFSC, conta com 15 salas de aulas, biblioteca, dez laboratórios integrados e auditório com 180 lugares.

'Inauguração da TV dos Trabalhadores dá novo vigor à liberdade de imprensa'

Depois de acalentar por 30 anos o sonho de ter uma emisora própria, o
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SP) enfim vê sua TV no ar - a TV dos
Trabalhadores (TVT) foi inaugurada nesta segunda-feira (23/8) em São Bernardo
do Campo (SP), com a presença do presidente Lula e primeira-dama, ministros e
prefeitos da região. Mas a grande luta começa agora, advertiu Lula: convencer
o público a assistir a programação.

"Agora é que começa a prova dos nove, é que temos que provar que valeu à
pena a gente brigar por 23 anos para ter uma TV", disse o presidente, lembrando
que mais do que competência para conseguir o canal, os trabalhadores terão
agora que mostrar competência para produzir informação relevante que
interesse à sociedade como um todo e não apenas a uma pequena parcela dela.
"É uma TV para os trabalhadores e também para o povo brasileiro."

Lula defendeu uma maior participação de sindicatos e movimentos sociais na
exploração de concessões públicas de TVs no País, tendo suas próprias
emissoras, porque essas concessões são "bens de todos os brasileiros, que
devem ser distribuídos de modo a contemplar todos os setores de nossa
sociedade", disse.
Concessões que devem ser exploradas, sim, pelas empresas comerciais, mas
também pelas empresas públicas e por entidades da sociedade civil
organizada. É isso que reza a nossa Constituição. E é isso que está
presente em nossas leis. É com a multiplicidade de vozes, afinal, que se
executa o canto da democracia plena. E nesta sinfonia não pode – nunca –
faltar a voz

Em comício ao lado de Dilma, Lula critica Senado

Maria Lima, O Globo

Ao discursar ao lado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato à reeleição, e da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, na noite desta sexta-feira, o Senado, afirmando que "sofreu" na convivência com essa Casa.

O governo sempre teve problemas com votações no Senado, onde a oposição é mais forte. O Senado derrubou a prorrogação da CPMF em 2007, uma das maiores derrotas do governo Lula.

- Não pensem que quando eu deixar o governo, vou deixar a política. Vocês vão me ver andando por esse país. Vou continuar construindo a nossa organização política. Penso em criar um organismo muito forte, juntando todas essas forças que nos apoiam, para que nunca mais a gente possa permitir que um presidente sofra o que eu sofri com um Senado que quase derrubou um presidente da República - disse Lula.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DISCURSO HISTORICO DE LULA DESMASCARA A TAL DA ELITE

disc

Lula volta a criticar a imprensa durante solenidade em Salvador

DO ENVIADO A SALVADOR - O presidente Lula voltou a criticar a imprensa ontem à noite em Salvador, ao participar da assinatura de contratos referentes à Copa do Mundo de 2014, ao programa Minha Casa, Minha Vida e a obras na BR-101, no Palácio Rio Branco, antiga sede do governo baiano.
Lula disse que, antes de sua gestão, o país era "uma terra de ninguém", mas que desde a sua posse, o Brasil "está criando uma geração de pessoas que está aprendendo a fazer projetos". Segundo o presidente, "a geração anterior à nossa era a geração do "não"".
"Eu acho que o empresariado aprendeu muito, o governo aprendeu muito, os sindicalistas aprenderam muito. Acho que a imprensa vai precisar aprender um pouco ainda, porque eu nunca vi gostar tanto de notícia ruim", disse.
"Parece que notícia boa... É impressionante. Mas acho que, de qualquer forma, o mundo sabe o que está acontecendo no Brasil". Em seguida, ele foi a um comício de Jaques Wagner e Dilma Rousseff.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lula critica Folha e diz que sofreu preconceito

Em comício, presidente cita almoço que abandonou após ser questionado sobre alianças

DO ENVIADO A CAMPO GRANDE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou anteontem a imprensa em comício em Campo Grande (MS) ao lado da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.
Lula disse que foi vítima de preconceito da mídia que, segundo o presidente, não acreditava que ele seria capaz de governar por não ter curso universitário e por não saber falar inglês.
"Uma vez eu estava almoçando na Folha de S.Paulo e o diretor da Folha de S.Paulo perguntou para mim: "Escuta aqui, candidato, o senhor fala inglês?" Eu disse não. "Como é que você quer governar o Brasil se não fala inglês?" Eu falei: "Mas eu vou arrumar um tradutor". "Mas assim não é possível. O Brasil precisa ter um presidente que fala inglês". E eu perguntei para ele: "Alguém já perguntou se o Bill Clinton fala português?", afirmou.
"Eles achavam que Bill Clinton não tinha obrigação de falar português. Era eu, o subalterno, o país colonizado, que tinha que falar inglês. Teve uma hora que eu me senti chateado e levantei da mesa. E falei: "Não vim aqui para dar entrevista, vim para almoçar. Se é entrevista eu vou embora". E levantei, larguei o almoço, peguei o elevador e fui embora."
Lula afirmou ainda que vai terminar o mandato "sem precisar ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma televisão". "Também nunca faltei com respeito com nenhum deles, já faltaram com respeito comigo. (...) Se dependesse de determinados meios de comunicação, eu teria zero na pesquisa e não 80% de bom e ótimo como nós temos neste país."
O episódio ao qual Lula se referiu ocorreu em 2002, quando ele, então candidato à Presidência, se retirou de um almoço com diretores e editores da Folha na sede do jornal. O petista se irritou com duas perguntas feitas pelo diretor de Redação, Otavio Frias Filho.
Frias Filho perguntou a Lula se ele havia se preparado intelectualmente nos últimos 20 anos para credenciar-se a ocupar a Presidência. O então candidato negou-se a responder a pergunta, alegando que era preconceituosa. O jornalista manifestou estranheza com a recusa.
Pouco depois, o diretor de Redação voltou a interpelar Lula sobre a aliança do PT com o PL, que o jornalista qualificou de linha auxiliar do malufismo. Em meio à resposta de Lula, Frias Filho voltou a questioná-lo, afirmando que sua explicação era evasiva. Nesse momento Lula levantou-se e deixou o encontro, acusando o diretor do jornal de estar a serviço de outra candidatura, numa alusão ao tucano José Serra.

RÉPLICA
Para Frias Filho, "a memória do presidente anda ruim ou ele está distorcendo o episódio de propósito". De acordo com o diretor da Folha, no almoço a que Lula se refere o então candidato "não foi interpelado sobre falar ou não inglês, mas sobre sua política fisiológica de alianças e sobre o fato de ostentar desprezo pelo estudo mesmo depois de se tornar um líder nacional". Frias diz que o incidente foi assim noticiado pela própria Folha no dia seguinte, sem contestação de Lula.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Lula pede rapidez para regulamentar mídia

Grupo do governo deve apresentar proposta de marco regulatório dos serviços de TV e rádio até o fim do ano

Em encontro com os ministros, Lula pede que eles não parem de trabalhar e finalizem os projetos atuais

FÁBIO AMATO
SIMONE IGLESIAS
DE BRASÍLIA

O governo federal quer enviar até o fim do ano para votação no Congresso uma proposta de marco regulatório dos serviços de telecomunicação e radiodifusão no Brasil. Segundo o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), o tema está sendo debatido e a vontade do presidente Lula é que uma sugestão seja apresentada até o fim do mandato.
"Tem um debate interno no governo, fruto da Conferência Nacional de Comunicação [Confecom], e que deve apresentar até o final do ano uma proposta de marco regulatório", afirmou ele, após a reunião ministerial, que aconteceu em Brasília.
Padilha disse que o marco não foi debatido no encontro de ontem, no qual estiveram presentes os 37 ministros. Afirmou, porém, que a orientação de Lula é para que aqueles que integram o grupo de trabalho que debate a proposta "se dediquem ao fechamento das questões".
Criado por decreto pelo presidente, o grupo se reuniu ontem na Casa Civil para discutir as propostas aprovadas durante a Confecom, que ocorreu em dezembro. Patrocinada pelo governo Lula, a Confecom aprovou 633 sugestões para regular os meios de comunicação.
Os principais eixos são o marco regulatório da internet, direitos autorais, legislação geral para a comunicação pública, regulamentação do artigo 221 da Constituição (pelo qual as TVs devem priorizar conteúdo nacional) e o marco regulatório para o setor de comunicação.
Na reunião, Lula pediu aos ministros que simplifiquem as regras de licenciamento ambiental para dar agilidade às obras de infraestrutura. Ele disse também que até o fim do mandato quer que esteja pronto um projeto definindo o novo marco regulatório para a mineração.
Segundo Padilha, a reunião serviu para Lula pedir aos ministros que não parem de trabalhar até o fim do governo, que acelerem as obras e que não "inventem nada de novo" para que haja tempo de finalizar os projetos.
Lula disse que é hora de "colher" tudo o que plantou no governo e afirmou que vai vistoriar os canteiros de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

terça-feira, 10 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A mídia e o escândalo Lula

Emir Sader, Carta Maior:

Quem olhasse para o Brasil através da imprensa, não conseguiria entender a popularidade do Lula. Foi o que constatou o ex-presidente português Mario Soares, que a essa dicotomia soma a projeção internacional extraordinária do Lula e do Brasil no governo atual e não conseguia entender como a imprensa brasileira não reflete, nem essa imagem internacional, nem o formidável e inédito apoio interno do Lula.

Acontece que Lula não se subordinou ao que as elites tradicionais acreditavam reservar para ele: que fosse eternamente um opositor denuncista, sem capacidade de agregar, de fazer alianças, se construir uma força hegemônica no país. Ficaria ali, isolado, rejeitado, até mesmo como prova da existência de uma oposição – incapaz de deixar de sê-lo.

Quando Lula contornou isso, constituiu um arco de alianças majoritário e triunfou, lhe reservavam o fracasso: ataque especulativo, fuga de capitais, onda de reivindicações, descontrole inflacionário, que levasse a população a suplicar pela volta dos tucanos-pefelistas, enterrando definitivamente a esquerda no Brasil por vinte anos.

Lula contornou esse problema. Aí o medo era de que permanecesse muito tempo, se consolidasse. Reservaram-lhe então o papel de “presidente corrupto”, vitima de campanhas orquestradas pela mídia privada – como em 1964 -, a partir de movimentos como o “Cansei”. Ou o derrubariam por impeachment ou supunham que ele pudesse capitular, não se candidatando de novo, ou que fosse, sangrado pela oposição, ser derrotado nas eleições de 2006. Tinham lhe reservado o destino do presidente solitário no poder, isolado do povo, rejeitado pelos “formadores de opinião”, vitima de mais um desses movimentos que escolhem cores para exibir repudio a governos antidemocráticos e antipopulares.

Lula superou esses obstáculos, conquistou popularidade que nenhum governante tinha conseguido, o povo o apóia. Mas nenhum espaço da mídia expressa esse sentimento popular – o mais difundido no país. O povo não ouve discursos do Lula na televisão, nem no rádio, nem os pode ler nos jornais. Lula não pode falar ao povo, sem a intermediação da mídia privada, que escolhe o que deseja fazer chegar à população. Nunca publica um discurso integral do presidente da republica mais popular que o Brasil já teve. Ao contrário, se opõem frenética e sistematicamente a ele, conquistando e expressando os 3% da população que o rejeita, contra os 82% que o apóiam.

Talvez nada reflita melhor a distância e a contraposição entre os dois países que convivem, um ao lado do outro. Revela como, apesar da moderação do seu governo, sua imagem, sua trajetória, o que ele representa para o povo brasileiro, é algo inassimilável para as elites tradicionais. Essa mesma elite que tinha uma imensa e variada equipe de apologetas de Collor e de FHC, não tolera o fracasso deles e o sucesso nacional e internacional, político e de massas, de um imigrante nordestino, que perdeu um dedo na máquina, como torneiro mecânico, dirigente sindical e um Partido dos Trabalhadores, que não aceitou a capitulação ou a derrota.

Lula é o melhor fenômeno para entender o que é o Brasil hoje, em todas as posições da estrutura social, em todas as dimensões da nossa história. Quase se pode dizer: diga-me o que você acha do Lula e eu te direi quem és.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"JN" reduziu aparição de Lula, diz petista

Baseado em mapeamento, coordenador de mídias sociais de Dilma deflagra protesto na internet contra a emissora

Em nota, Globo diz que eventual subexposição é natural em ano de Copa e nega que seja fruto de orientação editorial

FÁBIO ZAMBELI
DE BRASÍLIA

O coordenador de mídias sociais da campanha de Dilma Rousseff (PT), Marcelo Branco, deflagrou movimento na internet para protestar contra a Rede Globo por considerar que a emissora reduziu aparições do presidente Lula no "Jornal Nacional". Ele se ampara em levantamento feito pelo jornalista Émerson Luís, de Brasília, que mapeou a exposição de Lula em telejornais no primeiro semestre.
Branco usou seu Twitter para difundir o estudo e a mensagem ganhou as páginas de militantes. "Lula não é candidato. Portanto, se a Globo quiser tirar a cobertura e a voz dele, pode fazer. No entanto, eu achei importante tornar pública essa informação", disse Branco à Folha, frisando que a manifestação é "pessoal".
Pelo mapeamento, Lula teria aparecido 20% menos nas edições do "JN" deste ano em comparação com o mesmo período de 2009 -44 registros contra 57. Movimento inverso seria verificado nos telejornais da Record, do SBT e da Band.
Em nota, a Central Globo de Comunicação creditou a eventual subexposição de Lula, "tomando o estudo como verdadeiro", a eventos como a Copa do Mundo e negou que haja orientação editorial para abreviar a presença do presidente.
"O presidente Lula continuará a merecer a cobertura que o cargo requer. O mesmo ocorrerá com os candidatos, protagonistas da eleição presidencial", diz a nota.

VISITA
O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, foi recebido ontem por Lula, em Brasília. Oficialmente, a situação da economia brasileira foi o tema do encontro reservado.
Na saída da reunião, Marinho disse a jornalistas que, indagado por Lula sobre a análise fazia da economia brasileira, respondeu que "vai bem", mas que a política fiscal do governo "causa preocupação".
"Acho que nosso jornal está falando isso todo dia. Nossa visão tem estado diariamente em "O Globo'", disse. Segundo Marinho, Lula não concordou nem discordou da visão. Os dois também falaram das eleições. "Ele falou sobre a campanha, a candidatura da ministra, e que ele está muito otimista."