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domingo, 10 de outubro de 2010

ENTREVISTA / JOSÉ ARBEX JR.- A notícia como espetáculo

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Luiz Egypto

Showrnalismo – A notícia como espetáculo, José Arbex Jr., 300 pp. Editora Casa Amarela, São Paulo, 2001. E-mail , telefone: (11) 3819-0130. Lançamento em 9/10/2001, no Teatro da Universidade Católica (Tuca), às 19h, em São Paulo.

Durante a Guerra do Golfo, em 1991, as forças armadas americanas lançaram 88.500 toneladas de bombas sobre Bagdá nos dois meses em que a capital iraquiana esteve submetida a bombardeios praticamente diários. As notícias sobre aquele conflito, contudo, davam conta de uma guerra limpa, moderna e asséptica, ostensivamente tecnológica – algo como se os videogames tomassem em definitivo o lugar dos clássicos combates de trincheiras, dos entreveros entre esquadrões de carros blindados e das cargas de baioneta.

Mortes? Não, foi uma guerra sem mortes. A não ser, claro, a dos poucos heróis americanos que tombaram na defesa do Bem contra o Mal; e cujos os féretros, ao serem repatriados, recebiam comovente cobertura da TV, em rede nacional, e registros nos jornais do dia seguinte. E os 100 mil iraquianos mortos sob o fogo da operação Tempestade no Deserto? Sobre esses nenhuma linha, nenhuma imagem. Não passaram de meros coadjuvantes do grande espetáculo de notícias da guerra espetacular.

O livro Showrnalismo – A notícia como espetáculo, de José Arbex Jr, analisa "como a mídia, no mundo contemporâneo, transforma tudo em espetáculo: eleições, catástrofes naturais, guerras, escândalos, histórias do cotidiano, crimes". O trabalho é fruto da tese de doutorado de Arbex defendida no Departamento de História da Universidade de São Paulo, em setembro de 2000. Ao rigor acadêmico o autor juntou sua experiência de correspondente da Folha de S.Paulo em Nova York e em Moscou, de repórter especial e editor da seção internacional do mesmo jornal, além da cancha adquirida na cobertura de episódios que marcaram o final do século 20 – como a queda do Muro de Berlim e a Primavera de Pequim, para ficar em dois exemplos.

Na entrevista a seguir, Arbex comenta os principais eixos de seu livro. Na seqüência [clique em PRÓXIMO TEXTO], o prefácio assinado por João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST.

Duas perguntas em uma. Se o jornalismo transformou-se num show diário massificante, espetacular e ininterrupto, qual o papel reservado à platéia – à cidadania? Embora a direção do espetáculo aceite apenas aplausos e pedidos de bis, onde reside a capacidade de intervenção do público nesse show de notícias e opiniões?

José Arbex Jr. – Essa questão não se resolverá na relação direta entre "mídia" e "platéia", já que o problema consiste, justamente, em superar a passividade da "platéia" face à mídia (aquilo que Umberto Eco chama de "relação hipnótica"). Ora, isso só acontecerá mediante a ação política e social. Exemplo concreto: o MST. Nenhum movimento social tem sido tão caluniado, vilipendiado, achincalhado pela mídia. Entretanto, há 20 anos ele consegue ter o seu próprio jornal – o Jornal Sem Terra –, consegue fazer edições especiais com até 2 milhões de tiragem, tem uma bela revista, educa 100 mil crianças etc. Não é por acaso que João Pedro Stedile escreve o prefácio do livro. Acredito que o MST é o maior exemplo do problema e também da solução do problema.

Nas duas últimas décadas do século 20, a concentração de veículos e da produção de conteúdos para a mídia em número reduzido de grandes conglomerados empresariais deu-se no bojo de um processo de mundialização de mercados e de sistemas produtivos, sob a liderança "natural" dos países de ponta do capitalismo. No que respeita ao desempenho da mídia, acredita que esse quadro será capaz de desequilibrar irremediavelmente a pluralidade de visões e a noção de competição, motriz do próprio capitalismo?

J. A. Jr. – Já desequilibrou, pelo menos desde a Guerra do Golfo, quando a mídia mostrou uma guerra sem mortes e hoje sabemos que morreram pelo menos 100 mil pessoas. Perto disso, Goebbles é um mero aprendiz de feiticeiro. Ou note o que está acontecendo agora, com o caso do World Trade Center. Uma infinidade de jornalistas idiotas, ou mal-intencionados, repetem a balela de que "foi rompido o tecido da civilização". Grande piada. E Hiroshima? E o Vietnã? E o Golfo? E o Sudão? Ou será que a "civilização" só está em causa quando as vítimas são louras de olhos azuis? Concordo com Noam Chomsky: fosse para valer a justiça internacional, todos os presidentes americanos deveriam estar na cadeia, por crimes contra a humanidade. Mas a mídia promove o esquecimento disso tudo.

Até que limite essa concentração não compromete a democracia e o exercício social do jogo democrático?

J. A. Jr. – A grande mídia é hoje a maior inimiga da democracia, no Brasil, nos Estados Unidos e no mundo. Os exemplos são diários e abundantes: a guerra sem tréguas contra o MST, a histeria fabricada no caso do WTC, a Guerra do Golfo, a cobertura de Gênova (as manifestações reuniram mais de 300 mil após a morte do jovem Giuliano, mas ninguém viu), as eleições de 1989 no Brasil... Enfim, poderiam ser preenchidas páginas e páginas com coisas desse tipo. Só que as tecnologias de condicionamento do comportamento estão cada vez mais perigosas, sofisticadas e capazes de seduzir um público cada vez maior. É isso que eu chamo no meu livro de "Auschwitz cultural". Acredito que estamos vivendo na Auschwitz do imaginário, mas não nos damos conta disso – o que é a maior prova de sua eficácia.

Você testemunhou, como repórter, alguns dos fatos que marcaram o mundo no final do século 20; e coordenou, como editor, a apresentação ao público de outros tantos. O que dizer a leitores e telespectadores sobre as diferenças entre a informação apurada in loco e o conteúdo que efetivamente é distribuído para o consumo da sociedade? Que garantias oferecer ao público quanto à correspondência entre a tradução publicada dos fatos e o que verdadeiramente ocorreu na chamada "vida real"?

J. A. Jr. – Este é, precisamente, o centro do meu livro. Foi a grande questão que me fez escrevê-lo. É perturbador ouvir alguém dizer "eu conheço Nova York" apenas por ter visto a cidade em algum filme ou TV. Temos a impressão de que conhecemos "a" realidade quando dela só sabemos aquilo que alguém quis nos mostrar. Mas, ao mesmo tempo, ver as coisas pessoalmente tampouco significa "conhecer a realidade". Concluo, muito sinteticamente, que a realidade é uma construção social, e que "conhecer a realidade" exige, nesse sentido, interlocução com os outros, rompendo a passividade em relação à mídia. Novamente, a questão deve ser resolvida no plano da política.

A preponderância dos meios audivisuais na distribuição e no consumo da informação criou o que você chama de "império das imagens" – a um só tempo fragmentário e pretensamente totalizador de uma visão de mundo que se quer hegemônica. Esse "império" apresenta fissuras através das quais é possível criar espaços de contra-informação? As mídias digitais, com baixo custo de produção e disseminação, são alternativas factíveis na exploração dessas fissuras?

J. A. Jr. – Primeiro, temos que deixar bem claro que os instrumentos tecnológicos não têm uma realidade autônoma. Eu não aceito a visão algo apocalíptica e hecatômbica daqueles que dizem que a suposta "autonomia da tecnologia" liquidou o sujeito, o homem como alguém capaz de conhecer e transformar. Não acredito nisso. É óbvio que, sob o capitalismo, as forças produtivas (ciência e tecnologia) foram transformadas em forças destrutivas. Mas isso pode ser revertido por processos políticos e sociais. Enquadro a mídia na categoria das forças destrutivas que podem ser modificadas. Mas tampouco acho que temos que esperar que tudo mude para começar a produzir a "boa mídia". Existem espaços, já que a mídia não é monolítica, nem detém controle absoluto (que ela gostaria de deter) sobre os telespectadores / leitores. A mídia ainda cultiva a credibilidade, e por isso ela é obrigada a ceder espaço a jornalistas competentes, honestos, sérios. E os há! Não estão muito em moda, mas estão por aí. Em todos os grandes veículos há gente séria, felizmente. Fora isso, é claro que certas tecnologias "baratas" ajudam muito, como mostra, por exemplo, a própria experiência do Observatório

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Para 84% dos brasileiros, influência de Lula é positiva

Para 84% dos brasileiros, influência de Lula é positiva
81% consideram que a mídia também contribui para bom momento do país

Pesquisa realizada por organização americana aponta ainda que 50% estão satisfeitos com as condições no Brasil

UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO

Mais de 80% dos brasileiros consideram que a influência do presidente Lula e da mídia tem sido positiva para o país, mostra pesquisa do Pew Research Center divulgada ontem.
Lula, para 84%, e a mídia, para 81%, lideram a lista de "grupos ou instituições" que, segundo os próprios brasileiros, têm contribuído para o bom momento do Brasil.
Mais atrás estão as grandes multinacionais (77%), o governo (75%), as lideranças religiosas (67%), os militares (66%) e a polícia (53%), de acordo com a pesquisa feita com 1.000 brasileiros do dia 10 de abril a 6 de maio.
A percepção de Lula sobre a imprensa é diferente da manifestada pela grande maioria dos brasileiros.


OTIMISMO
O Pew Research Center, organização apartidária sediada em Washington, nos EUA, realizou pesquisas semelhantes em 22 países.
A opinião dos brasileiros sobre o próprio país está entre as mais favoráveis. Por exemplo, 50% estão satisfeitos com as condições gerais do Brasil e 62% dizem que as condições econômicas são boas. Apenas os chineses se dizem mais satisfeitos.
Além disso, os percentuais de brasileiros que afirmam que o governo tem se saído bem na condução da economia (76%) e que dizem que o o cenário econômico vai melhorar nos próximos 12 meses (75%) são os terceiros maiores entre os 22 países.
O relatório também aponta alguns problemas identificados pelos brasileiros.
Por exemplo, mais de 80% dos entrevistados afirmam que as drogas ilegais e a criminalidade são um problema muito grande, mesma avaliação de 79% sobre políticos corruptos

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Por que a VEJA dá o golpe pelo Serra ou O MENSALÃO DA ABRIL

do conversa afiada

Extraído do Blog da Dilma:



O mensalão da Editora Abril

Daniel Bezerra, editor geral

Numa minuciosa pesquisa aos editais publicados no Diário Oficial, o blog descobriu o que parece ser um autêntico “mensalão” pago pelo tucanato ao Grupo Abril e a outras editoras. Veja algumas das mamatas:

- DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ‘inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.

- DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

- DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

- DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

- DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data daassinatura: 08/09/2008.

- DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

- DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

- DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

- DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

- DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.
Negócios de R$ 34,7 milhões.

Somente com as aquisições de quatro publicações “pedagógicas” e mais as assinaturas da Veja, o governo tucano de José Serra transferiu, dos cofres públicos para as contas do Grupo Civita, R$ 34.704.472,52 (34 milhões, 704 mil, 472 reais e 52 centavos). A maracutaia é tão descarada que o Ministério Público Estadual já acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.

Esta “comprinha” representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do ‘barão da mídia’ Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao Grupo Abril. O tucano Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do ‘Guia do Estudante’, outra publicação do grupo.