Celso Marcondes
carta capital
21 de outubro de 2010 às 16:15h
Dois fatos – a suposta agressão a José Serra e a confissão do jornalista Amaury Ribeiro Jr. sobre a quebra dos sigilos fiscais – e duas versões vendidas pela maioria da imprensa
Dois acontecimentos abalaram a campanha eleitoral nesta quarta-feira 20. O primeiro foi o tumulto que aconteceu no Rio de Janeiro durante a caminhada de José Serra. O segundo, a divulgação pela Polícia Federal que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. é o responsável pela quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra e outros líderes tucanos. Dois casos completamente distintos, mas com um nítido elo em comum: a total discrepância entre os fatos e as versões divulgadas pela maioria da grande imprensa. De tal tamanho e de forma tão escandalosa que desnuda, para quem quiser ver, a gritante – mas não assumida – parcialidade da maioria da mídia no processo eleitoral.
Vejamos:
Caso 1: o SBT mostrou claramente as imagens do tumulto no Rio de Janeiro e deixou explícito, nítido, gravado, que José Serra simulou a suposta agressão. Atingido por uma reles bolinha de papel, ele sequer abaixou as duas mãos a fazer o “V” da vitória. Porém, muito depois, alertado por um telefonema (do marqueteiro de plantão?), levou às mãos a cabeça (do lado oposto ao atingido pelo bólido de celulose) e simulou a dor que o encaminhou para uma tomografia computadorizada e a recomendação médica de 24 horas de absoluto repouso. Esse é o fato.
Entretanto, o que o leitor, ouvinte, telespectador recebeu como informação ontem e hoje? Se dependesse apenas dos veículos ligados aos grandes grupos de comunicação, ficaria informado que Serra foi agredido por um rolo de adesivos arremessado por petistas.
Caso 2: Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que coletava informações para o jornal Estado de Minas com o objetivo de “proteger Aécio Neves” contra possíveis ataques de José Serra, seu opositor dentro do PSDB na disputa pela vaga para a candidatura à presidência. Disse também que suas viagens a São Paulo para buscar os documentos fiscais dos tucanos tinham sido pagas pelo jornal. Também contou que depois de abortada a ideia de se publicar as matérias nos jornais – porque Serra foi ungido como candidato tucano – decidiu escrever um livro sobre as privatizações de FHC, onde seria usada parte das informações coletadas. Contou também que teve uma reunião com o jornalista Luiz Lanzetta, que prestava assessoria para a pré-campanha de Dilma Rousseff, depois de sair dos quadros do jornal mineiro. Nesta reunião, disse que teria sido convidado – ou se convidou, não está claro – para trabalhar na campanha petista e que os dados dos sigilos fiscais por ele conseguidos haviam sido aí capturados de seu micro. Esse é o fato.
Entretanto, o que o leitor, ouvinte, telespectador recebeu como informação ontem e hoje? Se dependesse apenas dos veículos ligados aos grandes grupos de comunicação, ficaria sabendo que Amaury Ribeiro Jr. “fazia parte do grupo de inteligência” da campanha de Dilma e que a PF tentava desvincular o jornalista dos petistas.
As versões se encontram:
Aí o Caso 1 e o Caso 2 se juntam da forma a mais funesta e aterrorizante, pois foram exatamente as versões do Serra covardemente atacado e do jornalista a serviço de Dilma que foram passadas para a grande maioria dos brasileiros. E se não fossem as exceções na TV, na internet, no rádio e na mídia impressa seriam as versões vendidas para a totalidade dos brasileiros.
No seu programa no horário eleitoral desta tarde, Serra apresentou sua versão teatral da suposta agressão. Até quando ela vai sobreviver? E Ribeiro Jr., ficará marcado como o funcionário do jornal Estado de Minas ou como membro do “grupo de inteligência” petista?
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
SBT reafirma que única agressão foi a bolinha de papel
Redação Carta Capital
21 de outubro de 2010 às 20:58h
Reportagem do canal acompanhou toda a caminhada de Serra e não registrou nenhum outro incidente com o tucano
O telejornal SBT Brasil desta quinta-feira 21, apresentado por Carlos Nascimento e Karyn Bravo, reafirmou em reportagem que a única agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra em caminhada no Rio de Janeiro foi a bolinha de papel registrada pelo cinegrafista do canal. A reportagem afirma que acompanhou todo o resto da caminhada e apenas após receber um telefonema o tucano levou a mão a cabeça. Serra cancelou a sua agenda e foi atendido em dois hospitais particulares.
21 de outubro de 2010 às 20:58h
Reportagem do canal acompanhou toda a caminhada de Serra e não registrou nenhum outro incidente com o tucano
O telejornal SBT Brasil desta quinta-feira 21, apresentado por Carlos Nascimento e Karyn Bravo, reafirmou em reportagem que a única agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra em caminhada no Rio de Janeiro foi a bolinha de papel registrada pelo cinegrafista do canal. A reportagem afirma que acompanhou todo o resto da caminhada e apenas após receber um telefonema o tucano levou a mão a cabeça. Serra cancelou a sua agenda e foi atendido em dois hospitais particulares.
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