5 de novembro de 2010 às 11:28h
Josemar Gimenez, do Estado de Minas, depõe à PF, mas não esclarece fatos. Estaria ele financiando Robeiro Jr. sem saber o que o repórter fazia? Foto: Filipe Redondo/ Folhapress
Josemar Gimenez, do Estado de Minas, depõe à PF, mas não esclarece fatos
Nos primeiros dias de novembro, a Divisão de Inteligência da Polícia Federal colocou em campo duas equipes de agentes – uma em Belo Horizonte, outra em Brasília – para encontrar o jornalista Josemar Gimenez, do Grupo Diários Associados. Queria convocá-lo a depor na superintendência da capital federal. Diretor de redação dos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense, Gimenez é peça fundamental para esclarecer a participação do ex-governador Aécio Neves, do PSDB, na origem de um dossiê montado para atingir o também tucano José Serra, candidato derrotado à Presidência da República. Após dois dias de busca, a PF conseguiu notificá-lo.
Na quarta-feira 3, Gimenez disse ao delegado federal Hugo Uruguai não ser o responsável pela pauta do dossiê, iniciativa que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. teria tomado por conta e risco (como se isso fosse possível numa redação), embora tenha sido financiado pelo jornal para tocar o projeto. O diretor do Estado de Minas admitiu à PF que os Diários Associados financiaram as empreitadas do repórter até 23 de julho do ano passado – providencialmente dois meses antes das quebras de sigilo fiscal, encomendadas pelo jornalista, de políticos tucanos e de Verônica Serra, filha do ex-governador de São Paulo.
Gimenez só não explicou como um funcionário pode ter decidido apurar uma reportagem contra Serra, após, como afirma, descobrir uma trama contra Aécio, sem o consentimento da direção do veículo no qual trabalhava. E pior: ter sido financiado e liberado da rotina normal de trabalho por um jornal que diz nada ter a ver com o caso.
Ribeiro Jr., 47 anos, foi levado a Belo Horizonte no início de 2008 por Gimenez, após ser baleado enquanto cobria uma guerra de traficantes no entorno de Brasília. São amigos de longa data, tanto que o repórter é, inclusive, padrinho de um dos filhos do diretor do Estado de Minas. Gimenez também é amigo de Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação, demitido da pré-campanha de Dilma Rousseff depois de ter tentado levar Ribeiro Jr. para trabalhar no comitê da petista, acusado de querer montar um suposto “núcleo de inteligência”.
A Polícia Federal também vai convocar Andréa Neves, irmã do ex-governador de Minas, responsável pelas relações de Aécio com a mídia mineira
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sábado, 6 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Amaury Ribeiro Jr. e o glossário da privatização
Mais indícios de que as quebras de sigilo têm a ver com a apuração do jornalista
Na segunda-feira 25, após seu novo depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília, o quarto desde que veio a público o caso da quebra do sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato José Serra, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. distribuiu aos colegas de profissão uma carta e documentos que baseiam seu livro sobre os escândalos das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. CartaCapital chama a atenção para dois trechos importantes da carta: citações a depósitos em uma conta de Ricardo Sérgio de Oliveira feitas por Gregório Marin Preciado e Carlos Jereissati.
Breve curriculum dos personagens:
Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do Banco do Brasil à época da privatização do sistema Telebrás. Personagem recorrente no escândalo da privatização da telefonia, é dele a memorável frase “no limite da irresponsabilidade”. Oliveira era um dos encarregados de apoiar a formação dos consórcios da privatização. Havia uma guerra particular entre a turma do banqueiro Daniel Dantas e o grupo de Carlos Jereissati, irmão do senador Tasso Jereissati. Carlos venceu a queda-de-braço e ficou com a Telemar, hoje Oi. Essa guerra intestina está na base das escutas ilegais que levaram à explosão do escândalo do vazamento das “fitas do BNDES”.
Carlos Jereissati, empresário, classificado como integrantes da “rataiada” que queria se locupletar na privatização da Telebrás. Quem cunhou o termo foi Luiz Carlos Mendonça de Barros, então presidente do BNDES. Mendonça de Barros, pelo que indicam os grampos, trabalhava para favorecer a Telecom Italia e o banqueiro Daniel Dantas contra a “rataiada” de Jereissati.
Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra, apontado como arrecadador de campanhas do tucano e envolvido em variadas de denúncia de corrupção.
Oliveira, Preciado e Mendonça de Barros tiveram seus sigilos fiscais devassados.
Como mostra Ribeiro Jr., o elo se fecha.
Na segunda-feira 25, após seu novo depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília, o quarto desde que veio a público o caso da quebra do sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato José Serra, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. distribuiu aos colegas de profissão uma carta e documentos que baseiam seu livro sobre os escândalos das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. CartaCapital chama a atenção para dois trechos importantes da carta: citações a depósitos em uma conta de Ricardo Sérgio de Oliveira feitas por Gregório Marin Preciado e Carlos Jereissati.
Breve curriculum dos personagens:
Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do Banco do Brasil à época da privatização do sistema Telebrás. Personagem recorrente no escândalo da privatização da telefonia, é dele a memorável frase “no limite da irresponsabilidade”. Oliveira era um dos encarregados de apoiar a formação dos consórcios da privatização. Havia uma guerra particular entre a turma do banqueiro Daniel Dantas e o grupo de Carlos Jereissati, irmão do senador Tasso Jereissati. Carlos venceu a queda-de-braço e ficou com a Telemar, hoje Oi. Essa guerra intestina está na base das escutas ilegais que levaram à explosão do escândalo do vazamento das “fitas do BNDES”.
Carlos Jereissati, empresário, classificado como integrantes da “rataiada” que queria se locupletar na privatização da Telebrás. Quem cunhou o termo foi Luiz Carlos Mendonça de Barros, então presidente do BNDES. Mendonça de Barros, pelo que indicam os grampos, trabalhava para favorecer a Telecom Italia e o banqueiro Daniel Dantas contra a “rataiada” de Jereissati.
Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra, apontado como arrecadador de campanhas do tucano e envolvido em variadas de denúncia de corrupção.
Oliveira, Preciado e Mendonça de Barros tiveram seus sigilos fiscais devassados.
Como mostra Ribeiro Jr., o elo se fecha.
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domingo, 24 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
Festival de espionagem
istoé
Polícia Federal isenta o PT da quebra do sigilo de tucanos e mostra indícios de que se trata de fogo amigo no PSDB
Mário Simas Filho e Hugo Marques – REVISTA ISTOÉ
“Há um esquema de espionagem e dossiês que nasce no Ministério
da Saúde e envolve o ministro José Serra”
Senador José Sarney, em discurso no plenário em 2002
COMPANHEIRO
O delegado-deputado não reeleito Marcelo Itagiba é apontado como
parceiro de Serra em operações polêmicas desde 2002
Há quase cinco meses, líderes do PSDB procuram responsabilizar o PT pela quebra ilegal dos sigilos fiscais de Eduardo Jorge Caldas, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Verônica Serra e outros tucanos de vistosa plumagem ligados ao presidenciável José Serra. Desde junho, pressionam a Polícia Federal e a Corregedoria da Receita para que as investigações sejam conduzidas na direção de um crime político. Na última semana, os primeiros resultados das apurações da PF se tornaram públicos e o que se constata é que de fato houve um crime com motivação política, mas praticado no contexto de uma disputa interna do PSDB. Não há nenhum documento ou depoimento colhido durante as investigações que indique a possibilidade de ter ocorrido o uso criminoso do Estado para o favorecimento de alguma candidatura, como acusam os tucanos. As investigações não permitem afirmar que petistas tenham aliciado funcionários da Receita para a quebra dos sigilos. A principal testemunha é o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que confessou ser o contratante do serviço criminoso. Ele prestou três depoimentos que totalizam 13 horas de inquirição e afirmou que tanto a encomenda feita ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia como o recebimento dos documentos sigilosos ocorreram em outubro do ano passado, quando, apesar de estar em férias, trabalhava para o jornal “O Estado de Minas”. O jornalista também explicou as razões que o levaram a bisbilhotar os sigilos fiscais dos tucanos.
“Minha investigação não foi feita para a campanha, mas poderia proteger o Aécio se fosse necessário”
Amaury Ribeiro Júnior, jornalista que encomendou o crime
Segundo Amaury Ribeiro Júnior, através do delegado e ainda deputado (não foi reeleito) Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), desde 2008 o presidenciável José Serra procurava montar um dossiê contra o então governador de Minas, Aécio Neves. Muito ligado a Serra, Itagiba, que comandou o serviço de inteligência da Polícia Federal durante o governo de FHC, teria instalado em Belo Horizonte um grupo composto por três ex-agentes da PF e um da Abin para rastrear as ações de Aécio, públicas e privadas. “Minha investigação não foi feita para a campanha, mas poderia proteger Aécio se fosse necessário”, diz o jornalista. Também tucano e com enormes índices de aprovação, em outubro do ano passado Aécio pleiteava disputar a Presidência da República e representava um obstáculo real no caminho de Serra. O jornalista, que já colecionava algumas informações sobre os bastidores das privatizações ocorridas na gestão de FHC, passou então a investigar as pessoas ligadas a Serra, provavelmente sem o conhecimento de Aécio.
As informações sobre o conteúdo dos sigilos fiscais dos líderes só chegaram ao conhecimento de alguns petistas em abril, levadas pelo próprio jornalista, interessado em fazer parte da pré-campanha de Dilma. O grupo que manteve contato com Ribeiro Júnior, no entanto, não chegou sequer a participar da campanha propriamente dita, pois acabou afastado antes das convenções partidárias. “Integrantes do PT tiveram conhecimento das informações obtidas pelo jornalista, mas não fizeram nenhum uso delas”, afirmou o delegado Alessandro Moretti. Na Polícia Federal, não há mais dúvidas sobre a motivação e também sobre a autoria do crime e o jornalista deverá ser indiciado nos próximos dias. Segundo o delegado Moretti, resta descobrir apenas se foi mesmo o jornal que pagou os R$ 12 mil que o despachante diz ter recebido do jornalista.
INTERMEDIÁRIO
O despachante Dirceu Garcia diz ter recebido R$ 12 mil
para corromper funcionários da Receita
O caso, no entanto, remete efetivamente ao uso dos organismos estatais, de forma que atenta contra a democracia e o Estado de Direito. Em 2002, quando também pleiteava disputar a Presidência da República, o ex-ministro da Saúde José Serra enfrentava a oposição de tucanos e de líderes de partidos aliados. Na ocasião, segundo antigos aliados, ele teria escalado o mesmo delegado-deputado Marcelo Itagiba para comandar um “grupo de inteligência” instalado dentro do ministério, particularmente na Central de Medicamentos (Ceme) e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse grupo teria sido responsável por escutas telefônicas irregulares que, depois de repassadas à Polícia Federal, levaram à apreensão de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo na sede da empresa Lunus, de propriedade da então senadora Roseana Sarney, à época no PFL (atual DEM). Roseana era considerada a principal pré-candidata da aliança PSDB-PFL à sucessão de FHC. O episódio inviabilizou a candidatura da senadora maranhense e facilitou o caminho de Serra. “Há um esquema de espionagem e dossiês que nasce no Ministério da Saúde e envolve o ministro José Serra”, disse o senador José Sarney na tribuna do Senado, em 2002.
Além de Roseana, Itagiba também é apontado por agentes da PF como o responsável pela produção de dossiês contra os tucanos Tasso Jereissati e Paulo Renato de Souza, em 2002. Os dois teriam manifestado interesse de disputar a indicação do PSDB à Presidência. No dossiê contra Jereissati, estaria listada uma suposta relação do senador cearense com alguns doleiros e no caso de Paulo Renato, ex-ministro de Educação no governo FHC, os arapongas teriam relacionado supostos favorecimentos do ministério a editoras de livros didáticos que seriam ligadas ao então ministro.
Postado por Luis Favre
Polícia Federal isenta o PT da quebra do sigilo de tucanos e mostra indícios de que se trata de fogo amigo no PSDB
Mário Simas Filho e Hugo Marques – REVISTA ISTOÉ
“Há um esquema de espionagem e dossiês que nasce no Ministério
da Saúde e envolve o ministro José Serra”
Senador José Sarney, em discurso no plenário em 2002
COMPANHEIRO
O delegado-deputado não reeleito Marcelo Itagiba é apontado como
parceiro de Serra em operações polêmicas desde 2002
Há quase cinco meses, líderes do PSDB procuram responsabilizar o PT pela quebra ilegal dos sigilos fiscais de Eduardo Jorge Caldas, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Verônica Serra e outros tucanos de vistosa plumagem ligados ao presidenciável José Serra. Desde junho, pressionam a Polícia Federal e a Corregedoria da Receita para que as investigações sejam conduzidas na direção de um crime político. Na última semana, os primeiros resultados das apurações da PF se tornaram públicos e o que se constata é que de fato houve um crime com motivação política, mas praticado no contexto de uma disputa interna do PSDB. Não há nenhum documento ou depoimento colhido durante as investigações que indique a possibilidade de ter ocorrido o uso criminoso do Estado para o favorecimento de alguma candidatura, como acusam os tucanos. As investigações não permitem afirmar que petistas tenham aliciado funcionários da Receita para a quebra dos sigilos. A principal testemunha é o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que confessou ser o contratante do serviço criminoso. Ele prestou três depoimentos que totalizam 13 horas de inquirição e afirmou que tanto a encomenda feita ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia como o recebimento dos documentos sigilosos ocorreram em outubro do ano passado, quando, apesar de estar em férias, trabalhava para o jornal “O Estado de Minas”. O jornalista também explicou as razões que o levaram a bisbilhotar os sigilos fiscais dos tucanos.
“Minha investigação não foi feita para a campanha, mas poderia proteger o Aécio se fosse necessário”
Amaury Ribeiro Júnior, jornalista que encomendou o crime
Segundo Amaury Ribeiro Júnior, através do delegado e ainda deputado (não foi reeleito) Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), desde 2008 o presidenciável José Serra procurava montar um dossiê contra o então governador de Minas, Aécio Neves. Muito ligado a Serra, Itagiba, que comandou o serviço de inteligência da Polícia Federal durante o governo de FHC, teria instalado em Belo Horizonte um grupo composto por três ex-agentes da PF e um da Abin para rastrear as ações de Aécio, públicas e privadas. “Minha investigação não foi feita para a campanha, mas poderia proteger Aécio se fosse necessário”, diz o jornalista. Também tucano e com enormes índices de aprovação, em outubro do ano passado Aécio pleiteava disputar a Presidência da República e representava um obstáculo real no caminho de Serra. O jornalista, que já colecionava algumas informações sobre os bastidores das privatizações ocorridas na gestão de FHC, passou então a investigar as pessoas ligadas a Serra, provavelmente sem o conhecimento de Aécio.
As informações sobre o conteúdo dos sigilos fiscais dos líderes só chegaram ao conhecimento de alguns petistas em abril, levadas pelo próprio jornalista, interessado em fazer parte da pré-campanha de Dilma. O grupo que manteve contato com Ribeiro Júnior, no entanto, não chegou sequer a participar da campanha propriamente dita, pois acabou afastado antes das convenções partidárias. “Integrantes do PT tiveram conhecimento das informações obtidas pelo jornalista, mas não fizeram nenhum uso delas”, afirmou o delegado Alessandro Moretti. Na Polícia Federal, não há mais dúvidas sobre a motivação e também sobre a autoria do crime e o jornalista deverá ser indiciado nos próximos dias. Segundo o delegado Moretti, resta descobrir apenas se foi mesmo o jornal que pagou os R$ 12 mil que o despachante diz ter recebido do jornalista.
INTERMEDIÁRIO
O despachante Dirceu Garcia diz ter recebido R$ 12 mil
para corromper funcionários da Receita
O caso, no entanto, remete efetivamente ao uso dos organismos estatais, de forma que atenta contra a democracia e o Estado de Direito. Em 2002, quando também pleiteava disputar a Presidência da República, o ex-ministro da Saúde José Serra enfrentava a oposição de tucanos e de líderes de partidos aliados. Na ocasião, segundo antigos aliados, ele teria escalado o mesmo delegado-deputado Marcelo Itagiba para comandar um “grupo de inteligência” instalado dentro do ministério, particularmente na Central de Medicamentos (Ceme) e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse grupo teria sido responsável por escutas telefônicas irregulares que, depois de repassadas à Polícia Federal, levaram à apreensão de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo na sede da empresa Lunus, de propriedade da então senadora Roseana Sarney, à época no PFL (atual DEM). Roseana era considerada a principal pré-candidata da aliança PSDB-PFL à sucessão de FHC. O episódio inviabilizou a candidatura da senadora maranhense e facilitou o caminho de Serra. “Há um esquema de espionagem e dossiês que nasce no Ministério da Saúde e envolve o ministro José Serra”, disse o senador José Sarney na tribuna do Senado, em 2002.
Além de Roseana, Itagiba também é apontado por agentes da PF como o responsável pela produção de dossiês contra os tucanos Tasso Jereissati e Paulo Renato de Souza, em 2002. Os dois teriam manifestado interesse de disputar a indicação do PSDB à Presidência. No dossiê contra Jereissati, estaria listada uma suposta relação do senador cearense com alguns doleiros e no caso de Paulo Renato, ex-ministro de Educação no governo FHC, os arapongas teriam relacionado supostos favorecimentos do ministério a editoras de livros didáticos que seriam ligadas ao então ministro.
Postado por Luis Favre
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SERRA
PF descobre que Estado de Minas pagou passagens do jornalista do dossiê
Jornal Hoje em Dia – CARTA CAPITAL
Jornal arcou com despesas até julho de 2009, e as demais foram quitadas pelo funcionário Marcelo Augusto de Oliveira
O Jornal Estado de Minas pagou as passagens aéreas do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a violação dos sigilos fiscais dos tucanos. Em depoimento à Polícia Federal, Amaury afirmou que deixou oficialmente o jornal em 16 de outubro, tendo gozado férias de 30 dias antes disso. A quebra dos sigilos fiscais dos tucanos ocorreu entre 29 de setembro e 8 de outubro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao jornal.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, uma declaração da agência de turismo confirma que o Estado de Minas só pagou, em nome da empresa, viagens para Amaury até julho do ano passado. A partir de setembro, os bilhetes, inclusive os adquiridos no período da quebra do sigilo fiscal, foram faturados em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, funcionário do jornal até hoje. Dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário.
A direção do jornal negou, em nota divulgada nesta quinta-feira (21), que tenha pago viagens de Amaury durante as férias. “Amaury Ribeiro Júnior trabalhou como repórter do Estado de Minas de 25 de setembro de 2006 a 15 de outubro de 2009. No dia 25 de setembro de 2009, o jornalista entrou em férias e as gozou até o dia 14 de outubro do mesmo ano. No dia 15 de outubro, o repórter pediu demissão. Nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal”, diz a nota.
Em depoimento à PF, o despachante paulista Dirceu Garcia admitiu que recebeu R$ 12 mil em dinheiro de Amaury para comprar as declarações de renda das pessoas próximas a Serra. Por sua vez, o jornalista confirmou que conhecia o despachante e que encomendou buscas em juntas comerciais, mas negou a compra de documentos sigilosos e desconversou sobre a forma de pagamento. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.
A PF informou que Amaury Ribeiro Jr. disse que estava levantando as informações contra José Serra porque havia indícios de que um grupo de arapongagem ligado ao ex-governador de São Paulo estaria investigando Aécio Neves, à época cotado para ser o candidato tucano à Presidência. No entanto, no depoimento prestado à PF em 15 de outubro, Amaury diz que existe um grupo de inteligência tucano, comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-SP), mas não cita o nome nem faz menção ao ex-governador de Minas Gerais. Afirma que ouviu relatos de que o grupo tucano “estaria adiantado” em relação aos petistas e que, por isso, seria importante que a campanha de Dilma também tivesse seu próprio núcleo de inteligência.
*Matéria publicada originalmente no jornal Hoje em Dia
Jornal arcou com despesas até julho de 2009, e as demais foram quitadas pelo funcionário Marcelo Augusto de Oliveira
O Jornal Estado de Minas pagou as passagens aéreas do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a violação dos sigilos fiscais dos tucanos. Em depoimento à Polícia Federal, Amaury afirmou que deixou oficialmente o jornal em 16 de outubro, tendo gozado férias de 30 dias antes disso. A quebra dos sigilos fiscais dos tucanos ocorreu entre 29 de setembro e 8 de outubro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao jornal.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, uma declaração da agência de turismo confirma que o Estado de Minas só pagou, em nome da empresa, viagens para Amaury até julho do ano passado. A partir de setembro, os bilhetes, inclusive os adquiridos no período da quebra do sigilo fiscal, foram faturados em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, funcionário do jornal até hoje. Dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário.
A direção do jornal negou, em nota divulgada nesta quinta-feira (21), que tenha pago viagens de Amaury durante as férias. “Amaury Ribeiro Júnior trabalhou como repórter do Estado de Minas de 25 de setembro de 2006 a 15 de outubro de 2009. No dia 25 de setembro de 2009, o jornalista entrou em férias e as gozou até o dia 14 de outubro do mesmo ano. No dia 15 de outubro, o repórter pediu demissão. Nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal”, diz a nota.
Em depoimento à PF, o despachante paulista Dirceu Garcia admitiu que recebeu R$ 12 mil em dinheiro de Amaury para comprar as declarações de renda das pessoas próximas a Serra. Por sua vez, o jornalista confirmou que conhecia o despachante e que encomendou buscas em juntas comerciais, mas negou a compra de documentos sigilosos e desconversou sobre a forma de pagamento. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.
A PF informou que Amaury Ribeiro Jr. disse que estava levantando as informações contra José Serra porque havia indícios de que um grupo de arapongagem ligado ao ex-governador de São Paulo estaria investigando Aécio Neves, à época cotado para ser o candidato tucano à Presidência. No entanto, no depoimento prestado à PF em 15 de outubro, Amaury diz que existe um grupo de inteligência tucano, comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-SP), mas não cita o nome nem faz menção ao ex-governador de Minas Gerais. Afirma que ouviu relatos de que o grupo tucano “estaria adiantado” em relação aos petistas e que, por isso, seria importante que a campanha de Dilma também tivesse seu próprio núcleo de inteligência.
*Matéria publicada originalmente no jornal Hoje em Dia
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Polícia Federal libera íntegra do depoimento de Amaury Ribeiro Jr
Celso Marcondes – CARTA CAPITAL
Site do jornal O Estado de S.Paulo publica o depoimento do jornalista. Em dezembro de 2007 ele começa a investigar grupo que investigava Aécio
Leia abaixo a íntegra do depoimento de Amaury Ribeiro Jr. à Policia Federal no dia 15 de outubro passado. Ele já circula na internet, a partir da publicação pelo site do jornal O Estado de S.Paulo. O jornalista deu outros dois depoimentos mais, ainda não vazados para a imprensa.
Antes, um resumo. Você poderá ler que Ribeiro:
1. trabalhava desde o ano 2000 na compilação de dados sobre as privatizações de FHC, cobranças de propinas e envio de valores para as Ilhas Virgens.
2. começou sua investigação quando trabalhava no jornal O Globo.
3. sua primeira matéria sobre o assunto saiu em 2001 quando estava no Jornal do Brasil.
4. publicou várias matérias posteriormente em 2003, na IstoÉ e que foi processado por Ricardo Sérgio por conta disso.
5. ao final deste ano, parou de publicar matérias sobre o assunto, já pensando em escrever um livro.
6. em maio de 2007 foi trabalhar no Correio Brasiliense, e que no final do mesmo ano, depois de sofrer um atentado, foi transferido para o Estado de Minas, do mesmo grupo.
7. no final deste ano deu-se conta de que um grupo clandestino de inteligência estaria investigando Aécio Neves e aí decidiu investigar este grupo.
8. descobriu, através de fontes próprias, que seria o deputado carioca Marcelo Itagiba o mentor do grupo, a serviço de José Serra.
9. em 2008 resolveu retomar as investigações as privatizações, com foco em Serra.
10. iniciou coleta de documentos sobre pessoas ligadas a Serra e empresas pertencentes a elas.
11. fez várias viagens para São Paulo e Brasília em 2008 e 2009 para realizar suas investigações, sempre custeadas pelo jornal Estado de Minas. Assim como as despesas para a obtenção dos documentos.
12. afastou-se formalmente do jornal em 16 de outubro de 2009, em função de problemas de saúde do pai. Antes, tirou férias de 30 dias.
13. antes de sair, entregou uma cópia dos documentos obtidos para o jornal e deixou outra cópia em seu laptop.
14. em abril de 2010, foi procurado pelo jornalista Luiz Lanzetta, cuja empresa de assessoria trabalhava para a pré-campanha de Dilma Rousseff. Este queria sua ajuda para indicar pessoas para ajudá-lo a descobrir possíveis espiões dentro da campanha de Dilma.
15. indicou o nome de Idalberto Martins, que indicou o de Onésimo Graça.
16. fizeram então uma reunião num restaurante de Brasília.
17. antes dela, no comitê de campanha de Dilma, soube das desavenças entre dois grupos de petistas que disputavam o comando da área de comunicação da campanha.
18. na reunião, não houve acordo financeiro que possibilitasse a contratação de Idalberto e Onésimo para o trabalho de contra-espionagem interna demandado por Lanzetta, que estava acompanhado de Benedito de Oliveira.
19. fizeram outra reunião duas semanas depois, sem que chegassem a um acordo financeiro. E que a partir daí considerou encerrado o assunto.
20. três semanas depois recebeu telefonema de Lanzetta, dizendo que algum dos participantes da reunião havia informado à Veja que eles estariam elaborando um dossiê contra Serra.
21. o jornalista da Veja, Policarpo Júnior, procurado por Amaury, disse-lhe que a informação lhe havia sido passada por um dirigente petista.
22. que pelo que ouviu de Policarpo, ele tinha conhecimento de dados que estavam apenas em seu notebook.
23. declarou que não havia passado o material para ninguém e afirmou que Rui Falcão teria copiado os dados num apart-hotel em Brasília.
24. confirmou que Luiz Lanzetta se afastou da campanha de Dilma depois da matéria da Veja e que sua empresa foi substituída por outra.
25. recorreu aos trabalhos de despachante para conseguir documentos na Junta Comercial para suas investigações.Mas não deu seu nome.
26. nunca foi filiado a partido político, nem foi contratado por nenhuma campanha política.
Em suma, nada que foi relatado no depoimento de Ribeiro Jr. contradiz com as matérias publicadas até aqui por CartaCapital.
Amaury Ribeiro Jr. nunca fez parte de suposto “grupo de inteligência” da campanha de Dilma. E fez suas investigações originalmente para “investigar quem eram os integrantes” do grupo que investigava Aécio. Este é o centro da questão.
Leiam o depoimento na íntegra: pdf
Celso Marcondes
Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br
Site do jornal O Estado de S.Paulo publica o depoimento do jornalista. Em dezembro de 2007 ele começa a investigar grupo que investigava Aécio
Leia abaixo a íntegra do depoimento de Amaury Ribeiro Jr. à Policia Federal no dia 15 de outubro passado. Ele já circula na internet, a partir da publicação pelo site do jornal O Estado de S.Paulo. O jornalista deu outros dois depoimentos mais, ainda não vazados para a imprensa.
Antes, um resumo. Você poderá ler que Ribeiro:
1. trabalhava desde o ano 2000 na compilação de dados sobre as privatizações de FHC, cobranças de propinas e envio de valores para as Ilhas Virgens.
2. começou sua investigação quando trabalhava no jornal O Globo.
3. sua primeira matéria sobre o assunto saiu em 2001 quando estava no Jornal do Brasil.
4. publicou várias matérias posteriormente em 2003, na IstoÉ e que foi processado por Ricardo Sérgio por conta disso.
5. ao final deste ano, parou de publicar matérias sobre o assunto, já pensando em escrever um livro.
6. em maio de 2007 foi trabalhar no Correio Brasiliense, e que no final do mesmo ano, depois de sofrer um atentado, foi transferido para o Estado de Minas, do mesmo grupo.
7. no final deste ano deu-se conta de que um grupo clandestino de inteligência estaria investigando Aécio Neves e aí decidiu investigar este grupo.
8. descobriu, através de fontes próprias, que seria o deputado carioca Marcelo Itagiba o mentor do grupo, a serviço de José Serra.
9. em 2008 resolveu retomar as investigações as privatizações, com foco em Serra.
10. iniciou coleta de documentos sobre pessoas ligadas a Serra e empresas pertencentes a elas.
11. fez várias viagens para São Paulo e Brasília em 2008 e 2009 para realizar suas investigações, sempre custeadas pelo jornal Estado de Minas. Assim como as despesas para a obtenção dos documentos.
12. afastou-se formalmente do jornal em 16 de outubro de 2009, em função de problemas de saúde do pai. Antes, tirou férias de 30 dias.
13. antes de sair, entregou uma cópia dos documentos obtidos para o jornal e deixou outra cópia em seu laptop.
14. em abril de 2010, foi procurado pelo jornalista Luiz Lanzetta, cuja empresa de assessoria trabalhava para a pré-campanha de Dilma Rousseff. Este queria sua ajuda para indicar pessoas para ajudá-lo a descobrir possíveis espiões dentro da campanha de Dilma.
15. indicou o nome de Idalberto Martins, que indicou o de Onésimo Graça.
16. fizeram então uma reunião num restaurante de Brasília.
17. antes dela, no comitê de campanha de Dilma, soube das desavenças entre dois grupos de petistas que disputavam o comando da área de comunicação da campanha.
18. na reunião, não houve acordo financeiro que possibilitasse a contratação de Idalberto e Onésimo para o trabalho de contra-espionagem interna demandado por Lanzetta, que estava acompanhado de Benedito de Oliveira.
19. fizeram outra reunião duas semanas depois, sem que chegassem a um acordo financeiro. E que a partir daí considerou encerrado o assunto.
20. três semanas depois recebeu telefonema de Lanzetta, dizendo que algum dos participantes da reunião havia informado à Veja que eles estariam elaborando um dossiê contra Serra.
21. o jornalista da Veja, Policarpo Júnior, procurado por Amaury, disse-lhe que a informação lhe havia sido passada por um dirigente petista.
22. que pelo que ouviu de Policarpo, ele tinha conhecimento de dados que estavam apenas em seu notebook.
23. declarou que não havia passado o material para ninguém e afirmou que Rui Falcão teria copiado os dados num apart-hotel em Brasília.
24. confirmou que Luiz Lanzetta se afastou da campanha de Dilma depois da matéria da Veja e que sua empresa foi substituída por outra.
25. recorreu aos trabalhos de despachante para conseguir documentos na Junta Comercial para suas investigações.Mas não deu seu nome.
26. nunca foi filiado a partido político, nem foi contratado por nenhuma campanha política.
Em suma, nada que foi relatado no depoimento de Ribeiro Jr. contradiz com as matérias publicadas até aqui por CartaCapital.
Amaury Ribeiro Jr. nunca fez parte de suposto “grupo de inteligência” da campanha de Dilma. E fez suas investigações originalmente para “investigar quem eram os integrantes” do grupo que investigava Aécio. Este é o centro da questão.
Leiam o depoimento na íntegra: pdf
Celso Marcondes
Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br
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SERRA
PF desmente ligação entre quebra de sigilo de tucano e pré-campanha de Dilma
Por: Patrícia Ferreira, especial para a Rede Brasil Atual
Publicado em 20/10/2010, 17:58
Última atualização às 18:16
São Paulo – Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (20), a Polícia Federal nega a existência de elo entre a equipe da pré-campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) e a quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas ao candidato do PSDB, José Serra.
Segundo a nota, a apuração sobre a quebra de sigilo está em fase final, com os responsáveis identificados. "A investigação identificou que a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista", diz o documento, afirmando, em seguida, que não foi comprovada a utilização em campanha política de relatório feito com os dados violados.
A manifestação é resposta à manchete desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, a PF teria ligado a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato à Presidência da República José Serra. Os dados da filha e do genro do candidato, Veronica Serra e Alexandre Bourgeois, e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, teriam sido acessados por meio do despachante Dirceu Rodrigues Garcia.
Rodrigues Garcia teria feito o trabalho a pedidos do jornalista Amaury Ribeiro Jr., então contratado pelo jornal O Estado de Minas. Em abril, Amaury chegou a participar de reuniões com membros da campanha de Dilma Rousseff (PT). Segundo a reportagem da Folha, apesar do intervalo de cinco meses entre a quebra e o contato com a campanha, a PF aponta o vínculo.
"A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação", diz a nota da instituição.
Publicado em 20/10/2010, 17:58
Última atualização às 18:16
São Paulo – Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (20), a Polícia Federal nega a existência de elo entre a equipe da pré-campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) e a quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas ao candidato do PSDB, José Serra.
Segundo a nota, a apuração sobre a quebra de sigilo está em fase final, com os responsáveis identificados. "A investigação identificou que a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista", diz o documento, afirmando, em seguida, que não foi comprovada a utilização em campanha política de relatório feito com os dados violados.
A manifestação é resposta à manchete desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, a PF teria ligado a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato à Presidência da República José Serra. Os dados da filha e do genro do candidato, Veronica Serra e Alexandre Bourgeois, e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, teriam sido acessados por meio do despachante Dirceu Rodrigues Garcia.
Rodrigues Garcia teria feito o trabalho a pedidos do jornalista Amaury Ribeiro Jr., então contratado pelo jornal O Estado de Minas. Em abril, Amaury chegou a participar de reuniões com membros da campanha de Dilma Rousseff (PT). Segundo a reportagem da Folha, apesar do intervalo de cinco meses entre a quebra e o contato com a campanha, a PF aponta o vínculo.
"A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação", diz a nota da instituição.
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A Folha desmente a Folha. E não assume
Por: Paulo Donizetti de Souza, Revista do Brasil
Ou de como a Folha transformou uma conspiração entre tucanos em mais um panfleto anti-Dilma
A própria Folha de S.Paulo, em sua versão eletrônica, publicou nota do mesmo repórter que assina sua matéria de capa desta quarta (20). O jornal escondeu desde a sua versão impressa que a origem da quebra de sigilo fiscal de tucanos está numa conspiração interna do próprio ninho – quando Aécio Neves e Serra travavam uma batalha em panfleto anti-Dilma. E na suíte vespertina voltou a minimizar o confronto no seio do PSDB – que, aliás, distanciou, e mantém distante, o político mineiro do político paulista. Eis o texto de Leonardo Souza:
"O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao chamado 'grupo de inteligência' da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), confirmou em depoimento à Polícia Federal que encomendou dados de dirigentes tucanos e familiares de José Serra (PSDB), como a Folha revelou na edição de hoje. Essas informações, obtidas ilegalmente em agências da Receita Federal em São Paulo, foram parar em um dossiê que, no começo do ano, circulou no comitê dilmista (aqui, o texto da Folha esquece de informar que o integrante do 'comitê dilmista' que se aproximou do tal 'dossiê' foi excluído da campanha no ato.)
"O repórter – segue o texto da Folha – disse que iniciou seu trabalho de investigação quando era funcionário do jornal Estado de Minas, para 'proteger' o ex-governador tucano Aécio Neves – que à época disputava internamente no PSDB a candidatura à Presidência. Amaury não admitiu que pagou pelos dados nem que pediu a quebra de sigilo fiscal dos tucanos. O despachante Dirceu Rodrigues Garcia, porém, declarou à PF que o jornalista desembolsou R$ 12 mil em dinheiro vivo e que entregou a ele as informações protegidas por lei.
"Amaury não disse à polícia se recebeu ou não orientação de Aécio ou de outros políticos de PSDB de Minas para levar adiante a pesquisa. Afirmou que iniciou a apuração após ter tomado conhecimento de que uma equipe de inteligência liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra Aécio."
Como se pode notar, a Folha não teve pudor em manipular o trato das informações para transformá-las numa manchete panfletária anti-Dilma.
Em seu site, Luis Nassif resume: a operação de Eduardo Jorge (responsável pelo vazamento das informações ao repórter da Folha) acabou sendo um tiro no pé.
A ombudsman da Folha, Suzana Singer, em resposta a uma posição cobrada pela jornalista Marina Amaral, afirmou que o jornal terá de se explicar
Ou de como a Folha transformou uma conspiração entre tucanos em mais um panfleto anti-Dilma
A própria Folha de S.Paulo, em sua versão eletrônica, publicou nota do mesmo repórter que assina sua matéria de capa desta quarta (20). O jornal escondeu desde a sua versão impressa que a origem da quebra de sigilo fiscal de tucanos está numa conspiração interna do próprio ninho – quando Aécio Neves e Serra travavam uma batalha em panfleto anti-Dilma. E na suíte vespertina voltou a minimizar o confronto no seio do PSDB – que, aliás, distanciou, e mantém distante, o político mineiro do político paulista. Eis o texto de Leonardo Souza:
"O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao chamado 'grupo de inteligência' da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), confirmou em depoimento à Polícia Federal que encomendou dados de dirigentes tucanos e familiares de José Serra (PSDB), como a Folha revelou na edição de hoje. Essas informações, obtidas ilegalmente em agências da Receita Federal em São Paulo, foram parar em um dossiê que, no começo do ano, circulou no comitê dilmista (aqui, o texto da Folha esquece de informar que o integrante do 'comitê dilmista' que se aproximou do tal 'dossiê' foi excluído da campanha no ato.)
"O repórter – segue o texto da Folha – disse que iniciou seu trabalho de investigação quando era funcionário do jornal Estado de Minas, para 'proteger' o ex-governador tucano Aécio Neves – que à época disputava internamente no PSDB a candidatura à Presidência. Amaury não admitiu que pagou pelos dados nem que pediu a quebra de sigilo fiscal dos tucanos. O despachante Dirceu Rodrigues Garcia, porém, declarou à PF que o jornalista desembolsou R$ 12 mil em dinheiro vivo e que entregou a ele as informações protegidas por lei.
"Amaury não disse à polícia se recebeu ou não orientação de Aécio ou de outros políticos de PSDB de Minas para levar adiante a pesquisa. Afirmou que iniciou a apuração após ter tomado conhecimento de que uma equipe de inteligência liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra Aécio."
Como se pode notar, a Folha não teve pudor em manipular o trato das informações para transformá-las numa manchete panfletária anti-Dilma.
Em seu site, Luis Nassif resume: a operação de Eduardo Jorge (responsável pelo vazamento das informações ao repórter da Folha) acabou sendo um tiro no pé.
A ombudsman da Folha, Suzana Singer, em resposta a uma posição cobrada pela jornalista Marina Amaral, afirmou que o jornal terá de se explicar
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Jornal de MG afirma que passagens de Amaury Jr. foram pagas por 'O Estado de Minas'
Em duas reportagens, o "Hoje em Dia" afirma que o jornal "O Estado de Minas" usou um funcionário para custear as viagens do jornalista que investigava a vida fiscal de pessoas ligadas a Serra, a serviço de Aécio Neves
Por: Fábio M. Michel, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 10:15
Última atualização às 14:04
São Paulo - Duas reportagens publicadas na noite da quinta-feira (21) pelo noticioso mineiro Hoje em Dia mostram que a quebra do sigilo fiscal de assessores e familiares do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve início em uma disputa interna dentro do partido tucano e que os custos das viagens do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para obter os documentos foram indiretamente bancados pelo jornal "O Estado de Minas", aliado do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Segundo o "Hoje em Dia", que cita o inquérito da Polícia Federal como fonte, as viagens de Ribeiro Jr. foram feitas com passagens emitidas em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, que é funcionário do "O Estado." A matéria diz que "dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário." Os bilhetes foram emitidos pela agência de viagem Primus, de Belo Horizonte.
Segundo nota do "O Estado de Minas", as viagens do jornalista pagas em nome da empresa aconteceram somente até julho de 2009. A partir de setembro, os custos passaram a ser contabilizados em nome do funcionário.
Em outra matéria, o "Hoje em Dia" conta com detalhes as razões que levaram o jornalista a investigar a vida fiscal de pessoas ligadas a Serra, afirmando que o dossiê contra o atual candidato foi tramado pelo "O Estado de Minas" e teria começado depois que o deputado Marcelo Itagiba, ligado ao tucano paulista, passou a levantar informações sobre Aécio Neves.
O que não convinha mostrar
A revista Carta Capital deste fim de semana confirma esta linha. A reportagem de Leandro Fortes indica que Ribeiro Jr. foi escalado, desde 2008, para trabalhar dentro do Estado de Minas a favor de Aécio Neves.
O então governador queria se blindar contra a campanha de espionagem comandada pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) a pedido de Serra. O repórter aponta que a versão foi confirmada por Ribeiro Jr. após depoimentos contraditórios à Polícia Federal. Por fim, na terceira oitiva, o jornalista assumiu que fora escolhido para o serviço pelo diretor de redação do diário mineiro, Josemar Gimenez, muito próximo à irmã de Aécio.
De acordo com a PF, todas as quebras de sigilo na Receita Federal, ora atribuídos pela velha mídia ao PT, foram feitos entre setembro e outubro de 2009, quando os tucanos disputavam a vaga do partido na disputa pela Presidência da República. De acordo com Carta Capital, Ribeiro Jr. confirmou à PF ter pago 12 mil reais pelas quebras, todas financiadas por O Estado de Minas
Por: Fábio M. Michel, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 10:15
Última atualização às 14:04
São Paulo - Duas reportagens publicadas na noite da quinta-feira (21) pelo noticioso mineiro Hoje em Dia mostram que a quebra do sigilo fiscal de assessores e familiares do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve início em uma disputa interna dentro do partido tucano e que os custos das viagens do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para obter os documentos foram indiretamente bancados pelo jornal "O Estado de Minas", aliado do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Segundo o "Hoje em Dia", que cita o inquérito da Polícia Federal como fonte, as viagens de Ribeiro Jr. foram feitas com passagens emitidas em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, que é funcionário do "O Estado." A matéria diz que "dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário." Os bilhetes foram emitidos pela agência de viagem Primus, de Belo Horizonte.
Segundo nota do "O Estado de Minas", as viagens do jornalista pagas em nome da empresa aconteceram somente até julho de 2009. A partir de setembro, os custos passaram a ser contabilizados em nome do funcionário.
Em outra matéria, o "Hoje em Dia" conta com detalhes as razões que levaram o jornalista a investigar a vida fiscal de pessoas ligadas a Serra, afirmando que o dossiê contra o atual candidato foi tramado pelo "O Estado de Minas" e teria começado depois que o deputado Marcelo Itagiba, ligado ao tucano paulista, passou a levantar informações sobre Aécio Neves.
O que não convinha mostrar
A revista Carta Capital deste fim de semana confirma esta linha. A reportagem de Leandro Fortes indica que Ribeiro Jr. foi escalado, desde 2008, para trabalhar dentro do Estado de Minas a favor de Aécio Neves.
O então governador queria se blindar contra a campanha de espionagem comandada pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) a pedido de Serra. O repórter aponta que a versão foi confirmada por Ribeiro Jr. após depoimentos contraditórios à Polícia Federal. Por fim, na terceira oitiva, o jornalista assumiu que fora escolhido para o serviço pelo diretor de redação do diário mineiro, Josemar Gimenez, muito próximo à irmã de Aécio.
De acordo com a PF, todas as quebras de sigilo na Receita Federal, ora atribuídos pela velha mídia ao PT, foram feitos entre setembro e outubro de 2009, quando os tucanos disputavam a vaga do partido na disputa pela Presidência da República. De acordo com Carta Capital, Ribeiro Jr. confirmou à PF ter pago 12 mil reais pelas quebras, todas financiadas por O Estado de Minas
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Ribeiro Júnior relata à PF detalhes de investigação sobre privatizações
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 18:21
São Paulo – Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior revela detalhes sobre o livro que pretende publicar a respeito dos processos de privatização da década de 1990, a maioria durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As investigações foram conduzidas por ele durante passagens por redações de diversos jornais, a partir de 2000. Ele menciona denúncias sobre recursos operados no exterior por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco do Brasi, e por Verônica Allende Serra – filha do atual candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB).
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S. Paulo, o jornalista sustenta que se centrou na figura de Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. O processo teria sido iniciado durante sua passagem pelo jornal O Globo e prosseguido em 2001, quando já trabalhava no Jornal do Brasil.
O início das investigações, sempre segundo o depoimento prestado à PF, ocoreu em um processo que corria na Justiça Estadual de São Paulo ajuizado pela Rhodia do Brasil contra a Calfat, empresa de Ricardo Sérgio. Nos autos, havia uma declaração de renda que mencionava uma empresa sediada em Nova York, chamada Franton Inc.
Dois anos depois, com dados obtidos pela promotoria dos Estados Unidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado e pela Polícia Federal, descobriu que Ricardo Sérgio teria movimentado recursos por meio de doleiros no exterior. Reportagens a respeito foram publicadas na revista IstoÉ, em 2003, o que acarretou processos judiciais por danos morais por parte de Ricardo Sérgio.
No processo, Ribeiro Júnior afirma ter conseguido autorização judicial para acessar dados da CPI do Banestado sobre Ricardo Sérgio. A permissão foi concedida pelo uso de "exceção de verdade", um recurso jurídico que permite acesso a dados sigilosos ou referentes a outros processos judiciais como forma de permitir a defesa.
Embora não tenha voltado a publicar reportagens sobre o assunto, Ribeiro Júnior assegura ter reunido vasto material sobre outras figuras ligadas ao processo de privatização, como Gregório Marin Preciado (marido de uma prima de Serra), Carlos Jereissati (atual dono da Oi) e Ronaldo de Souza (sócio de Ricardo Sérgio).
Pós-2007
Ele afirma, ainda no depoimento à PF, que se aprofundou ainda mais no caso depois de ir trabalhar em O Estado de Minas, em dezembro de 2007, por ter recebido informações de que havia um grupo clandestino de inteligência que estaria seguindo o então governador do estado, Aécio Neves (PSDB). Por isso, ele teria decidido voltar a investigar as privatizações, recorrendo a dados em cartórios, juntas comerciais e órgãos de Justiça.
A partir de então, seu enfoque estava voltado a José Serra. Segundo Ribeiro Júnior, ele teve acesso a procurações e documentos que sugeriam a existência de empresas em paraísos fiscais em nome de Verônica Allende Serra – filha do atual candidato – e Alexandre Bourgeois – genro de Serra. Os dados apontariam, inclusive, que um escritório nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal na América Central, teria sido compartilhado com empresa de Ricardo Sérgio. Ele não apresentou provas à PF a respeito de suas afirmações.
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 18:21
São Paulo – Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior revela detalhes sobre o livro que pretende publicar a respeito dos processos de privatização da década de 1990, a maioria durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As investigações foram conduzidas por ele durante passagens por redações de diversos jornais, a partir de 2000. Ele menciona denúncias sobre recursos operados no exterior por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco do Brasi, e por Verônica Allende Serra – filha do atual candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB).
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S. Paulo, o jornalista sustenta que se centrou na figura de Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. O processo teria sido iniciado durante sua passagem pelo jornal O Globo e prosseguido em 2001, quando já trabalhava no Jornal do Brasil.
O início das investigações, sempre segundo o depoimento prestado à PF, ocoreu em um processo que corria na Justiça Estadual de São Paulo ajuizado pela Rhodia do Brasil contra a Calfat, empresa de Ricardo Sérgio. Nos autos, havia uma declaração de renda que mencionava uma empresa sediada em Nova York, chamada Franton Inc.
Dois anos depois, com dados obtidos pela promotoria dos Estados Unidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado e pela Polícia Federal, descobriu que Ricardo Sérgio teria movimentado recursos por meio de doleiros no exterior. Reportagens a respeito foram publicadas na revista IstoÉ, em 2003, o que acarretou processos judiciais por danos morais por parte de Ricardo Sérgio.
No processo, Ribeiro Júnior afirma ter conseguido autorização judicial para acessar dados da CPI do Banestado sobre Ricardo Sérgio. A permissão foi concedida pelo uso de "exceção de verdade", um recurso jurídico que permite acesso a dados sigilosos ou referentes a outros processos judiciais como forma de permitir a defesa.
Embora não tenha voltado a publicar reportagens sobre o assunto, Ribeiro Júnior assegura ter reunido vasto material sobre outras figuras ligadas ao processo de privatização, como Gregório Marin Preciado (marido de uma prima de Serra), Carlos Jereissati (atual dono da Oi) e Ronaldo de Souza (sócio de Ricardo Sérgio).
Pós-2007
Ele afirma, ainda no depoimento à PF, que se aprofundou ainda mais no caso depois de ir trabalhar em O Estado de Minas, em dezembro de 2007, por ter recebido informações de que havia um grupo clandestino de inteligência que estaria seguindo o então governador do estado, Aécio Neves (PSDB). Por isso, ele teria decidido voltar a investigar as privatizações, recorrendo a dados em cartórios, juntas comerciais e órgãos de Justiça.
A partir de então, seu enfoque estava voltado a José Serra. Segundo Ribeiro Júnior, ele teve acesso a procurações e documentos que sugeriam a existência de empresas em paraísos fiscais em nome de Verônica Allende Serra – filha do atual candidato – e Alexandre Bourgeois – genro de Serra. Os dados apontariam, inclusive, que um escritório nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal na América Central, teria sido compartilhado com empresa de Ricardo Sérgio. Ele não apresentou provas à PF a respeito de suas afirmações.
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Em depoimento à PF, jornalista nega ter oferecido dossiê a PT
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 21:14
São Paulo - O jornalista Amaury Ribeiro Junior nega, em depoimento à Polícia Federal (PF), ter pedido a violação de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB). A investigação de pessoas ligadas ao tucano, com base em documentos de órgãos de Justiça e cartórios, ocorreu a partir de investigações conduzidas por ele quando era funcionário do jornal O Estado de Minas. Ele descarta qualquer oferta de venda de dossiês para o PT e para a pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) em abril, como acusam integrantes do PSDB.
Os dados do depoimento revelados parcialmente até a tarde desta sexta-feira (22) foram o que motivou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a afirmar que o PSDB mantém uma "central de espionagem".
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S.Paulo, o jornalista alega que investiga as privatizações promovidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso há dez anos. Ele se concentra no papel de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. Nesse período, ele passou por diferentes empresas jornalísticas, ligadas a redações da revista IstoÉ e dos jornais O Globo, Correio Braziliense e O Estado de Minas – estes últimos dos Diários Associados (clique aqui para ler mais).
Ribeiro Júnior afirma que retomou a investigação depois de dezembro de 2007, quando foi transferido para Minas Gerais. Ele afirma ter descoberto que um grupo ligado a Marcelo Itagiba, ex-delegado e deputado federal pelo Rio de Janeiro, estaria comandando um grupo clandestino de inteligência para seguir o então governador Aécio Neves (PSDB). A central teria por objetivo reunir informações contra o então pré-candidato à Presidência, que postulava a indicação para concorrer ao Palácio do Planalto contra o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
Ele não menciona pedidos de quebra de sigilo fiscal. Apesar disso dois depoimentos do despachante Dirceu Garcia atribuem a ele pagamentos pelo serviço. Há menção a um desembolso de R$ 5 mil destinado a garantir o silêncio de Garcia sobre os episódios.
Reunião com PT
A versão de Ribeiro Júnior sobre a reunião com membros do PT é de que se tratou de um encontro para monitorar a sede da pré-campanha de Dilma Rousseff. A avaliação de Luiz Lanzetta, que convocou o jornalista e outros dois agentes, era de que algum membro estaria repassando informações e decisões da pré-campanha para veículos de imprensa. O temor inicial, ainda segundo Ribeiro Júnior, era de que houvesse alguma ação de espionagem do grupo ligado a José Serra
A hipótese foi descartada ainda antes da reunião. Lanzetta teria passado a suspeitar que os "vazamentos" fossem fruto de "fogo amigo", quer dizer, uma ação de pessoas ligadas ao deputado estadual Rui Falcão (SP), que teria interesse em ocupar espaço na campanha em detrimento de Fernando Pimentel (MG), ex-prefeito de Belo Horizonte. Ambos são coordenadores de campanha da Dilma atualmente. Após a reunião, em que à proposta de monitoramento foram incluídas ainda investigações contra Serra, Ribeiro Júnior afirma que a negociação não prosperou.
Além disso, Ribeiro Júnior acusa Rui Falcão de ter "roubado", de um notebook, os dados referentes à investigação do jornalista aos tucanos. A confirmação teria se dado após uma conversa com o jornalista Policarpo Júnior, repórter da revista Veja e autor da reportagem que acusava a existência de uma suposta "central de inteligência" na pré-campanha de Dilma.
Policarpo teria sido procurado depois de Lanzetta avisar a Ribeiro Júnior sobre o novo vazamento, ligado justamente à reunião. Procurado, o repórter de Veja teria descrito as informações do material, repassado por um dirigente petista, que coincidiam com o material de Ribeiro Júnior. A conclusão de que se tratava de Falcão está relacionada à hospedagem no Apart Hotel Melià, em Brasília (DF), onde o deputado estadual teria acesso.Falcão já negou.
Ribeiro Júnior relata à PF detalhes de investigação sobre privatizações
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 18:21
São Paulo – Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior revela detalhes sobre o livro que pretende publicar a respeito dos processos de privatização da década de 1990, a maioria durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As investigações foram conduzidas por ele durante passagens por redações de diversos jornais, a partir de 2000. Ele menciona denúncias sobre recursos operados no exterior por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco do Brasi, e por Verônica Allende Serra – filha do atual candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB).
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S. Paulo, o jornalista sustenta que se centrou na figura de Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. O processo teria sido iniciado durante sua passagem pelo jornal O Globo e prosseguido em 2001, quando já trabalhava no Jornal do Brasil.
O início das investigações, sempre segundo o depoimento prestado à PF, ocoreu em um processo que corria na Justiça Estadual de São Paulo ajuizado pela Rhodia do Brasil contra a Calfat, empresa de Ricardo Sérgio. Nos autos, havia uma declaração de renda que mencionava uma empresa sediada em Nova York, chamada Franton Inc.
Dois anos depois, com dados obtidos pela promotoria dos Estados Unidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado e pela Polícia Federal, descobriu que Ricardo Sérgio teria movimentado recursos por meio de doleiros no exterior. Reportagens a respeito foram publicadas na revista IstoÉ, em 2003, o que acarretou processos judiciais por danos morais por parte de Ricardo Sérgio.
No processo, Ribeiro Júnior afirma ter conseguido autorização judicial para acessar dados da CPI do Banestado sobre Ricardo Sérgio. A permissão foi concedida pelo uso de "exceção de verdade", um recurso jurídico que permite acesso a dados sigilosos ou referentes a outros processos judiciais como forma de permitir a defesa.
Embora não tenha voltado a publicar reportagens sobre o assunto, Ribeiro Júnior assegura ter reunido vasto material sobre outras figuras ligadas ao processo de privatização, como Gregório Marin Preciado (marido de uma prima de Serra), Carlos Jereissati (atual dono da Oi) e Ronaldo de Souza (sócio de Ricardo Sérgio).
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 21:14
São Paulo - O jornalista Amaury Ribeiro Junior nega, em depoimento à Polícia Federal (PF), ter pedido a violação de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB). A investigação de pessoas ligadas ao tucano, com base em documentos de órgãos de Justiça e cartórios, ocorreu a partir de investigações conduzidas por ele quando era funcionário do jornal O Estado de Minas. Ele descarta qualquer oferta de venda de dossiês para o PT e para a pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) em abril, como acusam integrantes do PSDB.
Os dados do depoimento revelados parcialmente até a tarde desta sexta-feira (22) foram o que motivou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a afirmar que o PSDB mantém uma "central de espionagem".
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S.Paulo, o jornalista alega que investiga as privatizações promovidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso há dez anos. Ele se concentra no papel de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. Nesse período, ele passou por diferentes empresas jornalísticas, ligadas a redações da revista IstoÉ e dos jornais O Globo, Correio Braziliense e O Estado de Minas – estes últimos dos Diários Associados (clique aqui para ler mais).
Ribeiro Júnior afirma que retomou a investigação depois de dezembro de 2007, quando foi transferido para Minas Gerais. Ele afirma ter descoberto que um grupo ligado a Marcelo Itagiba, ex-delegado e deputado federal pelo Rio de Janeiro, estaria comandando um grupo clandestino de inteligência para seguir o então governador Aécio Neves (PSDB). A central teria por objetivo reunir informações contra o então pré-candidato à Presidência, que postulava a indicação para concorrer ao Palácio do Planalto contra o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
Ele não menciona pedidos de quebra de sigilo fiscal. Apesar disso dois depoimentos do despachante Dirceu Garcia atribuem a ele pagamentos pelo serviço. Há menção a um desembolso de R$ 5 mil destinado a garantir o silêncio de Garcia sobre os episódios.
Reunião com PT
A versão de Ribeiro Júnior sobre a reunião com membros do PT é de que se tratou de um encontro para monitorar a sede da pré-campanha de Dilma Rousseff. A avaliação de Luiz Lanzetta, que convocou o jornalista e outros dois agentes, era de que algum membro estaria repassando informações e decisões da pré-campanha para veículos de imprensa. O temor inicial, ainda segundo Ribeiro Júnior, era de que houvesse alguma ação de espionagem do grupo ligado a José Serra
A hipótese foi descartada ainda antes da reunião. Lanzetta teria passado a suspeitar que os "vazamentos" fossem fruto de "fogo amigo", quer dizer, uma ação de pessoas ligadas ao deputado estadual Rui Falcão (SP), que teria interesse em ocupar espaço na campanha em detrimento de Fernando Pimentel (MG), ex-prefeito de Belo Horizonte. Ambos são coordenadores de campanha da Dilma atualmente. Após a reunião, em que à proposta de monitoramento foram incluídas ainda investigações contra Serra, Ribeiro Júnior afirma que a negociação não prosperou.
Além disso, Ribeiro Júnior acusa Rui Falcão de ter "roubado", de um notebook, os dados referentes à investigação do jornalista aos tucanos. A confirmação teria se dado após uma conversa com o jornalista Policarpo Júnior, repórter da revista Veja e autor da reportagem que acusava a existência de uma suposta "central de inteligência" na pré-campanha de Dilma.
Policarpo teria sido procurado depois de Lanzetta avisar a Ribeiro Júnior sobre o novo vazamento, ligado justamente à reunião. Procurado, o repórter de Veja teria descrito as informações do material, repassado por um dirigente petista, que coincidiam com o material de Ribeiro Júnior. A conclusão de que se tratava de Falcão está relacionada à hospedagem no Apart Hotel Melià, em Brasília (DF), onde o deputado estadual teria acesso.Falcão já negou.
Ribeiro Júnior relata à PF detalhes de investigação sobre privatizações
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 18:21
São Paulo – Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior revela detalhes sobre o livro que pretende publicar a respeito dos processos de privatização da década de 1990, a maioria durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As investigações foram conduzidas por ele durante passagens por redações de diversos jornais, a partir de 2000. Ele menciona denúncias sobre recursos operados no exterior por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco do Brasi, e por Verônica Allende Serra – filha do atual candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB).
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S. Paulo, o jornalista sustenta que se centrou na figura de Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. O processo teria sido iniciado durante sua passagem pelo jornal O Globo e prosseguido em 2001, quando já trabalhava no Jornal do Brasil.
O início das investigações, sempre segundo o depoimento prestado à PF, ocoreu em um processo que corria na Justiça Estadual de São Paulo ajuizado pela Rhodia do Brasil contra a Calfat, empresa de Ricardo Sérgio. Nos autos, havia uma declaração de renda que mencionava uma empresa sediada em Nova York, chamada Franton Inc.
Dois anos depois, com dados obtidos pela promotoria dos Estados Unidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado e pela Polícia Federal, descobriu que Ricardo Sérgio teria movimentado recursos por meio de doleiros no exterior. Reportagens a respeito foram publicadas na revista IstoÉ, em 2003, o que acarretou processos judiciais por danos morais por parte de Ricardo Sérgio.
No processo, Ribeiro Júnior afirma ter conseguido autorização judicial para acessar dados da CPI do Banestado sobre Ricardo Sérgio. A permissão foi concedida pelo uso de "exceção de verdade", um recurso jurídico que permite acesso a dados sigilosos ou referentes a outros processos judiciais como forma de permitir a defesa.
Embora não tenha voltado a publicar reportagens sobre o assunto, Ribeiro Júnior assegura ter reunido vasto material sobre outras figuras ligadas ao processo de privatização, como Gregório Marin Preciado (marido de uma prima de Serra), Carlos Jereissati (atual dono da Oi) e Ronaldo de Souza (sócio de Ricardo Sérgio).
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VERONICA SERRA
Depoimento na PF fala em esquema de 'internação de dinheiro' da filha e genro de Serra, envolvidos com Ricardo Sérgio, da privataria
No depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Júnior à Polícia Federal, vazado para a internet pelo Estadão, diz que ele investigou empresas em paraísos fiscais em nome da filha de José Serra, Verônica Allende Serra e de seu esposo Alexandre Bourgeois, no mesmo escritório operado por Ricardo Sérgio de Oliveira, nas Ilhas Virgens, e disse que ficou evidente a utilização destas empresas para internação de valores no Brasil.
A íntegra do depoimento está aqui:
http://www.estadao.com.br/especiais/2010/10/documento_amaury.pdf
A íntegra do depoimento está aqui:
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O Relatório Caribe no inquérito da PF - Luis Nassif
– Blog de Nassif
Estão azedadas as relações entre o PSDB mineiro e o paulista. Considera-se que a trapalhada de Eduardo Jorge – divulgando partes do inquérito da Polícia Federal – espalhou lama por todos os poros.
O tema pegava todo mundo: o Estado de Minas (que contratou Amaury), Aécio Neves (ligado ao jornal), o PT (que tentou contratar o repórter), José Serra (principal personagem da Operação Caribe, a reportagem em questão). Por isso mesmo, o melhor para todos seria deixar rolar até depois das eleições.
Embora tivesse todas suas despesas de reportegam bancadas pelo jornal o Estado de Minas, em seu depoimento Amaury Jr procurou poupar Aécio. Assumiu sozinho a responsabilidade pela compra dos dados sigilosos. Em nenhum momento teria declarado que levantou os dados para «proteger Aécio». Como o único vazador do inquérito foi Eduardo Jorge – cuja advogada teve acesso aos depoimentos, por meio de uma liminar – interpretou-se em Minas que a trapalhada da EJ visou deixar Aécio acuado.
Mas o que levaria EJ a esse gesto meio autofágico, de acessar o relatório e vazar partes selecionadas para a Folha de São Paulo?
Simples. No inquérito da Polícia Federal, o jornalista Amaury Jr anexou o tal «Relatório Caribe», a extensa reportagem que escreveu para o Estado de Minas sobre os fluxos de dólares da privatização. É uma espécie de rascunho do seu livro – que, pelo acordo com a TV Record (que recentemente o contratou) só deveria ser publicado no próximo ano, para evitar exploração eleitoral. Aparentemente foi a leitura do relatório que fez Eduardo Jorge dar publicidade seletiva ao inquérito
Estão azedadas as relações entre o PSDB mineiro e o paulista. Considera-se que a trapalhada de Eduardo Jorge – divulgando partes do inquérito da Polícia Federal – espalhou lama por todos os poros.
O tema pegava todo mundo: o Estado de Minas (que contratou Amaury), Aécio Neves (ligado ao jornal), o PT (que tentou contratar o repórter), José Serra (principal personagem da Operação Caribe, a reportagem em questão). Por isso mesmo, o melhor para todos seria deixar rolar até depois das eleições.
Embora tivesse todas suas despesas de reportegam bancadas pelo jornal o Estado de Minas, em seu depoimento Amaury Jr procurou poupar Aécio. Assumiu sozinho a responsabilidade pela compra dos dados sigilosos. Em nenhum momento teria declarado que levantou os dados para «proteger Aécio». Como o único vazador do inquérito foi Eduardo Jorge – cuja advogada teve acesso aos depoimentos, por meio de uma liminar – interpretou-se em Minas que a trapalhada da EJ visou deixar Aécio acuado.
Mas o que levaria EJ a esse gesto meio autofágico, de acessar o relatório e vazar partes selecionadas para a Folha de São Paulo?
Simples. No inquérito da Polícia Federal, o jornalista Amaury Jr anexou o tal «Relatório Caribe», a extensa reportagem que escreveu para o Estado de Minas sobre os fluxos de dólares da privatização. É uma espécie de rascunho do seu livro – que, pelo acordo com a TV Record (que recentemente o contratou) só deveria ser publicado no próximo ano, para evitar exploração eleitoral. Aparentemente foi a leitura do relatório que fez Eduardo Jorge dar publicidade seletiva ao inquérito
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Quebra do sigilo fiscal: Ribeiro Jr. agia em nome do jornal Estado de Minas - Sergio Lirio
carta capital
22 de outubro de 2010 às 8:35h
Depois que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que trabalhava para jornal mineiro, surge agora a versão que estava de férias.
Parte da mídia precisa conferir alguma lógica a sua narrativa sobre o caso da quebra de sigilo fiscal de integrantes do PSDB e familiares do candidato José Serra. Eles se recusam a aceitar o resultado do inquérito da Polícia Federal segundo o qual o jornalista Amaury Ribeiro Jr. agia em nome do Estado de Minas – interessado em produzir uma reportagem contra José Serra, que, por seu lado, havia colocado o deputado federal Marcelo Itagiba no encalço de Aécio Neves. À época, os dois tucanos disputavam a indicação do partido à candidatura presidencial.
Na quinta-feira 21, correu a versão de que Ribeiro Jr. veio a São Paulo buscar os dados obtidos de forma criminosa durante suas férias. Portanto, não agia em nome do jornal mineiro onde trabalhava, mas por conta própria. O objetivo, claro, é insinuar que naquele momento o repórter já trabalhava para o PT. O problema é que a mídia toma como verdade ou não os trechos da confissão de Ribeiro Jr. que lhe são mais convenientes. Rejeitam, portanto, as declarações que ligam a quebra de sigilo ao Estado de Minas e tomam como fatos absolutamente inquestionáveis aquelas que se referem à chamada pré-campanha de Dilma Rousseff.
Mas isso provoca furos na narrativa. Nesta sexta-feira 22, por exemplo, os jornais estampam a declaração do repórter de que os dados foram roubados de seu computador pelo deputado estadual petista Rui Falcão. Alguém pode se perguntar: se Ribeiro Jr. já trabalhava para o PT, por qual motivo Falcão seria obrigado a roubar as informações do computador do jornalista?
A história só faz sentido no contexto geral dos fatos. Ribeiro Jr. havia recolhido diversas informações sobre Serra e sua turma e preparava um livro que denomina de “Os porões da privataria”. Conhecido de Luiz Lanzetta, que mantinha um pré-contrato com a pré-campanha petista por indicação do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, Ribeiro Jr. foi chamado a Brasília. Lanzetta procurava um araponga que o pudesse ajudar a localizar supostos espiões que estariam a vazar informações do comitê. O jornalista apresentou ao assessor de imprensa o ex-delegado Onézimo de Souza. Os três se encontraram em um restaurante de Brasília. O resultado todo mundo conhece.
Ribeiro Jr. atribui a uma briga por poder e dinheiro o desenrolar dessa história. Diz que Falcão, no intuito de derrubar Lanzetta, teria invadido seu computador e roubado os dados violados do tucano. Em seguida, o deputado petista teria procurado a revista Veja com o discurso de que teria impedido o surgimento da versão 2010 dos aloprados. Falcão nega “terminantemente”. À PF, o delegado Souza confirmou, porém, que o repórter Policarpo Júnior, de Veja, havia lhe dito que soubera do encontro no restaurante por intermédio de Falcão. O caso então explodiu e levou ao afastamento de Lanzetta da pré-campanha de Dilma Rousseff.
São histórias da campanha eleitoral. Mas um fato continua inegável: Ribeiro Jr. trabalhava para o Estado de Minas, que custeou a maior parte das investigações contra Serra. É essa a fonte da violação de sigilo.
Sergio Lirio
22 de outubro de 2010 às 8:35h
Depois que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que trabalhava para jornal mineiro, surge agora a versão que estava de férias.
Parte da mídia precisa conferir alguma lógica a sua narrativa sobre o caso da quebra de sigilo fiscal de integrantes do PSDB e familiares do candidato José Serra. Eles se recusam a aceitar o resultado do inquérito da Polícia Federal segundo o qual o jornalista Amaury Ribeiro Jr. agia em nome do Estado de Minas – interessado em produzir uma reportagem contra José Serra, que, por seu lado, havia colocado o deputado federal Marcelo Itagiba no encalço de Aécio Neves. À época, os dois tucanos disputavam a indicação do partido à candidatura presidencial.
Na quinta-feira 21, correu a versão de que Ribeiro Jr. veio a São Paulo buscar os dados obtidos de forma criminosa durante suas férias. Portanto, não agia em nome do jornal mineiro onde trabalhava, mas por conta própria. O objetivo, claro, é insinuar que naquele momento o repórter já trabalhava para o PT. O problema é que a mídia toma como verdade ou não os trechos da confissão de Ribeiro Jr. que lhe são mais convenientes. Rejeitam, portanto, as declarações que ligam a quebra de sigilo ao Estado de Minas e tomam como fatos absolutamente inquestionáveis aquelas que se referem à chamada pré-campanha de Dilma Rousseff.
Mas isso provoca furos na narrativa. Nesta sexta-feira 22, por exemplo, os jornais estampam a declaração do repórter de que os dados foram roubados de seu computador pelo deputado estadual petista Rui Falcão. Alguém pode se perguntar: se Ribeiro Jr. já trabalhava para o PT, por qual motivo Falcão seria obrigado a roubar as informações do computador do jornalista?
A história só faz sentido no contexto geral dos fatos. Ribeiro Jr. havia recolhido diversas informações sobre Serra e sua turma e preparava um livro que denomina de “Os porões da privataria”. Conhecido de Luiz Lanzetta, que mantinha um pré-contrato com a pré-campanha petista por indicação do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, Ribeiro Jr. foi chamado a Brasília. Lanzetta procurava um araponga que o pudesse ajudar a localizar supostos espiões que estariam a vazar informações do comitê. O jornalista apresentou ao assessor de imprensa o ex-delegado Onézimo de Souza. Os três se encontraram em um restaurante de Brasília. O resultado todo mundo conhece.
Ribeiro Jr. atribui a uma briga por poder e dinheiro o desenrolar dessa história. Diz que Falcão, no intuito de derrubar Lanzetta, teria invadido seu computador e roubado os dados violados do tucano. Em seguida, o deputado petista teria procurado a revista Veja com o discurso de que teria impedido o surgimento da versão 2010 dos aloprados. Falcão nega “terminantemente”. À PF, o delegado Souza confirmou, porém, que o repórter Policarpo Júnior, de Veja, havia lhe dito que soubera do encontro no restaurante por intermédio de Falcão. O caso então explodiu e levou ao afastamento de Lanzetta da pré-campanha de Dilma Rousseff.
São histórias da campanha eleitoral. Mas um fato continua inegável: Ribeiro Jr. trabalhava para o Estado de Minas, que custeou a maior parte das investigações contra Serra. É essa a fonte da violação de sigilo.
Sergio Lirio
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Celso Marcondes - O livro, a bolinha de papel, o rolinho de durex. E as férias
22 de outubro de 2010 às 12:40h
Continuamos a condenar qualquer tipo de agressão com qualquer tipo de objeto. E também qualquer tipo de manipulação de informações
Continuam na pauta os dois grandes casos da semana: o do tumulto no Rio de Janeiro que levou Serra ao hospital e o relato da PF sobre a quebra do sigilo fiscal dos tucanos. Ontem publiquei o artigo “O livro e a bolinha de papel” (clique aqui) que mostrava a semelhança entre os dois casos – a manipulação da grande imprensa. Hoje, depois de assistir aos telejornais noturnos e ler os jornais do dia, é preciso, urgentemente, atualizar e retificar o que disse antes. De novo, vejamos caso a caso:
Caso 1 – o tumulto no Rio – O Jornal Nacional da Globo apresentou uma matéria de quase 10 minutos de duração com o objetivo de rechaçar a apresentada na véspera pelo SBT – que a sustentou no seu telejornal de quinta-feira – e que tinha causado furor na internet durante todo o dia. Surgem na tela imagens praticamente indecifráveis gravadas pelo celular de uma repórter da Folha de S.Paulo (uma cinegrafista amadora, faltou dizer). Elas sugerem que o candidato foi atingido por um segundo petardo, desta vez “algo transparente”, um rolinho de durex, talvez. Ou uma bolinha de adesivos. Em seguida, surge na tela um renomado especialista, para atestar sorridente que “não havia nenhuma dúvida”, tinham acontecido dois fenômenos distintos, o da suposta bolinha e o do suposto rolinho (ela exibia então nas mãos um rolinho de fita crepe para ilustrar melhor para os incautos telespectadores). O resto da história é a mesma: Serra vai para o hospital e faz tomografia computadorizada, suspende sua agenda carioca e o médico diz que não houve lesão, mas recomenda 24 horas de repouso. Detalhe: na sua explicação, para mostrar o lugar da agressão, indica a parte da calva atingida pela suposta bolinha de papel – mas isso, como eu já disse, é só um detalhe.
Na mesma noite, Serra gravou seu programa eleitoral e no dia seguinte, quinta, estava em campanha na cidade de Ponta Grossa, evidenciando um total desrespeito à recomendação do médico de César Maia. Mas isso é outro mero detalhe.
Na internet hoje já circulam várias mensagens e reproduções quadro a quadro (frames) do vídeo do jornal Folha de S.Paulo questionando a veracidade da edição apresentada pela Globo. Mas, crédulos que somos, vamos dar razão a Serra e a tevê líder de audiência: daqui pra frente nos referiremos ao caso como o “escândalo da bolinha de papel e do rolinho de durex”. Apenas acrescentamos uma observação: que, se ocorrer novo caso semelhante, a Globo convoque também os legistas Badan Palhares e George Sanguinetti para colocar suas versões. E que alguém do seriado americano CSI seja convidado como mediador do debate.
De qualquer forma, bolinha ou rolinho, qualquer agressão tem que ser condenada. Manipulação de informações e engajamento disfarçado na campanha também.
Caso 2 – a confissão de Amaury Ribeiro Jr. – De novo, o JN, traz as novidades. Desta vez, informa que o jornalista estava de férias quando os sigilos foram quebrados e que o deputado petista Rui Falcão teria roubado os dados do seu computador. Para responder às atualizações da Globo sobre o fato, amplamente reverberadas hoje pelos jornais, apelo aos artigos de Leandro Fortes e Sergio Lirio, colegas da Carta, que você pode ler aqui.
Apenas dois acréscimos, que roubo da Folha de S.Paulo de hoje, na página A8. Está lá escrito.
“O jornalista disse que a investigação começou em 2000 e foi retomda em 2007, quando trabalhava no jornal “Estado de Minas” e ‘teria tomado ciência de que um grupo clandestino de inteligência estaria seguindo o então governador Aécio Neves’. Amaury disse que foi informado que se ‘tratava de grupo que trabalhava para Serra, sob comando do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ)’. Itagiba nega. Aécio refuta ter pedido apuração”.
E mais uma, a última, da Folha de hoje, na página A9:
Sob título “Jornal nega ter pago viagens de Amaury” leio uma matéria que publica a nota do jornal mineiro dizendo que “nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal”. Logo em seguida, a Folha esclarece que ”nos meses seguintes (e durante as férias), quem mandou emitir os bilhetes e quitou essas despesas foi um funcionário do jornal que intermedeia as compras em agências de turismo”.
Aí também sou obrigado a fazer nova retificação em relação ao artigo de ontem: não foi o Estado de Minas quem pagou, mas o funcionário do jornal que intermedeia as compras em agências de turismo. Completamente diferente, não é, caro leitor?
Leia também:
- A violação da lógica. Por Leandro Fortes
- Quebra do sigilo fiscal: Ribeiro Jr. agia em nome do jornal Estado de Minas. Por Sergio Lirio
Celso Marcondes
Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br
Continuamos a condenar qualquer tipo de agressão com qualquer tipo de objeto. E também qualquer tipo de manipulação de informações
Continuam na pauta os dois grandes casos da semana: o do tumulto no Rio de Janeiro que levou Serra ao hospital e o relato da PF sobre a quebra do sigilo fiscal dos tucanos. Ontem publiquei o artigo “O livro e a bolinha de papel” (clique aqui) que mostrava a semelhança entre os dois casos – a manipulação da grande imprensa. Hoje, depois de assistir aos telejornais noturnos e ler os jornais do dia, é preciso, urgentemente, atualizar e retificar o que disse antes. De novo, vejamos caso a caso:
Caso 1 – o tumulto no Rio – O Jornal Nacional da Globo apresentou uma matéria de quase 10 minutos de duração com o objetivo de rechaçar a apresentada na véspera pelo SBT – que a sustentou no seu telejornal de quinta-feira – e que tinha causado furor na internet durante todo o dia. Surgem na tela imagens praticamente indecifráveis gravadas pelo celular de uma repórter da Folha de S.Paulo (uma cinegrafista amadora, faltou dizer). Elas sugerem que o candidato foi atingido por um segundo petardo, desta vez “algo transparente”, um rolinho de durex, talvez. Ou uma bolinha de adesivos. Em seguida, surge na tela um renomado especialista, para atestar sorridente que “não havia nenhuma dúvida”, tinham acontecido dois fenômenos distintos, o da suposta bolinha e o do suposto rolinho (ela exibia então nas mãos um rolinho de fita crepe para ilustrar melhor para os incautos telespectadores). O resto da história é a mesma: Serra vai para o hospital e faz tomografia computadorizada, suspende sua agenda carioca e o médico diz que não houve lesão, mas recomenda 24 horas de repouso. Detalhe: na sua explicação, para mostrar o lugar da agressão, indica a parte da calva atingida pela suposta bolinha de papel – mas isso, como eu já disse, é só um detalhe.
Na mesma noite, Serra gravou seu programa eleitoral e no dia seguinte, quinta, estava em campanha na cidade de Ponta Grossa, evidenciando um total desrespeito à recomendação do médico de César Maia. Mas isso é outro mero detalhe.
Na internet hoje já circulam várias mensagens e reproduções quadro a quadro (frames) do vídeo do jornal Folha de S.Paulo questionando a veracidade da edição apresentada pela Globo. Mas, crédulos que somos, vamos dar razão a Serra e a tevê líder de audiência: daqui pra frente nos referiremos ao caso como o “escândalo da bolinha de papel e do rolinho de durex”. Apenas acrescentamos uma observação: que, se ocorrer novo caso semelhante, a Globo convoque também os legistas Badan Palhares e George Sanguinetti para colocar suas versões. E que alguém do seriado americano CSI seja convidado como mediador do debate.
De qualquer forma, bolinha ou rolinho, qualquer agressão tem que ser condenada. Manipulação de informações e engajamento disfarçado na campanha também.
Caso 2 – a confissão de Amaury Ribeiro Jr. – De novo, o JN, traz as novidades. Desta vez, informa que o jornalista estava de férias quando os sigilos foram quebrados e que o deputado petista Rui Falcão teria roubado os dados do seu computador. Para responder às atualizações da Globo sobre o fato, amplamente reverberadas hoje pelos jornais, apelo aos artigos de Leandro Fortes e Sergio Lirio, colegas da Carta, que você pode ler aqui.
Apenas dois acréscimos, que roubo da Folha de S.Paulo de hoje, na página A8. Está lá escrito.
“O jornalista disse que a investigação começou em 2000 e foi retomda em 2007, quando trabalhava no jornal “Estado de Minas” e ‘teria tomado ciência de que um grupo clandestino de inteligência estaria seguindo o então governador Aécio Neves’. Amaury disse que foi informado que se ‘tratava de grupo que trabalhava para Serra, sob comando do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ)’. Itagiba nega. Aécio refuta ter pedido apuração”.
E mais uma, a última, da Folha de hoje, na página A9:
Sob título “Jornal nega ter pago viagens de Amaury” leio uma matéria que publica a nota do jornal mineiro dizendo que “nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal”. Logo em seguida, a Folha esclarece que ”nos meses seguintes (e durante as férias), quem mandou emitir os bilhetes e quitou essas despesas foi um funcionário do jornal que intermedeia as compras em agências de turismo”.
Aí também sou obrigado a fazer nova retificação em relação ao artigo de ontem: não foi o Estado de Minas quem pagou, mas o funcionário do jornal que intermedeia as compras em agências de turismo. Completamente diferente, não é, caro leitor?
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- A violação da lógica. Por Leandro Fortes
- Quebra do sigilo fiscal: Ribeiro Jr. agia em nome do jornal Estado de Minas. Por Sergio Lirio
Celso Marcondes
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Leandro Fortes, em CartaCapital: Quebra do sigilo de tucanos é fruto da guerra Serra-Aécio
Violação da lógica
Leandro Fortes
A mídia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra é fruto de uma guerra tucana
Apesar do esforço em atribuir a culpa à campanha de Dilma Rousseff, o escândalo da quebra dos sigilos fiscais de políticos do PSDB e de parentes do candidato José Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.
Obrigada a abrir os resultados do inquérito após uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclusões distorcidas, a Polícia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. O serviço ilegal foi pago. E há, como se verá adiante, divergências nos valores desembolsados (o pagamento teria variado, segundo as inúmeras versões, de 8 mil a 13 mil reais).
Ribeiro Júnior prestou três depoimentos à PF. No primeiro, afirmou que todos os documentos em seu poder haviam sido obtidos de forma legal, em processos públicos. Confrontado com as apurações policiais, que indicavam o contrário, foi obrigado nos demais a revelar a verdade. Segundo contou o próprio repórter, a encomenda aos despachantes fazia parte de uma investigação jornalística iniciada a pedido do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que buscava uma forma de neutralizar a arapongagem contra ele conduzida pelo deputado federal e ex-delegado Marcelo Itagiba, do PSDB. Itagiba, diz Ribeiro Júnior, agiria a mando de Serra. À época, Aécio disputava com o colega paulista a indicação como candidato à Presidência pelo partido.
Ribeiro Júnior disse à PF ter sido escalado para o serviço diretamente pelo diretor de redação do jornal mineiro, Josemar Gimenez, próximo à irmã de Aécio, Andréa Neves. A apuração, que visava levantar escândalos a envolver Serra e seus aliados durante o processo de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso, foi apelidada de Operação Caribe. O nome sugestivo teria a ver com supostas remessas ilegais a paraísos fiscais.
Acuado por uma investigação tocada por Itagiba, chefe da arapongagem de Serra desde os tempos do Ministério da Saúde, Aécio temia ter a reputação assassinada nos moldes do sucedido com Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão, em 2002. Naquele período, a dupla Itagiba-Serra articulou com a Polícia Federal a Operação Lunus, em São Luís (MA), que flagrou uma montanha de dinheiro sujo na empresa de Jorge Murad, marido de Roseana, então no PFL. Líder nas pesquisas, Roseana acabou fora do páreo após a imagem do dinheiro ter sido exibida diuturnamente nos telejornais. Serra acabou ungido a candidato da aliança à Presidência, mas foi derrotado por Lula. A família Sarney jamais perdoou o tucano pelo golpe.
Influente nos dois mandatos do irmão, Andréa Neves foi, por sete anos, presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) de Minas Gerais, cargo tradicional das primeiras-damas mineiras, ocupado por ela por conta da solteirice de Aécio. Mas nunca foi sopa quente ou agasalho para os pobres a vocação de Andréa. Desde os primeiros dias do primeiro mandato do irmão, ela foi escalada para intermediar as conversas entre o Palácio da Liberdade e a mídia local. Virou coordenadora do Grupo Técnico de Comunicação do governo, formalmente criado para estabelecer as diretrizes e a execução das políticas de prestação de contas à população. Suas relações com Gimenez se estreitaram.
Convenientemente apontado agora como “jornalista ligado ao PT”, Ribeiro Júnior sempre foi um franco-atirador da imprensa brasileira. E reconhecido. Aos 47 anos, ganhou três prêmios Esso e quatro vezes o Prêmio Vladimir Herzog, duas das mais prestigiadas premiações do jornalismo nativo. O repórter integra ainda o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e é um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Entre outros veículos, trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo e IstoÉ. Sempre se destacou como um farejador de notícia, sem vínculo com políticos e partidos. Também é reconhecido pela coragem pessoal. Nunca, portanto, se enquadrou no figurino de militante.
Em 19 de setembro de 2007, por exemplo, Ribeiro Júnior estava em um bar de Cidade Ocidental, em Goiás, no violento entorno do Distrito Federal, para onde havia ido a fim de fazer uma série de reportagens sobre a guerra dos traficantes locais. Enquanto tomava uma bebida, foi abordado por um garoto de boné, bermuda, casaco azul e chinelo com uma arma em punho. O jornalista pulou em cima do rapaz e, atracado ao agressor, levou um tiro na barriga. Levado consciente ao hospital, conseguiu se recuperar e, em dois meses, estava novamente a postos para trabalhar no Correio Braziliense, do mesmo grupo controlador do Estado de Minas, os Diários Associados. Gimenez acumula a direção de redação dos dois jornais.
Depois de baleado, Ribeiro Júnior, contratado pelos Diários Associados desde 2006, foi transferido para Belo Horizonte, no início de 2008, para sua própria segurança. A partir de então, passou a ficar livre para tocar a principal pauta de interesse de Gimenez: o dossiê de contrainformação encomendado para proteger Aécio do assédio da turma de Serra. O jornalista tinha viagens e despesas pagas pelo jornal mineiro e um lugar cativo na redação do Correio em Brasília, inclusive com um telefone particular. Aos colegas que perguntavam de suas rápidas incursões na capital federal, respondia, brincalhão: “Vim ferrar com o Serra”.
Na quarta-feira 20, por ordem do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a cúpula da PF foi obrigada a se movimentar para colocar nos eixos a história da quebra de sigilos. A intenção inicial era só divulgar os resultados após o término das eleições. O objetivo era evitar que as conclusões fossem interpretadas pelos tucanos como uma forma de tentar ajudar a campanha de Dilma Rousseff. Mas a reportagem da Folha, enviezada, obrigou o governo a mudar seus planos. E precipitou uma série de versões e um disse não disse, que acabou por atingir o tucanato de modo irremediável.
Em entrevista coletiva na quarta-feira 20, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o delegado Alessandro Moretti, da Divisão de Inteligência Policial (DIP), anunciaram não existir relação entre a quebra de sigilo em unidades paulistas da Receita Federal e a campanha presidencial de 2010. De acordo com Moretti, assim como constou de nota distribuída aos jornalistas, as provas colhidas revelaram que Ribeiro Júnior começou a fazer levantamento de informações de empresas e pessoas físicas ligadas a tucanos desde o fim de 2008, por conta do trabalho no Estado de Minas. A informação não convenceu boa parte da mídia, que tem arrumado maneiras às vezes muito criativas de manter aceso o suposto elo entre a quebra de sigilo e a campanha petista.
Em 120 dias de investigação, disse o delegado Moretti, foram ouvidas 37 testemunhas em mais de 50 depoimentos, que resultaram nos indiciamentos dos despachantes Dirceu Rodrigues Garcia e Antonio Carlos Atella, além do office-boy Ademir Cabral, da funcionária do Serpro cedida à Receita Federal Adeildda dos Santos, e Fernando Araújo Lopes, suspeito de pagar à servidora pela obtenção das declarações de Imposto de Renda. Ribeiro Júnior, embora tenha confessado à PF ter encomendado os documentos, ainda não foi indiciado. Seus advogados acreditam, porém, que ele não escapará. Um novo depoimento do jornalista à polícia já foi agendado.
De acordo com a investigação, a filha e o genro do candidato do PSDB, Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, tiveram os sigilos quebrados na delegacia da Receita de Santo André, no ABC Paulista. Outras cinco pessoas, das quais quatro ligadas ao PSDB, tiveram o sigilo violado em 8 de outubro de 2009, numa unidade da Receita em Mauá, também na Grande São Paulo. Entre elas aparecem o ex-ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, e Gregório Preciado, ex-sócio de Serra. O mesmo ocorreu em relação a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e tesoureiro de campanhas de Serra e FHC.
Segundo dados da PF, todas as quebras de sigilo ocorreram entre setembro e outubro de 2009. As informações foram utilizadas para a confecção de relatórios, e todas as despesas da ação do jornalista, segundo o próprio, foram custeadas pelo jornal mineiro. Mas o repórter informou aos policiais ter disposto de 12 mil reais, em dinheiro, para pagar pelos documentos – 8,4 mil reais, segundo Dirceu Garcia – e outras despesas de viagem e hospedagem. Garcia revelou ao Jornal Nacional, da TV Globo, na mesma quarta 20, ter recebido 5 mil reais de Ribeiro Júnior, entre 9 e 19 de setembro passado, como “auxílio”. A PF acredita que o “auxílio” é, na verdade, uma espécie de suborno para o despachante não confessar a quebra ilegal dos sigilos.
A nota da PF sobre a violação fez questão de frisar que “não foi comprovada sua utilização em campanha política”, base de toda a movimentação da mídia em torno de Ribeiro Júnior desde que, em abril, ele apareceu na revista Veja como integrante do tal “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff. Embora seja a tese de interesse da campanha tucana e, por extensão, dos veículos de comunicação engajados na candidatura de Serra, a ligação do jornalista com o PT não chegou a se consumar e é um desdobramento originado da encomenda feita por Aécio.
A vasta apuração da Operação Caribe foi transformada em uma reportagem jamais publicada pelo Estado de Minas. O material, de acordo com Ribeiro Júnior, acabou por render um livro que ele supostamente pretende lançar depois das eleições. Intitulado Os Porões da Privataria, a obra pretende denunciar supostos esquemas ilegais de financiamento, lavagem de dinheiro e transferência de recursos oriundos do processo de privatização de estatais durante o governo FHC para paraísos fiscais no exterior. De olho nessas informações, e preocupado com “espiões” infiltrados no comitê, o então coordenador de comunicação da pré-campanha de Dilma, Luiz Lanzetta, decidiu procurar o jornalista.
Lanzetta conhecia Ribeiro Júnior e também sabia que o jornalista tinha entre suas fontes notórios arapongas de Brasília. Foi o repórter quem intermediou o contato de Lanzetta com o ex-delegado Onézimo Souza e o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O quarteto encontrou-se no restaurante Fritz, localizado na Asa Sul da capital federal, em 20 de abril. Aqui, as versões do conteúdo do convescote divergem. Lanzetta e Ribeiro Júnior garantem que a intenção era contratar Souza para descobrir os supostos espiões. Segundo o delegado, além do monitoramento interno, a dupla queria também uma investigação contra Serra.
O encontro no Fritz acabou por causar uma enorme confusão na pré-campanha de Dilma e, embora não tenha resultado em nada, deu munição para a oposição e fez proliferar, na mídia, o mito do “grupo de inteligência” montado para fabricar dossiês contra Serra. A quebra dos sigilos tornou-se uma obsessão do programa eleitoral tucano, até que, ante a falta de dividendos eleitorais, partiu-se para um alvo mais eficiente: os escândalos de nepotismo a envolver a então ministra da Casa Civil Erenice Guerra.
O tal “grupo de inteligência” que nunca chegou a atuar está na base de outra disputa fratricida, desta vez no PT. De um lado, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte que indicou a empresa de Lanzetta, a Lanza Comunicações, para o trabalho no comitê eleitoral petista. Do outro, o deputado estadual por São Paulo Rui Falcão, interessado em assumir maior protagonismo na campanha de Dilma Rousseff. Essa guerra de poder e dinheiro resultou em um escândalo à moda desejada pelo PSDB.
Em um dos depoimentos à polícia, Ribeiro Júnior acusa Falcão de ter roubado de seu computador as informações dos sigilos fiscais dos tucanos. Segundo o jornalista, o deputado teria mandado invadir o quarto do hotel onde ele esteve hospedado em Brasília. Também atribuiu ao petista o vazamento de informações a Veja. O objetivo de Falcão seria afastar Lanzetta da pré-campanha e assumir maiores poderes. À Veja, Falcão teria se apresentado como o lúcido que impediu que vicejasse uma nova versão dos aloprados, alusão aos petistas presos em 2006 quando iriam comprar um dossiê contra Serra. Em nota oficial, o parlamentar rebateu as acusações. Segundo Falcão, Ribeiro Júnior terá de provar o que diz.
As conclusões do inquérito não satisfizeram a mídia. Na quinta 21, a tese central passou a ser de que Ribeiro Júnior estava de férias – e não a serviço do jornal – quando veio a São Paulo buscar a encomenda feita ao despachante. E que pagou a viagem de Brasília à capital paulista em dinheiro vivo. Mais: na volta das férias, o jornalista teria pedido demissão do Estado de Minas sem “maiores explicações”.
É o velho apego a temas acessórios para esconder o essencial. Por partes: A retirada dos documentos em São Paulo é resultado de uma apuração, conduzida, vê-se agora, por métodos ilegais, iniciada quase um ano antes. Não há dúvidas de que o diário mineiro pagou a maioria das despesas do repórter para o levantamento das informações. Ele não é filiado ao PT ou trabalhou na campanha ou na pré-campanha de Dilma.
Ribeiro Júnior pediu demissão, mas não de forma misteriosa como insinua a imprensa. O pedido ocorreu por causa da morte de seu pai, dono de uma pizzaria e uma fazenda em Mato Grosso. Sem outros parentes que pudessem cuidar do negócio, o jornalista decidiu trocar a carreira pela vida de pequeno empresário. Neste ano, decidiu regressar ao jornalismo. Hoje ele trabalha na TV Record.
Quando o resultado do inquérito veio à tona, a primeira reação do jornal mineiro foi soltar uma nota anódina que nem desmentia nem confirmava o teor dos depoimentos de Ribeiro Júnior. “O Estado de Minas é citado por parte da imprensa no episódio de possível violação de dados fiscais de pessoas ligadas à atual campanha eleitoral. Entende que isso é normal e recorrente, principalmente às vésperas da eleição, quando os debates se tornam acalorados”, diz o texto. “O jornalista Amaury Ribeiro Júnior trabalhou por três anos no Estado de Minas e publicou diversas reportagens. Nenhuma, absolutamente nenhuma, se referiu ao fato agora em questão. O Estado de Minas faz jornalismo.”
No momento em que o assunto tomou outra dimensão, a versão mudou bastante. Passou a circular a tese de que Ribeiro Júnior agiu por conta própria, durante suas férias. Procurado por CartaCapital, Gimenez ficou muito irritado com perguntas sobre a Operação Caribe. “Não sei de nada, isso é um absurdo, não estou lhe dando entrevista”, disse, alterado, ao telefone celular. Sobre a origem da pauta, foi ainda mais nervoso. “Você tem de perguntar ao Amaury”, arrematou. Antes de desligar, anunciou que iria divulgar uma nova nota pública, desta vez para provar que Ribeiro Júnior, funcionário com quem manteve uma relação de confiança profissional de quase cinco anos, não trabalhava mais nos Diários Associados quando os sigilos dos tucanos foram quebrados na Receita.
A nota, ao que parece, nem precisou ser redigida. Antes da declaração de Gimenez a CartaCapital, o UOL, portal na internet do Grupo Folha, deu guarida à versão. Em seguida, ela se espalhou pelo noticiário. Convenientemente.
O que Gimenez não pode negar é a adesão do Estado de Minas ao governador Aécio Neves na luta contra a indicação de Serra. Ela se tornou explícita em 3 de fevereiro deste ano, quando um editorial do jornal intitulado Minas a Reboque, Não! soou como um grito de guerra contra o tucanato paulista. No texto, iniciado com a palavra “indignação”, o diário partiu para cima da decisão do PSDB de negar as prévias e impor a candidatura de Serra contra as pretensões de Aécio. Também pareceu uma resposta às insinuações maldosas de um articulista de O Estado de S. Paulo dirigidas ao governador de Minas.
“Os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves”, tascou o editorial. Em seguida, desfiam-se as piores previsões possíveis para a candidatura de Serra: “Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra”. E termina, melancólico: “Perplexos ante mais essa demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros estão, porém, seguros de que o governador ‘político de alta linhagem de Minas’ vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem. Ele sabe que, a reboque das composições que a mantiveram fora do poder central nos últimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer não”.
Ao longo da semana, Aécio desmentiu mais de uma vez qualquer envolvimento com o episódio. “Repudio com veemência e indignação a tentativa de vinculação do meu nome às graves ações envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr., a quem não conheço e com quem jamais mantive qualquer tipo de relação”, afirmou. O senador recém-eleito disse ainda que o Brasil sabe quem tem o DNA dos dossiês, em referência ao PT.
Itagiba, derrotado nas últimas eleições, também refutou as acusações de que teria comandado um grupo de espionagem com o intuito de atingir Aécio Neves, no meio da briga pela realização de prévias no PSDB. “Não sou araponga. Quando fui delegado fazia investigação em inquérito aberto, não espionagem...
Leandro Fortes
A mídia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra é fruto de uma guerra tucana
Apesar do esforço em atribuir a culpa à campanha de Dilma Rousseff, o escândalo da quebra dos sigilos fiscais de políticos do PSDB e de parentes do candidato José Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.
Obrigada a abrir os resultados do inquérito após uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclusões distorcidas, a Polícia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. O serviço ilegal foi pago. E há, como se verá adiante, divergências nos valores desembolsados (o pagamento teria variado, segundo as inúmeras versões, de 8 mil a 13 mil reais).
Ribeiro Júnior prestou três depoimentos à PF. No primeiro, afirmou que todos os documentos em seu poder haviam sido obtidos de forma legal, em processos públicos. Confrontado com as apurações policiais, que indicavam o contrário, foi obrigado nos demais a revelar a verdade. Segundo contou o próprio repórter, a encomenda aos despachantes fazia parte de uma investigação jornalística iniciada a pedido do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que buscava uma forma de neutralizar a arapongagem contra ele conduzida pelo deputado federal e ex-delegado Marcelo Itagiba, do PSDB. Itagiba, diz Ribeiro Júnior, agiria a mando de Serra. À época, Aécio disputava com o colega paulista a indicação como candidato à Presidência pelo partido.
Ribeiro Júnior disse à PF ter sido escalado para o serviço diretamente pelo diretor de redação do jornal mineiro, Josemar Gimenez, próximo à irmã de Aécio, Andréa Neves. A apuração, que visava levantar escândalos a envolver Serra e seus aliados durante o processo de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso, foi apelidada de Operação Caribe. O nome sugestivo teria a ver com supostas remessas ilegais a paraísos fiscais.
Acuado por uma investigação tocada por Itagiba, chefe da arapongagem de Serra desde os tempos do Ministério da Saúde, Aécio temia ter a reputação assassinada nos moldes do sucedido com Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão, em 2002. Naquele período, a dupla Itagiba-Serra articulou com a Polícia Federal a Operação Lunus, em São Luís (MA), que flagrou uma montanha de dinheiro sujo na empresa de Jorge Murad, marido de Roseana, então no PFL. Líder nas pesquisas, Roseana acabou fora do páreo após a imagem do dinheiro ter sido exibida diuturnamente nos telejornais. Serra acabou ungido a candidato da aliança à Presidência, mas foi derrotado por Lula. A família Sarney jamais perdoou o tucano pelo golpe.
Influente nos dois mandatos do irmão, Andréa Neves foi, por sete anos, presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) de Minas Gerais, cargo tradicional das primeiras-damas mineiras, ocupado por ela por conta da solteirice de Aécio. Mas nunca foi sopa quente ou agasalho para os pobres a vocação de Andréa. Desde os primeiros dias do primeiro mandato do irmão, ela foi escalada para intermediar as conversas entre o Palácio da Liberdade e a mídia local. Virou coordenadora do Grupo Técnico de Comunicação do governo, formalmente criado para estabelecer as diretrizes e a execução das políticas de prestação de contas à população. Suas relações com Gimenez se estreitaram.
Convenientemente apontado agora como “jornalista ligado ao PT”, Ribeiro Júnior sempre foi um franco-atirador da imprensa brasileira. E reconhecido. Aos 47 anos, ganhou três prêmios Esso e quatro vezes o Prêmio Vladimir Herzog, duas das mais prestigiadas premiações do jornalismo nativo. O repórter integra ainda o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e é um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Entre outros veículos, trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo e IstoÉ. Sempre se destacou como um farejador de notícia, sem vínculo com políticos e partidos. Também é reconhecido pela coragem pessoal. Nunca, portanto, se enquadrou no figurino de militante.
Em 19 de setembro de 2007, por exemplo, Ribeiro Júnior estava em um bar de Cidade Ocidental, em Goiás, no violento entorno do Distrito Federal, para onde havia ido a fim de fazer uma série de reportagens sobre a guerra dos traficantes locais. Enquanto tomava uma bebida, foi abordado por um garoto de boné, bermuda, casaco azul e chinelo com uma arma em punho. O jornalista pulou em cima do rapaz e, atracado ao agressor, levou um tiro na barriga. Levado consciente ao hospital, conseguiu se recuperar e, em dois meses, estava novamente a postos para trabalhar no Correio Braziliense, do mesmo grupo controlador do Estado de Minas, os Diários Associados. Gimenez acumula a direção de redação dos dois jornais.
Depois de baleado, Ribeiro Júnior, contratado pelos Diários Associados desde 2006, foi transferido para Belo Horizonte, no início de 2008, para sua própria segurança. A partir de então, passou a ficar livre para tocar a principal pauta de interesse de Gimenez: o dossiê de contrainformação encomendado para proteger Aécio do assédio da turma de Serra. O jornalista tinha viagens e despesas pagas pelo jornal mineiro e um lugar cativo na redação do Correio em Brasília, inclusive com um telefone particular. Aos colegas que perguntavam de suas rápidas incursões na capital federal, respondia, brincalhão: “Vim ferrar com o Serra”.
Na quarta-feira 20, por ordem do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a cúpula da PF foi obrigada a se movimentar para colocar nos eixos a história da quebra de sigilos. A intenção inicial era só divulgar os resultados após o término das eleições. O objetivo era evitar que as conclusões fossem interpretadas pelos tucanos como uma forma de tentar ajudar a campanha de Dilma Rousseff. Mas a reportagem da Folha, enviezada, obrigou o governo a mudar seus planos. E precipitou uma série de versões e um disse não disse, que acabou por atingir o tucanato de modo irremediável.
Em entrevista coletiva na quarta-feira 20, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o delegado Alessandro Moretti, da Divisão de Inteligência Policial (DIP), anunciaram não existir relação entre a quebra de sigilo em unidades paulistas da Receita Federal e a campanha presidencial de 2010. De acordo com Moretti, assim como constou de nota distribuída aos jornalistas, as provas colhidas revelaram que Ribeiro Júnior começou a fazer levantamento de informações de empresas e pessoas físicas ligadas a tucanos desde o fim de 2008, por conta do trabalho no Estado de Minas. A informação não convenceu boa parte da mídia, que tem arrumado maneiras às vezes muito criativas de manter aceso o suposto elo entre a quebra de sigilo e a campanha petista.
Em 120 dias de investigação, disse o delegado Moretti, foram ouvidas 37 testemunhas em mais de 50 depoimentos, que resultaram nos indiciamentos dos despachantes Dirceu Rodrigues Garcia e Antonio Carlos Atella, além do office-boy Ademir Cabral, da funcionária do Serpro cedida à Receita Federal Adeildda dos Santos, e Fernando Araújo Lopes, suspeito de pagar à servidora pela obtenção das declarações de Imposto de Renda. Ribeiro Júnior, embora tenha confessado à PF ter encomendado os documentos, ainda não foi indiciado. Seus advogados acreditam, porém, que ele não escapará. Um novo depoimento do jornalista à polícia já foi agendado.
De acordo com a investigação, a filha e o genro do candidato do PSDB, Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, tiveram os sigilos quebrados na delegacia da Receita de Santo André, no ABC Paulista. Outras cinco pessoas, das quais quatro ligadas ao PSDB, tiveram o sigilo violado em 8 de outubro de 2009, numa unidade da Receita em Mauá, também na Grande São Paulo. Entre elas aparecem o ex-ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, e Gregório Preciado, ex-sócio de Serra. O mesmo ocorreu em relação a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e tesoureiro de campanhas de Serra e FHC.
Segundo dados da PF, todas as quebras de sigilo ocorreram entre setembro e outubro de 2009. As informações foram utilizadas para a confecção de relatórios, e todas as despesas da ação do jornalista, segundo o próprio, foram custeadas pelo jornal mineiro. Mas o repórter informou aos policiais ter disposto de 12 mil reais, em dinheiro, para pagar pelos documentos – 8,4 mil reais, segundo Dirceu Garcia – e outras despesas de viagem e hospedagem. Garcia revelou ao Jornal Nacional, da TV Globo, na mesma quarta 20, ter recebido 5 mil reais de Ribeiro Júnior, entre 9 e 19 de setembro passado, como “auxílio”. A PF acredita que o “auxílio” é, na verdade, uma espécie de suborno para o despachante não confessar a quebra ilegal dos sigilos.
A nota da PF sobre a violação fez questão de frisar que “não foi comprovada sua utilização em campanha política”, base de toda a movimentação da mídia em torno de Ribeiro Júnior desde que, em abril, ele apareceu na revista Veja como integrante do tal “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff. Embora seja a tese de interesse da campanha tucana e, por extensão, dos veículos de comunicação engajados na candidatura de Serra, a ligação do jornalista com o PT não chegou a se consumar e é um desdobramento originado da encomenda feita por Aécio.
A vasta apuração da Operação Caribe foi transformada em uma reportagem jamais publicada pelo Estado de Minas. O material, de acordo com Ribeiro Júnior, acabou por render um livro que ele supostamente pretende lançar depois das eleições. Intitulado Os Porões da Privataria, a obra pretende denunciar supostos esquemas ilegais de financiamento, lavagem de dinheiro e transferência de recursos oriundos do processo de privatização de estatais durante o governo FHC para paraísos fiscais no exterior. De olho nessas informações, e preocupado com “espiões” infiltrados no comitê, o então coordenador de comunicação da pré-campanha de Dilma, Luiz Lanzetta, decidiu procurar o jornalista.
Lanzetta conhecia Ribeiro Júnior e também sabia que o jornalista tinha entre suas fontes notórios arapongas de Brasília. Foi o repórter quem intermediou o contato de Lanzetta com o ex-delegado Onézimo Souza e o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O quarteto encontrou-se no restaurante Fritz, localizado na Asa Sul da capital federal, em 20 de abril. Aqui, as versões do conteúdo do convescote divergem. Lanzetta e Ribeiro Júnior garantem que a intenção era contratar Souza para descobrir os supostos espiões. Segundo o delegado, além do monitoramento interno, a dupla queria também uma investigação contra Serra.
O encontro no Fritz acabou por causar uma enorme confusão na pré-campanha de Dilma e, embora não tenha resultado em nada, deu munição para a oposição e fez proliferar, na mídia, o mito do “grupo de inteligência” montado para fabricar dossiês contra Serra. A quebra dos sigilos tornou-se uma obsessão do programa eleitoral tucano, até que, ante a falta de dividendos eleitorais, partiu-se para um alvo mais eficiente: os escândalos de nepotismo a envolver a então ministra da Casa Civil Erenice Guerra.
O tal “grupo de inteligência” que nunca chegou a atuar está na base de outra disputa fratricida, desta vez no PT. De um lado, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte que indicou a empresa de Lanzetta, a Lanza Comunicações, para o trabalho no comitê eleitoral petista. Do outro, o deputado estadual por São Paulo Rui Falcão, interessado em assumir maior protagonismo na campanha de Dilma Rousseff. Essa guerra de poder e dinheiro resultou em um escândalo à moda desejada pelo PSDB.
Em um dos depoimentos à polícia, Ribeiro Júnior acusa Falcão de ter roubado de seu computador as informações dos sigilos fiscais dos tucanos. Segundo o jornalista, o deputado teria mandado invadir o quarto do hotel onde ele esteve hospedado em Brasília. Também atribuiu ao petista o vazamento de informações a Veja. O objetivo de Falcão seria afastar Lanzetta da pré-campanha e assumir maiores poderes. À Veja, Falcão teria se apresentado como o lúcido que impediu que vicejasse uma nova versão dos aloprados, alusão aos petistas presos em 2006 quando iriam comprar um dossiê contra Serra. Em nota oficial, o parlamentar rebateu as acusações. Segundo Falcão, Ribeiro Júnior terá de provar o que diz.
As conclusões do inquérito não satisfizeram a mídia. Na quinta 21, a tese central passou a ser de que Ribeiro Júnior estava de férias – e não a serviço do jornal – quando veio a São Paulo buscar a encomenda feita ao despachante. E que pagou a viagem de Brasília à capital paulista em dinheiro vivo. Mais: na volta das férias, o jornalista teria pedido demissão do Estado de Minas sem “maiores explicações”.
É o velho apego a temas acessórios para esconder o essencial. Por partes: A retirada dos documentos em São Paulo é resultado de uma apuração, conduzida, vê-se agora, por métodos ilegais, iniciada quase um ano antes. Não há dúvidas de que o diário mineiro pagou a maioria das despesas do repórter para o levantamento das informações. Ele não é filiado ao PT ou trabalhou na campanha ou na pré-campanha de Dilma.
Ribeiro Júnior pediu demissão, mas não de forma misteriosa como insinua a imprensa. O pedido ocorreu por causa da morte de seu pai, dono de uma pizzaria e uma fazenda em Mato Grosso. Sem outros parentes que pudessem cuidar do negócio, o jornalista decidiu trocar a carreira pela vida de pequeno empresário. Neste ano, decidiu regressar ao jornalismo. Hoje ele trabalha na TV Record.
Quando o resultado do inquérito veio à tona, a primeira reação do jornal mineiro foi soltar uma nota anódina que nem desmentia nem confirmava o teor dos depoimentos de Ribeiro Júnior. “O Estado de Minas é citado por parte da imprensa no episódio de possível violação de dados fiscais de pessoas ligadas à atual campanha eleitoral. Entende que isso é normal e recorrente, principalmente às vésperas da eleição, quando os debates se tornam acalorados”, diz o texto. “O jornalista Amaury Ribeiro Júnior trabalhou por três anos no Estado de Minas e publicou diversas reportagens. Nenhuma, absolutamente nenhuma, se referiu ao fato agora em questão. O Estado de Minas faz jornalismo.”
No momento em que o assunto tomou outra dimensão, a versão mudou bastante. Passou a circular a tese de que Ribeiro Júnior agiu por conta própria, durante suas férias. Procurado por CartaCapital, Gimenez ficou muito irritado com perguntas sobre a Operação Caribe. “Não sei de nada, isso é um absurdo, não estou lhe dando entrevista”, disse, alterado, ao telefone celular. Sobre a origem da pauta, foi ainda mais nervoso. “Você tem de perguntar ao Amaury”, arrematou. Antes de desligar, anunciou que iria divulgar uma nova nota pública, desta vez para provar que Ribeiro Júnior, funcionário com quem manteve uma relação de confiança profissional de quase cinco anos, não trabalhava mais nos Diários Associados quando os sigilos dos tucanos foram quebrados na Receita.
A nota, ao que parece, nem precisou ser redigida. Antes da declaração de Gimenez a CartaCapital, o UOL, portal na internet do Grupo Folha, deu guarida à versão. Em seguida, ela se espalhou pelo noticiário. Convenientemente.
O que Gimenez não pode negar é a adesão do Estado de Minas ao governador Aécio Neves na luta contra a indicação de Serra. Ela se tornou explícita em 3 de fevereiro deste ano, quando um editorial do jornal intitulado Minas a Reboque, Não! soou como um grito de guerra contra o tucanato paulista. No texto, iniciado com a palavra “indignação”, o diário partiu para cima da decisão do PSDB de negar as prévias e impor a candidatura de Serra contra as pretensões de Aécio. Também pareceu uma resposta às insinuações maldosas de um articulista de O Estado de S. Paulo dirigidas ao governador de Minas.
“Os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves”, tascou o editorial. Em seguida, desfiam-se as piores previsões possíveis para a candidatura de Serra: “Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra”. E termina, melancólico: “Perplexos ante mais essa demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros estão, porém, seguros de que o governador ‘político de alta linhagem de Minas’ vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem. Ele sabe que, a reboque das composições que a mantiveram fora do poder central nos últimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer não”.
Ao longo da semana, Aécio desmentiu mais de uma vez qualquer envolvimento com o episódio. “Repudio com veemência e indignação a tentativa de vinculação do meu nome às graves ações envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr., a quem não conheço e com quem jamais mantive qualquer tipo de relação”, afirmou. O senador recém-eleito disse ainda que o Brasil sabe quem tem o DNA dos dossiês, em referência ao PT.
Itagiba, derrotado nas últimas eleições, também refutou as acusações de que teria comandado um grupo de espionagem com o intuito de atingir Aécio Neves, no meio da briga pela realização de prévias no PSDB. “Não sou araponga. Quando fui delegado fazia investigação em inquérito aberto, não espionagem...
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Leandro Fortes
Jornal mineiro Hoje em Dia avança detalhes do dossiê:Origem do documento está na disputa entre Serra e Aécio no PSDB
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luisnassif, sex, 22/10/2010 - 00:21
Por Marco St.
Nassif, enquanto o povo se preocupa em descobrir se foi "bolinha ou fita crepe" que atingiu o Serra, o jornal Hoje em Dia, publica 2 reportagens que desnudam completamente a briga entre os tucanatos paulistas e mineiros. Vale a pena abrir post para as duas reportagens pois elas desmentem completamente o jornal Estado de Minas e a Globo!!!
le="margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em;">http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/politica/briga-e...
http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/politica/pf-desc...
Dossiê contra Serra foi tramado no Estado de Minas
Pasta começou a ser montada depois que o deputado Marcelo Itagiba inicia suposta investigação sobre Aécio Neves
Alexandre Simões e Alex Capella - Coordenadores - 21/10/2010 - 08:45
CARLOS RHIENCK
Origem do documento está na disputa entre Serra e Aécio no PSDB
Relatório da Polícia Federal (PF), divulgado na quarta-feira (20), sinaliza que a montagem do chamado “dossiê tucano” foi acertada em 2009, em Brasília, quando o jornalista Amaury Ribeiro Júnior descobriu que o deputado Marcelo Itagiba (RJ) reuniu um grupo de espionagem, a serviço de José Serra, para devassar a vida do ex-governador de Minas Aécio Neves. Mas a documentação começou a ser reunida bem antes, no início de 2008, em Belo Horizonte.
No primeiro trimestre de 2008, muito antes de se decidir sobre os possíveis candidatos à Presidência, o dossiê já era montado na capital mineira. A investigação do jornalista mirava as movimentações financeiras das empresas ‘Decidir.com’, com sede nas Ilhas Virgens, e Patagon, na Argentina.
Repórter especial do jornal “Estado de Minas”, Amaury Ribeiro Júnior foi o responsável pelo levantamento, com base nos dados produzidos durante as investigações da CPI do Banestado, iniciada em 2003, sobre a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais entre 1996 e 2002 – cerca de US$ 84 bilhões.
Ainda no início de 2008, durante a produção do dossiê, Amaury Ribeiro Júnior manteve contato com José Serra, em São Paulo, depois de fazer todas as apurações das movimentações das duas empresas suspeitas de lavagem de dinheiro, e que pertenciam a Verônica Serra, filha de Serra, e Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity. Com o conhecimento do dossiê, Serra viajou para Belo Horizonte, onde participou das comemorações dos 80 anos do jornal “Estado de Minas”, em festa no Palácio das Artes para 2 mil convidados.
Além dele, outro governador presente foi José Roberto Arruda, do Distrito Federal, cotado para ser o vice de Serra, indicado pelo DEM, numa chapa com o PSDB. Arruda acabou perdendo o seu mandato no ano passado, após série de denúncias contra seu Governo. Estava presente ainda seu vice, Paulo Octávio, que também caiu.
O assunto dominante na noite foi o recado a José Serra dado, indiretamente, em discurso pelo diretor do jornal, Álvaro Teixeira da Costa: “Não mexa com Minas, que Minas reage” – referência à possível espionagem de Itagiba contra Aécio Neves.
No final do ano passado, quando os nomes da corrida presidencial estavam praticamente definidos, o jornalista deixou o jornal. A notícia do dossiê chegou à cúpula tucana. O caso foi abafado.
Com a documentação em mãos, Amaury Ribeiro Júnior se encontrou com Luiz Lanzetta, responsável, até então, pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O encontro aconteceu em abril, em Brasília. Amaury confirmou que, durante o período em que ficou em Brasília, negociou com a equipe da pré-campanha de Dilma Rousseff. O jornalista ficou hospedado num flat e as despesas teriam sido pagas por “uma pessoa do PT” ligada à candidatura governista.
A notícia de que Lanzetta participava da montagem do dossiê fez com que a direção do PT o afastasse. Ele deixou a campanha em junho, após a revelação do caso, negando participação na reunião dos documentos, que havia começado em 2008. Até o final de 2009, o levantamento em torno da movimentação de recursos feita pelas empresas da filha de Serra e da irmã de Dantas já estava concluído. Em nota, a PF afirma que ficou constatado que os dados do dossiê foram utilizados para elaboração de relatórios, “mas não foi comprovada sua utilização na campanha política”.
Por meio de sua assessoria, o senador eleito Aécio Neves rechaçou, ontem, qualquer ligação com o episódio, e disse que a prática de quebra de sigilo nunca fez parte de sua trajetória política, “em mais de 20 anos de vida pública”. Itagiba também negou ter participado de um grupo de espionagem a serviço de Serra. O jornal “Estado de Minas” “entende que isso (denúncias) é normal e recorrente às vésperas da eleição”.
Conforme a PF, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante paulista Dirceu Garcia para obter as informações sobre os tucanos entre setembro e outubro de 2009. O jornalista não revelou de onde teria saído o dinheiro. A PF ouviu 37 pessoas. Amaury Júnior pode ser indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção.
Dutra nega ligação com quebra de sigilo
BRASÍLIA – Presidente do PT, José Eduardo Dutra voltou a negar nesta quarta-feira qualquer envolvimento do partido e da presidenciável Dilma Rousseff na elaboração de dossiês relacionados ao caso Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB. Ele disse que o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, apontado pela Polícia Federal como mandante da quebra de sigilo fiscal de Eduardo Jorge, nunca trabalhou na campanha.
“O único contrato dele era com o (Luiz) Lanzetta (dono da Lanza Comunicação), que era contratado pela campanha. Mas eu nem conheço o Amaury. A nossa afirmação é a mesma desde o início. Nunca encomendamos ou mandamos elaborar um dossiê”, disse Dutra, aproveitando para acusar o próprio PSDB. “Parece mais uma briga instalada dentro do tucanato que quiseram colocar no nosso colo”.
A investigação da Polícia Federal, praticamente concluída, informa que o jornalista levantou as informações para o jornal “Estado de Minas”. Na época, outubro do ano passado, ele trabalhava para o jornal. Amaury pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia que, a partir de uma rede de auxiliares, obteve os dados de Eduardo Jorge na Receita Federal.
Em depoimento de oito horas à Polícia Federal, Amaury disse que ano passado, quando estava no “Estado de Minas”, foi escalado para investigar um suposto esquema de espionagem, contra o ex-governador Aécio Neves (PSDB), que teria sido montado por um suposto grupo do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra. Ele e Aécio eram potenciais candidatos do PSDB à presidência da República. O jornalista disse que, ainda em outubro do ano passado, entregou um relatório do caso ao “Estado de Minas” e deixou o jornal. As informações não foram publicadas.
No início deste ano, Amaury, que mantinha cópia do relatório em seu computador pessoal, foi chamado pelo empresário Luiz Lanzetta para montar uma equipe de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. A tarefa seria conter vazamentos de informações do comitê central da campanha da ex-ministra.
A formação da equipe de inteligência – que contaria com a participação do sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Mathias, o Dadá, e o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo Souza – foi abortada antes da criação do grupo. Lanzetta se desentendeu com Onézimo sobre valores e o tipo de serviço que seria prestado.
Depois da briga, o caso foi tornado público e se transformou num dos grandes escândalos da campanha eleitoral. A partir daí, os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Marcelo Itagiba pediram à PF para investigar a denúncia. Sete pessoas já foram indiciadas.
Dossiê tucano
Origem em BH
2008
- Antes de se decidir os possíveis candidatos à Presidência, um dossiê começou a ser montado em Belo Horizonte. A intenção era de levantar a movimentação financeira das empresas Decidir.com., com sede nas Ilhas Virgens, e Patagon, na Argentina.
- Jornalista com vínculo profissional com o jornal “Estado de Minas”, Amaury Ribeiro Júnior foi o responsável pelo levantamento do material, com base na CPI do Banestado, em 2003. A CPI investigou a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais entre 1996 e 2002, num total de cerca de US$ 84 bilhões.
- Durante a produção do dossiê, o jornalista manteve o contato com José Serra, em São Paulo, depois de fazer todas as apurações das movimentações das duas empresas. A Decidir.com e Patagon eram das sócias Verônica Serra, filha de Serra, e de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity.
- Com o conhecimento do dossiê, Serra viajou para Belo Horizonte para participar das comemorações dos 80 anos do jornal “Estado de Minas”. Além dele, outro governador presente foi José Roberto Arruda, do Distrito Federal, cotado para ser o vice indicado pelo DEM numa chapa com o PSDB. Arruda acabou perdendo mandato.
O assunto dominante na noite era o recado claro a José Serra, dado inclusive, indiretamente, no discurso de um dos diretores do jornal, que garantiu: “Não mexa com Minas, que Minas reage”.
Conclusões da PF
2009
- Os dados dos tucanos foram encomendados pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior. jornalista não só fazia a encomenda dos dados obtidos ilegalmente em agências da Receita em São Paulo, mas ia a capital paulista buscar os documentos. As viagens eram pagas pelo jornal.
- Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia, que trabalha em São Paulo. A PF não sabe de onde saiu o dinheiro.
- Garcia confirmou que Amaury pagou pelos dados do genro de José Serra, Alexandre Bourgeois, do dirigente tucano Eduardo Jorge, das sócias Verônica Dantas e Verônica Serra, além de outros integrantes do PSDB.
- O jornalista decidiu fazer a investigação depois de descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria comandando um grupo de espionagem a serviço de José Serra para devassar a vida do ex-governador Aécio Neves que tinha a intenção de disputar a Presidência.
- Depois de deixar o emprego no jornal, no final de 2009, o jornalista participou de uma reunião, em abril passado, com integrantes da pré-campanha de Dilma Rousseff, em Brasília.No encontro, estava presente o delegado Onésimo de Souza.
PF descobre que Estado de Minas pagou passagens do jornalista do dossiê
Jornal arcou com despesas até julho de 2009, e as demais foram quitadas pelo funcionário Marcelo Augusto de Oliveira
Da Redação - 21/10/2010 - 23:43
CARLOS RHIENCK
Origem do documento está na disputa entre Serra e Aécio no PSDB
O Jornal Estado de Minas pagou as passagens aéreas do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a violação dos sigilos fiscais dos tucanos. Em depoimento à Polícia Federal, Amaury afirmou que deixou oficialmente o jornal em 16 de outubro, tendo gozado férias de 30 dias antes disso. A quebra dos sigilos fiscais dos tucanos ocorreu entre 29 de setembro e 8 de outubro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao jornal.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, uma declaração da agência de turismo confirma que o Estado de Minas só pagou, em nome da empresa, viagens para Amaury até julho do ano passado. A partir de setembro, os bilhetes, inclusive os adquiridos no período da quebra do sigilo fiscal, foram faturados em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, funcionário do jornal até hoje. Dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário.
A direção do jornal negou, em nota divulgada nesta quinta-feira (21), que tenha pago viagens de Amaury durante as férias. "Amaury Ribeiro Júnior trabalhou como repórter do Estado de Minas de 25 de setembro de 2006 a 15 de outubro de 2009. No dia 25 de setembro de 2009, o jornalista entrou em férias e as gozou até o dia 14 de outubro do mesmo ano. No dia 15 de outubro, o repórter pediu demissão. Nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal", diz a nota.
Em depoimento à PF, o despachante paulista Dirceu Garcia admitiu que recebeu R$ 12 mil em dinheiro de Amaury para comprar as declarações de renda das pessoas próximas a Serra. Por sua vez, o jornalista confirmou que conhecia o despachante e que encomendou buscas em juntas comerciais, mas negou a compra de documentos sigilosos e desconversou sobre a forma de pagamento. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.
A PF informou que Amaury Ribeiro Jr. disse que estava levantando as informações contra José Serra porque havia indícios de que um grupo de arapongagem ligado ao ex-governador de São Paulo estaria investigando Aécio Neves, à época cotado para ser o candidato tucano à Presidência. No entanto, no depoimento prestado à PF em 15 de outubro, Amaury diz que existe um grupo de inteligência tucano, comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-SP), mas não cita o nome nem faz menção ao ex-governador de Minas Gerais. Afirma que ouviu relatos de que o grupo tucano “estaria adiantado” em relação aos petistas e que, por isso, seria importante que a campanha de Dilma também tivesse seu próprio núcleo de inteligência.
- O delegado afirmou à polícia que foi chamado para cuidar da segurança do escritório do jornalista Luiz Lanzetta, responsável, até então, pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma. Lanzetta deixou a campanha em junho, após a revelação do caso, negando que teria participado da criação do dossiê.
luisnassif, sex, 22/10/2010 - 00:21
Por Marco St.
Nassif, enquanto o povo se preocupa em descobrir se foi "bolinha ou fita crepe" que atingiu o Serra, o jornal Hoje em Dia, publica 2 reportagens que desnudam completamente a briga entre os tucanatos paulistas e mineiros. Vale a pena abrir post para as duas reportagens pois elas desmentem completamente o jornal Estado de Minas e a Globo!!!
le="margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em;">http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/politica/briga-e...
http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/politica/pf-desc...
Dossiê contra Serra foi tramado no Estado de Minas
Pasta começou a ser montada depois que o deputado Marcelo Itagiba inicia suposta investigação sobre Aécio Neves
Alexandre Simões e Alex Capella - Coordenadores - 21/10/2010 - 08:45
CARLOS RHIENCK
Origem do documento está na disputa entre Serra e Aécio no PSDB
Relatório da Polícia Federal (PF), divulgado na quarta-feira (20), sinaliza que a montagem do chamado “dossiê tucano” foi acertada em 2009, em Brasília, quando o jornalista Amaury Ribeiro Júnior descobriu que o deputado Marcelo Itagiba (RJ) reuniu um grupo de espionagem, a serviço de José Serra, para devassar a vida do ex-governador de Minas Aécio Neves. Mas a documentação começou a ser reunida bem antes, no início de 2008, em Belo Horizonte.
No primeiro trimestre de 2008, muito antes de se decidir sobre os possíveis candidatos à Presidência, o dossiê já era montado na capital mineira. A investigação do jornalista mirava as movimentações financeiras das empresas ‘Decidir.com’, com sede nas Ilhas Virgens, e Patagon, na Argentina.
Repórter especial do jornal “Estado de Minas”, Amaury Ribeiro Júnior foi o responsável pelo levantamento, com base nos dados produzidos durante as investigações da CPI do Banestado, iniciada em 2003, sobre a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais entre 1996 e 2002 – cerca de US$ 84 bilhões.
Ainda no início de 2008, durante a produção do dossiê, Amaury Ribeiro Júnior manteve contato com José Serra, em São Paulo, depois de fazer todas as apurações das movimentações das duas empresas suspeitas de lavagem de dinheiro, e que pertenciam a Verônica Serra, filha de Serra, e Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity. Com o conhecimento do dossiê, Serra viajou para Belo Horizonte, onde participou das comemorações dos 80 anos do jornal “Estado de Minas”, em festa no Palácio das Artes para 2 mil convidados.
Além dele, outro governador presente foi José Roberto Arruda, do Distrito Federal, cotado para ser o vice de Serra, indicado pelo DEM, numa chapa com o PSDB. Arruda acabou perdendo o seu mandato no ano passado, após série de denúncias contra seu Governo. Estava presente ainda seu vice, Paulo Octávio, que também caiu.
O assunto dominante na noite foi o recado a José Serra dado, indiretamente, em discurso pelo diretor do jornal, Álvaro Teixeira da Costa: “Não mexa com Minas, que Minas reage” – referência à possível espionagem de Itagiba contra Aécio Neves.
No final do ano passado, quando os nomes da corrida presidencial estavam praticamente definidos, o jornalista deixou o jornal. A notícia do dossiê chegou à cúpula tucana. O caso foi abafado.
Com a documentação em mãos, Amaury Ribeiro Júnior se encontrou com Luiz Lanzetta, responsável, até então, pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O encontro aconteceu em abril, em Brasília. Amaury confirmou que, durante o período em que ficou em Brasília, negociou com a equipe da pré-campanha de Dilma Rousseff. O jornalista ficou hospedado num flat e as despesas teriam sido pagas por “uma pessoa do PT” ligada à candidatura governista.
A notícia de que Lanzetta participava da montagem do dossiê fez com que a direção do PT o afastasse. Ele deixou a campanha em junho, após a revelação do caso, negando participação na reunião dos documentos, que havia começado em 2008. Até o final de 2009, o levantamento em torno da movimentação de recursos feita pelas empresas da filha de Serra e da irmã de Dantas já estava concluído. Em nota, a PF afirma que ficou constatado que os dados do dossiê foram utilizados para elaboração de relatórios, “mas não foi comprovada sua utilização na campanha política”.
Por meio de sua assessoria, o senador eleito Aécio Neves rechaçou, ontem, qualquer ligação com o episódio, e disse que a prática de quebra de sigilo nunca fez parte de sua trajetória política, “em mais de 20 anos de vida pública”. Itagiba também negou ter participado de um grupo de espionagem a serviço de Serra. O jornal “Estado de Minas” “entende que isso (denúncias) é normal e recorrente às vésperas da eleição”.
Conforme a PF, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante paulista Dirceu Garcia para obter as informações sobre os tucanos entre setembro e outubro de 2009. O jornalista não revelou de onde teria saído o dinheiro. A PF ouviu 37 pessoas. Amaury Júnior pode ser indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção.
Dutra nega ligação com quebra de sigilo
BRASÍLIA – Presidente do PT, José Eduardo Dutra voltou a negar nesta quarta-feira qualquer envolvimento do partido e da presidenciável Dilma Rousseff na elaboração de dossiês relacionados ao caso Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB. Ele disse que o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, apontado pela Polícia Federal como mandante da quebra de sigilo fiscal de Eduardo Jorge, nunca trabalhou na campanha.
“O único contrato dele era com o (Luiz) Lanzetta (dono da Lanza Comunicação), que era contratado pela campanha. Mas eu nem conheço o Amaury. A nossa afirmação é a mesma desde o início. Nunca encomendamos ou mandamos elaborar um dossiê”, disse Dutra, aproveitando para acusar o próprio PSDB. “Parece mais uma briga instalada dentro do tucanato que quiseram colocar no nosso colo”.
A investigação da Polícia Federal, praticamente concluída, informa que o jornalista levantou as informações para o jornal “Estado de Minas”. Na época, outubro do ano passado, ele trabalhava para o jornal. Amaury pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia que, a partir de uma rede de auxiliares, obteve os dados de Eduardo Jorge na Receita Federal.
Em depoimento de oito horas à Polícia Federal, Amaury disse que ano passado, quando estava no “Estado de Minas”, foi escalado para investigar um suposto esquema de espionagem, contra o ex-governador Aécio Neves (PSDB), que teria sido montado por um suposto grupo do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra. Ele e Aécio eram potenciais candidatos do PSDB à presidência da República. O jornalista disse que, ainda em outubro do ano passado, entregou um relatório do caso ao “Estado de Minas” e deixou o jornal. As informações não foram publicadas.
No início deste ano, Amaury, que mantinha cópia do relatório em seu computador pessoal, foi chamado pelo empresário Luiz Lanzetta para montar uma equipe de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. A tarefa seria conter vazamentos de informações do comitê central da campanha da ex-ministra.
A formação da equipe de inteligência – que contaria com a participação do sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Mathias, o Dadá, e o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo Souza – foi abortada antes da criação do grupo. Lanzetta se desentendeu com Onézimo sobre valores e o tipo de serviço que seria prestado.
Depois da briga, o caso foi tornado público e se transformou num dos grandes escândalos da campanha eleitoral. A partir daí, os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Marcelo Itagiba pediram à PF para investigar a denúncia. Sete pessoas já foram indiciadas.
Dossiê tucano
Origem em BH
2008
- Antes de se decidir os possíveis candidatos à Presidência, um dossiê começou a ser montado em Belo Horizonte. A intenção era de levantar a movimentação financeira das empresas Decidir.com., com sede nas Ilhas Virgens, e Patagon, na Argentina.
- Jornalista com vínculo profissional com o jornal “Estado de Minas”, Amaury Ribeiro Júnior foi o responsável pelo levantamento do material, com base na CPI do Banestado, em 2003. A CPI investigou a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais entre 1996 e 2002, num total de cerca de US$ 84 bilhões.
- Durante a produção do dossiê, o jornalista manteve o contato com José Serra, em São Paulo, depois de fazer todas as apurações das movimentações das duas empresas. A Decidir.com e Patagon eram das sócias Verônica Serra, filha de Serra, e de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity.
- Com o conhecimento do dossiê, Serra viajou para Belo Horizonte para participar das comemorações dos 80 anos do jornal “Estado de Minas”. Além dele, outro governador presente foi José Roberto Arruda, do Distrito Federal, cotado para ser o vice indicado pelo DEM numa chapa com o PSDB. Arruda acabou perdendo mandato.
O assunto dominante na noite era o recado claro a José Serra, dado inclusive, indiretamente, no discurso de um dos diretores do jornal, que garantiu: “Não mexa com Minas, que Minas reage”.
Conclusões da PF
2009
- Os dados dos tucanos foram encomendados pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior. jornalista não só fazia a encomenda dos dados obtidos ilegalmente em agências da Receita em São Paulo, mas ia a capital paulista buscar os documentos. As viagens eram pagas pelo jornal.
- Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia, que trabalha em São Paulo. A PF não sabe de onde saiu o dinheiro.
- Garcia confirmou que Amaury pagou pelos dados do genro de José Serra, Alexandre Bourgeois, do dirigente tucano Eduardo Jorge, das sócias Verônica Dantas e Verônica Serra, além de outros integrantes do PSDB.
- O jornalista decidiu fazer a investigação depois de descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria comandando um grupo de espionagem a serviço de José Serra para devassar a vida do ex-governador Aécio Neves que tinha a intenção de disputar a Presidência.
- Depois de deixar o emprego no jornal, no final de 2009, o jornalista participou de uma reunião, em abril passado, com integrantes da pré-campanha de Dilma Rousseff, em Brasília.No encontro, estava presente o delegado Onésimo de Souza.
PF descobre que Estado de Minas pagou passagens do jornalista do dossiê
Jornal arcou com despesas até julho de 2009, e as demais foram quitadas pelo funcionário Marcelo Augusto de Oliveira
Da Redação - 21/10/2010 - 23:43
CARLOS RHIENCK
Origem do documento está na disputa entre Serra e Aécio no PSDB
O Jornal Estado de Minas pagou as passagens aéreas do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a violação dos sigilos fiscais dos tucanos. Em depoimento à Polícia Federal, Amaury afirmou que deixou oficialmente o jornal em 16 de outubro, tendo gozado férias de 30 dias antes disso. A quebra dos sigilos fiscais dos tucanos ocorreu entre 29 de setembro e 8 de outubro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao jornal.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, uma declaração da agência de turismo confirma que o Estado de Minas só pagou, em nome da empresa, viagens para Amaury até julho do ano passado. A partir de setembro, os bilhetes, inclusive os adquiridos no período da quebra do sigilo fiscal, foram faturados em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, funcionário do jornal até hoje. Dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário.
A direção do jornal negou, em nota divulgada nesta quinta-feira (21), que tenha pago viagens de Amaury durante as férias. "Amaury Ribeiro Júnior trabalhou como repórter do Estado de Minas de 25 de setembro de 2006 a 15 de outubro de 2009. No dia 25 de setembro de 2009, o jornalista entrou em férias e as gozou até o dia 14 de outubro do mesmo ano. No dia 15 de outubro, o repórter pediu demissão. Nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal", diz a nota.
Em depoimento à PF, o despachante paulista Dirceu Garcia admitiu que recebeu R$ 12 mil em dinheiro de Amaury para comprar as declarações de renda das pessoas próximas a Serra. Por sua vez, o jornalista confirmou que conhecia o despachante e que encomendou buscas em juntas comerciais, mas negou a compra de documentos sigilosos e desconversou sobre a forma de pagamento. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.
A PF informou que Amaury Ribeiro Jr. disse que estava levantando as informações contra José Serra porque havia indícios de que um grupo de arapongagem ligado ao ex-governador de São Paulo estaria investigando Aécio Neves, à época cotado para ser o candidato tucano à Presidência. No entanto, no depoimento prestado à PF em 15 de outubro, Amaury diz que existe um grupo de inteligência tucano, comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-SP), mas não cita o nome nem faz menção ao ex-governador de Minas Gerais. Afirma que ouviu relatos de que o grupo tucano “estaria adiantado” em relação aos petistas e que, por isso, seria importante que a campanha de Dilma também tivesse seu próprio núcleo de inteligência.
- O delegado afirmou à polícia que foi chamado para cuidar da segurança do escritório do jornalista Luiz Lanzetta, responsável, até então, pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma. Lanzetta deixou a campanha em junho, após a revelação do caso, negando que teria participado da criação do dossiê.
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SERRA
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O livro e a bolinha de papel
Celso Marcondes
carta capital
21 de outubro de 2010 às 16:15h
Dois fatos – a suposta agressão a José Serra e a confissão do jornalista Amaury Ribeiro Jr. sobre a quebra dos sigilos fiscais – e duas versões vendidas pela maioria da imprensa
Dois acontecimentos abalaram a campanha eleitoral nesta quarta-feira 20. O primeiro foi o tumulto que aconteceu no Rio de Janeiro durante a caminhada de José Serra. O segundo, a divulgação pela Polícia Federal que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. é o responsável pela quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra e outros líderes tucanos. Dois casos completamente distintos, mas com um nítido elo em comum: a total discrepância entre os fatos e as versões divulgadas pela maioria da grande imprensa. De tal tamanho e de forma tão escandalosa que desnuda, para quem quiser ver, a gritante – mas não assumida – parcialidade da maioria da mídia no processo eleitoral.
Vejamos:
Caso 1: o SBT mostrou claramente as imagens do tumulto no Rio de Janeiro e deixou explícito, nítido, gravado, que José Serra simulou a suposta agressão. Atingido por uma reles bolinha de papel, ele sequer abaixou as duas mãos a fazer o “V” da vitória. Porém, muito depois, alertado por um telefonema (do marqueteiro de plantão?), levou às mãos a cabeça (do lado oposto ao atingido pelo bólido de celulose) e simulou a dor que o encaminhou para uma tomografia computadorizada e a recomendação médica de 24 horas de absoluto repouso. Esse é o fato.
Entretanto, o que o leitor, ouvinte, telespectador recebeu como informação ontem e hoje? Se dependesse apenas dos veículos ligados aos grandes grupos de comunicação, ficaria informado que Serra foi agredido por um rolo de adesivos arremessado por petistas.
Caso 2: Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que coletava informações para o jornal Estado de Minas com o objetivo de “proteger Aécio Neves” contra possíveis ataques de José Serra, seu opositor dentro do PSDB na disputa pela vaga para a candidatura à presidência. Disse também que suas viagens a São Paulo para buscar os documentos fiscais dos tucanos tinham sido pagas pelo jornal. Também contou que depois de abortada a ideia de se publicar as matérias nos jornais – porque Serra foi ungido como candidato tucano – decidiu escrever um livro sobre as privatizações de FHC, onde seria usada parte das informações coletadas. Contou também que teve uma reunião com o jornalista Luiz Lanzetta, que prestava assessoria para a pré-campanha de Dilma Rousseff, depois de sair dos quadros do jornal mineiro. Nesta reunião, disse que teria sido convidado – ou se convidou, não está claro – para trabalhar na campanha petista e que os dados dos sigilos fiscais por ele conseguidos haviam sido aí capturados de seu micro. Esse é o fato.
Entretanto, o que o leitor, ouvinte, telespectador recebeu como informação ontem e hoje? Se dependesse apenas dos veículos ligados aos grandes grupos de comunicação, ficaria sabendo que Amaury Ribeiro Jr. “fazia parte do grupo de inteligência” da campanha de Dilma e que a PF tentava desvincular o jornalista dos petistas.
As versões se encontram:
Aí o Caso 1 e o Caso 2 se juntam da forma a mais funesta e aterrorizante, pois foram exatamente as versões do Serra covardemente atacado e do jornalista a serviço de Dilma que foram passadas para a grande maioria dos brasileiros. E se não fossem as exceções na TV, na internet, no rádio e na mídia impressa seriam as versões vendidas para a totalidade dos brasileiros.
No seu programa no horário eleitoral desta tarde, Serra apresentou sua versão teatral da suposta agressão. Até quando ela vai sobreviver? E Ribeiro Jr., ficará marcado como o funcionário do jornal Estado de Minas ou como membro do “grupo de inteligência” petista?
carta capital
21 de outubro de 2010 às 16:15h
Dois fatos – a suposta agressão a José Serra e a confissão do jornalista Amaury Ribeiro Jr. sobre a quebra dos sigilos fiscais – e duas versões vendidas pela maioria da imprensa
Dois acontecimentos abalaram a campanha eleitoral nesta quarta-feira 20. O primeiro foi o tumulto que aconteceu no Rio de Janeiro durante a caminhada de José Serra. O segundo, a divulgação pela Polícia Federal que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. é o responsável pela quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra e outros líderes tucanos. Dois casos completamente distintos, mas com um nítido elo em comum: a total discrepância entre os fatos e as versões divulgadas pela maioria da grande imprensa. De tal tamanho e de forma tão escandalosa que desnuda, para quem quiser ver, a gritante – mas não assumida – parcialidade da maioria da mídia no processo eleitoral.
Vejamos:
Caso 1: o SBT mostrou claramente as imagens do tumulto no Rio de Janeiro e deixou explícito, nítido, gravado, que José Serra simulou a suposta agressão. Atingido por uma reles bolinha de papel, ele sequer abaixou as duas mãos a fazer o “V” da vitória. Porém, muito depois, alertado por um telefonema (do marqueteiro de plantão?), levou às mãos a cabeça (do lado oposto ao atingido pelo bólido de celulose) e simulou a dor que o encaminhou para uma tomografia computadorizada e a recomendação médica de 24 horas de absoluto repouso. Esse é o fato.
Entretanto, o que o leitor, ouvinte, telespectador recebeu como informação ontem e hoje? Se dependesse apenas dos veículos ligados aos grandes grupos de comunicação, ficaria informado que Serra foi agredido por um rolo de adesivos arremessado por petistas.
Caso 2: Amaury Ribeiro Jr. confessou à PF que coletava informações para o jornal Estado de Minas com o objetivo de “proteger Aécio Neves” contra possíveis ataques de José Serra, seu opositor dentro do PSDB na disputa pela vaga para a candidatura à presidência. Disse também que suas viagens a São Paulo para buscar os documentos fiscais dos tucanos tinham sido pagas pelo jornal. Também contou que depois de abortada a ideia de se publicar as matérias nos jornais – porque Serra foi ungido como candidato tucano – decidiu escrever um livro sobre as privatizações de FHC, onde seria usada parte das informações coletadas. Contou também que teve uma reunião com o jornalista Luiz Lanzetta, que prestava assessoria para a pré-campanha de Dilma Rousseff, depois de sair dos quadros do jornal mineiro. Nesta reunião, disse que teria sido convidado – ou se convidou, não está claro – para trabalhar na campanha petista e que os dados dos sigilos fiscais por ele conseguidos haviam sido aí capturados de seu micro. Esse é o fato.
Entretanto, o que o leitor, ouvinte, telespectador recebeu como informação ontem e hoje? Se dependesse apenas dos veículos ligados aos grandes grupos de comunicação, ficaria sabendo que Amaury Ribeiro Jr. “fazia parte do grupo de inteligência” da campanha de Dilma e que a PF tentava desvincular o jornalista dos petistas.
As versões se encontram:
Aí o Caso 1 e o Caso 2 se juntam da forma a mais funesta e aterrorizante, pois foram exatamente as versões do Serra covardemente atacado e do jornalista a serviço de Dilma que foram passadas para a grande maioria dos brasileiros. E se não fossem as exceções na TV, na internet, no rádio e na mídia impressa seriam as versões vendidas para a totalidade dos brasileiros.
No seu programa no horário eleitoral desta tarde, Serra apresentou sua versão teatral da suposta agressão. Até quando ela vai sobreviver? E Ribeiro Jr., ficará marcado como o funcionário do jornal Estado de Minas ou como membro do “grupo de inteligência” petista?
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sbt,
SERRA,
TV GLOBO
A verdade factual às favas
Sergio Lirio
carta capital
21 de outubro de 2010 às 15:23h
A mídia torna secundárias as principais conclusões do caso da quebra de sigilo fiscal de tucanos
Na segunda-feira 18, durante a premiação das empresas mais admiradas do Brasil, Mino Carta causou certo mal estar na platéia de empresários ao falar, entre outras, que a mídia brasileira não costuma se guiar pela verdade factual, pelos acontecimentos como eles se deram. Prefere as versões de seu interesse. Mas como discordar dessa afirmação ao ler nos jornais desta quinta-feira 21 o relato das conclusões da investigação da Polícia Federal sobre a quebra de sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato José Serra. O Estado de S. Paulo, por exemplo, estampa: “Jornalista ligado ao PT pagou por dados de tucanos”. Para produzir essa linha, que me surpreenderá se não for utilizada no horário eleitoral gratuito de Serra, o jornal paulista tornou acessório o essencial dessa história. A saber:
O jornalista Amaury Ribeiro Jr. trabalhava no jornal Estado de Minas quando encomendou e pagou a um despachante de São Paulo pelos dados sigilosos. Segundo relatou à PF, as despesas do “trabalho” foram custeadas pelo jornal e sua missão era “proteger” o então governador Aécio Neves das investidas de José Serra, que teria encomendado ao deputado e ex-PF Marcelo Itagiba a fabricação de dossiês contra o correligionário de Minas.
Quando a quebra dos sigilos ocorreu, Serra e Aécio disputavam a indicação à vaga de candidato à presidência do PSDB. Aliás. Itagiba tem histórico no trabalho de atropelar adversários do presidenciável tucano. Quando Serra era ministro da Saúde e ele cuidava da “inteligência” da pasta, circulou um dossiê contra Paulo Renato de Souza, então ministro da Educação. À época, Souza andava tentado a fazer o mesmo que Aécio desejava: disputar a indicação do PSDB à presidência. Serra levou a melhor e acabou candidato em 2002, assim como foi o escolhido agora.
Ribeiro Jr. nunca foi contratado pela pré-campanha de Dilma Rousseff e nunca trabalhou para o PT antes. Ele apenas intermediou um contato entre Luiz Lanzetta, que prestava assessoria ao comitê, e o araponga Onésimo de Souza. Lanzetta estava preocupado com o vazamento de informações internas da pré-campanha. Uma briga por poder na equipe petista entre o grupo de Fernando Pimentel, que indicou Lanzetta, e de Rui Falcão está na base das “denúncias” que viriam a sair na mídia. Depois de o caso vir à tona, Lanzetta perdeu o contrato e o grupo de Falcão ganhou espaço e poder na estrutura.
A PF concluiu que não se pode ligar a violação dos dados com o suposto uso eleitoral das informações. De fato, não existe nenhum indício nem se imagina como a candidatura de Dilma Rousseff poderia se valer de informações obtidas de forma criminosa. Seria um tiro no próprio pé, pois resultaria na cassação de seu registro eleitoral.
Estes são os fatos. O resto…
carta capital
21 de outubro de 2010 às 15:23h
A mídia torna secundárias as principais conclusões do caso da quebra de sigilo fiscal de tucanos
Na segunda-feira 18, durante a premiação das empresas mais admiradas do Brasil, Mino Carta causou certo mal estar na platéia de empresários ao falar, entre outras, que a mídia brasileira não costuma se guiar pela verdade factual, pelos acontecimentos como eles se deram. Prefere as versões de seu interesse. Mas como discordar dessa afirmação ao ler nos jornais desta quinta-feira 21 o relato das conclusões da investigação da Polícia Federal sobre a quebra de sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato José Serra. O Estado de S. Paulo, por exemplo, estampa: “Jornalista ligado ao PT pagou por dados de tucanos”. Para produzir essa linha, que me surpreenderá se não for utilizada no horário eleitoral gratuito de Serra, o jornal paulista tornou acessório o essencial dessa história. A saber:
O jornalista Amaury Ribeiro Jr. trabalhava no jornal Estado de Minas quando encomendou e pagou a um despachante de São Paulo pelos dados sigilosos. Segundo relatou à PF, as despesas do “trabalho” foram custeadas pelo jornal e sua missão era “proteger” o então governador Aécio Neves das investidas de José Serra, que teria encomendado ao deputado e ex-PF Marcelo Itagiba a fabricação de dossiês contra o correligionário de Minas.
Quando a quebra dos sigilos ocorreu, Serra e Aécio disputavam a indicação à vaga de candidato à presidência do PSDB. Aliás. Itagiba tem histórico no trabalho de atropelar adversários do presidenciável tucano. Quando Serra era ministro da Saúde e ele cuidava da “inteligência” da pasta, circulou um dossiê contra Paulo Renato de Souza, então ministro da Educação. À época, Souza andava tentado a fazer o mesmo que Aécio desejava: disputar a indicação do PSDB à presidência. Serra levou a melhor e acabou candidato em 2002, assim como foi o escolhido agora.
Ribeiro Jr. nunca foi contratado pela pré-campanha de Dilma Rousseff e nunca trabalhou para o PT antes. Ele apenas intermediou um contato entre Luiz Lanzetta, que prestava assessoria ao comitê, e o araponga Onésimo de Souza. Lanzetta estava preocupado com o vazamento de informações internas da pré-campanha. Uma briga por poder na equipe petista entre o grupo de Fernando Pimentel, que indicou Lanzetta, e de Rui Falcão está na base das “denúncias” que viriam a sair na mídia. Depois de o caso vir à tona, Lanzetta perdeu o contrato e o grupo de Falcão ganhou espaço e poder na estrutura.
A PF concluiu que não se pode ligar a violação dos dados com o suposto uso eleitoral das informações. De fato, não existe nenhum indício nem se imagina como a candidatura de Dilma Rousseff poderia se valer de informações obtidas de forma criminosa. Seria um tiro no próprio pé, pois resultaria na cassação de seu registro eleitoral.
Estes são os fatos. O resto…
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