Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 21:14
São Paulo - O jornalista Amaury Ribeiro Junior nega, em depoimento à Polícia Federal (PF), ter pedido a violação de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB). A investigação de pessoas ligadas ao tucano, com base em documentos de órgãos de Justiça e cartórios, ocorreu a partir de investigações conduzidas por ele quando era funcionário do jornal O Estado de Minas. Ele descarta qualquer oferta de venda de dossiês para o PT e para a pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) em abril, como acusam integrantes do PSDB.
Os dados do depoimento revelados parcialmente até a tarde desta sexta-feira (22) foram o que motivou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a afirmar que o PSDB mantém uma "central de espionagem".
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S.Paulo, o jornalista alega que investiga as privatizações promovidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso há dez anos. Ele se concentra no papel de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. Nesse período, ele passou por diferentes empresas jornalísticas, ligadas a redações da revista IstoÉ e dos jornais O Globo, Correio Braziliense e O Estado de Minas – estes últimos dos Diários Associados (clique aqui para ler mais).
Ribeiro Júnior afirma que retomou a investigação depois de dezembro de 2007, quando foi transferido para Minas Gerais. Ele afirma ter descoberto que um grupo ligado a Marcelo Itagiba, ex-delegado e deputado federal pelo Rio de Janeiro, estaria comandando um grupo clandestino de inteligência para seguir o então governador Aécio Neves (PSDB). A central teria por objetivo reunir informações contra o então pré-candidato à Presidência, que postulava a indicação para concorrer ao Palácio do Planalto contra o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
Ele não menciona pedidos de quebra de sigilo fiscal. Apesar disso dois depoimentos do despachante Dirceu Garcia atribuem a ele pagamentos pelo serviço. Há menção a um desembolso de R$ 5 mil destinado a garantir o silêncio de Garcia sobre os episódios.
Reunião com PT
A versão de Ribeiro Júnior sobre a reunião com membros do PT é de que se tratou de um encontro para monitorar a sede da pré-campanha de Dilma Rousseff. A avaliação de Luiz Lanzetta, que convocou o jornalista e outros dois agentes, era de que algum membro estaria repassando informações e decisões da pré-campanha para veículos de imprensa. O temor inicial, ainda segundo Ribeiro Júnior, era de que houvesse alguma ação de espionagem do grupo ligado a José Serra
A hipótese foi descartada ainda antes da reunião. Lanzetta teria passado a suspeitar que os "vazamentos" fossem fruto de "fogo amigo", quer dizer, uma ação de pessoas ligadas ao deputado estadual Rui Falcão (SP), que teria interesse em ocupar espaço na campanha em detrimento de Fernando Pimentel (MG), ex-prefeito de Belo Horizonte. Ambos são coordenadores de campanha da Dilma atualmente. Após a reunião, em que à proposta de monitoramento foram incluídas ainda investigações contra Serra, Ribeiro Júnior afirma que a negociação não prosperou.
Além disso, Ribeiro Júnior acusa Rui Falcão de ter "roubado", de um notebook, os dados referentes à investigação do jornalista aos tucanos. A confirmação teria se dado após uma conversa com o jornalista Policarpo Júnior, repórter da revista Veja e autor da reportagem que acusava a existência de uma suposta "central de inteligência" na pré-campanha de Dilma.
Policarpo teria sido procurado depois de Lanzetta avisar a Ribeiro Júnior sobre o novo vazamento, ligado justamente à reunião. Procurado, o repórter de Veja teria descrito as informações do material, repassado por um dirigente petista, que coincidiam com o material de Ribeiro Júnior. A conclusão de que se tratava de Falcão está relacionada à hospedagem no Apart Hotel Melià, em Brasília (DF), onde o deputado estadual teria acesso.Falcão já negou.
Ribeiro Júnior relata à PF detalhes de investigação sobre privatizações
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/10/2010, 18:05
Última atualização às 18:21
São Paulo – Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior revela detalhes sobre o livro que pretende publicar a respeito dos processos de privatização da década de 1990, a maioria durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As investigações foram conduzidas por ele durante passagens por redações de diversos jornais, a partir de 2000. Ele menciona denúncias sobre recursos operados no exterior por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco do Brasi, e por Verônica Allende Serra – filha do atual candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB).
No depoimento, cuja íntegra foi divulgada pelo portal de O Estado de S. Paulo, o jornalista sustenta que se centrou na figura de Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como principal "operador" da formação de consórcios para os leilões. O processo teria sido iniciado durante sua passagem pelo jornal O Globo e prosseguido em 2001, quando já trabalhava no Jornal do Brasil.
O início das investigações, sempre segundo o depoimento prestado à PF, ocoreu em um processo que corria na Justiça Estadual de São Paulo ajuizado pela Rhodia do Brasil contra a Calfat, empresa de Ricardo Sérgio. Nos autos, havia uma declaração de renda que mencionava uma empresa sediada em Nova York, chamada Franton Inc.
Dois anos depois, com dados obtidos pela promotoria dos Estados Unidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado e pela Polícia Federal, descobriu que Ricardo Sérgio teria movimentado recursos por meio de doleiros no exterior. Reportagens a respeito foram publicadas na revista IstoÉ, em 2003, o que acarretou processos judiciais por danos morais por parte de Ricardo Sérgio.
No processo, Ribeiro Júnior afirma ter conseguido autorização judicial para acessar dados da CPI do Banestado sobre Ricardo Sérgio. A permissão foi concedida pelo uso de "exceção de verdade", um recurso jurídico que permite acesso a dados sigilosos ou referentes a outros processos judiciais como forma de permitir a defesa.
Embora não tenha voltado a publicar reportagens sobre o assunto, Ribeiro Júnior assegura ter reunido vasto material sobre outras figuras ligadas ao processo de privatização, como Gregório Marin Preciado (marido de uma prima de Serra), Carlos Jereissati (atual dono da Oi) e Ronaldo de Souza (sócio de Ricardo Sérgio).
sábado, 23 de outubro de 2010
Em depoimento à PF, jornalista nega ter oferecido dossiê a PT
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