domingo, 26 de setembro de 2010

Perspectivas para o governo Dilma

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luisnassif, dom, 26/09/2010 - 09:05
Por Sérgio Notari

Nassif,

Análise abrangente, hein?!

Muitas variáveis em jogo. Concatenar essa massa de informações é, de fato, uma tarefa hercúlea! Ainda mais se levarmos em conta aquele velho ditado chinês que diz que é muito difícil prever...principalmente o futuro!

Porém vc levanta questões de suma importância para o futuro governo Dilma (Que Deus e os Anjos digam Amém!) e que não podem deixar de ser enfrentadas.

Gostaria de contribuir com algumas outras questões e variáveis:

1. Pelos levantamentos feitos, a base governista contará com algo em torno de 60 senadores 400 deputados federais (se vingar o melhor cenário da Onda Vermelha).

2. Tal situação no Congresso (excetuando-se o período da ditadura) não ocorre desde o governo Juscelino – Não é a toa que o partido que não permitiu que ele elegesse o seu sucessor (a despeito de sua popularidade e sucesso governamental) foi o da velha imprensa golpista!

nbsp; O Primeiro ano é o único que ela dispõe para realizar as reformas política e tributária. O segundo tem eleições municipais e o terceiro esquece, pois todos estarão esquentando os tamborins para sua sucessão.

4. Se bem sucedida nessa empreitada e, nesse ínterim, conseguir desatar o Nó Górdio do câmbio até o fim do ano, terá condições de conduzir uma política industrial e de desenvolvimento espetacular.

5. No que tange à política industrial, os setores que pesam demasiadamente na nossa balança comercial: insumos agrícolas, farmacêuticos e de semicondutores, merecem atenção especial. As últimas descobertas de jazidas de Fósforo e Potássio são alentadoras. Se somarmos a isso: petroquímica e as bases nitrogenadas que vêm dela , aliviaremos em boa parte a demanda do NPK, (praticamente todo importado) e teremos um bom desafogo em nossas contas externas.

6. No que tange a concertação política, não sei como, e em quanto tempo, a oposição encontrará um rumo.

7. O que é certo é o que você coloca: a imprensa não vai dar trégua! Ela é hoje o partido de oposição no país.

8. Nessa disputa, que é por hegemonia, e a imprensa é o bastião da contra-hegemonia indiscutivelmente, fica a tarefa de todos nós de criar trincheiras, criar os “1, 2, 3, dezenas, centenas de Vietnãs” na internet. Quanto ao governo, é imprescindível coordenar o desenvolvimento da TV Brasil em moldes como o previsto: de caráter público, não estatal e representativo de amplos segmentos, assim como o projeto de banda larga acessível para toda a população.

9. Cumpre, também, aprofundar as políticas para o setor cultural, como os projetos atuais do MinC. (Pontos de Cultura, etc.).

10. Lembrar diariamente o que disse o presidente Lula no comício da vitória na Paulista em 2006 onde, olhando diretamente nos olhos de cada ministro no palanque, disse: “Lembrem só de uma coisa; vocês não tem o direito de errar!” (P. da vida que estava com o caso dos aloprados, que permitiu a mídia levar a disputa para o 2° Turno!).

11. Com relação a esta questão que você falou sobre a verba de publicidade oficial que os veículos de comunicação solicitam adiantadamente para o governo (e que chega na casa do bilhão)....taí uma coisa que eu nem sonhava!

O que você acha? Não seria um bom começo de ajuste fiscal? (lembrando que esse corte tem que ser progressivo! Afinal a grande mídia detém grandes contas da iniciativa privada e sua cota de participação na composição do ajuste fiscal tem que ser maior!). Tenho certeza que a Míriam Leitão não deixaria de concordar, obcecada com a idéia como ela é!

Um fraternal abraço e....fígado de aço nesses 7 dias que restam

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