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sábado, 18 de setembro de 2010

Histórico: Pela pimeira vez Lula critica Partido da Iprensa Golpista e diz que a revista Veja "destila ódio e mentira",

Notícia do G1 informa que Lula entrou na briga direta contra a parte serrista da imprensa e chegou a se referir abertamente à revista Veja, embora através do apelido "Óia" que circula na internet.

Para o bem ou para o mal (pois as consequências dessa atitude são motivo para debate), esse pronunciamento, nesse comício, tornou-se um dia histórico, no sentido de um marco importante para observar o futuro governo.

Aqui vai a notícia:

'Vamos derrotar tucanos e alguns jornais e revistas', diz Lula em ato

Em comício de Dilma, presidente investe contra 'alguns jornais e revistas'.
Setores da imprensa 'não têm coragem de dizer que têm candidato', afirma.

Dois dias após a saída da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, desgastada por denúncias de tráfico de influência reveladas pela imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (18), durante comício em Campinas (SP), críticas severas ao que classificou como "alguns jornais e revistas que se comportam como partido político".

Em palanque da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, Lula recomendou que a candidata não "perca o bom humor" por denúncias.

"Se mantenham tranquilos, porque outra vez, Dilma, nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não tem coragem de dizer que são partido político, que têm candidato e não têm coragem de dizer que têm candidato, que não são democratas e pensam que são", disse o presidente.

Lula fez referência jocosa à revista semanal "Veja", que publicou no dia 11 a primeira denúncia sobre suposto tráfico de influência na Casa Civil e voltou ao tema na edição deste sábado.

"Eu fico vendo algumas revistas que vão sair na semana, sobretudo uma que não sei o nome dela, parece 'olha', nordestino falaria 'óia' . Ela destila ódio e mentira", afirmou o presidente.

O advogado da "Veja" Alexandre Fidalgo afirmou que as declarações do presidente Lula devem ser comentadas pela assessoria de imprensa do Grupo Abril a partir de segunda-feira.

'Estava com coceira na língua' para falar, diz Lula
Ao início do discurso, Lula disse que estava com “coceira na língua” para falar. “A Dilma pediu para me conter, o presidente do partido pediu pra me conter, mas não vou me conter”, afirmou, seguido por gritos de "fala" do público.

“Estou com muita dúvida em relação ao que falar. Eu preciso ser um homem contido porque sou presidente da República e pelo fato de ser presidente eu preciso medir minhas palavras para que os nossos adversários não inventem coisas a meu respeito”, disse.

Ao longo do discurso vieram as críticas a "determinados setores" da imprensa.

"Tem dia em que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal ou o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo exatamente neste momento. Eles falam em democracia, mas a democracia que eles não se conformam é ver o crescimento da economia. O que eles não se conformam é que um metalúrgico fez mais universidades do que os presidentes elitistas desse país", disse.

Duro nas críticas à imprensa, Lula optou por ironias e provocações nas referências ao PSDB e à candidatura de José Serra à Presidência.

Afirmou que, após eventual vitória de Aloizio Mercadante (PT) para o governo paulista, criaria um "Bolsa Famíia para tucanos não passarem fome em São Paulo".

"Você sabe que tucano come até o próprio filhote, eles são danados. Ninguém tem o bico daquele tamanho para nada. Não há colher que encha aquele bico de comida, então tem que ser um pessoal falador, prometedor. O pessoal está prometendo ate aumentar o salário mínimo", disse Lula, em referência à proposta de Serra de elevar o mínimo a R$ 600

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Krugman: “O país está dando certo e deixa como lição o fato de que não se deve seguir consensos”


“A era Lula, que acaba agora, não foi um paraíso, mas a economia cresceu muito bem, houve grande investimento na redução da pobreza, a inflação e a situação fiscal estão controladas e o mercado doméstico se fortaleceu. O que mais se deve esperar de um país?”


Câmbio e déficit ainda não devem preocupar o Brasil, diz Krugman

João Villaverde – Valor Econômico
Quando um país começa a aparecer nas capas das revistas internacionais é sinal que ele vai ter problemas. A constatação é de Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia de 2009, em visita ao Brasil, ontem. O fenômeno, que Krugman chama de “a sina das capas de revistas”, ocorreu nos anos 1990 com o México, os países do Leste Asiático e a Argentina – todos os países sofreram com crises econômicas provocadas por déficits nas transações correntes pouco depois de obtido o reconhecimento da mídia internacional. “Esse não é o caso do Brasil. Vocês são muito mais maduros”, diz Krugman.

O economista americano é doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e professor da Universidade de Princeton, ambas nos Estados Unidos, ficou apenas um dia em solo brasileiro. Viajou na terça-feira à noite, tendo publicado em seu blog no “The New York Times” uma nota, pouco antes, destacando que “a dívida externa brasileira era muito elevada nos anos 1980, e que as coisas definitivamente melhoraram muito desde então”. Ele participou de fórum promovido pela IBM em São Paulo e à tarde embarcou de volta aos Estados Unidos. “Andei estudando muito o Brasil do ano passado para cá”, disse.

Para Krugman, a valorização do real e o consequente aumento do déficit em conta corrente brasileiro não se constituem em uma preocupação. “Era o que se esperava acontecer, é até compreensível que o câmbio esteja tão valorizado, uma vez que os países ricos estão em grave recessão e o Brasil tem ótimas perspectivas econômicas”, afirmou.

As discussões recentes na área econômica do governo quanto a uma possível desvalorização cambial para frear a ampliação do endividamento nas transações correntes, para Krugman, devem ser colocadas em perspectiva. “Todos os países querem ter superávits nas contas correntes e todos falam em desvalorizar suas moedas para isso. Só que se todos desvalorizarem não muda nada. Fico desapontado com países como a China, que poderiam incorrer em pequenos déficits correntes, mas não o fazem.”

Nos 12 meses terminados em julho, segundo números do Banco Central, o país acumulou déficit equivalente a 2,24% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora divergentes quanto à utilidade do endividamento externo, economistas de diferentes matizes ideológicas concordam que o déficit nas contas correntes costuma ser financiável até níveis entre 3,5% e 4% como proporção do PIB. Ligado à corrente heterodoxa, Krugman não vê problemas quanto à ampliação do déficit corrente no Brasil, mas avalia que “as coisas podem mudar caso cresça a 6% ou 7% do PIB”, algo que ele considera improvável.

“O Brasil parece ter uma demanda doméstica forte o suficiente para bancar um déficit corrente de 4% do PIB de maneira sustentável. Muitos países cresceram por vários anos com déficits parecidos, como os EUA e a Austrália”, disse.

Por outro lado, vaticina ele, não se deve deixar a valorização cambial persistir por muitos anos. De dezembro de 2008, auge da crise econômica mundial, até ontem, o real acumulou valorização de 36% em comparação com o dólar. “Se deixar apreciar desta forma por muito tempo”, diz Krugman, “haverá desemprego num ponto em que nem cortes nas taxas de juros serão capazes de reverter”. Esse processo foi denominado de “armadilha para as exportações”, uma vez que a valorização cambial reduz a remuneração das empresas que vendem seus produtos no exterior.

O prêmio Nobel de Economia elogiou o modelo de desenvolvimento econômico brasileiro. “A era Lula, que acaba agora, não foi um paraíso, mas a economia cresceu muito bem, houve grande investimento na redução da pobreza, a inflação e a situação fiscal estão controladas e o mercado doméstico se fortaleceu”, elencou Krugman, que perguntou em seguida: “O que mais se deve esperar de um país?”

Para o economista, o Brasil “encontrou” uma terceira via, que não está presa ao modelo do Consenso de Washington, praticado em larga escala na América Latina nos anos 1990, mas também não segue os padrões de países como China ou Venezuela, onde o Estado é o protagonista. “O país está dando certo e deixa como lição o fato de que não se deve seguir consensos”, disse.

O cenário pós-2010 não está livre de desafios, no entanto. A situação dos países ricos, tendo Estados Unidos e os da União Europeia à frente, pode piorar, caracterizando uma crise em forma de “W”, o que poderia reduzir o ímpeto do crescimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a economia chinesa pode desacelerar e, com isso, levar o Brasil junto, uma vez que é a elevada demanda chinesa a commodities brasileiras que tem sustentado, segundo Krugman, boa parte do ingresso de dólares no país. “Mas, ainda assim, com o mercado interno construído pelo Brasil, é possível continuar crescendo em torno de 5% ao ano mesmo com um mundo mais fraco”, afirmou

VISÃO DA FSP


País pode ter período longo de expansão, diz Krugman

Folha SP



Para economista, educação é empecilho

DE SÃO PAULO

“Os números do Brasil ainda não mostram uma decolagem dramática em termos de crescimento. Mas o “zum-zum-zum” sobre o Brasil é muito positivo. E eu levaria o “zum-zum-zum” a sério.”
A frase é de Paul Krugman, um dos mais respeitados economistas do mundo, e ganhador do Prêmio Nobel.
Em entrevista a jornalistas brasileiros ontem, Krugman demonstrou otimismo em relação ao Brasil e mencionou a redução da desigualdade de renda no país como sinal “muito promissor”.
Krugman afirmou que o Brasil tem chance de entrar em um período prolongado de alto crescimento se melhorar a qualidade de seu sistema educacional.
O economista acredita que, por enquanto, a valorização do real não seja uma ameaça ao crescimento. Questionado sobre declarações dele feitas em 2009 que refletiam preocupação com a trajetória cambial no Brasil, fez uma brincadeira.
“No ano passado, eu estava insuficientemente pessimista sobre as perspectivas dos países da OCDE [organização que reúne em sua maioria países desenvolvidos]“, disse o economista, que deu uma palestra a executivos da IBM ontem.
Essa não foi a única piada sinalizando que seu otimismo em relação ao Brasil se explica ao menos parcialmente por sua visão negativa em relação aos países ricos.
“Sob uma perspectiva dos EUA, o Brasil não enfrenta desafios”, brincou o colunista do “New York Times”.
Para Krugman, a valorização do real é consequência de boas perspectivas para investimentos no Brasil em comparação com as oferecidas pelos países ricos, onde as taxas de juros estão muito baixas, e do cenário econômico positivo brasileiro.
Mas, acrescentou ele, há um limite para a valorização do real e o consequente aumento do deficit em conta-corrente do Brasil. Hoje, esse deficit está acima de 2% do PIB (Produto Interno Bruto).
“O Brasil parece ter suficiente demanda doméstica para sustentar um deficit em conta-corrente de 3%, 4% do PIB. Mas, se isso aumentar para 5%, 6% ou 7%, talvez leve a questionamentos.” (EF)


Krugman não crê que câmbio seja um problema
Ricardo Leopoldo – O Estado de S.Paulo
Ao contrário do que declarou há cerca de um ano, o Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, não acredita que a valorização do câmbio hoje seja um problema para a economia do Brasil. “Se o déficit de transações correntes atingir 3% a 4% do PIB, tudo bem. O quadro fica preocupante quando esse indicador fica bem maior, algo perto de 6% a 7% do PIB.” Perguntado pela Agência Estado o que o fez mudar de opinião, respondeu com certa ironia: “É que naquela época eu não estava suficientemente pessimista sobre a economia mundial como estou hoje”.

Em palestra ontem, em São Paulo, Krugman disse que a valorização cambial seria nefasta para a economia brasileira se estivesse enquadrada em um dos três cenários: altíssimo endividamento do governo e de empresas em dólares; o que qualificou como “armadilha de liquidez para exportações”; e o ingresso muito grande de recursos internacionais que propiciasse uma onda de investimentos em ativos, como imóveis.

TIJOLAÇO - Jornalismo de ficção, propaganda de verdade

O Jornal Nacional de hoje foi um triste espetáculo. Passou um tempo enorme reproduzindo o que a Folha já tinha publicado com base no denunciante-ex-presidiário que arranjaram e no pedido de demissão de Erenice Guerra.

Logo depois, veio o programa de Dilma que, em vez de tratar do que até agora é ficção, entrou no concreto: a criação de empregos, a aceleração da economia brasileira e seus compromissos para torná-la ainda mais dinâmica. Coloquei aí um bom trecho do programa, editado, atendendo a pedidos de leitores que têm dificuldades em carregar videos longos. Mas quem quiser ver na íntegra, pode fazê-lo no Youtube.
E, no dia em que o brasil bate mais um recorde na geração de postos de trabalho, com um compromisso que até arrepia a gente ver quem vai ser nossa governante assumir: que a finalidade do desenvolvimento econômico é a vida das pessoas, com mais emprego e salários melhores. E, graças a Deus, entrou direto na comparação do Governo Lula com o governicho de FHC. Já era hora de dar nomes aos bois.
Eu tenho dito e repito: o Brasil da baixaria que está na mídia não terá força para vencer o Brasil de verdade que está nas ruas, nas metrópoles, nas periferias, no interior.
O Brasil dos brasileiros.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Azenha : Mídia quer Dilma como rainha da Inglaterra

Luiz Carlos Azenha,
do blog Viomundo:

Estou escrevendo este texto para os novos leitores do blog, que são muitos.

Se vocês não perceberam ainda, temos argumentado faz tempo que alguns grupos de mídia brasileiros estão engajados até a medula na campanha eleitoral de José Serra, do consórcio PSDB/DEM.

Eles não declaram voto em seus editoriais — como faz a CartaCapital e é comum nos Estados Unidos e na Europa.

Ao contrário, eles editorializam o noticiário.

Escolhem manchetes, ângulos e pautas que favorecem a candidatura de José Serra ou que prejudicam — ou pelo menos pretendem prejudicar — a candidatura de Dilma Rousseff. Propagam crises federais — a do saneamento básico, por exemplo — sem tratar das crises estaduais (no caso de São Paulo, o trânsito, os rios poluídos, as enchentes, o metrô lotado, a falta de trens de subúrbio, as deficiências na saúde e na educação).

Os recursos humanos e materiais destes grandes grupos de mídia –Organizações Globo, Folha de S. Paulo, Editora Abril e O Estado de S. Paulo — são concentrados na pauta que interessa a um candidato, em detrimento dos demais.

No sábado a revista Veja publicou uma denúncia contra o governo, o PT e a candidata Dilma Rousseff que foi direto para a propaganda eleitoral de José Serra na TV.

Uma reportagem que tinha como espinha dorsal um contrato não reconhecido — e, portanto, desmentido — pela empresa que teria pago propina. Está aqui.

Na segunda-feira, os três principais jornais do Brasil trouxeram o assunto nas manchetes acima da dobra, aquelas que ficam o dia todo expostas nas bancas de jornal de todo o Brasil.

"Filho de ex-braço direito de Dilma trabalhou no governo", disse O Globo.

"Irmã de ministra deu aval a contrato sem licitação com governo", disse o Estado de S. Paulo.

"Dilma se distancia de Erenice e chama Serra de caluniador", disse a Folha.

A isso os jornalistas chamam “dar pernas a um assunto”. Independentemente de algo de ilegal ter sido feito ou não, o efeito de manchetes múltiplas é o de suscitar dúvidas nos eleitores em um período pré-eleitoral. As manchetes também servem para aparecer na propaganda eleitoral do candidato José Serra. A gente fica sem saber quem alimenta quem.

Foi a campanha de José Serra que distribuiu dossiês de seus investigadores aos jornais? Quem faz a coordenação entre a campanha de José Serra, se essa coordenação de fato existe, e os quatro grupos de mídia acima citados? Por que a “coincidência” das denúncias contra Dilma acontecerem na véspera da eleição? Não há denúncia alguma a ser feita contra José Serra, ou será que nesse caso esses grupos de mídia estão omitindo informações para não influenciar o eleitorado?

Em minha modesta opinião, a essa altura já não se trata apenas de:

1. Forçar um segundo turno; 2. Salvar candidatos da coligação PSDB/DEM nos estados; 3. Tirar antecipadamente a legitimidade de um governo eleito.

Eu diria que o consórcio midiático acima citado trabalha, ao mesmo tempo, para pautar Dilma Rousseff e formar o ministério.

As pautas econômicas dos grandes jornais estão repletas de balões de ensaio sobre medidas econômicas conservadoras que seriam tomadas pela candidata que ainda nem se elegeu!

Tenho comigo que o objetivo da mídia, agora, é fazer uma espécie de primeiro-ministro, “eleito” por ela, para colocar no coração do governo de Dilma Rousseff.

Ela ficaria com o papel de rainha da Inglaterra

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dilma disse não opinar com base em "acusação de jornal".

BRASÍLIA


Para a petista, reportagem de "O Globo" sobre irregularidades no Dnit poderia ter uso eleitoral. Sobre suposta lavagem de dinheiro de Roseana Sarney (PMDB) revelada por "O Estado de S. Paulo", Dilma disse não opinar com base em "acusação de jornal".

sábado, 14 de agosto de 2010

Datafolha não é surpresa para Serra

blog do ricsrdo korscho


Se tem alguém na oposição que não deve ter se surpreendido com os números do novo Datafolha, que colocam Dilma Rousseff oito pontos à frente na corrida presidencial, e a três de vencer no primeiro turno, certamente é o candidato José Serra.

Político que bota a maior fé nas pesquisas, principalmente nas qualitativas, que indicam tendências, o ex-governador trabalha com levantamentos quase diários sobre o humor dos eleitores. Este Datafolha divulgado na noite de sexta-feira, afinal, apenas confirma o que os outros institutos vêm apontando já faz algumas semanas: a candidata de Lula pode vencer as eleições de 2010 no primeiro turno.

Foi exatamente por sempre trabalhar baseado nas pesquisas que José Serra demorou tanto para assumir a sua candidatura a presidente da República. Aquela história toda de que precisava governar São Paulo até o último dia para não ser acusado de fazer campanha antecipada, como a sua concorrente petista, escondia na verdade uma profunda indecisão, o temor de entrar num barco furado antes de começar a navegar.

Em conversas com amigos do ninho demotucano de São Paulo, ficava sabendo do dilema de Serra ser ou não ser candidato, mesmo quando as pesquisas do começo do ano lhe eram favoráveis. Mais do que ninguém, ele dispunha de projeções sobre o que aconteceria no cenário eleitoral à medida em que mais eleitores identificassem Dilma como a candidata de Lula, um presidente que chegava a quase 80% de aprovação.

Por mais que ser presidente fosse o seu grande projeto de vida e tenha se preparado para isso durante tantos anos e mandatos, como sempre fez questão de proclamar, no íntimo Serra sabia que esta seria uma batalha inglória e ficou numa dúvida cruel. Mais seguro seria disputar outro mandato de governador em São Paulo, com a reeleição praticamente assegurada.

O problema é que antes mesmo de 2009 acabar, Aécio Neves havia jogado a toalha da candidatura presidencial e deixou claro que não aceitava ser vice na chapa de Serra em hipótese alguma. A oposição ficou sem alternativa _ era Serra ou Serra. Desistir de concorrer e abrir mão da candidatura a presidente para ficar como governador poderia parecer um ato de fraqueza que mancharia para sempre sua biografia.

A partir daí, Serra ficou naquela situação de se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. Pela segunda vez, ele entraria numa campanha presidencial na contra-mão do sentimento popular. Em 2002, a maioria queria mudança, e Serra foi o candidato da continuidade do governo FHC; agora, satisfeita com a situação do país, a maioria da população quer a continuidade do governo Lula, e ele surge como o candidato da mudança.

Para completar, logo no começo da campanha, aconteceu aquela lambança no episódio da indicação do vice, com a chapa puro-sangue que Serra queria sendo implodida pelo principal aliado, o DEM, que ameaçou abandonar o barco. Já no fim do prazo para a inscrição da chapa, acabaram substituindo o senador tucano Álvaro Dias pelo deputado federal Índio da Costa, do DEM do Rio de Janeiro,que nem Serra conhecia direito.

A jogada marqueteira também não deu certo e, depois das suas primeiras declarações destrambelhadas, o jovem vice sumiu de cena. A esperança foi então depositada nos debates e entrevistas na televisão em que José Serra tem mais experiência do que os concorrentes e poderia levar vantagem. Também não funcionou até agora.

A 50 dias das eleições, só resta aos líderes da oposição jogar todos os seus trunfos na propaganda no rádio e na televisão, que começa na próxima terça-feira, para ainda sonhar com uma virada. A idéia inicial de chegar a esta etapa decisiva da campanha abrindo uma boa vantagem sobre Dilma, com gorduras para queimar quando Lula fosse aparecer com sua candidata na TV, foi sepultada pela pesquisa Datafolha.

Aconteceu o contrário. Agora, o mais provável é que a “boca do jacaré” das pesquisas abra ainda mais, com Dilma subindo e Serra caindo, como as curvas de todos os institutos estão demonstrando. Em todas as campanhas presidenciais pós-democratização até agora, quem estava na frente na estréia do horário de propaganda política acabou vencendo no final.

Na semana passada, após a divulgação do Ibope, com Dilma cinco pontos na frente, escrevi aqui: a pergunta que resta fazer é se haverá ou não segundo turno. E é isto que estará em discussão nas próximas semanas até a abertura das urnas eletrônicas. Os piores pressentimentos de Serra no começo do ano estão se confirmando. Só um tsunami político pode reverter este quadro. O jogo está jogado.

Dia 13: A vez da criatura ou a vez de Dilma

Pesquisa divulgada ontem aponta uma diminuição da influência do presidente como cabo eleitoral de sua ex-ministra a partir de agora


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DILMA CRESCEU ENTRE O ELEITORADO FIEL A LULA; O PERCENTUAL QUE RESTA DESSE GRUPO É MENOR
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MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
ALESSANDRO JANONI
DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

A pesquisa Datafolha divulgada hoje é um divisor de águas. Além de trazer, pela primeira vez, a liderança isolada de Dilma Rousseff na disputa presidencial, marca uma redução importante da influência do presidente Lula como cabo eleitoral de sua ex-ministra a partir daqui.
O índice que reflete o potencial de crescimento da petista, com base no poder de transferência de votos que o presidente demonstra ter junto aos eleitores, é o mais baixo desde que o instituto passou a monitorá-lo em dezembro do ano passado.
Na ocasião, 14% dos brasileiros queriam votar em um candidato apoiado por Lula, mas não escolhiam Dilma por não associá-la ao presidente. Oito meses depois, essa taxa está em 7%. Comparando-se com o levantamento anterior, do final de julho, há uma queda de três pontos percentuais desse índice nos últimos 20 dias.
A maior exposição dos candidatos nos meios de comunicação elevou o grau de informação dos eleitores. Debate e entrevistas na TV, em programas de grande audiência, repercutem na população. A percepção sobre o desempenho dos candidatos em eventos desse tipo invade a esfera privada e encontra na conversa com parentes e amigos o ambiente fértil para a formação do voto.
É o que explica, por exemplo, o crescimento expressivo, nos últimos 20 dias, dos que identificam Dilma como candidata apoiada por Lula. O efeito desse conhecimento projeta-se não só sobre o desempenho da petista na intenção de voto, mas nas características da ascensão.
A ex-ministra cresceu justamente nos segmentos nos quais a força do cabo eleitoral Lula é maior: entre os habitantes do Nordeste, menos escolarizados e com baixa renda. O percentual que agora sobra desse segmento fiel ao presidente é bem menor e tem baixo acesso à informação. É um estrato ainda mais difícil de ser alcançado.
Daqui em diante, o conjunto a ser disputado é o dos que até cogitam votar em um candidato apoiado por Lula, mas não estão certos disso.
Hoje, eles são 22% do eleitorado e votam mais em Serra (36%) do que em Dilma (31%). Para esses, o desempenho do presidente não é suficiente para convencê-los a eleger sua ex-ministra. Sai de cena o protagonismo do criador. É a vez da criatura.

Dia 13: sinal de incompetência o esquema demotucabno mais o PIG

Marco Na simulação de segundo turno, Dilma tem hoje os mesmos 49% que Serra registrava em dezembro do ano passado, no primeiro Datafolha presidencial da atual série histórica.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Dilma Rousseff consolida seu crescimento e fica fortalecida para entrar como favorita na reta final da campanha ao Palácio do Planalto.

20h53 - 13/08/2010

Dilma consolidada; Alckmin herda PSDB

fsp
fernando rodrigues

A se confirmarem as tendências apontadas pelas pesquisas Datafolha para presidente e nas disputas de governadores de Estado, há dois pontos principais a serem notados:



1) Dilma Rousseff (PT): consolida seu crescimento e fica fortalecida para entrar como favorita na reta final da campanha ao Palácio do Planalto.



2) PSDB: com José Serra em dificuldades na eleição presidencial (ele tem 33% contra 41% de Dilma) e Aécio Neves arriscado a não fazer o sucessor para o governo de Minas Gerais, o novo campeão de votos tucano pode ser o paulista Geraldo Alckmin –ele foi a 54% das intenções de voto e hoje estaria eleito no primeiro turno para o Palácio dos Bandeirantes.



É necessário sempre ressaltar que pesquisas são fotografias de um determinado momento, apontam tendências e nunca os resultados da disputa. Ainda assim, a marca da continuidade em vários Estados e no plano nacional parece ser mesmo bem forte no atual ciclo eleitoral.



As duas exceções notáveis de não continuidade são prejudiciais aos tucanos. Os governos do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, com grandes eleitorados, podem sair do PSDB em 3 de outubro.



O ponto mais negativo para o PT é o desempenho de Aloizio Mercadante na disputa pelo governo de São Paulo. O petista não saiu do lugar no Datafolha nos últimos 20 dias. Tinha e manteve seus mesmos 16% –e ainda assistiu Alckmin sair de 49% e ir a 54%.



O PT imaginava atingir cerca de 25% a 30% dos votos entre os paulistas. Mercadante está com metade do que dele se esperava dentro do partido. Dilma Rousseff, muito menos conhecida do que Mercadante em São Paulo, tem 34% de intenção de votos nesse Estado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

09/08/2010 - 20h57
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, justificou nesta segunda-feira (9) as alianças do PT com antigos desafetos do partido como fruto da experiência adquirida pela sigla desde que chegou ao governo federal.

"O PT não tinha experiência de governo e agora tem", disse a presidenciável, ao ser questionada sobre os apoios dados pelos ex-presidentes Fernando Collor (PTB-AL), José Sarney (PMDB-AP) e por Jader Barbalho (PMDB-PA) a sua candidatura ao Palácio do Planalto.
"A pergunta é outra: onde o PT acertou? O PT acertou ao perceber que é preciso governar o país com uma aliança ampla. Nós não aderimos ao pensamento de quem quer que seja", completou.

A ex-ministra da Casa Civil estreou nesta segunda-feira uma série de entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional da Rede Globo com os presidenciáveis. Nesta terça-feira (10) será a vez de Marina Silva, do PV, e na quarta (11), do tucano José Serra.

Experiência e capacidade de negociação

Dilma foi questionada sobre sua falta de experiência eleitoral e como isso poderia afetar seu governo caso fosse eleita. "Tenho experiência administrativa suficiente", disse. "Fui a primeira secretária municipal de fazenda de uma capital".

"O pessoal tem que escolher o que eu sou. Uns dizem que eu sou uma mulher forte; outros, que eu tenho um tutor", disse, para depois elencar os cargos que ocupou na trajetória pública até ser nomeada ministra-chefe da Casa Civil, em 2005.

Ela também foi perguntada sobre a imagem de "dura" que mantinha em sua passagem pelo governo e de que forma essa pecha afetaria as negociações políticas durante uma eventual administração petista. Acho que sou uma pessoa firme", disse.

"Em relação aos problemas do povo brasileiro, eu não vacilo. Pelo cargo que ocupei (no governo Lula), me considero preparada para o diálogo", afirmou. Ela negou ter "maltratado" ministros, como afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um discurso.

Crescimento

Dilma atribuiu o crescimento menor do Brasil em relação a outras economias emergentes ao legado deixado pelos governos anteriores no país. Ao ser questionada sobre os baixos investimentos em saneamento público, afirmou que o governo mostrará "um resultado excepcional" já em 2010.

"No governo anterior [do tucano Fernando Henrique Cardoso], foram investidos menos de R$ 300 milhões no Brasil inteiro", criticou. "Hoje, investimais mais de R$ 270 milhões só na favela da Rocinha (no Rio de Janeiro)", defendeu.
Eliane Cantanhêde: Entrevista ao "JN" mostra que Dilma está muito bem treinada

candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, participou nesta segunda-feira do ciclo de entrevistas ao vivo no "Jornal Nacional", da Rede Globo, e mostrou estar muito bem treinada, segundo a colunista da Folha Eliane Cantanhêde

Durante a entrevista, os apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes "apertaram a candidata", mas ela não perdeu a pose. Dilma usou as perguntas para comparar os governos FHC e Lula.

Com exceção de um escorregão, quando se confundiu ao dizer Baixada Santista do Rio, em vez de dizer Baixada Fluminense, Dilma mostrou estar afiada e prova que já sabe enfrentar
o "Jornal Nacional" ao vivo, em cores e com perguntas incisivas. "Não é pouca coisa para quem nunca disputou uma eleição a nada na vida", afirma a jornalista

cole este endereço e vá

http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/v/dilma-rousseff-e-entrevistada-no-jornal-nacional/1315694/#/Eleições 2010/page/1

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Dilma diz que entrevistas à imprensa servem de treino para debate e quem precisa de lexotan para governar é Serra, muito pesado

Questionada se tomaria tranquilizante para ir ao evento, ironizou indiretamente José Serra: "Não preciso de Lexotan. Carregar um governo com o do presidente Lula é uma tarefa leve. Outros governos é que são pesados. Aí a pessoa precisa de vários Lexotans."
Candidata inovou ao abrir reunião para imagens e conceder entrevista com ideias genéricas sobre educação

Operação para o "JN" fez campanha mudar tática de suspender aparições para que candidata se prepare para o debate
RANIER BRAGON
MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

Em programação montada de última hora por sua campanha para lhe assegurar aparição no "Jornal Nacional", da TV Globo, a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) apresentou ontem propostas genéricas para a área da educação.
A campanha havia cancelado a agenda sob o argumento de que a candidata se prepararia para o debate de amanhã na TV Bandeirantes, mas mudou a estratégia e organizou uma reunião da coordenação para discutir o programa de governo.
Pela primeira vez, o encontro teve suas portas abertas. Em outra inovação, Dilma saiu para falar com os repórteres, num púlpito montado no jardim de seu escritório.
Ela prometeu ampliar o ProUni, construir escolas técnicas e creches e "romper" com a prática da progressão continuada no ensino, sistema adotado em São Paulo.
Dilma disse que o debate de amanhã não pode ser "torneio de provocação". Questionada se tomaria tranquilizante para ir ao evento, ironizou indiretamente José Serra: "Não preciso de Lexotan. Carregar um governo com o do presidente Lula é uma tarefa leve. Outros governos é que são pesados. Aí a pessoa precisa de vários Lexotans."
Dilma vem tendo "aulas" com auxiliares de Lula para se informar sobre o andamento de programas.
Dilma tentará desmontar a gestão de Serra na saúde. "Estive com ela conversando sobre a saúde, perspectivas e desafios. A questão é mostrar o que fizemos", disse o ministro José Gomes Temporão.
A equipe de internet de Dilma enviou aos militantes um e-mail sugerindo que petistas e simpatizantes convidem os "amigos, vizinhos e colegas de trabalho" para assistir o debate.
"Prepare a pipoca, a TV, e organize uma sessão bem animada", diz o texto.
O e-mail diz que Dilma mostrará que "é a pessoa mais preparada" para governar o país


PT usa R$ 2 mi para gastos com propaganda

DE BRASÍLIA

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a campanha de Dilma Rousseff gastou até agora cerca de R$ 10 milhões dos R$ 11,6 milhões arrecadados.
Desse total, pouco mais de R$ 2 milhões cobriram os custos com o início da produção da propaganda na TV, e R$ 60 mil foram usados para reembolsar o erário pela participação do presidente Lula na campanha.
A propaganda de Dilma na TV está sob a responsabilidade do marqueteiro João Santana, que já a levou "secretamente" para gravações no Chuí, no extremo sul do país, e no interior de Goiás. Os programas deverão custar cerca de 20% do orçamento da campanha, que é de R$ 157 milhões.
A participação de Lula ao lado da candidata também resulta em custo à campanha.

A Folha apurou que a Presidência apresentou uma fatura de R$ 59.598,72 para o PT restituir os gastos com o transporte do presidente para o lançamento da candidatura de Dilma em Brasília, em junho, e para o primeiro comício no Rio de Janeiro, no mês passado.
Segundo dados da Casa Civil, a legenda pagou R$ 1.400 pelo aluguel de um carro blindado e R$ 10,72 pela gasolina usados para Lula em junho -uma média de R$ 100 por cada um dos 14 quilômetros percorridos.
Para a estreia do presidente em comícios, o PT pagou R$ 2,5 mil com aluguéis de veículos e R$ 56 mil com as despesas do avião da FAB e de helicópteros. Ainda não foram fechadas as faturas das viagens de Lula à Garanhuns (PE), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). (FERNANDA ODILLA, MÁRCIO FALCÃO E RANIER BRAGON)

Luz, câmera, debate!

Eleição deste ano terá recorde de debates presidenciais no 1º turno com presença dos primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

A história é antiga. Em períodos eleitorais, sempre há no ar a sensação (verdadeira) de que os candidatos a presidente evitam debates.
Desta vez, os presidenciáveis podem até se esquivar da boa troca de ideias, mas 2010 ficará marcado por ter o maior número de debates da história entre os mais bem colocados nas pesquisas.
Amanhã, na TV Bandeirantes, começa a temporada desses encontros. Ao todo, serão cinco até o dia 3 de outubro -sempre reunindo, pelo menos, os três primeiros colocados nas pesquisas. Em todas as outras eleições presidenciais brasileiras, nunca todos os favoritos estiveram presentes a tantos debates.
Há também uma novidade: o debate Folha/UOL, marcado para o dia 18 e o primeiro até hoje com transmissão ao vivo pela internet. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) estarão presentes. Farão um confronto aberto, com menos regras do que as impostas ao rádio e à TV.
A eleição com mais debates foi 1989: ao todo, oito no primeiro turno. Um recorde numérico, mas não qualitativo. Nenhum desses encontros contou com o candidato depois vencedor, Fernando Collor de Mello. Ou seja, seria como realizar agora um debate sem Serra ou Dilma.
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só aceitou debater uma vez. Em 1998, não houve debates.
Em 2002, houve três debates entre os mais bem colocados nas pesquisas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Serra, Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS). Em 2006, foi a vez de Lula fazer "forfait": faltou a todos os debates no primeiro turno

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TSE dá direito de resposta ao PT contra "Veja"

Reportagem tratava da acusação de que partido é ligado às Farc; cabe recurso da decisão

DE BRASÍLIA

O Tribunal Superior Eleitoral concedeu, por 4 a 3, direito de resposta ao PT a ser publicado em uma página da próxima edição da "Veja".
O pedido se refere a reportagem publicada pela revista depois da entrevista concedida pelo candidato a vice do tucano José Serra, Indio da Costa (DEM), ao site "Mobiliza Brasil", na qual ele ligou o PT às Farc e ao narcotráfico.
A reportagem, da semana passada, é intitulada "Indio acertou o alvo". Segundo o texto, "o episódio foi uma afobação de iniciante, mas o vice de José Serra está correto em se espantar com a ligação de membros do PT com as Farc e seus narcoterroristas".
O relator do caso, Henrique Neves, entendeu que a revista praticou ofensa ao concordar com o teor da entrevista de Indio. Os ministros que votaram contra entenderam que o pedido pode se confundir com censura.
A revista ainda pode entrar com recursos chamados de "embargos de declaração", mas eles não têm força para suspender a decisão antes de serem julgados.
A Folha não conseguiu ouvir ninguém do departamento jurídico da revista.

sábado, 31 de julho de 2010

Comissão discutirá novo marco regulatório das telecomunicações e radiodifusão

Uma comissão interministerial foi criada ontem (21/7) por decreto do presidente Lula para elaborar estudos e apresentar propostas de revisão do marco regulatório da organização e exploração dos serviços de telecomunicações e de radiofusão no País. A comissão será integrada por representantes da Casa Civil (a quem cabe a coordenação), os ministérios das Comunicações e Fazenda, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência e a Advocacia-Geral da União. A Casa Civil poderá convidar representantes de órgãos e entidades da administração federal, estadual e municipal, além de entidades privadas.

O relatório final da comissão será apresentado ao presidente Lula juntamente com as propostas para revisão do marco regulatório da organização e exploração dos serviços de telecomunicações e de radiodifusão no País. Leia aqui a íntegra do decreto.

Segundo o ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação Social), “a ideia é deixar para o próximo governo propostas que permitam avançar numa área crucial e enfrentar os desafios e oportunidades abertos pela era digital na comunicação e pela convergência de mídias”.

No discurso que fez na abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em dezembro de 2009, o presidente Lula destacou que o principal documento da legislação brasileira do setor é o Código Brasileiro de Telecomunicações, editado em 1962 para disciplinar a radiodifusão. Com as mudanças tecnológicas ocorridas de lá para cá, é preciso agora rever os marcos legais da atividade.

Com a digitalização e a internet, as fronteiras entre os diferentes meios estão sendo dissolvidas. Hoje, texto, áudio e imagem não só são tratados com a mesma tecnologia digital como podem ser disseminados pelas mesmas plataformas. Um número crescente de leitores informa-se através da internet. Cada vez mais, as notícias estão disponíveis em tempo real, tanto em computadores pessoais como em aparelhos celulares ou em outros equipamentos portáteis. (Confira aqui o post do Blog do Planalto que traz trecho em vídeo do discurso do presidente na 1ª Confecom e o áudio com a íntegra)

Leia aqui a íntegra do discurso:


Lula destacou que a Confecom, que acontece após eventos de âmbitos estaduais, trata de tema apropriado e atual: “Comunicação: meios para a construção de direitos e cidadania na era digital”. Para o presidente, “o desafio é esse mesmo: como usar e aproveitar as novas tecnologias para abrir caminhos que levem ao fortalecimento da comunicação social, da informação, do entretenimento, das manifestações artísticas e culturais, e do debate público de ideias”.

O presidente destacou também a legislação brasileira que tem como principal documento o Código Brasileiro de Telecomunicações, editado em 1962, para disciplinar a radiodifusão. Em 47 anos, as mudanças tecnológicas trouxeram transformações que não foram acompanhadas a contento. A Constituição Federal de 1988, segundo o presidente, previu alguns avanços, “mas que não foram observados em muitos casos, agravando o descasamento entre a acelerada mudança da realidade e o envelhecimento progressivo dos marcos legais”.

“Com a digitalização e a internet, as fronteiras entre os diferentes meios estão sendo dissolvidas. Hoje, texto, áudio e imagem não só são tratados com a mesma tecnologia digital como podem ser disseminados pelas mesmas plataformas. Um número crescente de leitores informa-se através da internet. Cada vez mais, as notícias estão disponíveis em tempo real, tanto em computadores pessoais como em aparelhos celulares ou em outros equipamentos portáteis”, destacou.

Agora, com a realização da Confecom, a sociedade é instada a debater um dos segmentos mais importantes do País. Segundo Lula, este debate sobre a comunicação social deve ser franco e aberto. “Não será enfiando a cabeça na areia, como avestruz, que enfrentaremos o problema. Não será tampouco fechando os olhos para o futuro ou pretendendo congelar o passado que lideremos corretamente com a nova situação”, enfatizou.

O presidente encerrou o discurso pregando que as entidades busquem verificar as concessões de radiofusão comunitárias. Para o presidente, é possível que algumas pessoas busquem se valer de associações comunitárias para obter emissoras de rádio, por exemplo, para fins diferentes daqueles permitidos pela legislação.