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terça-feira, 5 de abril de 2011

RUBEM ALVES - A Escola da Ponte

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Visitei Portugal e lá conheci uma escola diferente: a Escola da Ponte. Foi um espanto. Fiquei apaixonado
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OS OLHOS SÃO órgãos marotos. Mesmo perfeitos, não são dignos de confiança. "Não vemos o que vemos; vemos o que somos", escreveu Bernardo Soares. A gente pensa que os olhos põem dentro o que está longe, lá fora, quando o que os olhos fazem é por lá longe o que está dentro.
É o caso dos olhos do pai e os olhos do apaixonado por sua filha... Olho de pai é olho que se educou com a vida. Conhece a menina, viu-a nascer, crescer, voar, cair... Alegrou-se nos dias de sol, entristeceu-se nos dias de sombras e escuridão.
Os olhos do apaixonado são diferentes. Neles mora uma pitada da loucura que se chama fantasia. O apaixonado vê como realidade aquilo que existe dentro dele como sonho. Versinho enorme de Fernando Pessoa: "Quando te vi, amei-te já muito antes". Traduzindo: vejo no seu rosto o rosto que já morava dentro de mim, adormecido... O apaixonado é um porta-sonhos.
Vocês, meu leitores, não devem estar percebendo a propósito de que é essa meditação sobre os olhares. É que eu escrevo por meio de parábolas, e o que está em jogo é um pai de olhar claro, uma donzela linda, sua filha, e um apaixonado que vê com olhos de poeta. Respectivamente, o professor José Pacheco, a Escola da Ponte e eu, Rubem Alves.
Visitei Portugal, acho que no ano 2000, e lá conheci uma escola diferente: a Escola da Ponte. Para mim, foi um espanto. Fiquei apaixonado e escrevi um livrinho sobre ela: "A Escola com que Sempre Sonhei Sem Imaginar que Pudesse Existir". Amei a Escola da Ponte, amor à primeira vista.
Sou um educador. Escrevi muitas coisas sobre a educação no transcorrer da minha vida. Mas, de tudo o que escrevi, acho que minha contribuição mais significativa para a educação foi esse relato espantado e apaixonado.
A Folha publicou uma entrevista com o título "O lado escuro da Escola da Ponte" (7 de março de 2011). Nessa entrevista, o professor José Pacheco manifestou a sua preocupação com esse livro, exatamente por ele ter saído de um olhar apaixonado. A paixão obscurece os olhos que se põem então a construir mitos. E os mitos podem ser enganadores. O meu livrinho poderia levar os leitores a fantasiar coisas maravilhosas sobre a escola que não correspondem à realidade.
O que são mitos? Mitos são sonhos transformados em poesia. E a poesia tem poderes mágicos de transformar e dar vida. Quem explica o mito é Fernando Pessoa:
"O mytho é o nada que é tudo;/ Sem existir, bastou./ Por não ter vindo foi vindo e nos creou./ Assim a lenda se escorre a entrar na realidade/ E a fecundá-la decorre".
A visão mítica, que não é intencional, acendeu sonhos que dormiam em mim. Aí me vieram ao pensamento estes três textos que dizem o que penso.
Primeiro, Miguel de Unamuno: "Recuerda, pues, o sueña tú, alma mia -la fantasia es tu sustancia eterna lo que no fué; com tus figuraciones hazte fuerte, que eso es vivir, y lo demás es muerte".
Depois, as palavras de Tolstói, que Guimarães Rosa cita com aprovação: "Se descreves o mundo tal como é, não haverá em tuas palavras senão muitas mentiras e nenhuma verdade".
Finalmente, esse delicioso poeminha de Mário Quintana sobre as utopias: "Se as coisas são inatingíveis, ora... não é motivo para não querê-las. Que tristes os caminhos se não fora a presença distantes das estrelas".
Continuarei a apontar para as estrelas...

terça-feira, 8 de março de 2011

RUBEM ALVES - Filosofia, poesia e folia...

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O homem tem sentido muito pouca alegria: esse, somente, meus irmãos, é o nosso pecado original
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AOS QUE DANÇAM aos sons coloridos da fantasia, aos que fazem os corpos tremer, voar e mostrar, essas pitadas de filosofia, poesia e folia, escritas por Nietzsche, discípulo de Dionísio, deus do vinho, das festas, das orgias e do prazer...
Fantasiado de filosofo ele se junta aos cordões de foliões...
"Eu poderia crer somente num deus que dançasse. E quando vi o meu demônio eu o encontrei sério, rigoroso, profundo e solene: era o espírito da gravidade por ele todas as coisas afundam. Não se mata por meio do ódio. Mata-se por meio do riso. Venham, vamos matar o espírito de gravidade! Agora estou leve! Agora eu voo! Agora um deus dança através do meu corpo."

Num homem real se esconde uma criança... que deseja brincar...

"Somente na dança eu sei contar a parábola das coisas mais altas! Quanto a mim, gosto da vida: borboletas e bolhas de sabão e todas as coisas que, entre os homens, se assemelhem a elas. Vendo flutuar essas almas leves, tolas, moveis, pequenas isso seduz Zaratustra a lágrimas e canções."

O homem tem sentido muito pouca alegria: esse, somente, meus irmãos, é o nosso pecado original.

Um homem de verdade deseja duas coisas: perigo e brincar.

A maturidade de um homem consiste em achar de novo a seriedade que se tinha como criança ao brincar.

E vocês, para quem a vida é um trabalho furioso e agitação, não estão cansados da vida? Não estão maduros para a pregação da morte? Todos vocês, que amam o trabalho furioso, o que é rápido, novo e estranho na verdade vocês acham difícil suportar vocês mesmos. O seu trabalho é uma fuga, uma vontade de se esquecerem de vocês mesmos. Se acreditassem mais na vida, não se agitariam tanto. Mas vocês não têm conteúdo suficiente em vocês mesmos para esperar e nem mesmo tempo para a preguiça.

Digo-lhes: é preciso ter caos dentro de si mesmo para ser capaz de dar à luz uma estrela dançante.

As palavras e os sons, não são eles pontes iridescentes e etéreas entre coisas eternamente separadas? Os nomes e os sons não foram dados às coisas para que nós as achássemos mais refrescantes? A fala é uma deliciosa loucura. Por meio dela o homem dança sobre todas as coisas.

O fundo do meu mar é tranquilo: quem poderia imaginar que nele vivem monstros brincalhões? Minhas profundezas são imperturbáveis. Mas elas cintilam com enigmas e risos nadantes.

Gosto de me assentar aqui onde as crianças brincam, ao lado da parede em ruínas, entre espinhos e papoulas vermelhas. Para as crianças, sou ainda um sábio, e também para os espinhos e papoulas vermelhas.

Foi-se a penumbra hesitante da minha primavera! Foi-se a maldade dos meus flocos de neve no verão. Tornei-me verão inteiramente, meio-dia de verão! Verão nas esferas altas com fontes frescas e silêncio abençoado. Oh! Venham meus amigos, para que o silêncio se torne mais abençoado ainda!

O deleite do artista naquilo que é passageiro, a alegria do artista que desafia todo sofrimento, é meramente uma imagem brilhante de nuvens e céu espelhada no lago negro da tristeza.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

RUBEM ALVES - Política e assassinato

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Camus declarou que nunca poderia ser um político por ser incapaz de desejar a morte de seus adversários
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LECZEK KOLAKOWSKI foi um filósofo polonês nos tempos em que a Polônia era dominada pelo Partido Comunista. Olhando para o cenário político da Polônia, ele viu coisas que os não filósofos não viam. Percebeu que o jogo do poder era jogado por dois tipos de jogadores: "sacerdotes" e "bufões".
Os "sacerdotes" são adoradores de um monstro chamado partido. O partido é como a igreja: sagrado. Sagrado é tudo aquilo que deve ser reverenciado e obedecido. Ele proíbe o ato de pensar e duvidar e exige que seus dogmas sejam repetidos como se fossem catecismos: " Boca de forno! Fareis tudo o que o seu mestre mandar? Faremos todos..."
Nisso os membros de igrejas e os membros do partido são iguais. Por se acreditarem donos da verdade, os "sacerdotes" são sérios e intolerantes, e estão prontos a destruir aqueles que duvidam. Os "sacerdotes" desejam matar os adversários e para isso lançam mão de todos os artifícios, inclusive a fogueira.
Camus percebeu o impulso assassino da política e declarou que nunca poderia ser um político por ser incapaz de desejar a morte de seus adversários. Os debates políticos, não são eles todos tentativas de assassinato?
Os "bufões" são palhaços. Sua vocação é produzir o riso diante dos ídolos dos "sacerdotes" e transformar seus altares em mictórios. Seu mundo não tem verdades; apenas risos. Seus pensamentos são leves e voam como as borboletas...
Observando o que tem acontecido na política brasileira, meus olhos viram coisa parecida com aquilo que os olhos de Kolakowski viram na Polônia de sua época. Três tipos de atores desfilaram à minha frente: os políticos por profissão, os palhaços e os poetas. Cada um deles jogando do jeito como sabem e gostam de jogar.
Os políticos por profissão fazem o jogo do poder. Como jogadores de tênis, é preciso dar a cortada que tire o outro concorrente da jogada. Cada cortada bem sucedida é um golpe assassino. Promessas são engodos para que o peixe morda o anzol. Todos os anzóis são permitidos.
Dito por Maquiavel: "Não importa que o Príncipe seja justo; o que importa é que ele "pareça" ser justo". Os peixes não são movidos pelo anzol, mas por aquilo que "parece ser" a isca. Daí a importância dos especialistas na produção de imagens. São eles que seduzem os peixes a morder a isca.
O Tiririca não queria enganar ninguém. O cinismo do candidato era descaradamente verdadeiro. Ele queria apenas representar o seu número de palhaço. Mas enganam-se aqueles que interpretam a sua performance no pleito como uma "palhaçada". O voto para o Tiririca foi uma palavra, na verdade um "palavrão" do eleitor, uma gargalhada no picadeiro do circo das eleições... Traduzido seu significado, o voto ao Tiririca queria dizer: "Eu o considero palhaço, superior a todos os outros que se vestem com jaquetão e gravata..."
E a Marina... Fraca. Por que se candidatou? Candidatou-se para dizer um poema, sabendo que "a política nunca pode provocar poesia"( Goethe). E com a poesia proclamou aquilo que Camus anunciou: que nenhum povo pode viver sem a beleza.
Mas depois de apurados os assassinatos, onde estará a poesia? De que se alimentará o povo?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A morte é muito astuta. Ela ataca no momento em que não se espera.

RUBEM ALVES

A felicidade do avô

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O caminho era longo e as suas pernas eram velhas e cansadas; chegou depois que todos haviam partido
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JÁ CONTEI ESSA ESTÓRIA como um narrador abstrato para leitores abstratos. Mas nesse dia do meu aniversário eu a conto nietzscheanamente, com meu sangue, para meus filhos e netos.
Viveu outrora um imperador, pai de muitos filhos, avô de muitos netos, a quem amava de todo coração. Infelizmente, entretanto, ele sofria sem cessar com o medo de que a Morte pudesse levar um deles.
Essa ideia lhe tirava toda a alegria de viver. Durante o dia era atormentado pela ansiedade. De noite era afligido pela insônia. Seus pensamentos não paravam de procurar meios de burlar a Morte.
Seu palácio estava cheio de médicos, laboratórios e remédios, que combatiam a Morte no front das enfermidades. Havia também guardas por todos os lados do palácio, encarregados de combater a Morte no front dos acidentes.
Mas ele sabia que tais cuidados apenas não bastavam. A morte é muito astuta. Ela ataca no momento em que não se espera. Por isso, o imperador mandou vir, dos lugares mais distantes do seu reino, todos os sacerdotes, profetas, videntes, mágicos, feiticeiros, sábios, gurus, com o pedido de que não apenas realizassem os rituais mágicos apropriados, como também escrevessem, nas páginas de um livro sagrado, feito especialmente para esse fim, com papiros recolhidos em noites de lua cheia nos lugares onde moravam os deuses, as bênçãos que garantiriam aos seus filhos e netos vida longa e felicidade.
Ouvindo a convocação do imperador veio de uma longínqua província um velho sábio, que todos ignoravam. Ele morava num lugar distante, nas montanhas. O caminho a ser trilhado era longo e as suas pernas eram velhas e cansadas. Chegou atrasado, depois que todos já haviam partido.
O imperador se alegrou ao ser informado da chegada do homem santo e ordenou que um de seus conselheiros lhe mostrasse o livro sagrado. O velho sábio leu cuidadosamente os desejos que ali haviam sido escritos.
Após ler tudo o que fora escrito, o velho sábio tomou de uma pena e gravou nas páginas do livro sagrado estas palavras:
"Os avós morrem.
Os pais morrem.
Os filhos morrem."
E assinou o seu nome.
O imperador, ao ler tais palavras no livro enfureceu-se, julgando-as fórmulas de maldição e exigiu que o sábio se explicasse, sob pena de ser mandado para a prisão pelo resto dos seus dias.
"Majestade", disse o sábio. "Não sei receitas para impedir a chegada da Morte. Ela virá de qualquer forma. Sou apenas um velho poeta. Minhas palavras não têm o poder de exorcizá-la. O que eu posso desejar é que ela venha na ordem certa."
"A ordem certa?"
"O que é que mais deseja um avô? Ele deseja morrer vendo seus filhos e netos cheios de vida e de alegria.
O que é que mais deseja um pai? Ele deseja morrer vendo seus filhos saudáveis e felizes.
Não tenho palavras mágicas para impedir que a Morte venha. Mas lhe ofereço meus desejos de que ela venha na ordem certa. Por isso invoquei a Morte, na ordem da felicidade:
"Os avós morrem. Os pais morrem. Os filhos morrem."
O imperador sorriu, tomou nas suas as mãos do velho sábio e as beijou.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

RUBEM ALVES: Dor. Ou: O Paraíso mora dentro de uma ampola de Dolantina...

RUBEM ALVES
EU: É BOM LER ESTE TEXTO TENDO EM VISTA UMA FRASE DE SARAMAGO: "Dói-me o mundo, não me conformo com o que os homens fazem aos homens".
Dor

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Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo. Passada a dor, ela fica na memória. Passa a morar no passado
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GOSTO DA ADÉLIA PRADO por várias razões. É poeta. Tem o jeitão mineiro. E é teóloga. Sempre que ela fala sobre os mistérios do mundo sagrado eu me calo e medito. Quase sempre as palavras dela iluminam as minhas dúvidas. Sugestão para algum estudante que esteja à procura de tema para dissertação: "A Teologia da Adélia Prado"...
Mas hoje peço perdão. Discordo do que ela escreveu. Estava falando sobre a coisa mais terrível que há no mundo, o demônio, e foi isso, mais ou menos, o que ela escreveu. Digo "mais ou menos" porque não sei de cor e não posso consultar os livros dela que estão encaixotados, prontos para uma mudança, que julgo, será a última... Foi isso que acho que ela disse: "O céu será igualzinho a essa vida, menos uma coisa: o medo..." Tanta coisa boa! Não é preciso mais nada. O que está aí chega. Precisa só tirar uma coisa, uma única coisa, e a Terra se transformará no céu. Qual é o nome dessa coisa terrível? Ela responde: o medo.
Concordo. Mas acho que tem coisa pior, que é a causa de todos os medos: a dor. Nunca tive medo de cálculo renal. A despeito de nunca ter tido medo, ele veio, sem pedir licença e sem consultar se eu tinha medo ou não. Foi assim que conheci pela primeira vez a dor do inferno. Cessam todos os pensamentos. O corpo só deseja uma coisa: parar de sentir dor, a qualquer preço.
Dor não tem jeito de explicar. Bernardo Soares diz que tudo o que é sentimento é inexplicável. O artista, para comunicar seus sentimentos inexplicáveis, se vale de um artifício: invoca um sentimento "parecido".
De que comparação vou me valer para explicar a dor a alguém que não a está sentindo? Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo, no presente. Enquanto a dor está doendo, meu corpo -não minha cabeça- sabe o que ela é. Passada a dor, ela fica na memória. Passa a morar no passado. Mas isso que está na memória não é conhecimento da dor porque o passado não dói. A memória da dor, por terrível que tenha sido, não me dá conhecimento da dor, depois que ela se foi.
Minha memória mais antiga de dor me leva de volta à roça onde vivi quando menino. Lembro-me, mas não sinto. Acho até engraçado. Era dor de dente. A dor fazia ele inchar até ficar do tamanho do universo- e eu, chorando, sem saber contar a minha dor, dizia que tinha inveja das galinhas que não tinham dentes... Foi meu primeiro encontro.
Mais tarde ela voltou sem se anunciar. Não a mesma. Cada dor é única. Chegou bruta, definitiva. Lutei usando as armas que se compram nas farmácias. Inutilmente. Levaram-me (nesse ponto eu já não era dono de mim mesmo; estava à mercê dos outros) então para o hospital. As injeções são mais potentes que os comprimidos. Aplicaram-me seis Buscopan. A dor não tomou conhecimento. Ficou mais forte. Comecei a vomitar. O médico, reconhecendo a derrota dos recursos penúltimos, dirigiu-se à enfermeira e disse o nome do último, nenhum mais forte: "Aplica uma Dolantina nele..."
Ela aplicou. Passados cinco minutos, senti a mais deliciosa sensação que tive em toda minha vida. Não era sensação de nada. Que me importava música, sexo ou flores? Era simplesmente a sensação de não ter dor. Pensei se essa euforia não deveria ser o estado normal da alma, sempre que o corpo não estivesse sentindo dor... Rindo e feliz, brinquei que o Paraíso morava dentro de uma ampola de Dolantina...