Por Jorge Fernando dos Santos em 8/3/2011
Ao passar em frente a uma banca, deparo com a edição de número 6 da revista Alfa Homem. Na capa, Chico Buarque me encara com seus olhos de ardósia. A manchete, "A Volta do Malandro", anuncia a gravação de um novo disco. Quanto custa a Alfa?, pergunto ao jornaleiro. Dez reais, ele responde. Pago o valor, pego a revista e começo a ler assim que entro no ônibus. Decepção. Eis a melhor palavra para descrever meu sentimento de leitor traído. Até que a nova revista masculina da Abril é bem diagramada, com belas fotos e textos bem escritos sobre variados assuntos. Mas, pelo amor de Deus, colocar Chico Buarque na capa e não dizer nada de novo sobre ele é, no mínimo, covardia.
Sou fã do Chico desde a adolescência – eu e metade do Brasil. Tenho quase todos os seus discos, li todos os seus livros, guardo a sete chaves o autógrafo numa edição da Ópera do Malandro, publicada pelo antigo Círculo do Livro. Li muita coisa publicada sobre ele, inclusive as críticas excessivamente generosas ao escritor cujo sucesso muito se deve à fama de cantor popular. A reportagem de Alfa, com fotos de Walter Carvalho e assinada por Regina Zappa, não traz nenhuma informação que possa merecer capa (a rima, nesse caso, é intencional). A não ser a notícia de um novo CD, que deve ser gravado a partir de abril ou maio. Péra lá, se o coqueiro dá coco e o limoeiro limão, é pra lá de natural que o cantor-compositor mais talentoso do país esteja planejando gravar mais um disco. Principalmente depois do sucesso do último livro, já que tem o hábito de intercalar a produção literária com a musical.
"Sex symbol com mais de 60 anos?"
Pensei que nas páginas seguintes a reportagem brindaria o leitor com trechos de letras inéditas, mas nem isso. O texto previsível mais parece release de assessoria. Repete o mote das caminhadas do artista pelas ruas e pelo calçadão do Leblon, sua paixão pelo futebol, a relação afetuosa com São Paulo, os apês no Rio e em Paris, o esforço para não deixar a fama solapar a privacidade, o convívio com a ex-mulher, filhas e netos. Às vésperas do carnaval, a folia sequer é cogitada. Tampouco a Copa de 2014.
Por coincidência, temos aí a polêmica em torno das primeiras medidas tomadas pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que, não por acaso, é irmã do Chico. Ele, todo mundo sabe, é amigo de Lula e apoiou a candidatura oficial. No entanto, metade dos artistas que votaram na presidenta Dilma tem detonado a ministra – injusta e precipitadamente, diga-se de passagem. O X da questão é a Lei de Direitos Autorais, mas Zappa nem toca no assunto. E olha que o cantor-compositor foi um dos que mais lutaram pela moralização autoral da MPB.
Como se não bastasse tanta falta de notícia, a revista traz um texto assinado por Caco de Paula. O articulista praticamente pede desculpas ao leitor pelo fato de Chico continuar se dizendo de esquerda em tempos de globalização e ainda ser complacente com ditadores como Chávez e Fidel. Realmente, no Brasil, patrulha ideológica só é tolerada se exercida pelos petistas. No entanto, cidadão livre e vacinado, Chico pode apoiar quem quiser. O que conta mesmo é sua obra magistral.
Para fechar com "chave de ouro" a reportagem de capa, Alfa chama para o seu site, no qual o leitor poderia lembrar trechos de sucessos do artista, que posa numa foto de página inteira com a legenda: "Sex symbol com mais de 60 anos? Tenha paciência!" Tenha paciência o editor, pois essa foto é de 20 anos atrás, quando Chico era quase um cinquentão.
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terça-feira, 8 de março de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
MÍDIA - O envelhecimento da notícia
BLOG
luisnassif, qui, 25/11/2010 - 10:20
Por Webster Franklin
Do Observatório da Imprensa
Autor: Washington Araújo
A reinvenção e o veneno
E pensar que o noticiário dos jornais diários mudou completamente em 30 dias! As grandes apostas dos diários em 22/10/2010 eram feitas em cima do caso da bolinha de papel que havia "quicado" na calva de José Serra. O SBT e a Globo travavam sua disputa com os poucos elementos da verdade: foi uma bolinha inofensiva ou esta teria sido apenas o primeiro objeto arremessado contra o então candidato tucano? O trololó da quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra e mais 3.999 cidadãos brasileiros ainda reverberava com indícios de que quem estava por trás de tudo era o jornalista mineiro Amaury Junior. A peregrinação de Dilma Rousseff e José Serra por templos religiosos aparecia com menor força. O personagem escaldado Paulo Preto continuava naquele lusco-fusco: merece freqüentar capas de jornais ou não? E o mais que tínhamos eram as pesquisas intenção de voto no segundo turno. Todas dando vantagem de Dilma variando de 10 a 12 pontos sobre Serra.
É impressionante a capacidade de envelhecimento que as notícias têm. Os jornais, porque estou aqui mais focado nestes, parecem clínicas pediátricas que na eternidade 24 horas se transformam em robustas clínicas geriátricas. Os eventos pautados pela imprensa escrita no mês passado parecem coisas muitas antigas, datadas demais, passadas em excesso, meros esperneios inúteis e toda sorte de energia gasta para manter acesa a chama do jornalismo. E para isso, sem rodeios, se utiliza cada vez mais óleo da pior qualidade.
Dito popular
O jornalismo precisa se reinventar todo dia. Buscar forças não se sabe bem onde para continuar avante. Como toda profissão que seja digna a um ser humano, o jornalismo precisa de doses diárias de utopia. Não a utopia representada por "meros devaneios tolos a nos torturar". Nem a utopia que abarca amontoado de piedosas intenções. Penso na utopia de fazermos um jornalismo melhor, veraz, contundente na medida, correto e, também, sem segundas nem terceiras intenções, sem agendas sequestradas de grupos secretos como os Iluminati.
Utopia que se preze é aquela que nunca se realiza. Está sempre pendurada no horizonte. E fica no horizonte para termos certeza de que nunca a alcançaremos. E quanto mais nos aproximamos da utopia mais ela recua. Avançamos quatro passos ela recua quatro passos. Mas ainda assim a utopia tem sua serventia. Ela serve unicamente para nos fazer caminhar.
O jornalismo deve nos fazer crer que é possível viver para além da infâmia, dos escusos jogos de interesse. E nos alertar para quando estivermos prestes a confundir o destino com o tempo presente. Sem a dose de utopia diária fica quase impossível manter essa certeza de que amanhã o mundo pode ser bem diferente do que é hoje. Em uma época marcada pelo "vale quanto pesa", falar em utopia parece ser o absoluto nonsense. É que há que se transformar a utopia em ações esculpidas na realidade nossa de cada dia. E voltamos a pensar sobre o destino de irmãos siameses a atar os fins e os meios.
Estava em meio a tais pensamentos quando, num estalo, pensei sobre as relações dos meios de comunicação com aqueles por ela eleitos como "desafetos". Refiro-me mais recentemente à cruzada da revista Veja para menosprezar, ridicularizar o cantor e compositor Chico Buarque. E tudo por causa de Prêmio Jabuti. E tudo porque a imprensa parece desconhecer o que há muito reza o ditado popular: "Todo mundo sabe que jabuti não sobe em árvore. Se lá está é porque alguém o colocou". Este Observatório publicou excelentes textos sobre o tema (ver "A política dos prêmios literários", "Quem garfou quem" e "É grave mas ninguém dá bola").
"Cansaço e irritação"
Comecemos pelo começo, já nos ensinava Heidegger. Chico Buarque é tímido e sempre foi tímido. Assume que não tem medo de público. Ao contrário, sente pânico. E de onde vem esse mal-estar logo que o artista sobe ao palco? É que Chico sabe que ali, naquele buraco negro que é a boca de cena, estará à frente de centenas, milhares de pessoas. E sofre com isso. Em suas palavras: "A gente é visto sem ver. Terrível".
Para um tímido de carteirinha, com crachá e tudo, deve ser no mínimo desagradável ficar sabendo que a revista da Abril não lhe perdoa o sucesso. Como dizia Tom Jobim, velho amigo e grande parceiro de Chico, "se existe uma coisa que o brasileiro não perdoa, esta é o sucesso". Afinal, em que grama a imagem, a obra e a vida de Chico Buarque seria aumentada – ou diminuída – por haver sido contemplado com o Prêmio Jabuti? Longe de ser privilegiado ao receber um prêmio, seja de música ou de literatura, outra constatação evidente é que é bem mais plausível que Chico agregue valor ao prêmio que o contrário.
Não seria obrigação de jornalistas minimamente informados beber do senso comum e dar conta de que Chico é hiperfacetado, pode ser apreciado como cantor, compositor, roteirista e teatrólogo ou então como escritor e pensador? Chico nem reivindica qualquer aprovação, selo de qualidade ou beneplácito dessa ou de outra imprensa. A timidez buarquiana deixa evidente que se existe algo que ele recusa é o tal rótulo da unanimidade. Não precisa ser unanimidade – até porque a palavra ficou amaldiçoada depois de andar de braços dados com a burrice, segundo a verve de Nelson Rodrigues.
A verdade é que o irmão de Raízes do Brasil – sim, porque falam que livro é como filho e seu pai Sérgio Buarque de Hollanda simplesmente brindou nossa cultura com esta obra – trafega na cultura brasileira com passe livre, 24 horas ao dia, 365 dias ao ano, sendo festejado nos papos da Zona Sul carioca e também nas quadras das escolas de samba dos morros dessa cidade. Não à toa foi referido por Dona Zica como "Chico Buarque de Mangueira". Sua vida, sua música, seus livros, suas peças, tudo isso foi tema do samba enredo da Estação Primeira de Mangueira em 1998.
Chico não contava 30 anos de idade quando Veja, em sua edição de 2 de maio de 1973, já o adotara como declarado desafeto. O título de alentada "reportagem" era muito claro: "Brasileiro, batuqueiro, encrenqueiro". Destaquei o seguinte:
"Os variados personagens interpretados nos últimos meses por Chico Buarque são, pela intensidade com que atingem o público, necessariamente contraditórios. Muitos de seus admiradores preferem ainda o Chico outros tempos, menos elaborado, feliz com sua Joana debaixo do braço, carregadinha de amor. Para um reitor em Minas, suas palavras nada tinham de talentosas ou corajosas, classificando-as publicamente como a expressão de um bêbado e um imoral. Os censores, talvez excessivamente exasperados por alguns casos isolados, não lhe dão tréguas. Assim, cinco anos depois de ter escrito e vomitado a peça ‘Roda Viva’, onde manifestava seu cansaço e irritação pelo fato de ser um ídolo do qual todos tudo esperam, ele está mais uma vez numa roda-viva de trabalho, receios e angústias..."
Importância relativa
Muitos são os colunistas de Veja que se dedicam com afinco ao esporte de açoitar o filho de Memélia. Diogo Mainardi em sua crônica "Edna entendeu tudo", de 11/7/2009, escreveu que...
"Edna O’Brien conheceu ‘Chico’ uma semana atrás, na Flip, em Paraty. Depois de participar de um debate, ela foi arrastada a um encontro entre Chico Buarque e Milton Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude, que ela se espantou com sua empáfia e com seu desconhecimento literário, e que se espantou mais ainda com sua facilidade para enganar a plateia da Flip."
Em 19/10/2010 a coluna de Augusto Nunes anotava a mais importante frase de um artista brasileiro pronunciada ao longo da campanha eleitoral de 2010. Tem a assinatura de Chico e ele a pronunciou no lotado Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, quando centenas de artistas declararam apoio a Dilama Rousseff: "O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai". O colunista agregava de sua lavra essas pérolas de urbanidade:
"Chico Buarque, ao declarar apoio a Dilma Rousseff, reforçando a suspeita de que o cérebro é dividido em compartimentos estanques, o que permite que convivam na mesma cabeça, por exemplo, um inimigo de ditaduras militares, um admirador de ditadores latino-americanos, um compositor genial e uma besta quadrada em política."
Para alguém que compôs coisas como "Deus lhe pague", "Rita", "Pedro Pedreiro", "Quem te viu, quem te vê", "Brejo da Cruz", "Olhos nos olhos", "Beatriz", "Paratodos" e levando em conta a exuberante produção poética (e literária) desse parceiro contumaz de Tom Jobim, Vinícius de Morais, Rui Guerra, Francis Hime e Edu Lobo, a revista precisará consumir ainda algumas toneladas de tinta e papel para começar – quem sabe? – a ficar na altura de seu antagonista e, se algum dia for conseguido o intento, dar início ao debate. Mas, então, sem saber o que será, restará apenas desalento com todo sentimento investido por Chico na construção de uma gota d’água.
Quantos aos jabutis, é bom que se diga que este jabuti-caçula faz companhia a outros dois ganhos pelo mesmo Chico. Para quem enfrentou um Maracanãzinho lotado – em outubro de 1968 – vaiando sua "Sabiá" na ilustre companhia de seu "maestro soberano", o sr. Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, qual seria mesmo a importância de um jabuti?
luisnassif, qui, 25/11/2010 - 10:20
Por Webster Franklin
Do Observatório da Imprensa
Autor: Washington Araújo
A reinvenção e o veneno
E pensar que o noticiário dos jornais diários mudou completamente em 30 dias! As grandes apostas dos diários em 22/10/2010 eram feitas em cima do caso da bolinha de papel que havia "quicado" na calva de José Serra. O SBT e a Globo travavam sua disputa com os poucos elementos da verdade: foi uma bolinha inofensiva ou esta teria sido apenas o primeiro objeto arremessado contra o então candidato tucano? O trololó da quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra e mais 3.999 cidadãos brasileiros ainda reverberava com indícios de que quem estava por trás de tudo era o jornalista mineiro Amaury Junior. A peregrinação de Dilma Rousseff e José Serra por templos religiosos aparecia com menor força. O personagem escaldado Paulo Preto continuava naquele lusco-fusco: merece freqüentar capas de jornais ou não? E o mais que tínhamos eram as pesquisas intenção de voto no segundo turno. Todas dando vantagem de Dilma variando de 10 a 12 pontos sobre Serra.
É impressionante a capacidade de envelhecimento que as notícias têm. Os jornais, porque estou aqui mais focado nestes, parecem clínicas pediátricas que na eternidade 24 horas se transformam em robustas clínicas geriátricas. Os eventos pautados pela imprensa escrita no mês passado parecem coisas muitas antigas, datadas demais, passadas em excesso, meros esperneios inúteis e toda sorte de energia gasta para manter acesa a chama do jornalismo. E para isso, sem rodeios, se utiliza cada vez mais óleo da pior qualidade.
Dito popular
O jornalismo precisa se reinventar todo dia. Buscar forças não se sabe bem onde para continuar avante. Como toda profissão que seja digna a um ser humano, o jornalismo precisa de doses diárias de utopia. Não a utopia representada por "meros devaneios tolos a nos torturar". Nem a utopia que abarca amontoado de piedosas intenções. Penso na utopia de fazermos um jornalismo melhor, veraz, contundente na medida, correto e, também, sem segundas nem terceiras intenções, sem agendas sequestradas de grupos secretos como os Iluminati.
Utopia que se preze é aquela que nunca se realiza. Está sempre pendurada no horizonte. E fica no horizonte para termos certeza de que nunca a alcançaremos. E quanto mais nos aproximamos da utopia mais ela recua. Avançamos quatro passos ela recua quatro passos. Mas ainda assim a utopia tem sua serventia. Ela serve unicamente para nos fazer caminhar.
O jornalismo deve nos fazer crer que é possível viver para além da infâmia, dos escusos jogos de interesse. E nos alertar para quando estivermos prestes a confundir o destino com o tempo presente. Sem a dose de utopia diária fica quase impossível manter essa certeza de que amanhã o mundo pode ser bem diferente do que é hoje. Em uma época marcada pelo "vale quanto pesa", falar em utopia parece ser o absoluto nonsense. É que há que se transformar a utopia em ações esculpidas na realidade nossa de cada dia. E voltamos a pensar sobre o destino de irmãos siameses a atar os fins e os meios.
Estava em meio a tais pensamentos quando, num estalo, pensei sobre as relações dos meios de comunicação com aqueles por ela eleitos como "desafetos". Refiro-me mais recentemente à cruzada da revista Veja para menosprezar, ridicularizar o cantor e compositor Chico Buarque. E tudo por causa de Prêmio Jabuti. E tudo porque a imprensa parece desconhecer o que há muito reza o ditado popular: "Todo mundo sabe que jabuti não sobe em árvore. Se lá está é porque alguém o colocou". Este Observatório publicou excelentes textos sobre o tema (ver "A política dos prêmios literários", "Quem garfou quem" e "É grave mas ninguém dá bola").
"Cansaço e irritação"
Comecemos pelo começo, já nos ensinava Heidegger. Chico Buarque é tímido e sempre foi tímido. Assume que não tem medo de público. Ao contrário, sente pânico. E de onde vem esse mal-estar logo que o artista sobe ao palco? É que Chico sabe que ali, naquele buraco negro que é a boca de cena, estará à frente de centenas, milhares de pessoas. E sofre com isso. Em suas palavras: "A gente é visto sem ver. Terrível".
Para um tímido de carteirinha, com crachá e tudo, deve ser no mínimo desagradável ficar sabendo que a revista da Abril não lhe perdoa o sucesso. Como dizia Tom Jobim, velho amigo e grande parceiro de Chico, "se existe uma coisa que o brasileiro não perdoa, esta é o sucesso". Afinal, em que grama a imagem, a obra e a vida de Chico Buarque seria aumentada – ou diminuída – por haver sido contemplado com o Prêmio Jabuti? Longe de ser privilegiado ao receber um prêmio, seja de música ou de literatura, outra constatação evidente é que é bem mais plausível que Chico agregue valor ao prêmio que o contrário.
Não seria obrigação de jornalistas minimamente informados beber do senso comum e dar conta de que Chico é hiperfacetado, pode ser apreciado como cantor, compositor, roteirista e teatrólogo ou então como escritor e pensador? Chico nem reivindica qualquer aprovação, selo de qualidade ou beneplácito dessa ou de outra imprensa. A timidez buarquiana deixa evidente que se existe algo que ele recusa é o tal rótulo da unanimidade. Não precisa ser unanimidade – até porque a palavra ficou amaldiçoada depois de andar de braços dados com a burrice, segundo a verve de Nelson Rodrigues.
A verdade é que o irmão de Raízes do Brasil – sim, porque falam que livro é como filho e seu pai Sérgio Buarque de Hollanda simplesmente brindou nossa cultura com esta obra – trafega na cultura brasileira com passe livre, 24 horas ao dia, 365 dias ao ano, sendo festejado nos papos da Zona Sul carioca e também nas quadras das escolas de samba dos morros dessa cidade. Não à toa foi referido por Dona Zica como "Chico Buarque de Mangueira". Sua vida, sua música, seus livros, suas peças, tudo isso foi tema do samba enredo da Estação Primeira de Mangueira em 1998.
Chico não contava 30 anos de idade quando Veja, em sua edição de 2 de maio de 1973, já o adotara como declarado desafeto. O título de alentada "reportagem" era muito claro: "Brasileiro, batuqueiro, encrenqueiro". Destaquei o seguinte:
"Os variados personagens interpretados nos últimos meses por Chico Buarque são, pela intensidade com que atingem o público, necessariamente contraditórios. Muitos de seus admiradores preferem ainda o Chico outros tempos, menos elaborado, feliz com sua Joana debaixo do braço, carregadinha de amor. Para um reitor em Minas, suas palavras nada tinham de talentosas ou corajosas, classificando-as publicamente como a expressão de um bêbado e um imoral. Os censores, talvez excessivamente exasperados por alguns casos isolados, não lhe dão tréguas. Assim, cinco anos depois de ter escrito e vomitado a peça ‘Roda Viva’, onde manifestava seu cansaço e irritação pelo fato de ser um ídolo do qual todos tudo esperam, ele está mais uma vez numa roda-viva de trabalho, receios e angústias..."
Importância relativa
Muitos são os colunistas de Veja que se dedicam com afinco ao esporte de açoitar o filho de Memélia. Diogo Mainardi em sua crônica "Edna entendeu tudo", de 11/7/2009, escreveu que...
"Edna O’Brien conheceu ‘Chico’ uma semana atrás, na Flip, em Paraty. Depois de participar de um debate, ela foi arrastada a um encontro entre Chico Buarque e Milton Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude, que ela se espantou com sua empáfia e com seu desconhecimento literário, e que se espantou mais ainda com sua facilidade para enganar a plateia da Flip."
Em 19/10/2010 a coluna de Augusto Nunes anotava a mais importante frase de um artista brasileiro pronunciada ao longo da campanha eleitoral de 2010. Tem a assinatura de Chico e ele a pronunciou no lotado Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, quando centenas de artistas declararam apoio a Dilama Rousseff: "O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai". O colunista agregava de sua lavra essas pérolas de urbanidade:
"Chico Buarque, ao declarar apoio a Dilma Rousseff, reforçando a suspeita de que o cérebro é dividido em compartimentos estanques, o que permite que convivam na mesma cabeça, por exemplo, um inimigo de ditaduras militares, um admirador de ditadores latino-americanos, um compositor genial e uma besta quadrada em política."
Para alguém que compôs coisas como "Deus lhe pague", "Rita", "Pedro Pedreiro", "Quem te viu, quem te vê", "Brejo da Cruz", "Olhos nos olhos", "Beatriz", "Paratodos" e levando em conta a exuberante produção poética (e literária) desse parceiro contumaz de Tom Jobim, Vinícius de Morais, Rui Guerra, Francis Hime e Edu Lobo, a revista precisará consumir ainda algumas toneladas de tinta e papel para começar – quem sabe? – a ficar na altura de seu antagonista e, se algum dia for conseguido o intento, dar início ao debate. Mas, então, sem saber o que será, restará apenas desalento com todo sentimento investido por Chico na construção de uma gota d’água.
Quantos aos jabutis, é bom que se diga que este jabuti-caçula faz companhia a outros dois ganhos pelo mesmo Chico. Para quem enfrentou um Maracanãzinho lotado – em outubro de 1968 – vaiando sua "Sabiá" na ilustre companhia de seu "maestro soberano", o sr. Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, qual seria mesmo a importância de um jabuti?
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Chico Buarque vence Prêmio Portugal Telecom
Enviado por luisnassif, ter, 09/11/2010 - 10:14
Por MiriamL
Prémio Portugal Telecom de Literatura para Chico Buarque
09/11/10
A chegada de Chico Buarque à Casa Fasano em São Paulo não deixou dúvidas entre os presentes sobre o vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura. O palpite das rodinhas de conversa provou-se verdadeiro: Chico Buarque foi o primeiro colocado com "Leite derramado". Na quinta-feira, venceu como melhor livro do ano de ficção e melhor livro de ficção no voto popular do prêmio Jabuti. Recebeu com alegria o troféu e ainda brincou antes de mais uma vez sair à francesa como fez no Jabuti, sem dar entrevistas, sobre quando receberia "o checão". O primeiro lugar recebe R$ 100 mil. “Outra Vida”, de Rodrigo Lacerda, ficou em segundo lugar. “Lar”, do poeta Armando Freitas Filho, foi o terceiro lugar. Recebem R$ 30 mil e R$ 15 mil, respectivamente. A caminho da saída Chico disse que não leu todos os outros concorrentes, mas defendeu seu romance.
- "Leite derramado" merecia estar entre os primeiros - falou
Por MiriamL
Prémio Portugal Telecom de Literatura para Chico Buarque
09/11/10
A chegada de Chico Buarque à Casa Fasano em São Paulo não deixou dúvidas entre os presentes sobre o vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura. O palpite das rodinhas de conversa provou-se verdadeiro: Chico Buarque foi o primeiro colocado com "Leite derramado". Na quinta-feira, venceu como melhor livro do ano de ficção e melhor livro de ficção no voto popular do prêmio Jabuti. Recebeu com alegria o troféu e ainda brincou antes de mais uma vez sair à francesa como fez no Jabuti, sem dar entrevistas, sobre quando receberia "o checão". O primeiro lugar recebe R$ 100 mil. “Outra Vida”, de Rodrigo Lacerda, ficou em segundo lugar. “Lar”, do poeta Armando Freitas Filho, foi o terceiro lugar. Recebem R$ 30 mil e R$ 15 mil, respectivamente. A caminho da saída Chico disse que não leu todos os outros concorrentes, mas defendeu seu romance.
- "Leite derramado" merecia estar entre os primeiros - falou
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Chico Buarque na platéia: frisson no Prêmio Jabuti
Escritor chegou discretamente e saiu como grande vencedor com seu romance 'Leite Derramado'
05 de novembro de 2010 | 13h 51
Leia a notícia
Ubiratan Brasil - O Estado de S. Paulo
Chico Buarque chegou discretamente ao auditório da Sala São Paulo, na noite de quinta-feira, durante a cerimônia de entrega do 52º Prêmio Jabuti de Literatura. Para um homem avesso a cerimônias públicas, no entanto, sua presença indicava algo mais. Terminou a noite como autor do Livro do Ano de Ficção e ganhou também o prêmio Voto Popular.
JF Diório/AEChico Buarque: 'Não estou escrevendo nenhum outro romance, apenas músicas', disse eleVeja também:
Chico ganha seu 3.º Jabuti
"Gosto de receber esse prêmio, por isso venho sempre que posso", disse o escritor ao Estado. "Só não vim em 2004 (quando ganhou por ‘Budapeste’) porque estava viajando." E arrematou, sorridente: "Estou aumentando minha coleção". De fato, desde quinta-feira, Chico tornou-se o autor com mais obras eleitas Livro do Ano, somando três - além de Leite Derramado e Budapeste, venceu também em 1992, por Estorvo.
Pelo seu livro Leite Derramado (Companhia das Letras), ele tinha ao menos uma distinção garantida: a estatueta de 2.º colocado na categoria romance - em primeiro, ficou Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), de Edney Silvestre. Já O Tempo e o Cão (Boitempo), de Maria Rita Kehl, foi eleito o Livro do Ano de não-ficção.
A presença de Chico Buarque provocou um frisson na Sala São Paulo. Sentado ao lado de seu editor Luiz Schwarcz, ele atraiu uma infinidade de fãs (a maioria mulheres e até uma criança) e nomes também conhecidos, como a atriz Regina Duarte e o senador Eduardo Suplicy.
Quando subiu ao palco para receber sua primeira estatueta (a de 2.º colocado na categoria romance), o escritor brincou com o tamanho do jabuti, que considerou pequeno. Recebido o último prêmio, ele deixou rapidamente a Sala São Paulo.
Chico, no entanto, não tem intenção de aumentar sua coleção de Jabutis. "Não estou escrevendo nenhum outro romance, apenas músicas", disse ele, que recebeu R$ 30 mil pela escolha do livro do ano. Sua conta bancária poderá aumentar na segunda-feira quando serão anunciados os vencedores do Prêmio Portugal Telecom. Leite Derramado está entre os nove finalistas (Caim, de José Saramago, foi retirado da competição a pedido da Fundação que leva seu nome) e o vencedor receberá R$ 100 mil.
Os vencedores do Prêmio Jabuti são escolhidos por um júri abrangente, formado por profissionais do mercado editorial como livreiros, que constroem sua opinião também pelo retorno financeiro do livro. E Leite Derramado frequentou a lista dos mais vendidos durante algumas semanas do ano passado.
05 de novembro de 2010 | 13h 51
Leia a notícia
Ubiratan Brasil - O Estado de S. Paulo
Chico Buarque chegou discretamente ao auditório da Sala São Paulo, na noite de quinta-feira, durante a cerimônia de entrega do 52º Prêmio Jabuti de Literatura. Para um homem avesso a cerimônias públicas, no entanto, sua presença indicava algo mais. Terminou a noite como autor do Livro do Ano de Ficção e ganhou também o prêmio Voto Popular.
JF Diório/AEChico Buarque: 'Não estou escrevendo nenhum outro romance, apenas músicas', disse eleVeja também:
Chico ganha seu 3.º Jabuti
"Gosto de receber esse prêmio, por isso venho sempre que posso", disse o escritor ao Estado. "Só não vim em 2004 (quando ganhou por ‘Budapeste’) porque estava viajando." E arrematou, sorridente: "Estou aumentando minha coleção". De fato, desde quinta-feira, Chico tornou-se o autor com mais obras eleitas Livro do Ano, somando três - além de Leite Derramado e Budapeste, venceu também em 1992, por Estorvo.
Pelo seu livro Leite Derramado (Companhia das Letras), ele tinha ao menos uma distinção garantida: a estatueta de 2.º colocado na categoria romance - em primeiro, ficou Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), de Edney Silvestre. Já O Tempo e o Cão (Boitempo), de Maria Rita Kehl, foi eleito o Livro do Ano de não-ficção.
A presença de Chico Buarque provocou um frisson na Sala São Paulo. Sentado ao lado de seu editor Luiz Schwarcz, ele atraiu uma infinidade de fãs (a maioria mulheres e até uma criança) e nomes também conhecidos, como a atriz Regina Duarte e o senador Eduardo Suplicy.
Quando subiu ao palco para receber sua primeira estatueta (a de 2.º colocado na categoria romance), o escritor brincou com o tamanho do jabuti, que considerou pequeno. Recebido o último prêmio, ele deixou rapidamente a Sala São Paulo.
Chico, no entanto, não tem intenção de aumentar sua coleção de Jabutis. "Não estou escrevendo nenhum outro romance, apenas músicas", disse ele, que recebeu R$ 30 mil pela escolha do livro do ano. Sua conta bancária poderá aumentar na segunda-feira quando serão anunciados os vencedores do Prêmio Portugal Telecom. Leite Derramado está entre os nove finalistas (Caim, de José Saramago, foi retirado da competição a pedido da Fundação que leva seu nome) e o vencedor receberá R$ 100 mil.
Os vencedores do Prêmio Jabuti são escolhidos por um júri abrangente, formado por profissionais do mercado editorial como livreiros, que constroem sua opinião também pelo retorno financeiro do livro. E Leite Derramado frequentou a lista dos mais vendidos durante algumas semanas do ano passado.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Artistas e intelectuais repetem um palanque como o de 1989
É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros. O artigo é de Gilberto Maringoni.
Gilberto Maringoni
Chico Buarque avisou que não falaria. Brincava: viera como papagaio de pirata ao ato de apoio de artistas e intelectuais à candidatura de Dilma Rousseff, no teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, na noite de segunda (18). Mas acabou caindo em uma provocação de Leonardo Boff e fez um brevíssimo discurso, que já está em todos os sáites, blogues e tuíteres pela rede:
“Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma, essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis”.
Emendou com um parágrafo: “A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo”.
E brincou: “Nunca antes na História desse país houve algo assim".
Aplausos, risos e charangas.
“É Dilma, é Dilma sim/ porque eu não penso só em mim!”
FINAL DE CAMPEONATO
O clima era de final de campeonato, com bandeiras e agitação, como há muito as campanhas não exibiam.
É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros.
O sociólogo Emir Sader, um dos organizadores, sintetizou: “Este é um ato daqueles que votaram e apoiaram diferentes candidatos no primeiro turno e que se reúnem para defender conquistas. O outro lado representa o caminho do obscurantismo”.
Para a professora de Filosofia Marilena Chauí, aquela era uma sagração da democracia. Do alto da tribuna, puxou da bolsa o panfleto da campanha José Serra, no qual estava escrito “Jesus é a verdade e a fé”. Sem titubear, emendou: “Este folheto é obsceno; obsceno religiosa e politicamente. Ele ataca o núcleo da democracia republicana, que é o Estado laico”. Em meio a aplausos, finalizou: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso país”.
MOTIVAÇÕES
Uma das grandes motivações do ato foi a ofensiva midiática fundamentalista que tomou conta da reta final da campanha eleitoral, aproveitando-se de erros e tropeços da candidatura Dilma. De uma disputa que aparentava ser um passeio para o governo, existe agora uma batalha voto a voto, que toma conta de setores de esquerda e mesmo daqueles que se desiludiram com a ação oficial e saíram em busca de uma terceira via no primeiro turno.
No Casa Grande, a convergência era o tom. Lia de Itamaracá levantou a platéia ao entoar “Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na ilha de Itamaracá”. Não era um ato propriamente, era uma celebração.
Aproveitando o clima, Beth Carvalho parodiou o sucesso de Zeca Pagodinho, cantando: “Deixa a Dilma me levar/ Dilma leva eu, Dilma leva eu (...)/ Sou feliz e agradeço/ Por tudo o que você me fez”.
Leonardo Boff era talvez a expressão maior do caráter plural do ato. Apoiador de Marina Silva, ele optou por Dilma no segundo turno e pronunciou um emocionado discurso de 25 minutos. “Se com Lula, a esperança venceu o medo”, lembrou, “com Dilma, a verdade vai vencer a mentira”. Para Boff, esta eleição é mais do que o confronto entre dois candidatos, representa o confronto entre duas idéias de Brasil. “Se a oposição ganhar, teremos imensos retrocessos”. E com palavras duras, sintetizou o clima do país: “O que as classes dominantes não permitem é que um filho da pobreza, um peão como Lula, chegue à presidência. Gostariam que Lula ficasse na fábrica, produzindo para eles”.
Antes da fala de Dilma, foi lido o poema Os filhos da paixão, de Pedro Tierra, sob silêncio absoluto. Um de seus trechos diz:
“Queremos um país onde não se matem as crianças/ que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro./ Onde os filhos da margem tenham direito à terra,/ ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,/ às histórias que povoam nossa imaginação, às raízes da nossa alegria”.
DILMA FALA
O cenário estava pronto. Anunciada como futura Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma falou por 37 minutos. Para quem a viu nervosa e tensa no dia anterior, no debate da Rede TV!, ali estava outra pessoa. À vontade, com a palavra fluindo fácil, a candidata percorreu temas complexos, como política energética, relações internacionais, alocação de recursos, papel do Estado, educação, cultura, saúde e outros com desenvoltura.
Começou falando: “Vejo aqui um pedaço de minha vida. As músicas de minha juventude, os livros que li em vários tempos. Vejo aqui muitos que lutaram em décadas antigas”. Lembrou dos anos iniciais de sua militância, da prisão e das opções feitas. “Comecei a sonhar nos anos 1960. Era um sonho de um Brasil que tinha de mudar, um Brasil que tinha de ser diferente. Sonhamos revoluções e aprendemos a perder. Quem perde adquire uma imensa capacidade de resistir. Eu me formei na vida política perdendo. Tenho muito orgulho de minhas derrotas. Foram derrotas de uma vida correta”.
A certa altura, voltou-se para temas concretos. Lembrou mais uma vez que o governo FHC queria mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Esmiuçou os modelos de exploração da riqueza subterrânea. “O governo passado preferiu um modelo conhecido como concessão. Quem encontrasse o óleo, era seu dono. Manter o modelo anterior significa privatizar o pré-sal!”
Ao mencionar a importância do desenvolvimento, recuperou uma idéia cara aos economistas heterodoxos: “Nós mudamos alguns tabus. O principal deles é de que o país não poderia crescer distribuindo renda. Hoje isso parece óbvio, mas nunca foi óbvio. Por trás desse tabu está uma visão mercantil do Brasil. Uma visão que incorpora uma parte da população nos benefícios da modernidade e pouco se importa com a outra parte”. Para ela, esta é a distinção entre sua candidatura e a dos adversários. “Não podemos aplicar no Brasil teorias de outros países que nem mesmo eles aplicam em casa”.
Ao desenhar o futuro do Brasil, Dilma afirmou: “Nós seremos uma nação desenvolvida. Mas não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailers e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna. Por isso nós somos hoje respeitados no mundo. E vamos ser mais, pois ninguém respeita um país que deixa parte de seu povo na miséria”.
No fim do ato, a chuva havia parado. Apesar do entusiasmo, todos ali sabem de uma coisa: ainda há ainda muita campanha pela frente até 31 de outubro.
Gilberto Maringoni
Chico Buarque avisou que não falaria. Brincava: viera como papagaio de pirata ao ato de apoio de artistas e intelectuais à candidatura de Dilma Rousseff, no teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, na noite de segunda (18). Mas acabou caindo em uma provocação de Leonardo Boff e fez um brevíssimo discurso, que já está em todos os sáites, blogues e tuíteres pela rede:
“Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma, essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis”.
Emendou com um parágrafo: “A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo”.
E brincou: “Nunca antes na História desse país houve algo assim".
Aplausos, risos e charangas.
“É Dilma, é Dilma sim/ porque eu não penso só em mim!”
FINAL DE CAMPEONATO
O clima era de final de campeonato, com bandeiras e agitação, como há muito as campanhas não exibiam.
É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros.
O sociólogo Emir Sader, um dos organizadores, sintetizou: “Este é um ato daqueles que votaram e apoiaram diferentes candidatos no primeiro turno e que se reúnem para defender conquistas. O outro lado representa o caminho do obscurantismo”.
Para a professora de Filosofia Marilena Chauí, aquela era uma sagração da democracia. Do alto da tribuna, puxou da bolsa o panfleto da campanha José Serra, no qual estava escrito “Jesus é a verdade e a fé”. Sem titubear, emendou: “Este folheto é obsceno; obsceno religiosa e politicamente. Ele ataca o núcleo da democracia republicana, que é o Estado laico”. Em meio a aplausos, finalizou: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso país”.
MOTIVAÇÕES
Uma das grandes motivações do ato foi a ofensiva midiática fundamentalista que tomou conta da reta final da campanha eleitoral, aproveitando-se de erros e tropeços da candidatura Dilma. De uma disputa que aparentava ser um passeio para o governo, existe agora uma batalha voto a voto, que toma conta de setores de esquerda e mesmo daqueles que se desiludiram com a ação oficial e saíram em busca de uma terceira via no primeiro turno.
No Casa Grande, a convergência era o tom. Lia de Itamaracá levantou a platéia ao entoar “Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na ilha de Itamaracá”. Não era um ato propriamente, era uma celebração.
Aproveitando o clima, Beth Carvalho parodiou o sucesso de Zeca Pagodinho, cantando: “Deixa a Dilma me levar/ Dilma leva eu, Dilma leva eu (...)/ Sou feliz e agradeço/ Por tudo o que você me fez”.
Leonardo Boff era talvez a expressão maior do caráter plural do ato. Apoiador de Marina Silva, ele optou por Dilma no segundo turno e pronunciou um emocionado discurso de 25 minutos. “Se com Lula, a esperança venceu o medo”, lembrou, “com Dilma, a verdade vai vencer a mentira”. Para Boff, esta eleição é mais do que o confronto entre dois candidatos, representa o confronto entre duas idéias de Brasil. “Se a oposição ganhar, teremos imensos retrocessos”. E com palavras duras, sintetizou o clima do país: “O que as classes dominantes não permitem é que um filho da pobreza, um peão como Lula, chegue à presidência. Gostariam que Lula ficasse na fábrica, produzindo para eles”.
Antes da fala de Dilma, foi lido o poema Os filhos da paixão, de Pedro Tierra, sob silêncio absoluto. Um de seus trechos diz:
“Queremos um país onde não se matem as crianças/ que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro./ Onde os filhos da margem tenham direito à terra,/ ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,/ às histórias que povoam nossa imaginação, às raízes da nossa alegria”.
DILMA FALA
O cenário estava pronto. Anunciada como futura Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma falou por 37 minutos. Para quem a viu nervosa e tensa no dia anterior, no debate da Rede TV!, ali estava outra pessoa. À vontade, com a palavra fluindo fácil, a candidata percorreu temas complexos, como política energética, relações internacionais, alocação de recursos, papel do Estado, educação, cultura, saúde e outros com desenvoltura.
Começou falando: “Vejo aqui um pedaço de minha vida. As músicas de minha juventude, os livros que li em vários tempos. Vejo aqui muitos que lutaram em décadas antigas”. Lembrou dos anos iniciais de sua militância, da prisão e das opções feitas. “Comecei a sonhar nos anos 1960. Era um sonho de um Brasil que tinha de mudar, um Brasil que tinha de ser diferente. Sonhamos revoluções e aprendemos a perder. Quem perde adquire uma imensa capacidade de resistir. Eu me formei na vida política perdendo. Tenho muito orgulho de minhas derrotas. Foram derrotas de uma vida correta”.
A certa altura, voltou-se para temas concretos. Lembrou mais uma vez que o governo FHC queria mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Esmiuçou os modelos de exploração da riqueza subterrânea. “O governo passado preferiu um modelo conhecido como concessão. Quem encontrasse o óleo, era seu dono. Manter o modelo anterior significa privatizar o pré-sal!”
Ao mencionar a importância do desenvolvimento, recuperou uma idéia cara aos economistas heterodoxos: “Nós mudamos alguns tabus. O principal deles é de que o país não poderia crescer distribuindo renda. Hoje isso parece óbvio, mas nunca foi óbvio. Por trás desse tabu está uma visão mercantil do Brasil. Uma visão que incorpora uma parte da população nos benefícios da modernidade e pouco se importa com a outra parte”. Para ela, esta é a distinção entre sua candidatura e a dos adversários. “Não podemos aplicar no Brasil teorias de outros países que nem mesmo eles aplicam em casa”.
Ao desenhar o futuro do Brasil, Dilma afirmou: “Nós seremos uma nação desenvolvida. Mas não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailers e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna. Por isso nós somos hoje respeitados no mundo. E vamos ser mais, pois ninguém respeita um país que deixa parte de seu povo na miséria”.
No fim do ato, a chuva havia parado. Apesar do entusiasmo, todos ali sabem de uma coisa: ainda há ainda muita campanha pela frente até 31 de outubro.
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CARTAMAIOR,
chico buarque,
Gilberto Maringoni
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Artistas e intelectuais lembram 1989
Gilberto Maringoni,
Carta Maior:
Chico Buarque avisou que não falaria. Brincava: viera como papagaio de pirata ao ato de apoio de artistas e intelectuais à candidatura de Dilma Rousseff, no teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, na noite de segunda (18). Mas acabou caindo em uma provocação de Leonardo Boff e fez um brevíssimo discurso, que já está em todos os sáites, blogues e tuíteres pela rede:
“Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma, essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis”.
Emendou com um parágrafo: “A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo”.
E brincou: “Nunca antes na História desse país houve algo assim".
Aplausos, risos e charangas.
“É Dilma, é Dilma sim/ porque eu não penso só em mim!”
Final de campeonato
O clima era de final de campeonato, com bandeiras e agitação, como há muito as campanhas não exibiam.
É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros.
O sociólogo Emir Sader, um dos organizadores, sintetizou: “Este é um ato daqueles que votaram e apoiaram diferentes candidatos no primeiro turno e que se reúnem para defender conquistas. O outro lado representa o caminho do obscurantismo”.
Para a professora de Filosofia Marilena Chauí, aquela era uma sagração da democracia. Do alto da tribuna, puxou da bolsa o panfleto da campanha José Serra, no qual estava escrito “Jesus é a verdade e a fé”. Sem titubear, emendou: “Este folheto é obsceno; obsceno religiosa e politicamente. Ele ataca o núcleo da democracia republicana, que é o Estado laico”. Em meio a aplausos, finalizou: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso país”.
Motivações
Uma das grandes motivações do ato foi a ofensiva midiática fundamentalista que tomou conta da reta final da campanha eleitoral, aproveitando-se de erros e tropeços da candidatura Dilma. De uma disputa que aparentava ser um passeio para o governo, existe agora uma batalha voto a voto, que toma conta de setores de esquerda e mesmo daqueles que se desiludiram com a ação oficial e saíram em busca de uma terceira via no primeiro turno.
No Casa Grande, a convergência era o tom. Lia de Itamaracá levantou a platéia ao entoar “Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na ilha de Itamaracá”. Não era um ato propriamente, era uma celebração.
Aproveitando o clima, Beth Carvalho parodiou o sucesso de Zeca Pagodinho, cantando: “Deixa a Dilma me levar/ Dilma leva eu, Dilma leva eu (...)/ Sou feliz e agradeço/ Por tudo o que você me fez”.
Leonardo Boff era talvez a expressão maior do caráter plural do ato. Apoiador de Marina Silva, ele optou por Dilma no segundo turno e pronunciou um emocionado discurso de 25 minutos. “Se com Lula, a esperança venceu o medo”, lembrou, “com Dilma, a verdade vai vencer a mentira”. Para Boff, esta eleição é mais do que o confronto entre dois candidatos, representa o confronto entre duas idéias de Brasil. “Se a oposição ganhar, teremos imensos retrocessos”. E com palavras duras, sintetizou o clima do país: “O que as classes dominantes não permitem é que um filho da pobreza, um peão como Lula, chegue à presidência. Gostariam que Lula ficasse na fábrica, produzindo para eles”.
Antes da fala de Dilma, foi lido o poema Os filhos da paixão, de Pedro Tierra, sob silêncio absoluto. Um de seus trechos diz:
“Queremos um país onde não se matem as crianças/ que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro./ Onde os filhos da margem tenham direito à terra,/ ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,/ às histórias que povoam nossa imaginação, às raízes da nossa alegria”.
Dilma fala
O cenário estava pronto. Anunciada como futura Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma falou por 37 minutos. Para quem a viu nervosa e tensa no dia anterior, no debate da Rede TV!, ali estava outra pessoa. À vontade, com a palavra fluindo fácil, a candidata percorreu temas complexos, como política energética, relações internacionais, alocação de recursos, papel do Estado, educação, cultura, saúde e outros com desenvoltura.
Começou falando: “Vejo aqui um pedaço de minha vida. As músicas de minha juventude, os livros que li em vários tempos. Vejo aqui muitos que lutaram em décadas antigas”. Lembrou dos anos iniciais de sua militância, da prisão e das opções feitas. “Comecei a sonhar nos anos 1960. Era um sonho de um Brasil que tinha de mudar, um Brasil que tinha de ser diferente. Sonhamos revoluções e aprendemos a perder. Quem perde adquire uma imensa capacidade de resistir. Eu me formei na vida política perdendo. Tenho muito orgulho de minhas derrotas. Foram derrotas de uma vida correta”.
A certa altura, voltou-se para temas concretos. Lembrou mais uma vez que o governo FHC queria mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Esmiuçou os modelos de exploração da riqueza subterrânea. “O governo passado preferiu um modelo conhecido como concessão. Quem encontrasse o óleo, era seu dono. Manter o modelo anterior significa privatizar o pré-sal!”
Ao mencionar a importância do desenvolvimento, recuperou uma idéia cara aos economistas heterodoxos: “Nós mudamos alguns tabus. O principal deles é de que o país não poderia crescer distribuindo renda. Hoje isso parece óbvio, mas nunca foi óbvio. Por trás desse tabu está uma visão mercantil do Brasil. Uma visão que incorpora uma parte da população nos benefícios da modernidade e pouco se importa com a outra parte”. Para ela, esta é a distinção entre sua candidatura e a dos adversários. “Não podemos aplicar no Brasil teorias de outros países que nem mesmo eles aplicam em casa”.
Ao desenhar o futuro do Brasil, Dilma afirmou: “Nós seremos uma nação desenvolvida. Mas não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailers e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna. Por isso nós somos hoje respeitados no mundo. E vamos ser mais, pois ninguém respeita um país que deixa parte de seu povo na miséria”.
No fim do ato, a chuva havia parado. Apesar do entusiasmo, todos ali sabem de uma coisa: ainda há ainda muita campanha pela frente até 31 de outubro.
Carta Maior:
Chico Buarque avisou que não falaria. Brincava: viera como papagaio de pirata ao ato de apoio de artistas e intelectuais à candidatura de Dilma Rousseff, no teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, na noite de segunda (18). Mas acabou caindo em uma provocação de Leonardo Boff e fez um brevíssimo discurso, que já está em todos os sáites, blogues e tuíteres pela rede:
“Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma, essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis”.
Emendou com um parágrafo: “A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo”.
E brincou: “Nunca antes na História desse país houve algo assim".
Aplausos, risos e charangas.
“É Dilma, é Dilma sim/ porque eu não penso só em mim!”
Final de campeonato
O clima era de final de campeonato, com bandeiras e agitação, como há muito as campanhas não exibiam.
É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros.
O sociólogo Emir Sader, um dos organizadores, sintetizou: “Este é um ato daqueles que votaram e apoiaram diferentes candidatos no primeiro turno e que se reúnem para defender conquistas. O outro lado representa o caminho do obscurantismo”.
Para a professora de Filosofia Marilena Chauí, aquela era uma sagração da democracia. Do alto da tribuna, puxou da bolsa o panfleto da campanha José Serra, no qual estava escrito “Jesus é a verdade e a fé”. Sem titubear, emendou: “Este folheto é obsceno; obsceno religiosa e politicamente. Ele ataca o núcleo da democracia republicana, que é o Estado laico”. Em meio a aplausos, finalizou: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso país”.
Motivações
Uma das grandes motivações do ato foi a ofensiva midiática fundamentalista que tomou conta da reta final da campanha eleitoral, aproveitando-se de erros e tropeços da candidatura Dilma. De uma disputa que aparentava ser um passeio para o governo, existe agora uma batalha voto a voto, que toma conta de setores de esquerda e mesmo daqueles que se desiludiram com a ação oficial e saíram em busca de uma terceira via no primeiro turno.
No Casa Grande, a convergência era o tom. Lia de Itamaracá levantou a platéia ao entoar “Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na ilha de Itamaracá”. Não era um ato propriamente, era uma celebração.
Aproveitando o clima, Beth Carvalho parodiou o sucesso de Zeca Pagodinho, cantando: “Deixa a Dilma me levar/ Dilma leva eu, Dilma leva eu (...)/ Sou feliz e agradeço/ Por tudo o que você me fez”.
Leonardo Boff era talvez a expressão maior do caráter plural do ato. Apoiador de Marina Silva, ele optou por Dilma no segundo turno e pronunciou um emocionado discurso de 25 minutos. “Se com Lula, a esperança venceu o medo”, lembrou, “com Dilma, a verdade vai vencer a mentira”. Para Boff, esta eleição é mais do que o confronto entre dois candidatos, representa o confronto entre duas idéias de Brasil. “Se a oposição ganhar, teremos imensos retrocessos”. E com palavras duras, sintetizou o clima do país: “O que as classes dominantes não permitem é que um filho da pobreza, um peão como Lula, chegue à presidência. Gostariam que Lula ficasse na fábrica, produzindo para eles”.
Antes da fala de Dilma, foi lido o poema Os filhos da paixão, de Pedro Tierra, sob silêncio absoluto. Um de seus trechos diz:
“Queremos um país onde não se matem as crianças/ que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro./ Onde os filhos da margem tenham direito à terra,/ ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,/ às histórias que povoam nossa imaginação, às raízes da nossa alegria”.
Dilma fala
O cenário estava pronto. Anunciada como futura Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma falou por 37 minutos. Para quem a viu nervosa e tensa no dia anterior, no debate da Rede TV!, ali estava outra pessoa. À vontade, com a palavra fluindo fácil, a candidata percorreu temas complexos, como política energética, relações internacionais, alocação de recursos, papel do Estado, educação, cultura, saúde e outros com desenvoltura.
Começou falando: “Vejo aqui um pedaço de minha vida. As músicas de minha juventude, os livros que li em vários tempos. Vejo aqui muitos que lutaram em décadas antigas”. Lembrou dos anos iniciais de sua militância, da prisão e das opções feitas. “Comecei a sonhar nos anos 1960. Era um sonho de um Brasil que tinha de mudar, um Brasil que tinha de ser diferente. Sonhamos revoluções e aprendemos a perder. Quem perde adquire uma imensa capacidade de resistir. Eu me formei na vida política perdendo. Tenho muito orgulho de minhas derrotas. Foram derrotas de uma vida correta”.
A certa altura, voltou-se para temas concretos. Lembrou mais uma vez que o governo FHC queria mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Esmiuçou os modelos de exploração da riqueza subterrânea. “O governo passado preferiu um modelo conhecido como concessão. Quem encontrasse o óleo, era seu dono. Manter o modelo anterior significa privatizar o pré-sal!”
Ao mencionar a importância do desenvolvimento, recuperou uma idéia cara aos economistas heterodoxos: “Nós mudamos alguns tabus. O principal deles é de que o país não poderia crescer distribuindo renda. Hoje isso parece óbvio, mas nunca foi óbvio. Por trás desse tabu está uma visão mercantil do Brasil. Uma visão que incorpora uma parte da população nos benefícios da modernidade e pouco se importa com a outra parte”. Para ela, esta é a distinção entre sua candidatura e a dos adversários. “Não podemos aplicar no Brasil teorias de outros países que nem mesmo eles aplicam em casa”.
Ao desenhar o futuro do Brasil, Dilma afirmou: “Nós seremos uma nação desenvolvida. Mas não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailers e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna. Por isso nós somos hoje respeitados no mundo. E vamos ser mais, pois ninguém respeita um país que deixa parte de seu povo na miséria”.
No fim do ato, a chuva havia parado. Apesar do entusiasmo, todos ali sabem de uma coisa: ainda há ainda muita campanha pela frente até 31 de outubro.
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SEGUNDO TURNO
Dilma ironiza "milagre" na gestão tucana durante encontro com personalidades no RJ
19/10/2010 - 03h14
Daniel Milazzo
Especial para o UOL Eleições
No Rio de Janeiro
Dilma Rousseff e o cantor Chico Buarque aplaudem manifestação dos artistas em evento no RJ
Dilma Rousseff (PT), candidata à presidência da República, participou na noite desta segunda-feira (18) de um encontro organizado com dezenas de artistas e intelectuais que manifestaram seu apoio à presidenciável petista, entre eles Oscar Niemeyer e Chico Buarque. A candidata evitou ataques diretos a seu adversário de campanha, José Serra (PSDB), mas não deixou de alfinetar a gestão Fernando Henrique Cardoso e o partido tucano.
“Nós recebemos o país de joelhos diante do Fundo Monetário Internacional [...] Nós não tínhamos dinheiro praticamente para nada. Porque tínhamos recebido também, misteriosamente, um país onde, depois de vender R$ 100 bilhões do patrimônio, a dívida tinha dobrado. O maior ‘milagre’ da gestão financeira dos tucanos”, ironizou Dilma.
A petista argumentou que pagar as dívidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) “foi condição para a altivez” do Brasil no cenário internacional e fator de garantia da soberania nacional. Para a ex-ministra da Casa Civil, o governo Lula quebrou o tabu de que crescimento não era possível com distribuição de renda.
“Nós não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailer e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna”, declarou a petista, antes de dizer que, para ser respeitado, o Brasil tem que zerar a própria miséria.
A presidenciável petista preferiu não tocar diretamente na polêmica do aborto, mas aproveitou para defender o caráter laico do Estado e cutucar o adversário. “Nós somos um país onde as mais diversas religiões [...] podem se encontrar na mesma escola e conviver. Tentar destilar o ódio religioso, a intolerância política ou qualquer preconceito não é característica de um país laico como o nosso. Nós não queremos um Estado apropriado por nenhuma crença, nenhuma religião”, pronunciou.
Nesta segunda-feira (18), o PT entrou com pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que seja feita uma investigação sobre a autoria de panfletos que acusam Dilma de ser a favor do aborto e incentivam eleitores a votarem contra nela. Segundo o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT), uma das sócias da gráfica onde o material foi produzido é filiada ao PSDB. Os tucanos negam envolvimento no caso.
Dilma elogia Marina
Dilma não comentou a posição de Marina Silva e do Partido Verde em manter-se neutro neste segundo turno das eleições presidenciais. A petista chegou a citar Marina após citar dados a respeito da redução do desmatamento na Amazônia e no cerrado. “Nós temos que ter orgulho de todas as políticas de meio ambiente implantadas no Brasil, inclusive pela ministra Marina, pelo ministro [Carlos] Minc”. Minc também estava presente no encontro.
A candidata petista aproveitou o assunto para abordar a questão do pré-sal. “O petróleo extraído do pré-sal não é para sujar nossa matriz, porque nós temos uma matriz limpa. O petróleo que nós extrairmos do pré-sal é para exportar, é para garantir que haja riqueza suficiente no Brasil”, afirmou a candidata, que emendou outra crítica ao partido de seu adversário no segundo turno.
“Manter o modelo anterior [de concessão] é privatizar o petróleo: botar o pré-sal, que é a maior riqueza de petróleo descoberta nos últimos anos, de ‘mão beijada’ para empresas privadas internacionais, é por isso que a bancada do PSDB votou contra o modelo de partilha”, afirmou Dilma, defendendo o modelo de partilha, segundo o qual caberia à União gerir e distribuir os dividendos da exploração do petróleo.
Semanas para entender aquele ‘você’
Logo no início de seu discurso, Dilma Rousseff recordou que escutou a música “Apesar de você”, de Chico Buarque, quando estava na prisão. “A gente não entendeu direito quem era ‘você’”, disse Dilma, arrancando risos da plateia e do próprio compositor. “Nós levamos alguns dias, algumas semanas, para perceber quem era esse ‘você’...”.
Em tempo. “Apesar de você amanhã há de ser outro dia” canta a letra de Chico, faz referência à ditadura militar que estava em vigor no Brasil.
Daniel Milazzo
Especial para o UOL Eleições
No Rio de Janeiro
Dilma Rousseff e o cantor Chico Buarque aplaudem manifestação dos artistas em evento no RJ
Dilma Rousseff (PT), candidata à presidência da República, participou na noite desta segunda-feira (18) de um encontro organizado com dezenas de artistas e intelectuais que manifestaram seu apoio à presidenciável petista, entre eles Oscar Niemeyer e Chico Buarque. A candidata evitou ataques diretos a seu adversário de campanha, José Serra (PSDB), mas não deixou de alfinetar a gestão Fernando Henrique Cardoso e o partido tucano.
“Nós recebemos o país de joelhos diante do Fundo Monetário Internacional [...] Nós não tínhamos dinheiro praticamente para nada. Porque tínhamos recebido também, misteriosamente, um país onde, depois de vender R$ 100 bilhões do patrimônio, a dívida tinha dobrado. O maior ‘milagre’ da gestão financeira dos tucanos”, ironizou Dilma.
A petista argumentou que pagar as dívidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) “foi condição para a altivez” do Brasil no cenário internacional e fator de garantia da soberania nacional. Para a ex-ministra da Casa Civil, o governo Lula quebrou o tabu de que crescimento não era possível com distribuição de renda.
“Nós não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailer e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna”, declarou a petista, antes de dizer que, para ser respeitado, o Brasil tem que zerar a própria miséria.
A presidenciável petista preferiu não tocar diretamente na polêmica do aborto, mas aproveitou para defender o caráter laico do Estado e cutucar o adversário. “Nós somos um país onde as mais diversas religiões [...] podem se encontrar na mesma escola e conviver. Tentar destilar o ódio religioso, a intolerância política ou qualquer preconceito não é característica de um país laico como o nosso. Nós não queremos um Estado apropriado por nenhuma crença, nenhuma religião”, pronunciou.
Nesta segunda-feira (18), o PT entrou com pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que seja feita uma investigação sobre a autoria de panfletos que acusam Dilma de ser a favor do aborto e incentivam eleitores a votarem contra nela. Segundo o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT), uma das sócias da gráfica onde o material foi produzido é filiada ao PSDB. Os tucanos negam envolvimento no caso.
Dilma elogia Marina
Dilma não comentou a posição de Marina Silva e do Partido Verde em manter-se neutro neste segundo turno das eleições presidenciais. A petista chegou a citar Marina após citar dados a respeito da redução do desmatamento na Amazônia e no cerrado. “Nós temos que ter orgulho de todas as políticas de meio ambiente implantadas no Brasil, inclusive pela ministra Marina, pelo ministro [Carlos] Minc”. Minc também estava presente no encontro.
A candidata petista aproveitou o assunto para abordar a questão do pré-sal. “O petróleo extraído do pré-sal não é para sujar nossa matriz, porque nós temos uma matriz limpa. O petróleo que nós extrairmos do pré-sal é para exportar, é para garantir que haja riqueza suficiente no Brasil”, afirmou a candidata, que emendou outra crítica ao partido de seu adversário no segundo turno.
“Manter o modelo anterior [de concessão] é privatizar o petróleo: botar o pré-sal, que é a maior riqueza de petróleo descoberta nos últimos anos, de ‘mão beijada’ para empresas privadas internacionais, é por isso que a bancada do PSDB votou contra o modelo de partilha”, afirmou Dilma, defendendo o modelo de partilha, segundo o qual caberia à União gerir e distribuir os dividendos da exploração do petróleo.
Semanas para entender aquele ‘você’
Logo no início de seu discurso, Dilma Rousseff recordou que escutou a música “Apesar de você”, de Chico Buarque, quando estava na prisão. “A gente não entendeu direito quem era ‘você’”, disse Dilma, arrancando risos da plateia e do próprio compositor. “Nós levamos alguns dias, algumas semanas, para perceber quem era esse ‘você’...”.
Em tempo. “Apesar de você amanhã há de ser outro dia” canta a letra de Chico, faz referência à ditadura militar que estava em vigor no Brasil.
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No Rio, artista abre os braços para Dilma. Gabeira vai para os braços do Serra
O Conversa Afiada reproduz e-mail do amigo navegante Adilson:
Rio de Janeiro de braços abertos para Dilma!
Lembrou 89!
Que bacana ver as pessoas na rua de novo com orgulho de defender esse projeto de governo que tem feito do nosso Brasil um país socialmente mais justo e com uma perspectiva de futuro que talvez não se encontre outro igual no mundo hoje. Confesso que fiquei surpreso com a militância carioca viva no coração do Leblon, lotando o Casa Grande! Quem foi pôde atestar, a fila dobrava a Afranio e chegava até o Jardim de Alah, e com água caindo, hein..
Ver juntos, no meio da massa – cantando, fazendo coro e se abraçando – Chico Buarque, Leonardo Boff, Ziraldo, Oscar Neimeyer, Alcione e tantos sambistas, Alceu Valença, Frei Betto, Marieta Severo e uma pá de outros artistas, foi de emocionar, chegou a lembrar o Lulalá de 89..
Estava mesmo na hora de uma demonstração de força e união contra essa sujeira que um lado da disputa resolveu introduzir na campanha, ressucitando os setores mais vis da sociedade- o ultra conservadorismo adormecido com toda sorte de preconceito, mentira , violência e segregação. Um retrocesso sem precedentes desde a campanha das Diretas, que nos remonta à época do golpe militar.
Xô baixo astral! O Rio tá vivo, tem tradição progressista e não abraça essa onda que só dobra pra direita.
Dia 24, último domingo antes das eleições, o Rio de Janeiro prepara uma última grande mobilização nas ruas com a presença de Lula e Dilma. Fico feliz, pois há dias venho repetindo que contra tudo isso que está acontecendo só mesmo indo pras ruas.
ps: Enquanto isso um carioquíssimo tucano verde voava pra São Paulo num ato pró-Serra com FHC, Kassab, Indio etc
Rio de Janeiro de braços abertos para Dilma!
Lembrou 89!
Que bacana ver as pessoas na rua de novo com orgulho de defender esse projeto de governo que tem feito do nosso Brasil um país socialmente mais justo e com uma perspectiva de futuro que talvez não se encontre outro igual no mundo hoje. Confesso que fiquei surpreso com a militância carioca viva no coração do Leblon, lotando o Casa Grande! Quem foi pôde atestar, a fila dobrava a Afranio e chegava até o Jardim de Alah, e com água caindo, hein..
Ver juntos, no meio da massa – cantando, fazendo coro e se abraçando – Chico Buarque, Leonardo Boff, Ziraldo, Oscar Neimeyer, Alcione e tantos sambistas, Alceu Valença, Frei Betto, Marieta Severo e uma pá de outros artistas, foi de emocionar, chegou a lembrar o Lulalá de 89..
Estava mesmo na hora de uma demonstração de força e união contra essa sujeira que um lado da disputa resolveu introduzir na campanha, ressucitando os setores mais vis da sociedade- o ultra conservadorismo adormecido com toda sorte de preconceito, mentira , violência e segregação. Um retrocesso sem precedentes desde a campanha das Diretas, que nos remonta à época do golpe militar.
Xô baixo astral! O Rio tá vivo, tem tradição progressista e não abraça essa onda que só dobra pra direita.
Dia 24, último domingo antes das eleições, o Rio de Janeiro prepara uma última grande mobilização nas ruas com a presença de Lula e Dilma. Fico feliz, pois há dias venho repetindo que contra tudo isso que está acontecendo só mesmo indo pras ruas.
ps: Enquanto isso um carioquíssimo tucano verde voava pra São Paulo num ato pró-Serra com FHC, Kassab, Indio etc
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CHICO BUARQUE NO ATO PRÓ-DILMA:
"Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma. Essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores, garis. A forma de governar de Lula é diferente. Ele não fala fino com Washington, nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo. Nunca houve na História do país algo assim"
CENTENAS DE INTELECTUAIS LOTAM O TEATRO CASAGRANDE NO RIO. APOIO A DILMA SUPERA ATO PARA LULA EM 2002. TELÕES SÃO COLOCADOS NA CALÇADA PARA OS QUE NÃO CONSEGUIRAM ENTRAR
De Oscar Niemeyer a Fernando de Morais e Leonardo Boff; de Chico Buarque a Marilena Chauí e a Elba Ramalho; de Emir Sader a Fernando Meirelles e Beth Carvalho, a cultura brasileira em peso foi dizer sim à continuidade do governo Lula e não ao retrocesso obscurantista. Dilma em seu discurso agradeceu o apoio: “As músicas que ouvi e os livros que eu li estão aqui, com todos esses cantores e artistas". Ela defendeu o investimento em cultura e educação como indissociável de um verdadeiro processo de desenvolvimento: "Para diminuir a desigualdade pela raiz é preciso gastar dinheiro com educação de qualidade, pagando professores de forma digna, não recebê-los com cassetetes”. A candidata agradeceu a Emir Sader, organizador do encontro, dizendo: 'Foi o ato mais lindo de toda a campanha'[saiba como participar: novos manifestos são lançados, entre eles, 'PUC e UNICAMP: Porque Dilma sim, porque Serra não'. Veja também os atos previstos em SP: hoje na PUC, às 19 hs; dia 25 na Filosofia da USP')
(Carta Maior; 19-10)
CENTENAS DE INTELECTUAIS LOTAM O TEATRO CASAGRANDE NO RIO. APOIO A DILMA SUPERA ATO PARA LULA EM 2002. TELÕES SÃO COLOCADOS NA CALÇADA PARA OS QUE NÃO CONSEGUIRAM ENTRAR
De Oscar Niemeyer a Fernando de Morais e Leonardo Boff; de Chico Buarque a Marilena Chauí e a Elba Ramalho; de Emir Sader a Fernando Meirelles e Beth Carvalho, a cultura brasileira em peso foi dizer sim à continuidade do governo Lula e não ao retrocesso obscurantista. Dilma em seu discurso agradeceu o apoio: “As músicas que ouvi e os livros que eu li estão aqui, com todos esses cantores e artistas". Ela defendeu o investimento em cultura e educação como indissociável de um verdadeiro processo de desenvolvimento: "Para diminuir a desigualdade pela raiz é preciso gastar dinheiro com educação de qualidade, pagando professores de forma digna, não recebê-los com cassetetes”. A candidata agradeceu a Emir Sader, organizador do encontro, dizendo: 'Foi o ato mais lindo de toda a campanha'[saiba como participar: novos manifestos são lançados, entre eles, 'PUC e UNICAMP: Porque Dilma sim, porque Serra não'. Veja também os atos previstos em SP: hoje na PUC, às 19 hs; dia 25 na Filosofia da USP')
(Carta Maior; 19-10)
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Dilma recebe apoio de artistas e intelectuais
PLÍNIO FRAGA
DO RIO
fsp
Com discursos acusando os tucanos de elitismo e em defesa da pluralidade religiosa e do ambiente, a candidata do PT, Dilma Rousseff, recebeu ontem o apoio de cerca de 3.000 intelectuais, artistas e integrantes do movimento jovem no Rio.
Dilma disse ter sido formada na vida política sofrendo derrotas. "Tenho orgulho, foram derrotas de luta correta. Perdendo, ganhamos capacidade para resistir."
Seu discurso tentou marcar diferença das gestões do ex-presidente FHC (PSDB).
"Tiramos 28 milhões de pessoas da pobreza. Então, é visível a possibilidade de erradicar a miséria", afirmou.
"Não queremos ser os EUA do Sul, que têm grande parte da sua população negra na cadeia e de brancos pobres vivendo em trailers."
A participação mais aplaudida foi do cantor e compositor Chico Buarque, que justificou seu voto na petista em razão do governo Lula.
"Um governo que não fala fino em Washington nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso é respeitado e querido mundo afora, como nunca antes na história deste país", gracejou ele.
O ato de mais de duas horas foi gravado para o horário eleitoral e teve participação de Oscar Niemeyer, da filósofa Marilena Chaui, de atores como Osmar Prado e Hugo Carvana e diretores de teatro como Aderbal Freire-Filho e Domingos de Oliveira.
DO RIO
fsp
Com discursos acusando os tucanos de elitismo e em defesa da pluralidade religiosa e do ambiente, a candidata do PT, Dilma Rousseff, recebeu ontem o apoio de cerca de 3.000 intelectuais, artistas e integrantes do movimento jovem no Rio.
Dilma disse ter sido formada na vida política sofrendo derrotas. "Tenho orgulho, foram derrotas de luta correta. Perdendo, ganhamos capacidade para resistir."
Seu discurso tentou marcar diferença das gestões do ex-presidente FHC (PSDB).
"Tiramos 28 milhões de pessoas da pobreza. Então, é visível a possibilidade de erradicar a miséria", afirmou.
"Não queremos ser os EUA do Sul, que têm grande parte da sua população negra na cadeia e de brancos pobres vivendo em trailers."
A participação mais aplaudida foi do cantor e compositor Chico Buarque, que justificou seu voto na petista em razão do governo Lula.
"Um governo que não fala fino em Washington nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso é respeitado e querido mundo afora, como nunca antes na história deste país", gracejou ele.
O ato de mais de duas horas foi gravado para o horário eleitoral e teve participação de Oscar Niemeyer, da filósofa Marilena Chaui, de atores como Osmar Prado e Hugo Carvana e diretores de teatro como Aderbal Freire-Filho e Domingos de Oliveira.
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Chico Buarque e Leonardo Boff declaram seu apoio à #Dilma13
18/10/2010
Com o Teatro Casa Grande lotado no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (18), Dilma recebeu todo o apoio de artistas e intelectuais que sonham com um #Brasil13 que vai seguir mudando. Por isso eles entregaram um "Manifesto dos Intelectuais Pró-Dilma" para nossa candidata. Aqui confira os depoimentos de Chico Buarque e Leonardo Boff que lideraram esse manifesto. Eles estão com #Dilma13.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
SOM E LETRAS
Chico Buarque de Hollanda deve ser a estrela de encontro de intelectuais no Rio com Dilma, no dia 18. Ele assinou manifesto em apoio à petista em que estão também Oscar Niemeyer, Emir Sader, Eric Nepomuceno e Fernando Morais.
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O apoio de Chico Buarque a Dilma
Dulce Maia: O apoio de Chico Buarque a Dilma
da leitora Dulce Maia
Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef. Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br ; ericnepomuceno@uol.com.br
E, se você puder, divulgue aos seus amigos do Rio para participarem do ATO POLITICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro CASA GRANDE, dia 18 de outubro, às 20 hs. (Rua Afranio de Mello Franco, 290- Leblon- Rio de janeiro).
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimen to econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno
da leitora Dulce Maia
Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef. Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br ; ericnepomuceno@uol.com.br
E, se você puder, divulgue aos seus amigos do Rio para participarem do ATO POLITICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro CASA GRANDE, dia 18 de outubro, às 20 hs. (Rua Afranio de Mello Franco, 290- Leblon- Rio de janeiro).
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimen to econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
"Tanto Mar" - Chico Buarque, falando e cantando
GRANDOLA, VILA MORENA
VÁ
http://www.youtube.com/watch?v=RuzGPhZwG6Y
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