segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Veja e a estratégia de Mister M

blog luisnassif, dom, 24/10/2010 - 21:45

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/veja-e-a-estrategia-de-mister-m#more


Por M

AS ILUSÕES PERIGOSAS DA REVISTA MISTER M

Veja blefa mais uma vez: não existe fita provando que Abramovai falou o que não disse. Não existe grampo legal nem perícia nem nada. Só cascata.

Veja publicou uma reportagem de 1.581 palavras das quais apenas 14 realmente interessariam se fossem verdadeiras: "Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês". A suposta frase foi atribuída ao secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovai, ganhou destaque na capa da revista, que circulou no sábado, e reproduzida instantaneamente no programa de José Serra na TV.

Se fosse verdadeira, a frase revelaria um fato gravíssimo, de interesse público e com evidentes repercussões no processo eleitoral. Seria motivo para uma rigorosa investigação policial e uma ação do Ministério Público, com vistas a esclarecer que pedidos seriam esses, a quem aproveitavam, quais seriam os alvos, quem seriam os agentes e os mandantes da produção de dossiês.

Ocorre que nem a frase foi pronunciada nem Veja tem como sustentar a veracidade do que destacou na capa (gostosamente reproduzida por Estadão, Globo e Folha). A negativa de Abramovai está escondida no quinto dos nove longos parágrafos da matéria.

Trata-se de mais uma reportagem ao estilo Mister M, que tem caracterizado a produção recente da que já foi a mais importante revista brasileira. É o jornalismo ilusionista, que recorre a uma série de truques para distrair a atenção do leitor e fazê-lo acreditar nos poderes mágicos da reportagem mentirosa.

O primeiro truque, clássico, é socorrer-se do testemunho de sua fonte, o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Junior. Veja sabe que Tuma Júnior não tem credibilidade para sustentar uma acusação desse teor. Ele foi afastado do governo numa investigação sobre seu envolvimento na concessão fraudulenta de vistos a estrangeiros. É um rancoroso.

O outro truque de Veja é misturar o suposto de diálogo entre Abramovai e Tuma Júnior com uma fitalhada de conversas pela metade envolvendo o próprio Tuma, o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto e sua chefe de gabinete Gláucia de Paula.

Veja recebeu mesmo algumas fitas. Malandramente, porém, a revista induz o incauto a acreditar que as 14 palavras atribuídas a Anbramovai fazem parte do mesmo lote de fragmentos de conversas gravadas.

Veja dá-se ao desplante de afirmar que as conversas teriam sido "gravadas legalmente", como tantas outras fitas que chegam às redações desviadas ilegalmente de inquéritos policiais e do Ministério Público. Nesse caso, a revista teria de informar de que inquérito ou ação penal elas teriam sido extraídas, mas não pode fazê-lo porque sabe que isso é falso.

Elas reproduzem fragmentos de conversas entre mais de duas pessoas. Não são grampos, são escutas ambientais, feitas por alguém presente no local da conversa – e Romeu Tuma Júnior é o mínimo múltiplo comum de todas essas conversas.

Se Veja tivesse a fita com a frase atribuída na capa a Abramovai – as 14 palavras que realmente interessam – este áudio já estaria circulando, no site da própria revista, na rede de blogs auxiliares da desinformação, na CBN, no Jornal Nacional e no programa de José Serra.

Antes que o desavisado preste atenção a esse detalhe, está na hora de chamar uma dançarina ao palco. Ricardo Bolina, o perito multiuso, entra em cena para atestar a veracidade das gravações obtidas com exclusividade por Veja. Seu lado é apresentado em fatias, é um biquíni que mostra muito mas esconde o essencial: ele não comprova coisíssima nenhuma.

Vamos exibi-lo quadro a quadro, como está no facsimile da revista:

1) O perito recebeu dois arquivos de áudio

2) O perito tem de verificar se as vozes de Luiz Paulo Barreto e Pedro Abramovai ocorrem nessas amostras e se houve algum tipo de montagem

3) O perito constata que não houve alteração ou trucagem nos arquivos

4) O perito constata que as vozes dos arquivos conferem com as de Abramovai e Barreto, numa comparação com entrevistas dos dois personagens veiculadas na televisão.

Percebeu o truque? Nem o perito diz nem veja mostra que o áudio examinado contém as 14 palavras que realmente interessam e que foram peremptoriamente negadas. Diz apenas que recebeu uma gravação com a voz de Abramovai dizendo sabe-se lá o quê.

Há muito tempo que Veja não faz jornalismo, faz prestidigitação, fiando-se em duas máximas: as mãos são mais rápidas que os olhos; se colar, colou.

É triste lembrar que esta já foi a mais importante e mais acreditada publicação da imprensa brasileira. Veja não passa hoje de uma revistinha mandraque, para iludir os incautos e os que pagam para assistir seu espetáculo mambembe.

Sônia Bulhões Essa revistinha, esse PiG, esse Zé Puxadinho - isoo é tudo tão diabólico e nojento. Arhg!!!!1


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dom, 24/10/2010 - 22:02
OTAVIO NT PICARETAS, COMO NÃO TER RAIVA DA VEJA DA FOLHA DA GLOBO, ELES NÃO SÃO DECETES COM O POVO BRASILEIRO. DEUS É MAIOR QUE ELE E VAI FAZER JUSTIÇA.


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dom, 24/10/2010 - 22:03
Rodrigo JG Realmente estranho. A dúvida é se a reportagem mal feita é por falta de elementos ou é parte de uma estratégia para provocar o maior estrago possível na campanha de Dilma através de uma exposição homeopática do fato. Convém cautela. Essa é a hora de escolher quais são as batalhas que devemos vencer para ganhar a eleição. Simplesmente assim. Daqui 8 dias retomamos essa.

O único beneficiado pela repercussão forçada dessa reportagem, na semana que antecede o 2°turno, é José Serra. Além do mais, um ministro de Estado solicitar relatórios e levantamento de informações para ajudar na tomada de decisões de interesse público, além de normal, é o esperado. Principalmente ao fazer isso pelos meios legais e pertinentes. Não tem nada a ver com o dossiê sujo que a PF parece apontar ter tido origem muito antes da eleição e criado por uma disputa interna do próprio PSDB.


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dom, 24/10/2010 - 22:05
beto formolo Dá vontade de vomitar...


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dom, 24/10/2010 - 22:06
Mario Penna Caro Nassif,

A Lei dos Meios de Comunicação deve ser discutida no Congresso logo após a vitória da Dilma.

O governo vir a público explicar que não é censura, como a Globo acusou quando do Projeto do Lula.

A população está sem proteção, sem o direito de resposta. Sem defesa contra acusações falsas.

Pois a 'grande imprensa' abusou demais nessa campanha, mostrou que não merece respeito algum.


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dom, 24/10/2010 - 22:08
comentador Concordo que a Veja é o que há de pior em se tratando de mídia no Brasil. Entretanto, o autor deve ter proferido de fato essa fala. Se não proferiu, deve entrar imediatamente com um processo contra a revista. Mas pela resposta do Secretário, tentando conciliação, deve ter feito sim.


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dom, 24/10/2010 - 22:10
Marco St. O mais incrível é que ninguém mais se espanta com tanta malandragem deste panfleto. O que merece ser destacado é quem realmente lê ou se importa com o que diz a Veja. Me parece ser uma publicação para consumo interno entre o público tucano e outros veículos da mídia tucana que a repercutem. E que por sinal, já estão com a credibilidade tão afetada, que não estão mais se arriscando muito em dar voz as ficções engendradas na redação da Abril. Já estão na base do "salve-se quem puder"...

Essa semana não será apenas decisiva para os candidatos a presidência. A imprensa, antes unani namente anti-Lula, começa a ter as suas primeiras deserções. Já estão preocupados com o futuro.


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dom, 24/10/2010 - 22:12
Tui Como confiar em um laudo que o Mr. M de Molina assina?

É como esperar papai noel em primeiro de abril.... kkkkk

A Veja está perdendo assinantes com esse jornalismo , será que a classe não sente vergonha do que está acontecendo? Como dizer as crianças que jornalismo é uma profissão de caráter, se a Veja, Globo e a Folha tem profissionais que são piores que os americanos em Guantánamo e no Oriente Médio, de alguma forma torturadores.

Lei de Medios...já!!!






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dom, 24/10/2010 - 22:14
Leonardo Câmara Se derem uma midia de audio com as falas do grilo falante para o Molina (que não é perito) "periciar" ele diz que não houve montagem. Tremendo picareta demitido por justa causa da Unicamp.


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dom, 24/10/2010 - 22:18
kramer Ué

O perito esse não é o mesmo da bolinha, nardoni e cia limitada?!


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dom, 24/10/2010 - 22:18
José Silva A campanha do Serra está ridícula, assim como o seu programa? de governo.

Somente Globo, Veja etc. acreditam? no candidato.

Na minha humilde opinião, somente algo sobre natural (com recursos tecnológicos, tais como objetos não identificados, fraudes na urna eletrônica, vozes do alem) pode tirar a eleição da Dilma

Serra contrata figurantes para participar da carreata no rio.
Vai que não aparece ninguém ne?, vamos garantir.

http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/caminhada+de+serra+teve+cabos+eleitorais+de+caxias+sp+e+mg/n1237811129611.html


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dom, 24/10/2010 - 22:19
Edson Joanni Foi o que escrevi num comentário ao post de ontem: quando "explica" muito a mentira, fica na cara que é mentira mesmo.


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A fé move montanhas, mas eu prefiro a dinamite.
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dom, 24/10/2010 - 22:20
Paulo Agostinho É a bala de prata derradeira. Vai ser martelada durante toda a semana. Mas como alertou o Weden, haverá tempo para a manipulção colar? Em tempo: só lei de meios para pôr fim a isso.


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dom, 24/10/2010 - 22:23
Antonio Esteves O desespero do que já foi uma revista é compreensível , porém injustificável.

A sobrevivência desta vampira obsessora está condicionada à vitória do Zé Chorão e todos sabemos os motivo$$$$.


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Antonio José Esteves Amorim
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dom, 24/10/2010 - 22:25
thor Off topic.

Nassif, gostaria que você publicasse essa discussão:



Domingo em família, só se falava de futebol e política. Um horror, os velhos ex-malufistas, o resto todos tucanos com fobia a esquerda. Nota, todos classe média, de origem mais humilde até.

No meio da discussão que se seguiu, todos impermeáveis a qualquer discussão racional, e muito ódio. Contra os programas sociais "de esmola", contra os serviços públicos que têm de serem complementados por escola privada, creche privada, saúde privada, etc.

Percebi que a discussão ali seria infrutífera, mas tive uma epifania. Essa classe média que se sente órfã e desamparada, espécie de filho do meio espremido entre os ricos e os pobres, neonatos que agora tem toda a atenção do governo; essa classe média quer se sentir contemplada. Em nossa conversa não consegui convencer ninguém que as coisas melhoraram, afinal nada melhorou em específico para essa família classe média paulistana.

O que pensei então é que é necessário por parte da esquerda uma nova atitude. Que diferença faria se eles sentissem que alguém em cima pensa neles também (como nós sabemos que pensam em Brasil nação agora). Necessário um discurso para atender a esse grupo, alguns acenos, especialmente na área tributária. Eles precisam sentir que o progresso é pra todos.

Eu sei que esse é o grupo mais volátil e complicado na política, com fortes tendencias naturais à direita. Não querem saber de petrobrás, de universidade pública, excessivamente restrita, de política industrial. Querem saúde, estradas, segurança, serviços públicos, e principalmente, querem a sensação de que estão sendo cuidados.

Sou jovem (23) e não assisti às eclosões odiosas desse pessoal como em 64. Mas se uma parte dele pudesse ser conquistado para nossa visão de socidade igualitária, desarmariamos o que tem de pior na nossa política.

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