publicada quinta-feira, 31/03/2011 às 11:37 e atualizada quinta-feira, 31/03/2011 às 11:44
É melhor contar a verdade, Clarín
por João Peres, no Blog Nota de Rodapé
O diário argentino resolve reescrever a verdade ao narrar o bloqueio feito por sindicalistas a sua gráfica, e os jornais brasileiros embarcam na onda, cometendo uma falsificação indesculpável
O jornal argentino Clarín queixa-se que o governo da presidenta Cristina Kirchner incentiva ataques à imprensa ao não debelar o bloqueio feito na gráfica do diário. O piquete foi realizado entre sábado e domingo últimos pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e teve a intenção, segundo a empresa, de impedir a circulação de matéria desfavorável ao presidente da CGT, Hugo Moyano.
O maior diário do país vizinho reclama que o governo não cumpriu a tempo ordem judicial que determinava que se garantisse a distribuição da edição dominical. A ministra de Segurança, Nilda Garré, afirma que deu conta do que foi solicitado pelo Judiciário e que a liberdade de expressão não foi afetada.
Até aí, difícil dar fé à versão de qualquer uma das partes, dado que a política da Argentina é das mais complexas de que se tem notícia. Independentemente do que tenha ocorrido, infeliz a declaração do editor de Clarín, Ricardo Roa, de que o jornal nunca passou por esse problema, “nem mesmo nos tempos de ditadura” – a versão de Roa é apoiada por editorial do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 29.
Oras, Clarín, oras, Estadão, vamos falar a verdade: o jornal nunca deixou de circular nos tempos de ditaduras porque sempre as apoiou. Qualquer argentino se recorda ou viu na escola a fantástica capa de 4 de maio de 1982, que estampava “Já estamos ganhando”, numa alusão a um suposto triunfo na Guerra das Malvinas. “Porque lutamos por uma ideia grande, porque nossos soldados a estão defendendo, porque agora todos sabemos apertar os dentes”, estampava a edição daquele dia, um clássico do “jornalismo”, rapidamente desmentido pelas mortes de soldados que sequer tinham o que comer no gélido sul do país.
Antes disso, no dia do último golpe, em 24 de março de 1976, o Clarín contava em letras garrafais: “Novo governo”. Na sequência, informava que “a prolongada crise política que aflige o país começou a ter seu desenlace nesta madrugada com o afastamento de Maria Martínez de Perón como presidente da nação.” O país ficou menos aflito nos próximos sete anos: 30 mil mortes e centenas de milhares de torturados, centenas de crianças raptadas e adotadas ilegalmente. Entre essas crianças, investigam os argentinos, figuram os filhos da dona do Grupo Clarín, a Rede Globo vizinha. Então, Clarín, convém não falsear a realidade dos fatos.
Indignação seletiva
A indignação seletiva é um fenômeno interessante. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que deveria representar as publicações impressas brasileiras, está em polvorosa com os ataques a seu fraterno Clarín. Afirmou que a atitude dos sindicalistas é “intolerante e antidemocrática” e acusa cumplicidade de Cristina Kirchner.Em outubro passado, quando a Revista do Brasil foi impedida de circular por decisão do Judiciário a favor do PSDB, a ANJ não deu um pio a respeito de intolerância ou ataque à democracia. Não entendi
Mostrando postagens com marcador argentina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador argentina. Mostrar todas as postagens
sábado, 2 de abril de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
mídia e poder - Jornalista argentino apóia Ley de Medios - blog do miro -
Jornalista argentino apóia Ley de Medios
Reproduzo matéria publicada no sítio Vermelho:
Pesquisa realizada na Argentina revelou dado animador sobre a opinião dos jornalistas a respeito da Lei dos Meios Audiovisuais, normativa que vem gerando tensões e embates judiciais entre o governo e os grandes grupos de mídia. De acordo com o levantamento, 73% se declararam favoráveis à nova legislação, que recebe o apoio integral da presidente Cristina Kirchner.
De acordo com a agência estatal Télam, a pesquisa de autoria da Ibarómetro revelou ainda que 80% dos 240 entrevistados consideram haver liberdade de expressão no país. Sobre o jornalismo argentino, os entrevistados o definiram com palavras duras, como "medíocre, condicionado e ideologizado".
A Ley de Medios
Aprovada em outubro de 2009, a Lei dos Meios Audiovisuais dividiu as frequências de transmissão da mídia privada de rádio e televisão, a mídia estatal e os grupos da sociedade civil, segundo informa o Knight Center for Journalism in the Americas.
Outro ponto controverso da lei foi a limitação do número de licenças de rádio e televisão nas mãos de um único proprietário, regra combatida com veemência pelas empresas do setor. A norma, porém, tem apoio da sociedade argentina
Reproduzo matéria publicada no sítio Vermelho:
Pesquisa realizada na Argentina revelou dado animador sobre a opinião dos jornalistas a respeito da Lei dos Meios Audiovisuais, normativa que vem gerando tensões e embates judiciais entre o governo e os grandes grupos de mídia. De acordo com o levantamento, 73% se declararam favoráveis à nova legislação, que recebe o apoio integral da presidente Cristina Kirchner.
De acordo com a agência estatal Télam, a pesquisa de autoria da Ibarómetro revelou ainda que 80% dos 240 entrevistados consideram haver liberdade de expressão no país. Sobre o jornalismo argentino, os entrevistados o definiram com palavras duras, como "medíocre, condicionado e ideologizado".
A Ley de Medios
Aprovada em outubro de 2009, a Lei dos Meios Audiovisuais dividiu as frequências de transmissão da mídia privada de rádio e televisão, a mídia estatal e os grupos da sociedade civil, segundo informa o Knight Center for Journalism in the Americas.
Outro ponto controverso da lei foi a limitação do número de licenças de rádio e televisão nas mãos de um único proprietário, regra combatida com veemência pelas empresas do setor. A norma, porém, tem apoio da sociedade argentina
Marcadores:
argentina,
blog do miro,
midia e poder
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Projeto aumenta cerco a jornais argentinos
FSP
Texto aprovado em comissões do Congresso obriga "Clarín" e "La Nación" a vender ações em empresa de papel
Ideia de limitar a 10% participação acionária é novo lance na disputa dos jornais com governo de Cristina Kirchner
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
Os jornais argentinos "Clarín" e "La Nación" serão obrigados a vender parte de suas ações da empresa de papel-jornal Papel Prensa caso o Congresso do país aprove um projeto de lei defendido pelo governo da presidente Cristina Kirchner.
Um artigo prevendo o limite acionário de 10% para os jornais na empresa foi acrescentado ao projeto governista anteontem, em votação em comissões do Congresso.
A mudança foi feita por sugestão de um bloco de deputados esquerdistas e encampada pelo governo.
Atualmente, o "Clarín" é dono de 49% da Papel Prensa e o "La Nación", de 22,5%. Outros 27,5% das ações pertencem ao Estado.
No caso de o projeto ser aprovado, os dois jornais teriam um prazo de três anos para se desfazerem do capital que extrapolaria o limite.
No caso do Estado ou de um sócio não vinculado à atividade jornalística, o limite seria de 33%.
Anteontem, Cristina havia proposto a "nacionalização" dos meios de comunicação para que "tenham consciência nacional e defendam os interesses do país".
"Às vezes penso que seria interessante nacionalizar, não estatizar", afirmou.
A Papel Prensa produz 75% do papel-jornal consumido no país e fornece para 170 meios impressos de Buenos Aires e do interior.
Desde 2009, a fábrica se transformou no centro de um confronto entre os sócios privados e o governo, que tenta expulsá-los da sociedade por meio de uma ação judicial.
OFENSIVA
O projeto de lei para controlar a produção e a comercialização de papel-jornal, apresentado publicamente por Cristina há dois meses, faz parte da ofensiva para aumentar o controle do Estado sobre a fábrica de papel.
O apoio surpreendente ao projeto por partidos de esquerda, que geralmente fazem oposição a Cristina, permitiu que as comissões técnicas que analisavam o texto encaminhassem ao plenário da Câmara um relatório favorável à proposta.
A votação final deve ocorrer em duas semanas.
Os aliados de última hora, no entanto, ainda não garantem os votos necessários para que a matéria seja aprovada definitivamente.
O texto proposto pelo governo, que pretende declarar a produção de papel-jornal setor de "interesse público", tenta controlar as operações comerciais e de investimento da Papel Prensa.
Conforme o projeto, a empresa seria obrigada a oferecer as mesmas condições de preços e prazos para todos os veículos e teria a gestão fiscalizada por uma comissão parlamentar.
Cristina acusa o "Clarín" e o "La Nación" de utilizarem a fábrica como instrumento para manter a hegemonia na imprensa argentina.
Segundo ela, além de os dois jornais comprarem papel com desconto, eles mantêm a fábrica operando abaixo de sua capacidade para elevar o preço e evitar o crescimento de concorrentes.
A proposta do governo também quer obrigar a Papel Prensa a trabalhar com o máximo de sua capacidade instalada para suprir toda a demanda interna. Hoje, 25% do insumo usado é importado
Texto aprovado em comissões do Congresso obriga "Clarín" e "La Nación" a vender ações em empresa de papel
Ideia de limitar a 10% participação acionária é novo lance na disputa dos jornais com governo de Cristina Kirchner
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
Os jornais argentinos "Clarín" e "La Nación" serão obrigados a vender parte de suas ações da empresa de papel-jornal Papel Prensa caso o Congresso do país aprove um projeto de lei defendido pelo governo da presidente Cristina Kirchner.
Um artigo prevendo o limite acionário de 10% para os jornais na empresa foi acrescentado ao projeto governista anteontem, em votação em comissões do Congresso.
A mudança foi feita por sugestão de um bloco de deputados esquerdistas e encampada pelo governo.
Atualmente, o "Clarín" é dono de 49% da Papel Prensa e o "La Nación", de 22,5%. Outros 27,5% das ações pertencem ao Estado.
No caso de o projeto ser aprovado, os dois jornais teriam um prazo de três anos para se desfazerem do capital que extrapolaria o limite.
No caso do Estado ou de um sócio não vinculado à atividade jornalística, o limite seria de 33%.
Anteontem, Cristina havia proposto a "nacionalização" dos meios de comunicação para que "tenham consciência nacional e defendam os interesses do país".
"Às vezes penso que seria interessante nacionalizar, não estatizar", afirmou.
A Papel Prensa produz 75% do papel-jornal consumido no país e fornece para 170 meios impressos de Buenos Aires e do interior.
Desde 2009, a fábrica se transformou no centro de um confronto entre os sócios privados e o governo, que tenta expulsá-los da sociedade por meio de uma ação judicial.
OFENSIVA
O projeto de lei para controlar a produção e a comercialização de papel-jornal, apresentado publicamente por Cristina há dois meses, faz parte da ofensiva para aumentar o controle do Estado sobre a fábrica de papel.
O apoio surpreendente ao projeto por partidos de esquerda, que geralmente fazem oposição a Cristina, permitiu que as comissões técnicas que analisavam o texto encaminhassem ao plenário da Câmara um relatório favorável à proposta.
A votação final deve ocorrer em duas semanas.
Os aliados de última hora, no entanto, ainda não garantem os votos necessários para que a matéria seja aprovada definitivamente.
O texto proposto pelo governo, que pretende declarar a produção de papel-jornal setor de "interesse público", tenta controlar as operações comerciais e de investimento da Papel Prensa.
Conforme o projeto, a empresa seria obrigada a oferecer as mesmas condições de preços e prazos para todos os veículos e teria a gestão fiscalizada por uma comissão parlamentar.
Cristina acusa o "Clarín" e o "La Nación" de utilizarem a fábrica como instrumento para manter a hegemonia na imprensa argentina.
Segundo ela, além de os dois jornais comprarem papel com desconto, eles mantêm a fábrica operando abaixo de sua capacidade para elevar o preço e evitar o crescimento de concorrentes.
A proposta do governo também quer obrigar a Papel Prensa a trabalhar com o máximo de sua capacidade instalada para suprir toda a demanda interna. Hoje, 25% do insumo usado é importado
domingo, 17 de outubro de 2010
"Mães" viram militantes dos Kirchner
"Mães" viram militantes dos Kirchner
Conhecido por oposição ao governo e luta pelos direitos humanos, grupo torna-se figura fácil na Casa Rosada
"Não tenho dúvidas de que essas associações estarão na próxima campanha eleitoral", diz deputado opositor
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
Símbolo argentino na luta pelos direitos humanos, as Mães da Praça de Maio decidiram romper com movimentos sociais opositores e se transformaram em militantes do casal Kirchner.
Elas agora são presença garantida em eventos na Casa Rosada e assumiram a linha de frente nas lutas do governo contra imprensa, setor agropecuário e Judiciário.
Identificadas pelo lenço branco na cabeça, as Mães ficaram conhecidas mundialmente no final dos anos 70, quando começaram a viajar para denunciar o desaparecimento de seus filhos, vítimas do terrorismo da última ditadura argentina (1976-1983).
O reconhecimento internacional também motivou o grupo a visitar outros países que enfrentavam ditaduras ou guerras para apoiar grupos de esquerda e organismos de direitos humanos.
Recentemente, a associação se alinhou com as posições de Néstor e Cristina Kirchner em função da política de cooptação articulada pelo casal desde que chegou à Presidência, em 2003.
Primeiro, eles atenderam a principal reivindicação do movimento ao patrocinar a revogação da lei de anistia, que abriu caminho para que os agentes repressores da ditadura voltassem a ser julgados e condenados.
Depois, passaram a liberar verbas milionárias para projetos sociais e históricos gerenciados pelas Mães.
Apesar de não revelar quanto recebe do Estado, a presidente da entidade, Hebe de Bonafini, 81, confirma a assinatura de convênios e declara gratidão ao governo.
Em julho, ela inaugurou uma corrente política formada só por mulheres, "Las Cristinas", em homenagem à atual presidente do país.
Como já não têm um "inimigo" na Casa Rosada, as Mães também decidiram, em 2006, que não participariam mais da Marcha da Resistência -realizada anualmente pelos movimentos sociais.
Desde então, a entidade passou a se chocar com grupos antes tidos como aliados. Os movimentos piqueteiros, por exemplo, são criticados por Bonafini quando protestam contra os Kirchner.
Conhecida pelos discursos polêmicos, nos quais já defendeu o 11 de Setembro, ela não poupa insultos contra os inimigos do governo.
Recentemente, depois de a Corte Suprema argentina tomar uma decisão indigesta para os Kirchner, definiu os juízes como "ladrões".
Para Fernando Esteche, porta-voz do movimento Quebracho, um dos mais combativos do país, o governo comprou o movimento.
"Hoje elas integram uma unidade básica kirchnerista. Perderam de vista sua própria história, que sempre foi de oposição. Elas mantêm uma estrutura clientelista, com funcionários, carros, edifícios e uma rádio, tudo viabilizado pelos Kirchner."
O deputado opositor Ricardo Gil Lavedra, que integrou o tribunal que condenou as juntas militares em 1985, afirma que o governo cooptou entidades como as Mães para usar a bandeira dos direitos humanos. "Eu não tenho dúvidas de que essas associações farão parte da campanha eleitoral do ano que vem", diz o deputado
Associação conta com rádio, gráfica, editora e universidade
DE BUENOS AIRES
Ao expandir seu âmbito de atuação, a Associação Mães da Praça de Maio construiu, ao longo desta década, a maior infraestrutura entre os organismos de direitos humanos da Argentina.
Desde 2000, a entidade fundou uma universidade, conquistou uma frequência de rádio, montou uma gráfica e uma editora e passou até mesmo a gerenciar a construção de casas populares.
A expansão teve apoio dos governos de Néstor e Cristina Kirchner, que conquistaram a adesão política das Mães.
Em um dos quatro prédios que a associação mantém no centro de Buenos Aires, funciona a Universidade Popular das Mães, recentemente transformada em instituição federal por Cristina.
Cerca de 2.000 alunos pagam mensalidades de menos de R$ 30 para cursar Direito, História, Trabalho Social e oficinas técnicas.
Em 2005, o Estado concedeu uma licença de transmissão AM para a rádio A Voz das Mães e, no mesmo ano, aceitou financiar o projeto "Sonhos Compartilhados", que já construiu 10 mil casas, escolas e hospitais sob a administração da entidade.
Inicialmente formada por cerca de 2.000 mulheres, a associação atualmente se reduz a aproximadamente cem Mães, que têm entre 80 e 96 anos.
A gestão da estrutura, no entanto, cabe a funcionários mais jovens, para garantir a continuidade, segundo a presidente, Hebe de Bonafini, que não divulga o número de colaboradores.
Todas as quintas-feiras, um grupo de Mães continua realizando a marcha na Praça de Maio, que se repete desde 1977. Simultaneamente, caminham de lados opostos da praça o grupo liderado por Bonafini e o das Mães dissidentes, que em 1986 criaram a Linha Fundadora.
Enquanto as representantes da associação ligada ao governo chegam à praça de ônibus e contam com o apoio de funcionários, as integrantes da Linha Fundadora -que afirmam nunca ter recebido subsídios estatais- marcham sem qualquer infraestrutura.
Líder diz que parcerias não abalam atuação
DE BUENOS AIRES
A presidente da Associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, 81, recebeu a Folha em seu escritório, onde exibe fotos de Cristina e Néstor Kirchner. (GH)
Folha - O que este governo representa para as Mães?
Hebe de Bonafini - Uma mudança profunda. Fizemos campanha contra eles, porque considerávamos os peronistas todos iguais. Mas estávamos equivocadas. Néstor declarou que nós éramos suas mães e que nossos filhos eram seus companheiros, isso foi o máximo.
Qual é a principal reivindicação das Mães hoje?
A destituição dos aproximadamente 400 juízes da época da ditadura que permanecem no Judiciário. Para avançarmos nos julgamentos aos repressores, é preciso retirá-los.
O alinhamento com Cristina não abala a autonomia?
Não há um alinhamento automático. Nós a queremos e respeitamos muito. Mas há coisas que o governo faz mal. Eu já entreguei uma lista para ela com os integrantes do governo de que eu não gosto.
Esse grupo político Las Cristinas, por exemplo, não transforma as Mães em unidade kirchnerista?
As outras Mães não participam. Faço isso pessoalmente, não como representante da associação.
Qual é o orçamento anual das Mães e quanto disso vem do governo?
Não te darei os números, porque já nos criticam muito por aí. O governo financia o projeto de moradias e outros convênios, mas não recebemos subsídio mensal. Pagamos muita coisa com o lucro da nossa gráfica e com a venda de nossos livros.
Conhecido por oposição ao governo e luta pelos direitos humanos, grupo torna-se figura fácil na Casa Rosada
"Não tenho dúvidas de que essas associações estarão na próxima campanha eleitoral", diz deputado opositor
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
Símbolo argentino na luta pelos direitos humanos, as Mães da Praça de Maio decidiram romper com movimentos sociais opositores e se transformaram em militantes do casal Kirchner.
Elas agora são presença garantida em eventos na Casa Rosada e assumiram a linha de frente nas lutas do governo contra imprensa, setor agropecuário e Judiciário.
Identificadas pelo lenço branco na cabeça, as Mães ficaram conhecidas mundialmente no final dos anos 70, quando começaram a viajar para denunciar o desaparecimento de seus filhos, vítimas do terrorismo da última ditadura argentina (1976-1983).
O reconhecimento internacional também motivou o grupo a visitar outros países que enfrentavam ditaduras ou guerras para apoiar grupos de esquerda e organismos de direitos humanos.
Recentemente, a associação se alinhou com as posições de Néstor e Cristina Kirchner em função da política de cooptação articulada pelo casal desde que chegou à Presidência, em 2003.
Primeiro, eles atenderam a principal reivindicação do movimento ao patrocinar a revogação da lei de anistia, que abriu caminho para que os agentes repressores da ditadura voltassem a ser julgados e condenados.
Depois, passaram a liberar verbas milionárias para projetos sociais e históricos gerenciados pelas Mães.
Apesar de não revelar quanto recebe do Estado, a presidente da entidade, Hebe de Bonafini, 81, confirma a assinatura de convênios e declara gratidão ao governo.
Em julho, ela inaugurou uma corrente política formada só por mulheres, "Las Cristinas", em homenagem à atual presidente do país.
Como já não têm um "inimigo" na Casa Rosada, as Mães também decidiram, em 2006, que não participariam mais da Marcha da Resistência -realizada anualmente pelos movimentos sociais.
Desde então, a entidade passou a se chocar com grupos antes tidos como aliados. Os movimentos piqueteiros, por exemplo, são criticados por Bonafini quando protestam contra os Kirchner.
Conhecida pelos discursos polêmicos, nos quais já defendeu o 11 de Setembro, ela não poupa insultos contra os inimigos do governo.
Recentemente, depois de a Corte Suprema argentina tomar uma decisão indigesta para os Kirchner, definiu os juízes como "ladrões".
Para Fernando Esteche, porta-voz do movimento Quebracho, um dos mais combativos do país, o governo comprou o movimento.
"Hoje elas integram uma unidade básica kirchnerista. Perderam de vista sua própria história, que sempre foi de oposição. Elas mantêm uma estrutura clientelista, com funcionários, carros, edifícios e uma rádio, tudo viabilizado pelos Kirchner."
O deputado opositor Ricardo Gil Lavedra, que integrou o tribunal que condenou as juntas militares em 1985, afirma que o governo cooptou entidades como as Mães para usar a bandeira dos direitos humanos. "Eu não tenho dúvidas de que essas associações farão parte da campanha eleitoral do ano que vem", diz o deputado
Associação conta com rádio, gráfica, editora e universidade
DE BUENOS AIRES
Ao expandir seu âmbito de atuação, a Associação Mães da Praça de Maio construiu, ao longo desta década, a maior infraestrutura entre os organismos de direitos humanos da Argentina.
Desde 2000, a entidade fundou uma universidade, conquistou uma frequência de rádio, montou uma gráfica e uma editora e passou até mesmo a gerenciar a construção de casas populares.
A expansão teve apoio dos governos de Néstor e Cristina Kirchner, que conquistaram a adesão política das Mães.
Em um dos quatro prédios que a associação mantém no centro de Buenos Aires, funciona a Universidade Popular das Mães, recentemente transformada em instituição federal por Cristina.
Cerca de 2.000 alunos pagam mensalidades de menos de R$ 30 para cursar Direito, História, Trabalho Social e oficinas técnicas.
Em 2005, o Estado concedeu uma licença de transmissão AM para a rádio A Voz das Mães e, no mesmo ano, aceitou financiar o projeto "Sonhos Compartilhados", que já construiu 10 mil casas, escolas e hospitais sob a administração da entidade.
Inicialmente formada por cerca de 2.000 mulheres, a associação atualmente se reduz a aproximadamente cem Mães, que têm entre 80 e 96 anos.
A gestão da estrutura, no entanto, cabe a funcionários mais jovens, para garantir a continuidade, segundo a presidente, Hebe de Bonafini, que não divulga o número de colaboradores.
Todas as quintas-feiras, um grupo de Mães continua realizando a marcha na Praça de Maio, que se repete desde 1977. Simultaneamente, caminham de lados opostos da praça o grupo liderado por Bonafini e o das Mães dissidentes, que em 1986 criaram a Linha Fundadora.
Enquanto as representantes da associação ligada ao governo chegam à praça de ônibus e contam com o apoio de funcionários, as integrantes da Linha Fundadora -que afirmam nunca ter recebido subsídios estatais- marcham sem qualquer infraestrutura.
Líder diz que parcerias não abalam atuação
DE BUENOS AIRES
A presidente da Associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, 81, recebeu a Folha em seu escritório, onde exibe fotos de Cristina e Néstor Kirchner. (GH)
Folha - O que este governo representa para as Mães?
Hebe de Bonafini - Uma mudança profunda. Fizemos campanha contra eles, porque considerávamos os peronistas todos iguais. Mas estávamos equivocadas. Néstor declarou que nós éramos suas mães e que nossos filhos eram seus companheiros, isso foi o máximo.
Qual é a principal reivindicação das Mães hoje?
A destituição dos aproximadamente 400 juízes da época da ditadura que permanecem no Judiciário. Para avançarmos nos julgamentos aos repressores, é preciso retirá-los.
O alinhamento com Cristina não abala a autonomia?
Não há um alinhamento automático. Nós a queremos e respeitamos muito. Mas há coisas que o governo faz mal. Eu já entreguei uma lista para ela com os integrantes do governo de que eu não gosto.
Esse grupo político Las Cristinas, por exemplo, não transforma as Mães em unidade kirchnerista?
As outras Mães não participam. Faço isso pessoalmente, não como representante da associação.
Qual é o orçamento anual das Mães e quanto disso vem do governo?
Não te darei os números, porque já nos criticam muito por aí. O governo financia o projeto de moradias e outros convênios, mas não recebemos subsídio mensal. Pagamos muita coisa com o lucro da nossa gráfica e com a venda de nossos livros.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
ARGENTINA: Governo tenta reduzir clientes do Grupo Clarín. SE A MODA PEGA,HEIN?
ARGENTINA
O governo Cristina Kirchner iniciou campanha para reduzir a lista de clientes da Fibertel, provedor de internet do Grupo Clarín, com quem briga na Justiça. E-mail enviado para 50 mil pessoas anuncia que a empresa está operando ilegalmente e convoca usuários a migrarem para outra empresa
O governo Cristina Kirchner iniciou campanha para reduzir a lista de clientes da Fibertel, provedor de internet do Grupo Clarín, com quem briga na Justiça. E-mail enviado para 50 mil pessoas anuncia que a empresa está operando ilegalmente e convoca usuários a migrarem para outra empresa
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Cristina aponta "crimes" de donos de jornais
fsp
Argentina apresenta denúncia em que acusa os proprietários de "La Nación" e "Clarín" de homicídio e tortura
Casa Rosada diz que delitos foram cometidos nos anos 70, durante processo de compra de empresa de papel-jornal
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
O governo argentino da presidente Cristina Kirchner apresentou ontem uma denúncia formal à Justiça contra os dirigentes dos jornais "Clarín" e "La Nación", maiores veículos impressos do país, por crimes contra a humanidade ocorridos supostamente em 1976.
Conforme a denúncia, os delitos de "homicídio, extorsão, privação ilegítima de liberdade, tortura e associação ilícita" foram cometidos pelos dirigentes em cumplicidade com o último regime militar argentino (1976-1983) durante a negociação da empresa Papel Prensa.
Atualmente a fábrica produz 75% do papel-jornal consumido no país.
As ações da empresa que hoje pertencem aos jornais denunciados foram compradas na época da família Graiver, vítima da repressão estatal durante a ditadura.
Na versão do governo, os integrantes da família sofreram "intimidações e ameaças" que os obrigaram a assinar os contratos de venda.
Apesar de terem sido presos pelos militares somente após a negociação, a transferência das ações ocorreu quando os Graiver já estavam fragilizados e não podiam decidir, alega o governo.
O momento da prisão e as intimidações fizeram parte de um esquema "articulado pelos dirigentes dos jornais junto à cúpula do governo de fato", diz a denúncia, apresentada em nome do governo pela Secretaria de Direitos Humanos e pela Procuradoria do Tesouro -equivalente à Advocacia-Geral da União.
O documento entregue pelo governo à Justiça também apresenta relatos e testemunhos que consideram os jornais "Clarín" e "La Nación" meios de comunicação "associados com a ditadura" que foram "beneficiados" pelo "aparato clandestino de terrorismo do Estado" em outros negócios posteriores.
Ao denunciar os jornais, o governo se associou como denunciante a integrantes da família Graiver em um processo que já tramita em um tribunal de La Plata (Província de Buenos Aires). Nele investiga-se a negociação da Papel Prensa.
Junto com as informações que tentam incriminar os dirigentes dos jornais e ex-governantes do regime militar, o governo pediu à Justiça que interrogue os principais acionistas do jornal "Clarín", Ernestina Herrera de Noble e Héctor Magnetto, e o diretor de redação do "La Nación", Bartolomé Luis Mitre.
O pedido de interrogatório também se estende aos ex-dirigentes militares, em maioria já presos.
PLANO CONCRETIZADO
A denúncia concretiza o plano da presidente Cristina Kirchner, que mantém uma guerra declarada contra os dois jornais. Ambos os veículos adotaram uma linha editorial contrária ao governo em 2008.
Cristina já havia anunciado a intenção de processar os dirigentes dos dois diários no mês passado em um evento público.
Em um comunicado, os dois jornais afirmaram ontem que não houve delito algum na aquisição da Papel Prensa e que, em 27 anos de democracia, nunca surgiu outra denúncia semelhante.
A atitude do governo é "uma aberração moral e jurídica" que tenta intimidar veículos que não são alinhados politicamente, diz a nota.
"O governo insiste em mentir, reescrever a história e manipular os direitos humanos como ferramenta de perseguição e represália", afirma ainda o texto.
CRONOLOGIA
DO EMBATE
AGO.1976
O banqueiro David Graiver, que administrava as ações da família na empresa de papel-jornal Papel Prensa, morre em um acidente aéreo nunca esclarecido. Os bancos da família começam a falir
OUT.1976
A família Graiver começa a ser pressionada pelo grupo guerrilheiro Montoneros, que pedia de volta dinheiro obtido com sequestros e que havia sido entregue a David para que ele investisse fora do país
NOV.1976
"Clarín", "La Nación" e o já extinto "La Razón" compram as ações da Papel Prensa que pertenciam à família Graiver
MAR E ABR.1977
O regime militar prende seis membros da família Graiver por causa da relação com o grupo Montoneros. Eles só foram soltos nos anos 80
1986
A família Graiver é inocentada pela Justiça, mas obrigada a devolver o dinheiro dos Montoneros aos sequestrados
2009
O governo, que administra ações da Papel Prensa pertencentes ao Estado, dá sinais de que pretende aumentar o poder sobre a empresa. Os diretores estatais conseguem na Justiça a nomeação de um interventor. A relação entre os sócios privados e o governo se transforma em uma disputa
AGO.2010
Cristina Kirchner acusa os diretores dos jornais "Clarín" e "La Nación" de cometerem crimes contra a humanidade ao comprarem suas ações. Eles se aproveitaram da fragilidade da família Graiver, então pressionada pelos militares, para negociar condições vantajosas, segundo o governo
AGO E SET.2010
Integrantes da família Graiver mantêm uma guerra de versões sobre a negociação. Lidia Papaleo, viúva de David Graiver, apoia o governo. Ela diz que foi coagida pelos compradores. Isidoro Graiver, irmão de David, nega coação
ONTEM
O governo faz a denúncia, entrega o relatório à Justiça e pede que os diretores dos jornais sejam interrogados
Argentina apresenta denúncia em que acusa os proprietários de "La Nación" e "Clarín" de homicídio e tortura
Casa Rosada diz que delitos foram cometidos nos anos 70, durante processo de compra de empresa de papel-jornal
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
O governo argentino da presidente Cristina Kirchner apresentou ontem uma denúncia formal à Justiça contra os dirigentes dos jornais "Clarín" e "La Nación", maiores veículos impressos do país, por crimes contra a humanidade ocorridos supostamente em 1976.
Conforme a denúncia, os delitos de "homicídio, extorsão, privação ilegítima de liberdade, tortura e associação ilícita" foram cometidos pelos dirigentes em cumplicidade com o último regime militar argentino (1976-1983) durante a negociação da empresa Papel Prensa.
Atualmente a fábrica produz 75% do papel-jornal consumido no país.
As ações da empresa que hoje pertencem aos jornais denunciados foram compradas na época da família Graiver, vítima da repressão estatal durante a ditadura.
Na versão do governo, os integrantes da família sofreram "intimidações e ameaças" que os obrigaram a assinar os contratos de venda.
Apesar de terem sido presos pelos militares somente após a negociação, a transferência das ações ocorreu quando os Graiver já estavam fragilizados e não podiam decidir, alega o governo.
O momento da prisão e as intimidações fizeram parte de um esquema "articulado pelos dirigentes dos jornais junto à cúpula do governo de fato", diz a denúncia, apresentada em nome do governo pela Secretaria de Direitos Humanos e pela Procuradoria do Tesouro -equivalente à Advocacia-Geral da União.
O documento entregue pelo governo à Justiça também apresenta relatos e testemunhos que consideram os jornais "Clarín" e "La Nación" meios de comunicação "associados com a ditadura" que foram "beneficiados" pelo "aparato clandestino de terrorismo do Estado" em outros negócios posteriores.
Ao denunciar os jornais, o governo se associou como denunciante a integrantes da família Graiver em um processo que já tramita em um tribunal de La Plata (Província de Buenos Aires). Nele investiga-se a negociação da Papel Prensa.
Junto com as informações que tentam incriminar os dirigentes dos jornais e ex-governantes do regime militar, o governo pediu à Justiça que interrogue os principais acionistas do jornal "Clarín", Ernestina Herrera de Noble e Héctor Magnetto, e o diretor de redação do "La Nación", Bartolomé Luis Mitre.
O pedido de interrogatório também se estende aos ex-dirigentes militares, em maioria já presos.
PLANO CONCRETIZADO
A denúncia concretiza o plano da presidente Cristina Kirchner, que mantém uma guerra declarada contra os dois jornais. Ambos os veículos adotaram uma linha editorial contrária ao governo em 2008.
Cristina já havia anunciado a intenção de processar os dirigentes dos dois diários no mês passado em um evento público.
Em um comunicado, os dois jornais afirmaram ontem que não houve delito algum na aquisição da Papel Prensa e que, em 27 anos de democracia, nunca surgiu outra denúncia semelhante.
A atitude do governo é "uma aberração moral e jurídica" que tenta intimidar veículos que não são alinhados politicamente, diz a nota.
"O governo insiste em mentir, reescrever a história e manipular os direitos humanos como ferramenta de perseguição e represália", afirma ainda o texto.
CRONOLOGIA
DO EMBATE
AGO.1976
O banqueiro David Graiver, que administrava as ações da família na empresa de papel-jornal Papel Prensa, morre em um acidente aéreo nunca esclarecido. Os bancos da família começam a falir
OUT.1976
A família Graiver começa a ser pressionada pelo grupo guerrilheiro Montoneros, que pedia de volta dinheiro obtido com sequestros e que havia sido entregue a David para que ele investisse fora do país
NOV.1976
"Clarín", "La Nación" e o já extinto "La Razón" compram as ações da Papel Prensa que pertenciam à família Graiver
MAR E ABR.1977
O regime militar prende seis membros da família Graiver por causa da relação com o grupo Montoneros. Eles só foram soltos nos anos 80
1986
A família Graiver é inocentada pela Justiça, mas obrigada a devolver o dinheiro dos Montoneros aos sequestrados
2009
O governo, que administra ações da Papel Prensa pertencentes ao Estado, dá sinais de que pretende aumentar o poder sobre a empresa. Os diretores estatais conseguem na Justiça a nomeação de um interventor. A relação entre os sócios privados e o governo se transforma em uma disputa
AGO.2010
Cristina Kirchner acusa os diretores dos jornais "Clarín" e "La Nación" de cometerem crimes contra a humanidade ao comprarem suas ações. Eles se aproveitaram da fragilidade da família Graiver, então pressionada pelos militares, para negociar condições vantajosas, segundo o governo
AGO E SET.2010
Integrantes da família Graiver mantêm uma guerra de versões sobre a negociação. Lidia Papaleo, viúva de David Graiver, apoia o governo. Ela diz que foi coagida pelos compradores. Isidoro Graiver, irmão de David, nega coação
ONTEM
O governo faz a denúncia, entrega o relatório à Justiça e pede que os diretores dos jornais sejam interrogados
domingo, 5 de setembro de 2010
Esquivel, prêmio Nobel : A contaminação informativa
A Lei de Meios Audiovisuais sancionada pelo Parlamento argentino é necessária, já que permite romper o controle dos monopólios informativos, gerar o pluralismo jornalístico e recuperar a liberdade de imprensa. A reação das corporações, como o grupo Clarín, desatou uma campanha virulenta contra o governo acompanhada pela voracidade de uma oposição sem idéias, que busca unicamente golpear o governo e que tem todos os meios de comunicação à sua disposição, como a pitonisa que anuncia todo tipo de catástrofes. O artigo é de Adolfo Perez Esquivel.
Adolfo Perez Esquivel (*)
A vida dos povos está submetida aos impactos ambientais, à contaminação auditiva e visual da palavra e das idéias, que impõem o monocultivo das mentes. Os avanços tecnológicos são utilizados muitas vezes para o controle dos meios de comunicação e, assim, para o condicionamento e a manipulação dos povos. Nenhum meio informativo é asséptico, mas deve basear-se na ética e em valores a serviço dos povos e não para se servir dos mesmos.
Uma das grandes conquistas das lutas sociais foi a liberdade de imprensa, o direito de informar e ser informado, mas os grandes monopólios econômicos, ideológicos e políticos que controlam os meios de informação mataram a liberdade de imprensa e querem confundi-la e reduzi-la à liberdade de empresa, duas expressões que não são sinônimas.
A contaminação da palavra e a propaganda midiática chegaram a tal extremo que não permite ver com clareza onde está verdade informativa. A ética e a busca da verdade estão ausentes e prevalece a distorção da realidade. A CNN é o exemplo dessa contaminação de que sofremos povos. Sua ação no Iraque foi e é para justificar a guerra e difundir que esse país possuía armas de destruição em massa. Algo semelhante está sendo armado agora contra o Irã e outros países. Por outro lado, ocultam massacres e assassinatos de crianças e de população civil no Iraque e no Afeganistão, onde os que se dizem defensores da “democracia” se dedicam ao saqueio do patrimônio do povo iraquiano e implantam centros de tortura levando morte e destruição a essa região. Esse povo é acusado de “terrorismo islâmico”, quando os verdadeiros terroristas são os torturadores e assassinos que invadiram esses países, violando os direitos humanos, os direitos dos povos e todas as convenções internacionais.
Os grandes monopólios informativos da Europa, Estados Unidos e América Latina estão em uma forte campanha internacional para atacar e desprestigiar governos como o de Hugo Cávez, na Venezuela, acusando-o de tirano e de todos os males, ignorando em seus esquecimentos intencionais que Chávez é um dos poucos presidentes que se apresenta para eleições e é reeleito pelo povo, por suas políticas sociais e trabalho em favor dos setores mais pobres da população.
Outro alvo midiático dessa campanha de desprestígio é o presidente Evo Morales, da Bolívia, que enfrenta a campanha e a ação dos meios concentrados de comunicação, contra um governo que tem buscado a integração e a vida dos povos em um país pluricultural e nacional, desagradando aos interesses econômicos e políticos que sempre dominaram a Bolívia.
As campanhas midiáticas dos grandes monopólios informativos são dirigidas buscando uma contaminação mental que debilite os governos progressistas. Através do tempo vemos que o mesmo ocorre com Fidel Castro e o governo cubano; 50 anos de resistência e assombro no mundo diante dos avanços e da capacidade de seu povo, com seus programas de saúde, educação, luta contra o analfabetismo e a pobreza.
Cuba é um povo solidário com outros povos mais necessitados e os fatos falam por si mesmos. Há muito tempo, antes do terremoto que assolou o Haiti, Cuba enviou médicos, educadores e técnicos para apoiar e trabalhar solidariamente junto ao povo haitiano, vítima da pobreza, marginalidade, violência social e estrutural e de desastres naturais. Os Estados, como resposta às necessidades do povo haitiano, enviou 20 mil soldados para controlar e submeter o povo. Mas disso não se fala. A intenção das campanhas jornalísticas é estar a serviço dos interesses econômicos e políticos dos poderosos para submeter os povos.
Muitas ações solidárias e fatos positivos são ocultados pelos meios informativos. A presidente Cristina Fernández de Kirchner, em sua viagem a Europa, lembrou a crise vivida por esses países e sugeriu não aceitar a receita do FMI e do Banco Mundial, advertindo a respeito das graves conseqüências que elas já tiveram na vida do povo argentino. A soberba dos grandes meios de comunicação europeus recebeu essa advertência de forma depreciativa, falando “dessa senhora que quer nos ensinar o que devemos fazer”. Seria bom e saudável que prestassem atenção aos conselhos da presidente que solidariamente lhes estendeu a mão.
Já defendi publicamente e reafirmo que a Lei de Meios Audiovisuais sancionada pelo Parlamento argentino é necessária, já que permite romper o controle dos monopólios informativos, gerar o pluralismo jornalístico e recuperar a liberdade de imprensa. A reação das corporações, como o grupo Clarín, desatou uma campanha virulenta contra o governo acompanhada pela voracidade de uma oposição sem idéias, que busca unicamente golpear o governo e que tem todos os meios de comunicação à sua disposição, como a pitonisa que anuncia todo tipo de catástrofes, sem diferenciar as contribuições e avanços do governo, assinalando apenas seus erros e aumentando sua real dimensão. Isso é um fator preocupante para a vigência da democracia no país.
Com o tema da Papel Prensa, empresa monopolista, é preciso investigar as ações da ditadura militar e quem se favoreceu com elas. A família Graiver foi submetida a seqüestros, torturas, cárcere e morte, além de ter seus bens todos apropriados. O governo argentino iniciou uma investigação para determinar responsabilidades. Manobras similares a esta envolvendo a Papel Prensa foram utilizadas pela ditadura militar para se apropriar das empresas e recursos dos irmãos Iaccarino, vítimas da violência e da impunidade desses anos.
Ao mesmo tempo, o governo – e tenho assinalado isso em reiteradas oportunidades – não sabe e não quer dialogar. É um governo de confrontação e agudização dos conflitos, movendo-se com muita soberba e pouco sentido político para resolver os problemas do país, somando-se a isso as políticas provinciais dos senhores feudais, que fazem o que querem e não o que devem, e estão levando as províncias a um quadro de desintegração social, cultural, política e econômica.
A política neoliberal impulsionada pelo governo não se modificou desde o menemismo que tanto dano trouxe ao país. Pelo contrário, aprofundou-se, porque uma coisa são os discursos progressistas e outra é a realidade. O problema político e econômico do governo e da Sociedade Rural Argentina, não são muito diferentes. A disputa está em quem fica com o pedaço maior da torta. Basta ter em mente que o governo não faz nada para frear os danos ambientais e os agrotóxicos, a exploração de megamineradoras com seus desastres e danos para a saúde das populações e de suas economias regionais e familiares.
Por outro lado, devemos ter presente que o governo, em suas contradições, avançou em diversos campos sociais. Seria importante para o país que as forças progressistas, opositoras ao governo, apresentassem alternativas ao modelo atual, ao invés de ficar apenas fazendo críticas que não vão para nenhum lado. Os desafios são enormes e é preciso repensar o país, gerar um novo contrato social que permita avançar em sua construção democrática e a vigência dos direitos humanos em sua integridade. A liberdade de imprensa permitira uma maior consciência crítica e o fortalecimento de valores éticos, sociais, culturais e políticos. Superará a contaminação informativa e, assim, poderá repensar o país que queremos.
Adolfo Perez Esquivel (*)
A vida dos povos está submetida aos impactos ambientais, à contaminação auditiva e visual da palavra e das idéias, que impõem o monocultivo das mentes. Os avanços tecnológicos são utilizados muitas vezes para o controle dos meios de comunicação e, assim, para o condicionamento e a manipulação dos povos. Nenhum meio informativo é asséptico, mas deve basear-se na ética e em valores a serviço dos povos e não para se servir dos mesmos.
Uma das grandes conquistas das lutas sociais foi a liberdade de imprensa, o direito de informar e ser informado, mas os grandes monopólios econômicos, ideológicos e políticos que controlam os meios de informação mataram a liberdade de imprensa e querem confundi-la e reduzi-la à liberdade de empresa, duas expressões que não são sinônimas.
A contaminação da palavra e a propaganda midiática chegaram a tal extremo que não permite ver com clareza onde está verdade informativa. A ética e a busca da verdade estão ausentes e prevalece a distorção da realidade. A CNN é o exemplo dessa contaminação de que sofremos povos. Sua ação no Iraque foi e é para justificar a guerra e difundir que esse país possuía armas de destruição em massa. Algo semelhante está sendo armado agora contra o Irã e outros países. Por outro lado, ocultam massacres e assassinatos de crianças e de população civil no Iraque e no Afeganistão, onde os que se dizem defensores da “democracia” se dedicam ao saqueio do patrimônio do povo iraquiano e implantam centros de tortura levando morte e destruição a essa região. Esse povo é acusado de “terrorismo islâmico”, quando os verdadeiros terroristas são os torturadores e assassinos que invadiram esses países, violando os direitos humanos, os direitos dos povos e todas as convenções internacionais.
Os grandes monopólios informativos da Europa, Estados Unidos e América Latina estão em uma forte campanha internacional para atacar e desprestigiar governos como o de Hugo Cávez, na Venezuela, acusando-o de tirano e de todos os males, ignorando em seus esquecimentos intencionais que Chávez é um dos poucos presidentes que se apresenta para eleições e é reeleito pelo povo, por suas políticas sociais e trabalho em favor dos setores mais pobres da população.
Outro alvo midiático dessa campanha de desprestígio é o presidente Evo Morales, da Bolívia, que enfrenta a campanha e a ação dos meios concentrados de comunicação, contra um governo que tem buscado a integração e a vida dos povos em um país pluricultural e nacional, desagradando aos interesses econômicos e políticos que sempre dominaram a Bolívia.
As campanhas midiáticas dos grandes monopólios informativos são dirigidas buscando uma contaminação mental que debilite os governos progressistas. Através do tempo vemos que o mesmo ocorre com Fidel Castro e o governo cubano; 50 anos de resistência e assombro no mundo diante dos avanços e da capacidade de seu povo, com seus programas de saúde, educação, luta contra o analfabetismo e a pobreza.
Cuba é um povo solidário com outros povos mais necessitados e os fatos falam por si mesmos. Há muito tempo, antes do terremoto que assolou o Haiti, Cuba enviou médicos, educadores e técnicos para apoiar e trabalhar solidariamente junto ao povo haitiano, vítima da pobreza, marginalidade, violência social e estrutural e de desastres naturais. Os Estados, como resposta às necessidades do povo haitiano, enviou 20 mil soldados para controlar e submeter o povo. Mas disso não se fala. A intenção das campanhas jornalísticas é estar a serviço dos interesses econômicos e políticos dos poderosos para submeter os povos.
Muitas ações solidárias e fatos positivos são ocultados pelos meios informativos. A presidente Cristina Fernández de Kirchner, em sua viagem a Europa, lembrou a crise vivida por esses países e sugeriu não aceitar a receita do FMI e do Banco Mundial, advertindo a respeito das graves conseqüências que elas já tiveram na vida do povo argentino. A soberba dos grandes meios de comunicação europeus recebeu essa advertência de forma depreciativa, falando “dessa senhora que quer nos ensinar o que devemos fazer”. Seria bom e saudável que prestassem atenção aos conselhos da presidente que solidariamente lhes estendeu a mão.
Já defendi publicamente e reafirmo que a Lei de Meios Audiovisuais sancionada pelo Parlamento argentino é necessária, já que permite romper o controle dos monopólios informativos, gerar o pluralismo jornalístico e recuperar a liberdade de imprensa. A reação das corporações, como o grupo Clarín, desatou uma campanha virulenta contra o governo acompanhada pela voracidade de uma oposição sem idéias, que busca unicamente golpear o governo e que tem todos os meios de comunicação à sua disposição, como a pitonisa que anuncia todo tipo de catástrofes, sem diferenciar as contribuições e avanços do governo, assinalando apenas seus erros e aumentando sua real dimensão. Isso é um fator preocupante para a vigência da democracia no país.
Com o tema da Papel Prensa, empresa monopolista, é preciso investigar as ações da ditadura militar e quem se favoreceu com elas. A família Graiver foi submetida a seqüestros, torturas, cárcere e morte, além de ter seus bens todos apropriados. O governo argentino iniciou uma investigação para determinar responsabilidades. Manobras similares a esta envolvendo a Papel Prensa foram utilizadas pela ditadura militar para se apropriar das empresas e recursos dos irmãos Iaccarino, vítimas da violência e da impunidade desses anos.
Ao mesmo tempo, o governo – e tenho assinalado isso em reiteradas oportunidades – não sabe e não quer dialogar. É um governo de confrontação e agudização dos conflitos, movendo-se com muita soberba e pouco sentido político para resolver os problemas do país, somando-se a isso as políticas provinciais dos senhores feudais, que fazem o que querem e não o que devem, e estão levando as províncias a um quadro de desintegração social, cultural, política e econômica.
A política neoliberal impulsionada pelo governo não se modificou desde o menemismo que tanto dano trouxe ao país. Pelo contrário, aprofundou-se, porque uma coisa são os discursos progressistas e outra é a realidade. O problema político e econômico do governo e da Sociedade Rural Argentina, não são muito diferentes. A disputa está em quem fica com o pedaço maior da torta. Basta ter em mente que o governo não faz nada para frear os danos ambientais e os agrotóxicos, a exploração de megamineradoras com seus desastres e danos para a saúde das populações e de suas economias regionais e familiares.
Por outro lado, devemos ter presente que o governo, em suas contradições, avançou em diversos campos sociais. Seria importante para o país que as forças progressistas, opositoras ao governo, apresentassem alternativas ao modelo atual, ao invés de ficar apenas fazendo críticas que não vão para nenhum lado. Os desafios são enormes e é preciso repensar o país, gerar um novo contrato social que permita avançar em sua construção democrática e a vigência dos direitos humanos em sua integridade. A liberdade de imprensa permitira uma maior consciência crítica e o fortalecimento de valores éticos, sociais, culturais e políticos. Superará a contaminação informativa e, assim, poderá repensar o país que queremos.
Assinar:
Postagens (Atom)