Publicado em 06/04/2011
O Globo vai ficar felicíssimo ao saber disso
Amigo navegante envia notícia interessante sobre a Globo da Argentina, o grupo Clarin, que foi devidamente enquadrado pela Ley de Medios da presidenta Kirchner:
Paulo,
Tudo bem?
Olha que notícia interessante um amigo meu argentino me mandou: pesquisa mostra que confiabilidade do Clarin caiu fortemente no último ano.
Vá ao link http://www.elargentino.com/nota-133038-La-confianza-de-los-lectores-en-el-diario-Clarin-cayo-diez-puntos-en-el-ultimo-ano.html.
La confianza de los lectores en el diario Clarín cayó diez puntos en el último año
Según una encuesta de Ibarómetro, aumentó el porcentaje de ciudadanos que considera sesgada la información del matutino. Apoyo al bloqueo.
La batalla emprendida por el Grupo Clarín contra el gobierno de Cristina Fernández dejó por el piso la credibilidad del multimedios y la influencia que durante años ejerció en la opinión pública. Así lo revela una encuesta de Ibarómetro, que comprobó que en el último año aumentó 14 puntos porcentuales la cantidad de ciudadanos del Área Metropolitana que considera sesgada la información difundida por Clarín. Al mismo tiempo descendieron 10 puntos quienes consideran que el diario es confiable.
Entre marzo de 2010 y el mismo mes de 2011, los encuestados que desconfían del diario pasaron del 34,1 al 48%, mientras que quienes consideran que aporta información confiable y objetiva pasaron del 45,1 al 35,4% en ese año
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Blog de luisnassif - Mídia, negócios e poder. Na Argentina
Enviado por luisnassif, dom, 03/04/2011 - 10:06
Folha de S.Paulo - Negócios estão na origem da crise dos Kirchner com diário - 03/04/2011
Negócios estão na origem da crise dos Kirchner com diário
Amistosa durante o governo de Néstor, relação mudou quando jornal apoiou produtores rurais contra Cristina
Até 2007, Casa Rosada havia apoiado expansão do grupo na TV a cabo; para jornalista, disputa não tem "bonzinhos"
DE BUENOS AIRES
Antes de se tornarem inimigos, o governo Kirchner e o Grupo Clarín tiveram uma amistosa e lucrativa relação, a ponto de a Casa Rosada apoiar a expansão dos negócios do conglomerado no mercado de TV paga.
Hoje, o que o governo considera uma briga ideológica virou motivo de preocupação pela falta de liberdade de imprensa na Argentina.
No final do seu mandato, em dezembro de 2007, o próprio ex-presidente Néstor Kirchner, morto em outubro de 2010, assinou a fusão das empresas Multicanal e Cablevisión. A operação deu ao Grupo Clarín a liderança no mercado de TV a cabo.
Em 2008, já com Cristina na Presidência, houve uma crise entre o governo e produtores rurais por causa da alta de impostos.
Nessa época o Grupo Clarín, antes simpático à Casa Rosada, mudou sua posição editorial e criticou o governo. A guerra estava detonada.
O kirchnerismo se sentiu traído pelo conglomerado e começou a elaborar lei contra o monopólio da mídia.
O Grupo Clarín seria o principal afetado pela legislação, que visava regular o setor de rádio e TV, limitando a participação de empresas privadas nesses mercados. Aprovada em 2009, a lei ainda não entrou em vigor porque é contestada na Justiça.
"Kirchner percebeu que o Clarín não seria seu sócio e começou a brigar contra o grupo", diz Luis Majul, autor do livro "O Dono", em que narra os negócios "públicos e privados" do ex-presidente.
Antes da crise no campo, destaca Majul, houve uma pequena tensão: o governo freou a tentativa do grupo de entrar no mercado das telecomunicações com pacotes "triple play" (internet, telefone e TV a cabo).
SEM BONZINHOS
"O governo prometera aprovar a operação, mas depois recuou porque o Clarín ficaria com um poder muito grande", afirma o jornalista, que trabalha num novo livro sobre a relação entre Néstor Kirchner e Héctor Magnetto, um dos acionistas do grupo.
O "Clarín" nega que os negócios tenham influenciado a mudança editorial em relação ao casal Kirchner.
"Não há bonzinhos nessa briga", diz o jornalista Jorge Lanata, um dos nomes mais odiados pela Casa Rosada. "O Clarín não é oficialista, é "clarinista". O grupo sempre dependeu do governo para os seus negócios", afirma.
Um dos fundadores do "Página 12", jornal que hoje é partidário do kirchnerismo, Lanata está fora do jornalismo diário, trabalhando atualmente na produção de um documentário.
"É impossível fazer jornalismo na Argentina. Se hoje é o "Clarín" que não pode circular, amanhã posso ser eu."
Na tentativa de sufocar o Clarín, o governo levou à Justiça questionamentos sobre as empresas e as relações familiares de Ernestina Noble, dona do conglomerado.
Além de pedir o cancelamento da fusão entre Multicanal e Cablevisión, a Casa Rosada afirma que os herdeiros de Noble (adotados por ela em 1976) são filhos biológicos de militantes de esquerda mortos na ditadura.
(LUCAS FERRAZ)
Folha de S.Paulo - Negócios estão na origem da crise dos Kirchner com diário - 03/04/2011
Negócios estão na origem da crise dos Kirchner com diário
Amistosa durante o governo de Néstor, relação mudou quando jornal apoiou produtores rurais contra Cristina
Até 2007, Casa Rosada havia apoiado expansão do grupo na TV a cabo; para jornalista, disputa não tem "bonzinhos"
DE BUENOS AIRES
Antes de se tornarem inimigos, o governo Kirchner e o Grupo Clarín tiveram uma amistosa e lucrativa relação, a ponto de a Casa Rosada apoiar a expansão dos negócios do conglomerado no mercado de TV paga.
Hoje, o que o governo considera uma briga ideológica virou motivo de preocupação pela falta de liberdade de imprensa na Argentina.
No final do seu mandato, em dezembro de 2007, o próprio ex-presidente Néstor Kirchner, morto em outubro de 2010, assinou a fusão das empresas Multicanal e Cablevisión. A operação deu ao Grupo Clarín a liderança no mercado de TV a cabo.
Em 2008, já com Cristina na Presidência, houve uma crise entre o governo e produtores rurais por causa da alta de impostos.
Nessa época o Grupo Clarín, antes simpático à Casa Rosada, mudou sua posição editorial e criticou o governo. A guerra estava detonada.
O kirchnerismo se sentiu traído pelo conglomerado e começou a elaborar lei contra o monopólio da mídia.
O Grupo Clarín seria o principal afetado pela legislação, que visava regular o setor de rádio e TV, limitando a participação de empresas privadas nesses mercados. Aprovada em 2009, a lei ainda não entrou em vigor porque é contestada na Justiça.
"Kirchner percebeu que o Clarín não seria seu sócio e começou a brigar contra o grupo", diz Luis Majul, autor do livro "O Dono", em que narra os negócios "públicos e privados" do ex-presidente.
Antes da crise no campo, destaca Majul, houve uma pequena tensão: o governo freou a tentativa do grupo de entrar no mercado das telecomunicações com pacotes "triple play" (internet, telefone e TV a cabo).
SEM BONZINHOS
"O governo prometera aprovar a operação, mas depois recuou porque o Clarín ficaria com um poder muito grande", afirma o jornalista, que trabalha num novo livro sobre a relação entre Néstor Kirchner e Héctor Magnetto, um dos acionistas do grupo.
O "Clarín" nega que os negócios tenham influenciado a mudança editorial em relação ao casal Kirchner.
"Não há bonzinhos nessa briga", diz o jornalista Jorge Lanata, um dos nomes mais odiados pela Casa Rosada. "O Clarín não é oficialista, é "clarinista". O grupo sempre dependeu do governo para os seus negócios", afirma.
Um dos fundadores do "Página 12", jornal que hoje é partidário do kirchnerismo, Lanata está fora do jornalismo diário, trabalhando atualmente na produção de um documentário.
"É impossível fazer jornalismo na Argentina. Se hoje é o "Clarín" que não pode circular, amanhã posso ser eu."
Na tentativa de sufocar o Clarín, o governo levou à Justiça questionamentos sobre as empresas e as relações familiares de Ernestina Noble, dona do conglomerado.
Além de pedir o cancelamento da fusão entre Multicanal e Cablevisión, a Casa Rosada afirma que os herdeiros de Noble (adotados por ela em 1976) são filhos biológicos de militantes de esquerda mortos na ditadura.
(LUCAS FERRAZ)
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sábado, 2 de abril de 2011
escrevinhador - Jornal e ditadura: é melhor contar a verdade, Clarín
publicada quinta-feira, 31/03/2011 às 11:37 e atualizada quinta-feira, 31/03/2011 às 11:44
É melhor contar a verdade, Clarín
por João Peres, no Blog Nota de Rodapé
O diário argentino resolve reescrever a verdade ao narrar o bloqueio feito por sindicalistas a sua gráfica, e os jornais brasileiros embarcam na onda, cometendo uma falsificação indesculpável
O jornal argentino Clarín queixa-se que o governo da presidenta Cristina Kirchner incentiva ataques à imprensa ao não debelar o bloqueio feito na gráfica do diário. O piquete foi realizado entre sábado e domingo últimos pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e teve a intenção, segundo a empresa, de impedir a circulação de matéria desfavorável ao presidente da CGT, Hugo Moyano.
O maior diário do país vizinho reclama que o governo não cumpriu a tempo ordem judicial que determinava que se garantisse a distribuição da edição dominical. A ministra de Segurança, Nilda Garré, afirma que deu conta do que foi solicitado pelo Judiciário e que a liberdade de expressão não foi afetada.
Até aí, difícil dar fé à versão de qualquer uma das partes, dado que a política da Argentina é das mais complexas de que se tem notícia. Independentemente do que tenha ocorrido, infeliz a declaração do editor de Clarín, Ricardo Roa, de que o jornal nunca passou por esse problema, “nem mesmo nos tempos de ditadura” – a versão de Roa é apoiada por editorial do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 29.
Oras, Clarín, oras, Estadão, vamos falar a verdade: o jornal nunca deixou de circular nos tempos de ditaduras porque sempre as apoiou. Qualquer argentino se recorda ou viu na escola a fantástica capa de 4 de maio de 1982, que estampava “Já estamos ganhando”, numa alusão a um suposto triunfo na Guerra das Malvinas. “Porque lutamos por uma ideia grande, porque nossos soldados a estão defendendo, porque agora todos sabemos apertar os dentes”, estampava a edição daquele dia, um clássico do “jornalismo”, rapidamente desmentido pelas mortes de soldados que sequer tinham o que comer no gélido sul do país.
Antes disso, no dia do último golpe, em 24 de março de 1976, o Clarín contava em letras garrafais: “Novo governo”. Na sequência, informava que “a prolongada crise política que aflige o país começou a ter seu desenlace nesta madrugada com o afastamento de Maria Martínez de Perón como presidente da nação.” O país ficou menos aflito nos próximos sete anos: 30 mil mortes e centenas de milhares de torturados, centenas de crianças raptadas e adotadas ilegalmente. Entre essas crianças, investigam os argentinos, figuram os filhos da dona do Grupo Clarín, a Rede Globo vizinha. Então, Clarín, convém não falsear a realidade dos fatos.
Indignação seletiva
A indignação seletiva é um fenômeno interessante. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que deveria representar as publicações impressas brasileiras, está em polvorosa com os ataques a seu fraterno Clarín. Afirmou que a atitude dos sindicalistas é “intolerante e antidemocrática” e acusa cumplicidade de Cristina Kirchner.Em outubro passado, quando a Revista do Brasil foi impedida de circular por decisão do Judiciário a favor do PSDB, a ANJ não deu um pio a respeito de intolerância ou ataque à democracia. Não entendi
É melhor contar a verdade, Clarín
por João Peres, no Blog Nota de Rodapé
O diário argentino resolve reescrever a verdade ao narrar o bloqueio feito por sindicalistas a sua gráfica, e os jornais brasileiros embarcam na onda, cometendo uma falsificação indesculpável
O jornal argentino Clarín queixa-se que o governo da presidenta Cristina Kirchner incentiva ataques à imprensa ao não debelar o bloqueio feito na gráfica do diário. O piquete foi realizado entre sábado e domingo últimos pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e teve a intenção, segundo a empresa, de impedir a circulação de matéria desfavorável ao presidente da CGT, Hugo Moyano.
O maior diário do país vizinho reclama que o governo não cumpriu a tempo ordem judicial que determinava que se garantisse a distribuição da edição dominical. A ministra de Segurança, Nilda Garré, afirma que deu conta do que foi solicitado pelo Judiciário e que a liberdade de expressão não foi afetada.
Até aí, difícil dar fé à versão de qualquer uma das partes, dado que a política da Argentina é das mais complexas de que se tem notícia. Independentemente do que tenha ocorrido, infeliz a declaração do editor de Clarín, Ricardo Roa, de que o jornal nunca passou por esse problema, “nem mesmo nos tempos de ditadura” – a versão de Roa é apoiada por editorial do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 29.
Oras, Clarín, oras, Estadão, vamos falar a verdade: o jornal nunca deixou de circular nos tempos de ditaduras porque sempre as apoiou. Qualquer argentino se recorda ou viu na escola a fantástica capa de 4 de maio de 1982, que estampava “Já estamos ganhando”, numa alusão a um suposto triunfo na Guerra das Malvinas. “Porque lutamos por uma ideia grande, porque nossos soldados a estão defendendo, porque agora todos sabemos apertar os dentes”, estampava a edição daquele dia, um clássico do “jornalismo”, rapidamente desmentido pelas mortes de soldados que sequer tinham o que comer no gélido sul do país.
Antes disso, no dia do último golpe, em 24 de março de 1976, o Clarín contava em letras garrafais: “Novo governo”. Na sequência, informava que “a prolongada crise política que aflige o país começou a ter seu desenlace nesta madrugada com o afastamento de Maria Martínez de Perón como presidente da nação.” O país ficou menos aflito nos próximos sete anos: 30 mil mortes e centenas de milhares de torturados, centenas de crianças raptadas e adotadas ilegalmente. Entre essas crianças, investigam os argentinos, figuram os filhos da dona do Grupo Clarín, a Rede Globo vizinha. Então, Clarín, convém não falsear a realidade dos fatos.
Indignação seletiva
A indignação seletiva é um fenômeno interessante. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que deveria representar as publicações impressas brasileiras, está em polvorosa com os ataques a seu fraterno Clarín. Afirmou que a atitude dos sindicalistas é “intolerante e antidemocrática” e acusa cumplicidade de Cristina Kirchner.Em outubro passado, quando a Revista do Brasil foi impedida de circular por decisão do Judiciário a favor do PSDB, a ANJ não deu um pio a respeito de intolerância ou ataque à democracia. Não entendi
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Participantes da ditadura, diretores de jornais argentinos se preparam para pedido de prisão
Proprietários de "La Nación" e "Clarín" são processados por governo argentino
fsp
Diários são processados em razão da compra de empresa de papel-jornal durante a mais recente ditadura, nos anos 70
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
Os jornais "Clarín" e "La Nación", principais veículos impressos da Argentina, prometem reagir a um pedido de prisão preventiva contra seus dirigentes que estaria sendo preparado pelo governo Cristina Kirchner.
A presidente, que mantém um conflito aberto contra os dois veículos, anunciou em agosto a intenção de denunciá-los por crimes contra a humanidade ocorridos na década de 1970.
Essa denúncia viria acompanhada de um pedido de "prisão imediata" contra três diretores nos próximos dias, segundo publicado no fim de semana pelo jornal "Perfil".
Procurado pela Folha, o governo argentino não confirmou nem desmentiu a informação.
A legislação argentina permite um pedido de prisão feito pelo governo -no caso, pela Procuradoria do Tesouro, órgão equivalente à Advocacia Geral da União. O juiz, antes de decidir, tem de levar em conta também a opinião do Ministério Público.
Conforme a versão do governo, os dirigentes foram cúmplices do último regime militar do país (1976-1983) e se aproveitaram da condição de fragilidade de uma família perseguida pela ditadura para comprar ações da Papel Prensa, empresa que hoje produz 75% do papel-jornal consumido na Argentina.
O diretor de Negócios do "La Nación", Eduardo Lomanto, diz que o governo usa o poder do Estado "para manipular a história" e tenta "criminalizar" dirigentes de veículos que não se submeteram a seus interesses.
A linha editorial dos jornais é crítica ao governo.
Segundo Lomanto, os dois veículos estão preparados para tomar as medidas judiciais necessárias para "preservar a liberdade dos diretores", já que existe uma "grande possibilidade" de que o governo entre com pedidos de prisão preventiva.
O gerente de Comunicações Externas do "Clarín", Martín Etchevers, disse que não quer "corroborar algo que ainda não ocorreu", mas afirma que o departamento jurídico levantou testemunhas e provas para refutar os argumentos do governo.
"Temos os recibos de pagamento [das ações da Papel Prensa], desmontamos a versão ponto por ponto. Caso isso se confirme, será uma aberração judicial que confirmará que se trata de uma perseguição", diz Etchevers.
LISTA DE CRIMES
Conforme documentos obtidos pelo "Perfil", os principais acionistas do "Clarín", Ernestina Herrera de Noble e Héctor Magnetto, e o diretor de redação do "La Nación", Bartolomé Mitre, serão denunciados como "partícipes necessários" em crimes de extorsão, ameaça, privação ilegítima de liberdade, sequestro e homicídio, todos relacionados com a compra.
No mesmo documento, o governo denunciará como "autores e coautores" dos crimes os ex-ditadores do país e dirigentes militares que, em maioria, já estão presos.
Caso a Justiça aceite a denúncia e os dirigentes dos jornais sejam julgados, eles podem ser condenados à prisão perpétua.
As vítimas são integrantes da família Graiver, que acabaram presos e torturados meses depois de venderem sua parte na Papel Prensa.
A denúncia contra os jornais está sendo preparada pela Secretaria de Direitos Humanos do governo e pela Procuradoria do Tesouro
fsp
Diários são processados em razão da compra de empresa de papel-jornal durante a mais recente ditadura, nos anos 70
GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
Os jornais "Clarín" e "La Nación", principais veículos impressos da Argentina, prometem reagir a um pedido de prisão preventiva contra seus dirigentes que estaria sendo preparado pelo governo Cristina Kirchner.
A presidente, que mantém um conflito aberto contra os dois veículos, anunciou em agosto a intenção de denunciá-los por crimes contra a humanidade ocorridos na década de 1970.
Essa denúncia viria acompanhada de um pedido de "prisão imediata" contra três diretores nos próximos dias, segundo publicado no fim de semana pelo jornal "Perfil".
Procurado pela Folha, o governo argentino não confirmou nem desmentiu a informação.
A legislação argentina permite um pedido de prisão feito pelo governo -no caso, pela Procuradoria do Tesouro, órgão equivalente à Advocacia Geral da União. O juiz, antes de decidir, tem de levar em conta também a opinião do Ministério Público.
Conforme a versão do governo, os dirigentes foram cúmplices do último regime militar do país (1976-1983) e se aproveitaram da condição de fragilidade de uma família perseguida pela ditadura para comprar ações da Papel Prensa, empresa que hoje produz 75% do papel-jornal consumido na Argentina.
O diretor de Negócios do "La Nación", Eduardo Lomanto, diz que o governo usa o poder do Estado "para manipular a história" e tenta "criminalizar" dirigentes de veículos que não se submeteram a seus interesses.
A linha editorial dos jornais é crítica ao governo.
Segundo Lomanto, os dois veículos estão preparados para tomar as medidas judiciais necessárias para "preservar a liberdade dos diretores", já que existe uma "grande possibilidade" de que o governo entre com pedidos de prisão preventiva.
O gerente de Comunicações Externas do "Clarín", Martín Etchevers, disse que não quer "corroborar algo que ainda não ocorreu", mas afirma que o departamento jurídico levantou testemunhas e provas para refutar os argumentos do governo.
"Temos os recibos de pagamento [das ações da Papel Prensa], desmontamos a versão ponto por ponto. Caso isso se confirme, será uma aberração judicial que confirmará que se trata de uma perseguição", diz Etchevers.
LISTA DE CRIMES
Conforme documentos obtidos pelo "Perfil", os principais acionistas do "Clarín", Ernestina Herrera de Noble e Héctor Magnetto, e o diretor de redação do "La Nación", Bartolomé Mitre, serão denunciados como "partícipes necessários" em crimes de extorsão, ameaça, privação ilegítima de liberdade, sequestro e homicídio, todos relacionados com a compra.
No mesmo documento, o governo denunciará como "autores e coautores" dos crimes os ex-ditadores do país e dirigentes militares que, em maioria, já estão presos.
Caso a Justiça aceite a denúncia e os dirigentes dos jornais sejam julgados, eles podem ser condenados à prisão perpétua.
As vítimas são integrantes da família Graiver, que acabaram presos e torturados meses depois de venderem sua parte na Papel Prensa.
A denúncia contra os jornais está sendo preparada pela Secretaria de Direitos Humanos do governo e pela Procuradoria do Tesouro
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