Para entender o ataque do Estadão
Enviado por luisnassif, sab, 16/04/2011 - 09:09
Post de 12/02/2011
Nos tempos em que os Mesquita dirigiam o Estadão, seria impensável engavetar grandes matérias de escândalo.
Desde que assumiu a direção editorial do jornal, Ricardo Gandour vem atropelando um a um os princípios jornalísticos que fizeram do Estadão um jornal respeitado inclusive pelos adversários. O jornal era intransigente até demais em suas convicções, mas jamais brigava com os fatos ou abría mão das grandes matérias jornalísticas.
O histórico de Gandour inclui a demissão de Maria Rita Khel, a escandalização de fatos normais ou banais para atingir jornalistas que ele considerava adversários. E a censura - inédita no caso do Estadão - a grandes reportagens.
A matéria abaixo foi escrita em 24 de setembro de 2009. Era um furo jornalístico dos maiores: as investigações da Polícia Federal mostrando que um dossiê divulgado por Diogo Mainardi na Veja era (mais uma vez) falso e fruto de jogadas de lobbies. Como se recorda, durante semanas o falso dossiê foi apresentado como fruto de investigações da PF, com ampla repercussão nos jornais, no Jornal Nacional. Sabia-se que havia grandes interesses financeiros por trás, jogadas de lobistas pesados.
O Estadão deu a primeira matéria sobre a falsificação. Pelo visto, o repórter tinha o fio da meada para uma reportagem candidata a Esso.
Houve claro veto da direção do jornal à continuidade da matéria - já que não se leu mais nenhuma linha sobre o assunto. Ou irá se supor que o repórter abriu mão do seu furo. Gandour atropelou o jornalismo e princípios consagrados de atuação da família Mesquita.
Polícia acusa agente de criar falso dossiê - versaoimpressa - Estadao.com.br
O material tinha como alvo Victor de Souza irmão do ministro Franklin
24 de setembro de 2009 | 0h 00
Marcelo Auler, RIO - O Estadao de S.Paulo
O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.
O material acusou Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.
Após a revista Veja divulgar o dossiê em abril, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.
Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe quem recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.
Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal , onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.
O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.
Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: "Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo."
Para entender o ataque do Estadão - 2
Enviado por luisnassif, sab, 16/04/2011 - 09:12
Histórias de um grande jornalista
de 08/02/2011
História 1
Ruyzito Mesquita, acionista mas sem participação editorial no Estadão, planejou uma coleção de cinco volumes sobre sustentabilidade. Apresentou à Secretaria da Educação de São Paulo. A coleção foi aprovada para o sistema de compras de livros didáticos.
Nesse ínterim, Paulo Renato de Souza foi indicado Secretário da Educação. Depois do episódio do Bradesco - um email com um artigo que ele submetia à apreciação do presidente do banco - Paulo Renato havia perdido espaço na Folha e tornou-se articulista do Estadão. Indicado Secretário, seria normal que pedisse demissão da função. Não o fez, obrigando Ruy Mesquita, pai, a demiti-lo.
O troco veio em seguida: a Secretaria voltou atrás e rejeitou a coleção de Ruyzito.
José Serra foi informado da retaliação, mas nada fez. Mesmo não gostando de Serra - por seu hábito de pedir cabeça de jornalistas - o velho Ruy manteve-se firme na mesma linha do Estadão de apoio à sua candidatura.
História 2
Nos anos 70, o ex-deputado (cassado) e correspondente do Estadão em Londres, Hermano Alves, escreveu uma série de matérias que descontentou profundamente Ruy Mesquita, então dirigindo o Jornal da Tarde. Não foi proibido de continuar. Apenas diariamente Dr. Ruy fazia um editorial rebatendo os artigos de Hermano - mas indicando a página do artigo para os leitores.
Nas últimas eleições, quando Maria Rita Khel foi demitida por Ricardo Gandour, dr. Ruy virou o bicho. Chamou o rapaz na sua sala e lhe deu uma espinafrada que ecoou pelos corredores do jornal
- 3
Enviado por luisnassif, dom, 17/04/2011 - 09:03
O Desenho da Mídia, de 23/03/2011
A pesquisa da CDN sobre os hábitos de leituras dos executivos brasileiros consolida percepções já antigas sobre o tema.
Considere-se que os executivos eram o público preferencial dos jornais, provavelmente os mais habituados às colunas dos jornais - daí talvez a preferência por blogs. Considere-se também que, pela pesquisa, continuam sendo majoritariamente leitores de jornais.
A pesquisa comprova algumas análises que já publiquei aqui e acrescenta ingredientes novos à discussão midiática.
Tempos atrás escrevi que, dos grupos da velha mídia, sobreviveriam as Organizações Globo e a Folha, através da UOL; que o Estadão era um grupo à venda; e que a Abril não conseguiria se colocar nesse novo mundo virtual.
Como a blogosfera é um universo múltiplo, distribuído, obviamente não dá para tratar da mesma maneira que um portal ou um jornal. É um grande bolo, mas dividido por milhares de blogs. E muitos desses blogs estão ancorados em portais jornalísticos.
Na pesquisa, alguns pontos chamam a atenção:
1.O predomínio dos portais variados sobre os portais exclusivamente jornalísticos. UOL (42%) e Terra (36%) se destacam vindo, a seguir, o iG (19%), acima do G1 (17%), mesmo este contando com o aparato de vídeo das Organizações Globo. Até a era Caio Túlio o iG encostava no Terra, na disputa pelo segundo lugar, mas por audiência total. Como a pesquisa, agora, é com executivos atrás de notícias, não sei se reflete a audiência total dos portais.
2.A pesquisa consagra a visão pioneira de Luiz Frias, quando convenceu o pai a apostar na UOL. A consolidação se deu em cima de uma série de operações habilidosas, da compra da parte da Abril à associação com a Portugal Telecom, a maneira como resolveu seus problemas com o ICMS paulista e a operação de IPO conduzida pelo Banco Pactual, o desenvolvimento de tecnologia própria. Em meio ao terremoto da última década, manteve o barco à tona e consolidou a posição de liderança. Ele e Rodrigo Mesquita, do Estadão, são os herdeiros que melhor entenderam os novos tempos.
3.Um capítulo curioso é o caso Nizan Guanaes. Quando lançou o iG, escrevi algumas vezes que o modelo de negócios (em cima da internet gratuita) não se sustentaria, porque baseado em uma distorção – o pagamento pelas teles aos portais que redirecionassem o tráfego para elas. De fato, não se sustentou. Mas Nizan estava certo em apostar em um modelo que dependesse de publicidade. Acontece que o iG surgiu muito antes da publicidade chegar maciçamente à internet. Foi salvo por manobras envolvendo controladores e sócios, mas se consolidou no terceiro lugar. Roberto Campos tinha uma maneira de definir erros estratégicos: quando se começa muito depois ou quando se começa muito antes. Nizan viu. O problema é que foi muito antes.
4.Chama atenção a total inexpressividade do Portal do Estadão – que não aparece sequer na pesquisa. Já a Agência Estado tem a leitura de apenas 2% dos executivos, justamente seu público-alvo. O grupo jogou tudo no Portal. É dos mais completos, com melhor conteúdo. Mas perdeu-se provavelmente na organização do conteúdo, que acabou reproduzindo, em um espaço que deveria ser organizado e hierarquizado, a própria desorganização e horizontalização da Internet. Sequer há separações claras sobre a ordem cronológica de entrada das notícias no portal. Não há uma porta de entrada simplificada, que permita visualizar todo o conteúdo. A própria versão online da Folha impressa, simplesinha, sem nenhuma firula, permite com dois cliques saber de todo conteúdo do jornal. No Estadão, é impossível.
5.Apesar do pesado investimento no seu Portal, Veja sequer aparece com 1% de indicações. A Abril perdeu o barco lá atrás, quando se desfez da BOL e, depois, da TVA. Está fora do jogo.
6.Com pouco tempo no ar, o R7 – embora ainda em pequenos 3% - suplantou a Agência Estado junto ao público-alvo da Agência.
7.Embora o jornal tenha passado por uma crise que quase liquidou com sua circulação, o site de O Dia ainda tem 2% de audiência dos executivos. Aliás, foi dos pioneiros, com alta qualidade inicial. Infelizmente a morte do Ary Carvalho interrompeu o planejamento para dar o upgrade ao jornal.
O caso Estadão
É curiosa a saga do Estadão.
Quando começou a era da informação online, foi dos primeiros a entender os novos tempos. Está certo, que à custa do pioneiro Dinheiro Vivo, que foi a primeira empresa a lançar serviços online. Na época, Rodrigo Mesquita convenceu a família a comprar o sistema de transmissão da Broadcast e contratou praticamente toda a minha equipe. Depois disso, fez um trabalho de gente grande na consolidação da Agência.
Quando sobreveio a crise do grupo, as disputas internas acabaram levando de roldão todos os membros da família que trabalhavam na empresa. E com isso o grupo perdeu sua cabeça estratégica.
Como o único setor dinâmico do grupo era a Agência, na impossibilidade de manter Rodrigo o Conselho decidiu promover seu segundo homem, Sandro Vaia. Só que Sandro tinha funções operacionais. Nunca foi estrategista dos novos tempos, nem chefe de redação dos velhos tempos.
Depois, resolveu trazer alguém de fora, Ricardo Gandour, com carreira bem sucedida no Publifolha. Em vez de coloca-lo para tocar novos negócios, como um publisher clássico, conferiu-se a ele a direção de conteúdo de todo o grupo. E seu perfil não é de jornalista de redação.
Com isso o jornal entrou na fase de maior ebulição da mídia brasileira, com o terremoto editorial acabando com a estratificação de leitura, sem um desenho claro de conteúdo.
A linha política foi mantida pela tradição da família Mesquita e da marca Estadão. Mas Gandour trouxe para dentro do jornal o vezo da Opus Dei (essa informação é de colegas ligados à própria família Mesquita, não de críticos do jornal), de instrumentalizar a cobertura. Manipulou manchetes, criou falsos escândalos, repercutiu as maluquices da Veja, cometeu ataques contra colegas, entrou no pool de mídia que se formou a partir de 2005. E, com isso, perdeu a oportunidade de firmar o jornal como alternativa de informação objetiva – embora ainda seja o jornalisticamente mais sólido dos veículos da velha mídia.
Agora, o Estadão está no seguinte dilema.
O jornalão está zero a zero – não gera mais lucros para financiar as novas plataformas; a rádio é superavitária mas de pequena expressão (embora o movimento de associação à ESPN seja promissor); a Agência Estado continua sendo a parte mais rentável.
Mas a grande aposta, o Portal, não vingou
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domingo, 17 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
escrevinhador - Jornal e ditadura: é melhor contar a verdade, Clarín
publicada quinta-feira, 31/03/2011 às 11:37 e atualizada quinta-feira, 31/03/2011 às 11:44
É melhor contar a verdade, Clarín
por João Peres, no Blog Nota de Rodapé
O diário argentino resolve reescrever a verdade ao narrar o bloqueio feito por sindicalistas a sua gráfica, e os jornais brasileiros embarcam na onda, cometendo uma falsificação indesculpável
O jornal argentino Clarín queixa-se que o governo da presidenta Cristina Kirchner incentiva ataques à imprensa ao não debelar o bloqueio feito na gráfica do diário. O piquete foi realizado entre sábado e domingo últimos pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e teve a intenção, segundo a empresa, de impedir a circulação de matéria desfavorável ao presidente da CGT, Hugo Moyano.
O maior diário do país vizinho reclama que o governo não cumpriu a tempo ordem judicial que determinava que se garantisse a distribuição da edição dominical. A ministra de Segurança, Nilda Garré, afirma que deu conta do que foi solicitado pelo Judiciário e que a liberdade de expressão não foi afetada.
Até aí, difícil dar fé à versão de qualquer uma das partes, dado que a política da Argentina é das mais complexas de que se tem notícia. Independentemente do que tenha ocorrido, infeliz a declaração do editor de Clarín, Ricardo Roa, de que o jornal nunca passou por esse problema, “nem mesmo nos tempos de ditadura” – a versão de Roa é apoiada por editorial do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 29.
Oras, Clarín, oras, Estadão, vamos falar a verdade: o jornal nunca deixou de circular nos tempos de ditaduras porque sempre as apoiou. Qualquer argentino se recorda ou viu na escola a fantástica capa de 4 de maio de 1982, que estampava “Já estamos ganhando”, numa alusão a um suposto triunfo na Guerra das Malvinas. “Porque lutamos por uma ideia grande, porque nossos soldados a estão defendendo, porque agora todos sabemos apertar os dentes”, estampava a edição daquele dia, um clássico do “jornalismo”, rapidamente desmentido pelas mortes de soldados que sequer tinham o que comer no gélido sul do país.
Antes disso, no dia do último golpe, em 24 de março de 1976, o Clarín contava em letras garrafais: “Novo governo”. Na sequência, informava que “a prolongada crise política que aflige o país começou a ter seu desenlace nesta madrugada com o afastamento de Maria Martínez de Perón como presidente da nação.” O país ficou menos aflito nos próximos sete anos: 30 mil mortes e centenas de milhares de torturados, centenas de crianças raptadas e adotadas ilegalmente. Entre essas crianças, investigam os argentinos, figuram os filhos da dona do Grupo Clarín, a Rede Globo vizinha. Então, Clarín, convém não falsear a realidade dos fatos.
Indignação seletiva
A indignação seletiva é um fenômeno interessante. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que deveria representar as publicações impressas brasileiras, está em polvorosa com os ataques a seu fraterno Clarín. Afirmou que a atitude dos sindicalistas é “intolerante e antidemocrática” e acusa cumplicidade de Cristina Kirchner.Em outubro passado, quando a Revista do Brasil foi impedida de circular por decisão do Judiciário a favor do PSDB, a ANJ não deu um pio a respeito de intolerância ou ataque à democracia. Não entendi
É melhor contar a verdade, Clarín
por João Peres, no Blog Nota de Rodapé
O diário argentino resolve reescrever a verdade ao narrar o bloqueio feito por sindicalistas a sua gráfica, e os jornais brasileiros embarcam na onda, cometendo uma falsificação indesculpável
O jornal argentino Clarín queixa-se que o governo da presidenta Cristina Kirchner incentiva ataques à imprensa ao não debelar o bloqueio feito na gráfica do diário. O piquete foi realizado entre sábado e domingo últimos pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e teve a intenção, segundo a empresa, de impedir a circulação de matéria desfavorável ao presidente da CGT, Hugo Moyano.
O maior diário do país vizinho reclama que o governo não cumpriu a tempo ordem judicial que determinava que se garantisse a distribuição da edição dominical. A ministra de Segurança, Nilda Garré, afirma que deu conta do que foi solicitado pelo Judiciário e que a liberdade de expressão não foi afetada.
Até aí, difícil dar fé à versão de qualquer uma das partes, dado que a política da Argentina é das mais complexas de que se tem notícia. Independentemente do que tenha ocorrido, infeliz a declaração do editor de Clarín, Ricardo Roa, de que o jornal nunca passou por esse problema, “nem mesmo nos tempos de ditadura” – a versão de Roa é apoiada por editorial do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 29.
Oras, Clarín, oras, Estadão, vamos falar a verdade: o jornal nunca deixou de circular nos tempos de ditaduras porque sempre as apoiou. Qualquer argentino se recorda ou viu na escola a fantástica capa de 4 de maio de 1982, que estampava “Já estamos ganhando”, numa alusão a um suposto triunfo na Guerra das Malvinas. “Porque lutamos por uma ideia grande, porque nossos soldados a estão defendendo, porque agora todos sabemos apertar os dentes”, estampava a edição daquele dia, um clássico do “jornalismo”, rapidamente desmentido pelas mortes de soldados que sequer tinham o que comer no gélido sul do país.
Antes disso, no dia do último golpe, em 24 de março de 1976, o Clarín contava em letras garrafais: “Novo governo”. Na sequência, informava que “a prolongada crise política que aflige o país começou a ter seu desenlace nesta madrugada com o afastamento de Maria Martínez de Perón como presidente da nação.” O país ficou menos aflito nos próximos sete anos: 30 mil mortes e centenas de milhares de torturados, centenas de crianças raptadas e adotadas ilegalmente. Entre essas crianças, investigam os argentinos, figuram os filhos da dona do Grupo Clarín, a Rede Globo vizinha. Então, Clarín, convém não falsear a realidade dos fatos.
Indignação seletiva
A indignação seletiva é um fenômeno interessante. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que deveria representar as publicações impressas brasileiras, está em polvorosa com os ataques a seu fraterno Clarín. Afirmou que a atitude dos sindicalistas é “intolerante e antidemocrática” e acusa cumplicidade de Cristina Kirchner.Em outubro passado, quando a Revista do Brasil foi impedida de circular por decisão do Judiciário a favor do PSDB, a ANJ não deu um pio a respeito de intolerância ou ataque à democracia. Não entendi
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
blog do miro - Estadão manipula dados sobre o campo
Reproduzo artigo publicado no Blog da Reforma Agrária:
Os dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que, em 2009, havia 36 acampamentos e foram feitas 290 ocupações de terras. No ano anterior, em 2008, havia 40 acampamentos e foram realizadas 252 ocupações de terra.
A edição do ano passado do relatório da CPT explica a diferença:
“Ocupações são ações coletivas das famílias sem terra que, por meio da entrada em imóveis rurais, reivindicam terras que não cumprem a função social”
“Acampamentos são espaços de luta e formação, fruto de ações coletivas, localizados no campo ou na cidade, onde as famílias sem terra organizadas, reivindicam assentamentos”
Ou seja, a diferença de acampamento e ocupação é o local onde as famílias vivem.
A medida da base social do movimento de trabalhadores sem terra, que organiza acampamentos e fazem ocupações, se dá pela soma dessas duas categorias. Até porque essas situações variam muito até a criação do projeto de assentamento.
O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria e, em consequência, um editorial e uma série de artigos, nos quais se lambuza com uma suposta crise do MST.
Haveria apenas 36 acampamentos no Brasil. E as 290 ocupações de terra? Além disso, mais famílias participaram dessas ações em 2009, em relação ao ano anterior (será que a “crise” está sendo revertida?).
Essas informações o Estadão omitiu. Por quê?
Sim, é verdade, atualmente tem menos famílias acampadas e em ocupações no meio rural, comparando 2003 e 2011.
No começo do governo Lula, havia uma expectativa geral da realização da reforma agrária. Anos e anos se passaram, e Lula não acabou com o latifúndio nem democratizou o acesso àqueles que querem trabalhar na terra.
Diante disso, diminuiu o número de famílias que vivem em acampamentos e fazem ocupações.
O principal motivo para essa queda é a lentidão da reforma agrária. Como o assentamento não sai, as famílias sem terra buscam alternativas para a sobrevivência.
No entanto, a saída das famílias dos acampamentos não representa que não querem mais trabalhar na terra.
Representa, isso sim, que esses trabalhadores rurais não viam e vêem perspectivas de viver em um assentamento rural.
Nessa situação, passaram a procurar emprego em pequenas e médias cidades. Muitas foram para as grandes cidades.
Boa parte desses trabalhadores que estavam acampados com a família foi trabalhar na construção civil, que paga os menores salários da sociedade brasileira e superexplora os trabalhadores (é só ver o que acontece na construção da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia).
A reforma agrária, apesar dos limites das políticas públicas no meio rural, abre a perspectiva para o trabalhador construir sua casa própria, colocar os filhos na escola, trabalhar na sua terra, produzir alimentos e gerar renda.
Será que os trabalhadores que saíram dos acampamentos preferem trabalhar na construção civil ou na própria terra?
O avanço da reforma agrária levará de volta as famílias aos acampamentos.
Apesar desse quadro, nos últimos dois anos, o número de famílias em acampamentos e ocupações está relativamente estável, com tendência de alta.
Para o Estadão, não.
O jornal manipulou o número de acampamentos e ocupações, que cresceram de 2008 para 2009, para inventar uma crise do MST, dos movimentos sociais do campo.
Qualquer repórter que conhece o interior da Bahia, por exemplo, onde tem mais de 20 mil famílias embaixo de lonas pretas, sabe que só lá há mais acampamentos do que aquilo que Estadão diz que existe no país inteiro.
Quem está em crise mesmo neste país é o jornalismo da velha mídia e, especialmente, do Estadão, que continua a atacar os protagonistas da luta do campo para combater a reforma agrária e preservar o latifúndio, como faz desde o século 19, quando publicava anúncios de venda de trabalhadores escravos.
Os dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que, em 2009, havia 36 acampamentos e foram feitas 290 ocupações de terras. No ano anterior, em 2008, havia 40 acampamentos e foram realizadas 252 ocupações de terra.
A edição do ano passado do relatório da CPT explica a diferença:
“Ocupações são ações coletivas das famílias sem terra que, por meio da entrada em imóveis rurais, reivindicam terras que não cumprem a função social”
“Acampamentos são espaços de luta e formação, fruto de ações coletivas, localizados no campo ou na cidade, onde as famílias sem terra organizadas, reivindicam assentamentos”
Ou seja, a diferença de acampamento e ocupação é o local onde as famílias vivem.
A medida da base social do movimento de trabalhadores sem terra, que organiza acampamentos e fazem ocupações, se dá pela soma dessas duas categorias. Até porque essas situações variam muito até a criação do projeto de assentamento.
O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria e, em consequência, um editorial e uma série de artigos, nos quais se lambuza com uma suposta crise do MST.
Haveria apenas 36 acampamentos no Brasil. E as 290 ocupações de terra? Além disso, mais famílias participaram dessas ações em 2009, em relação ao ano anterior (será que a “crise” está sendo revertida?).
Essas informações o Estadão omitiu. Por quê?
Sim, é verdade, atualmente tem menos famílias acampadas e em ocupações no meio rural, comparando 2003 e 2011.
No começo do governo Lula, havia uma expectativa geral da realização da reforma agrária. Anos e anos se passaram, e Lula não acabou com o latifúndio nem democratizou o acesso àqueles que querem trabalhar na terra.
Diante disso, diminuiu o número de famílias que vivem em acampamentos e fazem ocupações.
O principal motivo para essa queda é a lentidão da reforma agrária. Como o assentamento não sai, as famílias sem terra buscam alternativas para a sobrevivência.
No entanto, a saída das famílias dos acampamentos não representa que não querem mais trabalhar na terra.
Representa, isso sim, que esses trabalhadores rurais não viam e vêem perspectivas de viver em um assentamento rural.
Nessa situação, passaram a procurar emprego em pequenas e médias cidades. Muitas foram para as grandes cidades.
Boa parte desses trabalhadores que estavam acampados com a família foi trabalhar na construção civil, que paga os menores salários da sociedade brasileira e superexplora os trabalhadores (é só ver o que acontece na construção da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia).
A reforma agrária, apesar dos limites das políticas públicas no meio rural, abre a perspectiva para o trabalhador construir sua casa própria, colocar os filhos na escola, trabalhar na sua terra, produzir alimentos e gerar renda.
Será que os trabalhadores que saíram dos acampamentos preferem trabalhar na construção civil ou na própria terra?
O avanço da reforma agrária levará de volta as famílias aos acampamentos.
Apesar desse quadro, nos últimos dois anos, o número de famílias em acampamentos e ocupações está relativamente estável, com tendência de alta.
Para o Estadão, não.
O jornal manipulou o número de acampamentos e ocupações, que cresceram de 2008 para 2009, para inventar uma crise do MST, dos movimentos sociais do campo.
Qualquer repórter que conhece o interior da Bahia, por exemplo, onde tem mais de 20 mil famílias embaixo de lonas pretas, sabe que só lá há mais acampamentos do que aquilo que Estadão diz que existe no país inteiro.
Quem está em crise mesmo neste país é o jornalismo da velha mídia e, especialmente, do Estadão, que continua a atacar os protagonistas da luta do campo para combater a reforma agrária e preservar o latifúndio, como faz desde o século 19, quando publicava anúncios de venda de trabalhadores escravos.
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
estadão -mídia e poder - Dilma pede pente-fino no projeto de Franklin Martins que regula mídia
'É um texto que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio', disse o ministro Paulo Bernardo
24 de fevereiro de 2011 | 18h 10
Leia a notícia
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João Domingos, de O Estado de S. Paulo
A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que faça um "pente-fino" no projeto do ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social) que regulamenta o setor de comunicações e telecomunicações. Dilma não quer que no projeto apareça qualquer termo que lembre uma tentativa de controle do conteúdo dos meios de comunicação.
"É um texto que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio", disse o ministro Paulo Bernardo, nesta quinta-feira, 24, num seminário sobre políticas de telecomunicações. E essa "besteira" que porventura exista no texto, segundo Paulo Bernardo, pode pôr tudo a perder. "Aparecendo, todo mundo vai pegar por aí", disse ele, ao explicar por que não libera o texto do projeto nem para os meios de comunicação nem para consulta pública.
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Regulação ocorrerá sob amplo debate, afirma Paulo Bernardo
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Ministro defende regras para impedir concentração
"É preciso deixar claro - continuou o ministro - que esse projeto vai tratar apenas da regulamentação dos meios de comunicação eletrônicos. Jamais o governo apresentará um texto que tenha qualquer intenção de promover qualquer tipo de controle de mídia. Isso nunca sairá do governo", afirmou ele. Bernardo disse que nem precisaria fazer a defesa da liberdade de comunicação, porque a presidente tem reafirmado essa posição como sendo do governo a todo hora - quando foi eleita, durante entrevistas e nesta semana.
O ministro disse ter dúvidas sobre a melhor forma de tratar o projeto. "Não tenho ainda certeza se vamos mandar ao Congresso um ou mais projetos. Acho que mais de uma proposta tornaria mais fácil a aprovação dos pontos da Constituição (artigos 220, 221 e 222) que precisam ser regulamentados. Pode evitar que as discussões de uma gama muito grande de interesses inviabilizem a proposta".
Paulo Bernardo disse que conversou com a presidente Dilma nesta semana sobre a proposta. E que já falou também com as ministras Helena Chagas (Comunicação de Governo) e Ana de Hollanda (Cultura) sobre a necessidade de fazer um melhor exame da proposta de regulamentação da radiodifusão e das telecomunicações.
Ele admitiu que recebe muitos e-mails de pessoas interessadas em ver o projeto sobre a radiodifusão e as telecomunicações aprovado rapidamente. Mas, segundo Bernardo, o governo jamais vai enviar a proposta ao Congresso em regime de urgência. "É um grande erro recorrer a esse expediente. Esse projeto precisa do máximo de debate possível, até esgotar o assunto. Senão, o projeto vai ser considerado uma peça de censura, e nós não vamos deixar isso acontecer", disse.
A Câmara já aprovou um projeto que trata da produção regional de conteúdo para a radiodifusão (PLC 116, que substituiu o PL 129). A proposta encontra-se, agora, no Senado. Bernardo disse que a presidente Dilma quer vê-lo aprovado. Portanto, segundo o ministro, a proposta de regulamentação da radiodifusão e telecomunicações terá de levar em conta a existência desse projeto. "Se ele for aprovado logo, já poderemos tirar da nova proposta tudo o que é relacionado a esse texto que está no Senado."
Banda Larga. Paulo Bernardo informou ainda que a presidente Dilma Rousseff quer prioridade no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) durante este ano. Disse que está negociando com as empresas do setor de telecomunicações regras que reduzam o preço da mensalidade da internet via banda larga. Atualmente, custa em média R$ 80. Para o ministro, é um preço muito elevado. Ele propõe que caia para cerca de R$ 30. Se isso acontecer, segundo ele, cerca de 80% dos municípios passarão a ter internet banda larga. Atualmente, são 34%. Bernardo lembrou, no entanto, que hoje não há meta do governo de universalizar a banda larga.
Regulação da mídia ocorrerá sob amplo debate, afirma Paulo Bernardo
Ministro das Comunicações vai consultar outros ministérios para fechar texto do projeto e, depois, colocá-lo em consulta pública
JOÃO DOMINGOS - Agência Estado
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse hoje que conversou esta semana com a presidente Dilma Rousseff sobre o projeto de regulação da mídia. Ele afirmou que havia recebido o texto antigo, preparado pelo ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Franklin Martins, e argumentou que o projeto não estava totalmente completo.
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Ministro defende regras para impedir concentração
Bernardo informou à presidente que deseja a participação de todos os ministérios envolvidos - como Cultura, Comunicação, Justiça, entre outros - para que ajudem a fechar um texto consensual. Esse novo projeto, então, será enviado à Casa Civil e, depois, será colocado em consulta pública. Paulo Bernardo participou da abertura do 9.º Seminário Políticas de Telecomunicações, hoje, em Brasília, com a palestra "As políticas do Governo Dilma na área de Telecomunicações".
O ministro das Comunicações se posicionou em relação à proposta anterior, de Franklin Martins. "É um texto que eu não li direito, que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio, e que todo mundo vai pegar por aí. Então nunca será aprovado, até porque é preciso deixar claro que esse projeto vai tratar apenas da regulação dos meios de comunicação eletrônicos. Jamais o governo apresentará um texto que tenha qualquer intenção de promover qualquer tipo de controle de mídia. Isso nunca sairá do governo."
Bernardo admitiu que é frequentemente questionado sobre os motivos que levaram o governo a não encaminhar o projeto de regulação da mídia em regime de urgência para o Congresso. Para o ministro, recorrer ao regime de urgência, neste assunto, é um erro. "O governo jamais vai enviar esse projeto ao Congresso em regime de urgência. Sou contra. Tive de discutir isso até esgotar todo o assunto, senão o projeto vai ser considerado uma peça de censura, e nós não vamos deixar isso acontecer."
Regulamentação da TV paga
Segundo o ministro, o PLC 116, sobre a regulamentação da TV paga, que atualmente tramita do Senado, é visto como algo bastante importante para o Executivo. Conforme ele, caso esse texto seja aprovado, o governo passará a considerá-lo uma prioridade, pois antecipa questões que precisariam ser discutidas no projeto de regulação da mídia eletrônica.
Na palestra desta manhã, o ministro das Comunicações disse ter ficado escandalizado ao saber que apenas 238 municípios têm cabeamento para TV por assinatura e que o restante das localidades contam apenas com TV paga por satélite, que é uma tecnologia mais limitada. Paulo Bernardo defendeu que é preciso mais amplitude no cabeamento, e que este é um dos outros problemas do setor que precisam ser resolvidos.
Bernardo: governo não quer controlar o que a mídia diz
ROSANA DE CASSIA - Agência Estado
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reafirmou hoje que o governo não quer controlar o que é dito nas emissoras de rádio e TV, com a regulação da mídia eletrônica que pretende adotar. "Essa intenção do governo de regular a mídia eletrônica está na Constituição. Tem pelo menos quatro ou cinco artigos da Constituição que mencionam isso e que tratam do conteúdo", afirmou.
Bernardo lembra que a Constituição já estabelece regras para as grandes redes de TV e rádio, como um tempo mínimo de programação regional, por exemplo. "Além disso, a Constituição proíbe manifestação de cunho racista e atentado contra crianças e adolescentes. O governo não quer controlar o que é dito nas rádios e televisões. Até porque isso é inconstitucional", comentou. "Nós somos partidários de fortalecer a democracia e não de retrocesso. Agora, se a Constituição prevê essas coisas, nós temos de ter uma legislação dizendo como isso vai se dar", afirmou.
O ministro ressaltou também a entrada das companhias de telecomunicações no mercado de TV a cabo, assunto que ainda não está regulado. "Hoje é comum, você vai mandar ligar um telefone e já te oferecem TV a cabo, internet. Acho importante fazer a regulação dessas coisas", afirmou em entrevista transmitida via satélite pela NBR TV.
Ministro das Comunicações defende regras para impedir concentração
Novo marco regulatório em discussão não inclui mídia impressa
14 de janeiro de 2011 | 16h 39
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Karla Mendes/BRASÍLIA - Agência Estado
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, voltou a defender hoje regras que impeçam a concentração de meios de comunicação em um mesmo grupo. "Eu sou a favor de, tanto quanto possível, desconcentrar, de modo que ela (a mídia) seja o mais diversificada e o mais plural possível", ressaltou o ministro, ratificando a posição exposta por ele na última quarta-feira, quando participou do programa 3 a 1, da TV Brasil.
Porém, ao contrário do que disse na TV, o ministro afirmou que a regra que está sendo proposta no projeto do novo marco regulatório das comunicações não abrange jornais nem nenhum tipo de mídia impressa. "O jornal não está nessa discussão. O projeto não trata de mídia imprensa: jornal, revista, outdoor, busdoor", garantiu.
No programa da TV Brasil, Bernardo havia dito que o anteprojeto "propõe que grupos que tenham jornais não tenham televisão, e quem tem jornal não tenha rádio" e que a solução seria remetida para a renovação das concessões, mas que seriam dados prazos para a adaptação. Na ocasião, o ministro disse ainda que a desconcentração seria uma "medida salutar".
Bernardo afirmou que consta do anteprojeto a proposta de desconcentração de meios, mas observou que ainda não há uma posição definida sobre o assunto. "Não temos uma posição definida. Perguntaram-me se tinha algo sobre propriedade cruzada. Falei que tem e que sou a favor. Agora, nós vamos fechar a posição do governo. O projeto não está pronto", reforçou.
Congresso
A previsão do ministro é que o projeto seja encaminhado ao Congresso Nacional ainda este ano. Ele defendeu, no entanto, que antes disso seja fechada uma posição dentro do governo federal sobre todas as questões, e depois seja submetida ao debate público, por meio de consulta pública. "As pessoas perguntam quanto de urgência vamos colocar nesse tema. Se o governo quiser fazer esse debate e acertar no tom, acertar na forma, tiver uma boa estratégia, isso vai ser um debate longo, amplo e longo. Se nós errarmos, vai ser um debate curto, pois a proposta será enterrada na primeira curva", alertou.
Para ter êxito, Bernardo defende que a proposta seja embasada tecnicamente, politicamente e socialmente. "Isso tem chance de avançar no Congresso. Mas se nós mandarmos uma proposta que não tenha bom embasamento técnico ou que politicamente não tenha apelo social, será um proposta que vai ficar 20 anos no Congresso, como acontece muitas vezes", ponderou.
Segundo o ministro, ainda está em discussão se será enviado um único projeto ou vários, uma vez que o novo marco aborda a regulamentação de vários artigos da Constituição Federal, como os que tratam da produção de conteúdo nacional, conteúdo local, produção independente e os que impedem apologia ao racismo e a outras formas de discriminação.
Questionado se o projeto não vai discorrer sobre internet, Bernardo disse que acha razoável que esse assunto não seja tratado na proposta porque há um "certo consenso de que a internet deva ficar livre de regulação". Ele lembrou, porém, que está em elaboração o marco civil da internet, que tratará da neutralidade da rede. "E se alguém fizer crimes pela internet, já existem mecanismos para ir atrás e tomar providências", disse.
PNBL
Sobre a negociação da Telebrás com as concessionárias de energia elétrica para uso das fibras óticas da Eletrobras e Petrobras, dentro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), e o valor das remunerações pelo uso dessas redes, Bernardo afirmou que a questão deve ser resolvida em duas reuniões.
Ele ponderou, no entanto, que será feito um contrato formalizando todo o processo, mediante análise de uma equipe de advogados. "São empresas estatais, mas não é casa da mãe Joana. São empresas que atuam no mercado e têm acionistas".
24 de fevereiro de 2011 | 18h 10
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João Domingos, de O Estado de S. Paulo
A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que faça um "pente-fino" no projeto do ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social) que regulamenta o setor de comunicações e telecomunicações. Dilma não quer que no projeto apareça qualquer termo que lembre uma tentativa de controle do conteúdo dos meios de comunicação.
"É um texto que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio", disse o ministro Paulo Bernardo, nesta quinta-feira, 24, num seminário sobre políticas de telecomunicações. E essa "besteira" que porventura exista no texto, segundo Paulo Bernardo, pode pôr tudo a perder. "Aparecendo, todo mundo vai pegar por aí", disse ele, ao explicar por que não libera o texto do projeto nem para os meios de comunicação nem para consulta pública.
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Ministro defende regras para impedir concentração
"É preciso deixar claro - continuou o ministro - que esse projeto vai tratar apenas da regulamentação dos meios de comunicação eletrônicos. Jamais o governo apresentará um texto que tenha qualquer intenção de promover qualquer tipo de controle de mídia. Isso nunca sairá do governo", afirmou ele. Bernardo disse que nem precisaria fazer a defesa da liberdade de comunicação, porque a presidente tem reafirmado essa posição como sendo do governo a todo hora - quando foi eleita, durante entrevistas e nesta semana.
O ministro disse ter dúvidas sobre a melhor forma de tratar o projeto. "Não tenho ainda certeza se vamos mandar ao Congresso um ou mais projetos. Acho que mais de uma proposta tornaria mais fácil a aprovação dos pontos da Constituição (artigos 220, 221 e 222) que precisam ser regulamentados. Pode evitar que as discussões de uma gama muito grande de interesses inviabilizem a proposta".
Paulo Bernardo disse que conversou com a presidente Dilma nesta semana sobre a proposta. E que já falou também com as ministras Helena Chagas (Comunicação de Governo) e Ana de Hollanda (Cultura) sobre a necessidade de fazer um melhor exame da proposta de regulamentação da radiodifusão e das telecomunicações.
Ele admitiu que recebe muitos e-mails de pessoas interessadas em ver o projeto sobre a radiodifusão e as telecomunicações aprovado rapidamente. Mas, segundo Bernardo, o governo jamais vai enviar a proposta ao Congresso em regime de urgência. "É um grande erro recorrer a esse expediente. Esse projeto precisa do máximo de debate possível, até esgotar o assunto. Senão, o projeto vai ser considerado uma peça de censura, e nós não vamos deixar isso acontecer", disse.
A Câmara já aprovou um projeto que trata da produção regional de conteúdo para a radiodifusão (PLC 116, que substituiu o PL 129). A proposta encontra-se, agora, no Senado. Bernardo disse que a presidente Dilma quer vê-lo aprovado. Portanto, segundo o ministro, a proposta de regulamentação da radiodifusão e telecomunicações terá de levar em conta a existência desse projeto. "Se ele for aprovado logo, já poderemos tirar da nova proposta tudo o que é relacionado a esse texto que está no Senado."
Banda Larga. Paulo Bernardo informou ainda que a presidente Dilma Rousseff quer prioridade no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) durante este ano. Disse que está negociando com as empresas do setor de telecomunicações regras que reduzam o preço da mensalidade da internet via banda larga. Atualmente, custa em média R$ 80. Para o ministro, é um preço muito elevado. Ele propõe que caia para cerca de R$ 30. Se isso acontecer, segundo ele, cerca de 80% dos municípios passarão a ter internet banda larga. Atualmente, são 34%. Bernardo lembrou, no entanto, que hoje não há meta do governo de universalizar a banda larga.
Regulação da mídia ocorrerá sob amplo debate, afirma Paulo Bernardo
Ministro das Comunicações vai consultar outros ministérios para fechar texto do projeto e, depois, colocá-lo em consulta pública
JOÃO DOMINGOS - Agência Estado
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse hoje que conversou esta semana com a presidente Dilma Rousseff sobre o projeto de regulação da mídia. Ele afirmou que havia recebido o texto antigo, preparado pelo ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Franklin Martins, e argumentou que o projeto não estava totalmente completo.
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Bernardo informou à presidente que deseja a participação de todos os ministérios envolvidos - como Cultura, Comunicação, Justiça, entre outros - para que ajudem a fechar um texto consensual. Esse novo projeto, então, será enviado à Casa Civil e, depois, será colocado em consulta pública. Paulo Bernardo participou da abertura do 9.º Seminário Políticas de Telecomunicações, hoje, em Brasília, com a palestra "As políticas do Governo Dilma na área de Telecomunicações".
O ministro das Comunicações se posicionou em relação à proposta anterior, de Franklin Martins. "É um texto que eu não li direito, que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio, e que todo mundo vai pegar por aí. Então nunca será aprovado, até porque é preciso deixar claro que esse projeto vai tratar apenas da regulação dos meios de comunicação eletrônicos. Jamais o governo apresentará um texto que tenha qualquer intenção de promover qualquer tipo de controle de mídia. Isso nunca sairá do governo."
Bernardo admitiu que é frequentemente questionado sobre os motivos que levaram o governo a não encaminhar o projeto de regulação da mídia em regime de urgência para o Congresso. Para o ministro, recorrer ao regime de urgência, neste assunto, é um erro. "O governo jamais vai enviar esse projeto ao Congresso em regime de urgência. Sou contra. Tive de discutir isso até esgotar todo o assunto, senão o projeto vai ser considerado uma peça de censura, e nós não vamos deixar isso acontecer."
Regulamentação da TV paga
Segundo o ministro, o PLC 116, sobre a regulamentação da TV paga, que atualmente tramita do Senado, é visto como algo bastante importante para o Executivo. Conforme ele, caso esse texto seja aprovado, o governo passará a considerá-lo uma prioridade, pois antecipa questões que precisariam ser discutidas no projeto de regulação da mídia eletrônica.
Na palestra desta manhã, o ministro das Comunicações disse ter ficado escandalizado ao saber que apenas 238 municípios têm cabeamento para TV por assinatura e que o restante das localidades contam apenas com TV paga por satélite, que é uma tecnologia mais limitada. Paulo Bernardo defendeu que é preciso mais amplitude no cabeamento, e que este é um dos outros problemas do setor que precisam ser resolvidos.
Bernardo: governo não quer controlar o que a mídia diz
ROSANA DE CASSIA - Agência Estado
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reafirmou hoje que o governo não quer controlar o que é dito nas emissoras de rádio e TV, com a regulação da mídia eletrônica que pretende adotar. "Essa intenção do governo de regular a mídia eletrônica está na Constituição. Tem pelo menos quatro ou cinco artigos da Constituição que mencionam isso e que tratam do conteúdo", afirmou.
Bernardo lembra que a Constituição já estabelece regras para as grandes redes de TV e rádio, como um tempo mínimo de programação regional, por exemplo. "Além disso, a Constituição proíbe manifestação de cunho racista e atentado contra crianças e adolescentes. O governo não quer controlar o que é dito nas rádios e televisões. Até porque isso é inconstitucional", comentou. "Nós somos partidários de fortalecer a democracia e não de retrocesso. Agora, se a Constituição prevê essas coisas, nós temos de ter uma legislação dizendo como isso vai se dar", afirmou.
O ministro ressaltou também a entrada das companhias de telecomunicações no mercado de TV a cabo, assunto que ainda não está regulado. "Hoje é comum, você vai mandar ligar um telefone e já te oferecem TV a cabo, internet. Acho importante fazer a regulação dessas coisas", afirmou em entrevista transmitida via satélite pela NBR TV.
Ministro das Comunicações defende regras para impedir concentração
Novo marco regulatório em discussão não inclui mídia impressa
14 de janeiro de 2011 | 16h 39
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Karla Mendes/BRASÍLIA - Agência Estado
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, voltou a defender hoje regras que impeçam a concentração de meios de comunicação em um mesmo grupo. "Eu sou a favor de, tanto quanto possível, desconcentrar, de modo que ela (a mídia) seja o mais diversificada e o mais plural possível", ressaltou o ministro, ratificando a posição exposta por ele na última quarta-feira, quando participou do programa 3 a 1, da TV Brasil.
Porém, ao contrário do que disse na TV, o ministro afirmou que a regra que está sendo proposta no projeto do novo marco regulatório das comunicações não abrange jornais nem nenhum tipo de mídia impressa. "O jornal não está nessa discussão. O projeto não trata de mídia imprensa: jornal, revista, outdoor, busdoor", garantiu.
No programa da TV Brasil, Bernardo havia dito que o anteprojeto "propõe que grupos que tenham jornais não tenham televisão, e quem tem jornal não tenha rádio" e que a solução seria remetida para a renovação das concessões, mas que seriam dados prazos para a adaptação. Na ocasião, o ministro disse ainda que a desconcentração seria uma "medida salutar".
Bernardo afirmou que consta do anteprojeto a proposta de desconcentração de meios, mas observou que ainda não há uma posição definida sobre o assunto. "Não temos uma posição definida. Perguntaram-me se tinha algo sobre propriedade cruzada. Falei que tem e que sou a favor. Agora, nós vamos fechar a posição do governo. O projeto não está pronto", reforçou.
Congresso
A previsão do ministro é que o projeto seja encaminhado ao Congresso Nacional ainda este ano. Ele defendeu, no entanto, que antes disso seja fechada uma posição dentro do governo federal sobre todas as questões, e depois seja submetida ao debate público, por meio de consulta pública. "As pessoas perguntam quanto de urgência vamos colocar nesse tema. Se o governo quiser fazer esse debate e acertar no tom, acertar na forma, tiver uma boa estratégia, isso vai ser um debate longo, amplo e longo. Se nós errarmos, vai ser um debate curto, pois a proposta será enterrada na primeira curva", alertou.
Para ter êxito, Bernardo defende que a proposta seja embasada tecnicamente, politicamente e socialmente. "Isso tem chance de avançar no Congresso. Mas se nós mandarmos uma proposta que não tenha bom embasamento técnico ou que politicamente não tenha apelo social, será um proposta que vai ficar 20 anos no Congresso, como acontece muitas vezes", ponderou.
Segundo o ministro, ainda está em discussão se será enviado um único projeto ou vários, uma vez que o novo marco aborda a regulamentação de vários artigos da Constituição Federal, como os que tratam da produção de conteúdo nacional, conteúdo local, produção independente e os que impedem apologia ao racismo e a outras formas de discriminação.
Questionado se o projeto não vai discorrer sobre internet, Bernardo disse que acha razoável que esse assunto não seja tratado na proposta porque há um "certo consenso de que a internet deva ficar livre de regulação". Ele lembrou, porém, que está em elaboração o marco civil da internet, que tratará da neutralidade da rede. "E se alguém fizer crimes pela internet, já existem mecanismos para ir atrás e tomar providências", disse.
PNBL
Sobre a negociação da Telebrás com as concessionárias de energia elétrica para uso das fibras óticas da Eletrobras e Petrobras, dentro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), e o valor das remunerações pelo uso dessas redes, Bernardo afirmou que a questão deve ser resolvida em duas reuniões.
Ele ponderou, no entanto, que será feito um contrato formalizando todo o processo, mediante análise de uma equipe de advogados. "São empresas estatais, mas não é casa da mãe Joana. São empresas que atuam no mercado e têm acionistas".
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sábado, 16 de outubro de 2010
O judaismo de Carlitos
Suplemento Literário estadão: (reedição)
Reprodução – Página do Suplemento de 10.10.1959
As controversas origens de Chaplin, que há 70 anos lançava O Grande Ditador, e sua relação com esta obra
Marcos Margulies – O Estado SP
287, Kennington Road onde, no dia 16 de abril de 1889, nasceu Charles Spencer Chaplin, acha-se naquela parte de Londres que a pobreza havia tornado famosa mesmo fora das ilhas britanicas. Ali, entre Whitechapel, East-End e Lambeth, passou Chaplin sua meninice.
“Viviamos num quarto miseravel”, recorda Sidney, o irmão mais velho de Chaplin. “Frequentemente, nada tinhamos para comer. Nem Charlie nem eu possuiamos sapatos. Muitas vezes, minha mãe tirava suas botas e um de nós calçava-as para conseguir a sopa popular, a unica refeição do dia para todos nós” (1).
Anos depois, ao falar naqueles tempos longinquos, Chaplin teve a coragem de reconhecer tristemente:
“Naqueles dias, o unico elemento constante da minha vida foi a fome e o medo do amanhã, o continuo, ininterrupto medo do amanhã. E não há nada que me possa libertar deste medo, nenhum sucesso, nenhuma prosperidade. Fiquei marcado para sempre por este temor da pobreza e da privação” (2).
Quando a mãe de Charles, após a morte do marido, não mais conseguindo manter as crianças, foi acometida de uma depressão nervosa que a conduziria ao hospicio, Charles e Sidney acostumaram-se a dormir na rua e a alimentar-se de frutas estragadas, roubadas habilmente das feiras. Ademais, “Charles conseguira uma especialidade: com pedaços de madeira e pedaços de cortiça que encontrava no lixo, fabricava pequenos barcos; vendia-os a outras crianças por um penny…” (3).
Muitos inimigos de Chaplin adulto, do Chaplin famoso, franco, corajoso, zombariam destas recordações do irmão. Para eles, um “senso inato dos negocios teria preservado o pequeno Chaplin da miseria” – senso inato, pois, embora se tratasse da criança de uns seis anos apenas, Charles Chaplin era de origem judaica.
Na verdade, são bastante nebulosas essas origens judaicas de Charles Chaplin. Manuel Villegas Lopez afirma que “seu pai era descendente de familia judaica convertida ao dogma anglicano” (4), enquanto F. Silva Nobre, em sua obra compilatoria (5), assim escreve sobre o pai de Chaplin: “Descendente de familia judia de origem francesa, havia obtido certa notoriedade como ator do music-hall”. Por outro lado, George Sadoui e Jean Mitry, se bem não mencionem as origens israelitas do pai de Chaplin, referem-se a essas origens do lado materno. “Filha de familia burguesa de origem judeu-irlandesa” – informa sobre a mãe de Charles o historiador Jean Mitry – tornou-se atriz, conhecida sob o nome de Florence Harley ou Lily Jarley, tendo pertencido à empresa de operetas de Gilbert e Sullivan. Na idade de vinte anos esposou um “bookmaker” israelita, Sidney Hawkes, de quem teve três filhos…” (6). Mesmo Maurice Bardèche e Robert Brasillach, dois anti-semitas notorios que só mencionam a participação dos israelitas na historia de cinema para dar vazão às suas tendencias antijudaicas, reconhecem, se bem que a contragosto, essas origens de Chaplin (7). Finalmente, Pierre Leprohon, embora sem esclarecer precisamente qual a origem religiosa de Chaplin, nota que, ao falarem de seu rapido sucesso, “seus companheiros do passado referem-se a ele como a um judeuzinho que teve sorte” (8).
Todavia, é digno de nota que Chaplin sempre ignorou a realidade de seu nascimento naquilo que ele teve de aleatorio e ocasional, de independente da vontade humana. Totalmente alheio à procura de valores individuais nos fatores hereditarios, Chaplin nunca mencionou suas origens, nunca reparou especificamente nos judeus que o cercavam, mesmo quando viviam em condições identicas às do East-End. As condições, essas sim, interessavam-no sempre. Em suas memorias, dedica muito espaço a esses problemas socio-economicos. Apenas, ao falar de sua mãe, deixa levar-se pela ternura:
“Minha mãe era a mais assombrosa imitadora que tenho visto na minha vida. Quando meu irmão Syd e eu eramos garotos e moravamos em Kennington Road…, ela gostava de ficar à janela horas a fio, fitando a rua e reproduzindo com as mãos, os olhos e a fisionomia tudo quanto via embaixo. Foi espiando-lhe os gestos e observando-os que, não apenas aprendi a traduzir as minhas emoções mas, também, a estudar a humanidade” (9).
Ao mesmo tempo, porém, Charles omite sua primeira participação no palco, em um “show” ao lado do seu pai que, dois meses depois, faleceria num hospital de Chelsea. Charlie tinha, então, cinco anos apenas. Seis anos depois, graças a seu irmão Sidney, já contratado para interpretar o papel do pequeno ladrão Sid Price, Charles iniciava sua carreira artística numa das numerosas peças a glorificar as aventuras de Sherlock Holmes. Voltaria ao mesmo papel em 1905, ao lado de William Gilette e Irene Vanbrugh, artistas de certo renome em Londres. Mas, quando a peça saiu do cartaz, aceitou o emprego num “music-hall” do East-End, aparecendo perante o público como “Sam Cohen, comediante judaico” (10). Quatro anos depois, em 1910, substituindo seu irmão Sidney, retido por contrato em Londres, embarcava para os Estados Unidos para se exibir em “Colonial Theatre” de Nova York, como substituto de um comediante da empresa karno de revistas teatrais à qual, em Londres, pertencia Sidney.
Nos 77 filmes que fez, nos 38 anos que separam o inicio da filmagem de “Making a Living” (16 de janeiro de 1914) e a primeira apresentação mundial de “Luzes da Ribalta” em Londres (16 de outubro de 1952), nada permite crer existam quaisquer ligações, qualquer sentimento especial entre Charles Spencer Chaplin e o judaismo. Nenhum pronunciamento ou entrevista abordou este problema. E de todos os seus 77 filmes, apenas em três aparece um individuo marcado e caracterizado como judeu. Destes três, porém, dois são puramente ocasionais.
Uma dessas aparições se dá no filme “The Immigrant”. Todavia, os imigrantes judeus, excelentemente bem caracterizados, não têm qualquer significação dramatica especial.
Constituem apenas o fundo humano para o filme cuja ação se passa no momento do maior afluxo dos emigrantes europeus aos Estados Unidos e que marca (no contraponto da sequencia que compara a frieza da Estatua da Liberdade com o tratamento dispensado aos imigrantes pelas autoridades norte-americanas) o inicio da luta social e politica de Charles Chaplin, luta essa que iria colocá-lo, mais tarde, na oposição ao convencimento social da America do Norte. Assim mesmo, ao lado dos judeus, aparecem neste filme, completando o fundo humano em proporção correspondente à realidade, os emigrantes não judeus.
O judeu do filme “The Pawnshop”, realizado na mesma epoca, representa o carater e mentalidade de UM comerciante, de UM patrão qualquer. Pouco importa, sob o ponto de vista dramatico, ser ele judeu e viver num ambiente de estabelecimento comercial especificamente judaico. De fato, não é o judaismo que é sublinhado mas, sim, a maneira de pensar e o modo de agir comum a certas classes economicas e sociais identificadas com a pequena burguesia internacional e cujas caracteristicas independem da religião professada ou das origens nacionais ou racionais de seus componentes. Um quarto de seculo mais tarde, o pequeno barbeiro judeu do gueto, em “O grande ditador”, representará, do mesmo modo, muito mais os perseguidos em geral do que os judeus em particular embora, de maneira identica, seja tipicamente judaico o proprio gueto, apresentado por Chaplin neste filme com a mesma agudeza que caracteriza a descrição pictorica da loja do comerciante naquela pelicula.
Todavia, enquanto nestes dois filmes os emigrantes judeus e o comerciante judeu constituem apenas o fundo destinado a destacar melhor a personagem universal de Carlitos – universal pois não identificada com qualquer grupo definido – em “O grande ditador” Carlitos identifica-se indiscutivelmente: ele é judeu. Ele pertence a uma religião, uma raça, uma nacionalidade – pouco importa o termo desde que se caracterize claramente o grupo elevado ao simbolo dos oprimidos. Uma só vez Carlitos agiu de modo semelhante na vida particular, solidarizando-se com um grupo de perseguidos que englobava diversas camadas sociais: quando Henry Ford fez publicar, em seu diario “The New Democrat”, o artigo anti-semita, “The International Jew”, foi, segundo as fontes israelitas (11), por iniciativa de Chaplin que os meios judaicos atingidos reagiram numa onda de protestos contra aquele ataque gratuito e insensato. Todavia, neste ato Chaplin não parece ter-se integrado ao grupo cuja defesa organizara sem nela, posteriormente, tomar parte realmente ativa. No filme ocorre o contrario: totalmente identificado como judeu, sua resistencia à opressão, sua luta contra a perseguição é, no inicio, inconsciente.
É à medida em que a luta continua e em que o judeu oprimido vem a identificar-se com todos os oprimidos através dos personagens de outras origens nacionais que o auxiliam, demonstrando a inocuidade dos odios, que aumenta a convicção de Chaplin-barbeiro de que, elevada ao pedestal de um ditador, qualquer pessoa conseguiria conduzir as massas em direção a um mundo melhor. Todavia “O Grande Ditador” diminuiu a universalidade de Carlitos, pois esse, ao identificar-se com um grupo real, embora tratado simbolicamente, deixou de representar todos os oprimidos de todos os grupos.
Paradoxalmente, porém, muitos autores julgam que a universalidade de Carlitos deve-se principalmente ao judaismo de Chaplin. Assim, Marcel Espiau, emitindo um conceito racista e por isso perigoso embora aparentemente positivo, escreve (12): “Se bem que ele não tivesse lido hebraico, Chaplin conserva, talvez inconscientemente, todo o receio e toda a curiosidade de sua raça”, para explicar a seguir que o proprio personagem de Carlitos leva em si “o germe indelevel das raças perseguidas; tudo nele é judaico e a perseguição dos judeus constitui a origem de sua revolta, sua paciencia, sua resignação, seus desejos”. E mesmo Pierre Leprohon afirma: “Chaplin possui traços essencialmente judaicos” (13), citando, ademais, para reforçar essa opinião, a afirmação peremptoria de Jerôme e Jacques Tharaud: “Charles Chaplin é judeu e todos os elementos de seu humor trazem a marca judia”. Evidentemente, a capacidade de rir de si mesmo, e auto-satira mordaz constituem uma caracteristica do humor judaico; possuem-na porém, mais ou menos acentuadamente, quase todos os grupos ou indivíduos “marginais”, ou seja, postos à margem pela sociedade dominante ou pelos grupos governantes. Constitui, todavia, uma caracteristica mais profunda do humor judaico a mistura do riso um tanto tristonho com a continua e forte dose de esperança e de otimismo que chegam às raias da fantasia e do impossivel. E não esqueçamos que as asas do anjo que simbolizavam essa esperança, foram no filme “The Kid” (”O garoto”), adquiridos numa loja de judeu.
Generalizando, pode-se ainda fazer um paralelo entre a solidão de um ser humano, de um individuo oprimido e injustamente desprezado, e a de um grupo humano em identica situação coletiva: pode-se comparar Carlitos ao Judeu. Lembremos, porém que Chaplin, pessoalmente, de outro modo explicava sua posição: “O meu segredo todo, escreveu, é ter sempre conservado os olhos abertos… Eu estudei o Homem, pois, sem conhecê-lo, nada poderia ter feito. É o conhecimento do Homem que constitui a base de todos os sucessos”.
E se Chaplin conduz Carlitos às andanças pelos caminhos do sem-fim, ao terminarem seus filmes, talvez não se deva esse fato, como pretende Pierre Duvillars (14) às “fontes do genio judaico” que, em Chaplin, representam “o mito eterno do judeu errante”, porquanto, na realidade, Chaplin não erra: apenas procura um caminho que o levaria a um mundo melhor, nem que fosse ao mundo de sonhos do pequeno Charlie que “preferia dormir nos bancos dos jardins publicos do que na cama de seu quarto miseravel”.
Buscas vãs! Chaplin ficou só, tanto na vida quanto nos seus filmes, apesar de sua riqueza e gloria. Em 1940, quando terminava “O Grande Ditador”, ainda tinha esperanças dedicadas à mulher judia que muito mais animo e fé necessitava do que o proprio Chaplin podia supor naquele inicio da carnificina cuja amplitude então ignorava. A mulher que recebeu, simbolicamente, a mensagem de esperança, tinha o nome de sua mãe.
“Onde quer que estejas, Hannah, ergue o olhar! Levanta os olhos, Hannah, que as nuvens se dissipam! O sol as trespassa. Saimos da obscuridade para entrar na luz, para entrar no mundo melhor, onde os homens elevar-se-ão acima do odio e da brutalidade…. Olha, Hannah, foram dadas asas à alma humana – e ei-la subindo ao arco-iris, à claridade, à esperança; ao futuro glorioso que te pertence, Hannah! Levanta os olhos, Hannah, olha o céu e ouve…”
Mas Hannah não pode ouvir. Ficou esmagada, com milhões de outros inutilmente esperançosos, diante do mundo cuja impassibilidade abafou os apelos ilusorios. Com Hannah, morreu Carlitos. Monsieur Verdoux revelou-se apenas cheio de amargura e de decepção. E Calvero compreendeu melancolicamente que findara. Banido da sociedade dentro da qual e para a qual vivia, Charles Chaplin ficou terrivelmente só. Nem suas glorias do passado nem a luta que travara pela humanidade bastaram para que fosse evitado tanto seu diaspora individual amainado pela excepcional felicidade matrimonial, quanto a permanencia prolongada em seu gueto cultural suiço ao qual o conduzira a fé inabalavel nos destinos do mundo.
(1) Citado por George Sadoul, “Lavie de Charlot”, Les Editeurs Français Réunis, Paris, 1952; página 12.
(2) Citado por Pierre Leprohon, “Charles Chaplin”, Les Editions Jacques Melon, Paris, 1946; pagina 13.
(3) Georges Sadoul, op. cit.
(4) Manuel Villegas Lopez: “Carlitos”, tradução de Melo Lima. Cia. Editora Leitura, Rio de Janeiro, 1944; pagina 46
(5) F. Silva Nobre: “Roteiro de Carlitos”, Irmãos Pongetti Editores, Rio, 1958: pagina 26.
(6) Jean Mitry: “Charlot et la fabulation Chaplinesque”, Editions Universitaires, Paris, 1957; pagina 157.
(7) Maurice Bardècne e Robert Brasillach: “Histoire du cinéma”. Ed. André Martel, Paris, 1948. Nova edição (parcialmente expurgada das tendencias pró-nazistas).
(8) Pierre Leprohon, op. cit.; pagina 93.
(9) Idem. pagina 26.
(10) John Montgomery; “Comedy Films”, George Allen & Unwin, Films”, George Allen & Unwin, Londres 1954: pag. 98. Alguns biografos contestam essa informação acreditando tratar-se apenas de um “numero” interpretativo assim intitulado.
(11) Cesar Tiempo: “Anatol France y Charlie Chaplin”, artigo publicado em “Tribuna Israelita” de Mexico, em agosto de 1952.
(12) Marcel Espiau: “Chaplin, Molière juif”; revista “Vu” do 1 de abril de 1931, citada por Pierre Leprohon, op. cit.; pagina 256.
(13) Pierre Leprohon, op. cit.
(14) Pierre Duvillars: “Cinéma, mythologie du XX siècle”, Editions de l’Ermite, Paris 1950; pagina 84.
Câmera e Jornal
Formado pela Escola de Altos Estudos Cinematográficos de Paris, Marcos Margulies nasceu em Lodz, na Polônia, em 1923, e morreu no Rio, naturalizado brasileiro, em 1982. Trabalhou como jornalista, editor, professor e psicólogo – e foi um premiado documentarista. Criou a editora Documentário, em 1973, pela qual lançou Do Racismo ao Sionismo (1976), abordando algumas das questões que o ocuparam em toda a sua trajetória – e que o credenciavam a redigir um trabalho como este, do SL. Chaplin, seu tema aqui, morreria em 1977
Reprodução – Página do Suplemento de 10.10.1959
As controversas origens de Chaplin, que há 70 anos lançava O Grande Ditador, e sua relação com esta obra
Marcos Margulies – O Estado SP
287, Kennington Road onde, no dia 16 de abril de 1889, nasceu Charles Spencer Chaplin, acha-se naquela parte de Londres que a pobreza havia tornado famosa mesmo fora das ilhas britanicas. Ali, entre Whitechapel, East-End e Lambeth, passou Chaplin sua meninice.
“Viviamos num quarto miseravel”, recorda Sidney, o irmão mais velho de Chaplin. “Frequentemente, nada tinhamos para comer. Nem Charlie nem eu possuiamos sapatos. Muitas vezes, minha mãe tirava suas botas e um de nós calçava-as para conseguir a sopa popular, a unica refeição do dia para todos nós” (1).
Anos depois, ao falar naqueles tempos longinquos, Chaplin teve a coragem de reconhecer tristemente:
“Naqueles dias, o unico elemento constante da minha vida foi a fome e o medo do amanhã, o continuo, ininterrupto medo do amanhã. E não há nada que me possa libertar deste medo, nenhum sucesso, nenhuma prosperidade. Fiquei marcado para sempre por este temor da pobreza e da privação” (2).
Quando a mãe de Charles, após a morte do marido, não mais conseguindo manter as crianças, foi acometida de uma depressão nervosa que a conduziria ao hospicio, Charles e Sidney acostumaram-se a dormir na rua e a alimentar-se de frutas estragadas, roubadas habilmente das feiras. Ademais, “Charles conseguira uma especialidade: com pedaços de madeira e pedaços de cortiça que encontrava no lixo, fabricava pequenos barcos; vendia-os a outras crianças por um penny…” (3).
Muitos inimigos de Chaplin adulto, do Chaplin famoso, franco, corajoso, zombariam destas recordações do irmão. Para eles, um “senso inato dos negocios teria preservado o pequeno Chaplin da miseria” – senso inato, pois, embora se tratasse da criança de uns seis anos apenas, Charles Chaplin era de origem judaica.
Na verdade, são bastante nebulosas essas origens judaicas de Charles Chaplin. Manuel Villegas Lopez afirma que “seu pai era descendente de familia judaica convertida ao dogma anglicano” (4), enquanto F. Silva Nobre, em sua obra compilatoria (5), assim escreve sobre o pai de Chaplin: “Descendente de familia judia de origem francesa, havia obtido certa notoriedade como ator do music-hall”. Por outro lado, George Sadoui e Jean Mitry, se bem não mencionem as origens israelitas do pai de Chaplin, referem-se a essas origens do lado materno. “Filha de familia burguesa de origem judeu-irlandesa” – informa sobre a mãe de Charles o historiador Jean Mitry – tornou-se atriz, conhecida sob o nome de Florence Harley ou Lily Jarley, tendo pertencido à empresa de operetas de Gilbert e Sullivan. Na idade de vinte anos esposou um “bookmaker” israelita, Sidney Hawkes, de quem teve três filhos…” (6). Mesmo Maurice Bardèche e Robert Brasillach, dois anti-semitas notorios que só mencionam a participação dos israelitas na historia de cinema para dar vazão às suas tendencias antijudaicas, reconhecem, se bem que a contragosto, essas origens de Chaplin (7). Finalmente, Pierre Leprohon, embora sem esclarecer precisamente qual a origem religiosa de Chaplin, nota que, ao falarem de seu rapido sucesso, “seus companheiros do passado referem-se a ele como a um judeuzinho que teve sorte” (8).
Todavia, é digno de nota que Chaplin sempre ignorou a realidade de seu nascimento naquilo que ele teve de aleatorio e ocasional, de independente da vontade humana. Totalmente alheio à procura de valores individuais nos fatores hereditarios, Chaplin nunca mencionou suas origens, nunca reparou especificamente nos judeus que o cercavam, mesmo quando viviam em condições identicas às do East-End. As condições, essas sim, interessavam-no sempre. Em suas memorias, dedica muito espaço a esses problemas socio-economicos. Apenas, ao falar de sua mãe, deixa levar-se pela ternura:
“Minha mãe era a mais assombrosa imitadora que tenho visto na minha vida. Quando meu irmão Syd e eu eramos garotos e moravamos em Kennington Road…, ela gostava de ficar à janela horas a fio, fitando a rua e reproduzindo com as mãos, os olhos e a fisionomia tudo quanto via embaixo. Foi espiando-lhe os gestos e observando-os que, não apenas aprendi a traduzir as minhas emoções mas, também, a estudar a humanidade” (9).
Ao mesmo tempo, porém, Charles omite sua primeira participação no palco, em um “show” ao lado do seu pai que, dois meses depois, faleceria num hospital de Chelsea. Charlie tinha, então, cinco anos apenas. Seis anos depois, graças a seu irmão Sidney, já contratado para interpretar o papel do pequeno ladrão Sid Price, Charles iniciava sua carreira artística numa das numerosas peças a glorificar as aventuras de Sherlock Holmes. Voltaria ao mesmo papel em 1905, ao lado de William Gilette e Irene Vanbrugh, artistas de certo renome em Londres. Mas, quando a peça saiu do cartaz, aceitou o emprego num “music-hall” do East-End, aparecendo perante o público como “Sam Cohen, comediante judaico” (10). Quatro anos depois, em 1910, substituindo seu irmão Sidney, retido por contrato em Londres, embarcava para os Estados Unidos para se exibir em “Colonial Theatre” de Nova York, como substituto de um comediante da empresa karno de revistas teatrais à qual, em Londres, pertencia Sidney.
Nos 77 filmes que fez, nos 38 anos que separam o inicio da filmagem de “Making a Living” (16 de janeiro de 1914) e a primeira apresentação mundial de “Luzes da Ribalta” em Londres (16 de outubro de 1952), nada permite crer existam quaisquer ligações, qualquer sentimento especial entre Charles Spencer Chaplin e o judaismo. Nenhum pronunciamento ou entrevista abordou este problema. E de todos os seus 77 filmes, apenas em três aparece um individuo marcado e caracterizado como judeu. Destes três, porém, dois são puramente ocasionais.
Uma dessas aparições se dá no filme “The Immigrant”. Todavia, os imigrantes judeus, excelentemente bem caracterizados, não têm qualquer significação dramatica especial.
Constituem apenas o fundo humano para o filme cuja ação se passa no momento do maior afluxo dos emigrantes europeus aos Estados Unidos e que marca (no contraponto da sequencia que compara a frieza da Estatua da Liberdade com o tratamento dispensado aos imigrantes pelas autoridades norte-americanas) o inicio da luta social e politica de Charles Chaplin, luta essa que iria colocá-lo, mais tarde, na oposição ao convencimento social da America do Norte. Assim mesmo, ao lado dos judeus, aparecem neste filme, completando o fundo humano em proporção correspondente à realidade, os emigrantes não judeus.
O judeu do filme “The Pawnshop”, realizado na mesma epoca, representa o carater e mentalidade de UM comerciante, de UM patrão qualquer. Pouco importa, sob o ponto de vista dramatico, ser ele judeu e viver num ambiente de estabelecimento comercial especificamente judaico. De fato, não é o judaismo que é sublinhado mas, sim, a maneira de pensar e o modo de agir comum a certas classes economicas e sociais identificadas com a pequena burguesia internacional e cujas caracteristicas independem da religião professada ou das origens nacionais ou racionais de seus componentes. Um quarto de seculo mais tarde, o pequeno barbeiro judeu do gueto, em “O grande ditador”, representará, do mesmo modo, muito mais os perseguidos em geral do que os judeus em particular embora, de maneira identica, seja tipicamente judaico o proprio gueto, apresentado por Chaplin neste filme com a mesma agudeza que caracteriza a descrição pictorica da loja do comerciante naquela pelicula.
Todavia, enquanto nestes dois filmes os emigrantes judeus e o comerciante judeu constituem apenas o fundo destinado a destacar melhor a personagem universal de Carlitos – universal pois não identificada com qualquer grupo definido – em “O grande ditador” Carlitos identifica-se indiscutivelmente: ele é judeu. Ele pertence a uma religião, uma raça, uma nacionalidade – pouco importa o termo desde que se caracterize claramente o grupo elevado ao simbolo dos oprimidos. Uma só vez Carlitos agiu de modo semelhante na vida particular, solidarizando-se com um grupo de perseguidos que englobava diversas camadas sociais: quando Henry Ford fez publicar, em seu diario “The New Democrat”, o artigo anti-semita, “The International Jew”, foi, segundo as fontes israelitas (11), por iniciativa de Chaplin que os meios judaicos atingidos reagiram numa onda de protestos contra aquele ataque gratuito e insensato. Todavia, neste ato Chaplin não parece ter-se integrado ao grupo cuja defesa organizara sem nela, posteriormente, tomar parte realmente ativa. No filme ocorre o contrario: totalmente identificado como judeu, sua resistencia à opressão, sua luta contra a perseguição é, no inicio, inconsciente.
É à medida em que a luta continua e em que o judeu oprimido vem a identificar-se com todos os oprimidos através dos personagens de outras origens nacionais que o auxiliam, demonstrando a inocuidade dos odios, que aumenta a convicção de Chaplin-barbeiro de que, elevada ao pedestal de um ditador, qualquer pessoa conseguiria conduzir as massas em direção a um mundo melhor. Todavia “O Grande Ditador” diminuiu a universalidade de Carlitos, pois esse, ao identificar-se com um grupo real, embora tratado simbolicamente, deixou de representar todos os oprimidos de todos os grupos.
Paradoxalmente, porém, muitos autores julgam que a universalidade de Carlitos deve-se principalmente ao judaismo de Chaplin. Assim, Marcel Espiau, emitindo um conceito racista e por isso perigoso embora aparentemente positivo, escreve (12): “Se bem que ele não tivesse lido hebraico, Chaplin conserva, talvez inconscientemente, todo o receio e toda a curiosidade de sua raça”, para explicar a seguir que o proprio personagem de Carlitos leva em si “o germe indelevel das raças perseguidas; tudo nele é judaico e a perseguição dos judeus constitui a origem de sua revolta, sua paciencia, sua resignação, seus desejos”. E mesmo Pierre Leprohon afirma: “Chaplin possui traços essencialmente judaicos” (13), citando, ademais, para reforçar essa opinião, a afirmação peremptoria de Jerôme e Jacques Tharaud: “Charles Chaplin é judeu e todos os elementos de seu humor trazem a marca judia”. Evidentemente, a capacidade de rir de si mesmo, e auto-satira mordaz constituem uma caracteristica do humor judaico; possuem-na porém, mais ou menos acentuadamente, quase todos os grupos ou indivíduos “marginais”, ou seja, postos à margem pela sociedade dominante ou pelos grupos governantes. Constitui, todavia, uma caracteristica mais profunda do humor judaico a mistura do riso um tanto tristonho com a continua e forte dose de esperança e de otimismo que chegam às raias da fantasia e do impossivel. E não esqueçamos que as asas do anjo que simbolizavam essa esperança, foram no filme “The Kid” (”O garoto”), adquiridos numa loja de judeu.
Generalizando, pode-se ainda fazer um paralelo entre a solidão de um ser humano, de um individuo oprimido e injustamente desprezado, e a de um grupo humano em identica situação coletiva: pode-se comparar Carlitos ao Judeu. Lembremos, porém que Chaplin, pessoalmente, de outro modo explicava sua posição: “O meu segredo todo, escreveu, é ter sempre conservado os olhos abertos… Eu estudei o Homem, pois, sem conhecê-lo, nada poderia ter feito. É o conhecimento do Homem que constitui a base de todos os sucessos”.
E se Chaplin conduz Carlitos às andanças pelos caminhos do sem-fim, ao terminarem seus filmes, talvez não se deva esse fato, como pretende Pierre Duvillars (14) às “fontes do genio judaico” que, em Chaplin, representam “o mito eterno do judeu errante”, porquanto, na realidade, Chaplin não erra: apenas procura um caminho que o levaria a um mundo melhor, nem que fosse ao mundo de sonhos do pequeno Charlie que “preferia dormir nos bancos dos jardins publicos do que na cama de seu quarto miseravel”.
Buscas vãs! Chaplin ficou só, tanto na vida quanto nos seus filmes, apesar de sua riqueza e gloria. Em 1940, quando terminava “O Grande Ditador”, ainda tinha esperanças dedicadas à mulher judia que muito mais animo e fé necessitava do que o proprio Chaplin podia supor naquele inicio da carnificina cuja amplitude então ignorava. A mulher que recebeu, simbolicamente, a mensagem de esperança, tinha o nome de sua mãe.
“Onde quer que estejas, Hannah, ergue o olhar! Levanta os olhos, Hannah, que as nuvens se dissipam! O sol as trespassa. Saimos da obscuridade para entrar na luz, para entrar no mundo melhor, onde os homens elevar-se-ão acima do odio e da brutalidade…. Olha, Hannah, foram dadas asas à alma humana – e ei-la subindo ao arco-iris, à claridade, à esperança; ao futuro glorioso que te pertence, Hannah! Levanta os olhos, Hannah, olha o céu e ouve…”
Mas Hannah não pode ouvir. Ficou esmagada, com milhões de outros inutilmente esperançosos, diante do mundo cuja impassibilidade abafou os apelos ilusorios. Com Hannah, morreu Carlitos. Monsieur Verdoux revelou-se apenas cheio de amargura e de decepção. E Calvero compreendeu melancolicamente que findara. Banido da sociedade dentro da qual e para a qual vivia, Charles Chaplin ficou terrivelmente só. Nem suas glorias do passado nem a luta que travara pela humanidade bastaram para que fosse evitado tanto seu diaspora individual amainado pela excepcional felicidade matrimonial, quanto a permanencia prolongada em seu gueto cultural suiço ao qual o conduzira a fé inabalavel nos destinos do mundo.
(1) Citado por George Sadoul, “Lavie de Charlot”, Les Editeurs Français Réunis, Paris, 1952; página 12.
(2) Citado por Pierre Leprohon, “Charles Chaplin”, Les Editions Jacques Melon, Paris, 1946; pagina 13.
(3) Georges Sadoul, op. cit.
(4) Manuel Villegas Lopez: “Carlitos”, tradução de Melo Lima. Cia. Editora Leitura, Rio de Janeiro, 1944; pagina 46
(5) F. Silva Nobre: “Roteiro de Carlitos”, Irmãos Pongetti Editores, Rio, 1958: pagina 26.
(6) Jean Mitry: “Charlot et la fabulation Chaplinesque”, Editions Universitaires, Paris, 1957; pagina 157.
(7) Maurice Bardècne e Robert Brasillach: “Histoire du cinéma”. Ed. André Martel, Paris, 1948. Nova edição (parcialmente expurgada das tendencias pró-nazistas).
(8) Pierre Leprohon, op. cit.; pagina 93.
(9) Idem. pagina 26.
(10) John Montgomery; “Comedy Films”, George Allen & Unwin, Films”, George Allen & Unwin, Londres 1954: pag. 98. Alguns biografos contestam essa informação acreditando tratar-se apenas de um “numero” interpretativo assim intitulado.
(11) Cesar Tiempo: “Anatol France y Charlie Chaplin”, artigo publicado em “Tribuna Israelita” de Mexico, em agosto de 1952.
(12) Marcel Espiau: “Chaplin, Molière juif”; revista “Vu” do 1 de abril de 1931, citada por Pierre Leprohon, op. cit.; pagina 256.
(13) Pierre Leprohon, op. cit.
(14) Pierre Duvillars: “Cinéma, mythologie du XX siècle”, Editions de l’Ermite, Paris 1950; pagina 84.
Câmera e Jornal
Formado pela Escola de Altos Estudos Cinematográficos de Paris, Marcos Margulies nasceu em Lodz, na Polônia, em 1923, e morreu no Rio, naturalizado brasileiro, em 1982. Trabalhou como jornalista, editor, professor e psicólogo – e foi um premiado documentarista. Criou a editora Documentário, em 1973, pela qual lançou Do Racismo ao Sionismo (1976), abordando algumas das questões que o ocuparam em toda a sua trajetória – e que o credenciavam a redigir um trabalho como este, do SL. Chaplin, seu tema aqui, morreria em 1977
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
República Fundamentalista Cristã - VLADIMIR SAFATLE
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Um poder moderador vigia o debate político e impede que pautas de modernização social cheguem ao Brasil
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FUNDADA EM 31 de outubro de 2010 após a expulsão dos infiéis do poder, a República Fundamentalista Cristã do Brasil apareceu em substituição à República Federativa do Brasil. Dela, ela herdou quase tudo, acrescentando uma importante novidade institucional: um poder moderador, pairando acima dos outros Três Poderes e composto pela ala conservadora do catolicismo em aliança com certos setores protestantes. Os mesmos setores que, nos EUA, deram suporte canino a George W. Bush. A função deste poder moderador consiste em vigiar o debate político e social, impedindo que pautas de modernização social já efetivadas em todos os países desenvolvidos cheguem ao Brasil.
Na verdade, a fundação desta nova República começou após uma eleição impulsionada pelo problema do aborto. Procurando uma tábua de salvação para uma candidatura que nunca decolara e que passou ao segundo turno exclusivamente por obra e graça de Marina Silva, José Serra resolveu inovar na política brasileira ao instrumentalizar politicamente os dogmas mais arcaicos deste que é o maior país católico do mundo.
Assim, sua mulher foi despachada pelos quatro cantos para alertar a população contra o fato de Dilma Rousseff apoiar "matar criancinhas" (conforme noticiou um jornal que declarou apoio explícito a seu marido). As portas de seu comitê de campanha foram abertas para os voluntários da TFP, com seus folhetos contra a "ameaça vermelha" capaz de perverter a família brasileira através da legalização da prostituição e do casamento gay (conforme noticiou o blog do jornalista Fernando Rodrigues). A internet foi invadida por mensagens "espontâneas" contra a infiel Dilma e o PNDH-3.
José Serra já havia dado a senha quando afirmou, em um debate, que legalizar o aborto seria uma "carnificina". Que 15% das mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos tenham abortado em condições indescritíveis, isto não era "carnificina". Carnificina, para Serra, seria o Brasil importar esta prática tão presente na vida dos "bárbaros selvagens" que são os ingleses, franceses, alemães, norte-americanos, espanhóis, italianos, ou seja, todos para quem o aborto é, pasmem, uma questão de saúde pública e planejamento familiar.
Confrontada com esta guinada, a "classe média esclarecida" não se indignou. As clínicas privadas que fazem abortos ilegais continuariam funcionando. O direito sagrado de salvar a filha de classe média de uma gravidez indesejada continuaria intacto. Para tal classe, o discurso sobre "valores cristãos" era apenas uma radicalização eleitoral.
Quando o poder moderador, confiante em sua nova força, começou a exigir que o criacionismo fosse ensinado nas escolas, que o Estado subvencionasse atividades de proselitismo religioso travestidas de filantropia, já era tarde. Então, alguns lembraram, com tristeza, dos pais fundadores da República Federativa do Brasil, decididos a criar uma república laica onde os dogmas religiosos não seriam balizas da vida social. Uma república onde seria possível dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Uma República que morreu no dia 31 de outubro de 2010.
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VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP.
Um poder moderador vigia o debate político e impede que pautas de modernização social cheguem ao Brasil
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FUNDADA EM 31 de outubro de 2010 após a expulsão dos infiéis do poder, a República Fundamentalista Cristã do Brasil apareceu em substituição à República Federativa do Brasil. Dela, ela herdou quase tudo, acrescentando uma importante novidade institucional: um poder moderador, pairando acima dos outros Três Poderes e composto pela ala conservadora do catolicismo em aliança com certos setores protestantes. Os mesmos setores que, nos EUA, deram suporte canino a George W. Bush. A função deste poder moderador consiste em vigiar o debate político e social, impedindo que pautas de modernização social já efetivadas em todos os países desenvolvidos cheguem ao Brasil.
Na verdade, a fundação desta nova República começou após uma eleição impulsionada pelo problema do aborto. Procurando uma tábua de salvação para uma candidatura que nunca decolara e que passou ao segundo turno exclusivamente por obra e graça de Marina Silva, José Serra resolveu inovar na política brasileira ao instrumentalizar politicamente os dogmas mais arcaicos deste que é o maior país católico do mundo.
Assim, sua mulher foi despachada pelos quatro cantos para alertar a população contra o fato de Dilma Rousseff apoiar "matar criancinhas" (conforme noticiou um jornal que declarou apoio explícito a seu marido). As portas de seu comitê de campanha foram abertas para os voluntários da TFP, com seus folhetos contra a "ameaça vermelha" capaz de perverter a família brasileira através da legalização da prostituição e do casamento gay (conforme noticiou o blog do jornalista Fernando Rodrigues). A internet foi invadida por mensagens "espontâneas" contra a infiel Dilma e o PNDH-3.
José Serra já havia dado a senha quando afirmou, em um debate, que legalizar o aborto seria uma "carnificina". Que 15% das mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos tenham abortado em condições indescritíveis, isto não era "carnificina". Carnificina, para Serra, seria o Brasil importar esta prática tão presente na vida dos "bárbaros selvagens" que são os ingleses, franceses, alemães, norte-americanos, espanhóis, italianos, ou seja, todos para quem o aborto é, pasmem, uma questão de saúde pública e planejamento familiar.
Confrontada com esta guinada, a "classe média esclarecida" não se indignou. As clínicas privadas que fazem abortos ilegais continuariam funcionando. O direito sagrado de salvar a filha de classe média de uma gravidez indesejada continuaria intacto. Para tal classe, o discurso sobre "valores cristãos" era apenas uma radicalização eleitoral.
Quando o poder moderador, confiante em sua nova força, começou a exigir que o criacionismo fosse ensinado nas escolas, que o Estado subvencionasse atividades de proselitismo religioso travestidas de filantropia, já era tarde. Então, alguns lembraram, com tristeza, dos pais fundadores da República Federativa do Brasil, decididos a criar uma república laica onde os dogmas religiosos não seriam balizas da vida social. Uma república onde seria possível dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Uma República que morreu no dia 31 de outubro de 2010.
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VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP.
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sábado, 9 de outubro de 2010
A última coluna da psicanalista(EU: NO CENSURÁVEL ESTADÃO)
Por Luciano Martins Costa em 8/10/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 8/10/2010
O Estado de S.Paulo finalmente publica, na edição de sexta-feira (8/10), cartas de leitores contrariados com o afastamento da psicanalista Maria Rita Kehl, que escrevia aos sábados no caderno chamado "C2+Música".
Textos sobre o assunto vinham pontuando na internet, em geral acusando o jornal de haver demitido a colunista por haver escrito um artigo no qual falava sobre eleições e a favor do atual governo.
A resposta oficial do Estadão, assinada pelo diretor de Conteúdo Ricardo Gandour, é que a colunista foi afastada num processo "natural" de substituições que vem ocorrendo no jornal. E que não se trata de censura. No entanto, o diretor do jornalão paulista deixa claro que andava contrariado, desde semanas antes, pelo fato de que Maria Rita Kehl vinha escrevendo sobre política, comportamento de eleitores e campanha eleitoral.
Há preconceito
Na justificativa publicada na sexta-feira, ao pé das cartas de leitores, o jornal diz que "o projeto original do caderno ‘C2+Música’ é ter aos sábados um espaço para a psicanálise, mas não era esse o enfoque que Maria Rita Kehl vinha dando à coluna". Ora, o jornal parece ignorar que em psicanálise os temas são quase sempre tratados indiretamente, buscando interpretações da realidade muitas vezes através de metáforas.
Na última coluna, publicada no sábado, dia 2, véspera das eleições em primeiro turno, a psicanalista tratou das correntes de mensagens na internet que procuram desqualificar os votos dos mais pobres, dizendo que são vagabundos porque, segundo esses missivistas, preferem viver do Bolsa Família do que procurar emprego.
Esse renitente preconceito, que realmente faz parte dos bordões mais conservadores das eleições desde 2006, não deveria ser considerado assunto estranho a uma psicanalista. Mas acontece que Maria Rita Kehl defende publicamente o Bolsa Família, o que deve ter desagradado a alguns próceres do Estadão.
O fato de o jornal haver publicado a última coluna, justamente essa que aborda a questão do preconceito de classes, não alivia a percepção geral de que houve, sim, um viés político a precipitar o afastamento da colunista. Principalmente porque em nenhum outro espaço o jornal se permitiu discutir o tema tratado por ela em sua derradeira colaboração: existe, de fato, esse preconceito, que viceja na internet e foi estimulado pela imprensa.
Ausência notada
É fato facilmente comprovável, principalmente pelos observadores que têm a mania de colecionar editoriais, artigos e manchetes de jornais e revistas, que a imprensa tradicional, majoritariamente, passou os últimos anos, até muito recentemente, demonizando as políticas sociais do atual governo.
O governo anterior também produziu políticas semelhantes, embora de menor alcance, quase todas idealizadas e conduzidas pela falecida ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Este observador teve a oportunidade de assistir uma conferência de Dona Ruth na Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, sobre seus programas sociais, que foi entusiasticamente aplaudida pela platéia de professores e estudantes americanos.
O trabalho de Ruth Cardoso não foi tratado com o mesmo preconceito. Foi simplesmente ignorado por aqui, embora aplaudido internacionalmente. Ela nunca mereceu da imprensa brasileira o devido reconhecimento. Seria o mesmo preconceito?
Foram inúmeros os editoriais, artigos e reportagens tentando desqualificar o Bolsa Família. Houve em São Paulo, nos últimos cinco anos, pelo menos três seminários técnicos sobre avaliação de resultados econômicos dos programas sociais de transferência de renda, todos organizados pelo Instituto Itaú Social, do Banco Itaú. Em todas essas ocasiões, demonstrou-se que tais programas produzem resultados econômicos consideráveis, e não apenas no Brasil, mas também em países como México, Índia e Colômbia.
Este observador compareceu a todos esses seminários. Nunca encontrou por lá nenhum diretor de jornal ou revista. Apenas em um deles, ocorrido em 2006, apareceu o editor de Economia do Estadão, que se confessou completamente alheio ao assunto.
Evidências à vista
O artigo que encerrou a carreira de Maria Rita Kehl no Estadão falava de preconceitos e de uma luta de classes dissimulada cujos fragores podem ser percebidos em correntes na internet.
Mas essa luta de classes também está presente na chamada grande imprensa, nos artigos de profissionais referendados por lustrosos títulos acadêmicos, nos quais se condena liminarmente qualquer política pública que procure resgatar a desigualdade que prejudica os brasileiros de pele escura e os programas sociais de transferência de renda.
Com tantas evidências, fica difícil justificar o afastamento de uma colunista que discorda dessa linha editorial.
Comentário para o programa radiofônico do OI, 8/10/2010
O Estado de S.Paulo finalmente publica, na edição de sexta-feira (8/10), cartas de leitores contrariados com o afastamento da psicanalista Maria Rita Kehl, que escrevia aos sábados no caderno chamado "C2+Música".
Textos sobre o assunto vinham pontuando na internet, em geral acusando o jornal de haver demitido a colunista por haver escrito um artigo no qual falava sobre eleições e a favor do atual governo.
A resposta oficial do Estadão, assinada pelo diretor de Conteúdo Ricardo Gandour, é que a colunista foi afastada num processo "natural" de substituições que vem ocorrendo no jornal. E que não se trata de censura. No entanto, o diretor do jornalão paulista deixa claro que andava contrariado, desde semanas antes, pelo fato de que Maria Rita Kehl vinha escrevendo sobre política, comportamento de eleitores e campanha eleitoral.
Há preconceito
Na justificativa publicada na sexta-feira, ao pé das cartas de leitores, o jornal diz que "o projeto original do caderno ‘C2+Música’ é ter aos sábados um espaço para a psicanálise, mas não era esse o enfoque que Maria Rita Kehl vinha dando à coluna". Ora, o jornal parece ignorar que em psicanálise os temas são quase sempre tratados indiretamente, buscando interpretações da realidade muitas vezes através de metáforas.
Na última coluna, publicada no sábado, dia 2, véspera das eleições em primeiro turno, a psicanalista tratou das correntes de mensagens na internet que procuram desqualificar os votos dos mais pobres, dizendo que são vagabundos porque, segundo esses missivistas, preferem viver do Bolsa Família do que procurar emprego.
Esse renitente preconceito, que realmente faz parte dos bordões mais conservadores das eleições desde 2006, não deveria ser considerado assunto estranho a uma psicanalista. Mas acontece que Maria Rita Kehl defende publicamente o Bolsa Família, o que deve ter desagradado a alguns próceres do Estadão.
O fato de o jornal haver publicado a última coluna, justamente essa que aborda a questão do preconceito de classes, não alivia a percepção geral de que houve, sim, um viés político a precipitar o afastamento da colunista. Principalmente porque em nenhum outro espaço o jornal se permitiu discutir o tema tratado por ela em sua derradeira colaboração: existe, de fato, esse preconceito, que viceja na internet e foi estimulado pela imprensa.
Ausência notada
É fato facilmente comprovável, principalmente pelos observadores que têm a mania de colecionar editoriais, artigos e manchetes de jornais e revistas, que a imprensa tradicional, majoritariamente, passou os últimos anos, até muito recentemente, demonizando as políticas sociais do atual governo.
O governo anterior também produziu políticas semelhantes, embora de menor alcance, quase todas idealizadas e conduzidas pela falecida ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Este observador teve a oportunidade de assistir uma conferência de Dona Ruth na Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, sobre seus programas sociais, que foi entusiasticamente aplaudida pela platéia de professores e estudantes americanos.
O trabalho de Ruth Cardoso não foi tratado com o mesmo preconceito. Foi simplesmente ignorado por aqui, embora aplaudido internacionalmente. Ela nunca mereceu da imprensa brasileira o devido reconhecimento. Seria o mesmo preconceito?
Foram inúmeros os editoriais, artigos e reportagens tentando desqualificar o Bolsa Família. Houve em São Paulo, nos últimos cinco anos, pelo menos três seminários técnicos sobre avaliação de resultados econômicos dos programas sociais de transferência de renda, todos organizados pelo Instituto Itaú Social, do Banco Itaú. Em todas essas ocasiões, demonstrou-se que tais programas produzem resultados econômicos consideráveis, e não apenas no Brasil, mas também em países como México, Índia e Colômbia.
Este observador compareceu a todos esses seminários. Nunca encontrou por lá nenhum diretor de jornal ou revista. Apenas em um deles, ocorrido em 2006, apareceu o editor de Economia do Estadão, que se confessou completamente alheio ao assunto.
Evidências à vista
O artigo que encerrou a carreira de Maria Rita Kehl no Estadão falava de preconceitos e de uma luta de classes dissimulada cujos fragores podem ser percebidos em correntes na internet.
Mas essa luta de classes também está presente na chamada grande imprensa, nos artigos de profissionais referendados por lustrosos títulos acadêmicos, nos quais se condena liminarmente qualquer política pública que procure resgatar a desigualdade que prejudica os brasileiros de pele escura e os programas sociais de transferência de renda.
Com tantas evidências, fica difícil justificar o afastamento de uma colunista que discorda dessa linha editorial.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”
Bob Fernandes – Terra Magazine
A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.
Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo e o motivo de sua demissão:
- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?
Leia abaixo a entrevista.
Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl - E provocou, sim…
- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.
- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).
- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.
- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…
- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo…a imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo..
- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…
- …Por outro lado…?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (Senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?
- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.
O artigo de Maria Rita Kehl foi publicado aqui no blog, no sábado. Para ler, clique no link
Dois pesos…
Tags: delito de opinião, demissão, Jornais, liberdade de imprensa, Maria Rita Kehl, OESP
3 COMENTÁRIOS PARA "Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”":
Comentado por KKK em 07/10/2010 - 14:51h:
Maria Rita, parabéns por esse e pelos inúmeros artigos dominicais.
A sua demissão é apenas mais uma demonstração do que é a mídia demo-tucana. Mais uma razão para não ler o Estadão.
E muita força…
Comentado por jose jr em 07/10/2010 - 16:54h:
Pelo jeito, o PSDB SE APODEROU DE PARTE DA IMPRENSA MESMO, É LAMENTÁVEL… O QUE O PODER NÃO FAZ; MERECÍAMOS UMA IMPRENSA MAIS ISENTA. DE QUALQUER FORMA, TEMOS O IG, TERRA, ODIA, JÁ NÃO É O PIOR DOS MUNDOS AINDA.
Comentado por jackes andrade em 07/10/2010 - 20:01h:
MARIA RITA
ACHO QUE NO FUNDO VOCE VAI SAIR GANHANDO.
É MELHOR TER CARATER E OPNIÃO DO QUE TRABALHAR PARA UM JORNALECO QUE RUMA PARA A EXTINÇÃO. VAI CAIR DE PODRE
A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.
Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo e o motivo de sua demissão:
- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?
Leia abaixo a entrevista.
Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl - E provocou, sim…
- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.
- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).
- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.
- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…
- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo…a imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo..
- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…
- …Por outro lado…?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (Senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?
- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.
O artigo de Maria Rita Kehl foi publicado aqui no blog, no sábado. Para ler, clique no link
Dois pesos…
Tags: delito de opinião, demissão, Jornais, liberdade de imprensa, Maria Rita Kehl, OESP
3 COMENTÁRIOS PARA "Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”":
Comentado por KKK em 07/10/2010 - 14:51h:
Maria Rita, parabéns por esse e pelos inúmeros artigos dominicais.
A sua demissão é apenas mais uma demonstração do que é a mídia demo-tucana. Mais uma razão para não ler o Estadão.
E muita força…
Comentado por jose jr em 07/10/2010 - 16:54h:
Pelo jeito, o PSDB SE APODEROU DE PARTE DA IMPRENSA MESMO, É LAMENTÁVEL… O QUE O PODER NÃO FAZ; MERECÍAMOS UMA IMPRENSA MAIS ISENTA. DE QUALQUER FORMA, TEMOS O IG, TERRA, ODIA, JÁ NÃO É O PIOR DOS MUNDOS AINDA.
Comentado por jackes andrade em 07/10/2010 - 20:01h:
MARIA RITA
ACHO QUE NO FUNDO VOCE VAI SAIR GANHANDO.
É MELHOR TER CARATER E OPNIÃO DO QUE TRABALHAR PARA UM JORNALECO QUE RUMA PARA A EXTINÇÃO. VAI CAIR DE PODRE
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Guerra Santa: Estadão demite Maria Rita Kehl por cusa deste artigo.Viva Maria Rita Kehl,eterna musa da coerência
blog nassif
Melhor para o Brasil, melhor para nós, o Brasil ganha Maria Rita Kehl. A história registra.
Confirmado: Conselho Editorial do Estadão manda demitir Maria Rita Kehl por artigo elogioso ao governo Lula...e, inacreditáve...o próprio estadão por ter assumido a candidatura de Serra...
Esse artigo? Bem esclarecedor para quem quer entender, lógico.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
- O Estado de S.Paulo
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
opiniões
UÉ, não é o estadão que só fica escrevendo que está sob censura?
Quando é um dos seus jornalistas, que escreve uma matéria a favor de Lula, ele demite?
Adivinha quem mandou demitir?
zé baixaria, o dono da mídia?
Quem é contra, tá fora!
Esqueçam este negócio de jornalismo!
Cadê a ANJ?
Li o artigo da Maria Rita. Lúcido e muito bem escrito. Linguagem de alto nível, mas com o dedo na ferida. A demissão da redatora só depõe contra os seus patrões, sejam eles a familia Mesquita ou a Opus Dei. Seja bem vinda, Maria Rita, ao time dos que não se vendem. Para os demais leitores: vocês entenderam, agora, a diferença entre "liberdade de imprensa" e "liberdade de empresa"? Exemplo melhor, garanto, não há.
Rafael Moreira Depois de um artigo preciso logo antes das eleições do primeiro turno, a psicanalista brilhante Maria Rita Kehl é demitida pelo Estadão. Precisa dizer algo mais sobre nossa grande imprensa e sua intolerância maciça com o que dizem ser "liberdade de imprensa"? Liberdade, na cartilha deles, é o que encontra colo nos seus interesses e mais nada. Fora disso, é o discurso do outro que precisa ser diluído, difamado, exterminado, alterado ou visto como um "atentado à liberdade de imprensa".
Será que depois desse tiro no pé do Estadão, será que não conseguirão enxergar um palmo à frente as pessoas que dizem a imprensa ser imparcial e cobrir os fatos após amplas investigações?
Como psicólogo, aplaudo a atitude tomada por Maria Rita Kehl. E se o clube "Estadão" não a quer como sócia, tanto melhor. A psicanalista continuará conhecidíssima no seu meio e respeitadíssima (e, talvez, depois desse fato ainda mais e mais em outros tantos círculos).
Rafael Moreira Fabro
Paulo Camargo
Até quando vamos tolerar passivamente essa grande imprensa como veículos democráticos sem que apontemos com mais ênfase o que são na verdade? Não atuam no campo democrático e pregam a intolerância de maneira fácil e irresponsável. Há algumas semanas atrás um direitista travestido de pensador de esquerda - Carlos Guilherme Motta - fez muito bem o jogo dessa direita intolerante ao criticar o Lula somando-se àqueles que não querem a participação do povo nas decisões do país. Esse é o protótipo do intelectual que o Estadão absorve.
Maria Rita Kehl é uma grande pensadora, aguerrida e atrevida no seu pensar, com um grande percurso que traz muitos esclarecimentos no campo da subjetividade. Acompanho suas publicações, como é o caso do "tempo e o Cão" sempre com grande entusiasmo. Quem puder ler seus artigos e ensaios vão encontrar um pensamento esclarecedor sobre o nosso cotidiano e principalmente sobre o "futuro" de nossa juventude sob a ótica do neoliberalismo, cujo jornal acima o apóia totalmente.
A ela toda nossa solidariedade como uma grande lutadora.
Cadê SIP?
Cadê OS REPORTERES SEM FRONTEIRAS?
Cadê os defensores da liberdade de expressão? E da verdadeira liberdade de imprensa e não só da empresa?
Foi um belo artigo, lúcido e corajoso sobre a questão de fundo da disputa eleitoral.
Maria Rita também tem biografia, e o caso mostra o drama dos jornalistas acorrentados ao patrão como escravos. Se é que o patrão é apenas a famíla Mesquita.
A imprensa corrupta que precisa ser neutralizada vive acusando o Lula de censura. Ou seja, o PiG vive acusando o Lula de praticar os crimes que ela mesma pratica.
Melhor para o Brasil, melhor para nós, o Brasil ganha Maria Rita Kehl. A história registra.
Confirmado: Conselho Editorial do Estadão manda demitir Maria Rita Kehl por artigo elogioso ao governo Lula...e, inacreditáve...o próprio estadão por ter assumido a candidatura de Serra...
Esse artigo? Bem esclarecedor para quem quer entender, lógico.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
- O Estado de S.Paulo
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
opiniões
UÉ, não é o estadão que só fica escrevendo que está sob censura?
Quando é um dos seus jornalistas, que escreve uma matéria a favor de Lula, ele demite?
Adivinha quem mandou demitir?
zé baixaria, o dono da mídia?
Quem é contra, tá fora!
Esqueçam este negócio de jornalismo!
Cadê a ANJ?
Li o artigo da Maria Rita. Lúcido e muito bem escrito. Linguagem de alto nível, mas com o dedo na ferida. A demissão da redatora só depõe contra os seus patrões, sejam eles a familia Mesquita ou a Opus Dei. Seja bem vinda, Maria Rita, ao time dos que não se vendem. Para os demais leitores: vocês entenderam, agora, a diferença entre "liberdade de imprensa" e "liberdade de empresa"? Exemplo melhor, garanto, não há.
Rafael Moreira Depois de um artigo preciso logo antes das eleições do primeiro turno, a psicanalista brilhante Maria Rita Kehl é demitida pelo Estadão. Precisa dizer algo mais sobre nossa grande imprensa e sua intolerância maciça com o que dizem ser "liberdade de imprensa"? Liberdade, na cartilha deles, é o que encontra colo nos seus interesses e mais nada. Fora disso, é o discurso do outro que precisa ser diluído, difamado, exterminado, alterado ou visto como um "atentado à liberdade de imprensa".
Será que depois desse tiro no pé do Estadão, será que não conseguirão enxergar um palmo à frente as pessoas que dizem a imprensa ser imparcial e cobrir os fatos após amplas investigações?
Como psicólogo, aplaudo a atitude tomada por Maria Rita Kehl. E se o clube "Estadão" não a quer como sócia, tanto melhor. A psicanalista continuará conhecidíssima no seu meio e respeitadíssima (e, talvez, depois desse fato ainda mais e mais em outros tantos círculos).
Rafael Moreira Fabro
Paulo Camargo
Até quando vamos tolerar passivamente essa grande imprensa como veículos democráticos sem que apontemos com mais ênfase o que são na verdade? Não atuam no campo democrático e pregam a intolerância de maneira fácil e irresponsável. Há algumas semanas atrás um direitista travestido de pensador de esquerda - Carlos Guilherme Motta - fez muito bem o jogo dessa direita intolerante ao criticar o Lula somando-se àqueles que não querem a participação do povo nas decisões do país. Esse é o protótipo do intelectual que o Estadão absorve.
Maria Rita Kehl é uma grande pensadora, aguerrida e atrevida no seu pensar, com um grande percurso que traz muitos esclarecimentos no campo da subjetividade. Acompanho suas publicações, como é o caso do "tempo e o Cão" sempre com grande entusiasmo. Quem puder ler seus artigos e ensaios vão encontrar um pensamento esclarecedor sobre o nosso cotidiano e principalmente sobre o "futuro" de nossa juventude sob a ótica do neoliberalismo, cujo jornal acima o apóia totalmente.
A ela toda nossa solidariedade como uma grande lutadora.
Cadê SIP?
Cadê OS REPORTERES SEM FRONTEIRAS?
Cadê os defensores da liberdade de expressão? E da verdadeira liberdade de imprensa e não só da empresa?
Foi um belo artigo, lúcido e corajoso sobre a questão de fundo da disputa eleitoral.
Maria Rita também tem biografia, e o caso mostra o drama dos jornalistas acorrentados ao patrão como escravos. Se é que o patrão é apenas a famíla Mesquita.
A imprensa corrupta que precisa ser neutralizada vive acusando o Lula de censura. Ou seja, o PiG vive acusando o Lula de praticar os crimes que ela mesma pratica.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O Estado de S.Paulo MENTE E CULPA O GOVERNO POR INVESTIGAR
Como o Estadão tratou o relatório da CGU
Enviado por luisnassif, qui, 30/09/2010 - 22:32
Do Estadão.com.br
CGU blinda Erenice Guerra às vésperas da eleição
Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.
As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice
Enviado por luisnassif, qui, 30/09/2010 - 22:32
Do Estadão.com.br
CGU blinda Erenice Guerra às vésperas da eleição
Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.
As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Qual a origem desse ódio?
CARTAMAIOR
Como o Estadão enxerga um mau exemplo num sujeito reeleito e com 80% de aprovação popular, que mal consegue andar, onde quer que vá? Por que tanta raiva? Qual a origem desse ódio? Por que o Estadão não alertou o Brasil, em 2002, que o projeto de governo tucano objetivava perpetuar-se no poder a fim de assegurar “o bem-estar da tucanagem”?
Marcelo da Silva Duarte
Blog de Marcelo da Silva Duarte - La Vieja Bruja
Um editorial que poderia ter entrado para a história recente da democracia brasileira como exemplo de amadurecimento da liberdade de expressão, respeito ao processo eleitoral e à cidadania, acabou revelando todo o ódio de classe que a elite paulista nutre pelo projeto político petista para o Brasil.
Todo partido político tem direito a um projeto de governo. O PSDB de José Serra e Fernando Henrique Cardoso planejava, em 20 anos, fazer com que o Brasil esquecesse a era Vargas. Escolheu, para viabilizá-lo, a despeito do substantivo composto “social-democracia” em sua sigla, mero embuste semântico, o pensamento neoliberal.
O conceito de modernização com o qual o PSDB trabalhava nos anos FHC passava, necessariamente, pelas teses enunciadas pelo Consenso de Washington. O projeto tucano de desenvolvimento traduziu tal aparente consenso pela (i) estabilização macroeconômica via superávit fiscal, à custa do sucateamento dos serviços públicos, pela (ii) tentativa de realização das ditas reformas estruturais, traduzidas pelas (a) privatizações – que entregaram à iniciativa privada, diga-se de passagem, a preço de banana, a Vale do Rio Doce, destino do qual se safou, por pouco, a hoje primeira maior empresa petrolífera do mundo em lucro sobre faturamento, a Petrobras –, pela (b) redução do papel e da atividade normativa do Estado na economia – dinossauro ao qual recorreram, na recente bancarrota mundial, 9 entre 10 economistas antes neoliberais – e desregulamentação do mercado financeiro, a fim de atrair, pela terceira maior taxa de juros da economia mundial, o que também freava o consumo e mantinha a inflação sob controle, o capital especulativo internacional – grande responsável pela referida bancarrota –, e, por fim, pela (iii) retomada do investimento via iniciativa privada, donde a concentração de renda e de capital na mão de setores empresariais e a tentativa, incompleta, de quebra da coluna vertebral do sindicalismo via flexibilização das leis trabalhistas, o que praticamente anularia seu poder de barganha pela formação de um exército de mão-de-obra de reserva, a chamada “taxa natural” de desemprego.
A mídia oligárquica brasileira, no entanto, não viu maiores problemas na tentativa de continuidade, com José Serra, em 2002, do referido projeto, que, ao fim e ao cabo, ressuscitava a mítica “mão invisível do mercado”. Não se falou, em nenhum momento, em “paixão pelo poder”, no risco de se deixar “a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só” e, muito menos, em “escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder”.
Ora, o Partido dos Trabalhadores tem tanto direito de escolher um projeto nacional quanto o PSDB. Esse projeto, ancorado, essencialmente, na (i) busca de uma política monetária capaz de equilibrar desenvolvimento e poder aquisitivo – nunca o Brasil cresceu e gerou tantos empregos formais quanto nos últimos oito anos, e nunca tantos cidadãos consumiram tanto -, na (ii) dignidade humana, através do resgate da cidadania via políticas públicas de inclusão social e distribuição de renda – nunca tantos cidadãos, antes condenados ao subemprego ou preteridos por raça, estudaram e prosperaram tanto, e nunca tantos cidadãos, antes condenados a viver abaixo da linha de pobreza, hoje possuem o básico para a conquista de sua autonomia –, na (iii) independência e no protagonismo de sua política externa e, sobretudo, no (iv) respeito ao Estado Democrático de Direito – nunca Imprensa, Legislativo, Polícia Federal e Judiciário, p. ex., foram tão respeitados quanto no governo Lula –, é tão legítimo quanto o tucano. E ele não só tem 80% de aprovação popular como, também, segundo as principais pesquisas, será reeleito, em primeiro turno, para um terceiro mandato.
Por que, então, tanta raiva? Qual a origem desse ódio, que vê na figura do Presidente “um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”; que enxerga um chefe de Estado que, por supostamente “ignorar as instituições e atropelar as leis”, serve de mau exemplo à cidadania, este, por certo, se fosse o caso, um “mal a evitar”? Como o Estadão enxerga um mau exemplo num sujeito reeleito democraticamente e com 80% de aprovação popular, que mal consegue andar, onde quer que vá, mesmo em meio a uma dúzia de seguranças? Como um editorial pode ser tão estreito a ponto de sustentar que o objetivo maior do projeto político petista é assegurar “o bem-estar da companheirada”? Por que o Estadão não alertou o Brasil, em 2002, que o projeto de governo tucano objetivava perpetuar-se no poder a fim de assegurar “o bem-estar da tucanagem”?
A origem de tamanho rancor não pode ser, simplesmente, a falácia de que a democracia precisa ser oxigenada através da rotatividade no Poder. Se tal tese carregasse consigo alguma necessidade, não teríamos como livrar a humanidade da estupidez absoluta, uma vez que não haveria explicação para cada Estado Nacional não estampar, no primeiro artigo de sua Carta Máxima, a exigência de que nenhum partido político pudesse ocupar, por duas vezes seguidas, qualquer posição executiva, condão da prosperidade, da harmonia e do desenvolvimento. Sequer eleições seriam necessárias, uma vez que, nesse melhor dos mundos possíveis, bastaria, candidamente, estabelecer-se uma ordem sucessória entre os diversos postulantes aos cargos executivos. Tal como a “mão invisível do mercado” regula a economia e distribui, equitativamente, toda a riqueza produzida, assim agiria, na política, essa espécie de “democracia natural”.
Qualquer analista político é capaz de perceber, numa leitura superficial, que há qualquer coisa, no editorial do Estadão, mas menos uma defesa sistemática da candidatura de José Serra à Presidência da República. Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, os argumentos do Estado de São Paulo oscilam entre o nada – os supostos méritos do candidato José Serra -, coisa nenhuma – seu currículo exemplar de homem público – e o vazio absoluto – o que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos.
A verdadeira preocupação do Estadão, ao fim e ao cabo, reduz-se à bisonha e esotérica convicção “de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País”.
Sim, pois “o que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a “continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais”, já que isso - algo que, estranhamente, as elites brasileiras não foram capazes de fazer em 500 anos – “todos os candidatos têm condições de fazer”. O que o eleitor decidirá de mais importante, segundo o Estadão, não é a continuidade ou não do projeto petista de desenvolvimento, mas sim “se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção”.
A defesa da candidatura Serra, ensaiada em meio parágrafo, portanto, perde-se num mar de generalidades, e tanto quanto os tímidos elogios às políticas públicas implementadas pelo atual governo – todas elas, diga-se de passagem, relacionadas à era FHC, e não méritos petistas –, desaparece diante do ódio destilado contra a possibilidade de continuidade, com Dilma Rousseff, do projeto petista de desenvolvimento. A impressão que fica não pode ser outra senão a de que a defesa da candidatura oposicionista serve de mero pretexto para o ataque raivoso ao projeto situacionista. Não se trata de um editorial a favor da candidatura José Serra, mas sim contra Lula, o PT e tudo que seu projeto possa representar.
O Estado de São Paulo tem todo o direito – até o dever, alguns dirão – de posicionar-se a favor da candidatura Serra e mesmo contra a petista, desde que apresente bons argumentos em nome da primeira e razoáveis em relação à segunda, uma vez que é público e notório que o projeto petista não é imune a críticas. Só não pode supor que um bom argumento passa, necessariamente, pela desqualificação alheia gratuita.
Do contrário, ao invés de respeito, não conseguirá nada além de transmitir a impressão de que trata o interesse público e seu interesse empresarial como se fossem uma coisa só, submetendo a democracia aos interesses de sua facção. Um jornal que despreza a liturgia que sua investidura exige ao personalizar o debate público e se entrega, descontroladamente, ao desmando e à autoglorificação, não faz mais do que ignorar as instituições e atropelar as leis, deste modo servindo de mau exemplo à cidadania. O Estadão parece ter feito a escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder ao lado de nossos velhos conhecidos da mídia oligárquica, desse modo garantindo o bem-estar da companheirada.
Este é o mal a evitar.
Como o Estadão enxerga um mau exemplo num sujeito reeleito e com 80% de aprovação popular, que mal consegue andar, onde quer que vá? Por que tanta raiva? Qual a origem desse ódio? Por que o Estadão não alertou o Brasil, em 2002, que o projeto de governo tucano objetivava perpetuar-se no poder a fim de assegurar “o bem-estar da tucanagem”?
Marcelo da Silva Duarte
Blog de Marcelo da Silva Duarte - La Vieja Bruja
Um editorial que poderia ter entrado para a história recente da democracia brasileira como exemplo de amadurecimento da liberdade de expressão, respeito ao processo eleitoral e à cidadania, acabou revelando todo o ódio de classe que a elite paulista nutre pelo projeto político petista para o Brasil.
Todo partido político tem direito a um projeto de governo. O PSDB de José Serra e Fernando Henrique Cardoso planejava, em 20 anos, fazer com que o Brasil esquecesse a era Vargas. Escolheu, para viabilizá-lo, a despeito do substantivo composto “social-democracia” em sua sigla, mero embuste semântico, o pensamento neoliberal.
O conceito de modernização com o qual o PSDB trabalhava nos anos FHC passava, necessariamente, pelas teses enunciadas pelo Consenso de Washington. O projeto tucano de desenvolvimento traduziu tal aparente consenso pela (i) estabilização macroeconômica via superávit fiscal, à custa do sucateamento dos serviços públicos, pela (ii) tentativa de realização das ditas reformas estruturais, traduzidas pelas (a) privatizações – que entregaram à iniciativa privada, diga-se de passagem, a preço de banana, a Vale do Rio Doce, destino do qual se safou, por pouco, a hoje primeira maior empresa petrolífera do mundo em lucro sobre faturamento, a Petrobras –, pela (b) redução do papel e da atividade normativa do Estado na economia – dinossauro ao qual recorreram, na recente bancarrota mundial, 9 entre 10 economistas antes neoliberais – e desregulamentação do mercado financeiro, a fim de atrair, pela terceira maior taxa de juros da economia mundial, o que também freava o consumo e mantinha a inflação sob controle, o capital especulativo internacional – grande responsável pela referida bancarrota –, e, por fim, pela (iii) retomada do investimento via iniciativa privada, donde a concentração de renda e de capital na mão de setores empresariais e a tentativa, incompleta, de quebra da coluna vertebral do sindicalismo via flexibilização das leis trabalhistas, o que praticamente anularia seu poder de barganha pela formação de um exército de mão-de-obra de reserva, a chamada “taxa natural” de desemprego.
A mídia oligárquica brasileira, no entanto, não viu maiores problemas na tentativa de continuidade, com José Serra, em 2002, do referido projeto, que, ao fim e ao cabo, ressuscitava a mítica “mão invisível do mercado”. Não se falou, em nenhum momento, em “paixão pelo poder”, no risco de se deixar “a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só” e, muito menos, em “escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder”.
Ora, o Partido dos Trabalhadores tem tanto direito de escolher um projeto nacional quanto o PSDB. Esse projeto, ancorado, essencialmente, na (i) busca de uma política monetária capaz de equilibrar desenvolvimento e poder aquisitivo – nunca o Brasil cresceu e gerou tantos empregos formais quanto nos últimos oito anos, e nunca tantos cidadãos consumiram tanto -, na (ii) dignidade humana, através do resgate da cidadania via políticas públicas de inclusão social e distribuição de renda – nunca tantos cidadãos, antes condenados ao subemprego ou preteridos por raça, estudaram e prosperaram tanto, e nunca tantos cidadãos, antes condenados a viver abaixo da linha de pobreza, hoje possuem o básico para a conquista de sua autonomia –, na (iii) independência e no protagonismo de sua política externa e, sobretudo, no (iv) respeito ao Estado Democrático de Direito – nunca Imprensa, Legislativo, Polícia Federal e Judiciário, p. ex., foram tão respeitados quanto no governo Lula –, é tão legítimo quanto o tucano. E ele não só tem 80% de aprovação popular como, também, segundo as principais pesquisas, será reeleito, em primeiro turno, para um terceiro mandato.
Por que, então, tanta raiva? Qual a origem desse ódio, que vê na figura do Presidente “um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”; que enxerga um chefe de Estado que, por supostamente “ignorar as instituições e atropelar as leis”, serve de mau exemplo à cidadania, este, por certo, se fosse o caso, um “mal a evitar”? Como o Estadão enxerga um mau exemplo num sujeito reeleito democraticamente e com 80% de aprovação popular, que mal consegue andar, onde quer que vá, mesmo em meio a uma dúzia de seguranças? Como um editorial pode ser tão estreito a ponto de sustentar que o objetivo maior do projeto político petista é assegurar “o bem-estar da companheirada”? Por que o Estadão não alertou o Brasil, em 2002, que o projeto de governo tucano objetivava perpetuar-se no poder a fim de assegurar “o bem-estar da tucanagem”?
A origem de tamanho rancor não pode ser, simplesmente, a falácia de que a democracia precisa ser oxigenada através da rotatividade no Poder. Se tal tese carregasse consigo alguma necessidade, não teríamos como livrar a humanidade da estupidez absoluta, uma vez que não haveria explicação para cada Estado Nacional não estampar, no primeiro artigo de sua Carta Máxima, a exigência de que nenhum partido político pudesse ocupar, por duas vezes seguidas, qualquer posição executiva, condão da prosperidade, da harmonia e do desenvolvimento. Sequer eleições seriam necessárias, uma vez que, nesse melhor dos mundos possíveis, bastaria, candidamente, estabelecer-se uma ordem sucessória entre os diversos postulantes aos cargos executivos. Tal como a “mão invisível do mercado” regula a economia e distribui, equitativamente, toda a riqueza produzida, assim agiria, na política, essa espécie de “democracia natural”.
Qualquer analista político é capaz de perceber, numa leitura superficial, que há qualquer coisa, no editorial do Estadão, mas menos uma defesa sistemática da candidatura de José Serra à Presidência da República. Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, os argumentos do Estado de São Paulo oscilam entre o nada – os supostos méritos do candidato José Serra -, coisa nenhuma – seu currículo exemplar de homem público – e o vazio absoluto – o que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos.
A verdadeira preocupação do Estadão, ao fim e ao cabo, reduz-se à bisonha e esotérica convicção “de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País”.
Sim, pois “o que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a “continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais”, já que isso - algo que, estranhamente, as elites brasileiras não foram capazes de fazer em 500 anos – “todos os candidatos têm condições de fazer”. O que o eleitor decidirá de mais importante, segundo o Estadão, não é a continuidade ou não do projeto petista de desenvolvimento, mas sim “se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção”.
A defesa da candidatura Serra, ensaiada em meio parágrafo, portanto, perde-se num mar de generalidades, e tanto quanto os tímidos elogios às políticas públicas implementadas pelo atual governo – todas elas, diga-se de passagem, relacionadas à era FHC, e não méritos petistas –, desaparece diante do ódio destilado contra a possibilidade de continuidade, com Dilma Rousseff, do projeto petista de desenvolvimento. A impressão que fica não pode ser outra senão a de que a defesa da candidatura oposicionista serve de mero pretexto para o ataque raivoso ao projeto situacionista. Não se trata de um editorial a favor da candidatura José Serra, mas sim contra Lula, o PT e tudo que seu projeto possa representar.
O Estado de São Paulo tem todo o direito – até o dever, alguns dirão – de posicionar-se a favor da candidatura Serra e mesmo contra a petista, desde que apresente bons argumentos em nome da primeira e razoáveis em relação à segunda, uma vez que é público e notório que o projeto petista não é imune a críticas. Só não pode supor que um bom argumento passa, necessariamente, pela desqualificação alheia gratuita.
Do contrário, ao invés de respeito, não conseguirá nada além de transmitir a impressão de que trata o interesse público e seu interesse empresarial como se fossem uma coisa só, submetendo a democracia aos interesses de sua facção. Um jornal que despreza a liturgia que sua investidura exige ao personalizar o debate público e se entrega, descontroladamente, ao desmando e à autoglorificação, não faz mais do que ignorar as instituições e atropelar as leis, deste modo servindo de mau exemplo à cidadania. O Estadão parece ter feito a escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder ao lado de nossos velhos conhecidos da mídia oligárquica, desse modo garantindo o bem-estar da companheirada.
Este é o mal a evitar.
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domingo, 26 de setembro de 2010
O editorial do Estadão e o contraponto
Enviado por luisnassif, dom, 26/09/2010 - 09:13
Por Fernando Antonio Moreira ...
Vamos comentar as, digamos assim, equivocadas afirmações do editorial do Estadão:
1. “a escandalosa deterioração moral do governo que preside.”
Heiiiinnn! Escândalo é o que tentaram por todos os meios colar neste governo sem conseguir. Esqueceram-se da deterioração do governo do PSDB? Não existiram desmandos da equipe econômica, Daniel Dantas, Alston, privataria, etc, etc...
2. “tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.”
Ganhar uma eleição com a maioria dos votos coloca em risco a democracia?!?
3. “O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.”
Que grande mal é esse? O Bem seria o retorno às privatizações e ao estado mínimo?
4. “Efetivamente, não bastasse o embuste do ‘nunca antes’ ”
? As estatísticas e números não bateram recordes históricos? O país não deixou de ser devedor do FMI?
5. “quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.”
Tão apaixonado pelo poder que nem tentou mudar as regras do jogo para obter mais um mandato como fez o PSDB.
6. “para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”
Eu hein! Indicar um sucessor para colocá-lo à aprovação do sufrágio é isto tudo? O PSDB paulista não fez poucas e boas para eliminar outros candidatos com maior potencial na disputa presidencial? Será que foi para defender a companheirada de lá?
7. “submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.”
A “facção” deste governo sempre foi o povo brasileiro. Estão aí os resultados reconhecidos até por este editorialista.
8. “Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso.”
Agora delirou de vez! As instituições da República não estão funcionando? Quem tentou turbinar togados capciosos não foi a mídia?
9. “se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”
Que desmandos “cara pálida”? Autoglorificação faz o Serra que se diz o mais preparado, com realizações tão pífias. Além mais não assume que não é diplomado em nada
Por Fernando Antonio Moreira ...
Vamos comentar as, digamos assim, equivocadas afirmações do editorial do Estadão:
1. “a escandalosa deterioração moral do governo que preside.”
Heiiiinnn! Escândalo é o que tentaram por todos os meios colar neste governo sem conseguir. Esqueceram-se da deterioração do governo do PSDB? Não existiram desmandos da equipe econômica, Daniel Dantas, Alston, privataria, etc, etc...
2. “tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.”
Ganhar uma eleição com a maioria dos votos coloca em risco a democracia?!?
3. “O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.”
Que grande mal é esse? O Bem seria o retorno às privatizações e ao estado mínimo?
4. “Efetivamente, não bastasse o embuste do ‘nunca antes’ ”
? As estatísticas e números não bateram recordes históricos? O país não deixou de ser devedor do FMI?
5. “quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.”
Tão apaixonado pelo poder que nem tentou mudar as regras do jogo para obter mais um mandato como fez o PSDB.
6. “para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”
Eu hein! Indicar um sucessor para colocá-lo à aprovação do sufrágio é isto tudo? O PSDB paulista não fez poucas e boas para eliminar outros candidatos com maior potencial na disputa presidencial? Será que foi para defender a companheirada de lá?
7. “submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.”
A “facção” deste governo sempre foi o povo brasileiro. Estão aí os resultados reconhecidos até por este editorialista.
8. “Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso.”
Agora delirou de vez! As instituições da República não estão funcionando? Quem tentou turbinar togados capciosos não foi a mídia?
9. “se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”
Que desmandos “cara pálida”? Autoglorificação faz o Serra que se diz o mais preparado, com realizações tão pífias. Além mais não assume que não é diplomado em nada
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