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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Internet cresce 13,9% e chega a 43,2 mi - blog do miro

Reproduzo matéria publicada no Blog do Planalto:

O total de usuários ativos de internet chegou a 43,2 milhões em março de 2011, o que significou uma evolução de 4,4% na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) divulgada nesta quarta-feira (4/5). Em relação aos 37,9 milhões de usuários ativos de março de 2010, o aumento foi de 13,9%.

A maior parte do crescimento do número de internautas nos últimos meses pode ser atribuída – segundo o instituto – ao aumento da presença de computador com internet nas residências. No período de um ano, o total de usuários ativos de internet no domicílio cresceu 20,7%, ao passar de 29,1 milhões para 35,1 milhões. O Ibope considerou como usuário ativo pessoas com dois anos ou mais de idade que utilizaram pelo menos uma vez em março computador com internet.

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) prevê um incremento ainda maior no universo dos usuários de internet do país. A meta do governo é massificar, até 2014, a oferta de acessos banda larga e promover o crescimento da capacidade da infraestrutura de telecomunicações do país. Para isso, o Ministério das Comunicações pretende definir, até o fim de junho próximo, um plano de metas para oferecer internet em larga escala por R$ 35. Com esse valor, o Plano levara acesso à internet a 70% da população brasileira.

Velocidade da conexão

Os dados do Ibope apontam que a evolução do uso da internet em domicílios vem ocorrendo nas conexões de maior capacidade. Nos últimos meses, houve aumento do número de usuários nas conexões mais rápidas, enquanto caiu a participação das conexões de até 512 Kb.

O número de pessoas que usaram em março de 2011 uma conexão residencial de mais de 8 Mb, segundo o critério de aferição de banda larga adotado na pesquisa, foi de 1,9 milhão, ou 5,5% dos 35,1 milhões de usuários ativos domiciliares. A participação das conexões mais lentas, de até 128 Kb, caiu de 13,3% em março de 2010 para 7% em março de 2011.

Inclusão

No início da semana passada, na coluna Conversa com a Presidenta, Dilma Rousseff afirmou que a velocidade oferecida pelo PNBL será superior a 1 Mbps. A presidenta disse também “que a expansão do acesso a este serviço estimula o desenvolvimento e a inclusão social, e é também uma forma de combater as desigualdades no país”.

“Queremos internet de alta velocidade para todos os brasileiros, sejam eles do campo ou das cidades, morem em bairros ricos ou nas periferias, cidades grandes ou pequenas”, completou.

terça-feira, 26 de abril de 2011

blog do miro - "A banda larga é um direito seu"

Reproduzo documento que será lançado hoje em vários estados:

Banda Larga é direito de todas e todos, independentemente de sua localização ou condição sócio-econômica. O acesso à internet é essencial porque permite o mergulho na rede que integra diferentes modalidades de serviços e conteúdos, funcionando como um espaço de convergência de distintas perspectivas sociais, culturais, políticas e econômicas.



Elemento central na sociedade da informação, a inclusão digital, entendida de forma ampla, é condição para a concretização de direitos fundamentais como a comunicação e a cultura e se coloca como passo necessário à efetiva inclusão social, já que ela é essencial para o desenvolvimento econômico do país. A internet incrementa a produtividade e gera riquezas, sendo fator de distribuição de renda e de redução de desigualdades regionais.

Nós, organizações da sociedade civil e ativistas envolvidos no debate da democratização da comunicação e da produção colaborativa da cultura, reconhecemos a relevância das metas e políticas presentes no Plano Nacional de Banda Larga, sendo imprescindível, contudo, avançar.

Mais, é necessário que se faça uma vigília permanente para que as políticas de banda larga estejam pautadas no interesse público, o que já sofre reveses. Os rumos recentes tomados pelo governo reforçam o abandono da ideia de serviço público como concretizador de direitos e privilegia soluções sob uma lógica de mercado.

Com base no acúmulo conquistado nas Conferências Nacionais de Comunicação e Cultura, no Fórum de Cultura Digital e nas articulações relativas à constituição do Marco Civil da Internet e à reforma da Lei de Direitos Autorais, apresentamos as seguintes propostas guia e suas ações:

1. EFETIVA PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL NO PROCESSO DE INCLUSÃO DIGITAL

Rever a participação da sociedade civil no Fórum Brasil Conectado, ampliando a sua representação e democratizando seu processo de escolha;

Convocar, em conjunto com entidades da sociedade civil, um Fórum Participativo de Acompanhamento do Plano Nacional de Banda Larga, criando canais legítimos e públicos de consulta mútua que permitam a efetiva participação da sociedade nos processos decisórios do Plano;

Criar mecanismos públicos de consulta que contemplem a convergência de
mídias e redes sociais buscando de todas as formas a tradução do debate para toda população.

2. PRESTAÇÃO DA BANDA LARGA SOB REGIME PÚBLICO

Reconhecer o caráter essencial da banda larga, definindo-o como serviço público, sujeito a metas de universalização, controle de tarifas garantindo seu baixo valor, obrigações de continuidade voltadas à sua prestação ininterrupta e garantia da prevalência do interesse público na utilização da infraestrutura necessária ao serviço;

Integrar ações das esferas Federal, Estadual e Municipal para universalização da Internet da banda larga, possibilitando o acesso de qualquer pessoa ou instituição ao serviço e otimização do uso da infraestrutura, inclusive por meio da reserva de espaço eletromagnético livre de licenças para aplicações comunitárias;

3. GESTÃO PÚBLICA DAS REDES PARA GARANTIR A IGUALDADE ENTRE PROVEDORES E O INGRESSO SUSTENTÁVEL DE NOVOS AGENTES

Implementar mecanismos de controle público da gestão das redes, garantindo o acesso não discriminatório e competitivo à infraestrutura;

Utilizar a Rede Nacional na geração de maior competição a partir da entrada de pequenos e médios provedores, bem como efetivar políticas de incentivo e financiamento possibilitando a sustentabilidade dos mesmos;

Democratizar as licenças para prestação do serviço de banda larga fixa
(Serviço de Comunicação Multimídia) no âmbito do PNBL, permitindo que qualquer organização, inclusive as sem fins lucrativos, possa recebê-las;

Efetivar a prestação do serviço ao usuário final pela Telebrás;

Incentivar o uso de tecnologias diversificadas para distribuição da última milha (wi fi, wi max, eletricidade, redes mesh, incorporando novas tecnologias que surjam ao longo do tempo);

Regular a utilização do espectro livre, espaços inutilizados do espectro para evitar interferências na transmissão analógica de televisão, permitindo a sua utilização por cidadãos e comunidades;

Fortalecer instrumentos de regulação e fiscalização com independência em relação ao mercado, participação social e atuação rápida e eficaz, não só com relação à competição, mas também quanto à qualidade do serviço. Estes instrumentos devem atuar sobre todo o sistema, incluindo a Telebrás, grandes e pequenos provedores privados;

4. AMPLIAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE PARÂMETROS DE QUALIDADE DA BANDA LARGA

Delimitar as condições de prestação adequada do serviço por meio de critérios objetivos que visem à efetiva proteção do consumidor e a utilização das redes em toda a sua potencialidade;

Assegurar o atendimento adequado ao consumidor e a não abusividade na
publicidade e nos contratos, com especial atenção ao cumprimento do dever de informação;

Garantir a paridade de banda para download e upload, imprescindível para o uso multimídia alternativo, fiscalizando o cumprimento das taxas de transmissão contratadas e disponibilizando meios tecnológicos para verificação deste cumprimento pelo próprio usuário;

Definir a proteção à privacidade e à liberdade de expressão e de acesso a conteúdos como parâmetros de qualidade do serviço, em consonância às previsões do Marco Civil da Internet e à discussão do anteprojeto de lei de proteção de dados;

Assegurar a neutralidade da rede, propiciando o acesso igualitário a serviços, aplicativos e informações a todas e todos ao impedir interferências discriminatórias das operadoras na velocidade de navegação;

Implantar no PNBL velocidades de download e upload compatíveis com os
conteúdos e aplicações disponíveis na rede, que realmente possibilitem o cidadão ser um agente do processo de produção da cultura digital.

5. APOIO À CULTURA DIGITAL

Estimular a Cultura Digital, Software Livre, Transparência e Princípios da construção colaborativa de conteúdos (ex: wiki);

Promover o uso da rede para produção, compartilhamento e distribuição de conteúdos, por meio de políticas públicas para produção de conteúdos culturais, científicos e educacionais, bem como o apoio a licenciamentos livres e à reforma da Lei de Direito Autoral;

Definir políticas concretas de fomento e desenvolvimento da indústria de inovação cutural e aplicações web baseadas em conteúdos culturais;

Estimular entidades e iniciativas voltadas à Alfabetização Digital, incluindo escolas de todos os níveis, Lan Houses e Programas de Inclusão dos governos e sociedade civil, possibilitando a apropriação e qualificação do uso da rede;

Criar espaços de acesso público e comunitário gratuito inclusive através de redes abertas (WI FI);

Incentivar a integração de acessos comunitários de ações do governo telecentros, pontos de Cultura, acessos abertos por redes sem fio municipais) com a sociedade civil, englobando um conjunto de iniciativas públicas do Terceiro Setor na área de Cultura Digital e iniciativa privada.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Desconstruindo cinco mitos sobre o futuro do jornalismo - observatório da imprensa

em 14/4/2011


Em artigo no Washington Post [7/4/11], o jornalista Tom Rosenstiel, diretor do Projeto para Excelência em Jornalismo, do Pew Research Center, analisou cinco mitos sobre o futuro do jornalismo. "Há poucas coisas que os jornalistas gostam de debater mais do que eles próprios e as perspectivas para sua indústria", diz. "Por quanto tempo os jornais impressos vão sobreviver? Os sites agregadores de notícias são o futuro? Ou seria a cobrança por acesso online o caminho a se seguir?" são algumas das principais perguntas quando se fala em futuro do jornalismo.

Vamos aos mitos:

* Os veículos tradicionais estão perdendo seu público

Acreditava-se que a ascensão da internet e das publicações online significaria a perda dos leitores e telespectadores dos veículos de mídia tradicionais. Sim, a migração aconteceu. Em 2010, segundo uma pesquisa do Pew Research Center, a internet ultrapassou pela primeira vez os jornais como meio onde os americanos buscam suas notícias regularmente – 46% dos entrevistados disseram que buscam notícias online pelo menos três vezes por semana, e 40% disseram ler jornais com a mesma frequência.

Mas...

Os consumidores de notícias online buscam suas informações, na grande maioria, em sites de fontes tradicionais. Dos 25 sites de notícias mais populares nos EUA, 23 são páginas de veículos tradicionais como jornais e emissoras de TV – New York Times e CNN, por exemplo – ou agregadores de notícias de veículos tradicionais, como Google News ou Yahoo. Dos cerca de 200 sites de notícias com maior tráfego, 81% fazem parte da mídia tradicional ou dos agregadores de suas notícias.

* O jornalismo online ficará bem com o aumento da receita publicitária

Em 2010, a publicidade na internet nos EUA ultrapassou pela primeira vez a publicidade impressa, chegando a US$ 26 bilhões. Mas apenas uma pequena fração deste dinheiro foi para as organizações de notícias. A grande parte foi para ferramentas de busca – em especial, o Google.

Segundo Rosenstiel, a indústria de jornais ilustra bem o problema: enquanto metade do público migrou para os jornais online, a indústria impressa teve, no ano passado, receita publicitária de US$ 22.8 bilhões, e a receita gerada pelos jornais online foi de US$ 3 bilhões. "Em décadas passadas, o jornalismo teve sucesso porque as notícias eram a principal forma da indústria alcançar seus consumidores. No novo cenário midiático, há muitas outras maneiras de atingir seu público, e as notícias representam apenas uma pequena parcela", diz.

* O conteúdo sempre irá reinar

No século 20, a lógica era simples: produza o jornalismo (ou o conteúdo) que o público quer, e você terá sucesso. No século 21, esta situação mudou. Ao que parece, terá sucesso quem tiver o maior conhecimento sobre o comportamento da audiência, e não quem produzir o conteúdo mais popular. Entender quais sites as pessoas visitam, qual conteúdo veem, quais produtos compram e até mesmo suas coordenadas geográficas permitirá que anunciantes foquem melhor nos consumidores individuais. E este conhecimento ficará mais com empresas de tecnologia do que com produtoras de conteúdo.

* A tiragem dos jornais em todo o mundo está em declínio

A tiragem impressa mundial subiu mais de 5% nos últimos cinco anos e o número de jornais está crescendo. Enquanto sofre nas nações ricas, a mídia impressa floresce no mundo em desenvolvimento – em parte por conta do crescimento da alfabetismo, da expansão da população, do desenvolvimento econômico e da baixa penetração da banda larga. Na Índia, por exemplo, a população está crescendo e se tornando mais letrada, mas uma grande parcela ainda não está online.

* A solução é focar nas notícias locais

Há alguns anos, surgiu a ideia de que veículos menores tinham que se concentrar nas notícias locais, já que, com a internet, as pessoas podem acessar informações de qualquer lugar do mundo. Desta forma, não fazia mais sentido tentar competir com grandes empresas de comunicação. O problema com o conteúdo "hiperlocal" é seu apelo limitado, diz Rosenstiel. Sem mercado de massa, com poucos anunciantes e muito pouco lucro.

"Deve se cobrar pelo conteúdo online? É possível construir um modelo em que jornalistas profissionais contam com a ajuda de amadores, com salários mais baixos, para produzir reportagens abrangentes? Ou seria a solução algo como o Patch, da AOL, em que centenas de sites hiperlocais pertencem a uma única companhia que conecta os leitores aos grandes anunciantes?".

Até agora, ressalta ele, ninguém conseguiu descobrir como produzir notícias locais online com lucro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

blog do miro - Programa do encontro de blogueiros do PR

Reproduzo matéria da página dos blogueiros progressistas do Paraná:

Data: 09 e 10 de abril de 2011.

Local: Hotel Trevi, Curitiba, PR

Sábado - 09/04

Manhã

9:00 - Abertura

9:30 - Painel: A importância do jornalismo no blogs e os desafios de se construir novos meios de comunicação eletrônicos

Beto Almeida - Diretor da Telesur

Antônio Jordão Pacheco Yn - Diretor de Programação da TV dos Trabalhadores

11:00 - Debate em Plenário

12:30 - Almoço

Tarde

14:00 - Painel: Mídia, eleições 2010 e os desafios para a blogosfera

Altamiro Borges - Coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”

Vito Giannotti - Coordenador do NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação

15:30 - Debate em Plenário

18:00 - Encerramento do dia

Domingo - 10/04

Manhã

09:00 - Conteúdo local e sua ligação com os temas regionais, estaduais e nacionais

Esmael de Moraes - Blog do Esmael

Hemerson Baptista - Blog VivaSamas

10:00 - Debate em Plenário

11:00 - Trabalho em grupos

1. Liberdade de Expressão e Internet

2. A internet, a cidadania e Movimentos Sociais

3. A experiência dos organizações sociais e populares com internet

4. Plano Nacional de Banda Larga, a Banda Larga Pública

5. A nova regulamentação das mídias e estratégias de mobilização para defesa das Liberdades e da Cidadania

6. Estratégias de formação de cidadãos ativos e conectados via internet

7. Conteúdo prioritário para os Blogs: O papel da Narrativa, da Pesquisa, da Informação e da Opinião

13:00 - Almoço

Tarde

15:00 - Apresentação dos grupos

16:00 - Decisões do Encontro Estadual.

terça-feira, 29 de março de 2011

política - blogueiros Beto Richa persegue blogueiro do Paraná - blog do miro

Reproduzo matéria de André Cintra, publicada no sítio do Barão de Itararé:

Não é por “problemas técnicos” que, volta e meia, o blog do jornalista Esmael Morais (http://esmaelmorais.com.br) sai do ar. A página, uma das mais influentes do Paraná, sofre ataques à margem da lei do governador Beto Richa (PSDB) — que não suporta a publicação de nenhum tipo de crítica ou mesmo notícia que lhe seja desfavorável.

Richa promove uma versão alternativa do modo tucano de reprimir jornalistas independentes. O expoente maior dessa tradição tucana é o ex-governador José Serra. Se um jornalista da grande mídia o incomoda com perguntas indesejáveis, Serra não pensa duas vezes: telefona para o dono da empresa e pede a demissão do desavisado entrevistador.

No caso dos blogueiros — que não têm patrão —, o ex-governador se limita a lançar infâmias contra eles, tachando os blogs progressistas de “falanges do ódio”, “sujos”, entre outros rótulos. Beto Richa também partilha da estratégia de patrulhar a imprensa e ofender a blogosfera — mas, como não tem tanto apoio midiático quanto Serra, faz parcerias é a com a Justiça.

Um tema particularmente constrangedor para o tucano — e corajosamente denunciado pelo Blog do Esmael — diz respeito ao chamado Comitê Lealdade. Em 2008, quando Richa disputou a reeleição à Prefeitura de Curitiba, o PRTB decidiu apoiar Fabio Camargo (PTB). De uma hora para outra, 23 candidatos a vereador do partido desistiram da candidatura, anunciaram uma inusitada dissidência e organizaram a fundação de um comitê em apoio a Richa.

Soube-se, meses depois, que a adesão foi paga com caixa 2 (dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral) e cargos na gestão municipal. O chefe do esquema era Alexandre Gardolinski, que foi pessoalmente indicado por Richa e se responsabilizou pelos pagamentos — em espécie. O Comitê Lealdade parecia funcionar como fachada.

Em depoimento ao Ministério Público Regional Eleitoral do Paraná, o empresário Rodrigo Oriente — um dos arrecadadores do Comitê Lealdade — denunciou a participação pessoal de Beto Richa na negociata. O órgão confirmou a existência de Caixa 2, mas inocentou o prefeito — apesar de a Resolução 22.175/2008 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dizer que “os candidatos são responsáveis solidários por qualquer informação ou ilegalidade” na campanha.

Em 2010, depois de renunciar ao cargo para concorrer ao governo estadual, o tucano tentou emplacar na campanha a fama de “gestor moderno”. Mas a marca mais notória de sua candidatura foi a ofensiva judicial para proibir a divulgação de todas as pesquisas de intenção de votos que mostravam seu adversário, Osmar Dias (PDT), na liderança.

Ao mesmo tempo, Richa desencadeou a perseguição a jornalistas independentes e à mídia alternativa. “Ele já me tirou do ar duas vezes. A censura ao blog começou durante a campanha de 2010”, diz Esmael. O blog reconstituía as denúncias do Comitê Lealdade e refrescava a memória do eleitor paranaense. “Não fui só eu que disse que houve desvio de dinheiro para comprar políticos. As acusações apareceram até no Fantástico e derrubaram integrantes do alto escalão da Prefeitura.”

Por decisão de um Judiciário local sempre simpático a Beto Richa, Esmael teve de apagar “postagens ofensivas” ao tucano. Para todos os efeitos, o blogueiro aproveitou o próprio blog para denunciar Richa na ocasião:

"Eu, Esmael Morais, comunico a todos os internautas que por livre vontade visitam o meu blog que medida liminar deferida em ação intentada pelo Sr. CARLOS ALBERTO RICHA (CANDIDATO DO PSDB AO GOVERNO DO ESTADO) determinou a retirada do meu blog de todo conteúdo que considerou ofensivo ao autor. A decisão tem um alcance ilimitado e considero humanamente impossível verificar mais de 20 mil postagens. Isto levaria semanas ou talvez meses.

"Assim, em razão da decisão não indicar expressamente quais as inserções seriam ofensivas, e diante da ameaça de imposição de multa e retirada do site do ar, decidi, por cautela, suspender as inserções até que seja delimitado o alcance da decisão.

"Estou adotando as medidas judiciais para revisão da referida liminar, ingressando com os recursos cabíveis, de modo a continuar expressando a minha opinião".

“Como eram mais de mil publicações sobre o Richa, pedi para o juiz determinar o que é e o que não é ofensivo. No final, sob ameaça de receber multa de R$ 10 mil por dia, tive de retirar umas 500 postagens, a maioria sobre o Caixa 2”, recorda-se.

Foi tão-somente o começo de uma férrea perseguição. Segundo Esmael, Richa passou a atacar a empresa Locaweb, que, coagida, suspendeu a hospedagem do blog. “Consultei especialistas: só é permitido retirar um blog do ar quando a publicação de conteúdos é anônima. Mesmo assim, fui censurado.”

O jornalista trocou a Locaweb pela americana Just Host em outubro de 2010— mas a repressão não cessou. Na semana passada, a pedido dos advogados do governador, a Just Host tirou do ar, por alguns dias, o Blog do Esmael — o jornalista estaria movendo uma “campanha de ódio” ao tucano. “O governador censura porque não quer ser alvo de críticas. É uma violência, um crime. Ele pode procurar a Justiça, mas jamais atentar contra o Estado Democrático de Direito.”

O caso Esmael já repercute na blogosfera, em emissoras paranaenses de rádio e até na grande mídia. “Conversei longamente, na última sexta, com a repórter Estelita Carazzai, da Folha — mas, até agora, não saiu nada.”

O jornalista promete levar sua causa ao 1º Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas do Paraná, que ocorre nos dias 9 e 10 de abril, em Curitiba. “Num dos painéis do encontro, sobre censura, defenderei a construção de um sistema de hospedagem blindado e imune, com gestão pública”, diz. “Para fazermos blogs políticos que desagradem ao status quo, não podemos ficar reféns dessas empresas privadas, geralmente associadas ao capital estrangeiro.”

segunda-feira, 28 de março de 2011

internet - 56 milhões de brasileiros ainda não têm acesso ao serviço móvel

Redação - Convergência Digital
16.03.2011

A América Latina vai ultrapassar a marca de 100% de penetração móvel ao final do primeiro trimestre de 2011, de acordo com a Informa Telecoms & Media. Entretanto ainda há 178 milhões de pessoas sem acesso aos serviços de telefonia móvel, o que representa 30% da população.

O Brasil, que é o maior e mais importante mercado de telefonia móvel da região, já ultrapassou a barreira de 100% de penetração e a marca de 200 milhões de assinantes ao final de 2010. Com 105% de penetração em Dezembro de 2010, o Brasil é agora o 6º maior mercado do mundo com 206 milhões de assinantes e o 7º maior em termos de receita.

“Passar 100% de penetração é um grande marco para a indústria móvel, mas é importante ressaltar que isso não significa que todos na América Latina possuem um celular”, afirma Daniele Tricarico, analista senior da Informa Telecoms & Media.

“As taxas de penetração chegam a 120% ou acima em algumas áreas urbanas, nas quais usuários possuem mais de uma linha, mas em áreas rurais, as taxas de penetração caem para 60% ou menos, principlamente devido a falta de cobertura. Enquanto a indústria celebra a quebra da barreira de 100% de penetração na região, as operadoras móveis ainda devem expandir a cobertura e inovar para deixar os serviços móveis mais acessíveis", completa a analista.

Na América Latina, cerca de 27% do total de 568 milhões de assinantes, incluindo banda larga móvel, são classificados como assinantes múltiplos, ou seja, possuem mais de um SIM card ou possuem um dispositivo móvel, além do telefone celular. Neste número de assinantes também está incluída a dupla contagem, que ocorre quando o cliente muda de operadora.

Isto contrasta com a América do Norte (Estados Unidos y Canadá), onde apesar da penetração estar abaixo de 93%, múltiplos SIM, dispositivos móveis e dupla contagem atingem apenas 14% do total da base de assinantes. Com uma menor renda disponível e alta penetração de pré-pago, que representa mais de 80% da base total de clientes da América Latina, os clientes tendem a trocar o SIM card para se beneficiarem dos melhores preços dependendo da operadora e período do dia.

"Ao mesmo tempo, um número crescente de clientes de alto valor estão aderindo a banda larga móvel aos seus serviços de voz, muitas vezes complementar a sua assinatura de banda larga fixa, mas cada vez mais como sua primeira opção de banda larga. Como resultado, mais consumidores tendem a ter assinaturas múltiplas", salienta Daniele Tricarico.

O rápido crescimento do mercado brasileiro de serviços móveis, que sozinho representa 36% do total de assinantes da América Latina, está impulsionando a penetração total da região. Entretanto, ao final de 2010, o Brasil possuía 56 milhões de pessoas sem qualquer tipo de serviço móvel.

“Nestes 56 milhões de pessoas estão incluídos a população jovem abaixo de 15 anos e idosa”, acrescenta Tricarico, “mas também conta com uma porção da população que, apesar da queda dos das tarifas devido ao aumento da competição, ainda não podem gastar com serviços móveis. O fato é que a taxa de penetração pode ser um indicador distorcido se não forem considerados outros fatores como o número de usuários únicos.”

A divisão entre área urbana e rural é outro aspecto importante pare se levar em consideração quando se analisa a penetração da América Latina. “Adicionalmente a tendência de mútiplos SIM, não se pode esquecer que todos os mercados da América Latina concentram os assinantes em áreas que são melhores atendidas pelas operadoras, que são as áreas urbanas mais desenvolvidas”, salienta a analista.

No Brasil, exemplifica, as áreas mais ricas como São Paulo e Rio de Janeiro, atigiram o patamar de 123% e 116% de penetração, mas as áreas rurais menos desenvolvidas possuem taxas de penetração inferior a 60%, como o estado do Maranhão, e áreas mais isoladas como o Amazonas, inferior a 23%.

"A boa notícia é que a conectividade nas áreas rurais está melhorando rapidamente. Com a saturação de mercado nas áreas urbanas, as operadoras reconhecem que a nova oportunidade de crescimento vem da expansão da cobertura móvel, incluindo a banda larga móvel, para as áreas rurais", observa analista da Informa.

domingo, 27 de março de 2011

internet CIÊNCIA - Profeta do iPocalipse

A internet no banco dos réus

RESUMO
O excesso de informações oferecidas na internet tem causado impacto negativo na nossa capacidade de reter informações, tornando-nos "rasos", segundo o jornalista Nicholas Carr no livro "The Shallows". Cientistas brasileiros comentam a tese de Carr e especulam sobre as consequências cerebrais de um mundo saturado de dados.

BERNARDO ESTEVES

HÁ TEMPOS VOCÊ não encara um livro de mais de 500 páginas. Na internet, evita artigos longos e, quando decide ler um, carrega na barra de rolagem e pula longos blocos de texto. É incapaz de manter a concentração por mais de dois parágrafos. Interrompe a leitura para visitar alguma das outras janelas em que está navegando simultaneamente. Antes de prosseguir, checa seu e-mail, vai ver um vídeo que recebeu de um amigo, responde um SMS que chegou pelo celular e confere as últimas atualizações das pessoas que acompanha no Twitter ou no Facebook.
A cena é típica entre usuários intensivos da internet. Desatenção e falta de foco são o custo cognitivo da imersão prolongada em um ambiente dispersivo como o da web - um grande "ecossistema de tecnologias da interrupção", na definição do blogueiro canadense Cory Doctorow. Mas pode sair bem mais salgada a conta a se pagar pela nossa adoção irreversível da internet, na avaliação do jornalista americano Nicholas Carr. Em seu último livro, ele argumenta que a rede está mudando -para pior- a forma como pensamos e a própria estrutura e funcionamento do nosso cérebro. Para ele, estamos nos tornando leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos.

SUPERFICIAIS Essa é a tese central de "The Shallows -What the Internet Is Doing to our Brains" ("Os Superficiais- o que a Internet Está Fazendo com nossos Cérebros"), a ser lançado no Brasil pela Ediouro. O livro leva adiante uma questão polêmica que ele levantou em um ensaio de grande repercussão na revista The Atlantic: "O Google está nos deixando mais burros?" Desde a publicação do artigo, em 2008, Carr vem acumulando argumentos para convencer seu leitor de que sim.
Ele sustenta que a internet está promovendo mudanças celulares em nosso cérebro, fortalecendo certos caminhos neurais e enfraquecendo outros. Uma das primeiras evidências que apresenta para sustentar sua tese é um estudo realizado em 2009 na Universidade da Califórnia em Los Angeles.
A equipe do psiquiatra Gary Small usou a técnica de ressonância magnética funcional para monitorar o cérebro de internautas iniciantes e experientes enquanto liam on-line e faziam buscas no Google. Os resultados mostraram que, nesse segundo grupo, as buscas no Google levavam à ativação de áreas cerebrais ligadas à tomada de decisões e ao raciocínio complexo.
Esse aumento da atividade cerebral não chega a representar uma surpresa. "O uso da web envolve atenção, aprendizagem, memória, tomada de decisões -é plausível que acarrete mudanças anatômicas no cérebro", avalia o neurocientista Roberto Lent, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

CÉREBRO MUTANTE Estranho seria que não houvesse qualquer mudança. Modificar o cérebro não é um privilégio da internet -acontece com qualquer processo de aprendizagem. "Quando você aprende a dirigir, uma área do seu cérebro que não era ativada vai se ativar", compara o neurocientista Martín Cammarota, do Centro de Memória da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). "O mesmo acontece com quem aprende a montar um quebra-cabeça, a fazer café ou a usar o Google."
Por definição, uma maior atividade cerebral não é ruim -pelo contrário. O próprio Carr reconhece que o uso da internet estimula a inteligência visual e espacial. Mas ele alega que isso se dá em detrimento da capacidade de análise, reflexão e pensamento crítico. Ele cita alguns estudos experimentais para caracterizar o suposto efeito deletério do hipertexto e da internet sobre a apreensão e memorização de informações.
Um trabalho de 2003 realizado por uma dupla de pesquisadores da Universidade Cornell avaliou o desempenho de estudantes após assistirem a uma conferência. Alunos que puderam consultar seus laptops e navegar na internet durante a palestra tiveram nota pior que a daqueles que não puderam abrir seus computadores. Outros estudos avaliaram o desempenho de alunos em um teste de compreensão de um mesmo texto apresentado ora em versão linear, ora em formato hipertextual, com links, imagens e recursos de multimídia. A performance dos alunos que leram o texto corrido era significativamente melhor -a nota era inversamente proporcional ao número de links do texto.

EXPLOSÃO DE ESTÍMULOS A interpretação desses resultados é questionada pela neurocientista da UFRJ e colunista da Folha Suzana Herculano-Houzel. "Dizer que o aproveitamento do conhecimento é superficial na internet é uma visão muito enviesada", avalia. "Seria preciso perguntar a essas pessoas quanto elas aprenderam sobre os conteúdos pesquisados nos links que visitaram. A riqueza de informações associadas ao conteúdo estudado torna a experiência de leitura na web muito mais profunda do que superficial." Para a pesquisadora, a explosão de estímulos da internet favoreceria também a memorização.
"Quanto mais elementos você tiver para associar a uma informação nova, mais chance terá de fixar uma memória rica e detalhada."
A alegação de Suzana -uma entusiasta da internet, blogueira e consumidora de primeira hora de gadgets como o Kindle ou o iPad- vai na contramão do que sustenta o livro de Nicholas Carr. Para ele, a leitura dispersiva que fazemos na web compromete o processo que faz com que uma informação se transforme em uma memória duradoura. A consolidação das memórias pode ser impedida por fenômenos variados. Boxeadores que levam um soco caprichado, por exemplo, podem ter apagadas memórias de instantes anteriores ao golpe.
Para Carr, os tuítes, torpedos e e-mails que interrompem a leitura de um texto on-line podem ter um efeito similar ao de um bom cruzado no queixo sobre a consolidação das memórias. "A web é uma tecnologia do esquecimento", afirma, categórico.
A comparação decerto é exagerada. "É complicado comparar um traumatismo mecânico e outro de natureza cognitiva", avalia Roberto Lent. "Não creio que haja evidências de um dano físico dos circuitos cerebrais devido ao uso da internet."
Seja como for, a memorização de uma informação depende da atenção dedicada a ela no momento da aquisição. E a multiplicidade de estímulos da internet não favorece exatamente a concentração. Podemos navegar em várias janelas ao mesmo tempo, mas não temos o hardware necessário para processar simultaneamente tantas solicitações paralelas. Trocando em miúdos, nosso cérebro não é "multitask".
"Só conseguimos prestar atenção em uma coisa de cada vez, por uma limitação intrínseca ao cérebro", explica Suzana Herculano-Houzel. Mas ela não enxerga nisso uma ameaça a nosso desempenho cognitivo.
"Estamos sempre fazendo esse processo de filtragem e seleção daquilo em que vamos prestar atenção, com ou sem computador. Alguém que esteja estudando off-line alterna a atenção entre suas anotações, o livro que está lendo, a música ao fundo, o telefone que toca, uma pessoa que passa", compara.

RETROCESSO Já para Nicholas Carr, a cultura do multitask característica da internet representa uma ameaça à tradição da leitura profunda e solitária. A web estaria formando leitores incapazes de manter a atenção sustentada e de processar textos de fôlego. Para ele, o novo padrão de leitura imposto pela internet é um retrocesso em nossa história cultural. "Estamos deixando de ser cultivadores do conhecimento pessoal para nos tornar caçadores e coletores na floresta eletrônica de dados." Carr teme que a leitura concentrada volte a ser o hábito restrito a uma elite intelectual. A era da leitura em massa, aposta, terá sido apenas "uma breve anomalia em nossa história intelectual".
A visão apocalíptica de Carr foi contestada em artigo publicado no "New York Times" pelo psicólogo evolutivo canadense Steven Pinker, professor da Universidade Harvard. Para ele, se a internet fosse tão nociva para a nossa inteligência, não estaríamos vivendo um período de grande florescimento das ciências, da filosofia, da história e da crítica cultural.
O neurocientista Sidarta Ribeiro, pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), se alinha com a visão de Pinker. "A internet é extremamente libertadora para a ciência, para a democracia e para a sociedade. Mas a gente talvez ainda não saiba usar direito."
Usuário intensivo da web, Sidarta afirma que seu uso nos torna "viciados em novidade" e admite que precisa se esforçar para passar um domingo off-line ou para não ler e-mails no celular. "A rede é um ambiente riquíssimo, mas gera angústia, ansiedade e muitas decisões apressadas -a quantidade de coisas disponível pra ler é muito alta e o tempo de reflexão está diminuindo." Para Sidarta, autodisciplina é a chave para um uso razoável da internet. "É preciso saber se abster."
Já Martín Cammarota concorda com a afirmação que motivou o livro de Nicholas Carr -estamos de fato nos tornando mais rasos. Mas ele prefere enxergar na web um reflexo da ligeireza da cultura contemporânea, mais do que a raiz do mal. "A internet é só um sintoma da superficialidade da nossa vida, na qual cada vez mais se valoriza a forma em detrimento do conteúdo. Para ele, o problema reside mais em como usamos a rede. "Se você vai ao Google fazer uma pesquisa e se contenta com a leitura de um verbete da Wikipédia em vez de ir a uma biblioteca, o problema é seu, não da internet."

Estamos nos tornando leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos

Se a internet fosse tão nociva, não estaríamos num período de florescimento das ciências, da filosofia, da história e da crítica, segundo Pinker

sexta-feira, 25 de março de 2011

Extinção do jornalismo como uma profissão - blog do nassif

Enviado por luisnassif, qui, 24/03/2011 - 19:22
Autor: http://bit.ly/gLiuT4
Por Adir Tavares
Tradução do Google.

Dois bits de informação me chamou a atenção esta semana. A primeira foi publicada pela AFP e remetido à chamada união forte de 26 mil trabalhadores da imprensa dos EUA, O Sindicato dos Jornalistas, em contribuintes para o Huffington Post a parar de oferecer conteúdo gratuito para o site (!).

"Assim como gostaríamos de pedir que os escritores firmes e não cruzar uma linha de piquete física, pedimos que honram este piquete eletrônico", a guilda disse em um comunicado.

"Nós sentimos que é antiético esperar profissionais treinados e qualificados para contribuir com conteúdo de qualidade para nada", disse a guilda. "Trabalhar de graça não é beneficiar os trabalhadores e prejudica um jornalismo de qualidade".



Uau. Eles devem realmente começar a sentir como os dinossauros, revertendo a medidas desesperadas para defender seu território jornalístico. Para quem não ouviu falar sobre o Huffington Post , é uma coleção de blogs gratuitamente, em uma variedade de tópicos, que atraem um grande público em todo o mundo o que permite a monetização do conteúdo com publicidade on-line - isso funciona no mesmo princípio básico como qualquer jornal, mas em um ambiente online. Recentemente, foi adquirida pela AOL por US $ 315 milhões.

Não me interpretem mal. Eu realmente sinto para as pessoas que podem ter sido envolvido na indústria por muitos anos e agora enfrentam rápidas mudanças no ambiente em que eles não sabem como adaptar. O modelo de negócio dos seus patrões estão em execução está sob a ameaça extrema e isso pode significar muitos terão que deixar a indústria e procurar outro trabalho. Triste, mas na verdade esse é o preço do progresso e do que aconteceu a muitas profissões no passado.

Esta notícia passou relativamente despercebida, mas destaca a atitude que a indústria de mídia, como um todo, tem em relação aos outros participantes na mídia / área editorial: dividindo-as em "verdadeiros jornalistas" e os impostores. E, novamente, demonstrando uma incapacidade de compreender que as mudanças são o resultado da globalização e mudanças estruturais subjacentes - o que resulta em redução na rentabilidade e níveis de receita em comparação com o passado.

O jornalismo está se tornando um pouco de uma mercadoria - a palavra não descreve uma ocupação, mas sim uma atividade que qualquer pessoa pode fazer em um tempo de reposição. (Qualquer um que tenha uma opinião! E não necessariamente esperar qualquer recompensa monetária para fazê-lo).

Então, o que é realmente uma definição de jornalismo? O dicionário Webster define o jornalismo como: "o trabalho de coleta, redação, edição e publicação ou divulgação de notícias, como através de jornais e revistas, ou por rádio e televisão". O American Heritage Dictionary de Inglês tem uma definição muito semelhante. Webster segue o mesmo padrão. Australiano Macquarie Dictionary não é diferente ... Mas Dicionário Inglês Collins coloca uma perspectiva mais ampla, um pouco sobre o termo: "1. (Comunicação Artes / Jornalismo e Editoração) da profissão ou exercício da reportagem sobre, fotografar, ou as notícias em edição de um dos meios de comunicação de massa ". Isso significa que, se estender a definição de meios de comunicação social para incluir a internet , o jornalismo pode se relacionar a publicação online também.

E essa visão mais ampla do jornalismo está ganhando o reconhecimento ao mais alto nível, pelo menos na Austrália, o que me leva à segunda notícia de significância. Conforme relatado por Mumbrella , A Casa dos Representantes leis apoiado a assegurar que qualquer pessoa envolvida na produção de notícias - independentemente do local onde trabalho - pode procurar uma fonte para evitar ser identificado. Em outras palavras, "leis de proteção" dará blogueiros e tweeters dos mesmos direitos que jornalistas profissionais para proteger suas fontes. E o mais importante, a notícia foi bem recebida por jornalistas, o sindicato, os Media, Entertainment & Arts Alliance, como "inovador". Podemos ser "para baixo", mas no topo em termos de pensamento progressista. É uma indicação de que a indústria local parece ser muito melhor em sintonia com o meio ambiente emergentes do que seus colegas no exterior. Também suscita alguma esperança de que o sector da comunicação social local tem uma boa chance de se adaptar às novas condições do mercado e encontrar um modelo de negócio rentável para assegurar o seu futuro a longo prazo. É verdade, com a recente aquisição de Alojamento portais reserva Fairfax pode ter exagerou um pouco na sua busca de diversificação para serviços transacionais ( isto . o que faz reserva de alojamento tem a ver com jornalismo?), mas pelo menos eles estão tentando ativamente idéias diferentes para encontrar o modelo certo para um negócio de mídia sustentável

terça-feira, 15 de março de 2011

internet - Publicidade on-line supera a de jornais - blog do miro

Por Altamiro Borges

Uma notícia deve ter apavorado os donos dos jornalões tradicionais. A receita com publicidade na internet cresceu 14% nos EUA e, pela primeira vez na história, ultrapassou a dos jornais impressos. O investimento na rede foi de US$ 25,8 bilhões, dois bilhões a mais do que na mídia impressa. Os números constam do relatório "State of the News Media" 2011, do PewResearch Center.

A Folha de hoje ainda tenta relativizar o impacto da notícia, insinuando que o problema é localizado. “O relatório mostra que a situação dos jornais nos Estados Unidos é pior do que no resto do mundo, tanto em termos de audiência quanto de receita. No mundo como um todo, as receitas estão em alta, puxadas pelos países em desenvolvimento, em especial a Índia. No Brasil, a circulação dos jornais cresceu 1,5% em 2010, e a receita com publicidade, 3,4% (para R$ 3,24 bilhões)”.

Tendência irreversível de queda

O argumento, no entanto, é falacioso. A Folha, que recentemente perdeu o posto de maior jornal em circulação no Brasil, ainda tenta lamber suas feridas. Ela não diz, por exemplo, que são os jornais populares e gratuitos que crescem no país – a tiragem dos jornalões continua em queda. Nos anos 1980, a Folha chegou a imprimir um milhão de exemplares – hoje não passa de 300 mil.

A ampliação do acesso à internet e o acirramento da competitividade no setor, com a proliferação de veículos gratuitos, têm sido fatal para os jornalões tradicionais. Eles continuam com influência na sociedade, pautando as emissoras de televisão e rádio e a própria política. Mas sua queda parece irreversível. Os EUA, tão adorados pela mídia colonizada, já sinalizam neste rumo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Comunique-se - internet - 40 milhões de brasileiros recorreram a blogs para se informarem na corrida presidencial - Os amigos do presidente Lula,

O internauta brasileiro é, no mundo, o que mais se informa através de blogs, segundo pesquisa da comScore, empresa que realiza estudos sobre internet.

A audiência dos blogs nacionais aumentou muito nas eleições do último ano, quando, entre outubro e novembro, 39,3 milhões de usuários acessaram conteúdo de blogs a respeito da corrida presidencial. Imagine quando a banda-larga chegar a mais domicílios.

7 em cada 10 brasileiros que tem acesso à internet, acessaram blogs em 2010

A pesquisa apurou que 71% dos brasileiros visitaram páginas de blogs durante 2010, enquanto no resto do mundo a média manteve-se em 50%.

O aumento no índice de leitura de blogs em 2010 por região:

Norte, Sudeste e Sul alavancaram 3 pontos percentuais, no Centro-Oeste a demanda cresceu de 70,7% para 74,3% dos internautas, mas foi entre os nordestinos que ocorreu o maior salto, de 72,8% para 77%. (Com informações do Comunique-se)

MUNDO DIGITAL - A internet como força mítica - Marcelo Gleiser -observatório da imprensa

em 8/3/2011

Reproduzido da Folha de S.Paulo, 6/3/2011; intertítulo do OI

O mundo, e em particular o Oriente Médio e o norte da África, está em polvorosa. Na Tunísia, no Egito e, agora, na Líbia, uma enorme mobilização social está levando a mudanças políticas dramáticas.

Cientistas políticos de naipes diversos preveem que essas ações marcam o começo de uma profunda transformação mundial, não apenas localizada no sul e leste do Mediterrâneo: uma democratização global, uma nova ordem, talvez semelhante em parte às revoluções que varreram a Europa em 1848.

A mobilização parte, principalmente, de jovens que vivem nas autocracias seculares de países muçulmanos -desempregados apesar de um bom nível educacional, desesperançados- que decidiram, corajosamente, redefinir seu destino com suas próprias mãos.

É bem verdade que o desfecho das manifestações nesses países, e possivelmente em outros (como Bahrein e Iêmen), permanece incerto. Por outro lado, o desejo de derrubar tiranos que estão no poder por décadas em regimes brutais está crescendo irreversivelmente e não será abafado pela violência.

Uma mobilização transnacional dessa grandeza seria inimaginável dez, ou mesmo cinco, anos atrás. Por trás das manifestações, unindo os descontentes, está a internet, em particular os programas de interação social Facebook e Twitter.

Jovens do mundo inteiro, de Bali à Rússia, do Quênia à Jordânia, trocam informações e criam alianças usando meios totalmente novos.

Resultados duradouros

Uma mensagem de texto tem precedência sobre um telefonema; uma mensagem no Twitter resume uma atividade ou um grito de ação comunitária; uma página no Facebook define valores sociais, laços familiares, grupos religiosos, esportivos, políticos, unindo pessoas, ganhando uma estatura mítica.

Penso na Grécia Antiga e no poder mítico da poesia de Homero, autor dos poemas épicos A Odisseia e A Ilíada, obras que definiam, em grande parte, o que significava ser grego em torno do século 7º a. C., quando a "Grécia" se espalhava em forma de ferradura desde o sul da Itália até o norte da África.

A poesia de Homero distinguia os valores de um povo, criando um senso de identidade. "Sou grego, pois Homero é meu bardo." Mitos unem povos, e os programas de interação social têm hoje uma força mítica.

Ser jovem é saber como participar no Twitter e no Facebook, é entender o novo código de conduta digital e segui-lo. Quando surgiu o rádio e, depois, a TV, muita gente achou que seria o fim da civilização. O mesmo com a internet e suas mídias sociais.

Na rede, a liberdade pode ser virtual, mas tem gosto de real. E aqueles que sentem o seu gosto, que veem a importância de pensar criticamente sobre a sociedade e a possibilidade de manifestar posições contrárias ao regime sem ser morto ou preso não querem ter as asas cortadas.

Ninguém poderia ter previsto que a invenção do Eniac, o primeiro computador eletrônico, de 1946, levaria ao PC, à internet, ao Facebook. Uma vez que uma ideia toma corpo, ela se espalha de formas imprevisíveis, redefinindo o possível.

Que a luta desses milhões de pessoas leve a resultados concretos e duradouros. Também querem contribuir na criação da nova ordem mundial. E têm todo o direito de buscar esse objetivo.

PLANETA BLOG
Os grandes aliados do jornalismo 2.0

Por Cleyton Carlos Torres em 8/3/2011


O jornalismo está vivendo um momento ímpar em sua existência. Toda aquela era digital em que se discutia o papel da imprensa finalmente está entre nós. O jornalismo já passou, ainda passa e irá passar por muitas modificações e impactos imputados pelo frenético mundo digital e suas novas formas de consumir conteúdo. Para muitos pesquisadores e profissionais da comunicação, o jornalismo, em si, nunca sofreu qualquer ameaça quanto à sua importância para com a sociedade. Para outros, tal profissão iria desaparecer porque com a era 2.0 o mundo todo começaria a produzir informação por conta própria e não mais haveria a necessidade de se manter redações ou profissionais altamente qualificados.

Porém, como é passível de observação, o jornalismo não acabou e não acabará. Sua função para com uma civilização moderna é tão essencial quanto comida ou água. Talvez essa seja uma afirmação que desagrade a muitos, mas não é de hoje que se pesquisa o homem como um ser informívoro, ávido por informação, necessitando dela tanto quanto de outras fontes de energia para o corpo humano.

Por outro lado, a farta oferta de conteúdo distribuído na rede tem deixado muito segmentos atônitos quanto ao que fazer com tanta informação. Primeiramente deve-se deixar bem claro que o número de pessoas que realmente produz na web é baixíssimo, pois a maioria dos usuários apenas replica informações geradas por outros. Outra coisa importante que deve ser destacada é quanto à qualidade do que é produzido, pois sabemos que há muita inutilidade e futilidade sendo compartilhada na rede mundial de computadores.

Filtro de conteúdo

Entretanto, mesmo separando o conteúdo sem qualidade do conteúdo verdadeiramente jornalístico, ainda temos uma grande gama de notícias, links, fotos, áudios, vídeos e reportagens sendo disseminados o tempo todo pelos usuários da chamada web 2.0 através das redes sociais. Quem, então, conseguirá agregar e filtrar tanto conteúdo?

É exatamente nessa hora que entram os blogs. Diversos especialistas do ramo digital e jornalístico estão apontando essa mídia como uma potencial ferramenta agregadora de informação de qualidade. Seus gerenciadores seriam capazes de direcionar o público para fontes e informações realmente relevantes, já que nem todos os usuários acessam, necessariamente, a página de um veículo jornalístico. Os blogs trabalhariam, então, como verdadeiros filtros de conteúdo, cada qual com seu ramo específico de atuação, atuando, muitas vezes, como portais que selecionariam as informações relevantes e com uma linguagem mais apropriada para com os usuários, já que tais ferramentais são, em grande parte, gerenciadas por usuários comuns, e não por redações com características mais "empresariais".

Se na era 2.0 a máxima é "você é o que você compartilha", não há nada mais apropriado do que uma mídia controlada por usuários produtores de informação para filtrar o conteúdo que muitas vezes é gerado pelos próprios internautas. Quem apostou no fim precoce dos blogs errou. Quem está apostando no fim dos blogs frente aos avanços das redes sociais possivelmente também irá errar. Os blogs, mais do que nunca, estão demonstrando, de uma maneira totalmente 2.0 de compartilhamento, por que vieram para ficar.

Palpites e previsões

Grande parte do que se discute nas mídias sociais é oriundo das mídias tradicionais. Mas também é verdade que alguns blogs estão até mesmo pautando a imprensa comum devido à qualidade que estão apresentando. Outros, no entanto, estão se demonstrando tão eficientes na organização desse conteúdo descontrolado que entra na web que estão sendo alvos de contratações e aquisições por grandes portais, como ocorreu com o blog colaborativo Huffington Post, abocanhado pela gigante AOL por 527 milhões de reais.

Com isso, cuidado quando forem, mais uma vez, exterminar o jornalismo e aniquilar os blogs. A aquisição do Huffington Post demonstra que a AOL quer se tornar referência no jornalismo online e está apostando nos blogs para isso. Isso se chama jornalismo 2.0 aliado com ferramentas 2.0. No mais, só temas palpites e previsões 2.0 recheadas de um preconceito 1.0 nada convincente.

quarta-feira, 2 de março de 2011

As "fazendas de conteúdos" e a polêmica sobre o lixo informativo na internet - observatório da imprensa - Carlos Castilho - Internet -

Postado por Carlos Castilho em 27/2/2011 às 11:46:56



A mais recente praga informativa na internet tem um nome curioso: “fazenda de conteúdos”, tradução literal do inglês content farm. O nome foi escolhido porque na verdade trata-se de páginas web com grande quantidade de artigos, geralmente maquiados de outras fontes, que por seu conteúdo popularesco atraem muitos leitores e por conseqüência também a publicidade.

O fenômeno cresceu tanto que o sistema de buscas Google resolveu alterar o seu mecanismo de classificação de páginas indexadas, atendendo às reclamações de milhares de internautas contrariados com a alta incidência de lixo informativo no topo da lista de resultados.

Também chamadas de “jornalismo McDonald´s”, as “fazendas” publicam artigos de jornalistas free lancers sem prestar muita atenção ao conteúdo e sim ao índice de visitação de internautas. Quanto mais visitas, maior o pagamento, que na esmagadora maioria dos casos não passa dos 30 ou 40 dólares por artigo. Um mesmo autor chega a produzir até 20 textos por dia. Os temas são menos importantes que a sua capacidade de atrair leitores.

A mais famosa “fazenda de conteúdos” é o site Demand Media, especializado em artigos curtos tipo “faça você mesmo” ou “como as coisas funcionam”. Outros sites muito visitados são o High Gear Media, especializado em temas automobilísticos e o Bleacher Report, só de esportes. Todos eles com audiências acima de 50 milhões de visitas mensais, cada.

A receita para tanta procura é simples. Todos os textos são formatados de maneira a ocupar os primeiros lugares nas listas de sites produzidas pelo Google, sempre que o usuário faz uma busca na internet.

Os sites, também apelidados de jornalismo fast food, conseguem identificar quais os critérios usados pelo mecanismo de buscas para classificar resultados e com isto produzem textos sob medida, que sempre aparecem no topo das listas de sites relacionados aos temas procurados.

Eles têm também uma lista de colaboradores cadastrados, e sempre que identificam um tema popular encomendam textos para vários autores. O que chegar primeiro é publicado, salvo nos casos em que o free lancer já conseguiu algum status por conta de preferências demonstradas pelo público em textos anteriores.

No início o sistema contou com a cumplicidade do Google porque este era indiretamente beneficiado; mas depois, com o acúmulo do lixo informativo nas listas de resultados, os interessados em buscas na web começaram a ficar cada vez mais irritados com a avalancha do que que foi classificado como “pseudo-jornalismo”. No fim de fevereiro, a empresa Google resolveu mudar o seu sistema de classificação, cedendo à pressão de seus usuários.

O modelo das “fazendas de conteúdos” não é novo. Na verdade ele foi copiado de revistas populares impressas, de programas de rádio e de televisão, geralmente em auditórios. A receita é a mesma: identificar o que o leitor gosta, identificar quem pode atender esta demanda, contratá-lo, buscar patrocinadores e oferecer o serviço para consumo do público.

A novidade da versão online é que o sistema está sendo apontado por alguns pesquisadores da imprensa — como o jornalista e escritor norte-americano James Fallows — como um estudo de caso para a sobrevivência do jornalismo na internet. Fallows, autor do famoso artigo How to Save the News, não defende as “fazendas de conteúdos” como a fórmula ideal, mas acha que no sucesso de sites como o Demand Media, existem elementos que podem ser usados para desenvolver um novo modelo de negócios para a imprensa no meio virtual.

O problema, no entanto, não parece estar tanto na fórmula, mas principalmente na maneira como os profissionais do jornalismo se relacionam com o público virtual. Não se trata mais de descobrir uma fórmula mágica, mas de criar interatividade com o internauta. Uma interatividade que contemple tanto as audiências de massa como os nichos de interesse jornalístico, já que é cada vez mais evidente que não haverá apenas um modelo de negócios para o jornalismo na web.

terça-feira, 1 de março de 2011

mídia e poder Os poderes e os limites da internet - blog do miro

Reproduzo matéria de André Cintra, publicada no novo sítio do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Não faltou polêmica no debate inaugural do seminário “Internet: Acesso Universal e Liberdade da Rede”, promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, no sábado (26/2), em São Paulo. Com mediação de Altamiro Borges, presidente do Barão, a discussão teve ares de um julgamento em que à Web cabia o banco dos réus.

“A internet foi construída de maneira diferente das outras mídias de massa e tornou mais fácil a articulação de ações coletivas”, afirmou o professor Sérgio Amadeu, da UFABC. Citando as “revoltas árabes” e o fenômeno WikiLeaks, Amadeu opinou que, na Rede Mundial de Computadores, o “difícil não é obter um canal para falar — mas, sim, ser ouvido”.

A essa “liberdade” — que, em tese, revelaria uma mídia altamente democrática —, contrapõe-se o domínio da infraestrutura da internet por grandes corporações. São interesses desse tipo que põem em xeque a neutralidade da rede. “Querem transformar a internet numa TV a cabo, com controle sobre as opções das pessoas. O controle técnico — que já existe — não pode se tornar controle civil, cultural, político”, protestou Sérgio Amadeu.

Já Marcos Dantas, da UFRJ, questionou o suposto poder da internet em transformar os valores e os comportamentos da sociedade. “Será que a internet muda a cultura dominante ou apenas a reforça? Que tipo de entretenimento ela está gerando?”, indagou. Para Dantas, as pessoas buscam na internet conteúdos parecidos com o que elas mesmas procuram em outras mídias, como as rádios.

“A comunidade originária da internet acreditava na neutralidade da rede e tinha certo poder, que, no entanto, não foi socialmente constituído — virou espaço político e social. Há uma massificação não para a forjar a democracia, mas para produzir comportamentos e identidades voltadas ao consumo”, diz Dantas. “O que derrubou Mubarak (o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak) não foram as redes sociais. Foi o povo na rua e os 236 mortos. O Facebook só ajudou a comunicar.”

A deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) centrou sua exposição nas possibilidades de tornar a internet mais próxima aos cidadãos. “Não precisamos lutar por contradições falsas. É preciso trazer o debate para a conjuntura atual e lutar por uma regulamentação livre da rede”, analisou.

Na opinião da parlamentar, “à medida que cresce a democratização da rede, crescerá a repressão”, sob o argumento central da insegurança. “Hoje responsabilizam a internet por crimes como a pedofilia, que acontecem nas casas, nos clubes, nas igrejas. Pela lógica deles, teriam de instalar câmeras nas residências — e nem assim coibiriam os crimes”, sustenta Manuela. Segundo ela, “não podemos abrir mão das liberdades individuais — já consagradas na Constituição — pelo bem-estar coletivo”.

O jornalista Luis Nassif trouxe ao debate outra abordagem, ao ressaltar a força da internet — especialmente das redes sociais — como alternativa à grande imprensa. “Acabou o monopólio da informação pelo jornal, Todos os fatos relevantes tinham de passar pela velha mídia, que agora é batida de igual para igual com a rede”, comentou.

O poderio contra-hegemônico da rede impõe à blogosfera o desafio do apuro na checagem de dados. “A credibilidade da nova estrutura de informação é fundamental”, diz Nassif. De acordo com o jornalista, a internet já provocou, sim, transformações culturais. “Há uma nova mentalidade, uma renovação política, que vem da internet. Vejo ressurgir a militância, inclusive do PSDB.”

Realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o seminário da Barão de Itararé contou com 80 participantes presentes e outros 5 mil que acompanharam a programação on-line. No final do evento, entidades da área de educação e movimentos sociais lançaram o manifesto “Banda Larga é um direito seu! Uma ação pela internet barata, de qualidade e para todos.”

sábado, 26 de fevereiro de 2011

teles - internet - LGT e contratos emperram Programa Nacional de Banda Larga

Pedro Caribé - Observatório do Direito à Comunicação
23.02.2011

A Lei Geral de Telecomunicações (LGT) e os contratos firmados na privatização das empresas de telefonia fixa na década de 90 emperram o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Por isso, depois de seis meses de tensões na negociação do 3º Plano Geral de Metas e Universalização (PGMU III), tende naufragar o desejo do Planalto de ter expansão da infraestrutura para internet vinculada às projeções do Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC).

O imbróglio começa com os modelos de autorizações de cada serviço na LGT. O STFC [telefonia fixa] é uma concessão em regime público, isso significa que a infraestrutura pertence à União e cabe aos concessionários universalizar o seu uso dentro das metas estipuladas. Já o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), que inclui a Internet, segue o modelo de autorização de regime privado, que pode ter no máximo metas de massificação e de qualidade da oferta. Diferente do STFC, a infraestrutura da SCM [banda larga] pertence às empresas e não é tarifado, cabendo aos proprietários decidir pelo compartilhamento com outras empresas, como pequenos provedores e a Telebrás.

O problema é que parte rede de troncos do SCM - o backhaul - foi desenvolvida basicamente com recursos da STFC, tornando as empresas de telefonia fixa as principais fornecedoras do SCM no país. Um emaranhado que muitas vezes infringi a Resolução Nº 272 de 2001 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que instituiu o SCM, mas não determinou se o backhaul funcionaria em regime público ou privado.

Na definição utilizada no PGMU II de 2008 o backhaul é :"infraestrutura de rede de suporte do STFC para conexão em banda larga, interligando as redes de acesso ao backbone da operadora". Em setembro de 2010, já com o PGMU III em debate, a reativada Telebrás estabeleceu conceito técnico mais detalhado para o backhaul: "Realiza a distribuição da capacidade de trânsito de dados aos municípios vizinhos ao backbone" e "poderá ser de dois tipos: rádio enlace, usando rádios ponto-a-ponto de alta velocidade, ou óptica em anéis metropolitanos para atendimento a grandes cidades e capitais".

A partir destas definições, a maioria dos backhauls das operadoras se concentram na capitais do eixo sul-sudeste, segundo Flávia Lefèvre, advogada do instituto de defesa do consumidor Pró-Teste. Nesses locais há grande quantidade de usuários, suficiente para altos lucros que financiaram o bachkaul e consequente oferta de internet em alta velocidade por preços atualmente mais baratos.

Público x privado

A proposta inicial do governo no PGMU III era que as empresas teriam como uma das metas a expansão do backhaul pelo país, o que atingiria basicamente as regiões metropolitanas. Nesses termos, o plano abria brechas para definir essa infraestrutura no regime público e consequentemente tarifar e compartilhar a sua utilização. Em resposta, as teles entraram na justiça sob alegação de ilegalidade da proposta e reforço na tese de que o backhaul está no regime privado. As empresas se valem da LGT que impede a prática de subsídio cruzado, ou seja, a reversibilidade de metas de um serviço para outro, neste caso do STFC para SCM - por essa lógica, é ilegal obter pacotes conjuntos de banda larga e telefonia, prática muito comum das operadoras.

Antes de sair da presidência, Lula conseguiu a retirada dessas ações na justiça, como pré-requisito para retomar o diálogo. Na volta das negociações em 2011 o Ministério das Comunicações continuou a bater na tecla que o backhaul poderia ser incluído no PGMU III porque no processou que culminou no leilão da Telebrás em 1998 foi permitida às empresas de STFC a licença para oferecer o Serviço de Rede e Transporte de Telecomunicações (SRTT), apta a transportar sinais de voz e dados, o que se adequa para internet. Posteriormente o SRTT foi convertido em SCM, em 2001.

Desta forma, as empresas já praticam o subsídio cruzado desde origem em 1998, quando fatiaram o Sistema Telebrás com direito a licença do SRTT. Depois utilizaram os recursos oriundos das metas de universalização do STFC para expandir a banda larga - por isso é comum ter acesso à internet na mesma empresa de telefone fixo no Brasil. Tal situação foi endossada pelo PGMU II e bem aceito pelas teles, quando o backhaul foi incorporado às metas de universalização.

A diferença é que agora a infraestrutura de telefonia fixa já foi praticamente concluída, não interessando aos empresários fazer novos investimentos deste caráter e ainda serem passíveis de incorporação às metas do PNBL sob regime público. Pra completar, as teles desejam que recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) sejam utilizados para o desenvolvimento de backhaul sob caráter privado, o que também é ilegal e foi vetado pelo governo. O Fust só pode ser disponibilizado para telefonia fixa, por ser de regime público.

Travado na infraestrutura no PGMU III, o governo tenta endossar novos caminhos para o PNBL, em especial regular a oferta de internet no atacado por cerca de R$ 30,00 com velocidade média de 500 kbps. Outro caminho imediato foi liberar a Telebrás para comercializar a banda larga no varejo com a licença para o SCM por tempo indeterminado, publicada no Diário Oficial do dia 21 de fevereiro.

Alternativas

Em 2008 o Instituto Pró-Teste entrou com ação pública para regulamentar o backhaul como regime público. No PGMU III o instituto classificou o Acesso Individual Classe Especial (AICE) de ilegal e risível - o AICE é o telefone fixo social que o novo PGMU pretende ofertar por R$ 15,00. Flavia Lefèvre apelida a proposta do governo no PGMU III de um "puxadinho", dotado de muita fragilidade jurídica, e acredita que o melhor caminho é reaver o contrato de privatização e a LGT.

Já Veridiana Alimonti, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), defende que a revisão do setor deve ser acompanhada da definição de Marco Legal para internet, no qual o serviço da banda larga deve ser em regime público, com metas de universalização desvinculadas da telefonia fixa. Outro ponto central para o Idec é aumentar a competição no setor com o fortalecimento dos pequenos provedores


Embates do ICMS e da privatização das teles são retomados no PNBL

Pedro Caribé - Observatório do Direito à Comunicação
23.02.2011

O Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) reativou debates estabelecidos no ano de 1998, durante a privatização do antigo Sistema Telebrás. Os valores e regras das vendas formaram a base das dezenas de ações judiciais protagonizadas pelo PT com o objetivo de barrar as negociações. O então presidente do partido, José Dirceu, classificou como "gângster" e "trambiqueiro" o Ministro das Comunicações do período, Luís Mendonça de Barros. Durante o governo Lula o tema foi revisado pelo PT, que passou a defender as qualidades da privatização do setor. Já a presidenta Dilma Rousseff elogiou a comercialização das teles nos debates da campanha eleitoral em 2010.

Entretanto o Ministro das Comunicações de Dilma, Paulo Bernardo, já deu sinais que o PT pode voltar a defender algumas teses dos anos 90. Em um programa de televisão, Bernardo rebateu a repórter da Folha de S. Paulo, Elvira Lobato, sobre a lisura das vendas na bolsa de valores: "O que escandaliza foi a condição que foi feita a privatização. As empresas foram vendidas a preços de banana". Bernardo questionou a utilização de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), a falta de transparência e direcionamentos nos leilões e também alegou que o país não teve retorno patrimonial, já que o dinheiro arrecado se esvaziu com os juros das dívidas da União.

A declaração foi um das poucas ásperas do recém empossado Paulo Bernardo sobre as teles e casou com os embates do 3º Plano Geral de Metas e Universalização (PGMU III), que deixa a cúpula do governo irritada por esbarrar nos contratos do Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC) para colocar em ação o PNBL. O STFC permite que as empresas explorem conjuntamente o provimento de internet a partir das licenças de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), que em 1998 chamavam-se Serviço de Rede de Transporte de Telecomunicações (SRTT).

As autorizações em SRTT foram concedidas dois dias antes do leilão, mas não significou aumento no valor das ações. Avaliado inicialmente por R$ 40 bilhões pelo Ministro Sérgio Motta, o valor do Sistema Telebrás foi diminuindo até chegar a R$ 13 bilhões. A venda final foi de R$ 22,2 bilhões, o que foi comemorado pelo PSDB e aliados pelo ágio na casa de 60%.

ICMS

A utilização da infraestrutura para o PNBL está travada no PGMU III e também no fato da oferta no varejo pela Telebrás ainda estar em desenvolvimento. Por isso interferir na oferta da internet para os usuários final se tornou principal alvo do governo. O objetivo é reduzir as tarifas para cerca de R$ 30,00, mas a definição também está nas mãos dos governos estaduais, responsáveis pelas taxas mais caras do serviço: o Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS).

A proposta do governo federal é a adesão dos estados na retirada integral do imposto cobrado na comercialização da banda larga. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA) o ICMS das teles chega a ser mais oneroso que cosméticos e armamentos e representa entre 42% e 60% do valor final.

Durante palestra no Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, Paulo Bernardo respondeu que alguns governos estaduais já sinalizaram apoio, todavia a definição só ocorrerá quando as operadoras fixarem metas que agradem o PNBL: "Nossa proposta é reduzir a zero ICMS sobre serviços de banda larga nos estados, desde que seja repassado ao consumidor", explicou o Ministro. Para ele a contrapartida aos estados estaria na movimentação econômica indireta propiciada pela banda larga.

A participação dos governos estaduais no desenvolvimento das teles estava insossa desde dias que antecederam o leilão do Sistema Telebrás. Na época coube ao ex-governador de Pernambuco, o falecido Miguel Arraes, o papel de melar um dos pilares das negociações. O Conselho Nacional de Políticas Fazendária (Confaz) fechou acordo no qual os governos estados abdicavam do ICMS retroativo a partir de 1993, uma dívida de R$ 800 milhões da Telebrás, que deixaria de ser herdada pelos novos compradores.

O Confaz é composto pelas secretarias da fazenda dos Estados e o veto de um dos membros na época impediu a amortização da dívida. Arraes foi o único contrário e alegou que sua decisão era política, porque o governo FHC estava agindo de forma centralizadora, sem permitir a participação dos Estados e Municípios na discussão. Para minimizar o impacto, o governo Federal acolheu cerca de 15% da dívida do ICMS, R$ 75 milhões.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

teles e poder - Governo cede mais em plano de internet

Teles terão novas contrapartidas para vender pacotes de R$ 35; União planeja "doar" frequência para cobrir custos

Medida ajudaria Oi e obrigaria governo a buscar "plano B" para compensar Telefônica, CTBC e Sercomtel

JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA

A Oi pode ser favorecida caso o governo aceite "ceder sem ônus" a faixa de frequência de 450 megahertz como mais uma "contrapartida" para que as teles vendam internet por R$ 35 via PNBL (Plano Nacional de Banda Larga).
Por ter a maior cobertura, a Oi ganharia prioridade. Se a ideia for levada adiante, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, compensará de outra forma Telefônica, CTBC e Sercomtel.
As frequências são como avenidas por onde as operadoras fazem trafegar seus sinais de voz e de dados.
Resolver essa disputa com as teles é prioridade do governo para que o PNBL avance. Para vender internet abaixo de R$ 35, as teles aceitam abrir mão de certa parte de seus custos, mas querem que o governo as ajude a bancar outros, previstos no novo plano de metas de universalização da telefonia.
Uma delas obriga as operadoras a levar telefonia à zona rural -um negócio cujo deficit estimado por elas é de R$ 2 bilhões.
A legislação atual prevê esse tipo de compensação. Embora o provável prejuízo esteja em estudo pelo governo, já se estuda a transferência da faixa de 450 MHz como contrapartida.
Com área de atuação em todo o país menos São Paulo, a Oi teria que gastar R$ 600 milhões para cobrir a zona rural, custo que seria reduzido caso o governo decida por conceder a faixa à empresa.
A proposta já causa controvérsia na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Isso porque a Lei Geral de Telecomunicações determina que outorgas de frequência devem ser licitadas, e não cedidas.

MAIS CONCESSÃO
Para que as teles encampassem o PNBL, o governo já tinha aceitado retirar outra meta de universalização (a instalação de centrais de dados e voz em municípios e a expansão da capacidade em locais onde essas centrais já foram instaladas) -um investimento de R$ 1,5 bilhão.
As teles teriam de arcar com esse ônus sem contrapartida e, por isso, entraram na Justiça contra as metas. O governo aceitou negociar, as teles retiraram a ação e, agora, elas pedem mais.
Além de se livrar da instalação das centrais ("backhaul") e de pedir compensações na telefonia rural, elas querem vender pacotes de web atrelados à instalação de uma linha telefônica, algo que elevaria o preço ao consumidor para pelo menos R$ 75, já que o cliente teria de pagar assinatura básica.
O governo diz que as teles terão de ceder nesse ponto, já que conseguiram isenção de PIS e Cofins nos modems, equipamentos que estabelecem a conexão à internet via cabo telefônico. Além disso, também assumirão o custo do provedor, que será fornecido gratuitamente.

Provedores correm risco de falência

DE SÃO PAULO
DE BRASÍLIA

As operadoras usam um estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados para pressionar a Anatel a pôr fim à exigência de contratação de provedor de internet.
Segundo o documento, a migração da conexão discada para a banda larga (ADSL) acabou com a necessidade de provedor, cuja função passou a ser feita pela própria operadora.
Com a negociação entre governo e teles pelo PNBL, essa discussão ganhou força e a Anatel deve modificar as regras do serviço.
A Folha apurou que as teles querem prover acesso à internet. Contudo, uma das propostas na agência prevê transformar o provimento em serviço de telecomunicação.
Se isso ocorrer, os provedores terão de pagar não só ISS (Imposto Sobre Serviço), que vai de 2% a 5%, como ICMS, que chega a 35% em alguns Estados.
Especialistas afirmam que haverá extinção de provedores, que teriam ainda de enfrentar a concorrência das operadoras. Pelo PNBL, elas terão de vender banda larga com provedor gratuito. (JW e AM)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

internet e poder - Telebrás forçará mercado a reduzir preço da internet

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AO LEVAR WEB AONDE TELES NÃO ATUAM, ESTATAL DIMINUIRÁ TARIFA NO ATACADO E BENEFICIARÁ CONSUMIDOR, DIZ PRESIDENTE
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JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO

Desde o anúncio do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), no início de 2010, a única certeza que se tinha sobre o plano -que pretende levar internet a 68% dos domicílios do país até 2014- era a de que caberia à Telebrás competir com as teles.
Houve críticas de que isso seria uma "reestatização" do setor, privatizado em 1998. Empossada, a presidente Dilma Rousseff escolheu a banda larga como um dos pilares de seu governo.
Rogério Santanna, um dos idealizadores do PNBL, foi mantido na presidência da Telebrás, que agora atuará no atacado, pressionando as teles a baixar preços aos provedores. Leia entrevista.





Folha - A Telebrás não vai atender clientes residenciais?
Rogério Santanna - Nosso foco será o mercado atacadista. A internet ao consumidor não é barata porque cinco empresas que vendem no atacado para os provedores têm 95% do mercado de transporte [rede de dados]. O problema é que elas também vendem no varejo.
A filosofia da Telebrás não é arrancar o sangue do provedor, como as operadoras, que cobram preço absurdo para tirá-lo do mercado. Nosso objetivo é fazê-lo crescer, prestando bom serviço.
Vamos oferecer infraestrutura com preços menores que os do mercado. Em Manaus (AM), um link de 1 Mbps (Megabit por segundo) custa no atacado R$ 9.500. Por esse preço, não dá para o provedor vender no varejo a R$ 35.

Qual rede será usada?
Temos fibras ópticas próprias na rede das elétricas do sistema Eletrobras. São as fibras da falida Eletronet, as quais o governo retomou. Essa rede hoje tem 21 mil quilômetros e chegará a 31 mil quilômetros em 2014.
Com ela, cobriremos 4.283 municípios, 1.163 já em 2011. Também negociamos o uso da rede da Petrobras.

Uma das críticas à Telebrás é o fato de cobrir cidades como Campinas, que tem renda per capita elevada. Que cidades serão atendidas?
Há bolsões de apagão de internet em cidades ricas. Em São Paulo, a penetração de internet é de 35%. Em Campinas, 16%. Bairros pobres não têm acesso. A escolha das cidades tem a ver com esse problema e com a distribuição geográfica da rede elétrica [a fibra óptica corre com os cabos em que passa a energia].

Por que a massificação da web pelas teles não ocorreu?
No Japão, o serviço de voz responde por 30% da receita, o restante (70%) são dados [internet]. No Brasil, essa proporção é de 90% para voz e 10% para dados.
Como o mercado de voz é muito rentável, não existe incentivo para a operadora migrar para o mercado de dados, porque a margem de lucro é estreita e ela teria de vender muito mais.

O PNBL não muda isso?
As teles sabem que vão perder, mas tentam adiar ao máximo porque o crescimento do consumo de dados [internet] pode significar a canibalização do mercado de voz.
A abordagem delas é operar onde há mais renda e população. Nas classes A e B, o consumidor não tende a cortar o telefone ao passar a usar a internet. Na classe C, possivelmente haverá corte ou queda do consumo.

Nesse cenário, qual será o papel da Telebrás?
À medida que entregarmos infraestrutura aos provedores, das duas, uma: ou o mercado de internet fora dos bolsões de riqueza não ficará com as teles, e passará a ser atendido pelos pequenos provedores, ou elas se darão conta de que não é assim.

Há interessados?
Até o momento, 285 provedores [de um total de 2.076] se cadastraram como parceiros da Telebrás. A associação dos provedores já me garantiu que não há lugar do país onde eles não possam estar.

E se não aderirem?
Haverá franquias da Telebrás, algo que poderia valer para LAN houses ou pequenos provedores.
Eles poderão comprar alguns de nossos equipamentos, receber treinamento, e providenciaremos a conexão até o enlace (torre) mais próximo para que virem operadores.

Com qual compromisso de qualidade?
Nenhum provedor poderá colocar mais do que dez pessoas dividindo uma conexão de 10 Mbps. É como tentar evitar o overbooking da internet. Nossa rede medirá esses índices no provedor e até no usuário.
Quem não cumprir a regra poderá não ter acesso a preço diferenciado.
Nas teles, nem 10% da velocidade é entregue. Na Telebrás, não queremos que o mínimo seja o máximo.

As metas serão cumpridas?
Se os recursos forem aportados, como combinado.

A que custo?
Nada será subsidiado, tudo aqui vai se pagar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

internet e poder SÉRGIO AMADEU - Creative Commons, um bem coletivo - observatório da imprensa

Por IHU Online em 15/2/2011

Reproduzido do IHU Online, 8/2/2011

A licença Creative Commons está em consonância com a lógica de interação da internet, pois permite que "o autor tenha uma licença juridicamente consistente, sem que seja preciso contratar um advogado. Isso facilita e regulariza as situações, dá segurança jurídica para o compartilhamento", defende Sérgio Amadeu, em entrevista concedida à IHU Online por telefone. Diferentemente da lei de direitos autorais, o Creative Commons "pensa claramente na importância de direitos reservados ao autor" e garante que as "obras sejam divulgadas, distribuídas, recombinadas, e deem origem a novas criações", explica.

Na entrevista a seguir, o defensor e divulgador do Software Livre e da inclusão digital no Brasil critica a postura da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que retirou o Creative Commons do sítio do ministério. Segundo o pesquisador, a iniciativa está na contramão da trajetória histórica do Ministério das Relações Exteriores em defesa da flexibilização das legislações de propriedade intelectual. "Aqueles que propuseram indicação da ministra Ana de Hollanda esqueceram de perguntar o que ela achava sobre uma das principais áreas de projeção do Brasil no mundo na gestão do presidente Lula: a área de cultura", ironiza.

Amadeu ressalta que a resistência a licenças Creative Commons está diretamente relacionada à indústria da intermediação, que, antes do fenômeno da internet, detinha os direitos autorais de diversas produções. E dispara: "Esses aparatos de intermediação, no mundo digital, passaram a ser desnecessários. A intermediação mudou de local, foi para própria rede. Então, em função desse novo contexto, é necessário fazer acertos na lei, a qual está longe de estar presente na proposta de reforma que foi feita pela sociedade civil."

Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Sérgio Amadeu participou da implementação dos Telecentros na América Latina e da criação do Comitê de Implementação de Software Livre (CISL). Também foi presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) da Casa Civil da Presidência da República e atualmente é professor na Universidade Federal do ABC (UFABC). É autor de, entre outros, Software Livre: a luta pela liberdade do conhecimento; Exclusão digital: a miséria na era da informação (São Paulo: Perseu Abramo, 2001); e Comunicação Digital e a Construção dos Commons: Redes virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regulação.

Confira a entrevista.

***

"Percebo uma contradição no governo"

Como o senhor avalia, a partir dos primeiros movimentos deste governo, a política de compartilhamento do governo Dilma?

Sergio Amadeu – O governo Dilma tomou uma atitude bastante interessante a partir do Ministério do Planejamento, publicando uma diretiva do software público que garante o uso das licenças do software livre, priorizando-o dentro do governo. No mesmo dia, a ministra Ana de Hollanda manda tirar a licença Creative Commons do sítio do Ministério da Cultura, demonstrando-se contra a política de compartilhamento do governo Lula, continuada pela presidente Dilma. A ministra Ana de Hollanda não percebe que o próprio blog da Presidência da República, lançado pelo ex-presidente Lula, continua com esta licença e tudo indica que seu uso vai se ampliar dentro do governo.

Por quais razões o senhor imagina que ela retirou a licença Creative Commons do sítio do Ministério da Cultura?

S.A. – Ana de Hollanda quer promover um retrocesso no que se refere ao compartilhamento, às redes digitais, à ideia de colaboração. Ela é ligada ao grupo do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que quer manter a lei de copyright do jeito que está, ou seja, não quer rever os abusos e os absurdos da lei. Aqueles que propuseram indicação da ministra Ana de Hollanda esqueceram de perguntar o que ela achava sobre uma das principais áreas de projeção do Brasil no mundo na gestão do presidente Lula: a área de cultura. Ela quer realizar essa inversão de política no caso da cultura. Se vai conseguir, não sei, mas ela representa um retrocesso dentro de um quadro mais geral em que o governo avança e outras áreas, defendendo o compartilhamento. Certamente o Ministério da Justiça vai mandar proposta de marco civil pela internet, que garantirá a não criminalização dos jovens, pelo menos na regulamentação da internet, que participam de redes P2P (peer-to-peer). Entretanto, na contramão está o Ministério da Cultura. Então, percebo uma contradição no governo.

"O maior fato é simbólico"

Como o senhor acha que a iniciativa da ministra irá repercutir no governo? Pode alterar as medidas já adotadas no que se refere à licença Creative Commons?

S.A. – O governo vai ter de decidir quem tem razão: se é a ministra Ana de Hollanda ou aqueles que defendem, dentro do governo, a política implantada pelo ex-presidente Lula. Em algum momento isso vai ter de ser resolvido, não sei quando, mas certamente haverá de se ter um acerto na política do governo. O Ministério das Relações Exteriores tem uma trajetória histórica em defesa da flexibilização das legislações de propriedade intelectual. Quer dizer, esta luta não é uma iniciativa dos ativistas. O Ministério das Relações Exteriores tem defendido, no caso das patentes, a subordinação do interesse social e a defesa da vida. No caso da polêmica dos fármacos, dos remédios da Aids, ou no caso da propriedade intelectual, por exemplo, nós, ativistas, não concordamos, resistimos muito no final da rodada do Uruguai a tratar temas relativos à propriedade intelectual no âmbito da Organização Mundial do Comércio. Ou seja, o Brasil tem uma política de defender a criatividade e nós sabemos que para que se possa continuar com a inventividade, a criatividade, temos que ampliar a flexibilização desses bloqueios ao livre fluxo de conhecimento e de bens culturais, porque a base do conhecimento e a base da cultura é o próprio conhecimento e a cultura.

Neste caso a presidente não poderia ter feito uma intervenção, ter conversado com a ministra, como fez, por exemplo, com o Chefe da Segurança Institucional, general José Elito Siqueira, em outro momento?

S.A. – Ela terá de fazer isso em algum momento, ou então ela vai, vamos dizer assim, mudar a própria política do ex-presidente Lula. Entretanto, os sinais dados são de continuidade dessa política de compartilhamento, de defesa das possibilidades de criação, da liberdade dos fluxos informacionais. Como o Ministério da Cultura foi o último a ter a sua direção indicada e como a presidente Dilma teve de enfrentar uma série de dificuldades para a composição das comissões no Congresso Nacional, acredito que não teve condições de se debruçar sobre esse tema. Teremos de aguardar para ver se a ministra irá parar só nesse ato simbólico ou se vai, de fato, continuar defendendo os interesses do Ecad.

O que o fato de o Ministério da Cultura ter tirado o selo de licença Creative Commons do seu sítio significa?

S.A. – Essa atitude cria uma insegurança jurídica, uma dificuldade para poder continuar compartilhando, mas o maior fato é simbólico. Ana de Hollanda deu um sinal para todo mundo, dizendo: "Aqui não me vem com isso, eu mudei a política." A consequência é principalmente política.

"É necessário fazer acertos na lei dos direitos autorais"

O que Ana de Hollanda representa para o Ministério da Cultura do Brasil?

S.A. – Não sei. Não a conhecia. Tanto é que, quando fizeram um texto a respeito dos riscos que representaria a nomeação dela, comentei que não a conhecia e iria esperar para avaliar. Fiquei preocupado com essa ação de retirar o selo; é um sinal que ela mandou de retrocesso. Agora, se ela vai representar isso ou não, os fatos vão dizer. A questão é saber até onde ela vai com essa postura dela. De qualquer modo, ela representa um retrocesso e nada de novo na política cultural brasileira. Nada de novo, essa é a questão.

Como você avalia a lei dos direitos autorais no Brasil?

S.A. – A lei do direito autoral é arcaica, extremamente dura no sentido de ser uma das mais ruins do planeta. Ela criminaliza fotocópia (xerox), por exemplo; ela mudou a lei que tinha antes, retirando o direito da cópia privada, claramente substituindo por uma ideia absurda de pequenos trechos, que nunca se sabe o que é. Existem vários pequenos acertos a serem feitos, os quais permitem que ela se torne mais moderna, compatível com o mundo atual, e que reconheça o direito à pessoa, ao uso justo, ao uso privado de uma cópia para fins pessoais.

Outro aspecto importante a ser mudado – mas que penso que não conseguiremos alterar – é o prazo de duração de uma obra sorteada pelo copyright. O argumento da lei do direito de autor é de que a garantia de proteção serve para incentivar o criador. Entretanto, repare que a lei tem sido alterada, sendo estendido o prazo de proteção de uma obra que era de 14 anos, para 28, chegando ao ponto de uma obra só poder cair em domínio público depois de 95 anos após a morte do autor. No caso do Brasil, 70 anos após a morte do autor. Repare que a lei vem sendo alterada e o fundamento dela desapareceu, porque se o fundamento é incentivar a criação e o criador, não tem sentido proteger depois de sua morte. Como diria Machado de Assis, não há nenhum sentido, a não ser a proteção dos interesses dos intermediários que detém a obra por contrato. A pessoa que fez um contrato passa a ser o dono da obra.

Essas alterações na lei servem muito mais para garantir a indústria da intermediação, do que para assegurar o direito do criador. Esses aparatos de intermediação, no mundo digital, passaram a ser desnecessários. A intermediação mudou de local, foi para própria rede. Então, em função desse novo contexto, é necessário fazer acertos na lei, que está longe de estar presente na proposta de reforma que foi feita pela sociedade civil.

"A diversidade cultural tem tomado a audiência"

Então a lei não é adequada para a internet?

S.A. – Na verdade, a internet se expandiu e criou ao seu redor, e dentro dela, uma cultura digital, uma cibercultura. Uma das características importantes da cibercultura é a possibilidade de recombinação e de reconfiguração dos objetos digitais. Exatamente por causa da internet, as legislações de direito autoral do mundo todo, estão tentando bloquear as possibilidades criativas que a internet abriu. O que a internet fez foi desmistificar a criação. Ela separou efetivamente o conteúdo do seu suporte: um vídeo, uma película, a imagem e o texto do papel, tudo isso está liberado na rede.

Esse processo intenso de digitalização está preocupando a indústria da intermediação, que vivia do controle das criações a partir das dificuldades de compartilhar suporte. Agora, as criações estão digitalizadas, podem ser mixadas, recombinadas e distribuídas com muita facilidade. O mundo da escassez, que justificaria os altos preços de determinadas produções, não tem sentido na rede. Ela mudou muito as possibilidades criativas para melhor, só que como que a indústria da intermediação reage, ela faz uma conta completamente absurda e equivocada, ela diz assim: "Se as pessoas estão ouvindo mais música, muito mais música do que antes, como os nossos lucros não aumentaram com essa intensificação?" Então, eles pensam que estão perdendo bilhões. Entretanto, repare que a maioria dos jovens só baixou aquela música porque ela estava disponível gratuitamente. Segundo, os internautas nunca ouvem a maior parte das músicas que baixam; eles ouvem um trecho e nunca mais voltam a essa música. Se as pessoas tivessem que pagar pelas músicas, elas não as baixariam.

O mundo digital está acenando para a possibilidade de acessarmos uma diversidade inimaginável de conteúdos. Existe uma oferta de músicas e de bandas à disposição das pessoas, algo que não existia há alguns anos. Isto faz com que aquela grande indústria fonográfica tenha efetivamente a concorrência de milhares de músicas que estão na rede. Essa concorrência, portanto, essa diversidade cultural tem tomado a audiência de cantores e bandas lançados por gravadoras. Essa é a realidade.

"Consolidar o modelo de compartilhamento"

Podemos dizer que a licença Creative Commons, da forma como está se desenvolvendo e sendo utilizada, gera uma cultura da economia do conhecimento?

S.A. – Não. Penso que gera uma cultura do compartilhamento, uma cultura que pensa claramente na importância de direitos reservados ao autor, mas que garanta que determinada obra possa ser divulgada, distribuída, recombinada, e de origem a novas criações. É o reconhecimento de que a base da cultura é a própria cultura, que é um bem coletivo: isso é licença Creative Commons. Ela permite que o autor tenha uma licença juridicamente consistente sem que seja preciso contratar um advogado. Isso facilita e regulariza as situações, dá segurança jurídica para o compartilhamento. É muito importante a licença Criative Commons. Algumas pessoas argumentam que a ministra Ana de Hollanda retirou o símbolo da Creative Commons porque ele pertence a uma organização norte-americana e nós devemos defender o nacionalismo. Fizeram uma confusão propositada e equivocada do nacionalismo com uma licença de compartilhamento. Se você entrar agora no sítio da rede Al Jazira, que de norte-americana não tem nada, verá que eles disponibilizam seus conteúdos com Creative Commons. Isso, para mim, basta. O argumento anterior é usado pelo Ecad.

Qual é o impacto econômico que teremos com a flexibilização dos direitos autorais?

S.A. – O impacto econômico é, primeiro, fortalecer novas criações, ou seja, redistribuir mais os recursos da riqueza da cultura, garantir o surgimento de modelos de negócios compatíveis às redes digitais. Teremos muito a ganhar consolidando o modelo de compartilhamento.

"Mais recursos nos pontos de cultura, mais editais de projetos"

Na realidade atual brasileira, qual a função do Ecad?

S.A. – O Ecad é uma entidade opaca, sem transparência, baseada no modelo industrial, no controle dos canais de acesso aos bens culturais. O mercado não quer saber da licença Creative Commons; ele quer cobrar tudo porque ele já é uma estrutura que tem vida própria, que não tem nada a ver com a criação. Ele montou sua burocracia e a burocracia quer sobreviver; ela sobrevive na intransparência. Essa é a realidade. O Ecad vai a festinhas de aniversário cobrar as músicas que são tocadas. É ridícula a situação. Precisamos de uma estrutura de distribuição da renda, da disseminação ou da veiculação de bens culturais que seja adequada, transparente. Deveríamos ter outra estrutura, efetivamente transparente na distribuição dos frutos da criação, nos frutos econômicos da criação.

O Brasil "invadiu" o Orkut e é o país onde o Facebook mais cresceu na América Latina, além de ser um dos principais atuantes no Twitter. Como o senhor vê nosso país no cenário da comunicação digital no mundo?

S.A. – O Brasil é um país que tem uma cultura tradicional, popular, muito afeita ao relacionamento. Por isso, a presença brasileira nas redes sociais é muito grande. O brasileiro também tem uma cultura muito criativa, que durante muito tempo foi entendida como negativa – chamada, inclusive, de cultura da gambiarra. Mas, se for analisar, toda a criação importante no mundo digital é uma grande gambiarra, é uma recombinação, é uma solução para enfrentar um problema com os códigos que estão à disposição. A cultura popular brasileira é muito próxima do que vem a ser ou do que são os traços mais importantes da cibercultura. O Brasil um país que mal começou a usufruir das redes. O que falta ainda para o Brasil é dar um salto no sentido de aplicações massivas, aplicações que partam daqui e sejam implantadas pelos outros países. A dificuldade brasileira é a língua inglesa, que domina a rede.

Acredito que, na presença da nossa cultura, a digitalização das nossas práticas culturais, dos movimentos culturais, vai encantar cada vez mais o planeta e vai ampliar a diversidade cultural que temos no país. O Brasil tem um campo muito aberto no mundo digital e, insisto, ele mal começou.

Na sua avaliação, quais devem ser as prioridades do Ministério da Cultura?

S.A. – Continuar a política administrada pelo ex-ministro Gilberto Gil, aplicar mais recursos e projetos digitais. Criar incentivos não só ao cinema, mas à digitalização, à indústria de games. Deveria se ampliar muito fortemente o uso de softwares culturais livres por parte dos movimentos, dos pontos de cultura. Outra prioridade seria colocar mais recursos nos pontos de cultura, abrir mais editais de projetos com incentivo à produção do que existe no país. É preciso entender como nós podemos usar mais tecnologias abertas, colocar mais tecnologias livres à disposição dos produtores e criadores culturais do país.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

mídia e poder- teles - internet - Programa de banda larga fica com teles - fsp

Em troca, governo vai retirar meta de universalização; acordo em discussão prevê preço entre R$ 29 e R$ 35

Reativada para gerir o PNBL, Telebrás só vai operar no atacado, atendendo provedores de internet e prefeituras

JULIO WIZIACK
DE BRASÍLIA

O governo cedeu e aceitou retirar uma das metas de universalização da telefonia caso as concessionárias se comprometam a vender pacotes de internet a R$ 29,90 e R$ 35 em todo o país dentro do PNBL (Programa Nacional de Banda Larga).
A Folha apurou que a Telefônica e a Oi fizeram propostas semelhantes: trocar a meta pelo compromisso de vender pacotes de internet de 600 Kbps (Kilobits por segundo) de velocidade com mensalidade de R$ 35 em toda sua área de concessão.
Haveria a opção de pacotes a R$ 29 com isenção de ICMS pelos Estados.
A Sercomtel propôs R$ 29,90. CTBC e Embratel ainda estudam suas ofertas, mas devem seguir as demais, cumprindo o preço limite definido pelo PNBL.
O plano prevê a cobertura de 68% dos domicílios com internet até 2014. O pacote básico seria de R$ 15 por uma velocidade de conexão de até 512 Kbps.
Outro, com velocidade de 512 Kbps a 784 Kbps, custaria até R$ 35, segundo o PNBL.
Para assinar um termo de compromisso com o governo, as teles esperam a definição de contrapartida para a instalação de telefones na zona rural do país -operação que seria deficitária, exigindo compensações públicas de até R$ 2 bilhões.
O governo estuda a possibilidade de que as operadoras possam usar 2% de seu faturamento líquido para "subsidiar" o cumprimento dessa meta prevista no novo Plano Geral de Universalização. Hoje, esse recurso pago pelas teles fica no Tesouro.
O acordo, que deve avançar, livra as teles de investimentos em novas centrais ("backhaul") que seriam instaladas em cerca de 2.000 municípios para dar suporte à telefonia fixa e de estabelecer conexões de internet.
No final de 2010, as operadoras entraram na Justiça contra essa meta, que acarretaria custos de pelo menos R$ 1,5 bilhão, a serem arcados com recursos próprios.
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, aceitou negociar desde que a ação da Justiça fosse retirada e as teles fizessem uma proposta "generosa".

ATACADO
Agora, além dos pacotes residenciais, as concessionárias também preparam novas ofertas para o atacado, provedores de internet que alugam delas a infraestrutura (links ou conexões de internet em larga escala).
O governo ainda pressiona por preços menores para links que variam de 600 Kbps a 2 Mbps (megabits por segundo).

E A TELEBRÁS?
Reativada com o objetivo de ser a principal gestora do PNBL, ainda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Telebrás não atenderá mais a consumidores residenciais.
Seu papel, diante das novas negociações, será priorizar o mercado atacadista, principalmente provedores de internet, para garantir a oferta com preços considerados razoáveis pelo governo.
Mesmo tendo a Telebrás como competidora nesse segmento, as concessionárias não ficarão livres de fazer ofertas nesse segmento e prometem ser mais competitivas que a Telebrás.
Elas já preparam ofertas específicas para pequenos provedores



Telefônica lucra R$ 2,4 bi em 2010, alta de 9%

DE SÃO PAULO

A Telefônica (Telesp) encerrou o quarto trimestre com lucro de R$ 622,7 milhões, alta de 9,2% ante o mesmo período de 2009. No ano, o lucro foi de R$ 2,4 bilhões (+8,8%).
Houve crescimento na base de linhas fixas, com 39 mil adições líquidas no ano. Na banda larga, a empresa finalizou o ano com 3,3 milhões de clientes (eram 2,6 milhões no quarto trimestre de 2009).