Ex-presidente promete "autocontrole" para restringir seu envolvimento política nacional. Ele quer priorizar transferência da experiência brasileira para a África
Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual
Publicado em 28/04/2011, 00:50
Última atualização às 11:42
O ex-presidente Lula participa da abertura do Congresso da CNM (Foto: ©Jorge Araújo/Folhapress)
São Paulo – Na abertura do 8º Congresso da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), nesta quarta-feira (27), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o primeiro reencontro com o movimento sindical desde que deixou o cargo. Em seu discurso, ele disse que setores da imprensa estão de "namorico" com o governo da presidenta Dilma Rousseff para tentar criar divergências entre ele e sua sucessora.
Lula rebateu o que ele classificou como boatos de que ele e a presidenta Dilma Rousseff estivessem em conflito. "Um setor da imprensa está de 'namorico' com o governo Dilma para causar divergência entre eu e ela", pontuou. A seguir, repetiu o que havia declarado em entrevistas anteriores: "Não existe divergências, porque o dia que eu e ela discordarmos, ela está certa".
Para ele, a mídia também distorce informações sobre a alta da inflação. "Estão inventando inflação. Eu ontem vi um pronunciamento da Dilma e do Guido Mantega (ministro da Fazenda), e sinto toda a firmeza. Nós não vamos permitir que a inflação volte. Nós, não só eles; como consumidores somos responsáveis para que não volte", insistiu.
Bem-humorado durante os 40 minutos de discurso, Lula admitiu que ainda não "desencarnou" completamente da Presidência da República. "Ainda não 'desencarnei' (da Presidência) totalmente, como vocês podem ver. Não é uma tarefa fácil a 'desencarnação'", brincou. "Assumi compromisso com a Dilma de que é preciso manter o processo de 'desencarnação' para não comprometê-la", afirmou o ex-presidente.
Apesar disso, Lula declarou que seu gradual afastamento da presidência deveria servir de exemplo. "Queria ensinar a alguns ex-presidentes para que se mantenham como eu e deixem a Dilma exercer o mandato dela", provocou. A referência velada teve como alvo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ele foi além nas críticas à oposição e foi ovacionado por isso. "O 'nunca antes na história deste país' era para provocar a oposição, porque eu sei o tanto que já falaram de mim, com discursos cheios de preconceito. (Eu) me determinei a provar que eu seria mais competente que eles para governar o país", orgulhou-se.
O ex-presidente ressaltou ainda, em diversos momentos de seu discurso, a proximidade do governo com o movimento sindical. "Duvido que, na história da humanidade, tenha (havido) um governo que executou a democracia como o Brasil. Nunca houve tantas conferências sindicais. Em outros países, sindicalista é visto como inimigo do governo."
Ele também celebrou o que considera ser uma ação de inclusão social implantada em seus dois mandatos e mantida na gestão de Dilma. "No Palácio do Planalto, que antes só recebia príncipes e banqueiros, agora continua recebendo príncipes e banqueiros, mas também os moradores de rua e deficientes físicos. É pra mostrar que eles podem entrar em uma igreja, num metrô ou num shopping center", disse.
Conselho a sindicalistas
Dirigindo-se aos sindicalistas que participavam do evento, o ex-presidente cobrou postura firme dos representantes dos trabalhadores em negociações com empresários. "A conquista do respeito é a condição básica para ter respeito", disse. "Se você entrar numa mesa de negociação de cabeça baixa, sem se respeitar, nenhum empresário vai ter dó de vocês", recomendou.
Em relação a futuros compromissos, o ex-presidente revelou que, apesar de sentir vontade de "sair em caravana e reuniões com a CUT (Central Única dos Trabalhadores)", precisa ter autocontrole para não ter comprometimento político. "Vou me dedicar à África. A experiência brasileira pode ajudar o continente africano e este será o meu trabalho daqui pra frente", disse
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Bertotti avalia que debate sobre mídia passa por rever concessões de rádio e TV
Virginia Toledo
Rede Brasil Atual
Publicado em 27/11/2010, 13:40
Última atualização às 10:06
Rosane Bertotti acredita que o Brasil pode sofrer atrasos se não debater a regulação da comunicação (Foto: Parizotti. CUT)
São Paulo - A mobilização dos movimentos sociais e sindicais são responsáveis pelo atual debate sobre regulação da comunicação no Brasil. Rosane Bertotti, diretora de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entende que a militância pela democratização do setor vai crescer ainda mais no país.
A defesa da sindicalista corrobora a declaração do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, em seminário sobre liberdade de imprensa, no qual afirmou que o debate é mérito da sociedade, "que conquistou a duras penas uma compreensão profunda de que a liberdade de imprensa é algo absolutamente indispensável para o exercício da democracia."
Bertotti acrescenta que a participação social no debate foi fortalecida com a realização da Conferência de Comunicação (Confecom), em dezembro passado. No entanto, adverte sobre a necessidade de fazer com que as questões levantadas na conferência não sejam esquecidas. "Não há como democratizar sem mudar a estrutura de concessão, que foi muito debatida na conferência".
Durante a Confecom, foi consenso que é preciso estabelecer a proibição de sublocação de espaços na programação e estudar o estabelecimento de critérios mais rígidos para outorgas e renovação de concessões, este último visando a impedir a formação de monopólios midiáticos.
Bertotti também faz destaque ao orçamento estrondoso que as empresas de telecomunicações alcançaram este ano, e afirma ser consequência da não regulamentação pública. Para ela,da maneira como o setor é conduzido no Brasil, o próprio mercado ou o capital acabam fazendo a regulamentação, que passa a ser uma espécie "do que quem é maior, pode mais".
Os motivos, segundo Bertotti, são relacionados à legislação que rege o setor, que não leva em consideração a situação tecnológica e o debate sobre liberdade de imprensa. "Ou nós entramos nesse processo para definir aquilo que a gente quer da comunicação brasileira ou então o Brasil ficará para trás". Para ela, isso levaria à perda de qualidade na produção do conteúdo informativo, além de haver uma depreciação ao processo democrático. "Precisamos continuar essa discussão na linha das propostas e do enfrentamento”, defende a sindicalista.
Espaço ao trabalhador
Rosane acredita que a luta pela democratização da mídia já começou antes mesmo da consolidação de um marco regulatório. Ela cita um projeto articulado dentro da CUT e que já encontra-se em tramitação no Congresso Nacional, em que as emissoras de rádio e televisão serão obrigadas a conceder às centrais sindicais horário gratuito na programação. Se aprovada, a transmissão deverá ser, obrigatoriamente, de matérias de interesse do trabalhador e da sociedade. O texto, que tramita em caráter conclusivo, já passou pela Comissão de Trabalho na Câmara e será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania
Rede Brasil Atual
Publicado em 27/11/2010, 13:40
Última atualização às 10:06
Rosane Bertotti acredita que o Brasil pode sofrer atrasos se não debater a regulação da comunicação (Foto: Parizotti. CUT)
São Paulo - A mobilização dos movimentos sociais e sindicais são responsáveis pelo atual debate sobre regulação da comunicação no Brasil. Rosane Bertotti, diretora de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entende que a militância pela democratização do setor vai crescer ainda mais no país.
A defesa da sindicalista corrobora a declaração do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, em seminário sobre liberdade de imprensa, no qual afirmou que o debate é mérito da sociedade, "que conquistou a duras penas uma compreensão profunda de que a liberdade de imprensa é algo absolutamente indispensável para o exercício da democracia."
Bertotti acrescenta que a participação social no debate foi fortalecida com a realização da Conferência de Comunicação (Confecom), em dezembro passado. No entanto, adverte sobre a necessidade de fazer com que as questões levantadas na conferência não sejam esquecidas. "Não há como democratizar sem mudar a estrutura de concessão, que foi muito debatida na conferência".
Durante a Confecom, foi consenso que é preciso estabelecer a proibição de sublocação de espaços na programação e estudar o estabelecimento de critérios mais rígidos para outorgas e renovação de concessões, este último visando a impedir a formação de monopólios midiáticos.
Bertotti também faz destaque ao orçamento estrondoso que as empresas de telecomunicações alcançaram este ano, e afirma ser consequência da não regulamentação pública. Para ela,da maneira como o setor é conduzido no Brasil, o próprio mercado ou o capital acabam fazendo a regulamentação, que passa a ser uma espécie "do que quem é maior, pode mais".
Os motivos, segundo Bertotti, são relacionados à legislação que rege o setor, que não leva em consideração a situação tecnológica e o debate sobre liberdade de imprensa. "Ou nós entramos nesse processo para definir aquilo que a gente quer da comunicação brasileira ou então o Brasil ficará para trás". Para ela, isso levaria à perda de qualidade na produção do conteúdo informativo, além de haver uma depreciação ao processo democrático. "Precisamos continuar essa discussão na linha das propostas e do enfrentamento”, defende a sindicalista.
Espaço ao trabalhador
Rosane acredita que a luta pela democratização da mídia já começou antes mesmo da consolidação de um marco regulatório. Ela cita um projeto articulado dentro da CUT e que já encontra-se em tramitação no Congresso Nacional, em que as emissoras de rádio e televisão serão obrigadas a conceder às centrais sindicais horário gratuito na programação. Se aprovada, a transmissão deverá ser, obrigatoriamente, de matérias de interesse do trabalhador e da sociedade. O texto, que tramita em caráter conclusivo, já passou pela Comissão de Trabalho na Câmara e será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania
sábado, 6 de novembro de 2010
Comunicación, frente de guerra en America Latina
La CSA crea una red sindical de información para fortalecer la lucha por la democratización de los medios. Promocionada por la Confederación Sindical de Trabajadores/as de las Américas, con la participación de centrales sindicales, organizaciones sociales y expertos de más de 20 países latinoamericanos, Conferencia en Montevidéu destacó la necesidad de más protagonismo de los trabajadores en la lucha por la libertad de expresión – considerada un “valor indispensable para la construcción de una sociedad más justa”.
Leonardo Wexell Severo, desde Montevideo
“Los frentes de guerra número uno, dos y tres están en los medios de comunicación y en el control de la opinión pública.” Las palabras del periodista vasco Unai Aranzadi, transmitidas por video a los participantes de la Conferencia Sindical sobre Democratización de la Comunicación, definieron las discusiones del encuentro, realizado en Montevideo los días 1 y 2 de noviembre. Según Aranzadi, los grandes medios siguen algunos “padrones de manipulación y de silencio impuestos por los conglomerados privados” para prostituir la información a cambio de la libertad de empresa y del discurso único del “partido del capital”.
Promocionada por la Confederación Sindical de Trabajadores/as de las Américas (www.csa-csi.org), con la participación de centrales sindicales, organizaciones sociales y expertos de más de 20 países latinoamericanos, la Conferencia destacó la necesidad de más protagonismo de los trabajadores en la lucha por la libertad de expresión – considerada un “valor indispensable para la construcción de una sociedad más justa”.
La actuación de los medios de comunicación de masa fue condenada por los participantes mientras se replicaban las denuncias de trasgresión, por parte de quienes hacen uso indebido de las concesiones públicas, a las más elementares normas de disputa democrática. Fueron mencionados desde el reciente caso brasileño – en el que el candidato de la oposición a la presidencia, José Serra, fue supuestamente “agredido” por una bolita de papel – hasta el racismo contra el presidente boliviano Evo Morales y las críticas a la presidenta Cristina Fernández, que aprobó una ley para disciplinar los abusos de los medios de comunicación en Argentina.
En la evaluación del secretario general de la CSA, Víctor Báez, mencionó lejemplos concretos de la necesidad de construirse un poder en red para contraponer las mentiras difundidas en contra de la soberanía y la libertad de los pueblos, Víctor habló del caso de los mineros chilenos.
Los 33 estuvieron 70 días bajo tierra, con los medios privados hablando mucho más de la acción de rescate y ocultando las verdaderas causas del desastre: la falta de inversiones en seguridad, por parte de la empresa, y la ausencia de fiscalización, por parte del gobierno. Por fuerza de la movilización popular, el gobierno tuvo que cerrar muchas minas privadas que se encontraban en las mismas condiciones.
“El movimiento sindical chileno habló de las causas del accidente, pero la denuncia se quedó aislada y la verdadera noticia no se difundió, porque todavía no hay una red”, evalúa Báez. “El derrumbe de la mina San José nos recordó el ocurrido en México, en Pasta de Conchos, en donde muchos trabajadores estuvieron enterrados a 100 metros de profundidad, sin cualquier auxilio. Y el dirigente sindical que denunció el accidente tuvo que exiliarse en Canadá.”
Imposición de un modelo
Rosane Bertotti, secretaria nacional de comunicación de la Central Única de Trabajadores (CUT) en Brasil, destacó la necesidad política e ideológica de construirse un nuevo marco para regular el sector. En la Conferencia en Montevideo, Rosane dijo que algunas medidas sanadoras fueron “debatidas democráticamente por la sociedad brasileña y aprobadas en los foros nacionales de comunicación, y ahora serán materializadas en la Consolidación de las Leyes Sociales” del país.
“La democratización de la comunicación es un paso esencial para la profundización de la democracia y elemento fundamental para la valoración de los seres humanos”, expresó. “Con su concepción neoliberal de Estado mínimo, los privatistas intentaron inculcarnos sus contra-valores, confundiendo libertad de prensa con libertad de empresa.”
Como contrapunto al escenario hegemónico de los grandes medios en Brasil, la secretaria de la CUT puntuó que la central sindical ha invertido en la estructuración de sus propios canales de TV y radio, que hace poco empezaron a transmitir.
Como recordó el uruguayo Aram Aharonian, fundador de la emisora Telesur y dirigente del Observatorio Comunicación y Democracia de Venezuela, es fundamental que el movimiento sindical se articule con los movimientos sociales para la disputa de proyectos en la arena mediática.
“Tres décadas atrás, para imponerse un modelo político-económico teníamos que recurrir a las armas, con saldo de millares de muertos, desaparecidos y torturados”, destacó. “Hoy los medios de comunicación de masa llevan el bombardeo del mensaje hegemónico directamente al salón de nuestras casas, a nuestras cocinas y habitaciones, en las 24 horas del día.”
Imagem removida pelo remetente.La conformación de una red de comunicación sindical coloca las entidades en una nueva posición de acción democratizadoraImagem removida pelo remetente.
Según el pensamiento de Aharonian, “actualmente son las grandes corporaciones que manejan el latifundio mediático, que crean imaginarios colectivos virtuales y deciden quién tiene la palabra, quién es el protagonista y el antagonista, mientras trabajan para que las grandes mayorías sigan mudas e invisibles”.
Para combatir esta “verdadera dictadura mediática”, defendió el periodista, se tiene que “reivindicar y trasformar en realidad el sentido etimológico de la comunicación, que implica diálogo, interacción e intercambio para construir consensos entre las partes involucradas en el proceso.” Aharonian hizo hincapié en la importancia de la propuesta de la CSA para estructurar redes para construir un movimiento contra-hegemónico con vistas a incentivar acciones esparcidas en el continente, tornándolas mucho más fuertes y eficientes.
Gustavo Gómez Germano, director nacional de telecomunicaciones del Uruguay, resaltó que, en América Latina, por muchas razones, se está produciendo un proceso de revisión de las leyes sobre los medios de comunicación, en especial los electrónicos, como radio y TV. “En realidad, se trata de un proceso de re-regulación, porque la regulación anterior habilitaba y fomentaba la concentración de los medios en manos de unos pocos, a la vez que obstaculizaba el acceso a las grandes mayorías.”
De acuerdo con Gómez, los Estados deben revisar y reformar sus legislaciones y realizar controles adecuados para revertir e impedir la formación de monopolios y oligopolios en el control de los medios de comunicación. “Sin el Estado no desempeña un rol activo, la democratización no será posible, el libre juego de la oferta y demanda no disminuirá los abismos existentes en nuestras sociedades”, añadió.
Nuevo internacionalismo
Álvaro Padrón, de la Fundación Friedrich Ebert, entidad que apoyó la Conferencia de Montevideo, dice que el momento es de un “nuevo internacionalismo, con nueva base pragmática, más unidad y más pluralidad”. Según Padrón, cuestiones que eran marginales ahora ganan más trascendencia en el embate de ideas, poniendo en jaque la concentración de los medios. La conformación de una red de comunicación sindical, añadió, es una tarea urgente para colocar las entidades en una nueva posición de acción democratizadora. Así se puede virar la página del neoliberalismo que todavía asfixia muchos Estados nacionales.
Omar Rincón, también de la Fundación Friedrich Ebert, cree que estamos asistiendo a “una batalla inédita por el relato del país y por la hegemonía política, en donde los medios privados crearon su propia realidad, que representa a los dueños de los medios y que expresa poca transparencia informativa y económica.”
El representante del Colectivo Intervoces, de Brasil, Pedro Eckman rescató la trayectoria de lucha de los movimientos sociales por la libertad de expresión y demostró cómo los intereses de los grandes barones de la comunicación y de la libre empresa cayeron en contradicción frente a los derechos comunicacionales. Eckman defiende la necesidad de más articulación con el conyunto de los movimientos sociales para que caminen juntos en la consolidación de las redes contra-hegemónicas. Y explicó que “no es necesario reinventar la rueda, una vez que ya hay mucha experiencia acumulada. Basta fortalecer las alianzas.”
La Agencia Latino Americana de Información (ALAI) estuvo representada en la Conferencia de Montevideo por Osvaldo León, para quien el momento favorece una campaña sincronizada por la democratización de la comunicación. Nunca estuvo tan claro el papel dañino de los grandes oligopolios mediáticos, que encarnan una agresión al verdadero papel y a la responsabilidad de los medios de comunicación.
“Pluralidad y diversidad no entran en estos medios que ahí están. Por ello, nosotros defendemos la necesidad de invertir y contar con instrumentos propios. Si no decimos nuestra propia palabra, los otros no la van a decir.”
Leonardo Wexell Severo, desde Montevideo
“Los frentes de guerra número uno, dos y tres están en los medios de comunicación y en el control de la opinión pública.” Las palabras del periodista vasco Unai Aranzadi, transmitidas por video a los participantes de la Conferencia Sindical sobre Democratización de la Comunicación, definieron las discusiones del encuentro, realizado en Montevideo los días 1 y 2 de noviembre. Según Aranzadi, los grandes medios siguen algunos “padrones de manipulación y de silencio impuestos por los conglomerados privados” para prostituir la información a cambio de la libertad de empresa y del discurso único del “partido del capital”.
Promocionada por la Confederación Sindical de Trabajadores/as de las Américas (www.csa-csi.org), con la participación de centrales sindicales, organizaciones sociales y expertos de más de 20 países latinoamericanos, la Conferencia destacó la necesidad de más protagonismo de los trabajadores en la lucha por la libertad de expresión – considerada un “valor indispensable para la construcción de una sociedad más justa”.
La actuación de los medios de comunicación de masa fue condenada por los participantes mientras se replicaban las denuncias de trasgresión, por parte de quienes hacen uso indebido de las concesiones públicas, a las más elementares normas de disputa democrática. Fueron mencionados desde el reciente caso brasileño – en el que el candidato de la oposición a la presidencia, José Serra, fue supuestamente “agredido” por una bolita de papel – hasta el racismo contra el presidente boliviano Evo Morales y las críticas a la presidenta Cristina Fernández, que aprobó una ley para disciplinar los abusos de los medios de comunicación en Argentina.
En la evaluación del secretario general de la CSA, Víctor Báez, mencionó lejemplos concretos de la necesidad de construirse un poder en red para contraponer las mentiras difundidas en contra de la soberanía y la libertad de los pueblos, Víctor habló del caso de los mineros chilenos.
Los 33 estuvieron 70 días bajo tierra, con los medios privados hablando mucho más de la acción de rescate y ocultando las verdaderas causas del desastre: la falta de inversiones en seguridad, por parte de la empresa, y la ausencia de fiscalización, por parte del gobierno. Por fuerza de la movilización popular, el gobierno tuvo que cerrar muchas minas privadas que se encontraban en las mismas condiciones.
“El movimiento sindical chileno habló de las causas del accidente, pero la denuncia se quedó aislada y la verdadera noticia no se difundió, porque todavía no hay una red”, evalúa Báez. “El derrumbe de la mina San José nos recordó el ocurrido en México, en Pasta de Conchos, en donde muchos trabajadores estuvieron enterrados a 100 metros de profundidad, sin cualquier auxilio. Y el dirigente sindical que denunció el accidente tuvo que exiliarse en Canadá.”
Imposición de un modelo
Rosane Bertotti, secretaria nacional de comunicación de la Central Única de Trabajadores (CUT) en Brasil, destacó la necesidad política e ideológica de construirse un nuevo marco para regular el sector. En la Conferencia en Montevideo, Rosane dijo que algunas medidas sanadoras fueron “debatidas democráticamente por la sociedad brasileña y aprobadas en los foros nacionales de comunicación, y ahora serán materializadas en la Consolidación de las Leyes Sociales” del país.
“La democratización de la comunicación es un paso esencial para la profundización de la democracia y elemento fundamental para la valoración de los seres humanos”, expresó. “Con su concepción neoliberal de Estado mínimo, los privatistas intentaron inculcarnos sus contra-valores, confundiendo libertad de prensa con libertad de empresa.”
Como contrapunto al escenario hegemónico de los grandes medios en Brasil, la secretaria de la CUT puntuó que la central sindical ha invertido en la estructuración de sus propios canales de TV y radio, que hace poco empezaron a transmitir.
Como recordó el uruguayo Aram Aharonian, fundador de la emisora Telesur y dirigente del Observatorio Comunicación y Democracia de Venezuela, es fundamental que el movimiento sindical se articule con los movimientos sociales para la disputa de proyectos en la arena mediática.
“Tres décadas atrás, para imponerse un modelo político-económico teníamos que recurrir a las armas, con saldo de millares de muertos, desaparecidos y torturados”, destacó. “Hoy los medios de comunicación de masa llevan el bombardeo del mensaje hegemónico directamente al salón de nuestras casas, a nuestras cocinas y habitaciones, en las 24 horas del día.”
Imagem removida pelo remetente.La conformación de una red de comunicación sindical coloca las entidades en una nueva posición de acción democratizadoraImagem removida pelo remetente.
Según el pensamiento de Aharonian, “actualmente son las grandes corporaciones que manejan el latifundio mediático, que crean imaginarios colectivos virtuales y deciden quién tiene la palabra, quién es el protagonista y el antagonista, mientras trabajan para que las grandes mayorías sigan mudas e invisibles”.
Para combatir esta “verdadera dictadura mediática”, defendió el periodista, se tiene que “reivindicar y trasformar en realidad el sentido etimológico de la comunicación, que implica diálogo, interacción e intercambio para construir consensos entre las partes involucradas en el proceso.” Aharonian hizo hincapié en la importancia de la propuesta de la CSA para estructurar redes para construir un movimiento contra-hegemónico con vistas a incentivar acciones esparcidas en el continente, tornándolas mucho más fuertes y eficientes.
Gustavo Gómez Germano, director nacional de telecomunicaciones del Uruguay, resaltó que, en América Latina, por muchas razones, se está produciendo un proceso de revisión de las leyes sobre los medios de comunicación, en especial los electrónicos, como radio y TV. “En realidad, se trata de un proceso de re-regulación, porque la regulación anterior habilitaba y fomentaba la concentración de los medios en manos de unos pocos, a la vez que obstaculizaba el acceso a las grandes mayorías.”
De acuerdo con Gómez, los Estados deben revisar y reformar sus legislaciones y realizar controles adecuados para revertir e impedir la formación de monopolios y oligopolios en el control de los medios de comunicación. “Sin el Estado no desempeña un rol activo, la democratización no será posible, el libre juego de la oferta y demanda no disminuirá los abismos existentes en nuestras sociedades”, añadió.
Nuevo internacionalismo
Álvaro Padrón, de la Fundación Friedrich Ebert, entidad que apoyó la Conferencia de Montevideo, dice que el momento es de un “nuevo internacionalismo, con nueva base pragmática, más unidad y más pluralidad”. Según Padrón, cuestiones que eran marginales ahora ganan más trascendencia en el embate de ideas, poniendo en jaque la concentración de los medios. La conformación de una red de comunicación sindical, añadió, es una tarea urgente para colocar las entidades en una nueva posición de acción democratizadora. Así se puede virar la página del neoliberalismo que todavía asfixia muchos Estados nacionales.
Omar Rincón, también de la Fundación Friedrich Ebert, cree que estamos asistiendo a “una batalla inédita por el relato del país y por la hegemonía política, en donde los medios privados crearon su propia realidad, que representa a los dueños de los medios y que expresa poca transparencia informativa y económica.”
El representante del Colectivo Intervoces, de Brasil, Pedro Eckman rescató la trayectoria de lucha de los movimientos sociales por la libertad de expresión y demostró cómo los intereses de los grandes barones de la comunicación y de la libre empresa cayeron en contradicción frente a los derechos comunicacionales. Eckman defiende la necesidad de más articulación con el conyunto de los movimientos sociales para que caminen juntos en la consolidación de las redes contra-hegemónicas. Y explicó que “no es necesario reinventar la rueda, una vez que ya hay mucha experiencia acumulada. Basta fortalecer las alianzas.”
La Agencia Latino Americana de Información (ALAI) estuvo representada en la Conferencia de Montevideo por Osvaldo León, para quien el momento favorece una campaña sincronizada por la democratización de la comunicación. Nunca estuvo tan claro el papel dañino de los grandes oligopolios mediáticos, que encarnan una agresión al verdadero papel y a la responsabilidad de los medios de comunicación.
“Pluralidad y diversidad no entran en estos medios que ahí están. Por ello, nosotros defendemos la necesidad de invertir y contar con instrumentos propios. Si no decimos nuestra propia palabra, los otros no la van a decir.”
MÍDIA - Centrais sindicais criam rede de comunicação na A.Latina
A Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (CSA) decidiu criar uma rede sindical de informação no continente para fortalecer a luta pela democratização dos meios de comunicação. Conferência realizada em Montevidéu reuniu entidades sindicais e movimentos sociais de mais de 20 países latinoamericanos para discutir a situação da comunicação no continente. Manipulação midiática da suposta agressão do candidato José Serra por uma bolinha de papel e postura racista contra o presidente boliviano Evo Morales foram citados como exemplos de que "as frentes de guerra número um, dois e três estão nos meios de comunicação e no controle da opinião pública, nas palavras do jornalista basco Unai Aranzadi.
Leonardo Wexell Severo
“As frentes de guerra número um, dois e três estão nos meios de comunicação e no controle da opinião pública”. As palavras do jornalista basco Unai Aranzadi, transmitidas em vídeo aos participantes da Conferência Sindical sobre Democratização da Comunicação, definiram as discussões do encontro realizado em Montevidéu nos dias 1° e 2 de novembro. Segundo Aranzadi, os grandes meios seguem alguns “padrões de manipulação e de silêncio impostos pelos conglomerados privados” para prostituir a informação em troca da liberdade de empresa e do discurso único do “partido do capital”.
Promovida pela Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (http://www.csa-csi.org), com a participação de centrais sindicais, organizações sociais e especialistas de mais de 20 países latino-americanos, a Conferência destacou a necessidade de mais protagonismo dos trabalhadores na luta pela liberdade de expressão – considerada um “valor indispensável para a construção de uma sociedade mais justa”.
A atuação dos meios de comunicação de massa foi condenada pelos participantes enquanto se repetiam as denúncias de desrespeito, por parte de quem faz uso indevido de concessões públicas, das mais elementares normas de disputa democrática. Foram mencionados desde o recente caso brasileiro – onde o candidato da oposição à presidência, José Serra, foi supostamente “agredido” por uma bolinha de papel – até o racismo contra o presidente boliviano Evo Morales e as críticas a presidente Cristina Fernández, que aprovou uma lei para disciplinar os abusos dos meios de comunicação na Argentina.
O secretário geral da CSA, Víctor Báez, mencionou exemplos concretos da necessidade de construir um poder em rede para contrapor as mentiras difundidas contra a soberania e a liberdade dos povos. Víctor falou do caso dos mineiros chilenos. Os 33 mineiros estiveram 70 dias debaixo da terra, com os meios de comunicação privados falando muito mais da ação de resgate e ocultando as verdadeiras causas do desastre: a falta de investimentos em segurança por parte da empresa, a ausência de fiscalização por parte do governo. Por força da mobilização popular, o governo teve que fechar minhas privadas que se encontravam nas mesmas condições.
“O movimento sindical chileno falou das causas do acidente, mas a denúncia acabou isolada e a verdadeira notícia não foi difundida porque não havia uma rede articulada para fazer isso”, avaliou Báez. “O desmoronamento na mina de San José nos lembrou do fato ocorrido no México, em Pasta de Conchos, onde muitos trabalhadores ficaram enterrados a 100 metros de profundidade, sem qualquer auxílio. E o dirigente sindical que denunciou o acidente teve que se exilar no Canadá”.
Imposição de um modelo
Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da Central Única de Trabalhadores (CUT), do Brasil, destacou a necessidade política e ideológica de se construir um novo marco para regular o setor. Na conferência de Montevidéu, Rosane disse que algumas das medidas a serem tomadas foram debatidas democraticamente pela sociedade brasileira e aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação, devendo agora serem materializadas na Consolidação das Leis Sociais do país.
“A democratização da comunicação é um passo essencial para o aprofundamento da democracia e é um elemento fundamental para a valorização dos seres humanos. Com sua concepção neoliberal de Estado mínimo, os privatistas tentaram nos impor seus contra-valores, confundindo liberdade de imprensa com liberdade de empresa”, acrescentou Rosane. Como contrapartida ao cenário hegemônico dos grandes meios de comunicação no Brasil, a secretária da CUT apontou que a central sindical investiu na estruturação de seus próprios canais de TV e rádio que começaram a transmitir sua programação recentemente.
Como lembrou o uruguaio Aram Aharonian, fundador da Telesur e dirigente do Observatório Comunicação e Democracia, da Venezuela, é fundamental que o movimento sindical se articule com os movimentos sociais para a disputa de projetos na arena midiática. “Três décadas atrás, para impor-se um modelo político-econômico tínhamos que recorrer às armas, com um saldo de milhares de mortos, desaparecidos e torturados. Hoje, os meios de comunicação de massa levam o bombardeio da mensagem hegemônica diretamente à sala de nossas casas, 24 horas por dia”.
A criação de uma rede de comunicação sindical
Segundo o pensamento de Aharonian, “atualmente são as grandes corporações que manejam o latifúndio midiático, que criam imaginários coletivos virtuais e decidem quem tem a palavra, quem é o protagonista e o antagonista, enquanto trabalham para que as grandes maiorias sigam mudas e invisíveis”. Para combater esta “verdadeira ditadura midiática”, defendeu o jornalista, é preciso “reivindicar e transformar em realidade o sentido etimológico da comunicação, que implica diálogo, interação e intercâmbio para construir consensos entre as partes envolvidas no processo”. Aharonian destacou a importância da proposta da CSA para estruturar redes para construir um movimento contra-hegemônico com vistas a incentivar ações espalhadas no continente, tornando-as muito mais fortes e eficientes.
Gustavo Gómez Germano, diretor nacional de telecomunicações do Uruguai, ressaltou que, na América latina, por muitas razões, está se produzindo um processo de revisão das leis sobre os meios de comunicação, em especial os eletrônicos, com o rádio e TV. “Na verdade, trata-se de um processo de re-regulação, porque a regulação anterior habilitava e fomentava a concentração dos meios de comunicação nas mãos de uns poucos, ao mesmo tempo em que obstaculizava o acesso às grandes maiorias”.
De acordo com Gómez, os Estados devem revisar e reformar suas legislações e realizar controles adequados para reverter e impedir a formação de monopólios e oligopólios no controle dos meios de comunicação. “Se o Estado não desempenha um papel ativo, a democratização não será possível, o livre jogo da oferta e da demanda não diminuirá os abismos existentes em nossas sociedades”, acrescentou.
Novo internacionalismo
Álvaro Padrón, da Fundação Friedrich Ebert, entidade que apoiou a Conferência de Montevidéu, disse que o momento é de um “novo internacionalismo, com nova base pragmática, mais unidade e mais pluralidade”. Segundo Padrón, questões que eram marginais agora ganham mais transcendência no embate de idéias, pondo em questão a concentração dos meios. A conformação de uma rede de comunicação sindical, acrescentou, é uma tarefa urgente para colocar as entidades em uma nova posição de ação democratizadora. Assim, será possível virar a página do neoliberalismo que ainda asfixia muitos Estados nacionais.
Omar Rincón, também da Fundação Friedrich Ebert, acredita que estamos assistindo a “uma batalha inédita pelo relato do país e pela hegemonia política, onde os meios privados criaram sua própria realidade, que representa os donos desses meios que expressam pouca transparência informativa e econômica”.
O representante do Coletivo Intervozes, do Brasil, Pedro Eckman, resgatou a trajetória de luta dos movimentos sociais pela liberdade de expressão e demonstrou como os interesses dos grandes barões da comunicação e da livre empresa entraram em contradição frente aos direitos comunicacionais. Eckman defendeu a necessidade de mais articulação com o conjunto dos movimentos sociais para que caminhem juntos na consolidação das redes contra-hegemônicas. E explicou que “não é necessário reinventar a roída, uma vez que já há muita experiência acumulada. Basta fortalecer as alianças”.
A Agência Latinoamericana de Informação (ALAI) esteve representada na Conferência de Montevidéu por Osvaldo León, para quem o momento favorece uma campanha sincronizada pela democratização da comunicação. “Nunca esteve tão claro o papel danoso dos grandes oligopólios midiáticos, que encarnam uma agressão ao verdadeiro papel e à responsabilidade dos meios de comunicação. Pluralidade e diversidade não entram nestes meios que aí estão. Por isso, nós defendemos a necessidade de investir e contar com instrumentos próprios. Se não dizemos nossa própria palavra, os outros vão dizê-la por nós”.
Documento final de la Conferencia Democratización de la Comunicación
Conferencia Sindical Democratización de la Comunicación en las Américas
Uruguay, 1-2 Noviembre
La “Conferencia Sindical Democratización de la Comunicación”, realizada en Montevideo, Uruguay, los días 1 y 2 de noviembre de 2010, convocada por la Confederación Sindical de Trabajadores/as de las Américas (CSA), con apoyo de la Fundación Friedrich Ebert (FES), con participación de representantes del movimiento sindical, de organizaciones sociales y especialistas, adopta la siguiente declaración:
Las organizaciones sindicales y sociales de las Américas consideran urgente el papel activo del Estado por democratizar la comunicación, el fomento de los medios comunitarios, la movilización de la clase trabajadora y el mejoramiento de las condiciones laborales de comunicadores y trabajadores de los medios en nuestra región como factor indispensable para la construcción de una sociedad más justa, inclusiva y diversa.
COMUNICACIÓN Y DEMOCRACIA EN LAS AMÉRICAS
Democratizar la comunicación significa:
→ Defender la libertad de expresión y de infomación de cualquier intromisión por parte de grupos económicos y gubernamentales.
→ Promover el derecho a la comunicación como Derecho Humano fundamental que debe ejercer cada persona.
→ Garantizar la diversidad y el pluralismo con marcos regulatorios que aseguren igualdad de oportunidades en el acceso a los medios y equidad en el uso de las frecuencias radioeléctricas.
→ Rechazar e impedir la formación de monopolios y oligopolios en la propiedad y control de los medios de comunicación.
→ Denunciar los intereses mediáticos corporativos que sólo ven los medios de comunicación como instrumento de rentabilidad e incidencia en la toma de decisiones del poder.
→ Rescatar el rol y la importancia de los medios públicos de comunicación
→ Considerar a comunicadores y trabajadores de los medios como sujetos de derechos y velar por el respeto absoluto de su integridad física e intelectual
¡Todo trabajador y trabajadora es un creador y productor de comunicación!
EL PAPEL DEL ESTADO Y LOS MEDIOS COMUNITARIOS
Fomentar los medios comunitarios y ciudadanos significa que:
→ Hay mayor presencia y diversidad de comunicadores y medios comunitarios resultando en la profundización de la democracia y diversificando las agendas públicas para el debate.
→ El Estado garantiza la libertad de expresión de todos los actores y sectores de la sociedad y para eso asegura condiciones legales, tecnológicas y comunicativas
→ El Estado apoya la creación de medios de comunicación por parte de los movimientos populares y las organizaciones sindicales.
→ En los presupuestos de las entidades públicas con destino a la publicidad se contrata pauta con las organizaciones sindicales y sociales que tengan medios de comunicación
→ El Estado vela por condiciones laborales justas para comunicadores sociales y trabajadores/as de los medios.
LA MOVILIZACIÓN DE LA CLASE TRABAJADORA
En vista de esas consideraciones, el movimiento sindical de las Américas debe incluir a la comunicación como parte de su discurso político sus demandas y programas de acción. Dentro de esta lucha, las organizaciones de las/os trabajadores/as se comprometen a impulsar los siguientes aspectos como parte de su política:
La Democratización de la Comunicación
→ Las organizaciones sindicales deben estar involucradas en la disputa por la democratización de la comunicación
→ El movimiento sindical debe reapropiarse de la libertad de información y el derecho a la comunicación como lucha popular y debe tener voz y acción en los procesos de legislación de la comunicación que está pasando en la región
→ Participar activamente en el movimiento social por una comunicación autónoma e independiente de los gobiernos para formar base popular y ganar sostenibilidad a la comunicación como bien público más allá de los gobiernos
La comunicación sindical
→ El movimiento sindical debe situar a la comunicación como un eje transversal de todas sus actividades y concebirla como una estrategia prioritaria en el desarrollo de sus organizaciones
→ La comunicación sindical debe ir más allá de la tarea de informar. Convertirla en una estrategia y agente del cambio para la promoción de los derechos de toda la clase trabajadora
→ Creación de la red de comunicadores sindicales que fortalezca la acción de la clase trabajadora y promueva la solidaridad y el intercambio de experiencias positivas de comunicación entre las organizaciones sindicales. Particularmente cuando asesinan a un comunicador o atacan a un medio de comunicación.
→ La utilización de las nuevas tecnologías para vigorizar la comunicación con sus afiliados, alcanzar a trabajadores/as no sindicalizados, comunicarse con la juventud trabajadora y desarrollar estrategias de formación
→ Las organizaciones sindicales deben promover la participación de sus afiliados/as y dirigentes en todas las tareas de comunicación y no debe tratarlos/as como una audiencia pasiva.
→ Fomentar las alianzas con movimientos sociales y los medios comunitarios, como aliados importantes en la lucha por la democratización de la comunicación
La comunicación debe estar en el centro de las estrategias de reestructuración y reforma del movimiento sindical estimulando la más amplia participación de las bases en el camino por mayor democracia sindical.
Leonardo Wexell Severo
“As frentes de guerra número um, dois e três estão nos meios de comunicação e no controle da opinião pública”. As palavras do jornalista basco Unai Aranzadi, transmitidas em vídeo aos participantes da Conferência Sindical sobre Democratização da Comunicação, definiram as discussões do encontro realizado em Montevidéu nos dias 1° e 2 de novembro. Segundo Aranzadi, os grandes meios seguem alguns “padrões de manipulação e de silêncio impostos pelos conglomerados privados” para prostituir a informação em troca da liberdade de empresa e do discurso único do “partido do capital”.
Promovida pela Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas (http://www.csa-csi.org), com a participação de centrais sindicais, organizações sociais e especialistas de mais de 20 países latino-americanos, a Conferência destacou a necessidade de mais protagonismo dos trabalhadores na luta pela liberdade de expressão – considerada um “valor indispensável para a construção de uma sociedade mais justa”.
A atuação dos meios de comunicação de massa foi condenada pelos participantes enquanto se repetiam as denúncias de desrespeito, por parte de quem faz uso indevido de concessões públicas, das mais elementares normas de disputa democrática. Foram mencionados desde o recente caso brasileiro – onde o candidato da oposição à presidência, José Serra, foi supostamente “agredido” por uma bolinha de papel – até o racismo contra o presidente boliviano Evo Morales e as críticas a presidente Cristina Fernández, que aprovou uma lei para disciplinar os abusos dos meios de comunicação na Argentina.
O secretário geral da CSA, Víctor Báez, mencionou exemplos concretos da necessidade de construir um poder em rede para contrapor as mentiras difundidas contra a soberania e a liberdade dos povos. Víctor falou do caso dos mineiros chilenos. Os 33 mineiros estiveram 70 dias debaixo da terra, com os meios de comunicação privados falando muito mais da ação de resgate e ocultando as verdadeiras causas do desastre: a falta de investimentos em segurança por parte da empresa, a ausência de fiscalização por parte do governo. Por força da mobilização popular, o governo teve que fechar minhas privadas que se encontravam nas mesmas condições.
“O movimento sindical chileno falou das causas do acidente, mas a denúncia acabou isolada e a verdadeira notícia não foi difundida porque não havia uma rede articulada para fazer isso”, avaliou Báez. “O desmoronamento na mina de San José nos lembrou do fato ocorrido no México, em Pasta de Conchos, onde muitos trabalhadores ficaram enterrados a 100 metros de profundidade, sem qualquer auxílio. E o dirigente sindical que denunciou o acidente teve que se exilar no Canadá”.
Imposição de um modelo
Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da Central Única de Trabalhadores (CUT), do Brasil, destacou a necessidade política e ideológica de se construir um novo marco para regular o setor. Na conferência de Montevidéu, Rosane disse que algumas das medidas a serem tomadas foram debatidas democraticamente pela sociedade brasileira e aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação, devendo agora serem materializadas na Consolidação das Leis Sociais do país.
“A democratização da comunicação é um passo essencial para o aprofundamento da democracia e é um elemento fundamental para a valorização dos seres humanos. Com sua concepção neoliberal de Estado mínimo, os privatistas tentaram nos impor seus contra-valores, confundindo liberdade de imprensa com liberdade de empresa”, acrescentou Rosane. Como contrapartida ao cenário hegemônico dos grandes meios de comunicação no Brasil, a secretária da CUT apontou que a central sindical investiu na estruturação de seus próprios canais de TV e rádio que começaram a transmitir sua programação recentemente.
Como lembrou o uruguaio Aram Aharonian, fundador da Telesur e dirigente do Observatório Comunicação e Democracia, da Venezuela, é fundamental que o movimento sindical se articule com os movimentos sociais para a disputa de projetos na arena midiática. “Três décadas atrás, para impor-se um modelo político-econômico tínhamos que recorrer às armas, com um saldo de milhares de mortos, desaparecidos e torturados. Hoje, os meios de comunicação de massa levam o bombardeio da mensagem hegemônica diretamente à sala de nossas casas, 24 horas por dia”.
A criação de uma rede de comunicação sindical
Segundo o pensamento de Aharonian, “atualmente são as grandes corporações que manejam o latifúndio midiático, que criam imaginários coletivos virtuais e decidem quem tem a palavra, quem é o protagonista e o antagonista, enquanto trabalham para que as grandes maiorias sigam mudas e invisíveis”. Para combater esta “verdadeira ditadura midiática”, defendeu o jornalista, é preciso “reivindicar e transformar em realidade o sentido etimológico da comunicação, que implica diálogo, interação e intercâmbio para construir consensos entre as partes envolvidas no processo”. Aharonian destacou a importância da proposta da CSA para estruturar redes para construir um movimento contra-hegemônico com vistas a incentivar ações espalhadas no continente, tornando-as muito mais fortes e eficientes.
Gustavo Gómez Germano, diretor nacional de telecomunicações do Uruguai, ressaltou que, na América latina, por muitas razões, está se produzindo um processo de revisão das leis sobre os meios de comunicação, em especial os eletrônicos, com o rádio e TV. “Na verdade, trata-se de um processo de re-regulação, porque a regulação anterior habilitava e fomentava a concentração dos meios de comunicação nas mãos de uns poucos, ao mesmo tempo em que obstaculizava o acesso às grandes maiorias”.
De acordo com Gómez, os Estados devem revisar e reformar suas legislações e realizar controles adequados para reverter e impedir a formação de monopólios e oligopólios no controle dos meios de comunicação. “Se o Estado não desempenha um papel ativo, a democratização não será possível, o livre jogo da oferta e da demanda não diminuirá os abismos existentes em nossas sociedades”, acrescentou.
Novo internacionalismo
Álvaro Padrón, da Fundação Friedrich Ebert, entidade que apoiou a Conferência de Montevidéu, disse que o momento é de um “novo internacionalismo, com nova base pragmática, mais unidade e mais pluralidade”. Segundo Padrón, questões que eram marginais agora ganham mais transcendência no embate de idéias, pondo em questão a concentração dos meios. A conformação de uma rede de comunicação sindical, acrescentou, é uma tarefa urgente para colocar as entidades em uma nova posição de ação democratizadora. Assim, será possível virar a página do neoliberalismo que ainda asfixia muitos Estados nacionais.
Omar Rincón, também da Fundação Friedrich Ebert, acredita que estamos assistindo a “uma batalha inédita pelo relato do país e pela hegemonia política, onde os meios privados criaram sua própria realidade, que representa os donos desses meios que expressam pouca transparência informativa e econômica”.
O representante do Coletivo Intervozes, do Brasil, Pedro Eckman, resgatou a trajetória de luta dos movimentos sociais pela liberdade de expressão e demonstrou como os interesses dos grandes barões da comunicação e da livre empresa entraram em contradição frente aos direitos comunicacionais. Eckman defendeu a necessidade de mais articulação com o conjunto dos movimentos sociais para que caminhem juntos na consolidação das redes contra-hegemônicas. E explicou que “não é necessário reinventar a roída, uma vez que já há muita experiência acumulada. Basta fortalecer as alianças”.
A Agência Latinoamericana de Informação (ALAI) esteve representada na Conferência de Montevidéu por Osvaldo León, para quem o momento favorece uma campanha sincronizada pela democratização da comunicação. “Nunca esteve tão claro o papel danoso dos grandes oligopólios midiáticos, que encarnam uma agressão ao verdadeiro papel e à responsabilidade dos meios de comunicação. Pluralidade e diversidade não entram nestes meios que aí estão. Por isso, nós defendemos a necessidade de investir e contar com instrumentos próprios. Se não dizemos nossa própria palavra, os outros vão dizê-la por nós”.
Documento final de la Conferencia Democratización de la Comunicación
Conferencia Sindical Democratización de la Comunicación en las Américas
Uruguay, 1-2 Noviembre
La “Conferencia Sindical Democratización de la Comunicación”, realizada en Montevideo, Uruguay, los días 1 y 2 de noviembre de 2010, convocada por la Confederación Sindical de Trabajadores/as de las Américas (CSA), con apoyo de la Fundación Friedrich Ebert (FES), con participación de representantes del movimiento sindical, de organizaciones sociales y especialistas, adopta la siguiente declaración:
Las organizaciones sindicales y sociales de las Américas consideran urgente el papel activo del Estado por democratizar la comunicación, el fomento de los medios comunitarios, la movilización de la clase trabajadora y el mejoramiento de las condiciones laborales de comunicadores y trabajadores de los medios en nuestra región como factor indispensable para la construcción de una sociedad más justa, inclusiva y diversa.
COMUNICACIÓN Y DEMOCRACIA EN LAS AMÉRICAS
Democratizar la comunicación significa:
→ Defender la libertad de expresión y de infomación de cualquier intromisión por parte de grupos económicos y gubernamentales.
→ Promover el derecho a la comunicación como Derecho Humano fundamental que debe ejercer cada persona.
→ Garantizar la diversidad y el pluralismo con marcos regulatorios que aseguren igualdad de oportunidades en el acceso a los medios y equidad en el uso de las frecuencias radioeléctricas.
→ Rechazar e impedir la formación de monopolios y oligopolios en la propiedad y control de los medios de comunicación.
→ Denunciar los intereses mediáticos corporativos que sólo ven los medios de comunicación como instrumento de rentabilidad e incidencia en la toma de decisiones del poder.
→ Rescatar el rol y la importancia de los medios públicos de comunicación
→ Considerar a comunicadores y trabajadores de los medios como sujetos de derechos y velar por el respeto absoluto de su integridad física e intelectual
¡Todo trabajador y trabajadora es un creador y productor de comunicación!
EL PAPEL DEL ESTADO Y LOS MEDIOS COMUNITARIOS
Fomentar los medios comunitarios y ciudadanos significa que:
→ Hay mayor presencia y diversidad de comunicadores y medios comunitarios resultando en la profundización de la democracia y diversificando las agendas públicas para el debate.
→ El Estado garantiza la libertad de expresión de todos los actores y sectores de la sociedad y para eso asegura condiciones legales, tecnológicas y comunicativas
→ El Estado apoya la creación de medios de comunicación por parte de los movimientos populares y las organizaciones sindicales.
→ En los presupuestos de las entidades públicas con destino a la publicidad se contrata pauta con las organizaciones sindicales y sociales que tengan medios de comunicación
→ El Estado vela por condiciones laborales justas para comunicadores sociales y trabajadores/as de los medios.
LA MOVILIZACIÓN DE LA CLASE TRABAJADORA
En vista de esas consideraciones, el movimiento sindical de las Américas debe incluir a la comunicación como parte de su discurso político sus demandas y programas de acción. Dentro de esta lucha, las organizaciones de las/os trabajadores/as se comprometen a impulsar los siguientes aspectos como parte de su política:
La Democratización de la Comunicación
→ Las organizaciones sindicales deben estar involucradas en la disputa por la democratización de la comunicación
→ El movimiento sindical debe reapropiarse de la libertad de información y el derecho a la comunicación como lucha popular y debe tener voz y acción en los procesos de legislación de la comunicación que está pasando en la región
→ Participar activamente en el movimiento social por una comunicación autónoma e independiente de los gobiernos para formar base popular y ganar sostenibilidad a la comunicación como bien público más allá de los gobiernos
La comunicación sindical
→ El movimiento sindical debe situar a la comunicación como un eje transversal de todas sus actividades y concebirla como una estrategia prioritaria en el desarrollo de sus organizaciones
→ La comunicación sindical debe ir más allá de la tarea de informar. Convertirla en una estrategia y agente del cambio para la promoción de los derechos de toda la clase trabajadora
→ Creación de la red de comunicadores sindicales que fortalezca la acción de la clase trabajadora y promueva la solidaridad y el intercambio de experiencias positivas de comunicación entre las organizaciones sindicales. Particularmente cuando asesinan a un comunicador o atacan a un medio de comunicación.
→ La utilización de las nuevas tecnologías para vigorizar la comunicación con sus afiliados, alcanzar a trabajadores/as no sindicalizados, comunicarse con la juventud trabajadora y desarrollar estrategias de formación
→ Las organizaciones sindicales deben promover la participación de sus afiliados/as y dirigentes en todas las tareas de comunicación y no debe tratarlos/as como una audiencia pasiva.
→ Fomentar las alianzas con movimientos sociales y los medios comunitarios, como aliados importantes en la lucha por la democratización de la comunicación
La comunicación debe estar en el centro de las estrategias de reestructuración y reforma del movimiento sindical estimulando la más amplia participación de las bases en el camino por mayor democracia sindical.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Dilma e a agenda dos trabalhadores
entrevista concedida à jornalista Luana Bonone, publicada no sítio Vermelho:
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, em entrevista exclusiva, falou ao Vermelho sobre as expectativas relacionadas à eleição da presidente Dilma Rousseff, comentou a polêmica sobre o valor do salário mínimo para 2011 e pautou as principais bandeiras do movimento sindical que serão priorizadas desde o início do próximo governo.
Para Wagner Gomes, banqueiros já ganharam demais, é hora da Dilma "pôr o guizo no gato". Perguntado sobre as tarefas e os desafios dos movimentos sociais no próximo período, Wagner Gomes foi claro: "Nós já temos a condição de fazer o Brasil avançar mais. Nós ajudamos a eleger e vamos esperar, evidentemente, a presidente começar a governar, mas nós temos que batalhar por esse documento que nós produzimos, que foi aprovado no Pacaembu, que é o crescimento com valorização do trabalho e distribuição de renda".
Leia a íntegra da entrevista, em que o presidente da CTB elege a mudança da política macroeconômica como uma prioridade das centrais.
Como a CTB vê a eleição de Dilma Rousseff?
Desde o começo do ano as centrais sindicais se reuniram para ver de que modo participariam da eleição para presidente neste ano. A resolução que nós tomamos foi de que deveríamos ter uma participação ativa nas eleições, e não apenas indicar o voto em um candidato ou candidata. Então surgiu a ideia de fazer a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que foi o encontro das centrais onde nós preparamos uma plataforma. No nosso documento tem a opinião do movimento sindical sobre todas as questões centrais do Brasil, que é a agenda da Classe Trabalhadora, que foi debatida nos estados e aprovada no dia 1º de junho no estádio do Pacaembu aqui em São Paulo. Com esse documento nas mãos, nós tiramos a diretiva de apoiar a candidata que nós considerávamos a única que atenderia ao perfil desse documento.
Desde o primeiro turno...
Desde o primeiro turno. E chegamos à conclusão que nós precisaríamos continuar o processo de mudanças que o país vem adotando. Não só continuar, como aprofundar essas mudanças. Nós achamos que o presidente Lula, em oito anos, fez um governo de avanço, mas que o próximo governo tinha que aprofundar essas mudanças. Em cima desse raciocínio e com esse documento nós tiramos apoio à candidata Dilma já no primeiro turno e saímos à caça de votos para que a presidente Dilma fosse eleita.
Qual o significado da eleição da Dilma para os trabalhadores?
São dois. O primeiro é a perspectiva de continuar esse processo de mudança do nosso país. O Brasil precisa avançar e aprofundar as mudanças, isso inclusive nós discutimos com a candidata. Houve realizações necessárias nesse primeiro período, mas tem coisas que precisam melhorar, precisam avançar. Não dá para fazer um governo igual ao do Lula, ela tem que fazer um governo mais avançado. Quer dizer, as transformações têm que ser mais profundas do que foi feito no governo Lula. Essa é a nossa expectativa.
O segundo, que vem colado, é a valorização do papel da mulher na política. Queiramos ou não, a eleição de uma mulher para presidente traz uma luta contra um preconceito antigo em relação ao papel da mulher na sociedade. Quer dizer, no ano que vem nós vamos ter uma mulher no mais alto posto da política brasileira.
Eu acho que o segundo turno começou com um debate que não era o central, esse debate do aborto, da questão da religião, não era o problema central, mas depois, quando entrou no debate sobre o Estado, sobre que tipo de Estado cada candidatura defendia, esse problema das privatizações... foi aí que a candidatura da Dilma de fato decolou de vez e ganhou a eleição, com uma margem de votos grande. Quando politizou a campanha, aí sim a nossa candidata, a Dilma, cresceu. Ela tem uma responsabilidade grande, né? Vai entrar no lugar de um presidente que tem muita aprovação popular, de 83%... agora, se ela fizer um governo voltado para o desenvolvimento do país, eu tenho a impressão de que ela também, no final dos quatro anos, vai ter seguramente uma aprovação muito grande por parte do povo.
Vamos falar das bandeiras para esse desenvolvimento do país... Nos últimos oito anos as centrais foram legalizadas, o que significou um avanço para a organização dos trabalhadores no país, houve política de valorização do salário mínimo, então houve alguns avanços importante do ponto de vista do movimento sindical, da organização dos trabalhadores e da conquista de direitos. Que bandeiras são as mais centrais, as mais estruturais neste momento, para que esse avanço seja mais ousado, para que haja conquistas para além do governo Lula, como você acabou de mencionar?
O Brasil tem que fazer algumas reformas em profundidade. A reforma política é uma delas, que tem que ser uma reforma baseada no aspecto democrático. O Brasil tem que fazer uma reforma fiscal para pôr o dedo nessa sangria que é a economia brasileira e os juros que o Brasil ainda paga, juros internos muito altos. E a outra questão é desenvolvimento. O Brasil precisa criar as condições para se desenvolver com soberania. Nós temos aí esse problema do Pré-Sal que há uma disputa grande sobre para que lado vai, e o Pré-Sal é uma riqueza que o país tem que ter como do povo mesmo. A gente que está aqui de fora não percebe, mas a luta no Congresso, a luta entre os privatistas e os que defendem o Estado brasileiro é grande. Então nós temos que atentar para isso.
Nós temos que ver também esse problema do emprego. O Brasil precisa gerar mais empregos. Banqueiros já ganharam demais no Brasil, está na hora de eles também darem a parte deles para o desenvolvimento da nossa nação. Neste momento vivemos o problema da guerra fiscal. Os EUA jogaram 600 bilhões de dólares para poder competir com as outras moedas, para eles poderem exportar mais. Se a gente continuar do jeito que está, com o real supervalorizado, nós vamos ter dificuldades de exportar produtos e nós podemos ter problemas. Então a presidente Dilma tem uma tarefa grande para fazer. E isso tem que ter uma equipe que queira fazer. Nós sabemos que o governo é uma composição de forças. Tem gente lá de centro, tem gente de centro-direita e tem gente de esquerda. Eu acho que a presidente tem que ouvir igualmente todos os setores da sociedade. Eu espero que o setor de esquerda possa opinar no destino do Brasil nos próximos quatro anos. Porque é a única forma de a gente ter certeza de que as mudanças serão aprofundadas.
Sobre o Salário Mínimo. Não existe ainda uma política de Estado. Na entrevista coletiva que a presidente eleita Dilma deu no Planalto ela disse que o Salário Mínimo pode chegar a 600 reais em 2011, chegou a falar em aumento maior para 2012, apostando muito no crescimento do Brasil. Essa não parecer ser, entretanto, a postura dos atuais Ministérios da Fazenda e do Planejamento. O Executivo propõe para o Orçamento 2011 R$ 538,15, tanto que é o debate que as centrais estão tendo com o governo... aí o relator Gim Argello (PTB) propõe R$ 540,00, que é um arredondamento desta proposta. Como é o acordo das centrais com o governo Lula e qual é a proposta das centrais para o Salário Mínimo?
Nós fizemos um acordo com o governo que vigora até 2023. Tem uma lei no Congresso; não tramitou, mas está lá com esse acordo. Então a primeira coisa que nós temos que fazer, e vamos já conversar na semana que vem, é ver como aprovar essa lei do Salário Mínimo, que diz o seguinte: o Salário Mínimo será corrigido; terá a correção da inflação e o PIB de 2 anos atrás. Todo ano você tem a correção da inflação e do PIB de dois anos atrás. Qual o problema que ocorreu em 2011? Você vai pegar a inflação de 2010 mais o PIB de 2009. Só que o PIB de 2009 foi zero. Portanto, o Salário Mínimo para 2011 teria só o reajuste da inflação, sem nada do PIB. O que nós negociamos para 2011 e a presidente Dilma aceitou? Que era preciso arrumar alguma compensação para esse PIB de 2009 que foi zero. Então essa é a discussão, de qual a porcentagem que será utilizada para, junto com a inflação, compor o salário de 2011. Se fosse aplicar só o que está no acordo, o salário seria 538 reais. Nós achamos, e vamos discutir com a equipe de transição, que é preciso colocar algum índice em 2009, para poder não ficar defasado. A presidente concorda com isso. Agora, qual é a discussão: a inflação e mais quanto? Esse é o problema. Nós achamos que mais 4% seria um número razoável. Botaria 4% do PIB de 2009, apesar de ter dado zero, mais a inflação de 2010, para poder dar o salário de 2011. O debate é esse.
Agora, em 2012, que é calculado um ano antes, o salário seguramente vai ser maior que 600 reais, porque ele vai pegar a inflação de 2011 mais o PIB de 2010, que foi 7%. Então vai ser um reajuste que vai passar dos 600 reais. Na imprensa acabou saindo um pouco confuso, mas vai passar de 600 reais em 2012. Para 2011 não. Então esse é o debate em relação ao Salário Mínimo.
Mas qual critério vocês estão propondo? Por que, por exemplo, 4%?
A ideia é tirar uma média do aumento do PIB dos últimos 5 anos e aplicar em cima de 2009. Eu não sei qual é a proposta que o governo vai fazer. Porque a discussão que as centrais vão fazer sobre o Salário Mínimo é com o governo, e não com o Congresso. Ainda não houve a primeira conversa. A Dilma sinalizou que quer dar alguma coisa além de zero, ela diz que já tem compromisso com isso, já tem opinião formada. Agora, quanto vai ser? Essa é a discussão que nós faremos com ela assim que voltar da viagem com o presidente Lula. Aí serão abertas as discussões para ver quanto porcento a gente joga para 2009, que, somado à inflação de 2010, dá o Salário Mínimo de 2011.
Uma coisa já foi dita pela Dilma: ela acha que aplicar o zero porcento, que foi o PIB de 2009, defasa o Salário Mínimo. Ela acha que tem que ter alguma porcentagem. Mas também não falou quanto. Então vai se estabelecer uma negociação das centrais com o governo para saber quanto consideramos para 2009.
Por enquanto não há mobilizações marcadas das centrais?
Não, porque a mobilização depende da resposta do governo. Evidente que se o governo fizer uma proposta que não atenda às centrais sindicais, aí sim... As centrais inclusive estão fazendo hoje uma reunião com o deputado Gim Argello, que é o relator do Orçamento, pedindo para que ele considere, na peça que ele vai apresentar no Senado hoje, 4% de reajuste a mais no Salário Mínimo. As centrais estão conversando com ele, não sabemos o resultado ainda, mas na verdade essa negociação vai acabar sendo feita mesmo com a presidente e com a equipe econômica que ela deve nomear logo.
4% levaria o salário para um pouco mais de 560 reais...
É, a idéia é que ele chegue por volta de 560, 570 reais. Os 600 reais que o Serra usou para tentar jogar fumaça nos olhos dos eleitores... ele prometeu uma coisa que ele não poderia nem cumprir... porque quem determina o salário de 2011 é o governo anterior, então mesmo que ele tivesse ganho a eleição, ele não teria como pagar um salário de 600 reais, porque o Orçamento já estaria definido antes dele entrar na presidência. Então ele tentou fazer um jogo de fumaça, mas ninguém caiu e felizmente ele perdeu a eleição. Então esse problema do Salário Mínimo... essa política que já vem desde 2002, ela foi um dos fatores para o Brasil sofrer menos por conta da crise mundial.
O então candidato Serra propunha um valor para o Salário, não propunha uma política... os 600 reais poderiam até servir para 2011, mas e para os próximos anos?
Eu acho que ele faria o que fez o Fernando Henrique. O Fernando Henrique, quando assumiu, deu um reajuste muito bom para o Salário Mínimo. Mas depois passou sete anos sem reajuste... deve ser a mesma receita. Eu acho que o Serra daria um reajuste até bom, mas depois não daria mais reajuste nenhum, o que para nós não resolve. O que resolve para nós é esta política que garante a inflação mais o PIB até 2023. Se essa lei for aprovada - porque não foi aprovada ainda e isso é importante... para aprovar vai ser uma batalha grande – nós vamos chegar em 2023 com um Salário Mínimo bem razoável para que a população de baixa renda possa ter uma vida pelo menos com um mínimo de decência, que possa ter um lugar decente para morar, possa se alimentar com alguma consistência. Então nós estamos interessados em aprovar essa política.
Além do salário mínimo, que outras políticas centrais deveriam ser priorizadas pelo governo, ou que os movimentos sociais deveriam priorizar na batalha logo no início do novo governo?
O problema da política macro-econômica é um problema grande. Esse problema dos juros, que nós já conversamos, esse problema da supervalorização da moeda brasileira, que derruba as nossas importações, porque a nossa moeda fica com um valor artificial, muito valorizada, então ninguém compra do Brasil... ao contrário, você só importa, não vende nada. Eu acho que isso é uma questão importante. Eu acho que a montagem do governo vai determinar para que lado vai... se a presidente Dilma vai continuar com a mesma política ou se pretende aprofundar as mudanças. Então, estamos aguardando o ministério. Eu acho que no Brasil essas reformas de base precisam ser feitas na área da educação... precisamos de uma política radical de modernização dos portos, dos aeroportos, o Brasil precisa se preparar para poder ser um país que importe, mas que possa exportar muito. E isso é decisivo. Mas com essa política, com essa guerra cambial, o Brasil corre o risco de não conseguir exportar nada, e isso faz com que caia também o emprego. Então, eu acho que os movimentos sociais precisarão ter uma atuação grande para referendar e manter o que tem, que não é fácil, e fazer o nosso país ter mudanças de qualidade, para que a gente possa jogar um papel de protagonismo na política mundial.
E também a questão financeira. Os bancos já ganharam muito. Então o Brasil precisa fazer uma reforma fiscal, uma reforma tributária, que sejam coisas que tragam benefícios para a nação. E aí quem ganha mais tem que pagar mais, né? Vai ser também uma queda de braço, porque o sistema financeiro continua sendo o que mais ganha no Brasil. Nunca ganharam tanto dinheiro como estão ganhando agora, apesar do governo Lula fazer uma política mais popular.
E é um dinheiro que não tem base na produção.
Não, ele só ganha. Risco zero. Ele tem lá uma fortuna, aplica, ganha, joga o dinheiro para fora do Brasil... até para os empresários acaba ficando uma situação que é mais fácil aplicar no mercado financeiro do que investir na indústria. E mercado financeiro não gera emprego. Ele gera uma fortuna para quem investe. Então isso precisa ser resolvido, precisa ter um jeito de forçar para que quem tem dinheiro invista na produção, que é o que gera emprego, que é o que gera riqueza para o Brasil.
E o que é esse “ser resolvido”? Porque esse é o modelo da economia no mundo... você diz um estímulo interno maior para a produção?
Os economistas mais nacionalistas apresentam formas para fazer com que aplicações na produção gerem um ganho razoável. Do jeito que está hoje, por que quem tem dinheiro vai arriscar montar uma empresa? Se ele pode pegar o dinheiro dele e aplicar na ciranda financeira, e ganhar, sem risco nenhum? Então tem que ter uma forma para que quem invista na produção possa ganhar, tenha garantia de que vai ganhar. Aí, tendo isso, você tem emprego, você tem mais gente ganhando salário, as pessoas compram mais, o que exige mais produção. É a famosa roda que faz a produção no país.
Neste mês o instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está organizando uma Conferência sobre Desenvolvimento em Brasília, cujo alvo principal são justamente as organizações sociais. Você acha que esse vai ser um espaço dessa disputa? Tem alguma condição dos movimentos conseguirem se organizar para jogar um papel, por exemplo, nessa Conferência, e construir outros espaços similares?
Inclusive eu acabei de receber um convite aqui do Ipea para eu falar lá sobre o tema “os trabalhadores e a macroeconomia”. Dia 25 de novembro. Eu acho que as centrais sindicais, os trabalhadores, além das questões econômicas do salário, da condição de trabalho, têm que opinar fortemente nessa questão. O Brasil não mudou nada na questão macroeconômica. Não mexeu nada. Há muitos anos está do mesmo jeito. Isso criou um gargalo que, ou você faz mudanças na macroeconomia, para o país poder ter um avanço, ou a tendência é patinar e voltar para trás. E quando falo em macroeconomia, isso envolve setor financeiro, setor empresarial, reformas de profundidade, para o país poder continuar crescendo. E uma das coisas que vai ser debatida lá é isso. O Brasil hoje tem uma quantidade de dólar investido, um dinheiro que entra e sai todo dia, deposita hoje e já leva embora, que nenhum país tem mais. O Brasil está hoje em uma situação em que todo mundo vem aqui aplicar e leva embora, e isso precisa ser atacado.
Não tem controle do fluxo de capitais...
Nenhum. E isso precisa ser atacado. O Brasil tem que estar voltado para a produção. E aí tem que por a mão no setor mais complicado que tem, que é o setor financeiro. A Dilma tem respaldo popular para enfrentar isso, para dizer para o sistema financeiro: vocês agora vão ter que ajudar no crescimento do país, já ganharam bastante, então vamos ver um jeito aqui para que o Brasil não viva de especulação, mas viva produzindo para poder gerar emprego. Essa é a hora de por o guizo no pescoço do gato. Tem que chegar neles e dizer: no meu governo a prioridade é a produção e vai ser dessa forma. E desestimulando a ciranda financeira, você joga, quase que de forma automática, o dinheiro para o setor produtivo.
Tem algo importante ainda que você queira abordar?
Eu acho que as centrais têm como tarefa influenciar o governo. E como agora a coisa já está mais pé no chão, nós vamos ter que cobrar mais. Nós já temos a condição de fazer o Brasil avançar mais. Nós ajudamos a eleger e vamos esperar, evidentemente, a presidente começar a governar, mas nós temos que batalhar por esse documento que nós produzimos, que foi aprovado no Pacaembu, que é o crescimento com valorização do trabalho e distribuição de renda. Essa é a nossa palavra de ordem: desenvolvimento com valorização do trabalho e distribuição de renda. Com isso como faixa, como bandeira principal, a gente deve ter uma posição independente e cobrar para que seja aplicado esse documento, pois nós fizemos um grande debate em torno dele
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, em entrevista exclusiva, falou ao Vermelho sobre as expectativas relacionadas à eleição da presidente Dilma Rousseff, comentou a polêmica sobre o valor do salário mínimo para 2011 e pautou as principais bandeiras do movimento sindical que serão priorizadas desde o início do próximo governo.
Para Wagner Gomes, banqueiros já ganharam demais, é hora da Dilma "pôr o guizo no gato". Perguntado sobre as tarefas e os desafios dos movimentos sociais no próximo período, Wagner Gomes foi claro: "Nós já temos a condição de fazer o Brasil avançar mais. Nós ajudamos a eleger e vamos esperar, evidentemente, a presidente começar a governar, mas nós temos que batalhar por esse documento que nós produzimos, que foi aprovado no Pacaembu, que é o crescimento com valorização do trabalho e distribuição de renda".
Leia a íntegra da entrevista, em que o presidente da CTB elege a mudança da política macroeconômica como uma prioridade das centrais.
Como a CTB vê a eleição de Dilma Rousseff?
Desde o começo do ano as centrais sindicais se reuniram para ver de que modo participariam da eleição para presidente neste ano. A resolução que nós tomamos foi de que deveríamos ter uma participação ativa nas eleições, e não apenas indicar o voto em um candidato ou candidata. Então surgiu a ideia de fazer a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que foi o encontro das centrais onde nós preparamos uma plataforma. No nosso documento tem a opinião do movimento sindical sobre todas as questões centrais do Brasil, que é a agenda da Classe Trabalhadora, que foi debatida nos estados e aprovada no dia 1º de junho no estádio do Pacaembu aqui em São Paulo. Com esse documento nas mãos, nós tiramos a diretiva de apoiar a candidata que nós considerávamos a única que atenderia ao perfil desse documento.
Desde o primeiro turno...
Desde o primeiro turno. E chegamos à conclusão que nós precisaríamos continuar o processo de mudanças que o país vem adotando. Não só continuar, como aprofundar essas mudanças. Nós achamos que o presidente Lula, em oito anos, fez um governo de avanço, mas que o próximo governo tinha que aprofundar essas mudanças. Em cima desse raciocínio e com esse documento nós tiramos apoio à candidata Dilma já no primeiro turno e saímos à caça de votos para que a presidente Dilma fosse eleita.
Qual o significado da eleição da Dilma para os trabalhadores?
São dois. O primeiro é a perspectiva de continuar esse processo de mudança do nosso país. O Brasil precisa avançar e aprofundar as mudanças, isso inclusive nós discutimos com a candidata. Houve realizações necessárias nesse primeiro período, mas tem coisas que precisam melhorar, precisam avançar. Não dá para fazer um governo igual ao do Lula, ela tem que fazer um governo mais avançado. Quer dizer, as transformações têm que ser mais profundas do que foi feito no governo Lula. Essa é a nossa expectativa.
O segundo, que vem colado, é a valorização do papel da mulher na política. Queiramos ou não, a eleição de uma mulher para presidente traz uma luta contra um preconceito antigo em relação ao papel da mulher na sociedade. Quer dizer, no ano que vem nós vamos ter uma mulher no mais alto posto da política brasileira.
Eu acho que o segundo turno começou com um debate que não era o central, esse debate do aborto, da questão da religião, não era o problema central, mas depois, quando entrou no debate sobre o Estado, sobre que tipo de Estado cada candidatura defendia, esse problema das privatizações... foi aí que a candidatura da Dilma de fato decolou de vez e ganhou a eleição, com uma margem de votos grande. Quando politizou a campanha, aí sim a nossa candidata, a Dilma, cresceu. Ela tem uma responsabilidade grande, né? Vai entrar no lugar de um presidente que tem muita aprovação popular, de 83%... agora, se ela fizer um governo voltado para o desenvolvimento do país, eu tenho a impressão de que ela também, no final dos quatro anos, vai ter seguramente uma aprovação muito grande por parte do povo.
Vamos falar das bandeiras para esse desenvolvimento do país... Nos últimos oito anos as centrais foram legalizadas, o que significou um avanço para a organização dos trabalhadores no país, houve política de valorização do salário mínimo, então houve alguns avanços importante do ponto de vista do movimento sindical, da organização dos trabalhadores e da conquista de direitos. Que bandeiras são as mais centrais, as mais estruturais neste momento, para que esse avanço seja mais ousado, para que haja conquistas para além do governo Lula, como você acabou de mencionar?
O Brasil tem que fazer algumas reformas em profundidade. A reforma política é uma delas, que tem que ser uma reforma baseada no aspecto democrático. O Brasil tem que fazer uma reforma fiscal para pôr o dedo nessa sangria que é a economia brasileira e os juros que o Brasil ainda paga, juros internos muito altos. E a outra questão é desenvolvimento. O Brasil precisa criar as condições para se desenvolver com soberania. Nós temos aí esse problema do Pré-Sal que há uma disputa grande sobre para que lado vai, e o Pré-Sal é uma riqueza que o país tem que ter como do povo mesmo. A gente que está aqui de fora não percebe, mas a luta no Congresso, a luta entre os privatistas e os que defendem o Estado brasileiro é grande. Então nós temos que atentar para isso.
Nós temos que ver também esse problema do emprego. O Brasil precisa gerar mais empregos. Banqueiros já ganharam demais no Brasil, está na hora de eles também darem a parte deles para o desenvolvimento da nossa nação. Neste momento vivemos o problema da guerra fiscal. Os EUA jogaram 600 bilhões de dólares para poder competir com as outras moedas, para eles poderem exportar mais. Se a gente continuar do jeito que está, com o real supervalorizado, nós vamos ter dificuldades de exportar produtos e nós podemos ter problemas. Então a presidente Dilma tem uma tarefa grande para fazer. E isso tem que ter uma equipe que queira fazer. Nós sabemos que o governo é uma composição de forças. Tem gente lá de centro, tem gente de centro-direita e tem gente de esquerda. Eu acho que a presidente tem que ouvir igualmente todos os setores da sociedade. Eu espero que o setor de esquerda possa opinar no destino do Brasil nos próximos quatro anos. Porque é a única forma de a gente ter certeza de que as mudanças serão aprofundadas.
Sobre o Salário Mínimo. Não existe ainda uma política de Estado. Na entrevista coletiva que a presidente eleita Dilma deu no Planalto ela disse que o Salário Mínimo pode chegar a 600 reais em 2011, chegou a falar em aumento maior para 2012, apostando muito no crescimento do Brasil. Essa não parecer ser, entretanto, a postura dos atuais Ministérios da Fazenda e do Planejamento. O Executivo propõe para o Orçamento 2011 R$ 538,15, tanto que é o debate que as centrais estão tendo com o governo... aí o relator Gim Argello (PTB) propõe R$ 540,00, que é um arredondamento desta proposta. Como é o acordo das centrais com o governo Lula e qual é a proposta das centrais para o Salário Mínimo?
Nós fizemos um acordo com o governo que vigora até 2023. Tem uma lei no Congresso; não tramitou, mas está lá com esse acordo. Então a primeira coisa que nós temos que fazer, e vamos já conversar na semana que vem, é ver como aprovar essa lei do Salário Mínimo, que diz o seguinte: o Salário Mínimo será corrigido; terá a correção da inflação e o PIB de 2 anos atrás. Todo ano você tem a correção da inflação e do PIB de dois anos atrás. Qual o problema que ocorreu em 2011? Você vai pegar a inflação de 2010 mais o PIB de 2009. Só que o PIB de 2009 foi zero. Portanto, o Salário Mínimo para 2011 teria só o reajuste da inflação, sem nada do PIB. O que nós negociamos para 2011 e a presidente Dilma aceitou? Que era preciso arrumar alguma compensação para esse PIB de 2009 que foi zero. Então essa é a discussão, de qual a porcentagem que será utilizada para, junto com a inflação, compor o salário de 2011. Se fosse aplicar só o que está no acordo, o salário seria 538 reais. Nós achamos, e vamos discutir com a equipe de transição, que é preciso colocar algum índice em 2009, para poder não ficar defasado. A presidente concorda com isso. Agora, qual é a discussão: a inflação e mais quanto? Esse é o problema. Nós achamos que mais 4% seria um número razoável. Botaria 4% do PIB de 2009, apesar de ter dado zero, mais a inflação de 2010, para poder dar o salário de 2011. O debate é esse.
Agora, em 2012, que é calculado um ano antes, o salário seguramente vai ser maior que 600 reais, porque ele vai pegar a inflação de 2011 mais o PIB de 2010, que foi 7%. Então vai ser um reajuste que vai passar dos 600 reais. Na imprensa acabou saindo um pouco confuso, mas vai passar de 600 reais em 2012. Para 2011 não. Então esse é o debate em relação ao Salário Mínimo.
Mas qual critério vocês estão propondo? Por que, por exemplo, 4%?
A ideia é tirar uma média do aumento do PIB dos últimos 5 anos e aplicar em cima de 2009. Eu não sei qual é a proposta que o governo vai fazer. Porque a discussão que as centrais vão fazer sobre o Salário Mínimo é com o governo, e não com o Congresso. Ainda não houve a primeira conversa. A Dilma sinalizou que quer dar alguma coisa além de zero, ela diz que já tem compromisso com isso, já tem opinião formada. Agora, quanto vai ser? Essa é a discussão que nós faremos com ela assim que voltar da viagem com o presidente Lula. Aí serão abertas as discussões para ver quanto porcento a gente joga para 2009, que, somado à inflação de 2010, dá o Salário Mínimo de 2011.
Uma coisa já foi dita pela Dilma: ela acha que aplicar o zero porcento, que foi o PIB de 2009, defasa o Salário Mínimo. Ela acha que tem que ter alguma porcentagem. Mas também não falou quanto. Então vai se estabelecer uma negociação das centrais com o governo para saber quanto consideramos para 2009.
Por enquanto não há mobilizações marcadas das centrais?
Não, porque a mobilização depende da resposta do governo. Evidente que se o governo fizer uma proposta que não atenda às centrais sindicais, aí sim... As centrais inclusive estão fazendo hoje uma reunião com o deputado Gim Argello, que é o relator do Orçamento, pedindo para que ele considere, na peça que ele vai apresentar no Senado hoje, 4% de reajuste a mais no Salário Mínimo. As centrais estão conversando com ele, não sabemos o resultado ainda, mas na verdade essa negociação vai acabar sendo feita mesmo com a presidente e com a equipe econômica que ela deve nomear logo.
4% levaria o salário para um pouco mais de 560 reais...
É, a idéia é que ele chegue por volta de 560, 570 reais. Os 600 reais que o Serra usou para tentar jogar fumaça nos olhos dos eleitores... ele prometeu uma coisa que ele não poderia nem cumprir... porque quem determina o salário de 2011 é o governo anterior, então mesmo que ele tivesse ganho a eleição, ele não teria como pagar um salário de 600 reais, porque o Orçamento já estaria definido antes dele entrar na presidência. Então ele tentou fazer um jogo de fumaça, mas ninguém caiu e felizmente ele perdeu a eleição. Então esse problema do Salário Mínimo... essa política que já vem desde 2002, ela foi um dos fatores para o Brasil sofrer menos por conta da crise mundial.
O então candidato Serra propunha um valor para o Salário, não propunha uma política... os 600 reais poderiam até servir para 2011, mas e para os próximos anos?
Eu acho que ele faria o que fez o Fernando Henrique. O Fernando Henrique, quando assumiu, deu um reajuste muito bom para o Salário Mínimo. Mas depois passou sete anos sem reajuste... deve ser a mesma receita. Eu acho que o Serra daria um reajuste até bom, mas depois não daria mais reajuste nenhum, o que para nós não resolve. O que resolve para nós é esta política que garante a inflação mais o PIB até 2023. Se essa lei for aprovada - porque não foi aprovada ainda e isso é importante... para aprovar vai ser uma batalha grande – nós vamos chegar em 2023 com um Salário Mínimo bem razoável para que a população de baixa renda possa ter uma vida pelo menos com um mínimo de decência, que possa ter um lugar decente para morar, possa se alimentar com alguma consistência. Então nós estamos interessados em aprovar essa política.
Além do salário mínimo, que outras políticas centrais deveriam ser priorizadas pelo governo, ou que os movimentos sociais deveriam priorizar na batalha logo no início do novo governo?
O problema da política macro-econômica é um problema grande. Esse problema dos juros, que nós já conversamos, esse problema da supervalorização da moeda brasileira, que derruba as nossas importações, porque a nossa moeda fica com um valor artificial, muito valorizada, então ninguém compra do Brasil... ao contrário, você só importa, não vende nada. Eu acho que isso é uma questão importante. Eu acho que a montagem do governo vai determinar para que lado vai... se a presidente Dilma vai continuar com a mesma política ou se pretende aprofundar as mudanças. Então, estamos aguardando o ministério. Eu acho que no Brasil essas reformas de base precisam ser feitas na área da educação... precisamos de uma política radical de modernização dos portos, dos aeroportos, o Brasil precisa se preparar para poder ser um país que importe, mas que possa exportar muito. E isso é decisivo. Mas com essa política, com essa guerra cambial, o Brasil corre o risco de não conseguir exportar nada, e isso faz com que caia também o emprego. Então, eu acho que os movimentos sociais precisarão ter uma atuação grande para referendar e manter o que tem, que não é fácil, e fazer o nosso país ter mudanças de qualidade, para que a gente possa jogar um papel de protagonismo na política mundial.
E também a questão financeira. Os bancos já ganharam muito. Então o Brasil precisa fazer uma reforma fiscal, uma reforma tributária, que sejam coisas que tragam benefícios para a nação. E aí quem ganha mais tem que pagar mais, né? Vai ser também uma queda de braço, porque o sistema financeiro continua sendo o que mais ganha no Brasil. Nunca ganharam tanto dinheiro como estão ganhando agora, apesar do governo Lula fazer uma política mais popular.
E é um dinheiro que não tem base na produção.
Não, ele só ganha. Risco zero. Ele tem lá uma fortuna, aplica, ganha, joga o dinheiro para fora do Brasil... até para os empresários acaba ficando uma situação que é mais fácil aplicar no mercado financeiro do que investir na indústria. E mercado financeiro não gera emprego. Ele gera uma fortuna para quem investe. Então isso precisa ser resolvido, precisa ter um jeito de forçar para que quem tem dinheiro invista na produção, que é o que gera emprego, que é o que gera riqueza para o Brasil.
E o que é esse “ser resolvido”? Porque esse é o modelo da economia no mundo... você diz um estímulo interno maior para a produção?
Os economistas mais nacionalistas apresentam formas para fazer com que aplicações na produção gerem um ganho razoável. Do jeito que está hoje, por que quem tem dinheiro vai arriscar montar uma empresa? Se ele pode pegar o dinheiro dele e aplicar na ciranda financeira, e ganhar, sem risco nenhum? Então tem que ter uma forma para que quem invista na produção possa ganhar, tenha garantia de que vai ganhar. Aí, tendo isso, você tem emprego, você tem mais gente ganhando salário, as pessoas compram mais, o que exige mais produção. É a famosa roda que faz a produção no país.
Neste mês o instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está organizando uma Conferência sobre Desenvolvimento em Brasília, cujo alvo principal são justamente as organizações sociais. Você acha que esse vai ser um espaço dessa disputa? Tem alguma condição dos movimentos conseguirem se organizar para jogar um papel, por exemplo, nessa Conferência, e construir outros espaços similares?
Inclusive eu acabei de receber um convite aqui do Ipea para eu falar lá sobre o tema “os trabalhadores e a macroeconomia”. Dia 25 de novembro. Eu acho que as centrais sindicais, os trabalhadores, além das questões econômicas do salário, da condição de trabalho, têm que opinar fortemente nessa questão. O Brasil não mudou nada na questão macroeconômica. Não mexeu nada. Há muitos anos está do mesmo jeito. Isso criou um gargalo que, ou você faz mudanças na macroeconomia, para o país poder ter um avanço, ou a tendência é patinar e voltar para trás. E quando falo em macroeconomia, isso envolve setor financeiro, setor empresarial, reformas de profundidade, para o país poder continuar crescendo. E uma das coisas que vai ser debatida lá é isso. O Brasil hoje tem uma quantidade de dólar investido, um dinheiro que entra e sai todo dia, deposita hoje e já leva embora, que nenhum país tem mais. O Brasil está hoje em uma situação em que todo mundo vem aqui aplicar e leva embora, e isso precisa ser atacado.
Não tem controle do fluxo de capitais...
Nenhum. E isso precisa ser atacado. O Brasil tem que estar voltado para a produção. E aí tem que por a mão no setor mais complicado que tem, que é o setor financeiro. A Dilma tem respaldo popular para enfrentar isso, para dizer para o sistema financeiro: vocês agora vão ter que ajudar no crescimento do país, já ganharam bastante, então vamos ver um jeito aqui para que o Brasil não viva de especulação, mas viva produzindo para poder gerar emprego. Essa é a hora de por o guizo no pescoço do gato. Tem que chegar neles e dizer: no meu governo a prioridade é a produção e vai ser dessa forma. E desestimulando a ciranda financeira, você joga, quase que de forma automática, o dinheiro para o setor produtivo.
Tem algo importante ainda que você queira abordar?
Eu acho que as centrais têm como tarefa influenciar o governo. E como agora a coisa já está mais pé no chão, nós vamos ter que cobrar mais. Nós já temos a condição de fazer o Brasil avançar mais. Nós ajudamos a eleger e vamos esperar, evidentemente, a presidente começar a governar, mas nós temos que batalhar por esse documento que nós produzimos, que foi aprovado no Pacaembu, que é o crescimento com valorização do trabalho e distribuição de renda. Essa é a nossa palavra de ordem: desenvolvimento com valorização do trabalho e distribuição de renda. Com isso como faixa, como bandeira principal, a gente deve ter uma posição independente e cobrar para que seja aplicado esse documento, pois nós fizemos um grande debate em torno dele
Pedro Pomar - ilma e a agenda dos trabalhadores
A vitória da candidata Dilma Roussef confere ao Partido dos Trabalhadores seu terceiro mandato presidencial consecutivo. Diferentemente, porém, das eleições de 2002 e 2006, desta vez a candidatura petista contou com respaldo não apenas da CUT, mas de quase todas as centrais e correntes sindicais importantes, inclusive a Força Sindical e outras historicamente vistas como pelegas (por sua adesão a propostas patronais ou de governos conservadores). No segundo turno, é certo que Dilma recebeu apoio crítico até de parte da militância identificada com a Intersindical, bastante crítica em relação ao governo Lula, ficando de fora do arco de apoio, tão só, a CSP-Conlutas.
Esse apoio sem precedentes, que também se refletiu no conjunto dos movimentos sociais combativos, deve-se à percepção de que havia nesta eleição algo muito importante em jogo: a possibilidade de avançar no caminho de mudanças substantivas em nosso país, com forte impacto positivo na qualidade de vida e nas aspirações futuras dos trabalhadores e das camadas mais numerosas da população; ou seu inverso, com a eventual chegada ao poder da coligação conservadora, demo-tucana, encabeçada por José Serra e apoiada pela mídia hegemônica e por outros setores oligárquicos.
Pois muito bem. Dilma elegeu-se, e agora? Qual é a agenda do movimento sindical? Os conservadores e neoliberais, como fazem sempre que perdem uma eleição, já saem ditando “reformas” a torto e a direito. Reforma da Previdência, porque é preciso “conter o déficit”… Ajuste fiscal, porque “o governo está gastando demais”, e por aí vai. Por enquanto, são meras peças de propaganda. Não há, por exemplo, indicação alguma de que Dilma deseje reformar a Previdência, e não podemos nos esquecer de que a desastrosa reforma das leis previdenciárias do setor público, em 2003, foi o estopim do divórcio entre o governo Lula e boa parte do sindicalismo combativo. Mesmo assim, o movimento sindical deve permanecer atento para evitar que aliados de direita, presentes na coalizão que governará o país nos próximos quatro anos, comecem a manobrar na direção destas e de outras “reformas”.
Por outro lado, a agenda não pode ser exclusivamente defensiva. As conquistas dos últimos anos — geração de milhões de empregos com carteira assinada, combate ao trabalho escravo, legalização das centrais, fortalecimento do poder público, recomposição dos salários do funcionalismo federal — são importantes, mas não bastam, quando confrontadas com a pauta histórica de reivindicações das classes trabalhadoras brasileiras. O governo Lula ficou devendo, para ficarmos em alguns exemplos mais gritantes, uma reforma agrária digna desse nome, bem como a extinção do fator previdenciário e a recomposição do poder aquisitivo das aposentadorias e pensões superiores ao salário-mínimo.
Outras pautas centrais do movimento sindical: redução da jornada sem redução de salário; fim das demissões imotivadas (aprovação, pelo Congresso, da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho, conforme projeto enviado por Lula); respeito à atuação dos sindicatos no interior das empresas, o que inclui livre movimentação dos sindicalistas e liberdade para criação e funcionamento de comissões internas (organização no local de trabalho, conhecida pela sigla OLT).
Mas há, também, aquelas bandeiras e reivindicações que, mesmo quando defendidas por categorias específicas, pertencem ao conjunto dos movimentos sociais. É o caso do investimento em larga escala no Sistema Único de Saúde (SUS), para que a saúde pública torne-se efetivamente digna, universal e de qualidade. É também o caso do investimento anual de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no sistema público de ensino, em todos os níveis, sem esquecer de conferir prioridade máxima à erradicação do analfabetismo e ao combate ao analfabetismo funcional.
O atendimento dessas reivindicações acarreta (e exige, simultaneamente) uma ampliação das liberdades democráticas em nosso país, pois políticas públicas desse teor se chocam contra poderosos interesses econômicos. Assim, para atendê-las será preciso avançar na luta política e ideológica contra os porta-vozes e representantes do capital, o que coloca na ordem do dia a pauta de democratização da comunicação.
Salvo engano, o governo Lula tornou-se o primeiro da história do Brasil a conceder canais de TV para uma entidade sindical, no caso o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A tendência é que a mídia hegemônica, comercial, continue a tratar o movimento sindical e os assuntos de interesse direto das classes trabalhadoras de modo enviesado, distorcido ou omisso. Porém, os trabalhadores tendem a construir suas próprias mídias e apostar na comunicação contra-hegemônica.
Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação
Esse apoio sem precedentes, que também se refletiu no conjunto dos movimentos sociais combativos, deve-se à percepção de que havia nesta eleição algo muito importante em jogo: a possibilidade de avançar no caminho de mudanças substantivas em nosso país, com forte impacto positivo na qualidade de vida e nas aspirações futuras dos trabalhadores e das camadas mais numerosas da população; ou seu inverso, com a eventual chegada ao poder da coligação conservadora, demo-tucana, encabeçada por José Serra e apoiada pela mídia hegemônica e por outros setores oligárquicos.
Pois muito bem. Dilma elegeu-se, e agora? Qual é a agenda do movimento sindical? Os conservadores e neoliberais, como fazem sempre que perdem uma eleição, já saem ditando “reformas” a torto e a direito. Reforma da Previdência, porque é preciso “conter o déficit”… Ajuste fiscal, porque “o governo está gastando demais”, e por aí vai. Por enquanto, são meras peças de propaganda. Não há, por exemplo, indicação alguma de que Dilma deseje reformar a Previdência, e não podemos nos esquecer de que a desastrosa reforma das leis previdenciárias do setor público, em 2003, foi o estopim do divórcio entre o governo Lula e boa parte do sindicalismo combativo. Mesmo assim, o movimento sindical deve permanecer atento para evitar que aliados de direita, presentes na coalizão que governará o país nos próximos quatro anos, comecem a manobrar na direção destas e de outras “reformas”.
Por outro lado, a agenda não pode ser exclusivamente defensiva. As conquistas dos últimos anos — geração de milhões de empregos com carteira assinada, combate ao trabalho escravo, legalização das centrais, fortalecimento do poder público, recomposição dos salários do funcionalismo federal — são importantes, mas não bastam, quando confrontadas com a pauta histórica de reivindicações das classes trabalhadoras brasileiras. O governo Lula ficou devendo, para ficarmos em alguns exemplos mais gritantes, uma reforma agrária digna desse nome, bem como a extinção do fator previdenciário e a recomposição do poder aquisitivo das aposentadorias e pensões superiores ao salário-mínimo.
Outras pautas centrais do movimento sindical: redução da jornada sem redução de salário; fim das demissões imotivadas (aprovação, pelo Congresso, da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho, conforme projeto enviado por Lula); respeito à atuação dos sindicatos no interior das empresas, o que inclui livre movimentação dos sindicalistas e liberdade para criação e funcionamento de comissões internas (organização no local de trabalho, conhecida pela sigla OLT).
Mas há, também, aquelas bandeiras e reivindicações que, mesmo quando defendidas por categorias específicas, pertencem ao conjunto dos movimentos sociais. É o caso do investimento em larga escala no Sistema Único de Saúde (SUS), para que a saúde pública torne-se efetivamente digna, universal e de qualidade. É também o caso do investimento anual de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no sistema público de ensino, em todos os níveis, sem esquecer de conferir prioridade máxima à erradicação do analfabetismo e ao combate ao analfabetismo funcional.
O atendimento dessas reivindicações acarreta (e exige, simultaneamente) uma ampliação das liberdades democráticas em nosso país, pois políticas públicas desse teor se chocam contra poderosos interesses econômicos. Assim, para atendê-las será preciso avançar na luta política e ideológica contra os porta-vozes e representantes do capital, o que coloca na ordem do dia a pauta de democratização da comunicação.
Salvo engano, o governo Lula tornou-se o primeiro da história do Brasil a conceder canais de TV para uma entidade sindical, no caso o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A tendência é que a mídia hegemônica, comercial, continue a tratar o movimento sindical e os assuntos de interesse direto das classes trabalhadoras de modo enviesado, distorcido ou omisso. Porém, os trabalhadores tendem a construir suas próprias mídias e apostar na comunicação contra-hegemônica.
Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Trabalhadores fizeram atos contra privatizações
Dois atos políticos contra as privatizações marcaram esta quinta-feira. No Rio de Janeiro, aconteceu uma passeata da Candelária até a Avenida Rio Branco, sede da Petrobrás, onde também houve um abraço simbólico à empresa como forma de demonstrar a resistência popular contra a tentativa de retorno do projeto de venda das estatais representado pelo candidato Serra.
“A Petrobrás, que estava sendo desvalorizada para ser vendida, no governo de Lula e Dilma se transformou numa das maiores empresas de petróleo do mundo”, lembraram, em seus discursos, os manifestantes.
Já em Brasília, ao meio dia, funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, Correios, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Petrobras promoveram um abraço simbólico aos bancos públicos. Em nota publicada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a entidade relata que as estatais que não foram vendidas por FHC e Serra acabaram sucateadas.
“Nossa luta é para que o patrimônio continue nas mãos dos brasileiros e permaneça público do ponto de vista de concessão de crédito para agricultura familiar, habitação, entre outros pontos”, comenta o secretário de Organização da CUT, Jacy Afonso de Melo.
Além disso, os trabalhadores já estão se mobilizando para realizar mais atos estaduais na próxima terça-feira (26), com o mesmo objetivo: a defesa das estatais brasileiras. “Defender nossas estatais é defender os interesses da população brasileira”, finaliza o secretário da CUT
“A Petrobrás, que estava sendo desvalorizada para ser vendida, no governo de Lula e Dilma se transformou numa das maiores empresas de petróleo do mundo”, lembraram, em seus discursos, os manifestantes.
Já em Brasília, ao meio dia, funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, Correios, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Petrobras promoveram um abraço simbólico aos bancos públicos. Em nota publicada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a entidade relata que as estatais que não foram vendidas por FHC e Serra acabaram sucateadas.
“Nossa luta é para que o patrimônio continue nas mãos dos brasileiros e permaneça público do ponto de vista de concessão de crédito para agricultura familiar, habitação, entre outros pontos”, comenta o secretário de Organização da CUT, Jacy Afonso de Melo.
Além disso, os trabalhadores já estão se mobilizando para realizar mais atos estaduais na próxima terça-feira (26), com o mesmo objetivo: a defesa das estatais brasileiras. “Defender nossas estatais é defender os interesses da população brasileira”, finaliza o secretário da CUT
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Centrais sindicais iniciam campanha pela eleição de Dilma
Eleições: Sindicatos divergem quanto ao início das negociações do valor do salário mínimo de 2011
João Villaverde | VALOR
As seis maiores centrais sindicais do país dão largada hoje à campanha direta pela eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Após evento realizado no fim da tarde de sexta-feira na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força Sindical, dirigentes sindicais intensificaram o contato com integrantes do comitê eleitoral de Dilma, definindo dois eixos de atuação: negociar com o governo o reajuste real do salário mínimo no ano que vem e iniciar desde já a defesa da candidatura petista. Em reunião realizada ontem no espaço onde funcionara o comitê de campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, representantes das seis entidades e de movimentos sociais acordaram em iniciar hoje uma larga campanha de rua.
A partir de hoje, duas turmas de sindicalistas se revezarão em São Paulo, das 7h às 14h e daí às 19h, percorrendo pontos públicos como praças e estações de metrô com panfletos e jornais. Amanhã, as centrais participarão de comício da campanha de Dilma em São Miguel Paulista (SP) onde entregarão à candidata a “Agenda da classe trabalhadora”, documento aprovado em assembleia promovida no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, para cerca de 23 mil sindicalistas presentes. O documento, originalmente idealizado para ser entregue à todos os candidatos, só chegará a Dilma. Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do país, resume: “ela é a única capaz de encampar as necessidades da classe trabalhadora, então não faz sentido entregar o documento a quem não fará nada com ele”.
A questão do salário mínimo é mais complexa. A CUT defende o reajuste do mínimo em R$ 560 para o ano que vem, incorporando reajuste real (acima da inflação) de 3,5% – número tirado da média do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 a 2009 – maior que os R$ 538 propostos pelo governo na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que apenas repõe a inflação deste ano, mas inferior aos R$ 600 propostos pelo candidato da oposição, José Serra (PSDB). Por outro lado, dirigentes da Força Sindical defendem um mínimo igual ou mesmo superior aos R$ 600.
Na reunião realizada ontem, os dirigentes das centrais divergiram quanto ao momento de iniciar as negociações junto ao governo em relação ao valor do salário mínimo de 2011. Enquanto uma parcela prefere aguardar a realização do segundo turno para iniciar as conversas com o presidente Lula, outros avaliam que é preciso intensificar reuniões agora. Caso as negociações não avancem, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical, afirmou ao Valor que vai encaminhar um projeto de lei que prevê mínimo de R$ 600 e reajuste de 10% nas aposentadorias no ano que vem.
Segundo apurou a reportagem, as divergências entre as centrais quanto ao salário mínimo ficaram evidentes na sexta-feira, durante evento com Dilma na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Uma fonte próxima à direção da Força manteve diálogo com o deputado Antônio Palocci (PT), um dos principais articuladores políticos de Dilma. Segundo a fonte, Palocci se colocou a favor de um reajuste superior aos R$ 560.
O evento, na semana passada, quase não aconteceu. A assessoria da campanha de Dilma afirmou, pela manhã, que a candidata não participaria do evento, marcado para as 18h. Apenas à tarde, três horas antes do início, que sua presença foi confirmada. O episódio, segundo apurou o Valor, repercutiu mal entre os dirigentes sindicais. “Esse vacilo, quer dizer, desconfirmar e depois confirmar, em cima da hora, a presença num evento marcado com antecedência e com a presença de todos as seis centrais, acelerou a ideia de que a reunião realizada hoje [ontem] era central não só para a campanha, mas também para articularmos melhor a participação das centrais nas eleições e num futuro governo “, disse a fonte
A campanha que as centrais iniciam hoje em São Paulo contará com arsenal de peso. A área de comunicação da Força Sindical têm pronto um jornal que será disparado para sindicatos e em pontos públicos em que Paulinho, quarto deputado federal mais votado em São Paulo, com 267 mil votos, surge defendendo voto em Dilma. O jornal, que terá circulação de 5 milhões de exemplares, contará também com textos que “desestimulam o voto” em Serra. O jornal será começará a ser impresso hoje. Há dúvidas apenas em relação ao expediente do jornal, isto é, se será algo apenas da Força Sindical ou se as outras centrais assinarão. A CUT também prepara jornal próprio.
“Essas promessas do Serra são pura demagogia. Todo mundo sabe que ele não gosta de trabalhador e nosso papel, agora, é informar a classe trabalhadora disso”, diz Paulinho
João Villaverde | VALOR
As seis maiores centrais sindicais do país dão largada hoje à campanha direta pela eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Após evento realizado no fim da tarde de sexta-feira na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força Sindical, dirigentes sindicais intensificaram o contato com integrantes do comitê eleitoral de Dilma, definindo dois eixos de atuação: negociar com o governo o reajuste real do salário mínimo no ano que vem e iniciar desde já a defesa da candidatura petista. Em reunião realizada ontem no espaço onde funcionara o comitê de campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, representantes das seis entidades e de movimentos sociais acordaram em iniciar hoje uma larga campanha de rua.
A partir de hoje, duas turmas de sindicalistas se revezarão em São Paulo, das 7h às 14h e daí às 19h, percorrendo pontos públicos como praças e estações de metrô com panfletos e jornais. Amanhã, as centrais participarão de comício da campanha de Dilma em São Miguel Paulista (SP) onde entregarão à candidata a “Agenda da classe trabalhadora”, documento aprovado em assembleia promovida no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, para cerca de 23 mil sindicalistas presentes. O documento, originalmente idealizado para ser entregue à todos os candidatos, só chegará a Dilma. Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do país, resume: “ela é a única capaz de encampar as necessidades da classe trabalhadora, então não faz sentido entregar o documento a quem não fará nada com ele”.
A questão do salário mínimo é mais complexa. A CUT defende o reajuste do mínimo em R$ 560 para o ano que vem, incorporando reajuste real (acima da inflação) de 3,5% – número tirado da média do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 a 2009 – maior que os R$ 538 propostos pelo governo na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que apenas repõe a inflação deste ano, mas inferior aos R$ 600 propostos pelo candidato da oposição, José Serra (PSDB). Por outro lado, dirigentes da Força Sindical defendem um mínimo igual ou mesmo superior aos R$ 600.
Na reunião realizada ontem, os dirigentes das centrais divergiram quanto ao momento de iniciar as negociações junto ao governo em relação ao valor do salário mínimo de 2011. Enquanto uma parcela prefere aguardar a realização do segundo turno para iniciar as conversas com o presidente Lula, outros avaliam que é preciso intensificar reuniões agora. Caso as negociações não avancem, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical, afirmou ao Valor que vai encaminhar um projeto de lei que prevê mínimo de R$ 600 e reajuste de 10% nas aposentadorias no ano que vem.
Segundo apurou a reportagem, as divergências entre as centrais quanto ao salário mínimo ficaram evidentes na sexta-feira, durante evento com Dilma na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Uma fonte próxima à direção da Força manteve diálogo com o deputado Antônio Palocci (PT), um dos principais articuladores políticos de Dilma. Segundo a fonte, Palocci se colocou a favor de um reajuste superior aos R$ 560.
O evento, na semana passada, quase não aconteceu. A assessoria da campanha de Dilma afirmou, pela manhã, que a candidata não participaria do evento, marcado para as 18h. Apenas à tarde, três horas antes do início, que sua presença foi confirmada. O episódio, segundo apurou o Valor, repercutiu mal entre os dirigentes sindicais. “Esse vacilo, quer dizer, desconfirmar e depois confirmar, em cima da hora, a presença num evento marcado com antecedência e com a presença de todos as seis centrais, acelerou a ideia de que a reunião realizada hoje [ontem] era central não só para a campanha, mas também para articularmos melhor a participação das centrais nas eleições e num futuro governo “, disse a fonte
A campanha que as centrais iniciam hoje em São Paulo contará com arsenal de peso. A área de comunicação da Força Sindical têm pronto um jornal que será disparado para sindicatos e em pontos públicos em que Paulinho, quarto deputado federal mais votado em São Paulo, com 267 mil votos, surge defendendo voto em Dilma. O jornal, que terá circulação de 5 milhões de exemplares, contará também com textos que “desestimulam o voto” em Serra. O jornal será começará a ser impresso hoje. Há dúvidas apenas em relação ao expediente do jornal, isto é, se será algo apenas da Força Sindical ou se as outras centrais assinarão. A CUT também prepara jornal próprio.
“Essas promessas do Serra são pura demagogia. Todo mundo sabe que ele não gosta de trabalhador e nosso papel, agora, é informar a classe trabalhadora disso”, diz Paulinho
terça-feira, 21 de setembro de 2010
CUT contra o golpismo midiático
Ato une centrais,movimentos sociais e blogueiros progressistas nesta quinta no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Vagner Freitas: Contra a tentativa de manipulação de alguns veículos
por Leonardo Wexell Severo, no site da CUT
Na próxima quinta-feira (23), a partir das 19 horas, centrais sindicais, movimentos sociais e blogueiros progressistas realizam no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo um ato “Em defesa da democracia e contra o golpismo midiático”.
Organizado pelo Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, o evento já tem confirmada a presença da CUT e das várias centrais sindicais, além da UNE, do MST e representantes de partidos populares.
Em entrevista para o Portal do Mundo do Trabalho, o secretário nacional de Administração e Finanças da CUT, Vagner Freitas, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT), sublinha a relevância da manifestação, “no momento em que os grandes conglomerados privados de mídia atuam para tentar manipular a disputa eleitoral, se comportando não como meio de comunicação ou imprensa, mas como partido político, em favor do candidato da privatização, do arrocho salarial e da precarização de direitos”.
Nesta reta final da disputa eleitoral, a mídia decidiu ir para o tudo ou nada, pisando no acelerador da manipulação em favor da candidatura demotucana. Qual a sua avaliação sobre tamanho destempero?
Estamos num momento em que os grandes conglomerados privados de mídia atuam para tentar manipular a disputa eleitoral, se comportando não como imprensa, meios de comunicação, mas como partido político a favor do candidato da privatização, do arrocho salarial e da precarização de direitos. Frente ao que chamam de incapacidade da candidatura demotucana de fazer oposição ao governo Lula, a Folha de S. Paulo cobra até em editorial que se explicite a divergência, incentivando a busca da desqualificação do PT, de Lula, de Dilma, requentando questões passadas ou promovendo factóides midiáticos referentes a pessoas do governo.
Empunham então, abertamente, a bandeira da candidatura da reação neoliberal, mas, do alto da sua hipocrisia, com “imparcialidade”…
Assumem o papel de partido político, pois acham que o PSDB não está conseguindo cumprir. Em vez de orientar, propiciando ao eleitor uma análise imparcial dos programas e propostas de cada partido, a chamada grande mídia adota uma postura partidarizada. Isso tem a ver com as visíveis dificuldades do PSDB e do DEM para sustentar sua visão neoliberal privatista, de redução de salários e direitos, de desvalorização dos serviços e dos servidores públicos.
A mídia venal tenta identificar a luta pela democratização da comunicação com cerceamento da imprensa. O que achas disso?
Mais do que absurdo, é ridículo tentar imputar às centrais e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação o comportamento que sempre foi deles, de negação de espaço ao contraditório. Somos completamente favoráveis à liberdade de expressão, esta é a nossa história, de combate à ditadura. O PT e a CUT cresceram neste momento junto com a luta por liberdades democráticas, pela ampliação de espaços para a sociedade ter voz. Infelizmente, o que temos hoje é uma ditadura da mídia sobre a opinião pública, uma tentativa de modelar gostos e vontades em favor dos interesses do grande capital. Agora, liberdade de imprensa não significa que tudo possa ser divulgado e nada possa ser questionado. A mídia não é um quarto poder e deve estar, como tudo na democracia, sujeito a questionamentos, não é uma bula papal. As pessoas devem arcar com o que dizem, responder pelos seus atos, inclusive juridicamente. Ninguém pode sair por aí acusando sem provas. Do contrário, qualquer um poderia mentir, difamar e caluniar impunemente. Infelizmente, muitas vezes por omissão da Justiça, isso é o que acaba ocorrendo. Este é um outro ponto, o papel do judiciário, que não pode ter candidatura ou preferência.
É público e notório que a mídia venal tem um candidato. Como vês este alinhamento?
Eu não tenho problema nenhum com o fato da grande mídia ter um candidato, mas acho que deveria explicitar ao invés de tentar camuflar. Na Europa e nos EUA é assim: grandes jornais assumem abertamente sua posição e dialogam com o leitor de forma clara, alinhados. Aqui, reafirmo, o problema é que não deixam espaço para o contraditório, pois estão todos afinados com a mesma visão, o que tem empobrecido o debate.
E pelo que se pode projetar das ruas, esses setores golpistas serão derrotados novamente. Como disse o presidente Lula, em 2002, ao vencer, que o povo derrotou a opinião pública. Na verdade, a opinião publicada…
O fato é que a mídia não está conseguindo se contrapor ao projeto democrático popular desenvolvimentista em curso, que recuperou o papel do Estado, que dialoga com os movimentos sociais, com um patamar mais coletivo de organização da sociedade e da economia, que prioriza a nossa soberania. O outro lado é o projeto político dos grandes conglomerados internacionais, do retrocesso, da submissão ao estrangeiro.
E o que dizer de profissionais que se comportam como meros papagaios do dono do jornal ou da emissora, tentando desqualificar a manifestação da próxima quinta-feira como “ato contra a imprensa”?
Esta avaliação divulgada por alguns setores nada mais é do que uma exposição do seu rancor, pois obviamente não somos nós que impedimos a livre expressão, que deixamos de levar informação, que criminalizamos movimentos sociais. Por isso, o nosso mais profundo e rotundo repúdio a esta faceta golpista da grande mídia que, independentemente de quem vença as próximas eleições, precisará ser democratizada. Pelo noticiário, esta mídia tenta vender a ideia de que a população eleger a maioria da coalizão que apoia o presidente Lula é ser contra a democracia, que o fato do governo se preocupar prioritariamente com os mais necessitados e dialogar com trabalhadores e empresários é populismo, e outros absurdos. Felizmente, com a nossa mobilização, organização e consciência, é uma página que será virada, para o bem da informação de todos os brasileiros.
Vagner Freitas: Contra a tentativa de manipulação de alguns veículos
por Leonardo Wexell Severo, no site da CUT
Na próxima quinta-feira (23), a partir das 19 horas, centrais sindicais, movimentos sociais e blogueiros progressistas realizam no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo um ato “Em defesa da democracia e contra o golpismo midiático”.
Organizado pelo Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, o evento já tem confirmada a presença da CUT e das várias centrais sindicais, além da UNE, do MST e representantes de partidos populares.
Em entrevista para o Portal do Mundo do Trabalho, o secretário nacional de Administração e Finanças da CUT, Vagner Freitas, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT), sublinha a relevância da manifestação, “no momento em que os grandes conglomerados privados de mídia atuam para tentar manipular a disputa eleitoral, se comportando não como meio de comunicação ou imprensa, mas como partido político, em favor do candidato da privatização, do arrocho salarial e da precarização de direitos”.
Nesta reta final da disputa eleitoral, a mídia decidiu ir para o tudo ou nada, pisando no acelerador da manipulação em favor da candidatura demotucana. Qual a sua avaliação sobre tamanho destempero?
Estamos num momento em que os grandes conglomerados privados de mídia atuam para tentar manipular a disputa eleitoral, se comportando não como imprensa, meios de comunicação, mas como partido político a favor do candidato da privatização, do arrocho salarial e da precarização de direitos. Frente ao que chamam de incapacidade da candidatura demotucana de fazer oposição ao governo Lula, a Folha de S. Paulo cobra até em editorial que se explicite a divergência, incentivando a busca da desqualificação do PT, de Lula, de Dilma, requentando questões passadas ou promovendo factóides midiáticos referentes a pessoas do governo.
Empunham então, abertamente, a bandeira da candidatura da reação neoliberal, mas, do alto da sua hipocrisia, com “imparcialidade”…
Assumem o papel de partido político, pois acham que o PSDB não está conseguindo cumprir. Em vez de orientar, propiciando ao eleitor uma análise imparcial dos programas e propostas de cada partido, a chamada grande mídia adota uma postura partidarizada. Isso tem a ver com as visíveis dificuldades do PSDB e do DEM para sustentar sua visão neoliberal privatista, de redução de salários e direitos, de desvalorização dos serviços e dos servidores públicos.
A mídia venal tenta identificar a luta pela democratização da comunicação com cerceamento da imprensa. O que achas disso?
Mais do que absurdo, é ridículo tentar imputar às centrais e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação o comportamento que sempre foi deles, de negação de espaço ao contraditório. Somos completamente favoráveis à liberdade de expressão, esta é a nossa história, de combate à ditadura. O PT e a CUT cresceram neste momento junto com a luta por liberdades democráticas, pela ampliação de espaços para a sociedade ter voz. Infelizmente, o que temos hoje é uma ditadura da mídia sobre a opinião pública, uma tentativa de modelar gostos e vontades em favor dos interesses do grande capital. Agora, liberdade de imprensa não significa que tudo possa ser divulgado e nada possa ser questionado. A mídia não é um quarto poder e deve estar, como tudo na democracia, sujeito a questionamentos, não é uma bula papal. As pessoas devem arcar com o que dizem, responder pelos seus atos, inclusive juridicamente. Ninguém pode sair por aí acusando sem provas. Do contrário, qualquer um poderia mentir, difamar e caluniar impunemente. Infelizmente, muitas vezes por omissão da Justiça, isso é o que acaba ocorrendo. Este é um outro ponto, o papel do judiciário, que não pode ter candidatura ou preferência.
É público e notório que a mídia venal tem um candidato. Como vês este alinhamento?
Eu não tenho problema nenhum com o fato da grande mídia ter um candidato, mas acho que deveria explicitar ao invés de tentar camuflar. Na Europa e nos EUA é assim: grandes jornais assumem abertamente sua posição e dialogam com o leitor de forma clara, alinhados. Aqui, reafirmo, o problema é que não deixam espaço para o contraditório, pois estão todos afinados com a mesma visão, o que tem empobrecido o debate.
E pelo que se pode projetar das ruas, esses setores golpistas serão derrotados novamente. Como disse o presidente Lula, em 2002, ao vencer, que o povo derrotou a opinião pública. Na verdade, a opinião publicada…
O fato é que a mídia não está conseguindo se contrapor ao projeto democrático popular desenvolvimentista em curso, que recuperou o papel do Estado, que dialoga com os movimentos sociais, com um patamar mais coletivo de organização da sociedade e da economia, que prioriza a nossa soberania. O outro lado é o projeto político dos grandes conglomerados internacionais, do retrocesso, da submissão ao estrangeiro.
E o que dizer de profissionais que se comportam como meros papagaios do dono do jornal ou da emissora, tentando desqualificar a manifestação da próxima quinta-feira como “ato contra a imprensa”?
Esta avaliação divulgada por alguns setores nada mais é do que uma exposição do seu rancor, pois obviamente não somos nós que impedimos a livre expressão, que deixamos de levar informação, que criminalizamos movimentos sociais. Por isso, o nosso mais profundo e rotundo repúdio a esta faceta golpista da grande mídia que, independentemente de quem vença as próximas eleições, precisará ser democratizada. Pelo noticiário, esta mídia tenta vender a ideia de que a população eleger a maioria da coalizão que apoia o presidente Lula é ser contra a democracia, que o fato do governo se preocupar prioritariamente com os mais necessitados e dialogar com trabalhadores e empresários é populismo, e outros absurdos. Felizmente, com a nossa mobilização, organização e consciência, é uma página que será virada, para o bem da informação de todos os brasileiros.
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