blog Tijolaço:
A Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os donos dos “jornalões” da América Latina, encerrou ontem sua 67ª reunião, em San Diego, na Califórnia afirmando que “a liberdade de imprensa diminuiu fortemente nos últimos seis meses, em quase todo o continente americano, particularmente na Argentina e no Equador”. E ainda colocaram na lista a Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Guiana.
Desta vez o Brasil ficou fora da lista, ao contrário do ano passado quando nosso governo foi acusado de exercer “controle social” sobre a imprensa por meio de propostas como as que foram debatidas na Conferência Nacional de Comunicação.
Os donos de jornais reclamam da distribuição arbitrária das verbas de publicidade do governo e do uso de órgãos de controle de impostos para “conter as críticas” na Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Guatemala, acrescenta.
A SIP, avó do Instituto Millenium, vê ditadura em qualquer um que denuncie os interesses políticos e econômicos da gande imprensa.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Salário mínimo e o cinismo de Serra
Brizola Neto,
blog Tijolaço:
Chegaria a ser cômico, se não fosse ridícula, a articulação do núcleo serrista para tentar criar um problema para o Governo Dilma Rousseff, com a apresentação da proposta de elevação do salário mínimo para R$ 600.
Claro e óbvio que um salário de 600 reais não é muito e muito menos injusto para os trabalhadores. Ao contrário, é pouco, considerando a defasagem que o salário mínimo acumulou ao longo de décadas. E inclua-se aí, nesta temporada de perdas, o período de uma década – considerando o período final de Itamar e os oito anos de Fernando Henrique – em que o tucanato esteve no Governo.
Mas a proposta tucana é como Serra, tão falsa como uma nota de R$3. Uma promessa que, se fosse eleito, trataria logo de revogar, com o apoio entusiástico da mídia, sob o argumento de que recebera uma “herança maldita” do Governo Lula.
Temos, mal ou bem, uma regra acordada de reajustes salariais: inflação mais variação do PIB no penúltimo ano do reajuste. Claro que, diante da crise – que zerou o crescimento do PIB em 2008 – e do forte crescimento da economia em 2009, podemos ter mais do que o reajuste que, segundo aquela regra, ficaria na faixa de 5%, como previsto no Orçamento.
A própria presidente eleita acenou que vai negociar esta adequação, sem prejuízo da regra que, mantida, garante um reajuste bem mais significativo em 2011, – 7,5% do PIB de 2010 mais uma inflação projetada em torno de 4%. As centrais sindicais propõem R$ 580 e tudo caminharia para um acordo razoável e responsável.
Mas o tucanato serrista, apesar da derrota nas urnas, se sente à vontade para repetir a demagogia que empunharam na campanha eleitoral e repetir a cantilena de levar o mínimo, de uma tacada só, para R$ 600, o que representaria um rejuste de quase 20%.
Ora, é simples saber se há sinceridade na proposta. Os governadores tucanos de São Paulo e Minas aceitam dar um reajuste de 20% para seus servidores? Alckmin e Anastasia podem fazer isso? As prefeituras tucanas podem arcar com isso? Se os servidores paulistas pedirem – aliás, por que não podem, se os seus governantes o defendem? – um aumento destes índices, vão ser recebidos com cafezinho ou com cassetetes e bombas de gás?
A verdade é que os tucanos, que históricamente se “lixam” para a pobreza deste país, não visam uma progressão constante, segura e imune ao arbítrio dos governantes para a recuperação dos salários. Querem o tumulto e o desgaste político.
É por isso que venho repetindo aqui: estamos caminhando para um “racha” nas forças de oposição. Não há dúvidas de que uma parte dos que se alinharem, ao menos formal e aparentemente, em torno da candidatura Serra não vai partir – não de início, ao menos – para este processo irresponsável.
A outra parte? Bem, como eu disse aqui, logo poderemos ver um trocadilho a mais: Serra é do DEM
blog Tijolaço:
Chegaria a ser cômico, se não fosse ridícula, a articulação do núcleo serrista para tentar criar um problema para o Governo Dilma Rousseff, com a apresentação da proposta de elevação do salário mínimo para R$ 600.
Claro e óbvio que um salário de 600 reais não é muito e muito menos injusto para os trabalhadores. Ao contrário, é pouco, considerando a defasagem que o salário mínimo acumulou ao longo de décadas. E inclua-se aí, nesta temporada de perdas, o período de uma década – considerando o período final de Itamar e os oito anos de Fernando Henrique – em que o tucanato esteve no Governo.
Mas a proposta tucana é como Serra, tão falsa como uma nota de R$3. Uma promessa que, se fosse eleito, trataria logo de revogar, com o apoio entusiástico da mídia, sob o argumento de que recebera uma “herança maldita” do Governo Lula.
Temos, mal ou bem, uma regra acordada de reajustes salariais: inflação mais variação do PIB no penúltimo ano do reajuste. Claro que, diante da crise – que zerou o crescimento do PIB em 2008 – e do forte crescimento da economia em 2009, podemos ter mais do que o reajuste que, segundo aquela regra, ficaria na faixa de 5%, como previsto no Orçamento.
A própria presidente eleita acenou que vai negociar esta adequação, sem prejuízo da regra que, mantida, garante um reajuste bem mais significativo em 2011, – 7,5% do PIB de 2010 mais uma inflação projetada em torno de 4%. As centrais sindicais propõem R$ 580 e tudo caminharia para um acordo razoável e responsável.
Mas o tucanato serrista, apesar da derrota nas urnas, se sente à vontade para repetir a demagogia que empunharam na campanha eleitoral e repetir a cantilena de levar o mínimo, de uma tacada só, para R$ 600, o que representaria um rejuste de quase 20%.
Ora, é simples saber se há sinceridade na proposta. Os governadores tucanos de São Paulo e Minas aceitam dar um reajuste de 20% para seus servidores? Alckmin e Anastasia podem fazer isso? As prefeituras tucanas podem arcar com isso? Se os servidores paulistas pedirem – aliás, por que não podem, se os seus governantes o defendem? – um aumento destes índices, vão ser recebidos com cafezinho ou com cassetetes e bombas de gás?
A verdade é que os tucanos, que históricamente se “lixam” para a pobreza deste país, não visam uma progressão constante, segura e imune ao arbítrio dos governantes para a recuperação dos salários. Querem o tumulto e o desgaste político.
É por isso que venho repetindo aqui: estamos caminhando para um “racha” nas forças de oposição. Não há dúvidas de que uma parte dos que se alinharem, ao menos formal e aparentemente, em torno da candidatura Serra não vai partir – não de início, ao menos – para este processo irresponsável.
A outra parte? Bem, como eu disse aqui, logo poderemos ver um trocadilho a mais: Serra é do DEM
domingo, 31 de outubro de 2010
Chegamos ao dia decisivo.
TIJOLAÇO
brizola neto
Foram meses que ensinaram muito a todos nós.
Creio que o primeiro ensinamento foi algo que todos partilhamos: do mais humilde dos brasileiros ao próprio presidente Lula.
O de que não existe caminho para justiça social no Brasil que não passe pelo desenvolvimento econômico e pela afirmação de nossa soberania como nação.
Acho que todos entendemos que, reescrevendo a frase que ficou famosa nos tempos do “milagre econômico” da ditadura, o bolo só cresce se for mais bem dividido e só é mais bem dividido quando cresce.
Progresso econômico e progresso social são duas faces inseparáveis de um Brasil que quer e precisa crescer.
De fato, basta examinar todos os indicadores econômicos e sociais para que se veja que o governo Lula disparou em realizações e em popularidade no seu segundo mandato, ao assumir claramente sua natureza nacional e popular, deixando à beira do caminho aqueles que defendiam, embora com menos ferocidade, as mesmas regras neoliberais que marcaram o governo FHC.
Numa palavra, foi finalmente o governo Lula quem retomou a linha de afirmação nacional, econômica e social que marcou a vida brasileira nas décadas de 30, 40, 50 e até mesmo na década de 60, pois o progresso desse país tinha uma força inercial que nem mesmo a ditadura militar, embora com seus componentes entreguistas, conseguiu romper de imediato.
A década final do regime autoritário, marcada pela estagnação, foi sucedida primeiro pela nulidade de Sarney, o energúmeno, e depois, pelo neoliberalismo privatista se afirmou com a nova ditadura: a do pensamento único.
Em 1995, com Fernando Henrique Cardoso, o viés subalterno que passou a comandar a vida brasileiro sentiu-se seguro ao ponto de rasgar o véu da hipocrisia e declarar que sua missão era sepultar definitivamente o que chamaram de Era Vargas, significando com isso o seu desejo de alienar todas as riquezas desta nação e conformar o Brasil a uma condição colonial.
Mas manter o Brasil como colônia, embora o venham conseguindo há cinco séculos, é algo que não se consegue se há liberdade.
Um grande e maravilhoso país, com um grande e generosa população só pode ser pequeno se nos aceitarmos assim, se nos desprezarmos como povo e como nação. Se vivermos na tristeza e no silêncio.
Foi por isso que suprimiram a liberdade em 64. Foi por isso que a deformaram, com o poder midiático, na eleição de Collor e, depois, com a ideia de que a história dos conflitos pela afirmação das nações era passado e a globalização e o mercado eram fenômenos divinos e invencíveis.
Daí nos vem o segundo ensinamento: se a liberdade de imprensa sempre foi uma ferramenta da rebeldia generosa e da decência humana, o direito à comunicação, que a engloba, é ainda maior: é o fundamento da liberdade e da democracia.
Controlá-lo, desde os tempos em que os livros dependiam do imprimatur dos senhores dos feudos terrestres e celestiais, sempre foi a chave do poder.
É verdade que os meios tecnológicos, pouco a pouco, foram eliminando estes “privilégios de impressão”, culminando nesta maravilhosa ferramenta que é a internet.
Mas um a um, o poder sempre procurou se apoderar deles e desvirtuar o seu sentido libertário, fazendo dele não apenas o que deve também ser, diversão e entretenimento, mas diversionismo e entorpecimento.
E, sejamos realistas, os espaços que abrimos aqui, na internet, ainda são pequenos e pouco significativos perto das estruturas de manipulação e mentira que dominam e que, também aqui, conseguem montar.
Um governo popular, no Brasil, tem de encarar a democratização da comunicação como a espinha dorsal de sua sobrevivência política.
Porque os inimigos de um Brasil popular contam com quase toda a comunicação, com suas máquinas de produzir mentiras, de distorcer verdades e de deformar consciências.
Outro dia, num evento na Carta Capital exortou os políticos a não terem medo da grande imprensa.
Concordo com ele, mas é preciso que o Governo também não a tema, como vem sendo tristemente verdadeiro há décadas.
Procurei praticar aqui, tanto quanto pude, este conselho.
Este pequeno espaço, que começamos a abrir há menos de um ano e meio, modestamente, procurou não ter este medo, nem viver em função de vantagens, poder ou sucesso eleitoral.Nunca, apesar dos conselhos para que o fizesse, deixei de lado as grandes lutas para cair no terreno estéril e falso da promessa, da cooptação, da formação de grupos de interesse.
Hoje, no dia em que se encerra uma etapa importante da luta histórica de nosso povo, o corpo está extenuado, mas a consciência serena.
Este mês, 1,2 milhão de acessos ao Tijolaço e , sobretudo, os mais de 15 mil comentários postados desde 1º de outubro mostram que este se tornou um lugar de encontro, para dividir ideias, angústias, revoltas e paixões.
Para dividirmos o que somos de verdade, pois é o que somos de verdade o melhor que podemos dar uns aos outros.
A minha gratidão a todos os que colaboraram neste processo, lendo, criticando, sugerindo, me dando até uns “foras” de vez em quando.
Carregar este sobrenome e escrever sob um título que identifica a luta de um grande homem é um enorme peso para alguém tão pequeno.
Mas se cada um de nós, nas nossas pequenas forças, pudermos, cada um, conduzir um grão de areia, é certo que juntos podemos fazer uma montanha.
A minha gratidão e reconhecimento a todos, e que o destino sorria a este povo tão sofrido.
Viva o povo brasileiro, razão de ser do Brasil
brizola neto
Foram meses que ensinaram muito a todos nós.
Creio que o primeiro ensinamento foi algo que todos partilhamos: do mais humilde dos brasileiros ao próprio presidente Lula.
O de que não existe caminho para justiça social no Brasil que não passe pelo desenvolvimento econômico e pela afirmação de nossa soberania como nação.
Acho que todos entendemos que, reescrevendo a frase que ficou famosa nos tempos do “milagre econômico” da ditadura, o bolo só cresce se for mais bem dividido e só é mais bem dividido quando cresce.
Progresso econômico e progresso social são duas faces inseparáveis de um Brasil que quer e precisa crescer.
De fato, basta examinar todos os indicadores econômicos e sociais para que se veja que o governo Lula disparou em realizações e em popularidade no seu segundo mandato, ao assumir claramente sua natureza nacional e popular, deixando à beira do caminho aqueles que defendiam, embora com menos ferocidade, as mesmas regras neoliberais que marcaram o governo FHC.
Numa palavra, foi finalmente o governo Lula quem retomou a linha de afirmação nacional, econômica e social que marcou a vida brasileira nas décadas de 30, 40, 50 e até mesmo na década de 60, pois o progresso desse país tinha uma força inercial que nem mesmo a ditadura militar, embora com seus componentes entreguistas, conseguiu romper de imediato.
A década final do regime autoritário, marcada pela estagnação, foi sucedida primeiro pela nulidade de Sarney, o energúmeno, e depois, pelo neoliberalismo privatista se afirmou com a nova ditadura: a do pensamento único.
Em 1995, com Fernando Henrique Cardoso, o viés subalterno que passou a comandar a vida brasileiro sentiu-se seguro ao ponto de rasgar o véu da hipocrisia e declarar que sua missão era sepultar definitivamente o que chamaram de Era Vargas, significando com isso o seu desejo de alienar todas as riquezas desta nação e conformar o Brasil a uma condição colonial.
Mas manter o Brasil como colônia, embora o venham conseguindo há cinco séculos, é algo que não se consegue se há liberdade.
Um grande e maravilhoso país, com um grande e generosa população só pode ser pequeno se nos aceitarmos assim, se nos desprezarmos como povo e como nação. Se vivermos na tristeza e no silêncio.
Foi por isso que suprimiram a liberdade em 64. Foi por isso que a deformaram, com o poder midiático, na eleição de Collor e, depois, com a ideia de que a história dos conflitos pela afirmação das nações era passado e a globalização e o mercado eram fenômenos divinos e invencíveis.
Daí nos vem o segundo ensinamento: se a liberdade de imprensa sempre foi uma ferramenta da rebeldia generosa e da decência humana, o direito à comunicação, que a engloba, é ainda maior: é o fundamento da liberdade e da democracia.
Controlá-lo, desde os tempos em que os livros dependiam do imprimatur dos senhores dos feudos terrestres e celestiais, sempre foi a chave do poder.
É verdade que os meios tecnológicos, pouco a pouco, foram eliminando estes “privilégios de impressão”, culminando nesta maravilhosa ferramenta que é a internet.
Mas um a um, o poder sempre procurou se apoderar deles e desvirtuar o seu sentido libertário, fazendo dele não apenas o que deve também ser, diversão e entretenimento, mas diversionismo e entorpecimento.
E, sejamos realistas, os espaços que abrimos aqui, na internet, ainda são pequenos e pouco significativos perto das estruturas de manipulação e mentira que dominam e que, também aqui, conseguem montar.
Um governo popular, no Brasil, tem de encarar a democratização da comunicação como a espinha dorsal de sua sobrevivência política.
Porque os inimigos de um Brasil popular contam com quase toda a comunicação, com suas máquinas de produzir mentiras, de distorcer verdades e de deformar consciências.
Outro dia, num evento na Carta Capital exortou os políticos a não terem medo da grande imprensa.
Concordo com ele, mas é preciso que o Governo também não a tema, como vem sendo tristemente verdadeiro há décadas.
Procurei praticar aqui, tanto quanto pude, este conselho.
Este pequeno espaço, que começamos a abrir há menos de um ano e meio, modestamente, procurou não ter este medo, nem viver em função de vantagens, poder ou sucesso eleitoral.Nunca, apesar dos conselhos para que o fizesse, deixei de lado as grandes lutas para cair no terreno estéril e falso da promessa, da cooptação, da formação de grupos de interesse.
Hoje, no dia em que se encerra uma etapa importante da luta histórica de nosso povo, o corpo está extenuado, mas a consciência serena.
Este mês, 1,2 milhão de acessos ao Tijolaço e , sobretudo, os mais de 15 mil comentários postados desde 1º de outubro mostram que este se tornou um lugar de encontro, para dividir ideias, angústias, revoltas e paixões.
Para dividirmos o que somos de verdade, pois é o que somos de verdade o melhor que podemos dar uns aos outros.
A minha gratidão a todos os que colaboraram neste processo, lendo, criticando, sugerindo, me dando até uns “foras” de vez em quando.
Carregar este sobrenome e escrever sob um título que identifica a luta de um grande homem é um enorme peso para alguém tão pequeno.
Mas se cada um de nós, nas nossas pequenas forças, pudermos, cada um, conduzir um grão de areia, é certo que juntos podemos fazer uma montanha.
A minha gratidão e reconhecimento a todos, e que o destino sorria a este povo tão sofrido.
Viva o povo brasileiro, razão de ser do Brasil
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brizola neto,
SEGUNDO TURNO,
TIJOLAÇO
sábado, 30 de outubro de 2010
O close do Kamel
Publicado no Tijolaço, do Brizola Neto:
As coisas correram tão bem, mas tão bem, no debate da Globo que a gente pode até ser descontraído no registro da única manipulação que conseguiram emplacar.
Refiro-me ao que já está sendo chamado de “O Close do Kamel”.
Se, no debate, Serra afundou no seu próprio despresparo de alinhavar promessas tecnocráticas – não conseguiu nem repetir a demagogia do mínimo de 600 reais, os 10% para os aposentados e o 13º do Bolsa-Família – no encerramento ele seguiu um roteiro que parecia previamente combinado.
Se fosse apenas um texto decorado, nada de mais.
É legítimo e até conveniente que um candidato ensaie o seu discurso de encerramento, a oportunidade final de falar ao eleitor.
Nem é errado que, no debate, com um formato imposto pela Globo, se sirvam das regras para deixar alterado o adversário. Serra, por exemplo, não suporta que lhe passem pelas costas. Lula fez isso em 2002 e deve ter dito a Dilma para não ficar, como ficou nos primeiros momentos do debate, sentadinha quieta no canto enquanto a palavra estava com Serra.
Mas não é legítimo que a emissora mude o enquadramento e os cortes de câmara que deveriam ser, aproximadamente, semelhantes para os dois candidatos.
Serra terminou sua participação com um close duradouro, coisa a que Dilma não teve direito. Muito melhor para passar emoção, fator importante no encerramento, embora a veia saltada na testa lhe denunciasse a insegurança.
Os profissionais de televisão – e o chefe destes profissionais não pode ter deixado de interferir nisso – sabem que aquele close ajudaria.
Um pequeno detalhe, que ficou insignificante com a vantagem de Dilma ao longo de todo o programa, mas que revelou, para quem sabe ler as imagens, a demonstração do “não o abandonamos” que a direção do “jornalismo” da Globo deu a seu candidato.
Resta saber se a direção – e não a de jornalismo – da Globo vai desejar, a partir de domingo, manter estes sinais.
Ou se fará, como oferenda a Dilma, o que Serra costuma exigir: o que Salomé pediu a Herodes, em uma bandeja.
Em close.
As coisas correram tão bem, mas tão bem, no debate da Globo que a gente pode até ser descontraído no registro da única manipulação que conseguiram emplacar.
Refiro-me ao que já está sendo chamado de “O Close do Kamel”.
Se, no debate, Serra afundou no seu próprio despresparo de alinhavar promessas tecnocráticas – não conseguiu nem repetir a demagogia do mínimo de 600 reais, os 10% para os aposentados e o 13º do Bolsa-Família – no encerramento ele seguiu um roteiro que parecia previamente combinado.
Se fosse apenas um texto decorado, nada de mais.
É legítimo e até conveniente que um candidato ensaie o seu discurso de encerramento, a oportunidade final de falar ao eleitor.
Nem é errado que, no debate, com um formato imposto pela Globo, se sirvam das regras para deixar alterado o adversário. Serra, por exemplo, não suporta que lhe passem pelas costas. Lula fez isso em 2002 e deve ter dito a Dilma para não ficar, como ficou nos primeiros momentos do debate, sentadinha quieta no canto enquanto a palavra estava com Serra.
Mas não é legítimo que a emissora mude o enquadramento e os cortes de câmara que deveriam ser, aproximadamente, semelhantes para os dois candidatos.
Serra terminou sua participação com um close duradouro, coisa a que Dilma não teve direito. Muito melhor para passar emoção, fator importante no encerramento, embora a veia saltada na testa lhe denunciasse a insegurança.
Os profissionais de televisão – e o chefe destes profissionais não pode ter deixado de interferir nisso – sabem que aquele close ajudaria.
Um pequeno detalhe, que ficou insignificante com a vantagem de Dilma ao longo de todo o programa, mas que revelou, para quem sabe ler as imagens, a demonstração do “não o abandonamos” que a direção do “jornalismo” da Globo deu a seu candidato.
Resta saber se a direção – e não a de jornalismo – da Globo vai desejar, a partir de domingo, manter estes sinais.
Ou se fará, como oferenda a Dilma, o que Serra costuma exigir: o que Salomé pediu a Herodes, em uma bandeja.
Em close.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Site oficial de Serra patrocina terrorismo eleitoral
Blog Tijolaço
29 de outubro de 2010 às 9:26h
Por Brizola Neto*
A colunista Eliane Catenhede referiu-se aos blogs pró-Dilma como “os cães da internet”.
José Serra chama-os de “blogs sujos”.
Quero saber o que irão falar do que a campanha de Serra – sim, a campanha de Serra, que colocava este blog “Vou de Serra 45″ na sua capa de seu site oficial – publica com o mais nítido sentido de terrorismo eleitoral, com uma produção que é evidentemente eleitoral.
Um vídeo chamado “2012, o fim está próximo” é um crime, sob todos os aspectos.
Figura o Brasil sob uma ditadura, até com ameaça de invasão de tropas estrangeiras.
Coisa de canalhas. Quem age assim, sob um regime democrático e às vésperas de uma eleição livre e democrática.
Pessoas assim, sim, são terroristas. Porque não estão lutando contra a tirania, estão lutando contra o voto livre da população, usando como arma o medo, a mentira e, sobretudo, a covardia.
Vou colocar o vídeo, repugnado. Porque ele está sendo publicado por dois dos grandes veículos de comunicação, O Globo e o Estadão, em seus portais, nas colunas Radar Online e no Noblat. E sem uma palavra de condenação. (atualização: postado também no corpo de O Globo).
Por isso publico, porque é necessário reagir, e não fingir que isso não é nada.
Foi por “não ser nada” que o nazismo se desenvolveu até ir ao poder.
Eu desconsideraria, se não tivesse sido publicado, como disse, sem uma palavra de condenação por dois órgãos de imprensa gigantescos, que, ao faze-lo, difundiram a centenas de milhares de pessoas o conteúdo do esgoto.
Sei que o assunto está no setor jurídico do PT.
Em nome da democracia, suplico que tomem uma atitude, já que se tornou inútil esperar que o Ministério Público Eleitoral aja.
Tem que haver limites para a baixaria e a sordidez.
Não se trata de reprimir a liberdade e o direito de crítica, consagrados na Constituição, vedado o anonimato.
O blog, mesmo sendo anônimo, encontrou abrigo na página da campanha de José Serra.
Assim, juridicamente, ele o subscreveu.
Não é um comentarista ou alguém que, informalmente, diz ali coisas exageradas.
É um trabalho profissional, não obra de amador. Foi postado num canal do youtube criado especialmente para isso, na quarta-feira.
Nunca pedimos ações contra garotos que fazem baixarias.
Coisa bem diferente é isso ser patrocinado pela campanha tucana.
Que fez, lamentavelmente, desta a campanha eleitoral mais suja que já assistimos.
29 de outubro de 2010 às 9:26h
Por Brizola Neto*
A colunista Eliane Catenhede referiu-se aos blogs pró-Dilma como “os cães da internet”.
José Serra chama-os de “blogs sujos”.
Quero saber o que irão falar do que a campanha de Serra – sim, a campanha de Serra, que colocava este blog “Vou de Serra 45″ na sua capa de seu site oficial – publica com o mais nítido sentido de terrorismo eleitoral, com uma produção que é evidentemente eleitoral.
Um vídeo chamado “2012, o fim está próximo” é um crime, sob todos os aspectos.
Figura o Brasil sob uma ditadura, até com ameaça de invasão de tropas estrangeiras.
Coisa de canalhas. Quem age assim, sob um regime democrático e às vésperas de uma eleição livre e democrática.
Pessoas assim, sim, são terroristas. Porque não estão lutando contra a tirania, estão lutando contra o voto livre da população, usando como arma o medo, a mentira e, sobretudo, a covardia.
Vou colocar o vídeo, repugnado. Porque ele está sendo publicado por dois dos grandes veículos de comunicação, O Globo e o Estadão, em seus portais, nas colunas Radar Online e no Noblat. E sem uma palavra de condenação. (atualização: postado também no corpo de O Globo).
Por isso publico, porque é necessário reagir, e não fingir que isso não é nada.
Foi por “não ser nada” que o nazismo se desenvolveu até ir ao poder.
Eu desconsideraria, se não tivesse sido publicado, como disse, sem uma palavra de condenação por dois órgãos de imprensa gigantescos, que, ao faze-lo, difundiram a centenas de milhares de pessoas o conteúdo do esgoto.
Sei que o assunto está no setor jurídico do PT.
Em nome da democracia, suplico que tomem uma atitude, já que se tornou inútil esperar que o Ministério Público Eleitoral aja.
Tem que haver limites para a baixaria e a sordidez.
Não se trata de reprimir a liberdade e o direito de crítica, consagrados na Constituição, vedado o anonimato.
O blog, mesmo sendo anônimo, encontrou abrigo na página da campanha de José Serra.
Assim, juridicamente, ele o subscreveu.
Não é um comentarista ou alguém que, informalmente, diz ali coisas exageradas.
É um trabalho profissional, não obra de amador. Foi postado num canal do youtube criado especialmente para isso, na quarta-feira.
Nunca pedimos ações contra garotos que fazem baixarias.
Coisa bem diferente é isso ser patrocinado pela campanha tucana.
Que fez, lamentavelmente, desta a campanha eleitoral mais suja que já assistimos.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A maracutaia no Metrô e a caradura de Serra
Brizola Neto,
blog Tijolaço:
Será que o José Serra acha que todo mundo é burro? Será que ele acha que uma dúzia de grandes empreiteiras de obras ia combinar sozinha quem ia pegar cada pedacinho dos 20 quilômetros da linha 5 do metrô de São Paulo sem que ninguém do governo ficasse sabendo? E ainda iam fazer isso reduzindo os preços para ganharem menos na obra?
Que história é essa de dizer que ele não tem nada com isso por ele não ser governador se a licitação foi aberta e “acertada” entre as empreiteiras enquanto ele estava no Palácios dos Bandeirantes?
Tenha paciência, né?! Primeiro, o senhor não conhecia o Sr. Paulo “Obscuro”. Agora, o senhor quer que a gente acredite que ninguém da sua equipe teve nada a ver com a maracutaia de R$4 bilhões da obra do metrô?
O senhor acha que a opinião pública é um bando de beócios?
Como é que o senhor vai dizer que “direcionamento” da licitação não houve? Assim, de plano, sem investigação? O senhor acha que as coisas são assim como fez com Paulo Preto, bastando dizer “não foi ele” e está tudo resolvido?
Mesmo que não tenha sido por ordem sua, o que garante que não foi um dos seus auxiliares que comandou esse arranjo indecoroso? E o que dizer de sua cara de pau em afirmar que “em todo caso isso transcorreu depois da minha saída”?
Quando a Folha de S.Paulo registrou em cartório o resultado da licitação quando o senhor se encontra na plenitude de seus poderes no Palácio dos Bandeirantes.
Pode haver dúvida do seu envolvimento, Sr. Serra. E o senhor, como toda pessoa, tem o direito ao princípio da presunção da inocência. Não é possível, mesmo diante da fraude em uma licitação, acusar ninguém de corrupto sem provas - como, aliás, o senhor faz a torto e a direito com os outros.
Mas do cinismo, isso sim, o senhor já dá provas cabais, mesmo sem qualquer investigação. A sua cara de pau excede e muito àquela que a população, infelizmente, se acostumou a ver nos políticos.
A bancada do PDT na Assembleia de São Paulo está coletando assinaturas para abertura de uma CPI para investigar está manipulação de resultados. Vamos ver se não será mais uma das dezenas de CPI’s que os governos tucanos, especialmente o seu, impediram que fossem instaladas.
Em relação aos seus adversários, o senhor sabe exigir a apuração célere, imediata, impiedosa. Não há problema. Quem se corrompeu que pague por isso. Agora, como dizia minha vó, macaco olha o seu rabo. Aliás, macaco não, tucano!
blog Tijolaço:
Será que o José Serra acha que todo mundo é burro? Será que ele acha que uma dúzia de grandes empreiteiras de obras ia combinar sozinha quem ia pegar cada pedacinho dos 20 quilômetros da linha 5 do metrô de São Paulo sem que ninguém do governo ficasse sabendo? E ainda iam fazer isso reduzindo os preços para ganharem menos na obra?
Que história é essa de dizer que ele não tem nada com isso por ele não ser governador se a licitação foi aberta e “acertada” entre as empreiteiras enquanto ele estava no Palácios dos Bandeirantes?
Tenha paciência, né?! Primeiro, o senhor não conhecia o Sr. Paulo “Obscuro”. Agora, o senhor quer que a gente acredite que ninguém da sua equipe teve nada a ver com a maracutaia de R$4 bilhões da obra do metrô?
O senhor acha que a opinião pública é um bando de beócios?
Como é que o senhor vai dizer que “direcionamento” da licitação não houve? Assim, de plano, sem investigação? O senhor acha que as coisas são assim como fez com Paulo Preto, bastando dizer “não foi ele” e está tudo resolvido?
Mesmo que não tenha sido por ordem sua, o que garante que não foi um dos seus auxiliares que comandou esse arranjo indecoroso? E o que dizer de sua cara de pau em afirmar que “em todo caso isso transcorreu depois da minha saída”?
Quando a Folha de S.Paulo registrou em cartório o resultado da licitação quando o senhor se encontra na plenitude de seus poderes no Palácio dos Bandeirantes.
Pode haver dúvida do seu envolvimento, Sr. Serra. E o senhor, como toda pessoa, tem o direito ao princípio da presunção da inocência. Não é possível, mesmo diante da fraude em uma licitação, acusar ninguém de corrupto sem provas - como, aliás, o senhor faz a torto e a direito com os outros.
Mas do cinismo, isso sim, o senhor já dá provas cabais, mesmo sem qualquer investigação. A sua cara de pau excede e muito àquela que a população, infelizmente, se acostumou a ver nos políticos.
A bancada do PDT na Assembleia de São Paulo está coletando assinaturas para abertura de uma CPI para investigar está manipulação de resultados. Vamos ver se não será mais uma das dezenas de CPI’s que os governos tucanos, especialmente o seu, impediram que fossem instaladas.
Em relação aos seus adversários, o senhor sabe exigir a apuração célere, imediata, impiedosa. Não há problema. Quem se corrompeu que pague por isso. Agora, como dizia minha vó, macaco olha o seu rabo. Aliás, macaco não, tucano!
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
A "neutralidade" sórdida de Josias de Souza
Brizola Neto,
blog Tijolaço:
O blog de Josias de Souza, sob o pretexto de noticiar uma baixaria que está circulando na internet, ajuda a espalhá-la. Porque acusações de caráter sexual, ou têm uma autoria a quem possa ser atribuída – e imputada a devida responsabilidade – ou não se divulga.
Dar curso a notícia que se sabe falsa, mesmo dizendo - e sem a devida ênfase – que é falsa é fazer o jogo do boateiro anônimo e covarde.
Se, amanhã, algum anônimo fizer afirmações falsas de teor sexual contra José Serra, todos os que o divulgarem estarão metidos no jogo sujo.
E tenho certeza que o jornalista será o primeiro a não expor um homem a tal sordidez.
Esperava-se, no mínimo, o mesmo em relação a uma mulher.
Mas na hora em que se trata do que disse – e disse mesmo, saiu publicado nos jornais, sem desmentido – a mulher de José Serra, o cuidado é outro. Primeiro, ao falar que a difusão de panfletos associando Dilma ao aborto está em curso, diz que “teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio”, enquanto o seu próprio jornal afirma que estes panfletos foram distribuídos até na reunião do PSDB. E a declaração de Monica Serra, cuja notícia reproduzo aqui do site do Estadão, sem que tivesse havido desmentido ou pedido de desculpas, é tratada no condicional:
“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.” (a fala de Dilma)
Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.
Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.”
Quer dizer, fica tudo sem uma posição. Não é uma suposição, boato, nem mesmo é uma acusação. É um fato, uma declaração pública, não desmentida. Mas é tratada com indulgência fraternal.
Eu gostaria de saber como reagiria a nossa purista mídia diante de um coluna que, depois de abordar boatos mentirosos sobre uma suposta homossexualidade do candidato da direita, abordasse uma declaração pública de um dirigente da campanha de Dilma de que Serra ” é a favor de matar as criancinhas”. Tenho certeza que haveria – com justíssima razão – uma enorme grita contra a irresponsabilidade de quem o fizesse.
Mas contra Dilma, vale tudo, inclusive a sordidez disfarçada de “neutralidade”.
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O blog de Josias de Souza, sob o pretexto de noticiar uma baixaria que está circulando na internet, ajuda a espalhá-la. Porque acusações de caráter sexual, ou têm uma autoria a quem possa ser atribuída – e imputada a devida responsabilidade – ou não se divulga.
Dar curso a notícia que se sabe falsa, mesmo dizendo - e sem a devida ênfase – que é falsa é fazer o jogo do boateiro anônimo e covarde.
Se, amanhã, algum anônimo fizer afirmações falsas de teor sexual contra José Serra, todos os que o divulgarem estarão metidos no jogo sujo.
E tenho certeza que o jornalista será o primeiro a não expor um homem a tal sordidez.
Esperava-se, no mínimo, o mesmo em relação a uma mulher.
Mas na hora em que se trata do que disse – e disse mesmo, saiu publicado nos jornais, sem desmentido – a mulher de José Serra, o cuidado é outro. Primeiro, ao falar que a difusão de panfletos associando Dilma ao aborto está em curso, diz que “teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio”, enquanto o seu próprio jornal afirma que estes panfletos foram distribuídos até na reunião do PSDB. E a declaração de Monica Serra, cuja notícia reproduzo aqui do site do Estadão, sem que tivesse havido desmentido ou pedido de desculpas, é tratada no condicional:
“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.” (a fala de Dilma)
Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.
Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.”
Quer dizer, fica tudo sem uma posição. Não é uma suposição, boato, nem mesmo é uma acusação. É um fato, uma declaração pública, não desmentida. Mas é tratada com indulgência fraternal.
Eu gostaria de saber como reagiria a nossa purista mídia diante de um coluna que, depois de abordar boatos mentirosos sobre uma suposta homossexualidade do candidato da direita, abordasse uma declaração pública de um dirigente da campanha de Dilma de que Serra ” é a favor de matar as criancinhas”. Tenho certeza que haveria – com justíssima razão – uma enorme grita contra a irresponsabilidade de quem o fizesse.
Mas contra Dilma, vale tudo, inclusive a sordidez disfarçada de “neutralidade”.
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sábado, 9 de outubro de 2010
Tijolaço - Furando o novo “escândalo” da Veja
O repórter Diego Escosteguy, de Veja, foi escalado para mais uma salva de acusações da revista para atingir Dilma. Recebi, de uma pessoa ligada ao Ministério das Minas e Energia os dados sobre a matéria que a revista prepara contra uma ex-assessora de Dilma, mas publico, antecipadamente, os fatos que a revista pretende explorar, com informações do Ministério:
Esclarecimentos do MME
A propósito dos questionamentos que têm sido feitos sobre a contratação do CPqD para implementação do Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) neste Ministério de Minas e Energia, esclarecemos que:
1) O PDTI 2003-2005 definiu as diretrizes estratégicas a serem adotadas pela área de Tecnologia da Informação (TI) do Ministério de Minas e Energia (MME), que estava em processo de reestruturação, tendo em vista as novas atribuições de coordenação e planejamento do setor que lhe foram conferidas pela Lei 10.683/2003.
2) Como órgão responsável por evitar que ocorresse um novo “apagão” no setor elétrico do país, o Ministério estava exposto a uma situação de alto risco e fragilidade em TI, no início do atual governo. Era necessária uma solução racional e urgente para resolver o problema estrutural e a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (CPqD), desmembrada da estrutura do Sistema Telebrás após a privatização, tinha as qualificações necessárias para implementar rapidamente a reformulação de toda a política de TI, pois trata-se de instituição confiável, competente e isenta, sendo provedora de soluções tecnológicas com acervo intelectual de 93 patentes no Brasil e 51 em outros 15 países.
3) Essa contratação foi objeto de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), que, apesar de apontar algumas irregularidades no processo, entendeu as circunstâncias em que foi realizada como atenuantes para determinar o seu arquivamento sem sanções, solicitando apenas que o contrato não fosse prorrogado.
4) No Acórdão 1342/2005, o TCU considerou que:
a) “Não se questiona a oportunidade da contratação, ou como já verificamos, a capacidade técnica da Fundação CPqD”.
b) “Não há dúvida de que a falta de uma equipe específica em tecnologia no Ministério dificulta o planejamento e o próprio encaminhamento das contratações de serviços de TI. Esse fato, juntamente com a possibilidade de contratação de uma entidade que goza da confiança do gestor e que assume, num único ajuste, toda a estruturação tecnológica (software) do órgão, torna a solução integrada bastante atraente”.
c) “Não há indícios de má-fé por parte dos gestores, nem da entidade contratada”.
d) “O Ministério não possuía quadro próprio de servidores com formação em tecnologia, o que dificultava a própria elaboração de processos licitatórios e a administração dos futuros contratos”.
e) “A situação da área de TI exigia uma solução ágil e bem estruturada, com levantamento de informações e planejamento minucioso, o que foi feito com ajuda de técnicos da Petrobras, resultando no documento ‘Situação Atual da TI no MME: diagnóstico e recomendações’, presente às fls. 18/180, anexo I, o qual foi a base para a elaboração do DPTI”.
f) “Evidente a boa-fé dos responsáveis, não de todo desarrazoada, para sustentar a dispensa, ante a inexistência de dano ao Erário, desnecessária a adoção de medidas mais graves”.
5) Já no Acórdão 5521/2010, que analisou as contas do MME no ano de 2005 (último de vigência do contrato), o TCU fez apenas ressalvas em relação a falhas na gestão do contrato com o CPqD, observando que:
a) “Tais falhas não são suficientes para macular as contas dos gestores do MME referentes ao exercício examinado”.
b) “As circunstâncias em que se passaram as falhas verificadas, que interferiram na execução do contrato, devem ser levadas em consideração para análise da conduta dos gestores”.
c) “A crise energética de 2001 certamente trouxe consigo volume extraordinário de trabalho nos anos seguintes, em vista das providências necessárias para afastar o risco de novos eventos semelhantes. Como agravante, à época da vigência do contrato, o MME encontrava-se desestruturado”.
d) “Não se verificou débito, dado que os serviços pagos foram efetivamente prestados, tampouco locupletamento por parte dos responsáveis”.
6) A estrutura de TI do MME está consolidada, atende às atuais necessidades de suas diversas áreas e é considerada uma das mais avançadas do governo. O CPqD desenvolveu parte das soluções planejadas, tendo em vista a interrupção do contrato determinada pelo TCU. Foi um auxílio importante na primeira fase da reestruturação do MME, posteriormente complementada com serviços prestados por empresas contratadas conforme as orientações do TCU.
Veremos se a matéria, caso seja publicada, trará estas informações.
Esclarecimentos do MME
A propósito dos questionamentos que têm sido feitos sobre a contratação do CPqD para implementação do Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) neste Ministério de Minas e Energia, esclarecemos que:
1) O PDTI 2003-2005 definiu as diretrizes estratégicas a serem adotadas pela área de Tecnologia da Informação (TI) do Ministério de Minas e Energia (MME), que estava em processo de reestruturação, tendo em vista as novas atribuições de coordenação e planejamento do setor que lhe foram conferidas pela Lei 10.683/2003.
2) Como órgão responsável por evitar que ocorresse um novo “apagão” no setor elétrico do país, o Ministério estava exposto a uma situação de alto risco e fragilidade em TI, no início do atual governo. Era necessária uma solução racional e urgente para resolver o problema estrutural e a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (CPqD), desmembrada da estrutura do Sistema Telebrás após a privatização, tinha as qualificações necessárias para implementar rapidamente a reformulação de toda a política de TI, pois trata-se de instituição confiável, competente e isenta, sendo provedora de soluções tecnológicas com acervo intelectual de 93 patentes no Brasil e 51 em outros 15 países.
3) Essa contratação foi objeto de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), que, apesar de apontar algumas irregularidades no processo, entendeu as circunstâncias em que foi realizada como atenuantes para determinar o seu arquivamento sem sanções, solicitando apenas que o contrato não fosse prorrogado.
4) No Acórdão 1342/2005, o TCU considerou que:
a) “Não se questiona a oportunidade da contratação, ou como já verificamos, a capacidade técnica da Fundação CPqD”.
b) “Não há dúvida de que a falta de uma equipe específica em tecnologia no Ministério dificulta o planejamento e o próprio encaminhamento das contratações de serviços de TI. Esse fato, juntamente com a possibilidade de contratação de uma entidade que goza da confiança do gestor e que assume, num único ajuste, toda a estruturação tecnológica (software) do órgão, torna a solução integrada bastante atraente”.
c) “Não há indícios de má-fé por parte dos gestores, nem da entidade contratada”.
d) “O Ministério não possuía quadro próprio de servidores com formação em tecnologia, o que dificultava a própria elaboração de processos licitatórios e a administração dos futuros contratos”.
e) “A situação da área de TI exigia uma solução ágil e bem estruturada, com levantamento de informações e planejamento minucioso, o que foi feito com ajuda de técnicos da Petrobras, resultando no documento ‘Situação Atual da TI no MME: diagnóstico e recomendações’, presente às fls. 18/180, anexo I, o qual foi a base para a elaboração do DPTI”.
f) “Evidente a boa-fé dos responsáveis, não de todo desarrazoada, para sustentar a dispensa, ante a inexistência de dano ao Erário, desnecessária a adoção de medidas mais graves”.
5) Já no Acórdão 5521/2010, que analisou as contas do MME no ano de 2005 (último de vigência do contrato), o TCU fez apenas ressalvas em relação a falhas na gestão do contrato com o CPqD, observando que:
a) “Tais falhas não são suficientes para macular as contas dos gestores do MME referentes ao exercício examinado”.
b) “As circunstâncias em que se passaram as falhas verificadas, que interferiram na execução do contrato, devem ser levadas em consideração para análise da conduta dos gestores”.
c) “A crise energética de 2001 certamente trouxe consigo volume extraordinário de trabalho nos anos seguintes, em vista das providências necessárias para afastar o risco de novos eventos semelhantes. Como agravante, à época da vigência do contrato, o MME encontrava-se desestruturado”.
d) “Não se verificou débito, dado que os serviços pagos foram efetivamente prestados, tampouco locupletamento por parte dos responsáveis”.
6) A estrutura de TI do MME está consolidada, atende às atuais necessidades de suas diversas áreas e é considerada uma das mais avançadas do governo. O CPqD desenvolveu parte das soluções planejadas, tendo em vista a interrupção do contrato determinada pelo TCU. Foi um auxílio importante na primeira fase da reestruturação do MME, posteriormente complementada com serviços prestados por empresas contratadas conforme as orientações do TCU.
Veremos se a matéria, caso seja publicada, trará estas informações.
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Tijolaço - Eles querem é nosso petróleo
Blog TijolaçoHá dias estou alertando aqui – e o noticiário dos jornais o confirma – que o alvo e o centro do desejo tucano de voltar ao poder está a milhares de metros de profundidade, ao largo do litoral brasileiro.
Eles, que não tiveram força moral ou política para derrotar a retomada do controle brasileiro sobre as jazidas do pré-sal, vão pretender mostrar um “mar de lama” na grande empresa brasileira, embora esta se submeta às mais severas regras de governança corporativa e auditoria.
Como empresa com capital negociado em bolsa, aqui e no Exterior, a Petrobras está sujeita às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores de São Paulo, no Brasil; da Securities and Exchange Commission e da New York Stock Exchange, nos Estados Unidos; do Latibex da Bolsa de Madri.
Este ano, pela 2ª vez, foi apontada como a empresa mais bem gerenciada da América Latina pela revista Euromoney, de Londres.
Captou US$ 45 bilhões no mercado privado, num aumento de capital de US$ 120 bilhões, para capacitar-se a explorar atenção – a maior jazida de petróleo em propecção hoje no mundo, que é o pré-sal e é, legalmente, a operadora exclusiva da sua extração.
Sobreviveu a Fernando Henrique, embora um retalho de sua propriedade tenha sido entregue e, só a muito custo – político e econômico – foi possível recuperá-lo, parcialmente.
A Petrobras é um sucesso econômico, tecnológico e gerencial. Pergunte a um fornecedor da Petrobras os níveis de exigência da empresa em seus contratos.
Hoje, o Estadão e O Globo iniciaram a ofensiva contra a Petrobras.
Jogam, criminosamente, contra o valor de mercado da mais valiosa empresa brasileira e usam a desvalorização deste patrimônio do povo brasileiro para seus objetivos políticos eleitorais.
Desde o início da semana, em vários blogs, circulam rumores de que a Veja seria a artilharia pesada desta campanha, como o foi na CPI da Petrobras, há mais de um ano, sem que tivessem arranjado mais que alguns grãos de poeira para usar como argumentos.
Eu tenho dito há três dias: aí está o furo da bala.
O que interessa a eles é ter o poder e as condições políticas para entregar o pré-sal, que nos torna uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a quinta ou sexta mais importante do mundo, por enquanto. E há possibilidade de novas descobertas, que já surgem, inclusive, como indícios mais palpáveis nas sondagens.
Todo o resto é cortina de fumaça. E nós não podemos dispersar nossas forças golpeando fumaça.
O discurso e a polêmica têm que se tornar claros para o povo brasileiro: é o petróleo que eles querem.
Blog Tijolaço
Eles, que não tiveram força moral ou política para derrotar a retomada do controle brasileiro sobre as jazidas do pré-sal, vão pretender mostrar um “mar de lama” na grande empresa brasileira, embora esta se submeta às mais severas regras de governança corporativa e auditoria.
Como empresa com capital negociado em bolsa, aqui e no Exterior, a Petrobras está sujeita às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores de São Paulo, no Brasil; da Securities and Exchange Commission e da New York Stock Exchange, nos Estados Unidos; do Latibex da Bolsa de Madri.
Este ano, pela 2ª vez, foi apontada como a empresa mais bem gerenciada da América Latina pela revista Euromoney, de Londres.
Captou US$ 45 bilhões no mercado privado, num aumento de capital de US$ 120 bilhões, para capacitar-se a explorar atenção – a maior jazida de petróleo em propecção hoje no mundo, que é o pré-sal e é, legalmente, a operadora exclusiva da sua extração.
Sobreviveu a Fernando Henrique, embora um retalho de sua propriedade tenha sido entregue e, só a muito custo – político e econômico – foi possível recuperá-lo, parcialmente.
A Petrobras é um sucesso econômico, tecnológico e gerencial. Pergunte a um fornecedor da Petrobras os níveis de exigência da empresa em seus contratos.
Hoje, o Estadão e O Globo iniciaram a ofensiva contra a Petrobras.
Jogam, criminosamente, contra o valor de mercado da mais valiosa empresa brasileira e usam a desvalorização deste patrimônio do povo brasileiro para seus objetivos políticos eleitorais.
Desde o início da semana, em vários blogs, circulam rumores de que a Veja seria a artilharia pesada desta campanha, como o foi na CPI da Petrobras, há mais de um ano, sem que tivessem arranjado mais que alguns grãos de poeira para usar como argumentos.
Eu tenho dito há três dias: aí está o furo da bala.
O que interessa a eles é ter o poder e as condições políticas para entregar o pré-sal, que nos torna uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a quinta ou sexta mais importante do mundo, por enquanto. E há possibilidade de novas descobertas, que já surgem, inclusive, como indícios mais palpáveis nas sondagens.
Todo o resto é cortina de fumaça. E nós não podemos dispersar nossas forças golpeando fumaça.
O discurso e a polêmica têm que se tornar claros para o povo brasileiro: é o petróleo que eles querem.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
Calma, coragem e combate!
tijolaço
Meus queridos amigos. Vocês, que acompanham os fatos sabem que os adversários do povo brasileiro não têm condições de travar o debate sobre a realidade. Não têm argumentos, porque o Brasil agora cresce, enquanto eles o estagnaram, porque o Brasil agora emprega, enquanto eles deixaram milhões de pessoas na angústia de não ter seu ganha-pão, o Brasil agora aumenta os salários e o consumo, enquanto eles passaram décadas mandando o povo brasileiro apertar os cintos.
No Brasil de verdade, na realidade, eles estão sem armas e sem argumentos. Sua causa é ruim, é pavorosa, é repugnante quando surge com o seu próprio rosto disforme.
Mas eles controlam o Brasil imaginário, porque controlam a mídia. E é essa a arma monstruosa que, desde o início do processo eleitoral, brandem contra os sentimentos verdadeiros do povo brasileiro.
Há seis meses, chamavam Dilma de “poste”, de alguém sem idéias, sem personalidade, sem discurso, sem capacidade sequer de se expressar.
Esta fantasia mentirosa ocupou páginas e colunas de jornais, repetida como um mantra.
Os fatos, mais que a dissiparem, reduziram-na a pó.
Há três meses, eles sustentavam uma liderança de Serra que todos sabíamos falsa. Mas a publicavam em gráficos coloridos, a repetiam na televisão, a comentavam como fosse real.
Outra quimera que se desfez quando o sentimento e a voz do povo passaram a ser ouvidos.
Agora, seguindo um roteiro previamente estabelecido, construíram duas histórias: a de “escândalos” e a de ameaças à democracia. E, com elas, passaram usar, como sempre usam, as pesquisas que controlam. Há dias, “constróem” uma aproximação na reta final e a sua “obra” se expressa nos gráficos de pesquisas, o Datafolha à frente delas.
Mas eles não têm uma causa, uma bandeira, um projeto que possam submeter ao julgamento do povo brasileiro. Seu candidato é um personagem que desperta asco nna nossa gente.
Daí erguerem o nome de Marina Silva como biombo de seus verdadeiros interesses.
É irrelevante sabermos com qual nível de conveniência ela se presta a ele e, sequer, se ela o faz com cumplicidade.
Não importa qual o resultado deste julgamento moral.
O que importa é o mundo real, e é o mundo real a nossa arma contra a avalanche de propaganda que já despejam e despejarão nestes dias, sobretudo com as pesquisas a lhes servirem de disfarces dos seus apetites.
Temos de ter calma, lucidez, coragem, objetividade e disposição para o combate.
O primeiro é saber é que eles não lutam pela vitória, mas por uma sobrevida, por um segundo turno que lhes dê condição de fugirem da verdade acachapante de que a direita tornou-se uma força desprezada pela população. Lutam por mais 30 dias em que possam cevar um “milagre” demoníaco que oculte esta verdade.
Nem mesmo eles ousam estar seguros de que o conseguirão.
Mas sabê-lo não basta, é preciso dizê-lo, dizê-lo a quantos possam nos ouvir e ler.
Temos de ser claros e diretos: se é legítimo votar em Marina Silva, também é legítimo dizer a quem o faz que este voto, mais do que a ela, serve agora à direita e a José Serra.
Esta é a verdade nua e crua e, se ela me custar algum voto em minha candidatura a deputado, paciência.
Verdades são para ser ditas, custe o que custar, do contrário serei mais um hipócrita, e de hipócritas o povo brasileiro já se encheu.
Digo claramente o que deve ser dito e é preciso que cada um de nós o faça. A quem estiver caindo no “conto da onda verde”, a quem estiver vacilando por causa da mídia e das pesquisas, a pergunta deve ser esta, e feita de forma direta:
- Então, você vai votar no Serra?
- Vou votar na Marina.
- Não, você está enganado, você vai votar no Serra.
Este é o argumento com a força cortante da verdade. E o choque, talvez, desperte a compreensão deste interlocutor ingênuo, que não percebeu o jogo sujo que se oculta por detrás de um personagem que, pela sua origem e trajetória, pode despertar solidariedade e respeito, mas que, agora, passou a ser, para a direita, a tábua de salvação, provisória que seja, do seu naufrágio.
É hora de cada um de nós – a começar por aquele que tem a empatia de enormes massas do povo brasileiro – conversarmos com cada pessoa, com cada amigo, conhecido, vizinho ou parente.
Nós fazemos parte de um milagre chamado comunicação. Nós somos, aqui, dezenas de milhares e éramos centenas faz pouco tempo. Crescemos e nos unimos com a verdade e o amor ao povo brasileiro e a esta nação.
Acreditem, meus irmãos e minhas irmãs, nesta bandeira limpa, pura, decente e humana que conduzimos. Ela merece a força de nossos braços, o desapego de nossas idéias. Merece toda a nossa energia nesta batalha que quase se finda.
Cada voz, cada mente, cada coração, agora, deve ser posto a serviço do povo brasileiro. Pois a nossa sinceridade é tanta, o nosso amor ao Brasil é tanto, a nossa fé no futuro é tanta que não há mentira capaz de superar a emoção com que podemos nos expresar.
Vamos em frente, em nome do nosso povo. Vamos em frente, e vamos vencer.
Meus queridos amigos. Vocês, que acompanham os fatos sabem que os adversários do povo brasileiro não têm condições de travar o debate sobre a realidade. Não têm argumentos, porque o Brasil agora cresce, enquanto eles o estagnaram, porque o Brasil agora emprega, enquanto eles deixaram milhões de pessoas na angústia de não ter seu ganha-pão, o Brasil agora aumenta os salários e o consumo, enquanto eles passaram décadas mandando o povo brasileiro apertar os cintos.
No Brasil de verdade, na realidade, eles estão sem armas e sem argumentos. Sua causa é ruim, é pavorosa, é repugnante quando surge com o seu próprio rosto disforme.
Mas eles controlam o Brasil imaginário, porque controlam a mídia. E é essa a arma monstruosa que, desde o início do processo eleitoral, brandem contra os sentimentos verdadeiros do povo brasileiro.
Há seis meses, chamavam Dilma de “poste”, de alguém sem idéias, sem personalidade, sem discurso, sem capacidade sequer de se expressar.
Esta fantasia mentirosa ocupou páginas e colunas de jornais, repetida como um mantra.
Os fatos, mais que a dissiparem, reduziram-na a pó.
Há três meses, eles sustentavam uma liderança de Serra que todos sabíamos falsa. Mas a publicavam em gráficos coloridos, a repetiam na televisão, a comentavam como fosse real.
Outra quimera que se desfez quando o sentimento e a voz do povo passaram a ser ouvidos.
Agora, seguindo um roteiro previamente estabelecido, construíram duas histórias: a de “escândalos” e a de ameaças à democracia. E, com elas, passaram usar, como sempre usam, as pesquisas que controlam. Há dias, “constróem” uma aproximação na reta final e a sua “obra” se expressa nos gráficos de pesquisas, o Datafolha à frente delas.
Mas eles não têm uma causa, uma bandeira, um projeto que possam submeter ao julgamento do povo brasileiro. Seu candidato é um personagem que desperta asco nna nossa gente.
Daí erguerem o nome de Marina Silva como biombo de seus verdadeiros interesses.
É irrelevante sabermos com qual nível de conveniência ela se presta a ele e, sequer, se ela o faz com cumplicidade.
Não importa qual o resultado deste julgamento moral.
O que importa é o mundo real, e é o mundo real a nossa arma contra a avalanche de propaganda que já despejam e despejarão nestes dias, sobretudo com as pesquisas a lhes servirem de disfarces dos seus apetites.
Temos de ter calma, lucidez, coragem, objetividade e disposição para o combate.
O primeiro é saber é que eles não lutam pela vitória, mas por uma sobrevida, por um segundo turno que lhes dê condição de fugirem da verdade acachapante de que a direita tornou-se uma força desprezada pela população. Lutam por mais 30 dias em que possam cevar um “milagre” demoníaco que oculte esta verdade.
Nem mesmo eles ousam estar seguros de que o conseguirão.
Mas sabê-lo não basta, é preciso dizê-lo, dizê-lo a quantos possam nos ouvir e ler.
Temos de ser claros e diretos: se é legítimo votar em Marina Silva, também é legítimo dizer a quem o faz que este voto, mais do que a ela, serve agora à direita e a José Serra.
Esta é a verdade nua e crua e, se ela me custar algum voto em minha candidatura a deputado, paciência.
Verdades são para ser ditas, custe o que custar, do contrário serei mais um hipócrita, e de hipócritas o povo brasileiro já se encheu.
Digo claramente o que deve ser dito e é preciso que cada um de nós o faça. A quem estiver caindo no “conto da onda verde”, a quem estiver vacilando por causa da mídia e das pesquisas, a pergunta deve ser esta, e feita de forma direta:
- Então, você vai votar no Serra?
- Vou votar na Marina.
- Não, você está enganado, você vai votar no Serra.
Este é o argumento com a força cortante da verdade. E o choque, talvez, desperte a compreensão deste interlocutor ingênuo, que não percebeu o jogo sujo que se oculta por detrás de um personagem que, pela sua origem e trajetória, pode despertar solidariedade e respeito, mas que, agora, passou a ser, para a direita, a tábua de salvação, provisória que seja, do seu naufrágio.
É hora de cada um de nós – a começar por aquele que tem a empatia de enormes massas do povo brasileiro – conversarmos com cada pessoa, com cada amigo, conhecido, vizinho ou parente.
Nós fazemos parte de um milagre chamado comunicação. Nós somos, aqui, dezenas de milhares e éramos centenas faz pouco tempo. Crescemos e nos unimos com a verdade e o amor ao povo brasileiro e a esta nação.
Acreditem, meus irmãos e minhas irmãs, nesta bandeira limpa, pura, decente e humana que conduzimos. Ela merece a força de nossos braços, o desapego de nossas idéias. Merece toda a nossa energia nesta batalha que quase se finda.
Cada voz, cada mente, cada coração, agora, deve ser posto a serviço do povo brasileiro. Pois a nossa sinceridade é tanta, o nosso amor ao Brasil é tanto, a nossa fé no futuro é tanta que não há mentira capaz de superar a emoção com que podemos nos expresar.
Vamos em frente, em nome do nosso povo. Vamos em frente, e vamos vencer.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Datafolha faz força, mas cenário não muda
TIJOLAÇO
O Datafolha bem que se esforçou, incluindo perguntas sobre a saída de Erenice Guerra da Casa Civil, e a Folha de S.Paulo fez malabarismos no título da matéria online, mas a nova pesquisa do instituto só mostrou variações dentro da margem de erro. Dilma continua vencendo a eleição no primeiro turno, com 54% dos votos válidos, contra 31% de Serra e 14% de Marina. Brancos e nulos somam 3% e os indecisos são 5%.
Como foi a primeira pesquisa do Datafolha após as denúncias que levaram a ministra da Casa Civil a deixar o cargo, e 52% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do caso, havia a expectativa por parte do instituto e do jornal de uma mudança de cenário.
Mas Dilma aparece com 49% das intenções de voto, dois pontos a amenos do que na semana passada, contra 28% de Serra, um a mais que na pesquisa anterior, e 14% de Marina, que também oscilou um ponto para cima.
Todas as movimentações estão dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, o que mantém o quadro inalterado.
Segundo o Datafolha, Dilma teria caído 10 pontos no segmentos com renda familiar mensal entre 5 e 10 salários mínimos; mas esta queda não se reproduz – é só de 3 pontos - entre os que têm nível superior de escolaridade. Difícil, portanto, atribuir à influência da mídia esta mudança. É bom esperarmos o detalhamento da pesquisa para analisarmos a situação. A variação no segmento de 5 a 10 mínimos parece exagerada, considerando que entre as duas últimas pesquisas Dilma tinha crescido 3 pontos nesse grupo.
Aliás, todas as mudanças nesse segmento apontadas pelo Datafolha são muito grandes. Dilma perdeu 10 pontos, Marina ganhou 8 pontos e Serra subiu 6 pontos.
O Datafolha perguntou sobre um eventual segundo turno, a Dilma vence, com 55% contra 38% de Serra, quando há uma semana era de 57%, contra 35% .
Vocês já sabem que o Datafolha já fez “diabruras” para manter Serra na frente, quando os outros institutos já registravam outro quadro. Não há, em nenhuma outra pesquisa, sinais de alterações no quadro. Deste santo do Datafolha a gente sabe que tipo de milagre vem
O Datafolha bem que se esforçou, incluindo perguntas sobre a saída de Erenice Guerra da Casa Civil, e a Folha de S.Paulo fez malabarismos no título da matéria online, mas a nova pesquisa do instituto só mostrou variações dentro da margem de erro. Dilma continua vencendo a eleição no primeiro turno, com 54% dos votos válidos, contra 31% de Serra e 14% de Marina. Brancos e nulos somam 3% e os indecisos são 5%.
Como foi a primeira pesquisa do Datafolha após as denúncias que levaram a ministra da Casa Civil a deixar o cargo, e 52% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do caso, havia a expectativa por parte do instituto e do jornal de uma mudança de cenário.
Mas Dilma aparece com 49% das intenções de voto, dois pontos a amenos do que na semana passada, contra 28% de Serra, um a mais que na pesquisa anterior, e 14% de Marina, que também oscilou um ponto para cima.
Todas as movimentações estão dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, o que mantém o quadro inalterado.
Segundo o Datafolha, Dilma teria caído 10 pontos no segmentos com renda familiar mensal entre 5 e 10 salários mínimos; mas esta queda não se reproduz – é só de 3 pontos - entre os que têm nível superior de escolaridade. Difícil, portanto, atribuir à influência da mídia esta mudança. É bom esperarmos o detalhamento da pesquisa para analisarmos a situação. A variação no segmento de 5 a 10 mínimos parece exagerada, considerando que entre as duas últimas pesquisas Dilma tinha crescido 3 pontos nesse grupo.
Aliás, todas as mudanças nesse segmento apontadas pelo Datafolha são muito grandes. Dilma perdeu 10 pontos, Marina ganhou 8 pontos e Serra subiu 6 pontos.
O Datafolha perguntou sobre um eventual segundo turno, a Dilma vence, com 55% contra 38% de Serra, quando há uma semana era de 57%, contra 35% .
Vocês já sabem que o Datafolha já fez “diabruras” para manter Serra na frente, quando os outros institutos já registravam outro quadro. Não há, em nenhuma outra pesquisa, sinais de alterações no quadro. Deste santo do Datafolha a gente sabe que tipo de milagre vem
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TIJOLAÇO
Aonde e com que joga o Datafolha
TIJOLAÇO
Embora os resultados do Datafolha divulgados ontem à noite e detalhados hoje, na edição da Folha, devam ser encarados com a reserva que o instituto merece, depois de seus “malabarismos” para segurar um Serra que já caía há tempos – e os outros institutos o mostravam bem antes – e, ainda, porque não há registro de variações deste tipo em nenhum outro instituto de pesquisas.
Mas, descendo aos detalhes da pesquisa, algumas coisas podem ser percebidas.
A primeira é que, o contrário do que afirma o jornal, os dados não permitem uma avaliação como a que faz o jornal, ao afirmar que há uma expressiva queda de Dilma entre os segmentos de melhor renda e que isto se deveria ao “escândalo Erenice”.
Olhe o gráfico aí ao lado. É o detalhamento da intenção de voto publicado hoje pela Folha, de onde as imagens foram reproduzidas.
Note que a diferença em favor de Serra entre os que ganham mais de 10 salários mínimos não é maior do que há 15 dias atrás. Ao contrário, é menor.
Na pesquisa divulgada no dia 11 deste mês, assinalada pela seta, Serra aparecia, neste segmento, com 37%, contra 32% de Dilma. Cinco pontos de diferença, portanto. Marina tinha os mesmos 20. Como Serra tem, no levantamento divulgado hoje, 38% , enquanto Dilma e Marina têm, respectivamente, 34% (+2) e 20% (não variou), o que é possível dizer numa análise? Aliás, para falar em queda de Dilma seria muito mais correto dizer que ela ocorreu há 15 dias, antes do dito “escândalo”, pois o Datafolha registrava 40% para ela, contra 34% para Serra.
Agora, olhe a parte de cima do gráfico, que representa o segmento entre 5 e 10 salários mínimos, muito mais numeroso que o de mais de 10 e, portanto, mais capaz de influir no resultado final ponderado.
Ali, o Datafolha produz uma verdadeira “gangorra” com Marina Silva. Ela teria 21%, há quinze dias, caiu para 16% há menos de uma semana e, agora, teria saltado para 24%. Veja que passar de 16 para 24% é ter um crescimento relativo de 50%. Não estou dizendo que que houve uma fraude – e também não digo o contrário – mas que é estranho, é. E todo o crescimento dela e de Serra neste segmento teria se dado, essencialmente, sobre Dilma Rousseff e – atenção – sobre os nulos, brancos e indecisos.
Reparem. Dilma teria, 15 dias atrás, teria 44 pontos. Subiu “depois do desgaste” do caso do sigilo, para 47%. E agora, teria caído para 37%. Ou seja, teria perdido um eleitor a cada cinco neste segmento, em uma semana. Verifique se isso corresponde à sua percepção. Mas o mais interessante é que, claro, uma eventual “decepção” com uma candidata, em uma semana, deveria levar a um aumento do número de indecisos, nulos e brancos.
Mas o que acontece é exatamente o inverso. Neste segmento, a soma de indecisos, nulos e brancos era de 8%, passou para 9% na semana passada e , agora, é de 5%. Ou seja, caiu praticamente à metade. Uai, mas como é que isso registra uma decepção com a candidata favorita. O normal não seria que ao menos uma parcela dos que iam votar em Dilma passassem a anular o voto ou a ficar em dúvida sobre a quem dá-lo?
Considerando toda a amostra, sem distinção de renda, o número de brancos e nulos, da semana passada para cá, caiu de 4% para 3% e o de indecisos, de 7% para 5%. Pequenas variações, nada comparável à queda, pela metade quase, do que aconteceu naquele segmento. Nem entre os de renda superior a queda chegou perto disso, passando de um total de 11% para 8%.
O Datafolha “guardou” os dados sobre rejeição e a distribuição regional das intenções de voto.
Vocês podem ver, porém, que nos segmentos mais populares, cujo gráfico está aí ao lado, não houve nenhuma variação significativa, à exceção da “inflada” nos números de Marina Silva.
Vem mais coisa por aí. A pesquisa, que é, como os candidatos gostam de dizer, “um retrato do momento”, parece, pela insistência em “forçar” um segundo turno, mesmo criando um quadro em relação a Marina Silva que eu, com sinceridade, não percebo, parece ter se tornado, agora, “o retrato de um desejo”.
Não haverá, porém, uma onda verde, porque a direita roxa já perdeu as condições de fazê-lo
Embora os resultados do Datafolha divulgados ontem à noite e detalhados hoje, na edição da Folha, devam ser encarados com a reserva que o instituto merece, depois de seus “malabarismos” para segurar um Serra que já caía há tempos – e os outros institutos o mostravam bem antes – e, ainda, porque não há registro de variações deste tipo em nenhum outro instituto de pesquisas.
Mas, descendo aos detalhes da pesquisa, algumas coisas podem ser percebidas.
A primeira é que, o contrário do que afirma o jornal, os dados não permitem uma avaliação como a que faz o jornal, ao afirmar que há uma expressiva queda de Dilma entre os segmentos de melhor renda e que isto se deveria ao “escândalo Erenice”.
Olhe o gráfico aí ao lado. É o detalhamento da intenção de voto publicado hoje pela Folha, de onde as imagens foram reproduzidas.
Note que a diferença em favor de Serra entre os que ganham mais de 10 salários mínimos não é maior do que há 15 dias atrás. Ao contrário, é menor.
Na pesquisa divulgada no dia 11 deste mês, assinalada pela seta, Serra aparecia, neste segmento, com 37%, contra 32% de Dilma. Cinco pontos de diferença, portanto. Marina tinha os mesmos 20. Como Serra tem, no levantamento divulgado hoje, 38% , enquanto Dilma e Marina têm, respectivamente, 34% (+2) e 20% (não variou), o que é possível dizer numa análise? Aliás, para falar em queda de Dilma seria muito mais correto dizer que ela ocorreu há 15 dias, antes do dito “escândalo”, pois o Datafolha registrava 40% para ela, contra 34% para Serra.
Agora, olhe a parte de cima do gráfico, que representa o segmento entre 5 e 10 salários mínimos, muito mais numeroso que o de mais de 10 e, portanto, mais capaz de influir no resultado final ponderado.
Ali, o Datafolha produz uma verdadeira “gangorra” com Marina Silva. Ela teria 21%, há quinze dias, caiu para 16% há menos de uma semana e, agora, teria saltado para 24%. Veja que passar de 16 para 24% é ter um crescimento relativo de 50%. Não estou dizendo que que houve uma fraude – e também não digo o contrário – mas que é estranho, é. E todo o crescimento dela e de Serra neste segmento teria se dado, essencialmente, sobre Dilma Rousseff e – atenção – sobre os nulos, brancos e indecisos.
Reparem. Dilma teria, 15 dias atrás, teria 44 pontos. Subiu “depois do desgaste” do caso do sigilo, para 47%. E agora, teria caído para 37%. Ou seja, teria perdido um eleitor a cada cinco neste segmento, em uma semana. Verifique se isso corresponde à sua percepção. Mas o mais interessante é que, claro, uma eventual “decepção” com uma candidata, em uma semana, deveria levar a um aumento do número de indecisos, nulos e brancos.
Mas o que acontece é exatamente o inverso. Neste segmento, a soma de indecisos, nulos e brancos era de 8%, passou para 9% na semana passada e , agora, é de 5%. Ou seja, caiu praticamente à metade. Uai, mas como é que isso registra uma decepção com a candidata favorita. O normal não seria que ao menos uma parcela dos que iam votar em Dilma passassem a anular o voto ou a ficar em dúvida sobre a quem dá-lo?
Considerando toda a amostra, sem distinção de renda, o número de brancos e nulos, da semana passada para cá, caiu de 4% para 3% e o de indecisos, de 7% para 5%. Pequenas variações, nada comparável à queda, pela metade quase, do que aconteceu naquele segmento. Nem entre os de renda superior a queda chegou perto disso, passando de um total de 11% para 8%.
O Datafolha “guardou” os dados sobre rejeição e a distribuição regional das intenções de voto.
Vocês podem ver, porém, que nos segmentos mais populares, cujo gráfico está aí ao lado, não houve nenhuma variação significativa, à exceção da “inflada” nos números de Marina Silva.
Vem mais coisa por aí. A pesquisa, que é, como os candidatos gostam de dizer, “um retrato do momento”, parece, pela insistência em “forçar” um segundo turno, mesmo criando um quadro em relação a Marina Silva que eu, com sinceridade, não percebo, parece ter se tornado, agora, “o retrato de um desejo”.
Não haverá, porém, uma onda verde, porque a direita roxa já perdeu as condições de fazê-lo
O Datafolha descobriu o único lugar do Brasil em que Serra vence as eleições: entre os leitores da Folha de S.Paulo.
TIJOLAÇO
Ao contrário do país, os leitores do jornal da Barão de Limeira preferem Serra, com 50% das intenções voto, depois Marina, com 21%, e por último Dilma, a preferida do povo brasileiro, com 15%.
Pela última pesquisa nacional do Datafolha, feita entre os dias 13 e 14 de setembro, Dilma tem 51% das intenções de voto, Serra tem 27% e Marina 11%. Resultado diametralmente oposto ao dos leitores da Folha.
Como naquela pergunta do biscoito, não dá para saber se a Folha é ruim porque seus leitores pensam assim, ou se os seus leitores pensam assim porque a Folha é ruim.
Quando a atual ombudsman do jornal assumiu o cargo, em abril, disse que iria ignorar a blogosfera, que “interessa a poucos”, e se concentrar nos leitores dos 290 mil exemplares do jornal. Com essa pesquisa se percebe que tipo de público a Folha procura atender com seu jornalismo.
Aliás, se considerarmos que 50% dos leitores da Folha preferem Serra, a outra metade não o prefere. Assim, a Folha estaria escrevendo mesmo para umas 145 mil pessoas do setor mais conservador da sociedade. É a Casa Grande, muito bem descrita por Lula no discurso de ontem à noite em Curitiba.
O reacionarismo dos leitores da Folha não tem idade. De acordo com a pesquisa, entre os leitores de 16 a 29 anos, 36% afirmam votar em José Serra, 28% em Marina Silva e 23% em Dilma Rousseff. Entre aqueles com 70 anos ou mais, 66% votam em Serra e 5% em Dilma. Entre os que têm salário familiar médio de até dez salários mínimos, 42% votam no tucano, 24% em Marina e 24% em Dilma.
Os leitores da Folha também estão muito satisfeitos com o que o jornal publica. A cobertura das eleições é aprovada por 86% e 55% não vê pontos negativos nas reportagens e artigos, praticamente a mesma proporção que confere o voto a Serra.
Mas 24% dos leitores vêem favorecimento da Folha a algum candidato, e, destes, 15% acham que o beneficiário é Serra. (Será????). O pior são outros 6% que acham que Dilma é beneficiada pelo jornal. Só se for pela qualidade da cobertura que é tão ruim, que leva alguns dos leitores a optar por Dilma só de raiva.
Ao contrário do país, os leitores do jornal da Barão de Limeira preferem Serra, com 50% das intenções voto, depois Marina, com 21%, e por último Dilma, a preferida do povo brasileiro, com 15%.
Pela última pesquisa nacional do Datafolha, feita entre os dias 13 e 14 de setembro, Dilma tem 51% das intenções de voto, Serra tem 27% e Marina 11%. Resultado diametralmente oposto ao dos leitores da Folha.
Como naquela pergunta do biscoito, não dá para saber se a Folha é ruim porque seus leitores pensam assim, ou se os seus leitores pensam assim porque a Folha é ruim.
Quando a atual ombudsman do jornal assumiu o cargo, em abril, disse que iria ignorar a blogosfera, que “interessa a poucos”, e se concentrar nos leitores dos 290 mil exemplares do jornal. Com essa pesquisa se percebe que tipo de público a Folha procura atender com seu jornalismo.
Aliás, se considerarmos que 50% dos leitores da Folha preferem Serra, a outra metade não o prefere. Assim, a Folha estaria escrevendo mesmo para umas 145 mil pessoas do setor mais conservador da sociedade. É a Casa Grande, muito bem descrita por Lula no discurso de ontem à noite em Curitiba.
O reacionarismo dos leitores da Folha não tem idade. De acordo com a pesquisa, entre os leitores de 16 a 29 anos, 36% afirmam votar em José Serra, 28% em Marina Silva e 23% em Dilma Rousseff. Entre aqueles com 70 anos ou mais, 66% votam em Serra e 5% em Dilma. Entre os que têm salário familiar médio de até dez salários mínimos, 42% votam no tucano, 24% em Marina e 24% em Dilma.
Os leitores da Folha também estão muito satisfeitos com o que o jornal publica. A cobertura das eleições é aprovada por 86% e 55% não vê pontos negativos nas reportagens e artigos, praticamente a mesma proporção que confere o voto a Serra.
Mas 24% dos leitores vêem favorecimento da Folha a algum candidato, e, destes, 15% acham que o beneficiário é Serra. (Será????). O pior são outros 6% que acham que Dilma é beneficiada pelo jornal. Só se for pela qualidade da cobertura que é tão ruim, que leva alguns dos leitores a optar por Dilma só de raiva.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Dilma está mais forte que Lula, admite Datafolha
TIJOLAÇO
Como o Datafolha se esmera para sustentar Serra e é sempre o último a se render às evidências, é interessante observar algumas informações contidas no artigo de seu diretor-geral, Mauro Paulino, publicado hoje na Folha de S.Paulo, sob o título “Ida para 2º turno é mais árdua agora”. (Como o acesso online é só para assinantes, ponho o link do blog Conteúdo Livre)
Embora o título soe mais como lamento do que constatação, o diretor do Datafolha rejeita uma comparação com a eleição presidencial de 2006, descartando que a repetição de supostos escândalos, como os produzidos àquela época, seja suficiente para levar a disputa ao segundo turno.
E o faz com números mais favoráveis à Dilma agora do que a Lula em 2006. A vantagem de Dilma sobre a soma das intenções de voto de Serra e Marina é maior do que a de Lula sobre Alckmin e Heloisa Helena. Paulino fala em 12 pontos de Dilma contra 10 de Lula, com base nos números sempre mais comedidos do Datafolha, e ainda comete um deslize, pois na última pesquisa de seu instituto essa diferença é na verdade de 13 pontos (Dilma 51%, Serra 27% e Marina 11%).
Pelo Ibope, a diferença de Dilma para os adversários é de 15 pontos, e no Vox, de 19 pontos. Ibope e Vox divulgaram suas pesquisas na última sexta-feira, um dia depois do Datafolha.
Mauro Paulino faz um mea culpa do artigo que escreveu em parceria com seu colega de direção do Datafolha, Alessandro Janoni, no sábado 11 de setembro, no qual diziam que Dilma estaria caindo significativamente entre os formadores de opinião.
O que ele aponta agora é justamente o contrário. Dilma é muito mais forte nesse segmento, de maior renda e escolaridade, do que Lula, em 2006.
Duas semanas antes da eleição de 2006, Lula tinha desvantagem de 16 pontos em relação aos demais candidatos no segmento da população com renda familiar entre cinco e dez salários, contra vantagem de Dilma de três pontos.
Entre a parcela de maior renda (acima de 10 salários mínimos), Lula perdia para os adversários por 29 pontos, enquanto a desvantagem de Dilma é de 17 pontos. “O mesmo ocorre entre os mais escolarizados. Foram nesses segmentos que Lula mais perdeu votos na reta final daquele ano”, observa Paulino.
O diretor do Datafolha vê contraste ainda maior nos votos por região. No Sul, em 2006, a oposição tinha 15 pontos de vantagem sobre Lula, e agora está empatada com Dilma. Em São Paulo, a vantagem da oposição que era de 14 pontos à época caiu para 6. No Rio, a vantagem de 3 pontos de Lula subiu para 11 com Dilma. E em Minas, Dilma levou a diferença de 12 pontos de Lula para 17 pontos.
“Essas comparações entre pesquisas similares, feitas após denúncias de corrupção na reta final de ambas as eleições, mostram que o caminho da oposição para chegar ao segundo turno é bem mais espinhoso do que já foi em 2006″, conclui Paulino.
Diria que não é apenas espinhoso, é quase impossível. O diretor do Datafolha esqueceu de acrescentar que Alckmin tinha em 2006 uma rejeição de 24% em 19 de setembro, quatro pontos a menos que Lula. Já o índice de rejeição de Serra pelo último Datafolha está em 31%, nove pontos acima dos 22% de Dilma
Como o Datafolha se esmera para sustentar Serra e é sempre o último a se render às evidências, é interessante observar algumas informações contidas no artigo de seu diretor-geral, Mauro Paulino, publicado hoje na Folha de S.Paulo, sob o título “Ida para 2º turno é mais árdua agora”. (Como o acesso online é só para assinantes, ponho o link do blog Conteúdo Livre)
Embora o título soe mais como lamento do que constatação, o diretor do Datafolha rejeita uma comparação com a eleição presidencial de 2006, descartando que a repetição de supostos escândalos, como os produzidos àquela época, seja suficiente para levar a disputa ao segundo turno.
E o faz com números mais favoráveis à Dilma agora do que a Lula em 2006. A vantagem de Dilma sobre a soma das intenções de voto de Serra e Marina é maior do que a de Lula sobre Alckmin e Heloisa Helena. Paulino fala em 12 pontos de Dilma contra 10 de Lula, com base nos números sempre mais comedidos do Datafolha, e ainda comete um deslize, pois na última pesquisa de seu instituto essa diferença é na verdade de 13 pontos (Dilma 51%, Serra 27% e Marina 11%).
Pelo Ibope, a diferença de Dilma para os adversários é de 15 pontos, e no Vox, de 19 pontos. Ibope e Vox divulgaram suas pesquisas na última sexta-feira, um dia depois do Datafolha.
Mauro Paulino faz um mea culpa do artigo que escreveu em parceria com seu colega de direção do Datafolha, Alessandro Janoni, no sábado 11 de setembro, no qual diziam que Dilma estaria caindo significativamente entre os formadores de opinião.
O que ele aponta agora é justamente o contrário. Dilma é muito mais forte nesse segmento, de maior renda e escolaridade, do que Lula, em 2006.
Duas semanas antes da eleição de 2006, Lula tinha desvantagem de 16 pontos em relação aos demais candidatos no segmento da população com renda familiar entre cinco e dez salários, contra vantagem de Dilma de três pontos.
Entre a parcela de maior renda (acima de 10 salários mínimos), Lula perdia para os adversários por 29 pontos, enquanto a desvantagem de Dilma é de 17 pontos. “O mesmo ocorre entre os mais escolarizados. Foram nesses segmentos que Lula mais perdeu votos na reta final daquele ano”, observa Paulino.
O diretor do Datafolha vê contraste ainda maior nos votos por região. No Sul, em 2006, a oposição tinha 15 pontos de vantagem sobre Lula, e agora está empatada com Dilma. Em São Paulo, a vantagem da oposição que era de 14 pontos à época caiu para 6. No Rio, a vantagem de 3 pontos de Lula subiu para 11 com Dilma. E em Minas, Dilma levou a diferença de 12 pontos de Lula para 17 pontos.
“Essas comparações entre pesquisas similares, feitas após denúncias de corrupção na reta final de ambas as eleições, mostram que o caminho da oposição para chegar ao segundo turno é bem mais espinhoso do que já foi em 2006″, conclui Paulino.
Diria que não é apenas espinhoso, é quase impossível. O diretor do Datafolha esqueceu de acrescentar que Alckmin tinha em 2006 uma rejeição de 24% em 19 de setembro, quatro pontos a menos que Lula. Já o índice de rejeição de Serra pelo último Datafolha está em 31%, nove pontos acima dos 22% de Dilma
domingo, 19 de setembro de 2010
tijolaço : O que o guru de Serra revela
tijolaço
Um dos traços que o tucanato paulista exibe, que eles preferem fantasiar de “modernidade”, é a absurda visão de que o Brasil é uma colônia, que somos atrasados e inferiores e que é preciso que a “civilização” venha de fora para nos redimir. Ganhando uma boa grana com isso, claro.
Hoje, a Folha publica uma matéria falando da saída do “guru”da internet contratado por Serra para administrar a sua comunicação via web e revela “pérolas” como essa sobre Ravi Singh:
“Um profissional que trabalhou com o indo-americano relata que ele era truculento e costumava rejeitar sugestões afirmando: “Vocês não estão aqui para ter ideia, quem tem ideia sou eu”.
Embora o comportamento de Singh seja “puro Serra”, esta situação localizada mostra bem o pensamento da direita brasileira.
Vejam: a publicidade brasileira é reconhecida como uma das mais criativas e eficientes do mundo. Ano a ano, nos festivais de filmes publicitários, as agências brasileiras saem carregadas de prêmios. As próprias agências de propaganda do exterior, que têm um poder econômico invejável e são loucas para ganhar dinheiro e espaço no Brasil, procuram associar-se a agências e profissionais nacionais.
Claro, elas não são burras e querem lucrar com um mercado em crescimento constante e com potencial para ser ainda maior do que já é.
A elite tucana, não. Ela é burra e acha que desenvolvimento é algo que vem de fora e que progresso é aumentar a velocidade do saque do país pelo capital estrangeiro.Os brasileiros? Os brasileiros “não estão aqui para ter ideia”. As ideias estão todas prontas.
O que aconteceu na internet?
Aconteceu o que aconteceria com o Brasil se esta gente voltasse ao poder.
Eles chamavam uns consultores estrangeiros, bem badalados, eles davam as ordens e nós, bocós, acharíamos o máximo termos uns iluminados a nos guiar e a nos fazer obedecer bem direitinho ao modelo que viesse de fora. Embora mais folclórico que o James Carville de FHC, o Singh do Serra é o mesmo. O que querem na rede é que sejamos simples propagadores de “verdades”, o “pensamento único” travestido de “spam”.
Para a elite tucana, os brasileiros não são capazes de abrir seus próprios caminhos. Não deve haver debate, contraditório, questionamentos. Somos uns primários, o que nos cabe é obedecer.
Não somos, não, seu Seu Singh. Não somos, não, seu Serra. Publico aí um gráfico tirado hoje cedo do Alexa.com, um site público de auditagem de acessos na internet. Como só podem ser comparados até cinco sites – e os blogs da direita não têm contagem separada, pois estão abrigados sob os grandes portais da mídia – estão ali os percentuais de acesso de alguns sites de política, relativos a todo o tráfego mundial de internet .
Não é preciso mais que isso para mostrar que os internautas brasileiros mandaram o Serra, com guru e tudo, para a rabeira. Até meu pobre site de campanha – o brizolaco.com – ao qual, por conta do Tijolaço, não tenho podido dar quase nenhuma atenção, já-já ia ter mais audiência do que o site de um candidato a presidente, pilotado pelo turbante de um milhão de dólares. Como diria minha avó, Serra e Singh levaram uma tunda.
O Viomundo, do Azenha, e o Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, estão lá por competência dos profissionais que os fazem mas também – e isso explica a razão de este modesto deputado-blogueiro ter acabado por ir parar por ali – porque debatem, discutem, ouvem, abrem-se à participação uns dos outros e, sobretudo, à de seus leitores. Não estão numa guerra selvagem, para “tomar” leitores uns dos outros, ao contrário. Estamos juntos numa causa: a de trazermos cada vez mais brasileiros para o debate, para a discussão sobre os rumos do país, para o acesso à informação via web, com banda larga para todos, para que este país seja melhor. Conseguimos entender umas palavrinhas que não existem para eles: cooperação e solidariedade.
Não praticamos a máxima do “você não está aqui para ter ideias, aqui quem tem idéias sou eu”, porque quase duzentos milhões de cabeças pensando, pensam melhor que uma só, por mais “iluminada” que seja, com turbante ou sem turbante, com cabelos ou sem cabelos
Um dos traços que o tucanato paulista exibe, que eles preferem fantasiar de “modernidade”, é a absurda visão de que o Brasil é uma colônia, que somos atrasados e inferiores e que é preciso que a “civilização” venha de fora para nos redimir. Ganhando uma boa grana com isso, claro.
Hoje, a Folha publica uma matéria falando da saída do “guru”da internet contratado por Serra para administrar a sua comunicação via web e revela “pérolas” como essa sobre Ravi Singh:
“Um profissional que trabalhou com o indo-americano relata que ele era truculento e costumava rejeitar sugestões afirmando: “Vocês não estão aqui para ter ideia, quem tem ideia sou eu”.
Embora o comportamento de Singh seja “puro Serra”, esta situação localizada mostra bem o pensamento da direita brasileira.
Vejam: a publicidade brasileira é reconhecida como uma das mais criativas e eficientes do mundo. Ano a ano, nos festivais de filmes publicitários, as agências brasileiras saem carregadas de prêmios. As próprias agências de propaganda do exterior, que têm um poder econômico invejável e são loucas para ganhar dinheiro e espaço no Brasil, procuram associar-se a agências e profissionais nacionais.
Claro, elas não são burras e querem lucrar com um mercado em crescimento constante e com potencial para ser ainda maior do que já é.
A elite tucana, não. Ela é burra e acha que desenvolvimento é algo que vem de fora e que progresso é aumentar a velocidade do saque do país pelo capital estrangeiro.Os brasileiros? Os brasileiros “não estão aqui para ter ideia”. As ideias estão todas prontas.
O que aconteceu na internet?
Aconteceu o que aconteceria com o Brasil se esta gente voltasse ao poder.
Eles chamavam uns consultores estrangeiros, bem badalados, eles davam as ordens e nós, bocós, acharíamos o máximo termos uns iluminados a nos guiar e a nos fazer obedecer bem direitinho ao modelo que viesse de fora. Embora mais folclórico que o James Carville de FHC, o Singh do Serra é o mesmo. O que querem na rede é que sejamos simples propagadores de “verdades”, o “pensamento único” travestido de “spam”.
Para a elite tucana, os brasileiros não são capazes de abrir seus próprios caminhos. Não deve haver debate, contraditório, questionamentos. Somos uns primários, o que nos cabe é obedecer.
Não somos, não, seu Seu Singh. Não somos, não, seu Serra. Publico aí um gráfico tirado hoje cedo do Alexa.com, um site público de auditagem de acessos na internet. Como só podem ser comparados até cinco sites – e os blogs da direita não têm contagem separada, pois estão abrigados sob os grandes portais da mídia – estão ali os percentuais de acesso de alguns sites de política, relativos a todo o tráfego mundial de internet .
Não é preciso mais que isso para mostrar que os internautas brasileiros mandaram o Serra, com guru e tudo, para a rabeira. Até meu pobre site de campanha – o brizolaco.com – ao qual, por conta do Tijolaço, não tenho podido dar quase nenhuma atenção, já-já ia ter mais audiência do que o site de um candidato a presidente, pilotado pelo turbante de um milhão de dólares. Como diria minha avó, Serra e Singh levaram uma tunda.
O Viomundo, do Azenha, e o Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, estão lá por competência dos profissionais que os fazem mas também – e isso explica a razão de este modesto deputado-blogueiro ter acabado por ir parar por ali – porque debatem, discutem, ouvem, abrem-se à participação uns dos outros e, sobretudo, à de seus leitores. Não estão numa guerra selvagem, para “tomar” leitores uns dos outros, ao contrário. Estamos juntos numa causa: a de trazermos cada vez mais brasileiros para o debate, para a discussão sobre os rumos do país, para o acesso à informação via web, com banda larga para todos, para que este país seja melhor. Conseguimos entender umas palavrinhas que não existem para eles: cooperação e solidariedade.
Não praticamos a máxima do “você não está aqui para ter ideias, aqui quem tem idéias sou eu”, porque quase duzentos milhões de cabeças pensando, pensam melhor que uma só, por mais “iluminada” que seja, com turbante ou sem turbante, com cabelos ou sem cabelos
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O abraço do afogado
TIJOLAÇO
Ninguém, em sã consciência, acredita que seja, a esta altura, possível recuperar a candidatura Serra do naufrágio a que está fadada. É partindo desta premissa que se deve analisar o processo político e a ação da mídia tentando sustentar o que, já se percebeu, é insustentável do ponto de vista eleitoral – e este é o foco da política a menos de 30 dias de eleições presidenciais e da ampla maioria do Congresso.
Definido, como parece estar (embora todo cuidado seja pouco) o grande quadro do poder, as lutas políticas começam a se transferir para dentro das forças que travaram o grande embate que se anuncia quase resolvido.
Não é meu papel analisar o que acontece dentro das forças de que faço parte modestíssima, o campo popular. Mas é possível dizer que os dois grandes vitoriosos deste processo – Lula e Dilma – vão chegar ao final dele com uma enorme força política e uma nítida compreensão sobre com quem puderam contar e, certamente, que foram o povão e a nova mídia – a internet – a base e a lança deste combate. Das vacilações e conveniências dos políticos convencionais, o que já conhece há tempos, sabe-se que o apoio vem na enchente e se vai nas dificuldades. E da grande mídia – salvo honrosas exceções – viu-se agora que dela virá apenas ódio e intolerância contra tudo que represente soberania nacional e inclusão do povo como agente da vida brasileira.
O nosso “baronato” da mídia é como a oligarquia do café na primeira metade do século 20: tem horror a tudo o que possa transformar uma sociedade excludente em algo onde ele não seja, por direito, reverenciado e obedecido.
Posso, entretanto, tentar avaliar o que acontece do outro lado. E está claro que se opera uma rearrumação no quadro político. PSDB e DEM vão passar por uma acomodação quase que imediata, após as eleições.
Os tucanos, força mais significativa, vivem já este conflito – de resto, aliás, até anterior às eleições.
A radicalização golpista que se opera na campanha de Serra é sinal deste processo. Os vinte dias restantes serão de silêncio dos que pretendem escapar do desastre e de gritos e esgares daqueles que sentem o chão eleitoral faltar sob seus pés.
Nada mais eloquente, por sinal, do que o estrondoso silêncio de Aécio Neves nesta história.
Quando Serra julgou ter tirado dele a condição de aspirante à “coroa” presidencial, tirou-lhe, de fato, a condição de aliado a ser imolado numa batalha que, agora se vê, é impossível de ser vencida. Não pôde mais deixar-lhe o lugar da imolação, como fez com Alckmin em 2006. Acreditava, como insensível à história que é, que o fenômeno Lula era pessoal e não um realinhamento histórico do povo brasileiro. Logo, não sendo Lula, em pessoa, o adversário, a vitória lhe pareceu, agora, possível.
Quando defenestrou – com métodos que não é pudico narrar aqui – Aécio da disputa, Serra se torno o único proprietário de uma empresa que iria se revelar falida: a oposição a Lula.
Ficou “dono” do PSDB, do DEM, do PPS e das parcelas do PMDB e do PTB que conseguiu cooptar, ligadas a Quércia e Jefferson.
O direito de ser candidato, já no início deste ano, passou a ser um fardo insuportável. Até o último minuto, procurou livrar-se dele, adiando o anúncio de sua candidatura. Olhava em volta, quase suplicava a volta de Aécio. Mas este, claro, já percebera o mesmo e “controlou” a distância entre a solidariedade formal e o desprezo político real a Serra.
A gritaria serrista, agora, assemelha-se ao terrível abraço do afogado: o desespero que faz arrastar à morte todo aquele que lhe estiver próximo. E os que perceberem isso o evitarão, é claro.
O mais provável é que saiamos deste processo eleitoral com um realinhamento partidário que faça se tornarem-se claras semelhanças com o PSD e a UDN. Esta, igualmente surgida de uma soi-disant esquerda, ligada às classes médias urbanas, elitista, formalista e financista, reunirá os frangalhos do tucanato serrista. Aquele, o PSD, com uma relação de convívio com o governo, vai agregar parcelas das oligarquias regionais, acima e além do quadro partidário atual, sob o comando – como é irônica a história – do neto de Tancredo Neves.
Cabe a nós, sem baixar a espada do combate eleitoral um só instante, refletir sobre o realinhamento possível no campo popular. Já o disse antes que Lula o sinalizou ao escolher como sucessora alguém de fora da máquina partidária do PT.
A experiência concreta, o exercício da representação do povo brasileiro, nos fez, a todos, superar preconceitos e simplificações. Praticamos todos a única submissão digna , a única obediência honrosa: curvamo-nos todos de nossa “sapiência” aos desejos do povo brasileiro e ao fio condutor que ele tece em nossa história.
Quem compreende este fio como um rio, que desce em voltas caprichosas, mas sempre procura o mar, sabe bem que a unidade que construímos neste combate não pode e não vai ser transacionada em miudezas. Políticos e partidos populares terão de conservar a grandeza que permitiu ao povo brasileiro chegar ao limiar de uma vitória histórica.
Temos os olhos no futuro e o destino nas mãos
Ninguém, em sã consciência, acredita que seja, a esta altura, possível recuperar a candidatura Serra do naufrágio a que está fadada. É partindo desta premissa que se deve analisar o processo político e a ação da mídia tentando sustentar o que, já se percebeu, é insustentável do ponto de vista eleitoral – e este é o foco da política a menos de 30 dias de eleições presidenciais e da ampla maioria do Congresso.
Definido, como parece estar (embora todo cuidado seja pouco) o grande quadro do poder, as lutas políticas começam a se transferir para dentro das forças que travaram o grande embate que se anuncia quase resolvido.
Não é meu papel analisar o que acontece dentro das forças de que faço parte modestíssima, o campo popular. Mas é possível dizer que os dois grandes vitoriosos deste processo – Lula e Dilma – vão chegar ao final dele com uma enorme força política e uma nítida compreensão sobre com quem puderam contar e, certamente, que foram o povão e a nova mídia – a internet – a base e a lança deste combate. Das vacilações e conveniências dos políticos convencionais, o que já conhece há tempos, sabe-se que o apoio vem na enchente e se vai nas dificuldades. E da grande mídia – salvo honrosas exceções – viu-se agora que dela virá apenas ódio e intolerância contra tudo que represente soberania nacional e inclusão do povo como agente da vida brasileira.
O nosso “baronato” da mídia é como a oligarquia do café na primeira metade do século 20: tem horror a tudo o que possa transformar uma sociedade excludente em algo onde ele não seja, por direito, reverenciado e obedecido.
Posso, entretanto, tentar avaliar o que acontece do outro lado. E está claro que se opera uma rearrumação no quadro político. PSDB e DEM vão passar por uma acomodação quase que imediata, após as eleições.
Os tucanos, força mais significativa, vivem já este conflito – de resto, aliás, até anterior às eleições.
A radicalização golpista que se opera na campanha de Serra é sinal deste processo. Os vinte dias restantes serão de silêncio dos que pretendem escapar do desastre e de gritos e esgares daqueles que sentem o chão eleitoral faltar sob seus pés.
Nada mais eloquente, por sinal, do que o estrondoso silêncio de Aécio Neves nesta história.
Quando Serra julgou ter tirado dele a condição de aspirante à “coroa” presidencial, tirou-lhe, de fato, a condição de aliado a ser imolado numa batalha que, agora se vê, é impossível de ser vencida. Não pôde mais deixar-lhe o lugar da imolação, como fez com Alckmin em 2006. Acreditava, como insensível à história que é, que o fenômeno Lula era pessoal e não um realinhamento histórico do povo brasileiro. Logo, não sendo Lula, em pessoa, o adversário, a vitória lhe pareceu, agora, possível.
Quando defenestrou – com métodos que não é pudico narrar aqui – Aécio da disputa, Serra se torno o único proprietário de uma empresa que iria se revelar falida: a oposição a Lula.
Ficou “dono” do PSDB, do DEM, do PPS e das parcelas do PMDB e do PTB que conseguiu cooptar, ligadas a Quércia e Jefferson.
O direito de ser candidato, já no início deste ano, passou a ser um fardo insuportável. Até o último minuto, procurou livrar-se dele, adiando o anúncio de sua candidatura. Olhava em volta, quase suplicava a volta de Aécio. Mas este, claro, já percebera o mesmo e “controlou” a distância entre a solidariedade formal e o desprezo político real a Serra.
A gritaria serrista, agora, assemelha-se ao terrível abraço do afogado: o desespero que faz arrastar à morte todo aquele que lhe estiver próximo. E os que perceberem isso o evitarão, é claro.
O mais provável é que saiamos deste processo eleitoral com um realinhamento partidário que faça se tornarem-se claras semelhanças com o PSD e a UDN. Esta, igualmente surgida de uma soi-disant esquerda, ligada às classes médias urbanas, elitista, formalista e financista, reunirá os frangalhos do tucanato serrista. Aquele, o PSD, com uma relação de convívio com o governo, vai agregar parcelas das oligarquias regionais, acima e além do quadro partidário atual, sob o comando – como é irônica a história – do neto de Tancredo Neves.
Cabe a nós, sem baixar a espada do combate eleitoral um só instante, refletir sobre o realinhamento possível no campo popular. Já o disse antes que Lula o sinalizou ao escolher como sucessora alguém de fora da máquina partidária do PT.
A experiência concreta, o exercício da representação do povo brasileiro, nos fez, a todos, superar preconceitos e simplificações. Praticamos todos a única submissão digna , a única obediência honrosa: curvamo-nos todos de nossa “sapiência” aos desejos do povo brasileiro e ao fio condutor que ele tece em nossa história.
Quem compreende este fio como um rio, que desce em voltas caprichosas, mas sempre procura o mar, sabe bem que a unidade que construímos neste combate não pode e não vai ser transacionada em miudezas. Políticos e partidos populares terão de conservar a grandeza que permitiu ao povo brasileiro chegar ao limiar de uma vitória histórica.
Temos os olhos no futuro e o destino nas mãos
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