entrevista concedida à jornalista Juliana Sada, publicada no blog Escrevinhador:
Criada em setembro de 1968, a revista “Veja” é a publicação semanal brasileira de maior tiragem, teoricamente com cerca de um milhão e duzentos mil exemplares. Criada por Mino Carta, atualmente diretor de redação da CartaCapital, e Victor Civita – estadunidense filho de italianos, fundador do Grupo Abril –, a revista foi por um longo período paradigma para o jornalismo brasileiro. Por sua redação, passaram nomes importantes da profissão; e, por suas páginas, grandes personagens da história – entre seus entrevistados estão Vinícius de Moraes, Yasser Arafat, Salvador Dalí, Tarsila do Amaral e Sérgio Buarque de Holanda.
Mas, em anos recentes, a revista tornou-se alvo de intensas críticas. Na internet, disseminam-se pequenas e grandes iniciativas de informação e contraponto ao tipo de jornalismo feito por lá. Esse mesmo Escrevinhador denunciou a entrevista que nunca existiu, mas que a revista publicou; e mostrou a história do professor que foi alvo de manipulação pelo veículo, além da peculiar análise do semanário sobre a Bolívia.
O jornalista Fábio Jammal Makhoul decidiu debruçar-se sobre a revista Veja para formular sua tese de mestrado em ciência política para a PUC de São Paulo. A dissertação analisou a publicação durante o primeiro mandato de Lula, de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Fábio constatou que houve, de modo deliberado, uma cobertura tendenciosa com o objetivo de desestabilizar o governo. Os números são impressionantes: “40,6% da cobertura de Veja sobre o primeiro governo petista noticiou os escândalos do Planalto e, conseqüentemente, Lula e o PT de forma negativa”. O governo ocupou “54 capas de Veja, das 206 publicadas no período”, destas “32 tratavam de escândalos, segundo classificação da própria Veja, ou seja, 59,3% do total”.
Segundo Fábio, esse sistemático ataque levou ao surgimento de inúmeras críticas que “abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua ‘imparcialidade e independência’ a todo o tempo em 2005 e 2006”. O Escrevinhador entrevistou Fábio Jammal Makhoul para expor e debater seu estudo e o papel desempenhado pela revista. Confira a seguir:
Como surgiu a ideia de estudar a revista Veja?
O principal motivo que me levou a pesquisar a revista Veja é jornalístico. A degradação do jornalismo da revista nos últimos anos foi assustadora. Veja é a maior revista semanal de informação do Brasil, com tiragem superior a 1,2 milhão de exemplares. Um número muito maior que o das demais publicações do segmento. Veja é a quarta maior revista de informação do mundo e seu jornalismo já foi referência para toda mídia impressa brasileira. Mas, nos últimos anos, o semanário também se transformou no maior fenômeno de anti-jornalismo do país.
De 2005 para cá, a revista se perdeu completamente em reportagens baseadas em ilações e xingamentos, que ignoraram as regras mais básicas do jornalismo e rasgaram todos os códigos de ética da profissão. Virou um verdadeiro pasquim, com matérias que se revelaram fantasiosas e recheadas de ataques e manipulações da informação. Isso não quer dizer que o PT e o governo Lula sejam os bonzinhos da história e nem as vítimas da grande imprensa. Pelo contrário, houve erros gravíssimos na administração federal, que precisavam ser apurados e divulgados pela mídia.
Entretanto, o jornalismo da grande imprensa conseguiu ser mais antiético que os próprios políticos que eram acusados, com erros grosseiros que comprometeram a imagem desses veículos, principalmente a da revista Veja, que foi a mais engajada na tentativa frustrada de derrubar o presidente da República em 2005 e 2006.
Muito se fala sobre cobertura parcial da Veja. Por meio da sua pesquisa, foi possível constatar a veracidade dessas observações?
Sim, e nem precisava de uma pesquisa acadêmica ou mais aprofundada. Basta uma leitura simples da revista para constatar que Veja tem um lado quando o assunto é política. Hoje temos uma bipolarização partidária no Brasil, com PT e PSDB monopolizando a disputa eleitoral. E a revista Veja está claramente do lado do PSDB e completamente contra o PT. Se você pesquisar a revista desde o início dos anos de 1980 vai constatar que o Partido dos Trabalhadores e o próprio Lula nunca tiveram um tratamento positivo nas páginas de Veja.
Essa história de imparcialidade da imprensa não existe. Os veículos de comunicação são empresas e têm seus interesses e preferências políticas. O jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, sempre foi conservador e nunca escondeu isso. Assumir uma posição ideológica ou política não é ruim. É até saudável e democrático, os grandes jornais da Europa e dos Estados Unidos fazem isso. Pelo menos, o leitor sabe claramente qual é a orientação editorial da publicação. O problema é quando se abandona o jornalismo para se transformar num panfleto político-partidário. E foi o que aconteceu com Veja de 2005 para cá.
Nos dois primeiros anos do primeiro mandato de Lula, o semanário ainda fez jornalismo, mas, ao apostar que poderia derrubar o presidente da República em 2005, perdeu a aposta e a credibilidade. Com o escândalo do “mensalão”, Veja captou o antilulismo e o antipetismo da chamada classe média que lê a revista e iniciou sua campanha pelo impeachment do presidente. Só que a questão política serviu para que Veja se sentisse à vontade para cometer os abusos que quisesse. Uma coisa é a crítica política que se viu no Estadão e n’ O Globo, por exemplo. Outra coisa é partir para o xingamento, como fez Veja.
Você poderia citar capas e matérias que seguramente continham distorções, inverdades, ataques ou parcialidade?
Há muitos exemplos, principalmente em 2005 e 2006. Uma das capas que mais me chamou a atenção foi a da edição de 16 de março de 2005. A revista tentou fabricar uma crise para os petistas, com uma reportagem que prometia ser “bombástica”. A manchete da capa era: “Tentáculos das Farc no Brasil”. Em letras menores, a revista diz que “espiões da Abin gravaram representantes da narcoguerrilha colombiana anunciando doação de 5 milhões de dólares para candidatos petistas na campanha de 2002”.
A capa é chamativa, cheia de dólares ao fundo e uma foto do militante petista que teria recebido dinheiro das Farc. Embora a revista tenha considerado a reportagem forte o suficiente para ser a capa da edição, no corpo da matéria há três ressalvas de que o semanário não tinha como comprovar as acusações. O tema foi repercutido por um mês até sumir das páginas de Veja. O Ministério Público e o Congresso Nacional investigaram e não acharam nada e a revista sequer se desmentiu o publicou o final da história. Capa parecida foi a de 2 de novembro de 2005, que dizia que a campanha de Lula recebeu dólares de Cuba. A matéria é toda fantasiosa e com denúncias em off que nunca se confirmaram.
Uma das partes da sua dissertação se intitula “O discurso político das capas”. Você poderia explicitar qual é este discurso?
Nos quatro anos do primeiro mandato de Lula, o governo e o PT foram os principais temas da capa de Veja, ocupando mais de um quarto das manchetes do período. Com 49 capas negativas, a revista lançou mão de uma estratégia discursiva que visava claramente dar a Lula o mesmo destino de Collor: o impeachment. Sem sucesso neste intento, o semanário passou a trabalhar para evitar a reeleição do petista. A revista não foi nada sutil em sua estratégia, pelo contrário, foi arrogante, agressiva, preconceituosa.
O preconceito, aliás, foi uma das modalizações discursivas contra o governo mais utilizadas pela publicação, principalmente na capa. Desde o primeiro ano do mandato, em 2003, a revista procurou tematizar sobre a ética no PT. O enunciador sempre deixou claro que ela não passava de discurso para chegar ao poder, mas, assim que os escândalos começaram, Veja tratou de provar que o PT era pior que os demais partidos neste quesito. Entre os muitos preconceitos despejados pelo enunciador na capa está a associação entre o PT e bandidos; de traficantes a assassinos.
A suposta falta de escolaridade e de atenção dos petistas com a educação também foram bastante exploradas, sendo que o enunciador não se intimidou para fazer alusão ao animal burro em diversas ocasiões. O esquerdismo do PT também foi apresentado negativamente e de forma preconceituosa. Veja mostrou aos leitores que a máquina pública foi tomada pelos petistas, que aparelharam o Estado como fizeram os soviéticos. Aliás, autoritarismo foi outro tema explorado, que procurou mostrar um PT stalinista e ditador.
A corrupção, entretanto, foi o tema mais explorado nas capas que retrataram o PT e o governo Lula. Com uma série de escândalos em pauta, a revista usou uma das estratégias mais controversas e criticáveis: a comparação entre Lula e Collor. Comparações são sempre complicadas, mas o enunciador de Veja, posicionado e ideológico, relacionou os dois presidentes de forma simplista e forçada.
Com esta modalização discursiva, Veja pôde finalmente trabalhar pelo impeachment de um Lula sem moral, sem ética, corrupto, chefe de quadrilha, despreparado e que fez um primeiro mandato pífio, segundo as capas do semanário. Assim, a revista ousou também decretar o fim do PT. Errou em todas as apostas. Para justificar suas derrotas, Veja encontrou uma explicação baseada em mais preconceitos. Na edição de 16 de agosto de 2006, quando as pesquisas apontavam vitória fácil de Lula na disputa pela reeleição, Veja veiculou uma capa com a foto de uma jovem negra segurando o título de eleitor. A manchete era: “Ela pode decidir a eleição”. O subtítulo explica quem é ela: “nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. Ou seja, ela é o retrato do Brasil e não dos leitores da revista, que são das classes A e B. Para esses, que o enunciador de Veja aposta que sabem votar, resta a resignação, já que os negros, pobres, analfabetos e nordestinos vão decidir as eleições.
Na introdução do seu trabalho, você apresenta a revista Veja como protagonista de escândalos. Ao que você se refere ao chamar a Veja de protagonista?
Podemos dizer que praticamente toda a chamada grande imprensa aproveitou os erros e desmandos do PT na primeira gestão do Lula para denegrir a imagem do partido e impedir a reeleição do presidente. Mas a revista Veja foi protagonista porque foi a mais enfática na campanha contra os petista e a que mais cometeu erros do ponto de vista jornalístico. Além disso, suas reportagens serviram tanto para iniciar um escândalo como para mantê-lo na pauta da mídia. Em muitos momentos, principalmente durante o escândalo “mensalão”, as reportagens de Veja alimentaram os jornais diários e a própria TV.
Você afirma que “ao todo, Veja publicou 206 edições entre 1° de janeiro de 2003 e o dia 31 de dezembro de 2006. Neste período, a revista produziu 621 reportagens sobre o primeiro governo do PT. Dessas, 252 trataram dos escândalos.” Isso quer dizer que, na média, havia três matérias sobre o governo por edição e sempre uma sobre algum escândalo?
Sim, e mesmo quando a matéria não era sobre escândalos, o enfoque que era dado ao Lula e ao PT era negativo. No meu trabalho deixo claro que o Partido dos Trabalhadores, uma vez no poder, cometeu uma série de irregularidades que deveria sim ser apurada e noticiada. Mas a forma com que a grande imprensa fez a cobertura, principalmente a Veja, visava apenas derrubar o PT do poder e não denunciar as mazelas do nosso sistemas político e eleitoral brasileiro, que estão no cerne do “mensalão” e de vários outros escândalos e que continuaram intactos. Muitos desses problemas que geram toda sorte de abuso de poder são antigos e foram mostrados por diversos autores.
Talvez o melhor lugar para se buscar conhecimento sobre o funcionamento da política seja na obra de Nicolau Maquiavel. Não é à toa que sua bibliografia é chamada de realismo político. Lá se encontra a pura realidade sobre a política. Para divagar um pouco, me arrisco a fazer um paralelo entre Maquiavel e o governo Lula. O PT sempre empunhou a bandeira da ética e bradou que é possível ter “pureza” dentro do jogo político e eleitoral brasileiro. Mas, para chegar ao poder, teve de lançar mão das mesmas práticas que condenava em outros partidos, assim como fez para governar o país. Um jornalismo investigativo sério e isento poderia constatar isso e denunciar de forma séria e isenta. Assim, o PT mostraria o realismo político, que desnudaria os problemas que assolam nossos sistemas político e eleitoral.
Uma cobertura sóbria, que não fosse tendenciosa ao ponto de mostrar que o governo do PSDB sim foi puro, poderia causar uma indignação suficiente para que o Brasil finalmente fizesse uma reforma que melhorasse efetivamente os nossos sistemas político e eleitoral. Mas, ao fazer uma cobertura parcial e tendenciosa, o jornalismo chamou mais a atenção do que os escândalos que noticiava, não contribuindo em nada com o país.
As capas analisadas, de 2003 a 2006, seguiram sempre o mesmo tom ao tratar do PT? É possível delimitar períodos de maiores ofensivas ou recuos?
Veja só se manteve recuada nos ataques no primeiro ano do mandato de Lula, 2003. Em 2004, começou sua ofensiva, embora de forma meio tímida. Mas em 2005 e 2006, Lula e o PT foram os principais temas da capa. Em 2005, das 52 edições, Lula e o PT aparecem de forma negativa em 24 capas, sendo 18 delas classificadas pela própria Veja no tema escândalo. Ou seja, quase a metade das edições abordaram o presidente negativamente. Em 2006, último ano de governo, Veja publicou 15 capas sobre Lula e o PT, todas desfavoráveis em pleno ano eleitoral.
Nos quatro anos do primeiro mandato de Lula, o governo e o PT foram os principais temas da capa de Veja, ocupando mais de um quarto das manchetes do período. Foram 49 capas negativas, sendo 39 só em 2005 e 2006. Comparativamente à atuação de governos passados, o tratamento da imprensa e de Veja à gestão Lula foi muito desigual. Durante a era tucana, por exemplo, as denúncias contra o governo federal não tiveram muito destaque. Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi acusado de comprar votos para a aprovação da emenda que permitiu sua reeleição, havia denúncias sobre as privatizações e corrupção em vários órgãos ligados ao governo federal, como a Sudam e a Sudene. Naquele ano, apenas uma capa foi feita sobre as acusações, com a foto de Sérgio Motta, então ministro-chefe da Casa Civil, e a chamada da capa era: “Reeleição”.
Já em 2005, com Lula na presidência, forma dezoito capas sequenciais durante quatro meses de puro bombardeio. Veja chegou a defender o fim do PT e que isso seria benéfico para a política brasileira, já que até na oposição sua atuação foi prejudicial para o país. Veja nunca havia defendido o fim de nenhum partido e nem usado tantos adjetivos negativos como usou para falar sobre os petistas.
Em 2006, em pleno período eleitoral, a revista veiculou cinco capas negativas para o governo, entre 23 de agosto e 25 de outubro. Isto quer dizer que as capas de metade das edições de Veja que circularam enquanto as eleições se definiam eram ruins para Lula. Enquanto isso, Geraldo Alckmin (PSDB), seu principal adversário, não apareceu negativamente em nenhuma capa de Veja neste período. Pelo contrário, neste período o candidato do PSDB era mostrado de maneira positiva. Só no período do segundo turno das eleições, Lula foi alvo de quatro reportagens de Veja e em todas elas ele aparece de forma negativa. Já Geraldo Alckmin aparece em duas matérias neste período. Ambas com abordagens positivas para o tucano.
As manchetes veiculadas nas capas estavam de acordo com a reportagem produzida ou havia discrepâncias com o intuito de chamar a atenção do leitor?
As manchetes eram mais sensacionalistas, mas as reportagens também seguiam a mesma linha. Ainda assim, é possível perceber muitas discrepâncias, como aquela capa das Farc que eu já citei. Na capa, Veja afirma que o PT recebeu dinheiro das Farc e na matéria há três ressalvas de que o repórter não conseguiu nenhuma prova. Outra capa que chama a atenção é aquela que eu também citei sobre a nordestina, negra e pobre que iria decidir a eleição em favor de Lula. O subtítulo diz que Gilmara Cerqueira tinha 27 anos. Mas na foto é possível observar a data de seu nascimento no título de eleitor e pode-se ver que ela tinha 30 anos na época e não 27 como rebaixou Veja para enquadrá-la ao perfil do eleitor médio. Ou seja, vale até mentir a idade da moça para montar um perfil da qual ela não se enquadra totalmente.
Além das capas, você analisou também os editorais da Veja. Foi possível encontrar correspondência entre a posição oficial da revista e o conteúdo por ela produzido, que em tese é independente?
As críticas que a revista Veja recebeu durante o primeiro governo Lula, principalmente nos dois últimos anos, abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua “imparcialidade e independência” a todo o tempo em 2005 e 2006. Durante a crise do “mensalão”, Veja usou a maior parte dos editoriais de junho a dezembro de 2005 para justificar a matéria da semana anterior e ratificar seu compromisso com um jornalismo sério. Logo no primeiro editorial do início da crise do mensalão, em 1º de junho de 2005, Veja garante que “não escolhe suas reportagens investigativas com base em preferências partidárias ou ideológicas”. E o curioso é que todos os editoriais das edições seguintes eram para justificar suas reportagens, sempre reafirmando uma imparcialidade que não se via nas reportagens.
Você discute o paradigma da imparcialidade e neutralidade no qual é baseado o discurso dos meios de comunicação entretanto você apresenta argumentos sobre a inviabilidade destes paradigmas se concretizarem. A partir da sua pesquisa, é possível concluir se a parcialidade da revista Veja é fruto de uma política deliberada ou consequência da inviabilidade de se fazer um jornalismo imparcial?
É fruto de uma politica deliberada. É claro que é quase impossível fazer um jornalismo totalmente isento. Mas você pode pelo menos buscar a isenção, ouvindo os dois lados, dando o mesmo peso para as diferentes versões e não utilizando adjetivos, por exemplo. Veja nem tentou ser imparcial, pelo contrário. Ela tinha uma estratégia discursiva e a seguiu até o fim com um objetivo bem claro: derrubar Lula da presidência.
Ao se contrapor ao governo Lula e ao PT, a revista Veja apresentava qual projeto para o Brasil apoiava ou qual setor o representava?
A primeira edição após a reeleição de Lula, publicada em 8 de novembro de 2006, é a que mostra mais claramente a posição da revista. A matéria de capa defende que é preciso deixar para trás a “visão tacanha” de que a miséria pode ser superada pelo “princípio bolchevique” de tirar dos ricos e dar aos pobres.
Para Veja, a miséria só será superada pela produção de riqueza e para isso “o gênio humano não concebeu nada mais eficiente do que o velho e bom capitalismo, com seus mercados livres, empreendedores ambiciosos e empresas inovadoras”. Veja aconselha Lula a “aposentar para sempre a ideia de palanque de que o Brasil é como um sobrado – em que só há andar de cima e andar de baixo e, portanto, o único trabalho é fazer com que todos passem a habitar o pedaço de cima. Isso é uma interpretação tão tosca da sociedade brasileira que, na sua estupidez simplificadora, neutraliza o papel crucial e dinamizador exercido pela classe média”.
Veja diz que falta ao presidente maior clareza sobre como promover de maneira mais vigorosa as condições para que a iniciativa privada produza mais conhecimento tecnológico de ponta, inove mais e multiplique seus índices de produtividade. E acrescenta: “Para fazer o país avançar, produzir riqueza e gerar justiça, o presidente Lula tem muitos desafios para superar – e um deles começa em casa. O Partido dos Trabalhadores, que se transformou numa usina de escândalos, divulgou uma nota oficial cobrando que no novo mandato Lula faça um ‘governo de esquerda’. Ninguém sabe exatamente o que isso quer dizer, mas é certo que significa mandar às favas o equilíbrio fiscal e o controle da inflação em troca de um crescimento econômico tão duradouro quanto um voo de galinha”.
Essa é a primeira vez na cobertura do governo Lula que Veja assume com todas as letras que fala em nome das classes mais abastadas e que defende uma política e um projeto de Estado mais à direita do que voltados para o social. Sua intenção é proteger o capital como fica claro neste texto. Para a revista, é preciso esquecer a ideia de que “o único trabalho é fazer com que todos passem a habitar o pedaço de cima”. Ou seja, não interessa colocar os mais pobres no mesmo patamar dos ricos é preciso “promover de maneira mais vigorosa as condições para que a iniciativa privada produza mais conhecimento tecnológico de ponta, inove mais e multiplique seus índices de produtividade
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
O esperneio de José Serra
editorial
Vermelho:
A cada pesquisa publicada, a candidata da esquerda à Presidência da República, Dilma Rousseff, registra novos avanços que indicam a chance de vitória já no primeiro turno, em 3 de outubro. Esse noticiário já virou rotina e só deixa de ser monótono pela reação da direita e de seu candidato José Serra, que esperneia diante daquilo que vai se desenhando como uma derrota inevitável.
Para os tucanos, a direita, os conservadores, aqueles que apostavam até recentemente na "desmontagem" de Dilma quando o programa eleitoral na televisão começasse, há um clima de fim de mundo que pode ser constatado repetidas vezes pela leitura dos jornalões nas últimas semanas. Só um exemplo: um comentarista sugere, na Folha de S. Paulo (dia 30), que Serra pode "levar uma sova acachapante e humilhante já no primeiro turno". Para evitar esse vexame, a direita e os conservadores agora clamam pela necessidade de levar a eleição pelo menos para um segundo turno que torne a derrota menos arrasadora.
Este é o sentido da mais recente polêmica que passou a frequentar os jornais, alimentada pela acusação feita por Serra contra Dilma, de que ela teria sentado "na cadeira presidencial" antes do resultado das urnas. É uma "falta de respeito para com as pessoas. É alguém sentando na cadeira a mais de um mês da eleição”, disse ele tentando amenizar um resultado que não previu mas é obrigado a reconhecer.
As pesquisas descrevem uma "onda Dilma" que, na mesma Folha de S.Paulo, outra comentarista promoveu a "tsunami". A candidata das forças progressistas e avançadas já registra dianteira em todos os Estados e regiões brasileiras, mesmo naqueles que, como São Paulo e a região Sul, eram considerados santuários serristas. Ela ultrapassou Serra entre as mulheres, segmento onde o tucano resistia, e também em todas as camadas sociais, exceto os ricos, entre os quais o candidato neoliberal ainda está à frente. Os números são vistosos, desencorajando inclusive os apelidados "fatos políticos" que a direita poderia usar para tentar reverter a vantagem a favor de Dilma.
O último levantamento, divulgado no dia 28, mostra Dilma com 51% contra 27% de Serra - uma dianteira de 24 pontos difícil de reverter por qualquer factóide. Faltando 33 dias para a eleição, a direita precisaria tirar quase um ponto por dia da candidata (num cenário onde ela ainda tem espaço para crescer) e fazer o mais difícil, transferir estes pontos para Serra. Uma tarefa improvável.
Serra faz o previsível: acusações vãs que só confirmam o temor de um fracasso iminente. Nesse quadro, seus próprios partidários na imprensa tentam abrir um debate em duas linhas. Primeiro, especulam sobre a formação de um provável governo Dilma e começam a enxergar "crises", divisões e disputas, num procedimento cuja única utilidade é mostrar que, no próximo mandato, os jornalões vão repetir a mesma ladainha conservadora e conspiratória de sempre. Na outra ponta, tentam adivinhar como será a oposição de direita, que antevêem como enfraquecida eleitoralmente depois de 3 de outubro: quais os papéis de Serra, Aécio Neves, e Geraldo Alckmin, por exemplo; ou o deslocamento regional da liderança do PSDB, que sairá das urnas menor do que entrou.
O quadro político brasileiro, depois de outubro, vai registrar no Congresso as mudanças na base eleitoral que ocorreram durante os mandatos do presidente Lula e que levam a uma nova correlação de forças no país.
Velhas forças do passado, que se mantinham à tona por uma espécie de inércia eleitoral, como o DEM e o próprio PSDB, vão naufragar, e uma nova configuração, consentânea com aquelas mudanças, vai comandar o país. Foi um processo histórico lento, que se desdobrou desde o início da República, ganhou velocidade depois de 1930, atravessou a democracia da Constituição de 1946, a ditadura militar de 1964, a Nova República de 1985, o neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso e dos tucanos, e desembocou na eleição de Lula em 2002.
O coro da mídia e dos conservadores encara o fechamento desse processo como uma ameaça ditatorial e antidemocrática. Não é: é a perda de poder dessas elites carcomidas e sua troca por sangue novo na direção do país. Já havia passado do tempo da conclusão desse processo histórico, que está em franco desenvolvimento
Vermelho:
A cada pesquisa publicada, a candidata da esquerda à Presidência da República, Dilma Rousseff, registra novos avanços que indicam a chance de vitória já no primeiro turno, em 3 de outubro. Esse noticiário já virou rotina e só deixa de ser monótono pela reação da direita e de seu candidato José Serra, que esperneia diante daquilo que vai se desenhando como uma derrota inevitável.
Para os tucanos, a direita, os conservadores, aqueles que apostavam até recentemente na "desmontagem" de Dilma quando o programa eleitoral na televisão começasse, há um clima de fim de mundo que pode ser constatado repetidas vezes pela leitura dos jornalões nas últimas semanas. Só um exemplo: um comentarista sugere, na Folha de S. Paulo (dia 30), que Serra pode "levar uma sova acachapante e humilhante já no primeiro turno". Para evitar esse vexame, a direita e os conservadores agora clamam pela necessidade de levar a eleição pelo menos para um segundo turno que torne a derrota menos arrasadora.
Este é o sentido da mais recente polêmica que passou a frequentar os jornais, alimentada pela acusação feita por Serra contra Dilma, de que ela teria sentado "na cadeira presidencial" antes do resultado das urnas. É uma "falta de respeito para com as pessoas. É alguém sentando na cadeira a mais de um mês da eleição”, disse ele tentando amenizar um resultado que não previu mas é obrigado a reconhecer.
As pesquisas descrevem uma "onda Dilma" que, na mesma Folha de S.Paulo, outra comentarista promoveu a "tsunami". A candidata das forças progressistas e avançadas já registra dianteira em todos os Estados e regiões brasileiras, mesmo naqueles que, como São Paulo e a região Sul, eram considerados santuários serristas. Ela ultrapassou Serra entre as mulheres, segmento onde o tucano resistia, e também em todas as camadas sociais, exceto os ricos, entre os quais o candidato neoliberal ainda está à frente. Os números são vistosos, desencorajando inclusive os apelidados "fatos políticos" que a direita poderia usar para tentar reverter a vantagem a favor de Dilma.
O último levantamento, divulgado no dia 28, mostra Dilma com 51% contra 27% de Serra - uma dianteira de 24 pontos difícil de reverter por qualquer factóide. Faltando 33 dias para a eleição, a direita precisaria tirar quase um ponto por dia da candidata (num cenário onde ela ainda tem espaço para crescer) e fazer o mais difícil, transferir estes pontos para Serra. Uma tarefa improvável.
Serra faz o previsível: acusações vãs que só confirmam o temor de um fracasso iminente. Nesse quadro, seus próprios partidários na imprensa tentam abrir um debate em duas linhas. Primeiro, especulam sobre a formação de um provável governo Dilma e começam a enxergar "crises", divisões e disputas, num procedimento cuja única utilidade é mostrar que, no próximo mandato, os jornalões vão repetir a mesma ladainha conservadora e conspiratória de sempre. Na outra ponta, tentam adivinhar como será a oposição de direita, que antevêem como enfraquecida eleitoralmente depois de 3 de outubro: quais os papéis de Serra, Aécio Neves, e Geraldo Alckmin, por exemplo; ou o deslocamento regional da liderança do PSDB, que sairá das urnas menor do que entrou.
O quadro político brasileiro, depois de outubro, vai registrar no Congresso as mudanças na base eleitoral que ocorreram durante os mandatos do presidente Lula e que levam a uma nova correlação de forças no país.
Velhas forças do passado, que se mantinham à tona por uma espécie de inércia eleitoral, como o DEM e o próprio PSDB, vão naufragar, e uma nova configuração, consentânea com aquelas mudanças, vai comandar o país. Foi um processo histórico lento, que se desdobrou desde o início da República, ganhou velocidade depois de 1930, atravessou a democracia da Constituição de 1946, a ditadura militar de 1964, a Nova República de 1985, o neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso e dos tucanos, e desembocou na eleição de Lula em 2002.
O coro da mídia e dos conservadores encara o fechamento desse processo como uma ameaça ditatorial e antidemocrática. Não é: é a perda de poder dessas elites carcomidas e sua troca por sangue novo na direção do país. Já havia passado do tempo da conclusão desse processo histórico, que está em franco desenvolvimento
Lula: Corintiano, na vitória ou na derrota
Apaixonado pelo Sport Club Corinthians Paulista, que completou 100 anos, nesta quarta-feira (1º/9), o presidente Lula concedeu entrevista para o jornal Agora e as emissoras de rádio Bandeirante, Globo e MTV. Todas as indagações dos jornalistas tiveram relação direta com o clube do Parque São Jorge. O presidente diz que tornou-se “fiel” ao Timão ainda criança, quando chegou com a mãe Lindu e os irmãos vindo de Garanhuns, Pernambuco. E a principal causa: a cidade tinha mais torcedores do Corinthians.
A cidade tinha na época mais torcida do Corinthians do que do próprio Santos, o Pelé ainda não havia surgido. Quer dizer, desde pequeno eu convivia com muito corintiano à minha volta. Mas eu fui me tornar torcedor mesmo em 1954, quando o Timão ganhou o título do quarto centenário da cidade de São Paulo, um título histórico, muito disputado, todo mundo queria vencer. O Corinthians tinha um time extraordinário, uma linha com Claudio, Baltazar, Luisinho, só craque”, disse o presidente Lula ao jornal Agora.
O periódico paulista perguntou se Lula pretende ser presidente do Corinthians ou ajudar o clube de alguma forma direta. Lula disse que quando deixar a Presidência de República irá ajudar da arquibancada. Ele avaliou a torcida como um espetáculo.
Pode ficar certo de que vão me ver no estádio torcendo. Eu adoro. A torcida, por si só, é um espetáculo – e a torcida do Coringão, a Fiel, é um espetáculo ainda mais extraordinário. As torcidas organizadas brigam muito entre si, eu sou do tempo que a gente sentava do lado de palmeirense, de sãopaulino, hoje o estádio é dividido, mas vou voltar a freqüentar o campo assim mesmo, sempre atrás do meu Corinthians.
O presidente foi indagado também sobre as emoções vividas neste período de torcedor do Timão. Segundo Lula, em 1968, quando o time quebrou a invencibilidade do Santos de 11 anos, foi uma fase marcante. Já na Rádio Globo, ainda sobre a mesma questão, o presidente contou dos anos de dificuldades contra a equipe santista e, mais recente, no período em que o Corinthians foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro.
E eu fico emocionado com o Corinthians de qualquer jeito. Quando o Corinthians foi para a Série B, eu adorava ver jogo do Corinthians aos sábados, adorava. Ficou mais fácil, a gente ficou invicto, perdemos só um jogo. Você imagina que a gente poderia ter sido campeão invicto da Série B, campeão invicto paulista, e nós perdemos um jogo para o Bahia, por acaso”, disse na entrevista à Rádio Globo.
Entrevista exclusiva concedida por escrito pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao jornal Agora São Paulo
Publicada em 1º de setembro de 2010
Jornalista: Como se tornou corintiano? De onde vem a paixão, a ponto de a única exigência na época da prisão era ter uma televisão para assistir aos jogos do Timão?
Presidente: Eu cheguei a Santos ainda criança, em 1952, tinha seis anos, e a cidade tinha na época mais torcida do Corinthians do que do próprio Santos, o Pelé ainda não havia surgido. Quer dizer, desde pequeno eu convivia com muito corintiano à minha volta. Mas eu fui me tornar torcedor mesmo em 1954, quando o Timão ganhou o título do quarto centenário da cidade de São Paulo, um título histórico, muito disputado, todo mundo queria vencer. O Corinthians tinha um time extraordinário, uma linha com Claudio, Baltazar, Luisinho, só craque.
Jornalista: Pretende um dia ser presidente do Corinthians ou ajudar o clube de alguma forma direta?
Presidente: O Corinthians tem pessoas competentes trabalhando 24 horas por dia que podem comandar o clube muito bem. Eu, quando deixar a Presidência, vou ajudar das arquibancadas. Uma coisa que para mim vai ser uma paixão vai ser voltar a sentar num estádio, junto da torcida, para falar o palavrão que todo torcedor fala, para gritar. Pode ficar certo de que vão me ver no estádio torcendo. Eu adoro. A torcida, por si só, é um espetáculo - e a torcida do Coringão, a Fiel, é um espetáculo ainda mais extraordinário. As torcidas organizadas brigam muito entre si, eu sou do tempo que a gente sentava do lado de palmeirense, de sãopaulino, hoje o estádio é dividido, mas vou voltar a freqüentar o campo assim mesmo, sempre atrás do meu Corinthians.
Jornalista: Qual foi a maior emoção e a maior decepção com o Corinthians?
Presidente: Ah, a minha maior emoção foi quando a quebra do tabu contra o Santos, em 1968, depois de onze anos sem ganhar. Você veja, eu morei em Santos, me tornei corintiano lá, então, o Santos era um rival muito presente na minha vida. E com Pelé e companhia, dava ainda mais vontade de derrotar. E nós ficamos onze anos sem conseguir, uma eternidade. Graças a Deus que o Paulo Borges e o Flavio marcaram aqueles gols no Pacaembu. Agora, uma grande decepção, um jogo que eu nunca esqueci, foi a perda do Paulista para o São Paulo em 1957. O Corinthians tinha ainda muita gente de 1954, o Claudio, o Luisinho, e o São Paulo com Maurinho, Amauri, Gino, Dino e Canhoteiro. Foi o primeiro jogo que eu vi ao vivo no estádio. Uma tristeza...
Jornalista: Por que o Corinthians tem essa identificação tão forte com o povo?
Presidente: É uma coisa meio inexplicável, mas eu acho que tem a ver com a origem do clube. O time foi fundado por alguns operários, gente trabalhadora, e contam que um deles, o Miguel Bataglia, que foi também o primeiro presidente, disse que o Corinthians ia ser o time do povo e o povo é quem ia fazer o time. E só num clube desses é que poderia ter nascido aquele movimento que misturou futebol com política, que queria liberdade para o povo, a Democracia Corintiana, com pessoas importantes como Sócrates, Casagrande, que não eram e não são apenas jogadores, tinham e têm até hoje consciência política.
Jornalista: O senhor se considera maloqueiro e sofredor? Por quê?
Presidente: Eu costumo dizer que o Corinthians não tem torcida, tem militância, porque é uma paixão, uma grande paixão, como eu vejo que acontece com o pessoal do PT. Eu acho que sou sim um sofredor, porque sou de uma geração que pegou o jejum de 23 anos sem ganhar nada, e foi o tempo em que eu mais fui ao estádio, mais gritei na arquibancada. E foi também, acho, o período que a torcida mais cresceu. Quer dizer, quanto mais o time perdia, mais a gente gostava e torcia. Só pode ser coisa de sofredor, mesmo...
A cidade tinha na época mais torcida do Corinthians do que do próprio Santos, o Pelé ainda não havia surgido. Quer dizer, desde pequeno eu convivia com muito corintiano à minha volta. Mas eu fui me tornar torcedor mesmo em 1954, quando o Timão ganhou o título do quarto centenário da cidade de São Paulo, um título histórico, muito disputado, todo mundo queria vencer. O Corinthians tinha um time extraordinário, uma linha com Claudio, Baltazar, Luisinho, só craque”, disse o presidente Lula ao jornal Agora.
O periódico paulista perguntou se Lula pretende ser presidente do Corinthians ou ajudar o clube de alguma forma direta. Lula disse que quando deixar a Presidência de República irá ajudar da arquibancada. Ele avaliou a torcida como um espetáculo.
Pode ficar certo de que vão me ver no estádio torcendo. Eu adoro. A torcida, por si só, é um espetáculo – e a torcida do Coringão, a Fiel, é um espetáculo ainda mais extraordinário. As torcidas organizadas brigam muito entre si, eu sou do tempo que a gente sentava do lado de palmeirense, de sãopaulino, hoje o estádio é dividido, mas vou voltar a freqüentar o campo assim mesmo, sempre atrás do meu Corinthians.
O presidente foi indagado também sobre as emoções vividas neste período de torcedor do Timão. Segundo Lula, em 1968, quando o time quebrou a invencibilidade do Santos de 11 anos, foi uma fase marcante. Já na Rádio Globo, ainda sobre a mesma questão, o presidente contou dos anos de dificuldades contra a equipe santista e, mais recente, no período em que o Corinthians foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro.
E eu fico emocionado com o Corinthians de qualquer jeito. Quando o Corinthians foi para a Série B, eu adorava ver jogo do Corinthians aos sábados, adorava. Ficou mais fácil, a gente ficou invicto, perdemos só um jogo. Você imagina que a gente poderia ter sido campeão invicto da Série B, campeão invicto paulista, e nós perdemos um jogo para o Bahia, por acaso”, disse na entrevista à Rádio Globo.
Entrevista exclusiva concedida por escrito pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao jornal Agora São Paulo
Publicada em 1º de setembro de 2010
Jornalista: Como se tornou corintiano? De onde vem a paixão, a ponto de a única exigência na época da prisão era ter uma televisão para assistir aos jogos do Timão?
Presidente: Eu cheguei a Santos ainda criança, em 1952, tinha seis anos, e a cidade tinha na época mais torcida do Corinthians do que do próprio Santos, o Pelé ainda não havia surgido. Quer dizer, desde pequeno eu convivia com muito corintiano à minha volta. Mas eu fui me tornar torcedor mesmo em 1954, quando o Timão ganhou o título do quarto centenário da cidade de São Paulo, um título histórico, muito disputado, todo mundo queria vencer. O Corinthians tinha um time extraordinário, uma linha com Claudio, Baltazar, Luisinho, só craque.
Jornalista: Pretende um dia ser presidente do Corinthians ou ajudar o clube de alguma forma direta?
Presidente: O Corinthians tem pessoas competentes trabalhando 24 horas por dia que podem comandar o clube muito bem. Eu, quando deixar a Presidência, vou ajudar das arquibancadas. Uma coisa que para mim vai ser uma paixão vai ser voltar a sentar num estádio, junto da torcida, para falar o palavrão que todo torcedor fala, para gritar. Pode ficar certo de que vão me ver no estádio torcendo. Eu adoro. A torcida, por si só, é um espetáculo - e a torcida do Coringão, a Fiel, é um espetáculo ainda mais extraordinário. As torcidas organizadas brigam muito entre si, eu sou do tempo que a gente sentava do lado de palmeirense, de sãopaulino, hoje o estádio é dividido, mas vou voltar a freqüentar o campo assim mesmo, sempre atrás do meu Corinthians.
Jornalista: Qual foi a maior emoção e a maior decepção com o Corinthians?
Presidente: Ah, a minha maior emoção foi quando a quebra do tabu contra o Santos, em 1968, depois de onze anos sem ganhar. Você veja, eu morei em Santos, me tornei corintiano lá, então, o Santos era um rival muito presente na minha vida. E com Pelé e companhia, dava ainda mais vontade de derrotar. E nós ficamos onze anos sem conseguir, uma eternidade. Graças a Deus que o Paulo Borges e o Flavio marcaram aqueles gols no Pacaembu. Agora, uma grande decepção, um jogo que eu nunca esqueci, foi a perda do Paulista para o São Paulo em 1957. O Corinthians tinha ainda muita gente de 1954, o Claudio, o Luisinho, e o São Paulo com Maurinho, Amauri, Gino, Dino e Canhoteiro. Foi o primeiro jogo que eu vi ao vivo no estádio. Uma tristeza...
Jornalista: Por que o Corinthians tem essa identificação tão forte com o povo?
Presidente: É uma coisa meio inexplicável, mas eu acho que tem a ver com a origem do clube. O time foi fundado por alguns operários, gente trabalhadora, e contam que um deles, o Miguel Bataglia, que foi também o primeiro presidente, disse que o Corinthians ia ser o time do povo e o povo é quem ia fazer o time. E só num clube desses é que poderia ter nascido aquele movimento que misturou futebol com política, que queria liberdade para o povo, a Democracia Corintiana, com pessoas importantes como Sócrates, Casagrande, que não eram e não são apenas jogadores, tinham e têm até hoje consciência política.
Jornalista: O senhor se considera maloqueiro e sofredor? Por quê?
Presidente: Eu costumo dizer que o Corinthians não tem torcida, tem militância, porque é uma paixão, uma grande paixão, como eu vejo que acontece com o pessoal do PT. Eu acho que sou sim um sofredor, porque sou de uma geração que pegou o jejum de 23 anos sem ganhar nada, e foi o tempo em que eu mais fui ao estádio, mais gritei na arquibancada. E foi também, acho, o período que a torcida mais cresceu. Quer dizer, quanto mais o time perdia, mais a gente gostava e torcia. Só pode ser coisa de sofredor, mesmo...
Lula:A desigualdade de gênero não cabe mais no Brasil do século 21
Brasil vai erradicar a desigualdade de gênero com troca de experiências e o incessante debate de alternativas, mudando assim a consciência e a prática desse equívoco, tanto nos governos como em toda a sociedade, afirmou o presidente Lula nesta quarta-feira (1/9) em discurso na abertura da Conferência “Gênero, Desenvolvimento e Poder”, realizado em Foz do Iguaçu (PR).
As conquistas das mulheres brasileiras até hoje representam um grande avanço para toda a sociedade, lembrou o presidente, mas ainda há muito caminho para ser trilhado. Uma lei não resolve tudo, mas “começa a resolver” – o que resolve, disse Lula é “o processo de maturidade de evolução política da consciência da sociedade”.
Lula afirmou estar honrado por ver tantas organizações reunidas em torno do programa Pro-Equidade de Gênero, da Secretaria de Políticas para as Mulheres – 72 empresas públicas e privadas, além de instituições governamentais, que juntas empregam quase 140 mil mulheres em todo o País. A partir desse programa, as mulheres estão mostrando, afirmou o presidente, que é possível fortalecer a igualdade de gênero, e estão sendo um grande exemplo para todo mundo:
Não é justo portanto que a mulher continue ganhando menos que o homem, realizando o mesmo trabalho tão bem ou melhor do que ele. Ou que continue a encontrar no dia a dia das empresas entraves muitas vezes injustificaveis à ascenção profissional.
O presidente lembrou aos presentes que todas as conquistas das mulheres são possíveis graças ao novo momento da democracia brasileira, em que existe uma nova relação entre o Estado e a sociedade – no caso da igualdade de gênero, essa relação começou a ficar mais evidente com a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, em 2003, uma antiga reivindicação dos movimentos sociais, “que encontraram espaços inéditos de participação na elaboração e no acompanhamento das políticas para o setor”.
As conquistas das mulheres brasileiras até hoje representam um grande avanço para toda a sociedade, lembrou o presidente, mas ainda há muito caminho para ser trilhado. Uma lei não resolve tudo, mas “começa a resolver” – o que resolve, disse Lula é “o processo de maturidade de evolução política da consciência da sociedade”.
Lula afirmou estar honrado por ver tantas organizações reunidas em torno do programa Pro-Equidade de Gênero, da Secretaria de Políticas para as Mulheres – 72 empresas públicas e privadas, além de instituições governamentais, que juntas empregam quase 140 mil mulheres em todo o País. A partir desse programa, as mulheres estão mostrando, afirmou o presidente, que é possível fortalecer a igualdade de gênero, e estão sendo um grande exemplo para todo mundo:
Não é justo portanto que a mulher continue ganhando menos que o homem, realizando o mesmo trabalho tão bem ou melhor do que ele. Ou que continue a encontrar no dia a dia das empresas entraves muitas vezes injustificaveis à ascenção profissional.
O presidente lembrou aos presentes que todas as conquistas das mulheres são possíveis graças ao novo momento da democracia brasileira, em que existe uma nova relação entre o Estado e a sociedade – no caso da igualdade de gênero, essa relação começou a ficar mais evidente com a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, em 2003, uma antiga reivindicação dos movimentos sociais, “que encontraram espaços inéditos de participação na elaboração e no acompanhamento das políticas para o setor”.
Dilma rebate Serra e defende a investigação rápida
Em entrevista ao SBT, Dilma Rousseff acusou José Serra de caluniá-la ao imputar a ela responsabilidade sobre a quebra de sigilos da Receita.
“Quero, mais uma vez, de forma enfática, repudidar essa prática sistemática de levantar acusações e não fazer uma única prova...”
“...Usar a calúnia ou a leviandade para [obter] qualquer vantagem eleitoral eu não considero prova de respeito em relação ao outro”.
Perguntou-se a Dilma se não acha que a elucidação dos malfeitos, agora adensados pela violação de dados fiscais da filha de seu rival, deveria ocorrer antes da eleição.
E ela: “A maior interessada nessa apuração sou eu. [...] Acho que tem de ser apurado de forma drástica, antes da eleição...”
“...Para mim, importa que seja antes da eleição. Sou a maior interessada, porque estou sendo acusada sistematicamente de forma leviana”.
Dilma informou que, nesta quarta (1º), os advogados de sua coligação ingressaram com duas novas ações judiciais contra Serra. Não deu detalhes.
Referindo-se espeficiamente ao caso que envolve Verônica Serra, a filha de seu antagonista, Dilma disse:
“Vamos aos fatos. Há um procurador, vai à Receita e, com o reconhecimento de firma num documento, que a receita não tem como, naquele momento saber se é falso ou não, pede as declarações. E elas são entregues...”
“...Pode ser fraudulento esse papel. A partir daí é que a Receita e a Polícia Fedeeral tem de invesigar profundamente, punindo, se for o caso”.
Em seguida, Dilma mirou em Serra: “Eu não etendo as razões, alias até algumas eu entendo, que levam o candidato da oposição, a fazer contra a minha campanha acusação tão leviana. Não tem provas nem fundamentos...”
“...Isso aconteceu em setembro de 2009. Minha campanha não existia. Aliás, eu nem pré-candidata era”.
Insinuou que Serra tenta retirar proveito eleitoral do episódio: “Acho interessante. E julgo importante que, nessa eleição, a gente tenha cuidado com leviandades e calúnias”.
Não acha que Serra tem razões para ficar indignado? “Ele pode ficar indignado com o fato, até entendo. Agora, a partir daí chegar à conclusão de que a responsabilidade é da minha campanha ou da minha pessoa, ele tem que provar...”
Lembrou que, além dos sigilos de pessoas ligadas a Serra, foram violados, segundo já foi noticiado, os dados fiscais de 140 pessoas.
“A maioria não tem ligação com a política”, disse Dilma. Ela acrescentou:
“Se tem algum nível de mercantilização, como disse o secretário da Receita, balcão de compra e venda, acho que tem de ser apurado de forma drástica”.
Noutro trecho da entrevista, perguntou-se à candidata petista se ela contempla a hipótese de aproveitar na equipe de seu eventual governo petistas envolvidos no mensalão.
Pela primeira vez, Dilma soou peremptória sobre a matéria. Disse que, antes de serem julgados e absolvidos pelo STF, os mensaleiros não tem chance numa eventual gestão comandada por ela.
“Quero, mais uma vez, de forma enfática, repudidar essa prática sistemática de levantar acusações e não fazer uma única prova...”
“...Usar a calúnia ou a leviandade para [obter] qualquer vantagem eleitoral eu não considero prova de respeito em relação ao outro”.
Perguntou-se a Dilma se não acha que a elucidação dos malfeitos, agora adensados pela violação de dados fiscais da filha de seu rival, deveria ocorrer antes da eleição.
E ela: “A maior interessada nessa apuração sou eu. [...] Acho que tem de ser apurado de forma drástica, antes da eleição...”
“...Para mim, importa que seja antes da eleição. Sou a maior interessada, porque estou sendo acusada sistematicamente de forma leviana”.
Dilma informou que, nesta quarta (1º), os advogados de sua coligação ingressaram com duas novas ações judiciais contra Serra. Não deu detalhes.
Referindo-se espeficiamente ao caso que envolve Verônica Serra, a filha de seu antagonista, Dilma disse:
“Vamos aos fatos. Há um procurador, vai à Receita e, com o reconhecimento de firma num documento, que a receita não tem como, naquele momento saber se é falso ou não, pede as declarações. E elas são entregues...”
“...Pode ser fraudulento esse papel. A partir daí é que a Receita e a Polícia Fedeeral tem de invesigar profundamente, punindo, se for o caso”.
Em seguida, Dilma mirou em Serra: “Eu não etendo as razões, alias até algumas eu entendo, que levam o candidato da oposição, a fazer contra a minha campanha acusação tão leviana. Não tem provas nem fundamentos...”
“...Isso aconteceu em setembro de 2009. Minha campanha não existia. Aliás, eu nem pré-candidata era”.
Insinuou que Serra tenta retirar proveito eleitoral do episódio: “Acho interessante. E julgo importante que, nessa eleição, a gente tenha cuidado com leviandades e calúnias”.
Não acha que Serra tem razões para ficar indignado? “Ele pode ficar indignado com o fato, até entendo. Agora, a partir daí chegar à conclusão de que a responsabilidade é da minha campanha ou da minha pessoa, ele tem que provar...”
Lembrou que, além dos sigilos de pessoas ligadas a Serra, foram violados, segundo já foi noticiado, os dados fiscais de 140 pessoas.
“A maioria não tem ligação com a política”, disse Dilma. Ela acrescentou:
“Se tem algum nível de mercantilização, como disse o secretário da Receita, balcão de compra e venda, acho que tem de ser apurado de forma drástica”.
Noutro trecho da entrevista, perguntou-se à candidata petista se ela contempla a hipótese de aproveitar na equipe de seu eventual governo petistas envolvidos no mensalão.
Pela primeira vez, Dilma soou peremptória sobre a matéria. Disse que, antes de serem julgados e absolvidos pelo STF, os mensaleiros não tem chance numa eventual gestão comandada por ela.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Mais da metade dos brasileiros estão otimistas com a economia, aponta IPea
Mais da metade da população estão otimistas em relação à situação econômica do país. A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que calculou o Índice de Expectativa das Famílias, apresentado hoje (31), no Rio de Janeiro.
A pesquisa mostra que mais de 58% da população acreditam que o Brasil passará por melhores momentos nos próximos 12 meses. Mais de 55% acreditam que o cenário otimista também se repetirá nos próximos cinco anos.
A confiança é maior entre as pessoas com melhores rendimentos e os mais jovens, e entre os entrevistados que se declararam negros, os que têm nível de escolaridade superior incompleto, e os que recebem benefícios do governo. As maiores proporções de otimistas foram constatadas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
De acordo com o Ipea, o otimismo pode estar relacionado à melhoria da situação do orçamento das famílias, já que 73% dos entrevistados indicaram estar em melhores condições financeiras do que há um ano.
“Quatro entre cinco famílias revelaram que a situação financeira melhorou. Essa melhoria foi registrada com maior proporção na Região Centro-Oeste [81,75% dos entrevistados] e a Região Sul foi a que concentrou um menor número de famílias com melhorias no orçamento [67,39%]”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
A pesquisa mostra que mais de 58% da população acreditam que o Brasil passará por melhores momentos nos próximos 12 meses. Mais de 55% acreditam que o cenário otimista também se repetirá nos próximos cinco anos.
A confiança é maior entre as pessoas com melhores rendimentos e os mais jovens, e entre os entrevistados que se declararam negros, os que têm nível de escolaridade superior incompleto, e os que recebem benefícios do governo. As maiores proporções de otimistas foram constatadas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
De acordo com o Ipea, o otimismo pode estar relacionado à melhoria da situação do orçamento das famílias, já que 73% dos entrevistados indicaram estar em melhores condições financeiras do que há um ano.
“Quatro entre cinco famílias revelaram que a situação financeira melhorou. Essa melhoria foi registrada com maior proporção na Região Centro-Oeste [81,75% dos entrevistados] e a Região Sul foi a que concentrou um menor número de famílias com melhorias no orçamento [67,39%]”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
A falsidade continuada contra o PT
Presidente do PT responde a editorial do Estadão.
Resposta ao editorial do Estadão, publicado na sexta-feira, 27 de agosto)
O Partido dos Trabalhadores se constituiu na luta pela redemocratização do país, tendo como primado a vigência do Estado de Direito. Foi o exercício contínuo da democracia, com liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que conduziu o PT à Presidência da República, em eleições que expressaram a vontade soberana da maioria da população.
Foi a Democracia que nos trouxe até aqui e dela não vamos nos afastar jamais. Ao longo de sua existência, o PT esteve à frente de todas as iniciativas destinadas a aperfeiçoar e consolidar as práticas democráticas entre nós – desde a luta pelo restabelecimento do direito de greve e da liberdade de organização sindical e política, passando pela campanha das Diretas, a convocação da Assembléia Constituinte, até o aperfeiçoamento da legislação eleitoral.
O governo do presidente Lula vem atuando de forma republicana na reconstituição de instituições públicas essenciais que haviam sido esvaziadas, de maneira irresponsável, em governos passados. Por meio de concursos públicos e de investimentos submetidos à fiscalização do Congresso e do Ministério Público, o governo do PT está reconstituindo a capacidade do Estado para atender às demandas do país por saúde, educação, infra-estrutura, segurança, desenvolvimento científico e tecnológico e proteção ambiental, dentre outras.
Compreendemos que outros partidos e setores da sociedade tenham visão distinta sobre a melhor maneira de colocar o Estado a serviço do desenvolvimento econômico e social do país. Mas não podemos aceitar que o legítimo debate político desborde para a agressão, a injúria e a calúnia, como faz o editorial do Estado de S. Paulo de 27 de agosto.
Não é verdade que o PT ou a campanha da nossa candidata, Dilma Rousseff, tenham buscado ou recebido, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas, como diz o editorial.
Se a Folha de S. Paulo, em quem se socorre o editorial para repetir a afirmação infamante, teve acesso a dados sigilosos de quem quer que seja, cabe a ela apontar sua origem, antes de acusar o PT e a campanha. Repetir sistematicamente que tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É antiético. É uma continuada falsidade.
O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. Diante da notícia de vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, fomos nós, do PT, que solicitamos a abertura de inquérito na Polícia Federal para esclarecer o fato. Buscamos a verdade.
Tomamos essa iniciativa porque consideramos incompatível com o Estado de Direito democrático a violação de direitos protegidos pela Constituição, não importando a motivação nem a preferência partidária de quem perpetra esse crime.
Agimos assim, à luz do dia e da lei, para que não se repitam episódios como a violação das dívidas com o Banco do Brasil de nove deputados do antigo PPB, que à época (1996) eram constrangidos a apoiar a emenda da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Agimos assim para que não se repita a manipulação da Polícia Federal em benefício de intrigas palacianas, como ocorreu em 1995, quando um embaixador da confiança do ex-presidente teve seu telefone grampeado e suas conversas expostas.
Agimos assim em defesa das instituições em que acreditamos e dos cidadãos que representamos. Para que crimes como esses não fiquem impunes, como não deverá ficar impune a violação do sigilo fiscal dos diretores da Petrobras, devassado em junho do ano passado.
Certas vozes que hoje apontam, sem qualquer fundamento, uma suposta manipulação de setores do Estado no caso da Delegacia da Receita de Mauá, foram as primeiras a fazer exploração política do crime cometido contra os diretores da Petrobras. É uma seletividade que desqualifica a indignação.
Oferecemos esse artigo para publicação em respeito aos leitores, em defesa da verdade e em consonância com o equilíbrio editorial que notabilizou o Estado de S. Paulo ao longo de sua história. A seção de editoriais do jornal – que em outros tempos foi exemplo de independência e coragem política – recusou-se a fazê-lo, interditando o debate de argumentos no mesmo espaço em que fomos caluniados.
Como diriam os editorialistas que sabiam polemizar sem recorrer ao sofisma e à desfaçatez: Sic transit gloria mundi.
José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT
Resposta ao editorial do Estadão, publicado na sexta-feira, 27 de agosto)
O Partido dos Trabalhadores se constituiu na luta pela redemocratização do país, tendo como primado a vigência do Estado de Direito. Foi o exercício contínuo da democracia, com liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que conduziu o PT à Presidência da República, em eleições que expressaram a vontade soberana da maioria da população.
Foi a Democracia que nos trouxe até aqui e dela não vamos nos afastar jamais. Ao longo de sua existência, o PT esteve à frente de todas as iniciativas destinadas a aperfeiçoar e consolidar as práticas democráticas entre nós – desde a luta pelo restabelecimento do direito de greve e da liberdade de organização sindical e política, passando pela campanha das Diretas, a convocação da Assembléia Constituinte, até o aperfeiçoamento da legislação eleitoral.
O governo do presidente Lula vem atuando de forma republicana na reconstituição de instituições públicas essenciais que haviam sido esvaziadas, de maneira irresponsável, em governos passados. Por meio de concursos públicos e de investimentos submetidos à fiscalização do Congresso e do Ministério Público, o governo do PT está reconstituindo a capacidade do Estado para atender às demandas do país por saúde, educação, infra-estrutura, segurança, desenvolvimento científico e tecnológico e proteção ambiental, dentre outras.
Compreendemos que outros partidos e setores da sociedade tenham visão distinta sobre a melhor maneira de colocar o Estado a serviço do desenvolvimento econômico e social do país. Mas não podemos aceitar que o legítimo debate político desborde para a agressão, a injúria e a calúnia, como faz o editorial do Estado de S. Paulo de 27 de agosto.
Não é verdade que o PT ou a campanha da nossa candidata, Dilma Rousseff, tenham buscado ou recebido, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas, como diz o editorial.
Se a Folha de S. Paulo, em quem se socorre o editorial para repetir a afirmação infamante, teve acesso a dados sigilosos de quem quer que seja, cabe a ela apontar sua origem, antes de acusar o PT e a campanha. Repetir sistematicamente que tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É antiético. É uma continuada falsidade.
O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. Diante da notícia de vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, fomos nós, do PT, que solicitamos a abertura de inquérito na Polícia Federal para esclarecer o fato. Buscamos a verdade.
Tomamos essa iniciativa porque consideramos incompatível com o Estado de Direito democrático a violação de direitos protegidos pela Constituição, não importando a motivação nem a preferência partidária de quem perpetra esse crime.
Agimos assim, à luz do dia e da lei, para que não se repitam episódios como a violação das dívidas com o Banco do Brasil de nove deputados do antigo PPB, que à época (1996) eram constrangidos a apoiar a emenda da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Agimos assim para que não se repita a manipulação da Polícia Federal em benefício de intrigas palacianas, como ocorreu em 1995, quando um embaixador da confiança do ex-presidente teve seu telefone grampeado e suas conversas expostas.
Agimos assim em defesa das instituições em que acreditamos e dos cidadãos que representamos. Para que crimes como esses não fiquem impunes, como não deverá ficar impune a violação do sigilo fiscal dos diretores da Petrobras, devassado em junho do ano passado.
Certas vozes que hoje apontam, sem qualquer fundamento, uma suposta manipulação de setores do Estado no caso da Delegacia da Receita de Mauá, foram as primeiras a fazer exploração política do crime cometido contra os diretores da Petrobras. É uma seletividade que desqualifica a indignação.
Oferecemos esse artigo para publicação em respeito aos leitores, em defesa da verdade e em consonância com o equilíbrio editorial que notabilizou o Estado de S. Paulo ao longo de sua história. A seção de editoriais do jornal – que em outros tempos foi exemplo de independência e coragem política – recusou-se a fazê-lo, interditando o debate de argumentos no mesmo espaço em que fomos caluniados.
Como diriam os editorialistas que sabiam polemizar sem recorrer ao sofisma e à desfaçatez: Sic transit gloria mundi.
José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT
Dilma defende relação mais forte do Brasil com a Colômbia
próxima década será da América Latina. Esta visão foi compartilhada pela candidata Dilma Rousseff e o presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, num encontro hoje (1) em Brasília.
Segundo Dilma, em seu governo, a parceria com a Colômbia será reforçada, não apenas no controle das fronteiras, mas também na exploração dos recursos naturais, abundantes nos dois países.
“Nós compartilhamos a visão comum sobre a importância da relação entre Brasil e Colômbia na década que se inicia agora. É a década da América Latina”, disse a candidata, em entrevista coletiva após encontro com Santos na Embaixada da Colômbia.
Ela citou a possibilidade de parcerias nas áreas de energia, destacando os combustíveis renováveis, de produção de alimentos e da biodiversidade. Além disso, para a candidata, Brasil e Colômbia possuem indústria e agricultura desenvolvidas.
“Temos uma visão estratégica da América Latina pelo fato de a gente compartilhar grandes reservas de água e uma biodiversidade extraordinária. Isso nos coloca também grandes desafios na área de biotecnologia”, afirmou Dilma.
Segundo ela, a Colômbia e o Brasil têm grandes possibilidades de alcançar a condição de economia desenvolvida nos próximos anos.
Inclusão social
Segundo a candidata, o presidente da Colômbia mostrou-se interessado pelos programas de inclusão social do governo Lula, sobretudo, aqueles voltados para o campo. Com 50% de sua população na pobreza, a Colômbia tem ainda o desafio de restabelecer no campo os trabalhadores rurais cooptados pela guerrilha e resgatados pelo Exército.
“Expliquei como funciona nossa agricultura familiar, com os programas para compra de tratores e de aquisição de alimentos, e o financiamento por meio do Pronaf para dar sustentabilidade à reforma agrária”, contou Dilma.
Controle das fronteiras
Ela considerou “crucial” o policiamento da fronteira entre Brasil e Colômbia para evitar a entrada do crime organização em território brasileiro. Para reforçar esse monitoramento, Dilma explicou ao presidente Juan Manoel Santos que serão adquiridos dez aviões não tripulados.
“O controle da fronteira é importante para o processo de pacificação da América Latina”, defendeu.
A candidata reforçou ainda que o Brasil só participa das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se for convidado. “Nós temos uma posição clara em relação as Farc. Somos contrários ao narcotráfico. Portanto, não temos por que participar, a não ser a pedido da Colômbia, de qualquer atividade de pacificação ou diálogo com as Farc. Se a Colômbia solicitar a presença do Brasil, nós vamos participar.”
Segundo Dilma, em seu governo, a parceria com a Colômbia será reforçada, não apenas no controle das fronteiras, mas também na exploração dos recursos naturais, abundantes nos dois países.
“Nós compartilhamos a visão comum sobre a importância da relação entre Brasil e Colômbia na década que se inicia agora. É a década da América Latina”, disse a candidata, em entrevista coletiva após encontro com Santos na Embaixada da Colômbia.
Ela citou a possibilidade de parcerias nas áreas de energia, destacando os combustíveis renováveis, de produção de alimentos e da biodiversidade. Além disso, para a candidata, Brasil e Colômbia possuem indústria e agricultura desenvolvidas.
“Temos uma visão estratégica da América Latina pelo fato de a gente compartilhar grandes reservas de água e uma biodiversidade extraordinária. Isso nos coloca também grandes desafios na área de biotecnologia”, afirmou Dilma.
Segundo ela, a Colômbia e o Brasil têm grandes possibilidades de alcançar a condição de economia desenvolvida nos próximos anos.
Inclusão social
Segundo a candidata, o presidente da Colômbia mostrou-se interessado pelos programas de inclusão social do governo Lula, sobretudo, aqueles voltados para o campo. Com 50% de sua população na pobreza, a Colômbia tem ainda o desafio de restabelecer no campo os trabalhadores rurais cooptados pela guerrilha e resgatados pelo Exército.
“Expliquei como funciona nossa agricultura familiar, com os programas para compra de tratores e de aquisição de alimentos, e o financiamento por meio do Pronaf para dar sustentabilidade à reforma agrária”, contou Dilma.
Controle das fronteiras
Ela considerou “crucial” o policiamento da fronteira entre Brasil e Colômbia para evitar a entrada do crime organização em território brasileiro. Para reforçar esse monitoramento, Dilma explicou ao presidente Juan Manoel Santos que serão adquiridos dez aviões não tripulados.
“O controle da fronteira é importante para o processo de pacificação da América Latina”, defendeu.
A candidata reforçou ainda que o Brasil só participa das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se for convidado. “Nós temos uma posição clara em relação as Farc. Somos contrários ao narcotráfico. Portanto, não temos por que participar, a não ser a pedido da Colômbia, de qualquer atividade de pacificação ou diálogo com as Farc. Se a Colômbia solicitar a presença do Brasil, nós vamos participar.”
Grande mídia não informa que o Vox mostra Dilma 26 pontos à frente de Serra e com 60% dos votos válidos
não saiu no JN e não vi até as 22 horas nos grandes sites - UOL, ESTADÃO....O QUE COMPROVA QUE ESSES FAZEM PARTE DO CHAMADO PARTIDO DA IMPRENA GOLPISTA - PIG - QUE TEM VINCULAÇÃO DE INTERESSES COM OS DEMOTUCANOS...
Na primeira medição do tracking encomendado pelo iG e pela Band ao Instituto Vox Populi, a candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, aparece na liderança, com 51% das intenções de voto.
O cenário, que daria à petista a vitória no primeiro turno, mostra o adversário tucano José Serra com 25%. A candidata do PV, Marina Silva, aparece em seguida, com 9%. Outros candidatos obtiveram, juntos, 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 4%, enquanto os indecisos ficaram em 11%.
O tracking é uma modalidade de pesquisa tradicionalmente utilizada pelas campanhas eleitorais para identificar tendências na definição do voto. Apesar de o sistema ser utilizado há mais de uma década pelos partidos políticos e campanhas eleitorais, os dados não entram no rol de divulgação dos veículos de comunicação.
O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas. A cada quatro dias, um quarto dessa amostra é renovada por meio da realização de 500 novas entrevistas. Essa renovação permite identificar rapidamente as tendências de evolução das intenções de voto. A margem de erro do tracking é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
No tracking espontâneo, no qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 19%. Marina, nesse caso, tem 6%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é citado por 2% dos entrevistados. Brancos e nulos somaram 4%, não souberam ou não responderam 11
Na primeira medição do tracking encomendado pelo iG e pela Band ao Instituto Vox Populi, a candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, aparece na liderança, com 51% das intenções de voto.
O cenário, que daria à petista a vitória no primeiro turno, mostra o adversário tucano José Serra com 25%. A candidata do PV, Marina Silva, aparece em seguida, com 9%. Outros candidatos obtiveram, juntos, 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 4%, enquanto os indecisos ficaram em 11%.
O tracking é uma modalidade de pesquisa tradicionalmente utilizada pelas campanhas eleitorais para identificar tendências na definição do voto. Apesar de o sistema ser utilizado há mais de uma década pelos partidos políticos e campanhas eleitorais, os dados não entram no rol de divulgação dos veículos de comunicação.
O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas. A cada quatro dias, um quarto dessa amostra é renovada por meio da realização de 500 novas entrevistas. Essa renovação permite identificar rapidamente as tendências de evolução das intenções de voto. A margem de erro do tracking é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
No tracking espontâneo, no qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 19%. Marina, nesse caso, tem 6%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é citado por 2% dos entrevistados. Brancos e nulos somaram 4%, não souberam ou não responderam 11
Dilma chama acusação de quebra de sigilo de "leviana"
Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, disse nesta quarta-feira (1º) que é a maior interessada na apuração da quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao partido do PSDB e classificou as acusações contra ela e sua campanha de "levianas".
"Eu sou a maior interessada porque estou sendo acusada sistematicamente de forma leviana", disse a candidata em entrevista ao Jornal do SBT.
Questionada sobre a acusação da coligação de José Serra (PSDB), que na noite desta quarta entrou com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para apurar a participação da candidata petista e de sua campanha no caso, Dilma rebateu criticando a falta de provas da acusação.
"Eu não entendo as razões que levam o candidato da opoisição a levar contra a minha campanha uma acusação tão leviana, que não tem nem provas nem fundamento. Temos que ter clareza. Esse vazamento aconteceu em setembro de 2009. A minha campanha nem existia e nem candidata eu era", disse a petista.
Ao responder se o fato de em 2006, um dossiê elaborado por integrantes do PT para prejudicar a campanha do então candidato José Serra ter sido denunciado, não reforçava a suspeita de participação de integrantes do partido na quebra de sigilo, Dilma elevou o tom.
"Assim eu levantarei fatos passados do meu adversário, como o vazamento de dívidas de deputados com o Banco do Brasil no momento em que estavam votando e emenda de reeleição do Fernando Henrique Cardoso, ou em junho de 2009, quando um senador, o que foi hoje lá, divulgou dados absolutamente sigilosos sobre a direção da Petrobrás para fazer a CPI da Petrobrás", disse referindo-se ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
"O partido do candidato adversário e o meu adversário são vazadores contumazes. Não têm etica suficiente para lidar com a coisa pública", afirmou Dilma.
Ainda na entrevista, a candidata petista voltou a descartar a criação de um novo imposto para a saúde e disse que não nomearia nenhum dos envolvidos no caso Mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, em um eventual governo seu, antes do julgamento.
Sobre a participação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, Dilma declarou: "Eu o considero um político, um técnico dos melhores. Mas não discuto composição de equipe antes de ganhar a eleição. Seria um desrespeito com o eleitor".
"Eu sou a maior interessada porque estou sendo acusada sistematicamente de forma leviana", disse a candidata em entrevista ao Jornal do SBT.
Questionada sobre a acusação da coligação de José Serra (PSDB), que na noite desta quarta entrou com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para apurar a participação da candidata petista e de sua campanha no caso, Dilma rebateu criticando a falta de provas da acusação.
"Eu não entendo as razões que levam o candidato da opoisição a levar contra a minha campanha uma acusação tão leviana, que não tem nem provas nem fundamento. Temos que ter clareza. Esse vazamento aconteceu em setembro de 2009. A minha campanha nem existia e nem candidata eu era", disse a petista.
Ao responder se o fato de em 2006, um dossiê elaborado por integrantes do PT para prejudicar a campanha do então candidato José Serra ter sido denunciado, não reforçava a suspeita de participação de integrantes do partido na quebra de sigilo, Dilma elevou o tom.
"Assim eu levantarei fatos passados do meu adversário, como o vazamento de dívidas de deputados com o Banco do Brasil no momento em que estavam votando e emenda de reeleição do Fernando Henrique Cardoso, ou em junho de 2009, quando um senador, o que foi hoje lá, divulgou dados absolutamente sigilosos sobre a direção da Petrobrás para fazer a CPI da Petrobrás", disse referindo-se ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
"O partido do candidato adversário e o meu adversário são vazadores contumazes. Não têm etica suficiente para lidar com a coisa pública", afirmou Dilma.
Ainda na entrevista, a candidata petista voltou a descartar a criação de um novo imposto para a saúde e disse que não nomearia nenhum dos envolvidos no caso Mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, em um eventual governo seu, antes do julgamento.
Sobre a participação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, Dilma declarou: "Eu o considero um político, um técnico dos melhores. Mas não discuto composição de equipe antes de ganhar a eleição. Seria um desrespeito com o eleitor".
Desmatamento pode ter queda histórica
Dados do governo e de ONG sugerem menor índice desde que medições por satélite começaram na Amazônia
Diminuição do desmate também seria primeira em um ano de eleições; falta confirmação de sistema mais preciso
CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA
Pela primeira vez na história deste país, o desmatamento na Amazônia deve ter queda em um ano eleitoral, no qual as medidas de fiscalização tradicionalmente são mais frouxas.
Os dois sistemas de monitoramento rápido da floresta por satélite, um do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e outro da ONG de pesquisas Imazon, mostraram reduções na taxa de devastação em 2010 em comparação com 2009 -de 48% e 16%, respectivamente.
Embora pouco precisos (por detectarem apenas desmatamentos de médio porte), ambos apontam para uma taxa oficial, neste ano, menor que os 7.464 km2 do ano passado -a menor registrada desde que o início das medições do Inpe, em 1988.
"Acho que vai ser menos de 7.000 km2", diz Adalberto Veríssimo, do Imazon, sobre os números finais, a serem divulgados em novembro pelo Prodes, do Inpe.
O Imazon vinha apostando que o desmatamento em 2010 seria maior que o de 2009, que é um ano eleitoral e mais seco que a média.
Mas o mês de julho surpreendeu, com uma queda forte no desmate que puxou para baixo a série anual.
"MENOR DO MENOR"
"Foi o menor do menor", disse ontem a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), em relação ao número anual do sistema Deter, do Inpe.
Entre agosto de 2009 e julho deste ano, o Deter enxergou 2.294 km2 desmatados na Amazônia, contra 4.372,8 km2 no mesmo período anterior. "Isso nos deixa muito otimistas para o anúncio do Prodes no fim do ano", diz.
O pesquisador Dalton Valeriano, coordenador do Prodes, é mais sóbrio.
Ele lembra que o padrão dos desmatamentos na Amazônia mudou: hoje pelo menos 75% das derrubadas correspondem a áreas com menos que 50 hectares.
Como o limite de detecção do Deter é 25 hectares, é provável que a maior parte do desmatamento seja invisível.
"Tenho esperança de que reduza [em relação a 2009], mas prefiro ficar no lado da precaução", diz Valeriano.
O desmate neste ano se concentrou nas áreas em torno das rodovias BR-163 e da Transamazônica, no Pará, em Rondônia e no sudeste do Amazonas. O Estado contrariou a tendência da maioria da região e fechou 2010 com devastação em alta, segundo os dados do Deter.
Também pela primeira vez, o Imazon admitiu que as ações do governo na região têm sido determinantes no controle da devastação.
Especialmente importante foi o decreto presidencial, seguido da resolução do Conselho Monetário Nacional de 2008, que corta crédito para desmatadores. A manutenção do decreto, após reação dos produtores rurais, custou a Marina Silva o cargo de ministra do Meio Ambiente.
As medidas foram mantidas e ampliadas pelo substituto de Marina no ministério, Carlos Minc. O governo baixou uma "lista suja" de 36 municípios críticos, depois ampliada para um total de 43. Segundo o Imazon, 23 desses municípios tiveram queda expressiva do desmatamento neste ano.
"Éramos uma voz dissonante, mas, falando com as pessoas que desmatam, vimos que as medidas tiveram efeito", diz Veríssimo.
Diminuição do desmate também seria primeira em um ano de eleições; falta confirmação de sistema mais preciso
CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA
Pela primeira vez na história deste país, o desmatamento na Amazônia deve ter queda em um ano eleitoral, no qual as medidas de fiscalização tradicionalmente são mais frouxas.
Os dois sistemas de monitoramento rápido da floresta por satélite, um do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e outro da ONG de pesquisas Imazon, mostraram reduções na taxa de devastação em 2010 em comparação com 2009 -de 48% e 16%, respectivamente.
Embora pouco precisos (por detectarem apenas desmatamentos de médio porte), ambos apontam para uma taxa oficial, neste ano, menor que os 7.464 km2 do ano passado -a menor registrada desde que o início das medições do Inpe, em 1988.
"Acho que vai ser menos de 7.000 km2", diz Adalberto Veríssimo, do Imazon, sobre os números finais, a serem divulgados em novembro pelo Prodes, do Inpe.
O Imazon vinha apostando que o desmatamento em 2010 seria maior que o de 2009, que é um ano eleitoral e mais seco que a média.
Mas o mês de julho surpreendeu, com uma queda forte no desmate que puxou para baixo a série anual.
"MENOR DO MENOR"
"Foi o menor do menor", disse ontem a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), em relação ao número anual do sistema Deter, do Inpe.
Entre agosto de 2009 e julho deste ano, o Deter enxergou 2.294 km2 desmatados na Amazônia, contra 4.372,8 km2 no mesmo período anterior. "Isso nos deixa muito otimistas para o anúncio do Prodes no fim do ano", diz.
O pesquisador Dalton Valeriano, coordenador do Prodes, é mais sóbrio.
Ele lembra que o padrão dos desmatamentos na Amazônia mudou: hoje pelo menos 75% das derrubadas correspondem a áreas com menos que 50 hectares.
Como o limite de detecção do Deter é 25 hectares, é provável que a maior parte do desmatamento seja invisível.
"Tenho esperança de que reduza [em relação a 2009], mas prefiro ficar no lado da precaução", diz Valeriano.
O desmate neste ano se concentrou nas áreas em torno das rodovias BR-163 e da Transamazônica, no Pará, em Rondônia e no sudeste do Amazonas. O Estado contrariou a tendência da maioria da região e fechou 2010 com devastação em alta, segundo os dados do Deter.
Também pela primeira vez, o Imazon admitiu que as ações do governo na região têm sido determinantes no controle da devastação.
Especialmente importante foi o decreto presidencial, seguido da resolução do Conselho Monetário Nacional de 2008, que corta crédito para desmatadores. A manutenção do decreto, após reação dos produtores rurais, custou a Marina Silva o cargo de ministra do Meio Ambiente.
As medidas foram mantidas e ampliadas pelo substituto de Marina no ministério, Carlos Minc. O governo baixou uma "lista suja" de 36 municípios críticos, depois ampliada para um total de 43. Segundo o Imazon, 23 desses municípios tiveram queda expressiva do desmatamento neste ano.
"Éramos uma voz dissonante, mas, falando com as pessoas que desmatam, vimos que as medidas tiveram efeito", diz Veríssimo.
Best-seller de Lomborg virou bíblia de céticos
FSP
O estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, 45, ganhou reconhecimento internacional após lançar, em 2001, o livro "O Ambientalista Cético".
A obra -até hoje uma das principais referências para céticos do clima- tem uma compilação de estatísticas que mostrariam que o aquecimento da Terra estaria "superestimado" e seus efeitos não seriam catastróficos.
O Protocolo de Kyoto e as metas de corte das emissões de carbono também foram alvos de críticas, pois seriam "um mau investimento para US$ 180 bilhões por ano".
Lomborg defende que, em vez de "estrangular a indústria e o mercado" impondo sanções e restrições, seria melhor investir na prevenção de temas mais importantes, como doenças negligenciadas.
O estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, 45, ganhou reconhecimento internacional após lançar, em 2001, o livro "O Ambientalista Cético".
A obra -até hoje uma das principais referências para céticos do clima- tem uma compilação de estatísticas que mostrariam que o aquecimento da Terra estaria "superestimado" e seus efeitos não seriam catastróficos.
O Protocolo de Kyoto e as metas de corte das emissões de carbono também foram alvos de críticas, pois seriam "um mau investimento para US$ 180 bilhões por ano".
Lomborg defende que, em vez de "estrangular a indústria e o mercado" impondo sanções e restrições, seria melhor investir na prevenção de temas mais importantes, como doenças negligenciadas.
O mundo pacato em que vivíamos
FSP
JÁ HOUVE ÉPOCA em que poucos sabiam da existência da internet. Os que sabiam, a maioria técnicos, não viam nela muito além dos processos. Os computadores, cabos e protocolos que a compunham formavam, para eles, conjunto tão banal e fascinante quanto um sistema de transmissão elétrica. Quinze anos depois, com as redes cada vez mais evaporadas dentro da "nuvem", fica claro como eles tinham razão.
O mundo conectado surgiu como prótese e se transformou em infraestrutura, a ponto de quase só ser percebido quando falha, como a coleta de lixo. Defini-lo é quase tão difícil quanto pensar na vida pacata e primitiva que se levava há pouco tempo, quando não havia rede de informações mais eficiente do que a fofoca e a ideia mais próxima do virtual era o Paraíso. O mundo em que o trabalho acaba ao sair do escritório e em que alguém pode estar verdadeiramente indisponível parece bucólico, mesmo que a maioria dos leitores desta coluna tenha vivido nele por um tempo razoável.
O ser humano é uma máquina de adaptação. Isso fica ainda mais evidente quando se percebe que a maioria das coisas que achamos "normais" foi inventada nesta década. O próprio ano 2000, que muitos achavam que seria o futuro, mal tinha Google. Não tinha Wikipédia. Os inventores de muitas das mídias sociais mal tinham entrado na faculdade. Alguns ainda eram crianças.
O cenário mudou, todos se tornaram mais acelerados, produtivos e angustiados. Mas as histórias e seus personagens continuam os mesmos. Boas narrativas da década de 50 não falavam do crescimento da aviação comercial ou da urbanização. Livros dos anos 70 mal citam o computador. O Facebook só virou filme ao chegar perto do meio bilhão de usuários. As boas histórias atuais não se preocupam com o Twitter. O mesmo pode se dizer das músicas.
Muita coisa muda em um ambiente digital, e ao mesmo tempo, nada muda. São as relações humanas de sempre que agora são automatizadas e ganham dimensões maiores e mais frequentes. Quem discute o fim da web parece não se dar conta de que, na verdade, foi a internet que desapareceu. Ela se tornou um organismo vivo e transparente, parte integrante da vida de uma forma tão significativa que explicá-la demanda um enorme esforço. E mal começou.
JÁ HOUVE ÉPOCA em que poucos sabiam da existência da internet. Os que sabiam, a maioria técnicos, não viam nela muito além dos processos. Os computadores, cabos e protocolos que a compunham formavam, para eles, conjunto tão banal e fascinante quanto um sistema de transmissão elétrica. Quinze anos depois, com as redes cada vez mais evaporadas dentro da "nuvem", fica claro como eles tinham razão.
O mundo conectado surgiu como prótese e se transformou em infraestrutura, a ponto de quase só ser percebido quando falha, como a coleta de lixo. Defini-lo é quase tão difícil quanto pensar na vida pacata e primitiva que se levava há pouco tempo, quando não havia rede de informações mais eficiente do que a fofoca e a ideia mais próxima do virtual era o Paraíso. O mundo em que o trabalho acaba ao sair do escritório e em que alguém pode estar verdadeiramente indisponível parece bucólico, mesmo que a maioria dos leitores desta coluna tenha vivido nele por um tempo razoável.
O ser humano é uma máquina de adaptação. Isso fica ainda mais evidente quando se percebe que a maioria das coisas que achamos "normais" foi inventada nesta década. O próprio ano 2000, que muitos achavam que seria o futuro, mal tinha Google. Não tinha Wikipédia. Os inventores de muitas das mídias sociais mal tinham entrado na faculdade. Alguns ainda eram crianças.
O cenário mudou, todos se tornaram mais acelerados, produtivos e angustiados. Mas as histórias e seus personagens continuam os mesmos. Boas narrativas da década de 50 não falavam do crescimento da aviação comercial ou da urbanização. Livros dos anos 70 mal citam o computador. O Facebook só virou filme ao chegar perto do meio bilhão de usuários. As boas histórias atuais não se preocupam com o Twitter. O mesmo pode se dizer das músicas.
Muita coisa muda em um ambiente digital, e ao mesmo tempo, nada muda. São as relações humanas de sempre que agora são automatizadas e ganham dimensões maiores e mais frequentes. Quem discute o fim da web parece não se dar conta de que, na verdade, foi a internet que desapareceu. Ela se tornou um organismo vivo e transparente, parte integrante da vida de uma forma tão significativa que explicá-la demanda um enorme esforço. E mal começou.
CONTEÚDO DIGITAL
O que será do conteúdo digital produzido hoje daqui a décadas ou séculos?
Como os historiadores e antropólogos do futuro poderão usar esse material para melhor nos entender?
Qual é o valor histórico ou cultural desses milhares de exabytes (1 exabyte = 1.152.921.504.606.846.976 bytes)?
Essas são algumas das questões que os especialistas que conversaram com a Folha tentaram responder.
CONHECIMENTO
EM CONSTRUÇÃO
EM 2011
1.800
exabytes será a quanti- dade de informações acumuladas pela humanidade, estima relatório da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos
Material digital constrói história humana
Vídeos, posts em blogs e tuítes são parte importante da composição da identidade contemporânea, diz historiador
No entanto, quantidade enorme de dados cria um novo problema: exige seleção e edição pelos pesquisadores
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Em 5 de novembro de 2008, pouco depois de confirmada sua vitória nas urnas, o recém-eleito presidente americano Barack Obama postou em seu Twitter (twitter.com/BarackObama): "Nós acabamos de fazer história. Tudo isso aconteceu porque vocês dedicaram seu tempo, talento e paixão. Tudo isso aconteceu por causa de vocês. Obrigado".
Não só o fato virou história, mas as palavras escritas no microblog também.
Isso porque a Biblioteca do Congresso dos EUA (www.loc.gov) firmou um acordo com o Twitter e passou a arquivar todas as mensagens enviadas desde a entrada do serviço no ar, em março de 2006. Além de tuítes, na seção de coleções digitais (tinyurl.com/2knoku) a biblioteca também se dedica a guardar outras informações em forma digital.
Para o historiador Pedro Puntoni, professor da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador da Brasiliana, a biblioteca on-line da instituição, o material digital produzido hoje representa parte importante da construção da cultura e da identidade contemporânea. No entanto, a quantidade enorme de dados cria um novo problema: exige seleção e edição.
"Todo problema arquivístico passa por uma questão física, de descarte. A biblioteca é uma extensão da memória humana. E a memória exige o esquecimento. Se não, é uma patologia não esquecer. Guardar tudo que se escreve no Twitter para quê?", questiona Puntoni.
Rita Amaral, professora de antropologia urbana na USP e pesquisadora de cultura on-line, corrobora a opinião de seu colega. Segundo ela, o conteúdo digital "representa um gigantesco espelho de nossas capacidades e nossa diversidade". Sobre a separação do joio do trigo, a professora afirma que "cabe ao pesquisador saber diferenciar a qualidade da informação que encontra".
FILTRO
Jonatas Dornelles, pesquisador com mestrado e doutorado envolvendo antropologia e internet, concorda. "O pesquisador digital tem tanta informação que, além de ser capaz de analisar, ele tem que ser capaz de filtrar muitas coisas."
Na tentativa de melhor aproveitar o potencial da internet para pesquisas, um novo campo de conhecimento está emergindo, chamado digital humanities (humanidades digitais). "São estudos que aproximam a tecnologia das humanidades. Na Brasiliana, estamos atraindo pesquisadores com esse interesse. É muito legal, junta uma parte do ofício antigo com essa dimensão digital contemporânea", explica Puntoni.
"É um novo material que exige novos instrumentos de pesquisa e interpretação", finaliza. (DIEGO BRAGA NORTE
"Rede é arquivo da humanidade", diz pesquisadora
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Leia a seguir trechos das entrevistas que Rita Amaral e Jonatas Dornelles concederam à Folha. (DBN)
Folha - Fazendo um exercício de prestidigitação, como um pesquisador do futuro poderá utilizar o nosso conteúdo digital produzido hoje?
Jonatas Dornelles - Tudo indica que os pesquisadores do futuro serão ainda mais especialistas e focados em profundidade em áreas restritas do conhecimento. Eles terão em suas mãos uma ferramenta já em um estágio muito avançado de seu desenvolvimento: a informação automática. Há alguns anos uma informação tinha um "tempo de acesso" bem maior que hoje em dia.
Como vocês veem a iniciativa da Biblioteca do Congresso dos EUA de guardar tuítes e sites?
Rita Amaral - Mais importante que as bibliotecas e os museus é que a rede toda é um arquivo da humanidade, que decide isso sem a interferência de grupos econômicos, ideológicos, religiosos. Isso é útil porque favorece a percepção crítica.
Há valor cultural ou histórico nos milhões de blog, tuítes e horas de vídeos caseiros espalhados pela rede?
Amaral - Representa um gigantesco espelho de nossas capacidades, nossa diversidade, nosso ambíguo potencial. É possível fazer bricolagem, aprender tai-chi-chuan, fazer guerra, comédia, arte. Empresas como Google e Microsoft estão investindo pesado na organização desse "caos", considerado uma mina de ouro.
Dornelles - A importância é que quem criou essa mídia foram pessoas comuns. Significa que cada um de nós, em tese, possui hoje o poder de criação de conteúdo, assim como sua vinculação para o resto do mundo. Em um segundo momento ocorrerá a seleção desse conteúdo
Índios registram em vídeo seus rituais e cotidiano
Vincent Carelli/Divulgação
Wevito Piyanko, da aldeia Ashaninka Apiwtxa, no Acre; ONG ensina linguagem audiovisual
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Enquanto boa parte da população brasileira ainda está distante da internet, algumas minorias indígenas não apenas acessam a rede, mas também produzem conteúdo.
A ONG Vídeo nas Aldeias (videonasaldeias.org.br) funciona desde 1987 e ensina aos indígenas técnicas e linguagem audiovisual.
O secretário-executivo da ONG, Vincent Carelli, é documentarista e indianista experiente. Com mais de 20 documentários produzidos, ele diz que antigamente "levar uma ilha de edição para uma aldeia era quase impossível, uma operação de guerra".
Atualmente, com as novas tecnologias, os índios participam de todo o processo. Já há etnias que fazem tudo sozinhas, como os Hunikuis, do Acre. "Essa autonomia proporciona novos olhares. Às vezes, mais interessante que os rituais e as festas são os registros cotidianos. O dia a dia é muito interessante do ponto de vista cinematográfico".
RITUAIS E DIA A DIA
As filmagens são abrigadas no próprio site da entidade e estão separadas por etnias. Xavantes, Nambiquaras, Guaranis-Kaiowás e outras dezenas de etnias mantêm vídeos no YouTube e no portal da ONG.
Os filmes mais interessantes são os feitos pelos próprios índios, com imagens de rituais, festas, danças e outras manifestações culturais.
Os Kuikuros, etnia que vive na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, têm um vídeo chamado Kidene (tinyurl.com/26zxg9j), mostrando a preparação de guerreiros para a luta. Com exceção da edição, feita por um "homem branco", tudo foi produzido pelos próprios índios.
Para a antropóloga especialista em internet Rita Amaral, o baixo custo da produção digital abriu novas oportunidades para os indígenas se expressarem e valorizarem sua cultura.
"É muito bom que eles estejam inseridos nesse contexto falando por si mesmos, mostrando sua autoimagem sem ter que passar pelas peneiras do exotismo ou mesmo da antropologia", afirma Amaral. "Essa independência vem do baixo custo financeiro da presença on-line", conclui a pesquisadora
http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/
Biblioteca digital europeia reúne mil instituições
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Financiada pela Comissão Europeia, a biblioteca digital Europeana (www.europeana.eu) estreou na rede em novembro de 2008.
Hoje seu acervo já abriga mais de 7 milhões de itens, entre livros, mapas, figuras, material de áudio e vídeo. As coleções são provenientes de mais de mil instituições de 26 países europeus.
Somente no biênio 2009-2010, 69 milhões serão investidos em digitalização de acervos e na criação de novas bibliotecas digitais que possam contribuir com a Europeana.
Dá para pesquisar sobre Leonardo da Vinci e obter desde quadros no Louvre até raridades em museus de pequenas cidades italianas e estudos da Eslovênia.
A atual versão da biblioteca, ainda que fabulosa, é um protótipo. A versão 1.0 será lançada ainda em 2010, e promete oferecer mais de 10 milhões de objetos digitais
Como os historiadores e antropólogos do futuro poderão usar esse material para melhor nos entender?
Qual é o valor histórico ou cultural desses milhares de exabytes (1 exabyte = 1.152.921.504.606.846.976 bytes)?
Essas são algumas das questões que os especialistas que conversaram com a Folha tentaram responder.
CONHECIMENTO
EM CONSTRUÇÃO
EM 2011
1.800
exabytes será a quanti- dade de informações acumuladas pela humanidade, estima relatório da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos
Material digital constrói história humana
Vídeos, posts em blogs e tuítes são parte importante da composição da identidade contemporânea, diz historiador
No entanto, quantidade enorme de dados cria um novo problema: exige seleção e edição pelos pesquisadores
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Em 5 de novembro de 2008, pouco depois de confirmada sua vitória nas urnas, o recém-eleito presidente americano Barack Obama postou em seu Twitter (twitter.com/BarackObama): "Nós acabamos de fazer história. Tudo isso aconteceu porque vocês dedicaram seu tempo, talento e paixão. Tudo isso aconteceu por causa de vocês. Obrigado".
Não só o fato virou história, mas as palavras escritas no microblog também.
Isso porque a Biblioteca do Congresso dos EUA (www.loc.gov) firmou um acordo com o Twitter e passou a arquivar todas as mensagens enviadas desde a entrada do serviço no ar, em março de 2006. Além de tuítes, na seção de coleções digitais (tinyurl.com/2knoku) a biblioteca também se dedica a guardar outras informações em forma digital.
Para o historiador Pedro Puntoni, professor da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador da Brasiliana, a biblioteca on-line da instituição, o material digital produzido hoje representa parte importante da construção da cultura e da identidade contemporânea. No entanto, a quantidade enorme de dados cria um novo problema: exige seleção e edição.
"Todo problema arquivístico passa por uma questão física, de descarte. A biblioteca é uma extensão da memória humana. E a memória exige o esquecimento. Se não, é uma patologia não esquecer. Guardar tudo que se escreve no Twitter para quê?", questiona Puntoni.
Rita Amaral, professora de antropologia urbana na USP e pesquisadora de cultura on-line, corrobora a opinião de seu colega. Segundo ela, o conteúdo digital "representa um gigantesco espelho de nossas capacidades e nossa diversidade". Sobre a separação do joio do trigo, a professora afirma que "cabe ao pesquisador saber diferenciar a qualidade da informação que encontra".
FILTRO
Jonatas Dornelles, pesquisador com mestrado e doutorado envolvendo antropologia e internet, concorda. "O pesquisador digital tem tanta informação que, além de ser capaz de analisar, ele tem que ser capaz de filtrar muitas coisas."
Na tentativa de melhor aproveitar o potencial da internet para pesquisas, um novo campo de conhecimento está emergindo, chamado digital humanities (humanidades digitais). "São estudos que aproximam a tecnologia das humanidades. Na Brasiliana, estamos atraindo pesquisadores com esse interesse. É muito legal, junta uma parte do ofício antigo com essa dimensão digital contemporânea", explica Puntoni.
"É um novo material que exige novos instrumentos de pesquisa e interpretação", finaliza. (DIEGO BRAGA NORTE
"Rede é arquivo da humanidade", diz pesquisadora
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Leia a seguir trechos das entrevistas que Rita Amaral e Jonatas Dornelles concederam à Folha. (DBN)
Folha - Fazendo um exercício de prestidigitação, como um pesquisador do futuro poderá utilizar o nosso conteúdo digital produzido hoje?
Jonatas Dornelles - Tudo indica que os pesquisadores do futuro serão ainda mais especialistas e focados em profundidade em áreas restritas do conhecimento. Eles terão em suas mãos uma ferramenta já em um estágio muito avançado de seu desenvolvimento: a informação automática. Há alguns anos uma informação tinha um "tempo de acesso" bem maior que hoje em dia.
Como vocês veem a iniciativa da Biblioteca do Congresso dos EUA de guardar tuítes e sites?
Rita Amaral - Mais importante que as bibliotecas e os museus é que a rede toda é um arquivo da humanidade, que decide isso sem a interferência de grupos econômicos, ideológicos, religiosos. Isso é útil porque favorece a percepção crítica.
Há valor cultural ou histórico nos milhões de blog, tuítes e horas de vídeos caseiros espalhados pela rede?
Amaral - Representa um gigantesco espelho de nossas capacidades, nossa diversidade, nosso ambíguo potencial. É possível fazer bricolagem, aprender tai-chi-chuan, fazer guerra, comédia, arte. Empresas como Google e Microsoft estão investindo pesado na organização desse "caos", considerado uma mina de ouro.
Dornelles - A importância é que quem criou essa mídia foram pessoas comuns. Significa que cada um de nós, em tese, possui hoje o poder de criação de conteúdo, assim como sua vinculação para o resto do mundo. Em um segundo momento ocorrerá a seleção desse conteúdo
Índios registram em vídeo seus rituais e cotidiano
Vincent Carelli/Divulgação
Wevito Piyanko, da aldeia Ashaninka Apiwtxa, no Acre; ONG ensina linguagem audiovisual
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Enquanto boa parte da população brasileira ainda está distante da internet, algumas minorias indígenas não apenas acessam a rede, mas também produzem conteúdo.
A ONG Vídeo nas Aldeias (videonasaldeias.org.br) funciona desde 1987 e ensina aos indígenas técnicas e linguagem audiovisual.
O secretário-executivo da ONG, Vincent Carelli, é documentarista e indianista experiente. Com mais de 20 documentários produzidos, ele diz que antigamente "levar uma ilha de edição para uma aldeia era quase impossível, uma operação de guerra".
Atualmente, com as novas tecnologias, os índios participam de todo o processo. Já há etnias que fazem tudo sozinhas, como os Hunikuis, do Acre. "Essa autonomia proporciona novos olhares. Às vezes, mais interessante que os rituais e as festas são os registros cotidianos. O dia a dia é muito interessante do ponto de vista cinematográfico".
RITUAIS E DIA A DIA
As filmagens são abrigadas no próprio site da entidade e estão separadas por etnias. Xavantes, Nambiquaras, Guaranis-Kaiowás e outras dezenas de etnias mantêm vídeos no YouTube e no portal da ONG.
Os filmes mais interessantes são os feitos pelos próprios índios, com imagens de rituais, festas, danças e outras manifestações culturais.
Os Kuikuros, etnia que vive na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, têm um vídeo chamado Kidene (tinyurl.com/26zxg9j), mostrando a preparação de guerreiros para a luta. Com exceção da edição, feita por um "homem branco", tudo foi produzido pelos próprios índios.
Para a antropóloga especialista em internet Rita Amaral, o baixo custo da produção digital abriu novas oportunidades para os indígenas se expressarem e valorizarem sua cultura.
"É muito bom que eles estejam inseridos nesse contexto falando por si mesmos, mostrando sua autoimagem sem ter que passar pelas peneiras do exotismo ou mesmo da antropologia", afirma Amaral. "Essa independência vem do baixo custo financeiro da presença on-line", conclui a pesquisadora
http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/
Biblioteca digital europeia reúne mil instituições
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Financiada pela Comissão Europeia, a biblioteca digital Europeana (www.europeana.eu) estreou na rede em novembro de 2008.
Hoje seu acervo já abriga mais de 7 milhões de itens, entre livros, mapas, figuras, material de áudio e vídeo. As coleções são provenientes de mais de mil instituições de 26 países europeus.
Somente no biênio 2009-2010, 69 milhões serão investidos em digitalização de acervos e na criação de novas bibliotecas digitais que possam contribuir com a Europeana.
Dá para pesquisar sobre Leonardo da Vinci e obter desde quadros no Louvre até raridades em museus de pequenas cidades italianas e estudos da Eslovênia.
A atual versão da biblioteca, ainda que fabulosa, é um protótipo. A versão 1.0 será lançada ainda em 2010, e promete oferecer mais de 10 milhões de objetos digitais
Roberto Benigni apareceu ao mundo na cela de "Daunbailó"
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA
Uma das vantagens de "Daunbailó" (TC Cult, 1h30, 12 anos) foi revelar ao mundo Roberto Benigni, um dos três presidiários que habitam esta comédia de Jim Jarmush.
Isso foi em 1986, era o segundo filme do diretor americano e seu estilo de poucos planos e movimentos repetidos era assimilado como um audacioso minimalismo.
Talvez não fosse. Talvez o repertório de Jim fosse mesmo um tanto mínimo. Porém ele trazia, junto com outros jovens diretores americanos, a saudável ideia de um olhar novo e pouco conformista.
Aqui o humor vem do inglês um tanto tumultuado do prisioneiro italiano (Benigni) e dos descaminhos que levaram seus dois companheiros de cela à dita cuja. Vem, sobretudo, do sentimento de que o cinema existe para discutir as aparências do mundo. Daí sua vivacidade.
CRÍTICO DA FOLHA
Uma das vantagens de "Daunbailó" (TC Cult, 1h30, 12 anos) foi revelar ao mundo Roberto Benigni, um dos três presidiários que habitam esta comédia de Jim Jarmush.
Isso foi em 1986, era o segundo filme do diretor americano e seu estilo de poucos planos e movimentos repetidos era assimilado como um audacioso minimalismo.
Talvez não fosse. Talvez o repertório de Jim fosse mesmo um tanto mínimo. Porém ele trazia, junto com outros jovens diretores americanos, a saudável ideia de um olhar novo e pouco conformista.
Aqui o humor vem do inglês um tanto tumultuado do prisioneiro italiano (Benigni) e dos descaminhos que levaram seus dois companheiros de cela à dita cuja. Vem, sobretudo, do sentimento de que o cinema existe para discutir as aparências do mundo. Daí sua vivacidade.
Google fecha acordo com Associated Press
A empresa de tecnologia conseguiu prorrogar o contrato de licenciamento que lhe permite publicar na internet o conteúdo produzido pela agência de notícias. Nem os valores nem a duração do acordo foram divulgados. A AP reclamava dos valores pagos pelo Google no acerto anterior.
Dilma Rousseff defende a redução de impostos sobre o setor produtivo
Candidata do PT quer estimular as empresas e diz que é possível aumentar a arrecadação mesmo sem criar novos impostos
Em Brasília, a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, se reuniu com empresários e falou em redução de imposto sobre investimento. Na pauta também estava a preocupação em formar e qualificar a mão de obra no Brasil. Ela defendeu a integração do ensino técnico ao ensino médio.
Dilma Rousseff falou também sobre o estímulo às empresas. Disse que pretente aumentar a arrecadação, mesmo com redução de impostos. A candidata defende que setores que geram investimentos devem ter a carga tributária reduzida.
"A arrecadação pode aumentar sem aumentar nenhuma aliquota porque quando você tem mais lucro e ganha maior renda, há uma ampliação da base de arrecadação sem ampliar imposto. Eu acho que não só pode como tem de reduzir imposto sobre investimento", diz a candidata do PT à presidência.
Candidata do PT quer estimular as empresas e diz que é possível aumentar a arrecadação mesmo sem criar novos impostos
Em Brasília, a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, se reuniu com empresários e falou em redução de imposto sobre investimento. Na pauta também estava a preocupação em formar e qualificar a mão de obra no Brasil. Ela defendeu a integração do ensino técnico ao ensino médio.
Dilma Rousseff falou também sobre o estímulo às empresas. Disse que pretente aumentar a arrecadação, mesmo com redução de impostos. A candidata defende que setores que geram investimentos devem ter a carga tributária reduzida.
"A arrecadação pode aumentar sem aumentar nenhuma aliquota porque quando você tem mais lucro e ganha maior renda, há uma ampliação da base de arrecadação sem ampliar imposto. Eu acho que não só pode como tem de reduzir imposto sobre investimento", diz a candidata do PT à presidência.
'Farc não é um problema do Brasil', diz Dilma Rousseff
Em Brasília, candidata do PT foi recebida pelo presidente da Colômbia.
Juan Manuel Santos discutiu com Dilma sobre policiamento da fronteira
candidata do PT, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (1) que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não são “problema do Brasil”. Ela foi recebida nesta manhã pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Em sua primeira visita ao Brasil, Santos deve se reunir também com os candidatos José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) nesta quinta-feira (2).
Dilma afirmou que o Brasil só deve participar de algum diálogo com as Farc se isso for pedido pelo governo da Colômbia. “Não temos porque participar, a não ser a pedido da Colômbia, de qualquer atividade de pacificação ou diálogo com as Farc. Se a Colômbia alguma vez solicitar a presença do Brasil, nós vamos participar, caso não solicite não temos porque participar porque as Farc não é um problema do Brasil”.
Questionada sobre as acusações feitas durante a campanha eleitoral de envolvimento do PT com as Farc, Dilma afirmou que isso não foi tratado na reunião com o presidente da Colômbia. “Essa questão das Farc é muito mais uma questão do meu adversário do que da Colômbia”.
Segundo a candidata, o único tema relativo ao assunto discutido com Santos foi a estratégia para policiamento da fronteira. A petista reafirmou sua proposta de comprar 10 Veículos Aéres Não Tripulados (VANTs) para ajudar no policiamento da fronteira brasileira. Ela destacou ainda ter ouvido de Santos que já há um acordo com o Brasil que prevê uma ação conjunta dos dois países no combate ao crime na fronteira entre eles.
A candidata afirmou que a maior parte da conversa com o presidente da Colômbia se deu em torno de temas como a inclusão social, agricultura familiar e biotecnologia. Segundo Dilma, Santos teria aberto a conversa afirmando que a próxima década, que se inicia no próximo ano, será “a década da América Latina” e que os países da região precisam aproveitar as oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
A entrevista foi encerrada pela assessoria de Dilma antes que a candidata respondesse a questões sobre a violação de dados sigilosos da Receita Federal. Nessa terça-feira (31/08), foi divulgado um acesso a uma declaração de renda de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB. A Receita diz que o acesso foi feito a pedido de Verônica, mas Serra nega que sua filha tenha pedido para acessar os dados.
Segundo a assessoria de Dilma, os jornalistas colombianos pediram para encerrar a entrevista porque têm de acompanhar a agenda de Santos em Brasília. O presidente colombiano deixou a Embaixada do país para se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Juan Manuel Santos discutiu com Dilma sobre policiamento da fronteira
candidata do PT, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (1) que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não são “problema do Brasil”. Ela foi recebida nesta manhã pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Em sua primeira visita ao Brasil, Santos deve se reunir também com os candidatos José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) nesta quinta-feira (2).
Dilma afirmou que o Brasil só deve participar de algum diálogo com as Farc se isso for pedido pelo governo da Colômbia. “Não temos porque participar, a não ser a pedido da Colômbia, de qualquer atividade de pacificação ou diálogo com as Farc. Se a Colômbia alguma vez solicitar a presença do Brasil, nós vamos participar, caso não solicite não temos porque participar porque as Farc não é um problema do Brasil”.
Questionada sobre as acusações feitas durante a campanha eleitoral de envolvimento do PT com as Farc, Dilma afirmou que isso não foi tratado na reunião com o presidente da Colômbia. “Essa questão das Farc é muito mais uma questão do meu adversário do que da Colômbia”.
Segundo a candidata, o único tema relativo ao assunto discutido com Santos foi a estratégia para policiamento da fronteira. A petista reafirmou sua proposta de comprar 10 Veículos Aéres Não Tripulados (VANTs) para ajudar no policiamento da fronteira brasileira. Ela destacou ainda ter ouvido de Santos que já há um acordo com o Brasil que prevê uma ação conjunta dos dois países no combate ao crime na fronteira entre eles.
A candidata afirmou que a maior parte da conversa com o presidente da Colômbia se deu em torno de temas como a inclusão social, agricultura familiar e biotecnologia. Segundo Dilma, Santos teria aberto a conversa afirmando que a próxima década, que se inicia no próximo ano, será “a década da América Latina” e que os países da região precisam aproveitar as oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
A entrevista foi encerrada pela assessoria de Dilma antes que a candidata respondesse a questões sobre a violação de dados sigilosos da Receita Federal. Nessa terça-feira (31/08), foi divulgado um acesso a uma declaração de renda de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB. A Receita diz que o acesso foi feito a pedido de Verônica, mas Serra nega que sua filha tenha pedido para acessar os dados.
Segundo a assessoria de Dilma, os jornalistas colombianos pediram para encerrar a entrevista porque têm de acompanhar a agenda de Santos em Brasília. O presidente colombiano deixou a Embaixada do país para se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Acessados aloprados
O "Jornal Nacional" havia terminado e ainda corria o horário eleitoral para presidente quando apareceu na manchete on-line do "Estado de S. Paulo", "Sigilo fiscal de filha de Serra foi violado, diz Receita", e em seguida na Folha.com, "Filha de Serra teve os dados fiscais acessados na Receita". Ricardo Noblat tuitou, "Violaram sigilo da filha de Serra, Mônica", e depois, "Correção: a filha se chama Verônica". Duas horas depois, apareceu na home page do G1, da Globo, "Receita diz que filha de Serra pediu acesso a dados fiscais". Abrindo a reportagem, "a assessoria da Receita informou oficialmente na noite desta terça que o acesso aos dados fiscais sigilosos da empresária Verônica Serra, filha de José Serra, foi motivado e feito a pedido da própria contribuinte".
Receita diz que filha de Serra pediu acesso a dados fiscais
Site de 'O Estado de S. Paulo' informou que houve violação do sigilo fiscal.
Segundo assessoria da Receita, documentos comprovam operação legal
A assessoria da Receita Federal informou oficialmente na noite desta terça-feira (31) que o acesso aos dados fiscais sigilosos da empresária Verônica Serra, filha do candidato à Presidência José Serra, foi motivado e feito a pedido da própria contribuinte.
Na noite desta terça, o site do jornal "O Estado de S. Paulo" informou que o sigilo fiscal de Verônica Serra tinha sido violado, a exemplo do que aconteceu com o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge, e outras três pessoas ligadas ao partido.
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, disse, após tomar conhecimento da informação da assessoria da Receita, que quer aguardar antes de fazer uma manifestação definitiva. Mas afirmou que, para ele, "a palavra da Receita, por ora, vale pouca coisa". "Para mim, não é definitivo. Vamos aguardar o esclarecimento dos fatos", declarou.
A assessoria de Serra negou que a filha do candidato tenha solicitado a quebra do sigilo à Receita. "Já viu alguém pedir para alguém quebrar o sigilo? Não tem o menor sentido", declarou um assessor que acompanhava o tucano na noite desta terça.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) informou que, nesta terça, apresentou um requerimento para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao qual a Receita é subordinada, seja convocado a depor no Senado. Segundo Dias, o requerimento será votado nesta quarta (01).
Segundo a Receita, os dados fiscais da filha de Serra foram acessados pela analista tributária Lúcia de Fátima Gonçalvez Milan, lotada na agência da receita em Santo André (SP).
“O acesso às informações foi feito a pedido da própria contribuinte Verônica Serra”, afirmou a assessoria de imprensa da Receita Federal, em Brasília.
Segundo a Receita, há documentos que provam que o acesso feito pela servidora nos dados sigilosos da filha do tucano foi feito “por necessidade de trabalho, de forma legalizada”.
Antes de dar detalhes sobre o nome do contribuinte que solicitou o acesso, a receita já havia informado que Lúcia de Fátima teve motivos profissionais para acessar os dados sigilosos. A corregedoria informou que a funcionária não teve responsabilidade sobre os vazamentos das informações sigilosas.
Na última sexta, o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, disse que não havia motivação eleitoral no vazamento de dados fiscais sigilosos de integrantes do PSDB, que levou a uma investigação conduzida pela corregedoria do órgão. Ele atribuiu o fato à existência de um suposto “balcão de compra e venda de informação” no órgão.
Receita vê falsificação e envia para MP documento sobre filha de Serra
'Aconteceu a falsificação de documento público federal´, afirmou secretário.
Otacílio Cartaxo afirmou que papéis foram enviados para Ministério Público.
Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília
imprimir O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, afirmou nesta quarta-feira (1) que, diante do não reconhecimento por Veronica Serra da assinatura do documento entregue para obter suas declarações de renda e da afirmação do cartório de que não houve reconhecimento da firma no local, o caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal.
Em comunicado lido nesta tarde, Cartaxo afirma que, diante destes fatos, "aconteceu a falsificação de documento público federal". De acordo com o tabelião do cartório, houve fraude. Segundo um escrevente, não há no cartório cartão de assinatura de Veronica Serra.
"A mídia já noticia que a senhora Veronica Serra não confirma a assinatura e também o cartório não confirma o reconhecimento da firma da contirbuinte. Em face disso, hoje, às 14 horas, foi entregue ao Ministério Público Federal o documento original, porque diante desses fatos aconteceu a falsificação de documento público federal e cabe à Polícia Federal a apuração do fato realizando perícia grafotécnica e investigando todos os demais aspectos da matéria".
Segundo Cartaxo, no dia 30 de setembro do ano passado houve o atendimento na agência de Santo André do pedido de acesso às declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra dos anos de 2007 a 2009.
De acordo com o secretário, na ocasião, foi apresentado por Antonio Carlos Atella Ferreira um requerimento padrão de pedido e havia a firma reconhecida de Veronica "sem sinal de fraude ou adulteração". Cartaxo afirmou que, como não havia sinais de fraude, era obrigação do servidor acatar a solicitação.
Segundo Cartaxo, as declarações de imposto de renda de Veronica Serra foram entregues no mesmo dia para Ferreira.
O secretário da Receita Federal não quis responder a perguntas sobre o caso. Cartaxo leu o comunicado em seguida e deixou o auditório do prédio da Receita, em Brasília
Receita diz que filha de Serra pediu acesso a dados fiscais
Site de 'O Estado de S. Paulo' informou que houve violação do sigilo fiscal.
Segundo assessoria da Receita, documentos comprovam operação legal
A assessoria da Receita Federal informou oficialmente na noite desta terça-feira (31) que o acesso aos dados fiscais sigilosos da empresária Verônica Serra, filha do candidato à Presidência José Serra, foi motivado e feito a pedido da própria contribuinte.
Na noite desta terça, o site do jornal "O Estado de S. Paulo" informou que o sigilo fiscal de Verônica Serra tinha sido violado, a exemplo do que aconteceu com o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge, e outras três pessoas ligadas ao partido.
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, disse, após tomar conhecimento da informação da assessoria da Receita, que quer aguardar antes de fazer uma manifestação definitiva. Mas afirmou que, para ele, "a palavra da Receita, por ora, vale pouca coisa". "Para mim, não é definitivo. Vamos aguardar o esclarecimento dos fatos", declarou.
A assessoria de Serra negou que a filha do candidato tenha solicitado a quebra do sigilo à Receita. "Já viu alguém pedir para alguém quebrar o sigilo? Não tem o menor sentido", declarou um assessor que acompanhava o tucano na noite desta terça.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) informou que, nesta terça, apresentou um requerimento para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao qual a Receita é subordinada, seja convocado a depor no Senado. Segundo Dias, o requerimento será votado nesta quarta (01).
Segundo a Receita, os dados fiscais da filha de Serra foram acessados pela analista tributária Lúcia de Fátima Gonçalvez Milan, lotada na agência da receita em Santo André (SP).
“O acesso às informações foi feito a pedido da própria contribuinte Verônica Serra”, afirmou a assessoria de imprensa da Receita Federal, em Brasília.
Segundo a Receita, há documentos que provam que o acesso feito pela servidora nos dados sigilosos da filha do tucano foi feito “por necessidade de trabalho, de forma legalizada”.
Antes de dar detalhes sobre o nome do contribuinte que solicitou o acesso, a receita já havia informado que Lúcia de Fátima teve motivos profissionais para acessar os dados sigilosos. A corregedoria informou que a funcionária não teve responsabilidade sobre os vazamentos das informações sigilosas.
Na última sexta, o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, disse que não havia motivação eleitoral no vazamento de dados fiscais sigilosos de integrantes do PSDB, que levou a uma investigação conduzida pela corregedoria do órgão. Ele atribuiu o fato à existência de um suposto “balcão de compra e venda de informação” no órgão.
Receita vê falsificação e envia para MP documento sobre filha de Serra
'Aconteceu a falsificação de documento público federal´, afirmou secretário.
Otacílio Cartaxo afirmou que papéis foram enviados para Ministério Público.
Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília
imprimir O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, afirmou nesta quarta-feira (1) que, diante do não reconhecimento por Veronica Serra da assinatura do documento entregue para obter suas declarações de renda e da afirmação do cartório de que não houve reconhecimento da firma no local, o caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal.
Em comunicado lido nesta tarde, Cartaxo afirma que, diante destes fatos, "aconteceu a falsificação de documento público federal". De acordo com o tabelião do cartório, houve fraude. Segundo um escrevente, não há no cartório cartão de assinatura de Veronica Serra.
"A mídia já noticia que a senhora Veronica Serra não confirma a assinatura e também o cartório não confirma o reconhecimento da firma da contirbuinte. Em face disso, hoje, às 14 horas, foi entregue ao Ministério Público Federal o documento original, porque diante desses fatos aconteceu a falsificação de documento público federal e cabe à Polícia Federal a apuração do fato realizando perícia grafotécnica e investigando todos os demais aspectos da matéria".
Segundo Cartaxo, no dia 30 de setembro do ano passado houve o atendimento na agência de Santo André do pedido de acesso às declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra dos anos de 2007 a 2009.
De acordo com o secretário, na ocasião, foi apresentado por Antonio Carlos Atella Ferreira um requerimento padrão de pedido e havia a firma reconhecida de Veronica "sem sinal de fraude ou adulteração". Cartaxo afirmou que, como não havia sinais de fraude, era obrigação do servidor acatar a solicitação.
Segundo Cartaxo, as declarações de imposto de renda de Veronica Serra foram entregues no mesmo dia para Ferreira.
O secretário da Receita Federal não quis responder a perguntas sobre o caso. Cartaxo leu o comunicado em seguida e deixou o auditório do prédio da Receita, em Brasília
ESTILO PIG: FILHA DE SERRA PEDE DADOS E OS DEMOTUCANOS CRIAM FALSO DOSSIÊ.PARECE ÓBVIO , NÃO?
Servidora diz que acessou dados a pedido de Verônica
DE BRASÍLIA
A Folha conversou na noite de ontem com a servidora da Receita Lucia de Fátima Gonçalves Milan. No primeiro momento, Lucia respondeu que a reportagem poderia "conversar com a sua advogada quando ela tivesse informações sobre o caso". Depois, ligou de volta e disse que acessou os dados de "Verônica Serra", mas que o fez porque havia um pedido da própria Verônica.
Folha - A sra. acessou de dados sigilosos?
Lucia Milan - Antes de você sair publicando o meu nome, é bom que saiba que eu fiz sim. Mas fiz por que me pediram e tenho um documento autenticado em cartório que comprova isso. Tem até o nome da pessoa que está pedindo a cópia da declaração.
Qual é o nome?
É Verônica, filha de Serra. Houve uma solicitação de cópia e ela assinou o documento. Ela pediu a declaração dela mesmo. Isso a gente guarda cinco anos. Se uma pessoa pede a declaração a Receita tem obrigação de dar.
Verônica entrou em contato com a sra.?
Não. Ela mandou outra pessoa, que avisou outra. Mas tem a autorização dela no formulário. Inclusive, antes de vir em cima de mim, você deveria perguntar a ela por que ela pediu essa cópia. Eu tenho esse documento que já está com o corregedor. Inclusive, quando se pede isso, tem de pagar R$ 10Filha de Serra teve dados fiscais acessados na Receita
Servidora de Mauá confirma que consultou declaração de IR de Verônica
Fazenda nega violação e diz que procuração com assinatura de Verônica autorizava servidora a acessar dados sigilosos
LEONARDO SOUZA
MATHEUS LEITÃO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A filha do candidato a presidente José Serra (PSDB), a empresária Verônica, teve seus dados fiscais acessados na Receita da região do ABC paulista onde outras quatro pessoas ligadas ao tucano tiveram seus sigilos violados.
A informação foi confirmada à Folha pela própria servidora que realizou o acesso, a analista tributária Lúcia de Fátima Milan. Lúcia disse que acessou a declaração de renda a pedido da própria Verônica e que registrou a solicitação em cartório.
Procurada, Verônica disse que não vai se manifestar. A assessoria do PSDB informou, porém, que não houve autorização para o acesso.
Lúcia foi incluída na segunda-feira como a mais nova investigada pela corregedoria do fisco por supostamente participar de um esquema ilegal de quebra de dados fiscais na agência do órgão em Mauá (SP).
A investigação foi aberta para apurar a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, revelada pela Folha em junho.
Os documentos de EJ, como o tucano é conhecido, integraram um dossiê feito por um "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT). Esse mesmo grupo também reuniu material sobre operações fiscais atribuídas a Verônica.
Pela assessoria, o Ministério da Fazenda disse que não houve quebra de sigilo e que a corregedoria tem em mãos procuração supostamente com a assinatura de Verônica autorizando o acesso.
Ainda segundo a Fazenda, se houve algum tipo de fraude no documento, o fato deve ser apurado pela polícia.
Em Mauá, também foram violados os dados do ex-ministro no governo FHC Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e de Gregório Marin Preciado, parente indireto de Serra.
Os acessos aos dados de EJ e dos outros três ocorreram todos no dia 8 de outubro de 2009, de forma sequencial. Segundo a Folha apurou, a consulta aos dados de Verônica foi dia 30 de setembro.
Além da servidora Lúcia, a corregedoria da Receita incluiu também mais uma funcionária na lista de suspeitos -Ana Maria Caroto Cano. A reportagem não conseguiu falar com a servidora até a conclusão desta edição.
A inclusão do nome de Lúcia obriga a corregedoria a ampliar as investigações. Seu computador não estava entre os periciados. Ana Maria já aparecia nas investigações, mas como testemunha.
As duas principais suspeitas da corregedoria, contudo, continuam a ser a analista Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva e a servidora do Serpro cedida à agência de Mauá Adeildda Ferreira Leão dos Santos.
A violação do sigilo de EJ e dos outros três ocorreu no computador de Adeildda, mas com a senha de Antônia.
A corregedoria suspeita de um esquema de venda de dados sigilos de contribuintes diversos em Mauá, mas, em representação encaminhada para Ministério Público Federal, não menciona "propina" ou "balcão de negócios".
Na sexta passada, o corregedor-geral da Receita, Antônio D"Ávila, usou esses termos para afastar a conotação política da investigação
Nem rima nem solução
RUDÁ RICCI
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A repetência e as aulas de reforço incorrem no mesmo erro: acreditam que, pela repetição, o aluno passa a se condicionar à resposta certa
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O tema da promoção automática de alunos surge, mais uma vez, no debate entre candidatos ao governo de São Paulo. E se confunde com um conceito distinto, o de progressão continuada. A confusão, generalizada, envolve pais e até mesmo professores, e opõe os dois conceitos ao de repetência.
A repetência nasceu de uma concepção taylorista educacional, que se forjou na última década do século 19 nos EUA, formulada por Joseph Mayer Rice.
Rice vinculou os objetivos da educação à formação para a indústria e definiu um ranking de conteúdos, tendo a matemática e a física como as principais, seguidas por biologia, química e comportamento social. Quem não atingisse um patamar ideal deveria repetir tudo o que estudou no ano anterior.
O problema é que esta concepção tem muito de administração do trabalho, mas muito pouco de educação. Os seres humanos não saltam de patamar cognitivo a cada mês ou ano. O "calendário humano" é outro. Foi estudado por Jean Piaget e Henri Wallon, para citar alguns.
A repetência é um elemento do sistema de verificação do modelo taylorista de educação. Explico: a seriação define um patamar ideal que o aluno deve atingir, a partir do qual é criado um ranking de classificação. Aqueles que não atingem um determinado índice desse ranking devem repetir.
A repetência e as aulas de reforço incorrem no mesmo erro: acreditam que, pela repetição, o aluno passa a se condicionar à resposta certa. Contudo, num mundo em que uma novidade tecnológica ocorre a cada seis meses por segmento produtivo, essa crença na memorização como carro-chefe do processo educacional cai por terra.
Repetir um aluno, portanto, é anacrônico e um equívoco educacional. A promoção automática também comete o mesmo erro. Interessante que o primeiro artigo sobre sistema de ciclos escrito por um brasileiro foi publicado na década de 1950, no Rio Grande do Sul, tendo como título "Promoção automática ou progressão continuada?".
Mais de meio século depois, continuamos não compreendendo a diferença entre as duas propostas.
São Paulo apresenta ainda mais dificuldade, porque, em 1921, Oscar Thompson, diretor geral do ensino do Estado, propôs a promoção em massa. Sampaio Dória também sugeriu algo semelhante.
Em 1956, durante a Conferência Regional Latino-Americana sobre Educação Primária Gratuita e Obrigatória, promovida pela Unesco, foi amplamente discutido um estudo sobre reprovações e sugerido como solução a promoção automática. Contudo, o sistema de ciclos não propõe a promoção automática, mas a adoção de enturmações múltiplas para alunos que apresentarem dificuldades específicas.
Digamos que, uma vez por semana, as escolas se dediquem a essas enturmações diferentes. Naquilo em que está bem, o aluno é promovido. No que apresenta dificuldades, continua em turma intermediária. Não se trata de repetência.
O problema que envolve esse tema é que, mais uma vez, o Brasil tenta criar atalhos na educação. E não percebe que, por aí, banalizamos o caminho do desenvolvimento sustentável.
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RUDÁ RICCI, 47, doutor em ciências sociais, é consultor educacional do SindUTE-MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) e do Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo).
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A repetência e as aulas de reforço incorrem no mesmo erro: acreditam que, pela repetição, o aluno passa a se condicionar à resposta certa
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O tema da promoção automática de alunos surge, mais uma vez, no debate entre candidatos ao governo de São Paulo. E se confunde com um conceito distinto, o de progressão continuada. A confusão, generalizada, envolve pais e até mesmo professores, e opõe os dois conceitos ao de repetência.
A repetência nasceu de uma concepção taylorista educacional, que se forjou na última década do século 19 nos EUA, formulada por Joseph Mayer Rice.
Rice vinculou os objetivos da educação à formação para a indústria e definiu um ranking de conteúdos, tendo a matemática e a física como as principais, seguidas por biologia, química e comportamento social. Quem não atingisse um patamar ideal deveria repetir tudo o que estudou no ano anterior.
O problema é que esta concepção tem muito de administração do trabalho, mas muito pouco de educação. Os seres humanos não saltam de patamar cognitivo a cada mês ou ano. O "calendário humano" é outro. Foi estudado por Jean Piaget e Henri Wallon, para citar alguns.
A repetência é um elemento do sistema de verificação do modelo taylorista de educação. Explico: a seriação define um patamar ideal que o aluno deve atingir, a partir do qual é criado um ranking de classificação. Aqueles que não atingem um determinado índice desse ranking devem repetir.
A repetência e as aulas de reforço incorrem no mesmo erro: acreditam que, pela repetição, o aluno passa a se condicionar à resposta certa. Contudo, num mundo em que uma novidade tecnológica ocorre a cada seis meses por segmento produtivo, essa crença na memorização como carro-chefe do processo educacional cai por terra.
Repetir um aluno, portanto, é anacrônico e um equívoco educacional. A promoção automática também comete o mesmo erro. Interessante que o primeiro artigo sobre sistema de ciclos escrito por um brasileiro foi publicado na década de 1950, no Rio Grande do Sul, tendo como título "Promoção automática ou progressão continuada?".
Mais de meio século depois, continuamos não compreendendo a diferença entre as duas propostas.
São Paulo apresenta ainda mais dificuldade, porque, em 1921, Oscar Thompson, diretor geral do ensino do Estado, propôs a promoção em massa. Sampaio Dória também sugeriu algo semelhante.
Em 1956, durante a Conferência Regional Latino-Americana sobre Educação Primária Gratuita e Obrigatória, promovida pela Unesco, foi amplamente discutido um estudo sobre reprovações e sugerido como solução a promoção automática. Contudo, o sistema de ciclos não propõe a promoção automática, mas a adoção de enturmações múltiplas para alunos que apresentarem dificuldades específicas.
Digamos que, uma vez por semana, as escolas se dediquem a essas enturmações diferentes. Naquilo em que está bem, o aluno é promovido. No que apresenta dificuldades, continua em turma intermediária. Não se trata de repetência.
O problema que envolve esse tema é que, mais uma vez, o Brasil tenta criar atalhos na educação. E não percebe que, por aí, banalizamos o caminho do desenvolvimento sustentável.
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RUDÁ RICCI, 47, doutor em ciências sociais, é consultor educacional do SindUTE-MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) e do Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo).
RUY CASTRO Velha magia
RIO DE JANEIRO - Ex-funcionários e leitores do "Jornal do Brasil" encontraram-se ontem na Cinelândia para lamentar o fim da versão impressa do jornal, que circulou pela última vez depois de 119 anos. Por motivo de viagem, não compareci. Melhor assim. Quando o "Correio da Manhã" se despediu, em junho de 1974, eu estava também a alguns milhares de quilômetros.
O "JB" se junta agora ao "Correio" e aos outros jornais do Rio que contaram a história do Brasil em boa parte do século 20, mas que há muito desapareceram das bancas: "Diário de Notícias", "O Jornal", "Diário da Noite", "A Noite", "Diário Carioca", "A Luta Democrática", "A Notícia", "Gazeta de Notícias", "O Radical", "Última Hora" e "Tribuna da Imprensa". Quase todos fecharam nos anos 60. Daquela geração restam apenas "O Globo", "O Dia", o "Jornal dos Sports" e o "Jornal do Commercio".
O problema não é só do Rio, mas do mercado em geral. Concretamente, 90% dos jornais que circulavam em Nova York, Paris ou São Paulo até meados daquela década também deixaram de existir, e muito antes que alguém sonhasse com a internet. Mas, em vez de invocar uma suposta doença crônica, a pergunta deveria ser: por que, diante da mesma crise, outros jornais sobreviveram?
Algumas respostas seriam: seus administradores acertaram mais do que erraram, tiveram capacidade de renovação e foram criativos diante da concorrência, inclusive a das outras mídias. O "Jornal do Brasil" tem sido algoz e vítima de si mesmo há pelo menos 30 anos.
A edição de ontem minimizou o fato de ter sido a última em papel. Preferiu enfatizar que a de hoje será a sua primeira 100% digital e que, em 25 anos, todos os outros jornais o terão acompanhado. Pode ser. Mas algo da velha magia de ler jornal vai se quebrar. Teremos de levar o laptop para a mesa do café da manhã e, pior, para o banheiro?
O "JB" se junta agora ao "Correio" e aos outros jornais do Rio que contaram a história do Brasil em boa parte do século 20, mas que há muito desapareceram das bancas: "Diário de Notícias", "O Jornal", "Diário da Noite", "A Noite", "Diário Carioca", "A Luta Democrática", "A Notícia", "Gazeta de Notícias", "O Radical", "Última Hora" e "Tribuna da Imprensa". Quase todos fecharam nos anos 60. Daquela geração restam apenas "O Globo", "O Dia", o "Jornal dos Sports" e o "Jornal do Commercio".
O problema não é só do Rio, mas do mercado em geral. Concretamente, 90% dos jornais que circulavam em Nova York, Paris ou São Paulo até meados daquela década também deixaram de existir, e muito antes que alguém sonhasse com a internet. Mas, em vez de invocar uma suposta doença crônica, a pergunta deveria ser: por que, diante da mesma crise, outros jornais sobreviveram?
Algumas respostas seriam: seus administradores acertaram mais do que erraram, tiveram capacidade de renovação e foram criativos diante da concorrência, inclusive a das outras mídias. O "Jornal do Brasil" tem sido algoz e vítima de si mesmo há pelo menos 30 anos.
A edição de ontem minimizou o fato de ter sido a última em papel. Preferiu enfatizar que a de hoje será a sua primeira 100% digital e que, em 25 anos, todos os outros jornais o terão acompanhado. Pode ser. Mas algo da velha magia de ler jornal vai se quebrar. Teremos de levar o laptop para a mesa do café da manhã e, pior, para o banheiro?
Capitalismo à brasileira
FERNANDO RODRIGUES
BRASÍLIA - Empresário sem ideologia há no planeta inteiro. Em períodos eleitorais, fica bem com todos no establishment. Nos EUA, em 2008, essa gente doou para o democrata Barack Obama e para o republicano John McCain.
Mas há limites em sociedades mais sofisticadas. Muitos escolhem ter um lado. Steve Jobs, da Apple, doou US$ 229 mil desde 1982 a políticos e a partidos. Desse total, destinou só US$ 1.000 a um candidato republicano ao Senado. Suas doações são quase exclusivamente para democratas. A Apple, como se sabe, atravessou muito bem os anos da dinastia Bush. Já Bill Gates, da Microsoft, pulveriza recursos meio a meio entre democratas e republicanos -compreensível.
No Brasil, é raro um grande empresário revelar em público sua intenção de doar só a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB). Nesta semana, o maior homem de negócios do país, Eike Batista, declarou ter dado dinheiro à petista e ao tucano, de maneira indistinta. Por quê? "Em prol da democracia", respondeu. Em seguida, no programa "Roda Viva", da TV Cultura, deu mais clareza ao seu ato: "Não vão atrasar os meus projetos nos vários Estados por causa de política".
Democracia e negócios não devem ser nem são excludentes. Mas Eike Batista, banqueiros e empreiteiros fazem pouco "em prol da democracia". O dinheiro sai de seus bolsos por uma razão utilitária. O recurso não é oferecido a um candidato porque sua proposta na área da educação é considerada ótima.
Grandes empresários -com as exceções de praxe- costumam reclamar da má qualidade dos políticos. Poucos têm coragem de fazer críticas em público. Pusilânimes, doam a quase todos os candidatos com alguma chance de vitória. Perpetuam um ambiente no qual prosperam sempre. Um capitalismo à brasileira, sem risco. Mais um oximoro produzido pela forma invertebrada de se fazer política no Brasil.
BRASÍLIA - Empresário sem ideologia há no planeta inteiro. Em períodos eleitorais, fica bem com todos no establishment. Nos EUA, em 2008, essa gente doou para o democrata Barack Obama e para o republicano John McCain.
Mas há limites em sociedades mais sofisticadas. Muitos escolhem ter um lado. Steve Jobs, da Apple, doou US$ 229 mil desde 1982 a políticos e a partidos. Desse total, destinou só US$ 1.000 a um candidato republicano ao Senado. Suas doações são quase exclusivamente para democratas. A Apple, como se sabe, atravessou muito bem os anos da dinastia Bush. Já Bill Gates, da Microsoft, pulveriza recursos meio a meio entre democratas e republicanos -compreensível.
No Brasil, é raro um grande empresário revelar em público sua intenção de doar só a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB). Nesta semana, o maior homem de negócios do país, Eike Batista, declarou ter dado dinheiro à petista e ao tucano, de maneira indistinta. Por quê? "Em prol da democracia", respondeu. Em seguida, no programa "Roda Viva", da TV Cultura, deu mais clareza ao seu ato: "Não vão atrasar os meus projetos nos vários Estados por causa de política".
Democracia e negócios não devem ser nem são excludentes. Mas Eike Batista, banqueiros e empreiteiros fazem pouco "em prol da democracia". O dinheiro sai de seus bolsos por uma razão utilitária. O recurso não é oferecido a um candidato porque sua proposta na área da educação é considerada ótima.
Grandes empresários -com as exceções de praxe- costumam reclamar da má qualidade dos políticos. Poucos têm coragem de fazer críticas em público. Pusilânimes, doam a quase todos os candidatos com alguma chance de vitória. Perpetuam um ambiente no qual prosperam sempre. Um capitalismo à brasileira, sem risco. Mais um oximoro produzido pela forma invertebrada de se fazer política no Brasil.
Dilma diz que PSDB tem 'histórico de vazamento expressivo'
DE SÃO PAULO
A candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, disse na noite desta segunda-feira (30) que o partido do seu adversário José Serra (PSDB) "tem um histórico de vazamento expressivo.
Em entrevista ao "Jornal da Globo", Dilma afirmou que, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB foi responsável pelo "vazamento da dívida dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição; os grampos que existiram no BNDES e também os grampos feitos junto ao secretário do gabinete da República". A candidata afirmou que "jamais" usou esses fatos contra Serra.
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"Eu também não concordo que sem provas me acusem ou acusem a minha campanha", afirmou sobre as acusações de criação de dossiês que pesam sobre o PT. "Não vejo nenhuma justificativa para as acusações a não ser interesse eleitoral", disse.
Na última semana, PT declarou que entraria com medidas jurídicas contra Serra, que responsabilizou o PT e a Dilma pelo vazamento das quebras dos sigilos fiscais de tucanos.
O partido também decidiu solicitar que a Polícia Federal investigue o vazamento do resultado da Corregedoria da Receita Federal que apontou a quebra do sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de mais três tucanos ligados a Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardozo.
Em junho, a Folha revelou que o IR do político constava de dossiê montado pelo "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha da petista Dilma Rousseff.
CARGOS
Questionada sobre a participação de José Dirceu em seu possível governo, Dilma afirmou que não tem "discutido um futuro governo por respeito a população". Segundo a ministra, durante a campanha deve-se dar importância para a decisão do eleitor.
"A princípio, eu não discuto nenhum nome para o meu governo", disse. A ministra afirmou que não senta na cadeira antes, pois respeita o voto popular e dá azar. Ela aproveitou para atacar o partido adversário, "quem sentou na cadeira antes foi o ex-presidente da República".
Em 1985, então líder nas pesquisas, Fernando Henrique Cardoso sentou na cadeira de prefeito de São Paulo para posar para uma revista. A foto se tornou pública antes da eleição, na qual ele foi derrotado por Jânio Quadros.
Segundo a petista, nenhum dos seus aliados falou diretamente com ela sobre a possível distribuição de cargos. E comparou a situação com o futebol: "se um jogador sair dizendo que vai ganhar de 2 a 0 sem ter a bola na rede, é uma baita pretensão".
A candidata rebateu as críticas de que o governo colocou muitos militantes petistas na máquina administrativa. Para um eventual governo, Dilma afirmou que deverá escolher "políticos com competência técnica", independente de serem do PT.
CUBA
Segundo Dilma, o governo Lula foi "discretamente" o responsável pela soltura dos presos políticos de Cuba. "Eu não digo que ele é responsável, que seria também muita pretensão minha, mas eu acredito que o presidente Lula, o Itamaraty e todas as tratativas feitas de forma discreta [ foram] responsável pela soltura dos presos políticos em Cuba."
A candidata, que foi presa e torturada durante o Regime Militar (1965-1984), disse ter "absoluta solidariedade com presos políticos". Questionada sobre a declaração de Lula, que comparou presos políticos a detentos comuns, Dilma rebateu e afirmou que não acha "correto falar que o presidente tomou uma atitude errada nesse episódio".
A petista também declarou que para o governo Lula as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) são ligadas ao tráfico de drogas. Desde o início da campanha, o candidato a vice-presidente da chapa tucana, Indio da Costa (DEM), tem acusado o PT de ter relações com as Farcs.
ECONOMIA
Dilma afirmou ser contra o reajuste fiscal. "O pessoal que está defendendo ajuste fiscal está errado. O que nós temos de defender é outra coisa. O Brasil tem de crescer e tem de controlar os seus gastos, não pode sair crescendo e gastando dinheiro a roldão".
A candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, disse na noite desta segunda-feira (30) que o partido do seu adversário José Serra (PSDB) "tem um histórico de vazamento expressivo.
Em entrevista ao "Jornal da Globo", Dilma afirmou que, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB foi responsável pelo "vazamento da dívida dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição; os grampos que existiram no BNDES e também os grampos feitos junto ao secretário do gabinete da República". A candidata afirmou que "jamais" usou esses fatos contra Serra.
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"Eu também não concordo que sem provas me acusem ou acusem a minha campanha", afirmou sobre as acusações de criação de dossiês que pesam sobre o PT. "Não vejo nenhuma justificativa para as acusações a não ser interesse eleitoral", disse.
Na última semana, PT declarou que entraria com medidas jurídicas contra Serra, que responsabilizou o PT e a Dilma pelo vazamento das quebras dos sigilos fiscais de tucanos.
O partido também decidiu solicitar que a Polícia Federal investigue o vazamento do resultado da Corregedoria da Receita Federal que apontou a quebra do sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de mais três tucanos ligados a Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardozo.
Em junho, a Folha revelou que o IR do político constava de dossiê montado pelo "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha da petista Dilma Rousseff.
CARGOS
Questionada sobre a participação de José Dirceu em seu possível governo, Dilma afirmou que não tem "discutido um futuro governo por respeito a população". Segundo a ministra, durante a campanha deve-se dar importância para a decisão do eleitor.
"A princípio, eu não discuto nenhum nome para o meu governo", disse. A ministra afirmou que não senta na cadeira antes, pois respeita o voto popular e dá azar. Ela aproveitou para atacar o partido adversário, "quem sentou na cadeira antes foi o ex-presidente da República".
Em 1985, então líder nas pesquisas, Fernando Henrique Cardoso sentou na cadeira de prefeito de São Paulo para posar para uma revista. A foto se tornou pública antes da eleição, na qual ele foi derrotado por Jânio Quadros.
Segundo a petista, nenhum dos seus aliados falou diretamente com ela sobre a possível distribuição de cargos. E comparou a situação com o futebol: "se um jogador sair dizendo que vai ganhar de 2 a 0 sem ter a bola na rede, é uma baita pretensão".
A candidata rebateu as críticas de que o governo colocou muitos militantes petistas na máquina administrativa. Para um eventual governo, Dilma afirmou que deverá escolher "políticos com competência técnica", independente de serem do PT.
CUBA
Segundo Dilma, o governo Lula foi "discretamente" o responsável pela soltura dos presos políticos de Cuba. "Eu não digo que ele é responsável, que seria também muita pretensão minha, mas eu acredito que o presidente Lula, o Itamaraty e todas as tratativas feitas de forma discreta [ foram] responsável pela soltura dos presos políticos em Cuba."
A candidata, que foi presa e torturada durante o Regime Militar (1965-1984), disse ter "absoluta solidariedade com presos políticos". Questionada sobre a declaração de Lula, que comparou presos políticos a detentos comuns, Dilma rebateu e afirmou que não acha "correto falar que o presidente tomou uma atitude errada nesse episódio".
A petista também declarou que para o governo Lula as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) são ligadas ao tráfico de drogas. Desde o início da campanha, o candidato a vice-presidente da chapa tucana, Indio da Costa (DEM), tem acusado o PT de ter relações com as Farcs.
ECONOMIA
Dilma afirmou ser contra o reajuste fiscal. "O pessoal que está defendendo ajuste fiscal está errado. O que nós temos de defender é outra coisa. O Brasil tem de crescer e tem de controlar os seus gastos, não pode sair crescendo e gastando dinheiro a roldão".
Servidora diz que acessou dados a pedido de filha de Serra
DE BRASÍLIA
A Folha conversou na noite de ontem com a servidora da Receita Lucia de Fátima Gonçalves Milan. No primeiro momento, ela respondeu que a reportagem poderia "conversar com a sua advogada quando ela tivesse informações sobre o caso". Depois, ligou de volta e disse que acessou os dados de "Verônica Serra", mas que o fez porque havia um pedido da própria Verônica.
Folha - A sra. acessou de dados sigilosos?
Greg Salibian/Folhapress
Verônica Serra teve seus dados acessados na mesma agência onde outras quatro tiveram sigilos violados
Lucia Milan - Antes de você sair publicando o meu nome, é bom que saiba que eu fiz sim. Mas fiz por que me pediram e tenho um documento autenticado em cartório que comprova isso. Tem até o nome da pessoa que está pedindo a cópia da declaração.
Qual é o nome?
É Verônica, filha de Serra. Houve uma solicitação de cópia e ela assinou o documento. Ela pediu a declaração dela mesmo. Isso a gente guarda cinco anos. Se uma pessoa pede a declaração a Receita tem obrigação de dar.
Verônica entrou em contato com a sra.?
Não. Ela mandou outra pessoa, que avisou outra. Mas tem a autorização dela no formulário. Inclusive, antes de vir em cima de mim, você deveria perguntar a ela por que ela pediu essa cópia. Eu tenho esse documento que já está com o corregedor. Inclusive, quando se pede isso, tem de pagar R$ 10.
A Folha conversou na noite de ontem com a servidora da Receita Lucia de Fátima Gonçalves Milan. No primeiro momento, ela respondeu que a reportagem poderia "conversar com a sua advogada quando ela tivesse informações sobre o caso". Depois, ligou de volta e disse que acessou os dados de "Verônica Serra", mas que o fez porque havia um pedido da própria Verônica.
Folha - A sra. acessou de dados sigilosos?
Greg Salibian/Folhapress
Verônica Serra teve seus dados acessados na mesma agência onde outras quatro tiveram sigilos violados
Lucia Milan - Antes de você sair publicando o meu nome, é bom que saiba que eu fiz sim. Mas fiz por que me pediram e tenho um documento autenticado em cartório que comprova isso. Tem até o nome da pessoa que está pedindo a cópia da declaração.
Qual é o nome?
É Verônica, filha de Serra. Houve uma solicitação de cópia e ela assinou o documento. Ela pediu a declaração dela mesmo. Isso a gente guarda cinco anos. Se uma pessoa pede a declaração a Receita tem obrigação de dar.
Verônica entrou em contato com a sra.?
Não. Ela mandou outra pessoa, que avisou outra. Mas tem a autorização dela no formulário. Inclusive, antes de vir em cima de mim, você deveria perguntar a ela por que ela pediu essa cópia. Eu tenho esse documento que já está com o corregedor. Inclusive, quando se pede isso, tem de pagar R$ 10.
Mídia não é sucedâneo de oposição
OI
Mauro Malin em 31/8/2010
É compreensível a tentação da grande imprensa de se ver como única ou principal oposição efetiva ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se estamos numa democracia, e estamos, apesar dos conhecidos problemas do sistema político brasileiro, reza o figurino que deve haver oposição. Logo, é necessário que alguém faça esse papel. Se não o fazem de forma efetiva os partidos ditos oposicionistas, a mídia se vê empurrada a desempenhá-lo, tanto mais porque – fator que seria preciso analisar do ponto de vista psicológico – jornalistas sempre sabem mais do que podem publicar.
Na época do mensalão, a própria maneira como o escândalo se tornou público reforçou essa tendência, como já havia acontecido na época do impeachment de Fernando Collor. Deputados oposicionistas tinham conhecimento, desde 2004, do esquema inédito de pagamento mensal a colegas situacionistas para garantir apoio ao governo. Nenhum deles subiu à tribuna para condenar a prática.
Quem o fez, em setembro daquele ano, foi um situacionista, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ele encaminhou ao Ministério Público Federal denúncia relativa ao pagamento de mesada a colegas seus. Depois que isso valeu uma manchete do Jornal do Brasil, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), prometeu mandar investigar a denúncia, mas ficou tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Coube à Veja, em maio de 2005, trazer à tona acertos interpartidários no âmbito governista, em reportagem sobre acusações de corrupção nos Correios, empresa da "área de influência" do PTB. A reportagem exibia fotogramas de um vídeo – disponível na internet e reproduzido pelos telejornais – em que um funcionário dos Correios embolsava R$ 3 mil, que seriam parte de uma propina mais polpuda.
A entrevista-bomba
Havia na reportagem acusações contra o presidente do partido, deputado Roberto Jefferson. A oposição propôs uma CPI, o governo tentou evitá-la. Em junho, a Folha de S.Paulo deu em manchete que a operação para abafar a CPI teria envolvido a liberação de R$ 400 milhões destinados a emendas de parlamentares. Parte da base governista passou a apoiar a instauração da CPI. Roberto Jefferson se viu acuado e deu entrevista-bomba à Folha. Falou em mensalão, termo alusivo ao valor da suposta mesada, R$ 30 mil.
Instaurou-se a CPI e subiram à ribalta personagens como o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o responsável por abastecer de dinheiro o esquema do mensalão. O PSDB, principal partido oposicionista, que tinha utilizado os serviços de Marcos Valério na eleição de 1998 para governador de Minas Gerais, pôs o pé no freio.
Quem sustentou a artilharia foi a mídia: jornais, revistas, telejornais. Repetidas denúncias contidas em reportagens ficaram sem contrapartida de ação política, no Congresso Nacional ou fora dele. Mas os fatos eram tão graves que motivaram um inquérito ainda em curso no Supremo Tribunal Federal.
Caíram Roberto Jefferson e José Dirceu. Ironia da História, para o lugar de Dirceu na chefia da Casa Civil foi Dilma Rousseff, com o que o mensalão acabou por se ligar à sucessão do presidente Lula.
Estadão denunciou irregularidades no Senado
Registre-se que o Estado de S.Paulo foi o portador de denúncias de irregularidades no Senado que quase provocaram, em 2009, a queda de seu presidente, José Sarney.
A delação do mensalão do DEM de Brasília foi gravada em vídeo pelo ex-integrante do governo do Distrito Federal Durval Barbosa tendo em vista sua repercussão na mídia, nesse caso muito particularmente a televisão. Notar que esse escândalo atingiu e enfraqueceu um setor da oposição.
No único escândalo surgido até agora na atual campanha eleitoral, a violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato José Serra ou ao PSDB, novamente foi na imprensa, e novamente na Folha e na Veja, que os fatos foram apresentados à opinião pública.
Tudo isso reforça na mídia o sentimento de que lhe cabe exercer virtualmente um papel oposicionista. Esse caminho funciona? Não. A mídia depende de credibilidade, e tomar partido reduz ou elimina a credibilidade. O que a mídia precisa fazer com aplicação cada vez maior é cobrir ‒ sempre com o máximo de lucidez possível ‒ o país real, os governos, os poderes. Esse é o esforço necessário para que ela cumpra seu papel na democracia.
Ficam os editoriais, os artigos assinados, as charges, as colunas, os programas de debates e humorísticos liberados para o exercício da opinião. É legítimo tomar partido na mídia, sim, ou não haveria liberdade de expressão. Mas não no noticiário. A não ser, claro, que a reportagem reproduza opiniões.
O xis da questão, insista-se, é fazer um bom trabalho jornalístico, com visão crítica de 360 graus, e uma boa dose de autocrítica. Esse desempenho é menos frequente do que seria desejável. Até porque não é fácil. Quando acontece, merece registro.
"JN no Ar" mostra um país real
A Rede Globo, disparado a mídia mais importante do país, tem procurado se mostrar mais isenta a cada eleição, escaldada pela péssima repercussão da edição do debate Collor vs. Lula de 1989, que, como se sabe, forçou a mão em favor de Collor.
O dia a dia das campanhas é apresentado em doses cirurgicamente equivalentes. E isso não diz respeito apenas ao tempo destinado a cada uma, mas também à maneira de apresentar os candidatos e suas falas. As entrevistas com os presidenciáveis na bancada do Jornal Nacional foram incisivas, sem deslealdade. Os presidenciáveis foram tratados de forma equânime.
Se a campanha é um teatro regido pelo marketing político, é preciso fazer algo que fuja dessa lógica. E tanto mais quanto mais fica patente a vantagem nas pesquisas da candidata de Lula. Para que o período de campanha não seja dado como encerrado. Porque o favoritismo de Dilma e sua eventual vitória no primeiro turno não tornarão menos necessária a discussão sobre os muitos e sérios problemas do país.
O "JN no Ar", desdobramento da "Caravana JN" de 2006, revelou-se, na primeira semana de exibição, iniciada em 23 de agosto, uma contribuição positiva. O repórter Ernesto Paglia visitou as cidades de Igarassu (PE), Almirante Tamandaré (PR), Jacundá (PA) e Ponta Porã (MS) e relatou, de forma compacta e direta, os problemas mais sérios que encontrou nelas (os vídeos estão disponíveis no site do Jornal Nacional).
A série funciona, talvez involuntariamente, como um antídoto contra o Brasil de mentirinha mostrado logo depois do Jornal Nacional, no horário eleitoral, por quase todos os partidos.
O caminho da mídia é o da informação qualificada ‒ que necessita de um corpo articulado de profissionais, com os quais dialoguem cidadãos-colaboradores. Análise, que se torna artigo cada vez mais frequente, é bem-vinda. Mas se a mídia se engajasse com a ideia de substituir os partidos políticos, o Brasil teria problemas graves para desenvolver sua democracia. O que tornaria ainda mais difícil adotar, estender ou aprofundar políticas públicas capazes de enfrentar a característica mais negativa do país – a desigualdade social.
Mauro Malin em 31/8/2010
É compreensível a tentação da grande imprensa de se ver como única ou principal oposição efetiva ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se estamos numa democracia, e estamos, apesar dos conhecidos problemas do sistema político brasileiro, reza o figurino que deve haver oposição. Logo, é necessário que alguém faça esse papel. Se não o fazem de forma efetiva os partidos ditos oposicionistas, a mídia se vê empurrada a desempenhá-lo, tanto mais porque – fator que seria preciso analisar do ponto de vista psicológico – jornalistas sempre sabem mais do que podem publicar.
Na época do mensalão, a própria maneira como o escândalo se tornou público reforçou essa tendência, como já havia acontecido na época do impeachment de Fernando Collor. Deputados oposicionistas tinham conhecimento, desde 2004, do esquema inédito de pagamento mensal a colegas situacionistas para garantir apoio ao governo. Nenhum deles subiu à tribuna para condenar a prática.
Quem o fez, em setembro daquele ano, foi um situacionista, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ele encaminhou ao Ministério Público Federal denúncia relativa ao pagamento de mesada a colegas seus. Depois que isso valeu uma manchete do Jornal do Brasil, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), prometeu mandar investigar a denúncia, mas ficou tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Coube à Veja, em maio de 2005, trazer à tona acertos interpartidários no âmbito governista, em reportagem sobre acusações de corrupção nos Correios, empresa da "área de influência" do PTB. A reportagem exibia fotogramas de um vídeo – disponível na internet e reproduzido pelos telejornais – em que um funcionário dos Correios embolsava R$ 3 mil, que seriam parte de uma propina mais polpuda.
A entrevista-bomba
Havia na reportagem acusações contra o presidente do partido, deputado Roberto Jefferson. A oposição propôs uma CPI, o governo tentou evitá-la. Em junho, a Folha de S.Paulo deu em manchete que a operação para abafar a CPI teria envolvido a liberação de R$ 400 milhões destinados a emendas de parlamentares. Parte da base governista passou a apoiar a instauração da CPI. Roberto Jefferson se viu acuado e deu entrevista-bomba à Folha. Falou em mensalão, termo alusivo ao valor da suposta mesada, R$ 30 mil.
Instaurou-se a CPI e subiram à ribalta personagens como o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o responsável por abastecer de dinheiro o esquema do mensalão. O PSDB, principal partido oposicionista, que tinha utilizado os serviços de Marcos Valério na eleição de 1998 para governador de Minas Gerais, pôs o pé no freio.
Quem sustentou a artilharia foi a mídia: jornais, revistas, telejornais. Repetidas denúncias contidas em reportagens ficaram sem contrapartida de ação política, no Congresso Nacional ou fora dele. Mas os fatos eram tão graves que motivaram um inquérito ainda em curso no Supremo Tribunal Federal.
Caíram Roberto Jefferson e José Dirceu. Ironia da História, para o lugar de Dirceu na chefia da Casa Civil foi Dilma Rousseff, com o que o mensalão acabou por se ligar à sucessão do presidente Lula.
Estadão denunciou irregularidades no Senado
Registre-se que o Estado de S.Paulo foi o portador de denúncias de irregularidades no Senado que quase provocaram, em 2009, a queda de seu presidente, José Sarney.
A delação do mensalão do DEM de Brasília foi gravada em vídeo pelo ex-integrante do governo do Distrito Federal Durval Barbosa tendo em vista sua repercussão na mídia, nesse caso muito particularmente a televisão. Notar que esse escândalo atingiu e enfraqueceu um setor da oposição.
No único escândalo surgido até agora na atual campanha eleitoral, a violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato José Serra ou ao PSDB, novamente foi na imprensa, e novamente na Folha e na Veja, que os fatos foram apresentados à opinião pública.
Tudo isso reforça na mídia o sentimento de que lhe cabe exercer virtualmente um papel oposicionista. Esse caminho funciona? Não. A mídia depende de credibilidade, e tomar partido reduz ou elimina a credibilidade. O que a mídia precisa fazer com aplicação cada vez maior é cobrir ‒ sempre com o máximo de lucidez possível ‒ o país real, os governos, os poderes. Esse é o esforço necessário para que ela cumpra seu papel na democracia.
Ficam os editoriais, os artigos assinados, as charges, as colunas, os programas de debates e humorísticos liberados para o exercício da opinião. É legítimo tomar partido na mídia, sim, ou não haveria liberdade de expressão. Mas não no noticiário. A não ser, claro, que a reportagem reproduza opiniões.
O xis da questão, insista-se, é fazer um bom trabalho jornalístico, com visão crítica de 360 graus, e uma boa dose de autocrítica. Esse desempenho é menos frequente do que seria desejável. Até porque não é fácil. Quando acontece, merece registro.
"JN no Ar" mostra um país real
A Rede Globo, disparado a mídia mais importante do país, tem procurado se mostrar mais isenta a cada eleição, escaldada pela péssima repercussão da edição do debate Collor vs. Lula de 1989, que, como se sabe, forçou a mão em favor de Collor.
O dia a dia das campanhas é apresentado em doses cirurgicamente equivalentes. E isso não diz respeito apenas ao tempo destinado a cada uma, mas também à maneira de apresentar os candidatos e suas falas. As entrevistas com os presidenciáveis na bancada do Jornal Nacional foram incisivas, sem deslealdade. Os presidenciáveis foram tratados de forma equânime.
Se a campanha é um teatro regido pelo marketing político, é preciso fazer algo que fuja dessa lógica. E tanto mais quanto mais fica patente a vantagem nas pesquisas da candidata de Lula. Para que o período de campanha não seja dado como encerrado. Porque o favoritismo de Dilma e sua eventual vitória no primeiro turno não tornarão menos necessária a discussão sobre os muitos e sérios problemas do país.
O "JN no Ar", desdobramento da "Caravana JN" de 2006, revelou-se, na primeira semana de exibição, iniciada em 23 de agosto, uma contribuição positiva. O repórter Ernesto Paglia visitou as cidades de Igarassu (PE), Almirante Tamandaré (PR), Jacundá (PA) e Ponta Porã (MS) e relatou, de forma compacta e direta, os problemas mais sérios que encontrou nelas (os vídeos estão disponíveis no site do Jornal Nacional).
A série funciona, talvez involuntariamente, como um antídoto contra o Brasil de mentirinha mostrado logo depois do Jornal Nacional, no horário eleitoral, por quase todos os partidos.
O caminho da mídia é o da informação qualificada ‒ que necessita de um corpo articulado de profissionais, com os quais dialoguem cidadãos-colaboradores. Análise, que se torna artigo cada vez mais frequente, é bem-vinda. Mas se a mídia se engajasse com a ideia de substituir os partidos políticos, o Brasil teria problemas graves para desenvolver sua democracia. O que tornaria ainda mais difícil adotar, estender ou aprofundar políticas públicas capazes de enfrentar a característica mais negativa do país – a desigualdade social.
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