sexta-feira, 1 de outubro de 2010

No ABC, Dilma tem 42%, Serra 25% e Marina 13%, aponta pesquisa Scenso

Leandro Amaral
Repórter Diário
A segunda rodada de pesquisa realizada pelo Instituto Scenso nos sete municípios do ABC mostra que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, mantém a dianteira com 42% das intenções de voto. O candidato do PSDB, José Serra, aparece com 25%, e Marina Silva, do PV, tem 13%.

O levantamento – contratado pelo jornal Repórter Diário e publicado pelo pool de veículos formado pelo ABCDMaior, Ponto Final, DCI e Folha de Ribeirão, além da Rádio ABC – foi realizado entre os dias 26 e 29 de setembro com 1.001 eleitores da região e está registrado no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) com o número 89781/2010 e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 33170/2010.

Dentre os outros candidatos – Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio (PSOL), Rui Costa Pimenta ( PCO) e Zé Maria (PSTU) – nenhum atingiu 1% das intenções de voto. De acordo com a sondagem, brancos e nulos somam 7%, e indecisos, 12%.

Em relação à pesquisa anterior, realizada entre os dias 10 e 13 de setembro, Dilma oscilou um ponto para baixo; Serra e Marina registraram alta de quatro e três pontos percentuais respectivamente.

Considerando a margem de erro da pesquisa, de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, Dilma pode ter entre 39% e 45%; Serra entre 22% e 28%, e Marina, entre 10% e 16%.

O levantamento foi feito com base em quatro variáveis: gênero, idade, escolaridade e renda. A petista apresenta melhor desempenho entre os homens (47%); pessoas entre 16 e 24 anos (50%); entre aqueles com ensino fundamental (45%) e entre os entrevistados cuja renda bate nos dois salários-mínimos (47%).

Já o tucano registra melhor performance entre as mulheres (26%); entre as pessoas com mais de 60 anos (34%); entre aqueles com ensino superior (27%) e entre os entrevistados cuja renda ultrapassa os cinco salários-mínimos (37%) – neste estrato, ele supera a petista.

Marina Silva aparece melhor entre as mulheres (15%); pessoas entre 35 e 44 anos (17%); entre aqueles com ensino superior (24% – atinge seu teto) e entre os entrevistados cuja renda ultrapassa os cinco salários-mínimos (15%).

Considerando apenas os votos válidos, ou seja, descontando brancos, nulos e indecisos, a petista atinge 52%, o tucano, 30%, e a candidata do Partido Verde, 16%.

Espontânea
No levantamento em que os entrevistados respondem a intenção de voto sem observar o cartão com os nomes dos candidatos, Dilma Rousseff registra 37 (ante 38% do levantamento anterior), José Serra aparece com 21 (ante 16%) e Marina Silva com 11 (ante 7%). Os demais candidatos não atingiram 1%. Brancos e nulos somam 7%.

Petista só não sai na frente em São Caetano
Na estratificação por cidades, Dilma Rousseff (PT) lidera em seis dos sete municípios. Em São Caetano, os eleitores colocam José Serra na dianteira com 40% contra 24% da petista. Marina Silva soma 13%.

A maior vantagem de Dilma é verificada em Diadema. Ela registra 54% contra 16% do tucano e 8% da verde. Em São Bernardo, a petista aparece com 46% contra 20% de Serra e 16% de Marina. Em Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Dilma tem 38%, Serra 27% e Marina 14%.

Santo André conta com o maior equilíbrio. No reduto andreense, a petista tem 37%, o tucano 30% e a verde 13%

Voto sugere continuidade e reformas

10/2010 - 09:18h


Cristian Klein, Caio Junqueira e Raquel Ulhôa
VALOR


De São Paulo e Brasília

Os quatro principais institutos de pesquisa do país convergem para a tendência de definição da eleição presidencial em primeiro turno. No cenário mais apertado, do último Datafolha, Dilma Rousseff (PT) tem 52% dos votos válidos, o que a colocaria quatro pontos percentuais além da soma de seus adversários. José Serra (PSDB) tem 31%, Marina Silva (PV), 15% e os demais, 2%.

A decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF) de flexibilizar a obrigatoriedade de dois documentos para a votação tende a beneficiar a candidata petista, cuja base eleitoral seria mais afetada pela exigência. O debate de ontem na TV Globo marcou a última grande chance de Serra e Marina tentarem levar a disputa para o segundo turno.

Seja qual for o resultado da eleição presidencial, a configuração do Congresso Nacional a ser definida no domingo é amplamente favorável aos partidos que hoje estão na base governista. No Senado, os partidos aliados a Dilma Rousseff chegam à reta final com a perspectiva de eleger uma bancada de 60 parlamentares, o que lhes daria maioria folgada para reformas constitucionais. Hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com 48 cadeiras, uma a menos que o necessário.

Na Câmara dos Deputados, os partidos que hoje compõem a base governista podem passar das atuais 353 para 401 cadeiras, numa média das projeções de diferentes consultorias.

Para a próxima legislatura, pelo menos 13 projetos, em sua maioria já encaminhados pelo Executivo, devem entrar na ordem de prioridades do próximo presidente. Desses, apenas dois, as reformas tributária e política, requerem quórum de três quintos do Congresso. Os demais exigem maioria simples. São eles: cadastro positivo, código florestal, marco legal das agências reguladoras, marco regulatório de fertilizantes, marco regulatório do mercado de TV por assinatura, código de mineração e política de reajuste do salário mínimo.

Na disputa pelos governos estaduais, na reta final da campanha as pesquisas indicam que os partidos governistas lideram em 14 Estados, além do Distrito Federal: Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio, Rio Grande do Sul e Sergipe. Em outros nove – Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins – a dianteira é da oposição. No Paraná, Alagoas e Rondônia prevalece o empate. Em 12 Estados, além do DF, a eleição pode ser encerrada no primeiro turno e em outros quatro, no dia 31 de outubro. A situação permanece indefinida em dez Estados.

Vão às urnas neste domingo 135.804.433 eleitores, o equivalente a 70% da população. Pela primeira vez, eleitores cadastrados, que somam mais de 80 mil, poderão votar em trânsito. As urnas biométricas, que permitem o reconhecimento digital do eleitor, serão testadas em 60 cidades. Disputam vaga 21.813 candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual

Voto sugere continuidade e reformas

10/2010 - 09:18h


Cristian Klein, Caio Junqueira e Raquel Ulhôa
VALOR


De São Paulo e Brasília

Os quatro principais institutos de pesquisa do país convergem para a tendência de definição da eleição presidencial em primeiro turno. No cenário mais apertado, do último Datafolha, Dilma Rousseff (PT) tem 52% dos votos válidos, o que a colocaria quatro pontos percentuais além da soma de seus adversários. José Serra (PSDB) tem 31%, Marina Silva (PV), 15% e os demais, 2%.

A decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF) de flexibilizar a obrigatoriedade de dois documentos para a votação tende a beneficiar a candidata petista, cuja base eleitoral seria mais afetada pela exigência. O debate de ontem na TV Globo marcou a última grande chance de Serra e Marina tentarem levar a disputa para o segundo turno.

Seja qual for o resultado da eleição presidencial, a configuração do Congresso Nacional a ser definida no domingo é amplamente favorável aos partidos que hoje estão na base governista. No Senado, os partidos aliados a Dilma Rousseff chegam à reta final com a perspectiva de eleger uma bancada de 60 parlamentares, o que lhes daria maioria folgada para reformas constitucionais. Hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com 48 cadeiras, uma a menos que o necessário.

Na Câmara dos Deputados, os partidos que hoje compõem a base governista podem passar das atuais 353 para 401 cadeiras, numa média das projeções de diferentes consultorias.

Para a próxima legislatura, pelo menos 13 projetos, em sua maioria já encaminhados pelo Executivo, devem entrar na ordem de prioridades do próximo presidente. Desses, apenas dois, as reformas tributária e política, requerem quórum de três quintos do Congresso. Os demais exigem maioria simples. São eles: cadastro positivo, código florestal, marco legal das agências reguladoras, marco regulatório de fertilizantes, marco regulatório do mercado de TV por assinatura, código de mineração e política de reajuste do salário mínimo.

Na disputa pelos governos estaduais, na reta final da campanha as pesquisas indicam que os partidos governistas lideram em 14 Estados, além do Distrito Federal: Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio, Rio Grande do Sul e Sergipe. Em outros nove – Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins – a dianteira é da oposição. No Paraná, Alagoas e Rondônia prevalece o empate. Em 12 Estados, além do DF, a eleição pode ser encerrada no primeiro turno e em outros quatro, no dia 31 de outubro. A situação permanece indefinida em dez Estados.

Vão às urnas neste domingo 135.804.433 eleitores, o equivalente a 70% da população. Pela primeira vez, eleitores cadastrados, que somam mais de 80 mil, poderão votar em trânsito. As urnas biométricas, que permitem o reconhecimento digital do eleitor, serão testadas em 60 cidades. Disputam vaga 21.813 candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual

Aliados de Dilma podem chegar a 60 no Senado

Eleições: Pesquisas indicam que quórum constitucional pode ser ultrapassado com folga pela base governista

Cristian Klein | VALOR
Com a experiência de oito anos no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no período de pré-campanha: um senador vale por três governadores. Não se sabe como Lula chegou a essa equação política. Apenas por quê. Foi no Senado que seu governo enfrentou a maior resistência da oposição. É dali que Lula pretende remover os últimos obstáculos que restam para entregar um Senado domesticado para sua apadrinhada.

Caso vença a disputa presidencial, Dilma Rousseff terá no Senado uma maioria muito mais ampla do que a desfrutada por Lula. Herdará a faca – o Executivo – e um Legislativo feito queijo nas mãos.

A Câmara dos Deputados já está dominada. No Senado, o governo pode, finalmente, obter uma vantagem ampla sobre a oposição. Hoje, pode contar, na melhor das hipóteses, com 48 dos 81 senadores, um a menos que o necessário para passar uma reforma constitucional. Com a renovação de dois terços das cadeiras, que será feita neste domingo, os governistas poderão dominar o Senado e ocupar mais de 60 cadeiras.

A bancada da oposição, que tem 30 senadores, pode, em tese, até aumentar, em dois ou três senadores, num cenário de baixíssima probabilidade. No extremo oposto, também com menos chance de ocorrer, ela pode perder mais de 15 vagas, reduzindo-se à metade. O mais provável é que a queda fique entre um e outro, e a oposição saia com cerca de 10 cadeiras a menos

As duas regiões que reúnem quase 60% do poder no Senado, a Norte e a Nordeste, são as maiores responsáveis pela desidratação. No Norte, o governo ampliará o domínio que já tem. Mas no Nordeste, ele quebra, de vez, a espinha dorsal da oposição. Enquanto hoje a situação é de empate, com 13 senadores governistas, 13 oposicionistas e um independente, a renovação poderá terminar com uma vantagem de 18 a 9.

Na região estão alguns dos alvos preferenciais da lista negra do presidente Lula, que se empenhou durante a campanha em derrotar seus principais inimigos no Senado. Heráclito Fortes (DEM-PI) e Mão Santa (PSC-PI) não devem se reeleger. Heloísa Helena (PSOL-AL) caiu nas pesquisas. Até Tasso Jereissati (PSDB-CE), que liderava com folga, está ameaçado. A onda governista fez com que o petista Walter Pinheiro, na Bahia, pulasse de terceiro para primeiro. Em Pernambuco e no Piauí, o governo pode tomar, de uma só tacada, as quatro vagas que são da oposição, caso Marco Maciel (DEM) e Mão Santa não se elejam.

Mas a estratégia e a vingança de Lula podem não ser completas. Graças à Paraíba, que pode eleger dois oposicionistas, e graças ao desempenho de José Agripino Maia (DEM), no Rio Grande do Norte. O Estado, aliás, é o único do Nordeste em que a oposição pode eleger um governador já no primeiro turno. Mas até a conquista de Rosalba Ciarlini (DEM) teria gosto agridoce. Sua vitória pode significar mais uma cadeira governista no Senado, pois Garibaldi Alves, pai, seu suplente, é do PMDB.

Na Região Norte, o destaque é a possível derrota de Arthur Virgílio (PSDB-AM), outro desafeto de Lula, que foi ultrapassado por Vanessa Grazziotin (PCdoB). O Amazonas também é o lugar do provável campeão nacional de votos em termos percentuais. É o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), que aparece distante, com 80% das preferências do eleitorado. Já o Amapá tem a disputa mais embolada do país, com quatro candidatos empatados, com uma diferença de apenas 4 pontos percentuais. No Norte, o governo tende a aprofundar o seu domínio, de 13 a 8 para um placar entre 16 e 19 senadores contra 2 a 5.

Em meio a tantas perdas, dois Estados, além da Paraíba, se apresentam como os bastiões da oposição. Em Goiás e Minas, as quatro vagas se encaminham para a oposição, juntando-se às outras duas que ela já tem na Casa.

Minas, cujo mandato de Eliseu Resende (DEM) vai até 2015, deve eleger os favoritos Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS). Esta composição da bancada mineira, com um senador de cada partido da oposição, é um contraste no Sudeste. Os outros três Estados da região, pelo que indicam as pesquisas, devem eleger apenas governistas. Com a liderança de Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB), no Rio, e de Marta Suplicy (PT) e Netinho (PCdoB), em São Paulo, e de Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB), no Espírito Santo, todos os nove senadores destes Estados continuam sendo governistas. O ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), outro baluarte da oposição, pode ter suas expectativas frustradas.

Nas regiões Sul e Centro-Oeste, o predomínio do governo é menos contundente e há mais equilíbrio. São, por outro lado, regiões com menos peso: apenas sete Estados (21 vagas). Em Mato Grosso, a disputa pela segunda vaga entre o tucano Antero Paes de Barros e o petista Carlos Abicalil – que ultrapassou o adversário numericamente na reta final – pode significar outra baixa importante para oposição. Barros, embora adversário de Lula, chegou a usar imagens antigas do presidente o elogiando.

São táticas de sobrevivência numa eleição em que Lula deu o tom e escolheu o campo de batalha para realizar sua vingativa estratégia. Caso Dilma se eleja, o ódio de Lula aumentará sua herança

O elogio ao óbvio ululante

Termômetro: Com pouco, a simples avaliação de governo, explica-se muito: a maioria das vitórias e derrotas.

Por Alberto Carlos Almeida
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As grandes verdades tendem a ser bastante simples. Na economia há a lei da oferta e da procura. Quando o preço de um produto ou serviço é muito elevado, a quantidade procurada é bem pequena. Baixe-se o preço do produto e a procura aumenta. A lei da gravidade em suas duas versões, newtoniana e de Einstein, explica uma enorme quantidade de movimentos baseada em um esquema analítico simples. A teoria da evolução de Darwin também é assim, poucas variáveis explicam a grande diversidade de plantas, animais e espécies.

Na opinião pública há também essas verdades simples. Uma delas é a que afirma que os eleitores que aprovam um governo tendem a votar no candidato do governo. Alguns criticam essa afirmação. César Maia é um deles, dizendo que se trata de uma obviedade. Não é obviedade, é simplicidade mesmo. Eu diria que as verdades simples deixam apavoradas as pessoas que se acham geniais e brilhantes. O seu suposto brilhantismo não tolera explicações simplórias. Porém, acreditar na contradição entre genialidade e simplicidade é um erro crasso. Eis que nada é mais simples do que a teoria da evolução de Darwin, justamente o que fez dele um cientista genial.

César Maia defendeu, durante todo o ano de 2009 e no início de 2010, o argumento complexo e mirabolante de que Lula não seria capaz de transferir votos para Dilma. Vale aqui citar alguns trechos do ex-blog de César Maia, de abril de 2010, que ilustra bem a análise que ele assina acerca da incapacidade de transferência de votos de Lula para Dilma: “Em fevereiro do 2009 fiz uma análise do personagem Dilma Rousseff lembrando que a transferência de votos entre políticos de personagens diferentes é muito difícil. No caso de Lula e Dilma, trata-se de personagens antípodas. Aliás, o personagem Dilma – séria, tecnocrática, vertical, inflexível – foi criado pelo próprio Lula pós-mensalão. Lula, do ponto de vista da psicologia social, é um personagem feminino, próximo, amigo, acarinhável, vitimizável. Dilma é um personagem, do ponto de vista da psicologia social, masculino, distante, vertical. Talvez Patrus fosse um personagem com perfil mais próximo a Lula. Agora é tarde, Inês é morta”.

Ler esse texto hoje, quando Dilma ostenta uma vantagem sobre Serra de praticamente 30 pontos percentuais nos votos válidos, podendo até mesmo ganhar no primeiro turno, trata-se de um exercício próximo de patético. O seu autor certamente achava que estava elaborando um raciocínio superinteligente, brilhante, genial. A realidade foi mais dura e simples. O eleitorado que avalia o governo como ótimo ou bom, ao tomar conhecimento de que Dilma era a candidata governista, decidiu passar a votar nela. Esse processo de aumento de conhecimento do candidato governista se acelerou e se massificou com o início o horário eleitoral gratuito. Todas as elucubrações supostamente brilhantes foram massacradas pela realidade, foram atropeladas por um rolo compressor denominado conversão de avaliação positiva do governo em votos para o candidato governista.

César Maia, em todo o período eleitoral, apelou para termos e metáforas impressionantes tais como: luta de espadachins, jogo de xadrez, jogo go e também “jogo de coordenação”, segundo ele mesmo uma expressão que significa processo de distribuição de informações e de troca de opiniões entre as pessoas até que a intenção de voto se transforme em decisão de voto. Tantas metáforas, tantos termos não usuais para nada. O que realmente aconteceu é que à medida que o eleitorado tomou conhecimento de que Dilma era a candidata do governo ele passou a votar em Dilma. Como a maioria aprova o governo, a maioria decidiu, no decorrer do último ano, abandonar o Serra e passar a votar em Dilma.

Os dados mostram que em janeiro de 2009, em segundo turno, Serra tinha 63% de votos de quem avaliava Lula como ótimo e bom. Essa proporção veio caindo desde então, atingiu 43% em maio de 2009, ficou estabilizado daí até dezembro, período no qual Dilma se retirou para tratar do câncer, e continuou caindo em seguida para 31% em maio de 2010 e somente 21% em agosto. Dilma conheceu trajetória oposta à de Serra. Em janeiro de 2009 ela tinha somente 15% de quem avaliava o governo Lula como sendo ótimo ou bom. Ela subiu para 39% em maio de 2009, ficou estabilizada em quase 50% no primeiro semestre de 2010 e subiu de forma espetacular depois que começou a propaganda na TV convertendo em votos 70% do ótimo e bom de Lula. Óbvio e ululante.

Não é de hoje que essa regra simples rege a política e a opinião pública brasileira. Em 1996 os bem avaliados César Maia e Paulo Maluf elegeram seus candidatos para sucedê-los no Rio e em São Paulo, respectivamente Conde e Celso Pitta. Marconi Perillo governou Goiás por oito anos. Foi eleito a primeira vez em 1998 e foi reeleito em 2002. Como não podia disputar uma nova reeleição em 2006, ele indicou, apoiou e fez campanha para Alcides Rodrigues, que acabou vencendo. Perillo estava muito bem avaliado ao final de seu período de oito anos. Verdade simples: o eleitor de Goiás votou no candidato do governo bem avaliado.

Com uma antecedência de quatro anos o mesmo aconteceu no Pará. Almir Gabriel foi eleito duas vezes consecutivas, em 1994 e 1998. Em 2002 ele indicou Simão Jatene para sucedê-lo. Mais uma vez o governo bem avaliado foi capaz de fazer o seu candidato vencer. Ninguém hoje sabe dizer se Perillo era um personagem próximo, amigo e feminino, ou se Alcides era vertical, distante e inflexível. O que se sabe é que Perillo tinha em 2006 um governo bem avaliado e o seu candidato era Alcides Rodrigues, isso é suficientemente simples para entender o desfecho daquela eleição.

Pela mesma regra é possível fazer algumas previsões para 2010: o bem avaliado Aécio Neves tenderá a eleger Antônio Anastasia para o governo de Minas, o bem avaliado Blairo Maggi fará o mesmo no Mato Grosso com seu candidato, Silval Barbosa. Com pouco, avaliação de governo, explica-se muito: a maioria das vitórias e derrotas.

O erro de César Maia encontra paralelo no erro de Carlos Augusto Montenegro, diretor do Ibope, ao afirmar de maneira categórica em agosto de 2009 que Lula não faria seu sucessor. Naquele mês Serra liderava com folga as pesquisas de intenção de voto. Nesse caso, Montenegro disse com certeza que Serra venceria e Dilma perderia. Dez meses mais tarde, no começo de junho de 2010, o mesmo Montenegro afirmou que tanto Serra quanto Dilma poderiam vencer a eleição, e que isso aconteceria no primeiro turno. Poucos dias antes dessa declaração no evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) fora publicada uma pesquisa do Ibope na qual Serra e Dilma estavam empatados com 37% cada um. Mais uma vez a declaração de Montenegro repetiu o dado da intenção de voto. Agora com o agravante de que a vitória ou de um ou de outro seria no primeiro turno.

Como Marina tinha 8% das intenções de voto, ele estava dizendo que qualquer um iria abrir uma vantagem de mais de 8 pontos percentuais sobre o outro. É como se o serviço de meteorologia dissesse que amanhã poderá fazer mais ou menos 10° C, dependendo para que lado sopre o vento. Tempos depois, quando Dilma abriu uma larga margem sobre Serra, a previsão de Montenegro se tornou “vitória de Dilma no primeiro turno”. Mais uma vez a previsão apenas refletiu o resultado da pesquisa.

O erro mais grave de Montenegro, porém, diz respeito ao PT. Na mesma entrevista de agosto de 2009, o renomado analista afirmou o seguinte: “O mensalão acabou [com] todo o apelo que o PT havia acumulado em sua história. Ali acabou o diferencial. Ali acabou o charme. Todas as suas lideranças foram destruídas. Estrelas como José Dirceu, Luiz Gushiken e Antônio Palocci se apagaram. Eu não diria que o partido está extinto, mas está caminhando para isso”. O PT sairá das urnas mais forte do que nunca. Elegerá o presidente e provavelmente a maior bancada de deputados federais, aumentará de maneira expressiva o número de seus senadores e entre manter e conquistar ficará, talvez, com cinco governos estaduais, dentre os quais Rio Grande do Sul, Bahia e Distrito Federal. Outro erro crasso de Montenegro.

O erro maior não advém da análise equivocada das pesquisas, mas da ignorância acerca da história: o PT é um típico partido social-democrata europeu. Assim, ele veio para ficar, com ou sem mensalão. O PT nasceu radical e obrista e foi se moderando à medida que foi crescendo. Essa trajetória é idêntica ao SPD alemão fundado em 1875, ao Partido Socialista Operário Espanhol fundado em 1879, ao Partido Trabalhista britânico fundado em 1898 e também aos socialistas franceses e ex-comunistas italianos. O PT tem pouco mais de 30 anos de existência. Caminha, obviamente, para ser tão longevo quanto o SPD, o PSOE ou o Labour Party.

César Maia provavelmente continuará sem mandato. Não conseguirá nem mesmo ser eleito para a segunda vaga de senador pelo Rio. Esse resultado seria difícil de prever tomando-se o estilo analítico do próprio César Maia, recorrendo-se a coisas como jogo de coordenação ou luta de espadachins. Porém, analisando-se a avaliação dele ao sair da prefeitura do Rio em 2008, somente 23% de ótimo e bom, seria fácil prever o atual desfecho da eleição para o Senado. O povo do Rio não lhe premiaria com o Senado em razão do péssimo desempenho que teve no seu último mandato de prefeito.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de “A Cabeça do Brasileiro” e “O Dedo na Ferida: menos Imposto, mais Consumo”.

E-mail: Alberto.almeida@institutoanalise.com www.twitter.com/albertocalmeida

Escolhendo o presidente neste domingo, o eleitor estará indicando também o caminho da renovação da oposição

blog favre
As vésperas de votar, o eleitorado que se identifica com o PSDB e a oposição já esta confrontado com a disputa aberta entre os diversos componentes do campo oposicionista, sobre o futuro da aliança PSDB-DEM-PPS.

Pelas projeções das pesquisas o DEM será reduzido quase à dimensão do PPS, a verdadeira questão do futuro desse campo passa mais que nunca pelo desfecho da disputa no interior do PSDB.

A renovação partidária bate na porta como exigência de sobrevivência e não só como necessidade geracional. José Serra terá disputado dois eleições presidenciais e se confirmadas as previsões, perdido ambas. Mas essas derrotas acompanharam um processo de declínio e não de construção ou progresso da formação tucana. Por isso não serão comparadas com as que acompanharam e pavimentaram a subida de Lula e o PT até o Planalto. No caso de Serra fecham um período e abrem uma interrogação sobre o futuro.

As chaves para entender esse processo de declínio estavam certamente inscritas na experiência dos oito anos da presidência de FHC, mas não é essencialmente esse fator o responsável do impasse atual. A impopularidade de FHC, que serviu de argumento para esconder-lo nas campanhas de 2006 e 2010, ofuscou o necessário balanço crítico daquele período. Nenhuma voz se elevou na liderança partidária tucana para defender um questionamento dos elementos centrais que marcaram essa experiência e expor a possibilidade de uma superação crítica do passado, uma verdadeira renovação.

Ao mesmo tempo, a oposição manifestada durante estes oito anos de governo Lula, foi marcada pela ausência de programa alternativo e um denuncismo hipócrita, alimentado por uma parte da mídia, que ocultou a ausência de programa e propostas alternativas de poder. Uma oposição com imagem raivosa e sem programa alternativo, aguardando um improvável desgaste do governo Lula que fizesse cair no seu colo novamente o governo. Tentada permanentemente pelo questionamento institucional, pela procura de crises e por saídas pouco democráticas.

A campanha Serra foi a expressão mais acabada dessa ausência de renovação programática e rapidamente apresentou sua face udenista mais raivosa. Ela posicionou claramente o seu candidato, como o candidato do revanchismo e da direita mais troglodita. Ela aponta para um caminho que faz cada vez mais do PSDB, um agrupamento de um setor das elites paulistas com um perfil de direita e conservador. Para esse setor, representado também por uma certa mídia, o PT é uma força política ilegítima e antidemocrática que deve ser destruída, banida do espaço democrático e tratada como caso de polícia.

Esse conservadorismo de direita, averso ao dialogo e em ruptura com o que foi a própria origem da formação peessedebista, ganhou corpo e encontra na figura de Geraldo Alckmin sua melhor representação. Foi essa a cara na disputa de 2006 e acabou sendo a cara na disputa de 2010, pelo desespero que ganhou conta do próprio Serra e pelo conteúdo social da sua candidatura. Essa “cara”, guarda um certo apoio no eleitorado paulista, herdando uma parte da tradicional escola da direita populista – conservadora, que acompanhou o ademarismo, o janismo e o malufismo. Recuperado precisamente na sua comum aversão à esquerda e ao PT hoje.

Mas o Brasil mudou. O empresariado não é mais aquele que proclamava sua fuga em massa, caso Lula vencesse às eleições. Hoje uma parte significativa do empresariado nacional vota abertamente em Dilma. Um setor majoritário das classes médias fora de São Paulo e até no Estado bastião do tucanato, vota pelos candidatos do PT ao Senado, para deputados e governadores. Ou em candidatos de formações políticas aliadas ao PT no governo, como é o caso de Sérgio Cabral (PMDB) no Rio, Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, para falar só em dois deles.

Mas talvez o mais emblemático seja o resultado da eleição para presidente, no próprio Estado de São Paulo. As pesquisas indicam um favoritismo de Dilma, que não deixa dúvidas sobre o impasse da candidatura presidencial tucana. Onde Serra pretendia ganhar com 6 milhões de votos de vantagem, onde governou antes de se lançar candidato, hoje disputa para evitar sua derrota.

Em essas circunstâncias, qual vai ser o significado da votação de domingo para o futuro do PSDB?

Os eleitores, da situação e da oposição, vão determinar também em grande medida o caminho que será percorrido pelo PSDB, a partir do “day after”.

Dois atores, aliás, já se posicionam para encarnar esse momento de questionamento, que se abrirá após as eleições,. E é o voto que determinará, em certa medida, o peso que terão no futuro.

O eleitorado do PSDB tem ainda a possibilidade de dar um conteúdo político ao seu voto, direcionado a escolher qual é o caminho que deseja para seu partido e para a oposição ao governo e ao PT.

Um desses atores é o que poderíamos denominar o PSDB paulista, ou mais adequadamente o “serrismo-alckminismo”, hoje agindo de conserto na orientação udenista descrita acima.

O jornal Valor descreve assim o processo pelo qual Alckmin se prepara para recuperar e unificar esse conglomerado:

“Acusado de rachar o partido nas eleições de 2006 e 2008, quando insistiu em disputar a Presidência da República e a prefeitura de São Paulo, respectivamente, chocando-se com os interesses da ala do partido fiel a José Serra, Alckmin quase não foi o candidato escolhido para a disputa estadual este ano. Apesar de, desde as primeiras pesquisas de intenção de voto, aparecer como provável vencedor já no primeiro turno, quaisquer que fossem os adversários, Alckmin não era o preferido de um bom pedaço do PSDB, incluindo boa parte dos 205 prefeitos tucanos no Estado e dos deputados estaduais do partido na Assembleia Legislativa. Aloysio Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil no governo Serra, era o outro nome cotado.

Alckmin foi o escolhido, mas teve de se submeter ao crivo da ala serrista. Sua campanha é toda cercada de pessoas da confiança de Serra. O marqueteiro, Luiz González, cuida das duas campanhas. Roger Ferreira, assessor de imprensa, que já havia trabalhado com Alckmin e pulou para a campanha de Gilberto Kassab (DEM) em 2008 (como boa parte do tucanato), está de volta. Sidney Beraldo, coordenador-geral, foi secretário de Gestão Pública no governo Serra. Escolhido por transitar nas duas alas do tucanato paulista, Beraldo teve ainda outra missão: trazer Kassab, seu amigo, a quem Alckmin chamara de “dissimulado” em 2008, para a campanha estadual.

Se a ideia era monitorar a fidelidade de Alckmin, este foi além. Disposto a reaver a confiança da ala serrista, tornou-se o mais fiel cabo eleitoral de Serra. Mesmo quando a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disparou nas pesquisas e Serra caiu, Alckmin foi dos únicos que se mantiveram, a cada evento público, a pedir votos ao presidenciável. “Geraldo sabe que será o grande nome do partido no Estado se o Serra perder. Mas só será um nome de expressão nacional se conquistar a parte do PSDB que hoje está com Serra”, avalia um integrante da campanha”. (Em SP, Alckmin aposta na unidade do PSDB para virar liderança nacional – VALOR 1/10/2010).

Desse lado é a continuidade da mesmice que levou a oposição ao impasse atual. Ela se beneficiaria da vitória de Alckmin ou de uma eventual ida de Serra para o segundo turno, para adiar qualquer processo de renovação que implique a ruptura com o denuncismo e a oposição raivosa. Manteria o governo estadual como um bunker fechado, não só para poder acolher os quadros partidários e se beneficiar da poderosa máquina de poder estadual, mas para alimentar a persistência de uma orientação conservadora.

O outro ator é representado pela força emergente de Aécio Neves, que marcou posição ao longo do último período, procurando representar a renovação do discurso social-democrata. Lançou pontes em direção a Ciro Gomes e não recusou o dialogo e os acordos até com setores do próprio PT. Ele foi escanteado pelo rolo compressor do serrismo e será mantido nessa situação provinciana, caso o bloco paulista do tucanato ganhe sobrevida na eleição nacional e estadual.

Chegou-se a afirmar que Aécio estaria de malas prontas para abandonar o PSDB, o que ele nega. Mas a verdade é que será o desfecho das urnas que determinará o caminho dessa importante liderança tucana.

Em momentos em que o eleitor estará teclando a urna eletrônica no domingo, ele estará escolhendo ao mesmo tempo qual será o caminho que percorrerão os atuais atores do tucanato e mais importante, estará escolhendo qual é o caminho que ele deseja para a oposição.

Votando Dilma e descartando um segundo turno na disputa presidencial, os eleitores tucanos contribuirão para derrotar a continuidade do udenismo raivoso no próprio tucanato. Estarão reforçando o caminho da renovação. A liderança de Dilma nos Estados governados pelo PSDB já manifesta essa disposição do eleitorado que se identifica com o tucanato. Particularmente no Estado de São Paulo, se Dilma derrotar Serra no primeiro turno, essa mensagem será avassaladora para o futuro nacional do PSDB.

A vitória de Dilma aparece como inelutável em todos os cenários projetados pelos institutos de pesquisas e pelos analistas políticos, no primeiro ou no segundo turno. Mas a derrota de Serra no primeiro turno é a garantia de um primeiro passo no caminho da renovação do próprio PSDB, eliminando e debilitando o polo conservador.

O voto Dilma é um voto útil, incluso para o eleitorado que não se identifica com ela e com o governo do presidente Lula, permitindo que esse processo de consolidação democrática – decantando e renovando a oposição – possa florescer no interior do PSDB

A três dias da eleição, preparados para tudo

log do zé

Publicado em 30-Set-2010
Faltam três dias para as eleições e temos que estar preparados...
Faltam três dias para as eleições e temos que estar preparados - sempre! - para o pior em se tratando de nossa direita, assumida pelo candidato conservador da oposição, José Serra (PSDB-DEM-PPS), pela midia e pelo tucanato. Agora, muito bem acompanhados pela candidata da onda verde que não houve, senadora Marina Silva (PV-AC).

Sem onda verde e com um instituto de pesquisas, o Datafolha, levantando miragens e tentando forçar um 2º turno descartado pelos números e percentuais de todos os demais, vamos aos fatos: não há, também, volume de campanha para mudanças no eleitorado.

Com este quadro, tanto José Serra quanto Marina dependem da mídia e do papel a ser desempenhado pela imprensa. Nem mesmo o debate da Rede Globo hoje à noite tem essa força para mudar a tendência de voto. Ainda que os apoiadores da tese do 2º turno apostem tudo nele como mais um fator que poderá alterar a tendência de vitória da candidata Dilma Rousseff (governo-PT-partidos aliados) no 1º turno.

A Serra só restam os últimos dias de campanha suja

Agora, só resta a José Serra, a campanha suja e baixa dos boatos e do denuncismo. Aliado com seu último e único reduto, que continua sendo o apoio descarado e aberto da mídia a seu favor e do 2º turno e contra o PT, o presidente Lula, o governo e a candidatura Dilma.

E repito, tendo Marina como coadjuvante, já que jamais a criadora, junto com o Barão de Limeira, da onda verde, subiria 14 pontos para ir ao 2º turno e ser ela a disputar com Dilma.

Nos três dias que restam até a eleição, o que interessa agora, então, é a campanha na rua - até ás 22h do sábado, segundo a legislação. Vamos visitar cada casa do Brasil, percorrer os bairros (residenciais) e os centros comerciais.

Vamos vencer no 1º turno como comprovam as pesquisas todas - salvo a exceção Datafolha - inclusive para governador e senador Estado a Estado. O que interessa agora, então, é fazer campanha ir para as ruas, ganhar votos e vencer no 1º turno. O Brasil mudou e o povo sabe disso. Ele quer e vamos vencer com ele.

Vejam o alerta do presidente Lula

Lula: "Pensam que nós somos eleitores bobinhos..."

log do zé

Publicado em 01-Out-2010
Serra se apossa do Bolsa Família e diz que foi criação sua...
“Hoje, os que diziam que era esmola estão, com a maior cara de pau, até prometendo 13º para o Bolsa Família. Eles pensam que nós somos aqueles eleitores bobinhos de 20 anos atrás. Tem um deles que até está prometendo aumento do salário mínimo. Ora, eles governam o Brasil há 500 anos. Por que não deram aumento de salário mínimo?”.

O lembrete e a pergunta são do presidente Lula em sua última participação na campanha presidencial deste ano, em Aracaju, na noite da 4ª feira. O presidente fez a declaração para destabelecer a comparação entre a política de aumento real do salário mínimo, sempre em índices acima da inflação, com a do governo FHC/Serra que o antecedeu e manteve durante seus oito anos uma política de permanente arrocho salarial.

Na comparação o presidente Lula lembrou que a política que implementou resultou em aumento real de 74% para o salário mínimo, índice muito superior ao da inflação acumulada dos seus oito anos de gestão.

Então, Serra criou um "bolsa esmola"?

Publico a evocação do presidente Lula por considerá-la oportuna num momento em que, ainda nesta madrugada, no debate entre presidenciáveis na Rede Globo, José Serra, o candidato da oposição (PSDB-DEM-PPS) tratou das duas questões - Bolsa Família e salário mín

E como sempre, a distorceu. Além de reiterar a promessa de salário mínimo de R$ 600,00 caso se elegesse, o candidato repetiu que foi um dos criadores do Bolsa Família ao instituirem durante seu governo com FHC um bolsa alimentação e um bolsa educação.

Agora a campanha já acabou mas, para o futuro José Serra precisa decidir seu dilema hamletiano: eles criaram um embrião do "bolsa esmola" como eles chamaram durante todos estes anos o programa do presidente Lula, ou um embrião do Bolsa Família? Se foi do Bolsa Família, porque seus companheiros tucanos chegaram a anunciar que ele extinguiria o programa caso se elegesse presidente e depois voltaram atrás diante da repercussão negativa

Dilma só não se elege domingo no Datafolha

BALAIO DO KOTSCHO
Caros amigos,

não esqueci de vocês, mas é que tive um problema de saúde na volta do Recife (nada muito grave) e passei esta quinta-feira no pronto-socorro esperando a internação no hospital Sirio-Libanês. No Brasil, até os hospitais andam lotados, não são só os aviões e os aeroportos…

Enquanto espero a primeira refeição do dia, escrevo rapidamente só para dar uma satisfação aos leitores do Balaio e falar de uma constatação que fiz ao ler o noticiário: apesar de todo o barulho dos últimos dias, do tal “sobe e desce das pesquisas”, tudo indica que a eleição será mesmo decidida já no domingo.

Pena que não vou poder votar (eu voto em Porangaba e não deverei ter alta até domingo). É a primeira eleição que perco na vida. Votem por mim.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Três dos quatro principais institutos de pesquisa do país _ Ibope, Vox Populi e Sensus _ apontam a vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno das eleições, com mais votos do que a soma dos seus adversários, fora da margem de erro, segundo as mais recentes pesquisas divulgadas.

A exceção, mais uma vez, ficou por conta do Datafolha, que registrou uma diferença bem menor a favor de Dilma. Explica o jornal do mesmo nome: “Os rivais de Dilma somam 48% dos votos válidos; ela precisa de 50% mais um para vencer já neste domingo. Como a margem de erro é de dois pontos, é impossível afirmar com segurança que não haverá segundo turno”.

Com segurança, de fato, ninguém pode afirmar nada, antes da abertura das urnas, mas vamos aos últimos números:

Vox Populi: Dilma 55 X 45% da soma dos adversários. Diferença de 10 pontos nos votos válidos.

Ibope: Dilma 55 X 44% da soma dos adversários. Diferença de 11 pontos nos votos válidos.

Sensus: Dilma 54 X 43% da soma dos adversários. Diferença de 11 pontos nos votos válidos.

Datafolha: Dilma 52 X 48% da soma dos adversários. Diferença de apenas 2 pontos.

O que explica esta discrepância que chama a atenção? A explicação mais frequente é a diferença na metodologia aplicada pelos institutos. O Datafolha é o único que ouve os eleitores na rua, em pontos de movimento; os outros três fazem entrevistas domiciliares.

Como o Datafolha adota a mesma metodologia desde a sua fundação, e nas eleições anteriores não houve tanta diferença nas projeções, alguma coisa estranha acontece este ano. O Datafolha foi o último a admitir a passagem de Dilma para a liderança e a possibilidade de ganhar no primeiro turno. Seus números sempre foram mais favoráveis aos candidatos da oposição.

O colega Merval Pereira, de O Globo, sugeriu hoje, em sua coluna que “essas diferenças entre os institutos de pesquisa vão ter de ser estudadas quando acabarem as eleições”. Também acho. Resta saber quem fará este estudo e onde será publicado.

Como escrevo antes dos últimos programas eleitorais na TV e do debate da Globo, em que todos jogarão sua última cartada, corro o risco de quebrar a cara, claro, mas desconfio que não há mais tempo para grandes novidades no front eleitoral. Pode ser que todos estejamos errados e só a Folha tenha os números certos. No domingo, vamos saber.

Em tempo: no último dia do seu rally aéreo pelo país, a bordo do jatinho do JN, quero dar os parabéns ao repórter Ernesto Paglia pelo belo trabalho jornalístico que levou ao ar e por nos mostrar um Brasil real que, na rotina do dia a dia das redações, ficou sem espaço na mídia. Não se deve confundir o trabalho sério do repórter com a política editorial da empresa onde trabalha

Os demos no inferno; até o diabo rejeita(OU OS DEMOS EXPULSOS DO INFERNO POR PLÁGIO/IMITAÇÃO DESCARADA)

BLOG DO MIRO

Por Altamiro Borges

Vários estudos indicam que os demos – ex-Arena e ex-PDS no período na ditadura militar e ex-PFL no reinado neoliberal de FHC – caminham para o inferno na eleição deste domingo. O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) estima que o partido perderá cerca de 20 deputados e elegerá só dois senadores. Reportagem do Jornal do Brasil, intitulada “A derrocada do DEM”, foi ainda mais dura nas previsões e já antecipa o fim desta legenda da direita nativa.

Segundo a jornalista Ana Paula Siqueira, “se antes era um dos maiores partidos do país, sempre presente nos governos, hoje o Democratas (DEM) amarga a redução de seu poder. Nas últimas eleições, o número de candidatos eleitos pela legenda diminuiu gradativamente. E, caso as urnas mantenham o que indicam as pesquisas eleitorais, o alcance do partido será ainda menor depois de 3 de outubro. Membros da legenda reconhecem a necessidade de mudança para alterar esse quadro e, entre as possibilidades, está o fim da dependência do PSDB” e o próprio fim da sigla.

A crise da direita nativa

Dos quatro candidatos a governador pelo partido, apenas dois teriam chances reais de ganhar: os senadores Raimundo Colombo, em Santa Catarina, e Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte. “Já entre os 12 candidatos da legenda ao Senado, apenas três podem alcançar a vitória: José Agripino Maia (RN), Marco Maciel (PE) e Demóstenes Torres (GO), único na legenda a liderar as intenções de voto para o cargo”, afirmou a repórter. Pesquisas recentes, no entanto, indicam que o “senador desde o império”, Marco Maciel, já dançou em Pernambuco.

A situação dos demos reflete bem a crise da direita brasileira. Fisiológico e corrupta, ela cresceu no período da ditadura, mamando nas tetas do Estado. Já na fase destrutiva do neoliberalismo, no reinado de FHC, ela virou apêndice da “burguesia moderna” do PSDB e tirou as suas vantagens eleitorais. A partir da eleição de Lula, o definhamento foi acelerado. Ela ainda tentou se travestir de ética. Mas, aos poucos, caiu a máscara destes direitistas, mais sujos do que pau de galinheiro. A reportagem do Jornal do Brasil descreve em detalhes esta trajetória declinante e fúnebre:

Declínio e extermínio

“Em 1998, o partido conseguiu eleger 152 deputados estaduais e uma bancada de 90 federais. Apesar de contarem com apenas cinco senadores, nove governadores foram eleitos naquele ano. Em 2002, os resultados pioraram. Enquanto 111 deputados estaduais foram eleitos, 41 a menos que no pleito anterior, a bancada federal caiu para 73 parlamentares. O número de governadores eleitos diminuiu para cinco. Mas, em compensação, 14 senadores foram eleitos. Nas eleições passadas, a tendência de queda se manteve com a eleição de 98 estaduais, 54 federais, seis senadores e um único governador” – José Roberto Arruda, no Distrito Federal.

A prisão do demo Arruda abalou ainda mais as expectativas do partido para este ano e enterrou de vez seu falso discurso ético. Já a indicação do deputado Índio da Costa, batizado de “indiota”, para vice de José Serra, confirmou as graves limitações da legenda. Ela envelheceu e seus novos dirigentes, na maioria filhos dos ex-coronéis do partido, são inexpressivos. A sigla é vista como um apêndice servil do PSDB. Na opinião de diversos especialistas, o DEM não tem mais futuro. O diabo, preocupado, já criticou o uso do apelido demos e avisou que não há vagas no inferno

LULA: As democracias mundiais condenam a tentativa de golpe no Equador

O presidente Lula, em entrevista após cerimônia de inauguração da República Terapêutica e do Consultório de Rua para Dependentes Químicos e outras ações relacionadas ao Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, comentou sobre rebelião ocorrida no Equador nas últimas horas, nesta sexta-feira (1º/10), em São Bernardo do Campo. Segundo Lula “é melhor as pessoas discutirem, fazerem acordo, mas um presidente eleito precisa ser respeitado”. O presidente brasileiro disse que Rafael Correa é um grande presidente e que precisa ser respeitado.

“Não é possível que as pessoas não entendam que esse tipo de tentativa não é correta. Policiais jogarem bomba em um presidente é menos correto ainda. Então eu acho que todos nós da América Latina e do mundo, todos nós democratas precisamos condenar da forma mais veemente possível essa tentativa de golpe no Equador e apoiar o presidente Rafael Correa. Eu acho que hoje os golpistas já se deram conta da burrice que fizeram. E nós, todos os presidentes da América do Sul, sem nenhuma restrição, apoiamos a democracia no Equador e a manutenção do presidente Rafael Correa”, disse.

EQUADOR - 13 HORAS DE CORAGEM E DIGNIDADE DO POVO

POVO FOI ÀS RUAS E AJUDOU A LIBERTAR O PRESIDENTE SEQUESTRADO NUM HOSPITAL...O POVO RESISTIU TAMBÉM GRAÇAS AOS CANAIS DE TELEVISÃO PÚBLICA - TELE-SUR E, PRINCIPALMENTE, DO CANAL PÚBLICO ECUADOR-TV....

LIBERDADE DE EXPRESSÃO JÁ É DE TODOS, NÃO SÓ DOS DONOS DA GRANDE MÍDIA GOLPISTA...

SIGNOS DA LIBERDADE...

APRENDIZAGEM DEMOCRÁTICA: TELE-SUR E TV PÚBLICA EQUATORIANA FORAM FUNDAMENTAIS PARA EVITAR O GOLPE CONTRA CORREA

VENDO A EC-TV
http://www.ecuadortv.ec/ecu.php?c=1227
A LIBERDADE DE EXPRESSÃO JÁ É DE TODOS, NÃO SÓ DOS DONOS DA GRANDE MÍDIA GOLPISTA...

Hitchcock: Em "Sabotagem", a inocência do espetáculo é desnudada


Em "Sabotagem", a inocência do espetáculo é desnudada
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA

É verdade que "Sabotagem" tem lá seus problemas, e Hitchcock bem o reconhecia. Ele lamentava, por exemplo, a falta de suspense na sequência em que um menino leva uma bomba-relógio. Quando explode, é inesperado, apenas. Surpreendente: Hitchcock não gostava disso.
Mas há coisas encantadoras. Por exemplo, a ideia de que o sabotador seja um gerente de cinema, o que sabota a inocência do espetáculo: o agradável e o terrível convivem com frequência.
Que se veja a imagem das freiras que riem de maneira diabólica (Truffaut chama atenção para elas): é Hitchcock, parece Buñuel.
Por fim, o primeiro nome do filme no Brasil foi "O Marido Era o Culpado". Não muda nada, mas que parece aquelas piadas de português, parece

HORÁRIO ELEITORAL NÃO ACABOU; até domingo o PIG favorecerá Serra, claro...

PIG
PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA, VINCULADA DESDE SEMPRE AOS DEMOTUCANOS E UDENISTAS EM GERAL,, HISTÓRICOS....HISTÉRICOS...GOLPISTAS, COMO O CORVO-URUBUZANTE LACERDA

ARGENTINA: Governo tenta reduzir clientes do Grupo Clarín. SE A MODA PEGA,HEIN?

ARGENTINA


O governo Cristina Kirchner iniciou campanha para reduzir a lista de clientes da Fibertel, provedor de internet do Grupo Clarín, com quem briga na Justiça. E-mail enviado para 50 mil pessoas anuncia que a empresa está operando ilegalmente e convoca usuários a migrarem para outra empresa

Nós temos que defender a liberdade de imprensa.

O presidente Lula tem feito críticas à imprensa e dito que parte dela trata com ódio o seu governo. O sr. concorda?
Acho que a atuação da imprensa está desequilibrada. Quero repetir o que disse dom Pedro 2º: a imprensa se combate com a imprensa. Nós temos que defender a liberdade de imprensa.
CÂNDIDO VACCAREZZA

fsp

Desequilibrada como?
O Brasil real ficou fora dos jornais um bom período e há um engajamento exagerado de segmentos da imprensa em determinada candidatura. No caso do Brasil, você não tem um segmento que defenda a limitação ou restrição de liberdade de imprensa. Eu defendo que para as eleições e para mídia devíamos ter algo semelhante ao Conar [Conselho de Autorregulação Publicitária].
Vou dar um exemplo do partidarismo. Gosto muito da Folha, mas a Folha fez duas manchetes que, se não tivesse eleição, não faria. "Dilma dá um prejuízo de R$ 1 bilhão aos consumidores de energia", e a matéria não tinha nada a ver com essa manchete. E "Filho do braço direito de Dilma fez lobby".
Uma manchete dessas, se não tivesse partidarismo, não sairia. Se não fosse época de eleição, seria "filho da ministra Erenice".

Lula a Economist : "Dilma vai surpreender o mundo".

//"VAI SURPREENDER O MUNDO"

A "Economist" também transcreve uma longa entrevista que fez com o presidente e publica a reportagem "O legado de Lula". Abre ouvindo uma vendedora de flores, para quem Lula foi "o melhor presidente de todos os tempos", e Marcelo Neri, da FGV, que descreve, na economia, "o melhor momento em toda a história do Brasil".
A revista destaca, entre as declarações de Lula, que "estamos começando a assentar os passos para que os mais pobres comecem a ascender à classe média". Questionado se ainda pretende voltar, "Você pode ter certeza de uma coisa: eu estou indo embora".
E questionado sobre a sua candidata: "Dilma vai surpreender o mundo".

Lula a Econoist : "Dilma vai surpreender o mundo".

//"VAI SURPREENDER O MUNDO"

A "Economist" também transcreve uma longa entrevista que fez com o presidente e publica a reportagem "O legado de Lula". Abre ouvindo uma vendedora de flores, para quem Lula foi "o melhor presidente de todos os tempos", e Marcelo Neri, da FGV, que descreve, na economia, "o melhor momento em toda a história do Brasil".
A revista destaca, entre as declarações de Lula, que "estamos começando a assentar os passos para que os mais pobres comecem a ascender à classe média". Questionado se ainda pretende voltar, "Você pode ter certeza de uma coisa: eu estou indo embora".
E questionado sobre a sua candidata: "Dilma vai surpreender o mundo".

Em alta, petista diz ter "certeza" de um 2º turno

DANIELA LIMA
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

Com o resultado da última pesquisa Datafolha para o governo de São Paulo, o candidato do PT, Aloizio Mercadante, disse ter "certeza" de um segundo turno no Estado.
A pesquisa registrou crescimento do petista, de 23% para 27% das intenções de voto.
"O que eu vejo nas ruas me dá certeza que estou no segundo turno. E quando isso acontecer, ele [Alckmin] não vai poder fugir do debate", disse Mercadante. O tucano desconversou: "não vou entrar em provocação".
Para o discurso do petista se tornar realidade, no entanto, Mercadante ainda precisaria roubar de dois a seis pontos de Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, com 49%.
Alckmin desdenha da possibilidade, no entanto. "Impressionante, se nós pegarmos o mês de julho, tínhamos 49%, 48%, uma enorme de uma consistência no nosso eleitorado."
Para tentar tomar esses votos do tucano, o petista aproveitará os últimos dias antes das eleições para usar ao máximo a presença do presidente Lula no Estado.
O presidente fará caminhada amanhã com Mercadante em São Bernardo do Campo, um dos redutos petistas na Grande São Paulo.

COMÍCIO
Lula também votará em São Bernardo do Campo no domingo ao lado do petista. Em comício ontem à noite na cidade, o presidente atacou Alckmin.
"Em 2006, eu fui para o segundo turno com esse sujeito [Alckmin]. E o dado concreto é o seguinte: eu ganhei 12 milhões de votos e ele perdeu 3 milhões. Dessa vez, ele vai perder 12 milhões de votos e você [Mercadante] vai ganhar o que for preciso", disse Lula.
Ontem, durante o dia, Mercadante fez carreatas em São Paulo ao lado da candidata ao Senado pelo PT, Marta Suplicy.
Alckmin fez campanha em São Paulo, Várzea Paulista e Pindamonhangaba.
Hoje, Alckmin e Mercadante fazem carreatas na capital e caminhadas em Guarulhos -as duas maiores cidades do Estado.

E o Beto Richa barra mais uma pesquisa no Paraná. Nome do advogado: Luciano CARRASCO!

macaco simão
fsp

Serra sobe um pouco, chega a 28 pontos e já ameaça o São Paulo". Rarará!

macaco simão

Lula ataca mídia, mas diz que não teria sido eleito sem ela

IMPRENSA
fsp


DE BRASÍLIA - Em entrevista concedida ontem ao site "Carta Maior", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar a imprensa, mas admitiu que, sem ela, não teria sido eleito presidente. "Não reclamo muito da imprensa porque eu acho que cheguei onde cheguei por causa da imprensa."
Lula disse que alguns meios de comunicação possuem "compromisso partidário". E reclamou das notícias negativas sobre seu governo dizendo que, se dependesse da mídia, teria "menos 10 de aprovação, estaria devendo pontos".
Ele também criticou a cobertura eleitoral da imprensa.
"Seria mais fácil que alguns meios de comunicação assumissem, categoricamente, seu compromisso partidário. E aí, a gente ficaria sabendo quem é quem, mas não é assim que funciona no Brasil. Parece tudo independente, mas é só ver as manchetes que a independência termina onde começa."
Lula se disse um "defensor juramentado da liberdade de expressão e da democracia".

Jefferson chama Serra de "autista" e diz que apoio do PTB é "anódino"

fsp
"Ele se preocupa com a biografia e não com as pessoas do entorno. É um cara fechado nele mesmo."

CGU desmonta mentiras da veja e da Folha, mas Folha insiste nas mentiras plantadas inicialmente por estelionatário, Compare


CGU conclui primeiras apurações das denúncias feitas no período eleitoral

A Controladoria-Geral da União (CGU) já concluiu quatro das nove auditorias que vem realizando em contratos, licitações, autorizações, pagamentos e outros atos administrativos que, segundo denúncias feitas nas últimas semanas por veículos de comunicação, seriam irregulares.

Notas Técnicas sobre as apurações já concluídas foram encaminhadas hoje pelo Ministro-Chefe da CGU, Jorge Hage, ao Presidente Lula, que havia determinado à CGU a apuração de todas as denúncias. Os demais casos continuam em apuração.

Confira a íntegra das notas técnicas sobre as apurações já concluídas.

Matra Mineração

Uma das auditorias já concluídas diz respeito a suposto beneficiamento à empresa Matra Mineração Ltda, do empresário José Roberto Camargo Campos, pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, que em 2004 teria arquivado indevidamente 14 multas aplicadas à empresa. As multas, decorrentes de diversos processos, foram de fato anuladas em decorrência de erros apontados pela própria Procuradoria-Geral do órgão quanto aos seus respectivos valores, mas foram reaplicadas com os valores corretos e republicadas no Diário Oficial da União, edição de 20.08.2008.

Os débitos relativos tanto às multas quanto à Taxa Anual por Hectare (TAH) em atraso, totalizando R$ 129,4 mil, foram parcelados após processos regulares e divididos em 60 parcelas, das quais foram pagas 25, restando ainda 35 não vencidas.

Quanto aos alvarás concedidos à empresa para pesquisa de ouro em Planaltina (GO), ambos caducaram pelo não pagamento da TAH, e seus débitos constam de dois processos de cobrança e parcelamento regulares, um dos quais, no valor de R$ 6,5 mil, já totalmente quitado (21 parcelas), e o outro no montante de R$ 21,2 mil, em 60 parcelas, com 25 parcelas pagas e 35 a vencer.

A CGU analisou ainda os processos de exploração mineral ativos que têm a Matra Mineração como detentora, constatando que os alvarás concedidos estão dentro do prazo de vigência, os processos estão devidamente constituídos pela documentação exigida no Código de Mineração e o pagamento da TAH foi feito nos prazos legais, não sendo objetos de autuação ou imposição de multas.

Compra do Tamiflu

Com relação à compra, pelo Ministério da Saúde, do Tamiflu, medicamento utilizado para o enfrentamento da pandemia da gripe H1N1, a CGU analisou oito processos de aquisição de cápsulas para uso final e de insumos para sua fabricação, concluindo que tudo ocorreu dentro da normalidade, sem quaisquer irregularidades, seja quanto às quantidades adquiridas, seja quanto ao preço, seja, ainda, quanto ao fornecedor, que, aliás, é o único fabricante mundial.

Sem possibilidade de disputa entre fornecedores, com preços previamente estabelecidos e internacionalmente divulgados pelo único laboratório fabricante, e adquirido nas quantidades recomendadas pela Organização Mundial de Saúde no âmbito de uma pandemia, não se vislumbrou qualquer espaço ou oportunidade para a alegada cobrança de propina no processo de aquisição desse medicamento, tal como denunciado por alguns órgãos da imprensa. Além disso, todo o processo de compra foi conduzido pelo Ministério da Saúde, sem qualquer participação de outras áreas do Governo.

Escritório de advocacia

Já foi concluída, também, a análise feita sobre a contratação, em agosto do ano passado, por R$ 80 mil, do escritório de advocacia Trajano & Silva Advogados, por inexigibilidade de licitação, pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE). As denúncias divulgadas na mídia davam conta de que a empresa teria como sócio Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão da consultora jurídica da EPE, Maria Euriza Alves de Carvalho.

A apuração feita pela CGU revelou que Antonio Eudacy somente passou a compor o quadro societário da Trajano & Silva em 19 de novembro de 2009, quando o contrato entre a empresa de advocacia e a EPE já havia terminado. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), verificou-se que Antonio Eudacy não manteve vínculo anterior com a empresa Trajano & Silva.

A auditoria mostrou que, embora o fundamento da contratação por inexigibilidade fosse equivocado, diante da inexistência de singularidade ou especialidade da ação judicial em discussão, a licitação podia ser realmente dispensada, pela emergência, em função da exigüidade do prazo para interposição do necessário recurso judicial contra a empresa Angélica Agroenergia Ltda, no curso de um leilão.

Quanto à pesquisa de mercado para fixação do preço do serviço, embora tenha sido feita somente com a Trajano & Silva e balizada em propostas anteriormente obtidas para execução de serviços na área de Direito Tributário, o que não guarda relação adequada com o objeto da contratação em tela, não se observou discrepância de valores em relação a contratação anterior, com objetivo semelhante, ficando o preço final pago dentro dos padrões usuais para esse tipo de serviço (R$ 25 mil). Além disso, houve regular comprovação da prestação do serviço pago.

A diferença entre o preço originalmente contratado (R$ 80 mil) e o valor efetivamente pago (R$ 25 mil) é explicada por ter havido desistência de uma das partes no curso da ação e, consequentemente, redução do serviço, hipótese em que, segundo o contrato, seria pago apenas aquilo que foi feito até então pelo escritório.

Isso não obstante, a CGU está recomendando à EPE maior cuidado e precisão no enquadramento das hipóteses de inexigibilidade de licitações e recomendando que a empresa fundamente suas futuras contratações com base em amplas pesquisas de preço.

EDRB, BNDES e Chesf

Com relação à empresa EDRB, que, segundo as denúncias, pleiteava financiamento junto ao BNDES e aval técnico da Chesf para implantação de um projeto de geração de energia heliotérmica no Nordeste, a CGU apurou inicialmente junto à Chesf que houve apenas uma reunião no escritório da Chesf, em São Paulo, no dia 2.12.09, entre o diretor de Engenharia e Construção da Chesf (José Ailton de Lima) e representantes da empresa EDBR (Aldo Wagner, Carlos Cavenaghi, Marcelo Mello e Runnei Quícoli). Na reunião, o dirigente da Chesf comunicou a decisão da companhia hidrelétrica pela inviabilidade do projeto. Não houve sequer a formalização de uma proposta, dando-se por encerrado o assunto.

O BNDES, por sua vez, atendendo solicitação da CGU, encaminhou cópia dos seguintes documentos: pedido de financiamento de cerca de R$ 3 bilhões protocolado pela EDRB em 26.02.2010; parecer da área técnica concluindo, em 24.03.2010, que o valor do investimento é bastante elevado diante do porte da empresa, que havia relevantes riscos envolvidos, inclusive tecnológicos, que as garantias não ofereciam segurança necessária para a operação, que o local do empreendimento ainda não fora definido, o que impedia seu licenciamento ambiental, e que não havia definição quanto à transmissão da energia gerada; ata da 257ª Reunião do Comitê de Enquadramento e Crédito, de 29/03/2010, deliberando pelo não acolhimento do pleito, assinada por 13 Superintendentes de áreas do Banco e pelo Coordenador do Comitê; carta de 29.03.2010, comunicando à empresa EDRB a decisão do Comitê de não atendimento da solicitação, por a mesma não estar de acordo com os critérios de enquadramento do Sistema BNDES; e, por fim, cópia do aviso de recebimento da carta pela EDRB.

Após analisar a documentação disponibilizada, a CGU concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos pelos normativos internos daquela instituição financeira.

Ministério das Cidades e FUB

Já na análise dos processos relativos à contratação da Fundação Universidade de Brasília (FUB) pelo Ministério das Cidades (MCid), para a elaboração de planos diretores integrados de mobilidade urbana em áreas metropolitanas, a auditoria da CGU, embora ainda não esteja concluída, encontrou indícios de irregularidades relacionadas, sobretudo, à escolha da instituição para a realização dos serviços e ao pagamento de R$ 2,1 milhões por produto que aparentemente não atendeu à demanda estabelecida pelo MCid. Em vista disso, a CGU está notificando o MCid, para que se manifeste e esclareça se tomou as providências cabíveis. Depois disso, será concluído o relatório.

Quanto ao possível envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho nesses fatos, o que se tem até o momento é constatação de que ele foi assessor na Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana (Semob) do Ministério das Cidades, e contratado pela Editora UnB, em períodos próximos e seguidos, na época dos fatos.

Papel da auditoria

Vale lembrar que, como órgão de auditoria, cabe à CGU apurar a regularidade ou irregularidades dos contratos, licitações, pagamentos e quaisquer outros atos administrativos de gestão, verificando, entre outras coisas, eventuais direcionamentos de processos licitatórios, dispensas indevidas, prática de sobrepreço ou superfaturamento, reajustes contratuais injustificados, pagamentos por bens ou serviços não entregues etc.

A partir daí, é acionada a área de Corregedoria da CGU, para abertura de processo administrativo, quando há indícios de condutas irregulares de gestores ou servidores federais. E, quando necessário, os relatórios de auditoria são enviados também à Polícia Federal, órgão incumbido da investigação criminal.

Neste caso, independentemente de haver ou não indícios de crime, a ordem do Governo é encaminhar todos os relatórios à Polícia Federal, para que ela disponha da totalidade das informações.

Assim, o Ministro Jorge Hage está encaminhando hoje mesmo ao Ministro Luiz Paulo Barreto, da Justiça, os resultados das apurações já concluídas e acima descritas.

Por outro lado, prossegue na CGU a apuração das denúncias de irregularidades nos contratos firmados entre a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e a empresa MTA, para o que estão sendo analisadas as licitações, dispensas e contratos firmados entre as duas empresas; no processo de renovação de concessão à MTA pela Anac, já tendo sido prestadas, pela presidência da agência, as informações sobre a renovação, que ora se encontram sob análise dos auditores da CGU; no processo de concessão à empresa Unicel pela Anatel, em fase de análise dos processos de expedição de outorga, já encaminhados pela agência à CGU; e nos contratos de patrocínios à empresa Corsini Racing pela Eletrobrás, cujas informações chegaram à CGU na data de ontem

Controladoria poupa Casa Civil em auditoria
CGU vê irregularidade em contrato com editora da UnB, onde o irmão de Erenice atuava

DE BRASÍLIA

A dois dias da eleição, o governo federal divulgou parte da auditoria nos contratos suspeitos de tráfico de influência na Casa Civil sem apontar como atuaram filhos e irmãos de Erenice Guerra.
A maioria dos casos será auditada depois das eleições. O relatório constata apenas um indício de irregularidade.
Das 9 auditorias da CGU (Controladoria Geral da União), 4 foram publicadas ontem e só em um caso foi apontado indício de irregularidade, de R$ 2,1 milhões.
O governo federal analisou os pedidos de financiamento da empresa de energia solar EDRB junto ao BNDES.
O representante da EDRB, Rubnei Quícoli, afirmara que o negócio não foi viabilizado por não ter pago a "taxa de sucesso" para a empresa do filho de Erenice. O caso levou à demissão da ministra.
A CGU concluiu que o financiamento foi barrado por questões técnicas.
"O pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto e o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos", afirma a auditoria.
Não foram analisadas pelo órgão suspeitas de tráfico de influência e provas apresentadas por Quícoli, como a troca de e-mails com o ministério e a reunião com Erenice.
Segundo a Controladoria, há apenas uma "aparente" irregularidade de R$ 2,1 milhões envolvendo contratos da editora da UnB com o Ministério das Cidades. O irmão de Erenice, José Euricélio, era da direção da editora e trabalhou na mesma época nos dois órgãos. A auditoria desses contratos só será finalizada após a pasta se justificar.
O governo analisou o processo de compra do remédio Tamiflu, para combater a gripe suína. Segundo a "Veja", Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil, teria recebido R$ 200 mil de propina. "Sem possibilidade de disputa entre fornecedores, com preços previamente estabelecidos pelo único fabricante, não se vislumbrou qualquer oportunidade para a alegada cobrança de propina", diz.
Segundo o órgão, também não foram encontradas irregularidades na contratação de escritório de advocacia ligado ao irmão de Erenice. O irmão da ex-ministra não era sócio do escritório na época.

Dilma reafirma ser contra a prática do aborto

fsp
Dilma disse ser "pessoalmente contra" o aborto. "Nunca escondi que acho que a questão do tratamento das mulheres, principalmente das milhares de mulheres pobres que recorrem ao aborto, não é uma questão de polícia, é de saúde pública".
Questionada se, caso eleita, poderia enviar ao Congresso uma proposta que flexibilizasse ou descriminalizasse a questão, negou. "Eu não enviarei ao Congresso Nacional nenhuma medida para alterar legislação nenhuma [sobre o aborto]."
Dilma se disse, ainda, contra um plebiscito sobre o assunto, porque em outros países esse tipo de consulta já causou "animosidade entre irmão". O plebiscito é uma proposta de Marina.
Dilma voltou ao tema um dia depois do encontro com líderes religiosos para neutralizar uma campanha na internet vinculando a candidata à questão do aborto.
O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, também divulgou carta aos fiéis condenando rumores de que é contra Dilma por questões religiosas.
Macedo aparece em vídeos que circulam na internet defendendo a descriminalização do aborto.

Segundo a revista "IstoÉ", Paulo Preto arrecadou R$ 4 milhões que não entraram no caixa tucano.

na fsp

. "Serra é um blefe, como ele mesmo não cansa de demonstrar. Ele não resiste a uma hora de confronto com Dilma", diz o escritor Antônio Risério

na fsp

. "Serra é um blefe, como ele mesmo não cansa de demonstrar. Ele não resiste a uma hora de confronto com Dilma", diz o escritor Antônio Risério

na fsp

Datafolha pede que CNJ investigue juiz que barrou pesquisa no Paraná

fsp
Para instituto, magistrado criou "clima de censura" no Estado

DE SÃO PAULO

O Instituto de Pesquisas Datafolha requereu à corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, a instauração de processo disciplinar contra o juiz auxiliar Nicolau Konkel Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, por haver determinado a não divulgação de pesquisas eleitorais.
Na representação ao Conselho Nacional de Justiça, o Datafolha afirma que a decisão do juiz "criou um clima de censura no Estado do Paraná", o que configura "grave cerceamento à liberdade e direito de informação".
Os advogados Luis Francisco Carvalho Filho, Maurício de Carvalho Araújo e Marina Dias Werneck de Souza sustentam que o Datafolha obedece rigorosamente a Lei Eleitoral e seus critérios sempre foram aceitos pelo Tribunal Superior Eleitoral e tribunais regionais eleitorais.
O TRE do Paraná, contudo, passou a impedir, a partir do dia 22/9, a divulgação da pesquisa para o governo estadual, "criando um regime de censura prévia inaceitável".
Naquela data, a coligação "Novo Paraná", que apoia o candidato Beto Richa (PSDB), ingressou com representação, alegando pesquisa irregular. A contestação diz respeito aos critérios usados pelo Datafolha para escolher a amostra da pesquisa.
No mesmo dia, e sem ouvir a parte contrária, o juiz Konkel Júnior suspendeu, em liminar, o registro e a divulgação da pesquisa, sob pena de multa de R$ 100 mil.
O Datafolha pediu reconsideração, que foi indeferida. O instituto recorreu ao TRE-PR, que manteve a proibição.
O descumprimento dos prazos para julgamento interessa a partidos que tentam impedir a divulgação de pesquisas e "a Justiça Eleitoral não pode estar à mercê de interesses partidários", afirmam os advogados.
A última pesquisa Datafolha também foi impugnada

"Richa está se revelando um político de província, uma figura tacanha e de pendores autoritários. Se o futuro do PSDB for esse, coitado"

editorial da fsp. hoje
Com sua atitude obscurantista, o filho de José Richa está se revelando um político de província, uma figura tacanha e de pendores autoritários. Se o futuro do PSDB for esse, coitado do PSDB.

O Estado de S.Paulo MENTE E CULPA O GOVERNO POR INVESTIGAR

Como o Estadão tratou o relatório da CGU
Enviado por luisnassif, qui, 30/09/2010 - 22:32
Do Estadão.com.br

CGU blinda Erenice Guerra às vésperas da eleição

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.

As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice

Jorge Furtado : Em 4 denúncias, Folha erra em uma e mente em 3

BLOG luisnassif, sex, 01/10/2010 - 01:28

É difícil manter a serenidade frente ao péssimo jornalismo praticado pela Folha de S. Paulo. Das 4 irregularidades já apuradas na massaroca de denúncias do jornal contra o governo Lula, 3 eram mentira pura e simples:

1. O tal contrato intermediado por Rubnei Quícoli, a única fonte da Folha para algumas das calúnias que publicou (ver: http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado/cara-da-folha-de-s-paulo) era mentira, não passou de um delírio e tentativa de chantagem feito por um picareta, acolhido pela Folha. Não é possível afirmar se o malabarismo do texto do jornal para manter sua farsa pró-Serra é má-fé ou apenas incompetência, provavelmente uma mistura das duas coisas: "Como a Folha mostrou, o representante da EDRB, Rubnei Quícoli, afirma que... " A Folha mostrou que o picareta afirma que... Cruzes!

2. O "suborno do Tamiflu" inventado pela Veja também era mentira: "não se vislumbrou qualquer oportunidade para a alegada cobrança de propina", diz a CGU.

3. Segundo a CGU, também não foram encontradas irregularidades na contratação de escritório de advocacia ligado ao irmão de Erenice e na aplicação de multas de uma empresa de mineração do marido da ex-ministra. Mais uma mentira.

O que sobrou, segundo a Controladoria Geral da União foram, numa auditoria ainda não concluída, "indícios de irregularidade em contratos de R$ 2 milhões", que a incompetência/má-fé da Folha transforma em "irregularidades de 2 milhões" (Se você faz parte da minoria de leitores do jornal com alguma capacidade de raciocínio, talvez considere que irregularidades num "contrato de dois milhões" possam ser "irregularidades de 10 ou 100 reais" e não "irregularidades de 2 milhões"). A única relação dos supostos indícios de irregularidade da investigação não concluída é que o irmão da ministra trabalhava nos projetos. Foi o que sobrou das calúnias do jornal contra a honra de várias pessoas.

Ao invés de reconhecer que as graves denúncias que fez, baseadas na palavra de bandidos condenados, foram desmentidas pelas investigações da CGU, a Folha reapresenta a massaroca com um ilegível "infográfico" e a manchete: "Novo lobby da casa civil".

A Folha trata seus leitores como idiotas. Deve saber com quem fala.

CONVERSA AFIADA: O que Lula faria se Ali Kamel manipulasse o debate

O que Lula faria se Ali Kamel

Publicado em 30/09/2010 Compartilhe | Imprima | Vote (+41)


Na foto, o rio Titê, o último jazigo


Um dos momentos mais trevosos da televisão brasileira tornou-se um exemplo mundial de como a televisão pode manipular uma eleição.

Trata-se da edição do jornal nacional na véspera da eleição do segundo turno com o debate entre Collor e Lula.

Roberto Marinho mandou editar tudo o que Collor fez de bom e tudo o que Lula fez de mau.

A seguir, entrou um editorial lido por Alexandre Maluf Garcia que associava a vitória de Collor aos mais elevados princípios da Democracia.

Livros de jornalismo pelas faculdades do mundo afora tratam desse episódio com espanto e horror.

Vamos supor que esta seja uma das últimas balas de prata do Serra e do Ali Kamel.

Ou, o que dá no mesmo, do Ali Kamel e do Serra.

Ali Kamel, o mais poderoso e obstinado jornalista que a Rede Globo já teve, é especialista em levar eleições para o segundo turno.

Uma edição do jornal nacional que ignorou a tragédia da Gol levou para o segundo turno a eleição de 2006.

Clique aqui para ler: “O primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.

O Conversa Afiada tem dito que o importante não é o debate mas, a edição do debate.

Vamos supor que a Globo resolva reeditar amanhã o debate entre Collor e Lula: tudo de bom do Serra e tudo de mau da Dilma.

Trata-se de uma suposição.

O que o Lula poderia fazer ?

O Lula poderia convocar uma rede de rádio e televisão na sexta à noite e no sábado e desmascarar o Kamel e a Globo.

Ao contrário de 89, na eleição de Lula e Collor, hoje tem Internet.

Hoje tem blog sujo.

Hoje tem Twitter.

E o debate, numa versão fidedigna, com uma edição equilibrada, estará no ar poucos minutos depois de encerrar-se e nessa entrada em rede nacional o Lula poderia exibir o debate de uma forma levemente diferente daquela que a Globo exibisse.

Este Conversa Afiada gostaria muito que isso acontecesse.

Este final melancólico de campanha permitiu que se afundassem nas límpidas águas do Tietê, uns enrolados nas tripas dos outros, como sugeria Voltaire, Serra, Dantas e Gilmar.

Se a Globo ousar fazer da edição do debate um novo exemplo de manipulação o Lula, por suposição, poderia enrolar as tripas do Ali Kamel nas tripas dos filhos do Roberto Marinho e jogar nas águas limpas do Rio Pinheiros.

Seria o glorioso funeral de um Brasil morto e provisoriamente insepulto.



Paulo Henrique Amorim

Dilma preside debate da Globo.

Serra não foi. Estava no telefone
DO CONVERSA AFIADA
Publicado em 01/10/2010
Serra depois de trucidar a Dilma: as olheiras se encontraram com as gengivas
O debate da Globo seria “decisivo”.

Segundo o PiG (*) e seus colonistas (**), no debate da Globo o jenio ia trucidar a Dilma.

Foi o oposto.

Dilma desmoralizou a platéia tucana, quando riu por ela dizer que todas as doações da campanha estavam registradas.

Dilma fica melhor quando vai para o ataque.

Não tem nenhum Ricardo Sérgio nas finanças da campanha da Dilma.

Dilma explicou muito bem o papel das UPPs no combate à violência urbana.

Dilma explicou os planos de expansão das ferrovias.

E, mais importante, ela explicou por que vai fazer um Governo de coalizão com o PMDB.

Dilma falou como Presidenta.

O Serra não foi ao debate.

Quando conseguiu se articular, além da manifestação autônoma de seu dedo anular direito, o jenio não foi mais do que um “prático em contabilidade”, como diz o meu amigo mineiro.

O amigo navegante se perguntaria – se conseguiu ficar até o fim – o que a Bláblárina Silva fez ali, além de enunciar o óbvio: tudo é “muito grave” !

Como ela explicaria que um anúncio da Natura entrou no break comercial do debate ?

Esquisito, não, amigo navegante ?

E o Serra ?

O que ele tem a oferecer ?

Por que ele quis ser Presidente, além de querer ser ?

Esse tipo de debate não vai a lugar nenhum.

Amanhã, este Conversa Afiada pretende comparar o debate presidencial no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo.

Candidato não sabe fazer pergunta.

Quem sabe fazer pergunta é jornalista.

Mas, no Brasil, os candidatos e os partidos precisaram se proteger dos jornalistas, invariavelmente partidários e, na maioria, tucanos.

Deu nisso.

Um debate inócuo.

Em 2002, o Serra também anunciou que ia esmagar o Lula no debate final da Globo.

De fato, conseguiu.

O Serra esmagou o Lula na eleição por 39% a 61%.

Foi o que aconteceu agora.

O Serra massacrou a Dilma.

E vai perder no primeiro turno.

O Serra, desde 2002, tem 30%.

Bye-bye Serra forever.

Em tempo: Serra criou o Bolsa Família, o genérico, o programa anti-Aids, a bússola, a energia a vapor, o telescópio e o avião. A Lei da Gravidade, porém, é concepção original do Fernando Henrique.

Em tempo 2: falta esperar o que o Ali Kamel vai fazer na edição do debate. E o que o Lula poderia fazer, se o Kamel manipulasse a edição.

Em tempo 3: ninguém perguntou ao Serra sobre o telefonema ao Gilmar. Não deixe de votar na trepidante enquete: o que acontece se você telefonar para o Gilmar.

Em tempo 4: aos 20 minutos desta sexta-feira, Serra era um caco. A máscara da derrota. As olheiras, finalmente, se encontraram com as gengivas. Um encontro triunfal.


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

Luís Carlos Lopes - Liberdade, liberdade, desça do céu e veja a verdade da vida dos homens

Sem o sonho, não se podem imaginar as possibilidades do futuro. Isto Cervantes sabia, há quatro séculos. Seus moinhos de ventos, armaduras e lanças de ataque continuam disponíveis a todos os ibero-americanos que não renegam sua história.

Luís Carlos Lopes

A questão da liberdade de opinião retornou mais uma vez ao cenário sociomidiático brasileiro. Novamente, poderosas forças se digladiam dizendo que suas opiniões e suas visões do que é a liberdade são as corretas. Quem é contra as mesmas é porque defende o totalitarismo. Neste, a única liberdade seria a permitida pelo governo, e as opiniões possíveis de serem aceitas consistiriam nas acreditadas pelo poder político de plantão. O justificado medo da verdade oficial dos regimes de força é manipulado e aplicado em situações que nada tem a ver com as várias tragédias políticas vividas no Brasil e no mundo nos últimos cem anos. Faz-se o jogo retórico de palavras misturando propositadamente termos complexos que permitem as mais diversas leituras. Como no dizer de um velho irracionalista televisivo: “Eu vim para confundir!” Não há nenhum interesse em convencer com base na compreensão dos fatos e das idéias. Esta é substituída pela emissão de palavras-conceito vazias de sentido. Isto leva a impossibilidade de um diálogo frutificante, aberto e desarmado onde se possa chegar à verdade, como pensavam os filósofos gregos.

A liberdade e a opinião vazias de objetividade servem a qualquer propósito e a qualquer sujeito. Facilmente, articulam-se para impedir que se tenham opiniões livres da manipulação, imaginando-se que se viva no reinado possível e relativo da mesma. O reino absoluto da liberdade de pensar é quimérico, logo, impossível de ser alcançado em sociedades com imensas diferenças sociais, culturais, políticas e ideológicas. Ela é, para os múltiplos barões das mídias, poder continuar usando dos artifícios da manipulação, lucrando com a omissão, a mentira e a intriga. Se alguém questionar esta ‘liberdade’ deve ser esmagado, por não respeitar o poder aristocrático dos barões. A liberdade de imprensa de que falam é, de fato, a liberdade das empresas que detêm em dizer o que bem entendam, de acordo com suas ligações e redes de interesses. É antiga a defesa da ‘liberdade’ em abstrato, sem esclarecer o que de fato se defende, ou melhor, o que está por trás da alegação que a mesma está em perigo. O velho liberalismo a praticou desde a revolução francesa. O recentíssimo neoliberalismo também se esmerou em se camuflar como campeão da liberdade, ‘de mercado’.

Como é fácil mobilizar pessoas de grande notoriedade para causas de um subjetivismo absurdo. Elas ficam bem quietas frente às várias questões candentes do mundo atual. Assistiram, por exemplo, os professores de São Paulo serem massacrados sem nenhum protesto. Pouco se manifestam sobre problemas efetivos como os relacionados à miséria e à ignorância de milhões. Todavia, atendem ao primeiro chamado, quando se imagina qualquer possibilidade de se questionar suas certezas, seus mundinhos particulares que as protegem da vida real da maioria. Assinam manifestos e participam em manifestações sem fazer qualquer esforço para entender a que senhores estão de fato servindo. Alguns estão muito velhos para serem chamados de ingênuos, mas, paradoxalmente, demonstram como não é difícil aceitarem a manipulação sem maiores objeções.

Imaginar mídias livres reais, talvez utopicamente, - O que seria de nós sem as utopias, mesmo discordando delas! - seria o mesmo que dizer que a sociedade controlaria diretamente e efetivamente todos os meios de comunicação. Estas mídias ideais seriam propriedades coletivas das populações que escolheriam os conteúdos e as formas do que fosse comunicado para todos. Não seriam empresas e nem pertenceriam aos governos. As notícias e os comentários seriam pautados de acordo com o interesse de cada comunidade. O entretenimento, recheado de tradições, sensos comuns e preconceitos seria substituído pelo que já existe e que poderia ser criado ou reproduzido em matéria das artes populares e eruditas e das ciências. A publicidade comercial daria lugar a reclames educativos e chamativos, lembrando as responsabilidades, os direitos e os deveres da população, transformada em reais cidadãos. A intriga seria banida para sempre de qualquer meio de comunicação. O racismo, o androcentrismo e o preconceito contra a inteligência teriam igual destino: a lata de lixo da história. Em suma, mídias livres de fato trabalhariam pela elevação das melhores qualidades humanas e pelo combate a todo e qualquer tipo de violência.

Se o leitor chegou até aqui deve estar pensando que o autor destas linhas enlouqueceu. Ele garante aos seus leitores que ainda não perdeu o juízo, o que não é impossível frente a tantos problemas vividos cotidianamente em décadas de existência. Há um certo desespero frente a algumas impossibilidades. Entretanto, ele acredita como um célebre barbudo do século XIX, que os problemas são colocados para serem resolvidos no seu justo tempo. Nem sempre percebe-se que este tempo chegou ou está para chegar. Não raro, imagina-se, com boa-vontade e pouco realismo, que está tudo pronto para ser resolvido amanhã. No dia seguinte, descobre-se que o caminho é longo e a estrada reserva novas dificuldades a ser superadas. Sem o sonho, não se podem imaginar as possibilidades do futuro. Isto Cervantes sabia, há quatro séculos. Seus moinhos de ventos, armaduras e lanças de ataque continuam disponíveis a todos os ibero-americanos que não renegam sua história.



Luís Carlos Lopes é professor e escritor.

Marcelo Salles - 3 de outubro: a chance dos povos brasileiro e latino-americano

O fato inegável, que a todo instante é negado pelas corporações de mídia, é muito simples: com a democratização da informação, os povos latino-americanos modificaram seu comportamento. Esse processo, mais lento em uns países, mais acelerado em outros, está em curso na América Latina.



"Acorda. É hora de sonhar" (pixação num muro de La Paz)

Caminho pelas ruas de La Paz e percebo algo em comum entre o garçom do Café Alexander, o motorista de táxi e o professor universitário. Todos conhecem bem o Brasil, seu clima, suas belezas naturais e até mesmo nuances políticas. Não duvido que o mesmo ocorra em outros países latino-americanos. Somos um gigante, temos dimensões continentais, quatro colheitas por ano, abundância em recursos naturais, parque industrial diversificado, uma população de 200 milhões de habitantes, forte mercado interno e uma economia que caminha para a quinta maior do mundo.

Por essas razões, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2007: "Para onde for o Brasil vai a América Latina".

Há um dado relevante nessa história. O conhecimento dos três paceños acima citados não se deu pelas vias tradicionais de acesso à informação. Um assiste documentários pela Telesur - que em La Paz está disponível na TV aberta, outro se informa pela internet e o terceiro já passou um tempo trabalhando em São Paulo. Mais uma coincidência: os três admiram o presidente Lula, "um homem do povo", dizem, assim como se referem a Evo Morales. Ambos os líderes têm cerca de 80% de aprovação popular. Nos Andes e no Nordeste, regiões mais pobres de Bolívia e Brasil, esses índices chegam a 90%.

Essa aprovação não decorre de uma espécie de burrice inata do povo pobre, como fazem parecer alguns direitistas. O povo, ao contrário do que imaginam, não é burro. Pode ser pragmático, mas burro não é. O cidadão não precisa ter curso superior para perceber a superioridade do governo Lula em relação ao governo anterior. Os avanços são muitos, a começar pela economia, pela política externa, pelo aumento real do salário mínimo, entre outros. Uma área em especial merece ser sublinhada: 21 milhões de brasileiros saíram da pobreza extrema e 30 milhões ingressaram na classe média. Num país como o Brasil, esse avanço pode significar mandar as duas filhas para a quermesse de domingo, pois já é possível comprar o segundo vestido da família. Na Bolívia, além do avanço na economia e do aumento real do salário mínimo, o atual governo simplesmente erradicou o analfabetismo.

Na reta final da campanha presidencial que vai decidir os rumos da América Latina, o foco dos ataques da direita esteve justamente nos meios de comunicação. Em cinco dias o jornal O Globo dedicou dois editoriais para atacar o que ele, o jornal, imagina que o PT fará com a imprensa, enquanto a revista Veja, de maior circulação nacional, publicou reportagem de capa sobre as supostas violações da liberdade de expressão do presidente Lula e do PT. Na internet, circula campanha do PSDB que compara os petistas a cães raivosos, em que se coloca a dúvida se num eventual governo Dilma a presidenta teria forças para segurá-los. Some-se a esses fatos recentes o AI-5 Digital, do senador tucano Eduardo Azeredo, que propõe a censura na internet; o editorial da Folha de S. Paulo do último domingo, e outro texto em que o jornalão defende o fechamento da TV Brasil; as perguntas dóceis para o candidato da direita no Jornal Nacional, da TV Globo, e a inquisição contra Dilma no mesmo veículo.

O fato inegável, que a todo instante é negado pelas corporações de mídia, é muito simples: com a democratização da informação, os povos latino-americanos modificaram seu comportamento. Esse processo, mais lento em uns países, mais acelerado em outros, está em curso na América Latina. Nessa perspectiva, a esquerda luta para avançar, enquanto a direita se empenha em conter as mudanças. A comunicação é a primeira fonte de poder, é a matriz. Sempre foi assim, em todos os períodos da história. Numa época a Igreja centralizava o conhecimento e, com ele, detinha o controle social. Hoje são as empresas que possuem concessões de radiodifusão e/ou mídia impressa. A ameça, os hereges do século 21, são os produtores e reprodutores de informação alternativa.

Um exemplo: Telesur e TV Brasil exibem documentários latino-americanos. São filmes que retratam a vida dos povos do nosso continente, que mostram as nossas caras, nossos costumes, nossas vidas. Nada dessa massificação global a que as "sessões da tarde" ainda estão presas. Isso, aos poucos, vai alterando nossas percepções, nossas formas de ver o mundo e também nosso modo de agir, sentir, pensar e viver. Se nos sentimos atores principais de nossas histórias, então nós é que vamos fazê-las. Não vamos deixar que ninguém faça por nós.

O muro que vi pixado em La Paz é de uma incrível conexão com a realidade. Na Bolívia, com o governo Evo os povos originários ocupam os espaços da administração pública que antes lhes eram negados. A esmagadora maioria dos paceños se sente participante da "Revolução Democrática", no dizer do presidente Evo Morales. É por isso que ele afirma que "os índios não vão mais sair do palácio". O povo, antes escravizado, torturado, assassinado, chegou ao poder. E, lá, democratizou o acesso à produção e à distribuição da informação. O sonho virou realidade.

No dia 3 de outubro de 2010, o povo brasileiro terá sua chance de mostrar que acordou. De afirmar que não quer mais ser governado pela direita, pelos capatazes de outrora, pelos representantes do imperialismo. Esses, donos das corporações de mídia, injetarão doses diárias de sonífero até o dia da votação. Ou talvez mentiras, ódio, qualquer coisa que prejudique a continuidade do governo Lula. Nós, da esquerda, temos que estar a postos e mostrar que o tempo do chicote acabou. Ainda dá tempo de sair às ruas e pixar: "Acorda, é hora de sonhar.".



Marcelo Salles é jornalista, colaborador do www.fazendomedia.com e outros veículos de comunicação democráticos.

Lula Miranda: Exortação aos últimos idealistas

As máfias da imprensa e da política fizeram o serviço sujo com a deletéria maestria de sempre. E agora pretendem, finalmente, colher seus frutos. Os próximos lances no seu tabuleiro de excrescências certamente será o recrudescimento da manipulação das pesquisas e do torpe “denuncismo”.



É chegada a hora! Chegamos à reta final de uma das eleições mais importantes e decisivas da nossa história. Passamos por momentos de alegrias e muitas apreensões. Agora é o momento de sairmos às ruas, de conversarmos com as pessoas nas praças, nos pontos de ônibus, no trem, no metrô; com nossos colegas de trabalho, nossos parentes e amigos. Enfim, é chegada a hora de fazermos, com tranqüilidade, generosidade e competência a nossa parte de militantes e/ou cidadãos. Pois, “do lado de lá”, vi, in loco, com meus próprios olhos, que verdadeiras hordas de militantes a soldo, com seus indefectíveis coletes azuis, já invadem as casas com sua pregação plena em infâmias, aleivosias e falsas promessas. É preciso mostrar-lhes a força e graça da nossa militância.

Com incontido regozijo, pudemos perceber/avistar que uma perene, solerte e majestosa “onda vermelha” se espalhou por todos os cantos do país, das capitais aos rincões mais distantes. O que, muito provavelmente, ajudará a eleger governadores, senadores e deputados comprometidos com a nossa “causa” e projeto. A saber, em essência: crescimento e desenvolvimento econômico com mais igualdade social e uma maior distribuição da renda, com aumento real dos salários e das aposentadorias, e com a conseqüente e progressiva melhoria das condições de vida do povo brasileiro (da educação, saúde, segurança etc.). Enfim, a construção de um novo paradigma, de um novo Brasil.

O problema é que ao imponente espraiar-se dessa onda se interpõe, agora, de modo decisivo, já no final do processo eleitoral, os arrecifes. A leveza, a beleza, a boa vontade, as boas intenções e ideais revolucionários dos “justos”, dos “homens de bem”, os “do lado de cá”, deparam-se, em definitivo, com as duras pedras interpostas pelo pensamento conservador, reacionário. É hora de nos agigantarmos, pois.

E o que significaria exatamente essa metáfora dos “arrecifes”? – perguntaria você, com propriedade e compreensível receio. Os “arrecifes” simbolizam a reação inevitável dos empedernidos conservadores de sempre. Vimos todos, nas últimas semanas, o gritante “parcialismo” da grande imprensa. O despudor e desfaçatez em exibir, impunemente, toda sua torpeza e vilania, seu “manchetismo denuncista”, sua escandalização do nada. Assistimos, atônitos, impassíveis a candidatura de oposição espalhar mentiras e boatos no seio da comunidade evangélica; confeccionar “filmetes” caricatos, desrespeitosos e odientos, e espalhá-los na rede tal qual um spam viral.

Denúncias e mais denúncias (muitas falsas, vazias, pois destituídas de sentido ou conteúdo), manchetes e mais manchetes, matérias e mais matérias negativas sobre o governo Lula e a candidatura Dilma foram de modo oportunista e estratégico “plantadas” no noticiário à exaustão. As máfias da imprensa e da política fizeram o serviço sujo com a deletéria maestria de sempre. E agora pretendem, finalmente, colher seus frutos malditos. Os próximos lances no seu tabuleiro de excrescências certamente será o recrudescimento da manipulação das pesquisas e do torpe “denuncismo”. Essas são as pedras que ora se interpõe no nosso virtuoso caminho e que atravancam o vagar virtuoso da nossa “onda”.

A estratégia das forças conservadoras foi, desde sempre, lembro-lhe, a de dar um, por assim dizer, “cavalo-de-pau” na pauta dessas eleições. Inverter o foco, desviar os olhares e as atenções do eleitor, reverter capciosamente o andamento “natural” do processo. Em vez de discutir um projeto para o país, a eles, e somente a eles, interessava a escandalização vazia e o denuncismo no atacado. Essa foi a estratégia por eles argutamente escolhida – uma vez que, vale lembrar, eles não têm um projeto de nação.
Desejam “apenas” retomar o poder, simples assim – para tanto não pouparão esforços nem “meios” [entenda-se, também, mídias].

Precisavam – e assim o fizeram, em movimentos abruptos, reiteradas vezes – criar uma “nova” realidade, uma vez que a nossa pauta [e realidade] não lhes servia ou interessava discutir/debater, pois a nossa é uma pauta [e uma realidade] virtuosa: criação de mais de 12 milhões de empregos com carteira assinada, mais 36 milhões de brasileiros saíram da pobreza, economia cresce a 7% esse ano, em ritmo de “milagre econômico”, milhões de brasileiro puderam, finalmente, realizar o sonho da casa própria e do carro novo, a auto-estima do brasileiro nunca esteve tão elevada etc. Para eles, convenhamos, seria difícil se debater, enfrentar, contradizer uma realidade tão pujante [daí as pirotecnias de seus prepostos na mídia]. Mas, sejamos honestos, a realidade do povo brasileiro está cada dia melhor. Isso é fato. A verdade está ao nosso lado. Isso é o que importa. Isso é o que importa?! Não nos enganemos: a eles, os “reacionários”, não.

A elite conservadora não tem projeto para o país, a não ser, é claro, o de barrar os avanços e os progressos que a sociedade brasileira hoje experimenta. Eles são os arautos do atraso, do retrocesso.
A nossa onda, estimados companheiros de ideal, vem, célere, audaz de encontro ao “arrecife”, e dele não se desviará. Vitoriosos, vamos avançar em direção à praia – num domingo ensolarado, de brisa fresca e céu límpido, azul. Sim, nós vamos avante; nós vamos vencer.

Porém, como já se percebe nitidamente, essa vitória não virá “de graça”. Para isso é chegada a hora de fazermos a nossa parte; é chegada a hora de nos alevantarmos, junto com essa onda bela e majestosa e mostrarmos a nossa força, a garra daqueles que acreditam na construção de um país melhor, para todos. É o momento de esgrimirmos a nossa vontade, a verve e graça que só os justos trazem n’alma; a força das idéias; a força das nossas crenças.

É hora de, sim, militarmos na blogosfera (de “twitarmos” e “blogarmos” como nunca), mas, e principalmente, é hora de sairmos às ruas e convencermos a muitos, de modo sereno, mas peremptório e definitivo, que o Brasil precisa continuar o seu caminho virtuoso. Caminho este que nos foi ensinado, com humildade e tenacidade, não nos esqueçamos, não por nossas elites conservadoras, mas por um homem do povo. Seu nome: Luiz Inácio Lula da Silva.

Não tenhamos pudor em afirmar: a nossa candidata é a melhor, pois mais competente, mais preparada, humana e solidária. Dilma Rousseff é o melhor para o país. Com ela seguiremos adiante! Com ela construiremos, enfim, uma nação mais justa e solidária.



Lula Miranda é poeta e cronista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda