sábado, 21 de agosto de 2010

Até os da imprensa golpista admitem: "o que explica o fenômeno Dilma é o êxito econômico e social do governo Lula"

Crônica de um colapso
SÃO PAULO - O Datafolha de hoje, com Dilma Rousseff abrindo 17 pontos de vantagem sobre José Serra, indica que o destino da eleição presidencial está praticamente selado. A não ser em caso de uma reviravolta brusca e muito improvável no quadro eleitoral, o cenário que se desenha é o de uma avalanche, com a aclamação já no dia 3 de outubro da candidata que Lula tirou do bolso para sucedê-lo.
Antes mesmo do resultado desta pesquisa, devastador para o tucano, já vinham se acumulando diariamente os registros de desconforto, contrariedade e insatisfação na aliança que sustenta (sustenta?) Serra. Ele e seus aliados vêm escrevendo a crônica de um colapso.
Ainda ontem os jornais registravam as "blog-cacetadas" de Roberto Jefferson, que pelo Twitter acusava: "Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu". Como ele, o líder do DEM, Rodrigo Maia, já havia feito ataques públicos ao seu candidato. O fogo amigo ao redor do tucanato seria suficiente para desmatar a Amazônia.
O fato é que, em campanha que falta voto, "todo mundo reclama e ninguém tem razão". O discurso esquizofrênico (contra Lula e ao lado de Lula); o descomprometimento dos aliados, a começar pelo PSDB; a personalidade desagregadora do candidato; os erros do marketing -tudo será invocado para explicar a erosão da candidatura Serra.
Sem prejuízo desses fatores, o que explica o fenômeno Dilma é o êxito econômico e social do governo Lula. O resto é acessório.
Daqui em diante, a crise na oposição tende a ganhar dimensões de catástrofe natural. Haverá a aceleração previsível da debandada e movimentos de adesão ao transatlântico de Dilma. Novos amigos se somarão às ratazanas da fisiologia, em boa medida já na embarcação governista, à espera da "partilha do pão", como diria Michel Temer. E já podemos imaginar empresários em fila, com o talão de cheques na mão, ansiosos para dar a sua "modesta contribuição ao país".




FERNANDO RODRIGUES

Desalento tucano
BRASíLIA - Recebi ontem um e-mail de Carlos Poletto, a quem não conheço, mas que se identificou como um eleitor "paulistano, 27 anos, advogado, tucano e serrista desde sempre". Ninguém sabia ainda que Dilma Rousseff apareceria no Datafolha com 47% contra apenas 30% de José Serra. A petista ganharia com folga hoje, no primeiro turno, a disputa pelo Planalto.
O leitor descreve à perfeição o que se passou com as campanhas dos tucanos nos últimos anos. "O mito Lula e a satanização de FHC/ PSDB se devem, entre outros fatores, obviamente, à covardia de José Serra, em 2002, e de Geraldo Alckmin, em 2006, cujas campanhas desprezaram o legado dos oito anos de tucanato no Planalto".
Para Poletto, o "marketing rasteiro" dos tucanos procura somente "agradar o eleitor" e não "convencer o eleitor". Acusa os candidatos a presidente pelo PSDB de tentarem esquecer o governo FHC, quase como se tivessem vergonha. Algum dia um marqueteiro inventou ser melhor "debater o futuro". Passam um recibo a favor do discurso de Lula e do PT sobre a "herança maldita, do governo das elites".
O eleitor tucano então faz um desabafo com poder de sintetizar o estado de espírito da campanha presidencial do PSDB: "É triste, é sofrível a atual campanha na televisão do candidato José Serra. Repete a mesma fracassada e ridícula campanha de quatro anos [atrás]".
Finaliza: "É implorar para perder a campanha de forma humilhante! (...) É difícil, é muito difícil para um tucano acompanhar essa campanha presidencial, tantos erros óbvios, tanta falha rasteira, tanto amadorismo que, sinceramente, já me convenci em aturar a Dilma por mais quatro anos".
Poletto declara ter intenção de votar em Serra. Ele faz parte dos 30% apurados pelo Datafolha. Mas, com esse ânimo, torna-se evidente a razão de o PSDB ir ladeira abaixo na disputa pelo Planalto. E por que é muito difícil a missão de Serra

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