Com Chávez, Lula agradece a empresários
Presidente diz que brasileiros "confiaram" em seu convite para negociar com a Venezuela, que vive grave crise
Líderes assinam 27 acordos bilaterais envolvendo uma petroquímica e três construtoras brasileiras
FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu aos empresários brasileiros ontem em Caracas por "confiarem" em suas propostas para fazer negócios com a Venezuela de Hugo Chávez, que acelera a agenda parlamentar de "transição ao socialismo" e atravessa o segundo ano consecutivo de recessão.
"Quero agradecer aos empresários brasileiros porque, apesar da preocupação com algumas notícias de que a Venezuela vai estatizar as empresas brasileiras, de que não paga as empresas brasileiras, quero dizer da confiança [deles] cada vez que os convido [ao país]", disse.
Lula assinou com o colega venezuelano 27 acordos bilaterais envolvendo as grandes construtoras brasileiras (OAS, Andrade Gutiérrez, Queiroz Galvão), concentrados nas áreas de infraestrutura e energia, e com a petroquímica Braskem, para importação de nafta.
Quando mencionou "preocupação" empresarial, o presidente brasileiro fazia referência a reportagem de ontem de "O Estado de S. Paulo" que afirmara que a petroquímica Braskem reduziu planos de investimento no país, entre outros motivos, pelo não cumprimento por parte da Venezuela de aporte de fundos conjunto em outro projeto.
Na plateia, Sérgio Thiesen, superintendente da Braskem no país, disse que a crise venezuelana -o risco-país alcançou o da Grécia- é um fator considerado, mas que a empresa seguirá no país de quem comprará, com um acordo assinado ontem, ainda mais nafta.
A crise afeta empresas, construtoras e exportadores brasileiros. As vendas de alimentos -maior parte do US$ 1,7 bilhão vendido ao país no primeiro semestre- não sofrem com a rigidez do controle cambial, intensificado neste ano, porque têm tratamento preferencial.
Mas importações como as de cosméticos e produtos naturais sofrem com o sumiço do mercado permuta -único acesso livre ao dólar, ainda que bem mais alto que o oficial. "Esse setor, que deve compor US$ 40 milhões da pauta, está em "stand-by'", diz Fernando Portela, da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela.
Diz que investimentos em agricultura e energia também estão em "stand-by". A Assembleia Nacional da Venezuela, chavista, passou há pouco uma nova lei de terras que abre mais brechas para expropriações.
MISSÃO PARA LULA
Num clima descontraído de programa de auditório, com piadas dos dois mandatários e direito a link ao vivo de um bairro pobre, Lula e Chávez trocaram elogios.
Ele voltou a dizer que confia que a candidata governista Dilma Rousseff ganhará as eleições brasileiras. Mandou um beijo a ela.
Disse ainda ter dado uma "missão" a Lula, que participa hoje da posse do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Considera-se "otimista" quanto ao futuro das relações com Bogotá, hoje rompidas. A primeira parte da missão, disse o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia, é "atenuar a tensão" e gerar "confiança".
No último dia, Uribe leva Chávez a Haia e à OEA.
(EU: OU:
Uribe, o prrovocaor e armanentista, sai, mas deixa nódoas)...
DA EFE
DA ENVIADA A BOGOTÁ (COLÔMBIA)
O advogado colombiano Jaime Granados denunciou ontem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, perante a Corte Penal Internacional e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que é ligada à OEA.
Nos documentos, segundo o jornal "El Tiempo", Granados pede punições ao venezuelano e a seu governo por, supostamente, dar abrigo a membros das Farc.
O advogado, ainda conforme o "Tiempo", é conhecido por ter representado, em algumas ocasiões, o governo de Álvaro Uribe, que deixa a Presidência da Colômbia hoje e trocou repetidas acusações com Chávez.
O último episódio, no dia 22, levou ao rompimento das relações entre os dois países e fez o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, desistir de convidar Chávez para a sua posse, hoje.
A informação de que Santos convidaria Chávez levou o venezuelano a mandar seu chanceler, Nicolás Maduro. Os gestos, segundo a Folha apurou, abrem a possibilidade de aproximação bilateral.
Em discurso de despedida, na quinta-feira, Uribe fez um agradecimento às forças de segurança e foi condecorado general "ad honorem" de quatro sóis (o equivalente a estrelas). (SIMONE IGLESIAS)//
Guerrilha é associada à ideia de revolução social.
Mas na Colômbia, como se vê, resultou em boa parte de uma "cultura de violência" com raízes em disputas que datam da independência.
(eu: ALGUNS DIZEM QUE AS FARCS SÃO ORIGINÁRIAS DA LUTA ENTRE OS LIBERAIS...
MAIS EU :É COMO SE OS DEMOTUCANOS SE TRANSFORMASSEM EM GUERRILHEIROS - GOLPISTAS ALGUNS JÁ O SÃO!!! - TANTA É A INSANIDADE QUE PRATICAM!!!
ANÁLISE ANTOLÓGICA
Massacres e carnificinas caracterizam a história da Colômbia no século 20
NEWTON CARLOS - O MAIOR ARTICULISTA INTERNCIONAL DA IMPRENSA BRASILEIRA DE TODOS OS TEMPOS.
ESPECIAL PARA A FOLHA
A história da Colômbia é um interminável rosário de violências de todos os tipos. O quinquênio (1948-53) em que uma carnificina matou 300 mil ficou conhecido como "La Violencia".
O século 20 começou com a "guerra dos mil dias" entre liberais e conservadores, comerciantes urbanos e latifundiários que disputaram a ferro e fogo o espólio da Coroa espanhola e continuaram se enfrentando nas urnas e à bala. Proclamada em 1819, a República enfrentou 40 revoluções antes de se consolidar. Mas em 1948 um expoente do partido Liberal, Jorge Gaitán, rompeu com a cúpula partidária, lançou-se no populismo, foi assassinado, e as favelas de Bogotá explodiram no "bogotazo" diante de espantados participantes de assembleia da OEA.
A fermentação política e popular que resultaria na criação de grupos guerrilheiros teve sua origem aí. Em 1950, a eleição de Laureano Gomez, conservador, levou a violência a níveis insuportáveis e produziu anarquia.
Acabou por colocar no poder, com pretensões a "pacificador", o general e ditador Rojas Pinilla. Mas as guerrilhas, envolvendo militantes liberais "gaitanistas", se consolidavam nas montanhas e criavam "repúblicas independentes" de camponeses. Pinilla caiu em 1953, os dois partidos tradicionais, o Liberal e o Conservador, voltaram a se revezar em palácio e, a partir de 1964, as "repúblicas" se tornaram alvos militares, quando foi assaltada a de Marquetia.
Operação a cargo do batalhão colombiano que lutou na Guerra da Coreia e foi treinado pelos americanos. Marquetia tornou-se um símbolo do universo guerrilheiro da Colômbia
Guerrilha é associada à ideia de revolução social.
Mas na Colômbia, como se vê, resultou em boa parte de uma "cultura de violência" com raízes em disputas que datam da independência. Em "Guerrilleros, Buenos Días" (1954), Jaime Vasquez Santos conta como se criaram grupos de luta armada com origem no partido Liberal, a partir de 1948. Mais tarde se soube, por meio de documentos e relatos verbais, da "forte influência" dos comunistas nessas formações, de onde saíram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que acabaram se tornando a mais antiga insurgência do continente, marcada por profunda "metamorfose ideológica" e sustento baseado em fatores de degradação.
Um ex-chefe guerrilheiro de El Salvador, que trocou a violência por "status" político, disse que as Farc se transformaram num opulento ninho de sequestradores. Usam, disse, seres humanos como objetos de troca e cobram "imposto de guerra" inclusive de narcotraficantes -ou elas próprias traficam.
O Voz Operária, jornal do PC, publicou editorial batendo forte nos que insistiam em soluções militares e declarando a inexistência de "situação revolucionária" na Colômbia. As Farc sobreviveram, mas não como opção revolucionária. A sua longevidade, enfrentando inclusive forte apoio militar dos EUA aos governos colombianos, se deve sobretudo aos quesitos acima.
sábado, 7 de agosto de 2010
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