Sociologia precisa de equações, dizem prêmios Nobel
Matemáticos laureados em economia estão em SP; entre eles, John Nash, que inspirou "Uma Mente Brilhante"
Pesquisadores usam matemática avançada da teoria dos jogos para explicar desde eleições e história até guerras
Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
Hoje recuperado da esquizofrenia, John Nash chega à USP
RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO
Temas: eleições, diplomacia, história. Os especialistas: matemáticos -todos ganhadores do Nobel de economia, sendo um deles John Nash, que inspirou o filme "Uma Mente Brilhante".
Nada de estranho, dizem. Eles usam a teoria dos jogos -o estudo matemático sobre como pessoas escolhem estratégias-, e acham que ela será muito útil às ciências sociais neste século.
"O tratamento matemático precisa de pressupostos claros, e isso leva a conclusões por consequência lógica", diz Robert Aumann, da Universidade Hebraica (Israel).
"Com palavras, você se convence de qualquer coisa. A matemática promove uma disciplina de pensamento."
Nash, aos 82, esteve ontem na USP para o encontro que reuniu cientistas que trabalham com teoria dos jogos. Recuperado da esquizofrenia, diz que foi hospitalizado contra a vontade e ataca a eficácia do procedimento.
A área que Nash ajudou a fundar permite comparar, por exemplo, tipos de votação. Se as pessoas votam em apenas um deputado, é mais fácil ser eleito com um discurso específico, focado em um grupo de eleitores (defendendo direitos gays ou maiores salários para policiais).
Se os eleitores fazem uma lista com três nomes, é preciso o triplo de votos para vencer. Discursos de interesse geral (como crescimento econômico ou menos impostos) tendem a ter mais sucesso.
Nesse caso, é fácil prever o resultado da modelagem matemática. Em sistemas sofisticados, os resultados de mudanças nas regras do jogo são mais imprevisíveis. A matemática, aí, faz previsões que a reflexão não atinge.
A ideia não é desprezar as ciências sociais, diz Roger Myerson, da Universidade de Chicago. "Li autores de política. Ele mostram quais questões institucionais importantes estudar." Ele pesquisou a República de Weimar, da Alemanha pré-Segunda Guerra. O sistema político era generoso com quem adotasse estratégias autoritárias.
Nash diz que gostou do filme sobre sua vida, mas que ele não é fidedigno. A cena em que está no bar e as garotas do local o fazem ter um insight é invenção do roteirista. "E ele ganhou um Oscar."
Para os poetas, só a frase de mallarmé - um lance de dados não abolirá o acaso - desmonta a teoria do cientista...
GUERRA E PAZ
A teoria dos jogos mostra que o ataque é uma estratégia muito vantajosa quando um lado percebe fraqueza no outro, diz. O exemplo clássico da teoria, aliás, é o dilema do prisioneiro. Se dois comparsas ficarem quietos, ambos serão soltos. Se apenas um ficar em silêncio, ele é condenado. Se ambos falarem, os dois são presos.
Para cientista israelense, armas trazem paz
DE SÃO PAULO
O incentivo ideal para que os países adotem uma estratégia pacífica? Exércitos, diz Robert Aumann, da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Aumann, 80, é íntimo da guerra. Nasceu em uma família rica de judeus ortodoxos na Alemanha, que foi para os EUA fugindo dos nazistas.
Foi um dos melhores jovens matemáticos dos EUA nos anos 1950. Com a criação de Israel, mudou-se. Seu filho mais velho morreu no Exército israelense, em 1982.
"A paz não é feita com concessões, mas se mostrando pronto para guerrear. Os romanos foram campeões da paz. A "Paz Romana" durou 200 anos. Qual o lema?
Se quer paz, prepare-se para a guerra. É teoria dos jogos. Não é legal, mas é verdade."S
(O POETA CHATO DE GALOCHA LEMBRA AQUI QUE O IRÃ FAZ O MESMO, MAS ISRAEL RJEITA).
A teoria dos jogos mostra que o ataque é uma estratégia muito vantajosa quando um lado percebe fraqueza no outro, diz.
O exemplo clássico da teoria, aliás, é o dilema do prisioneiro.
Se dois comparsas ficarem quietos, ambos serão soltos.
Se apenas um ficar em silêncio, ele é condenado.
Se ambos falarem, os dois são presos.
Como um não sabe o que o outro fará, não colaborar é a melhor opção -afinal, se o comparsa ficar quieto, você é solto; se ele falar, você seria preso de qualquer jeito.
"Compare a Guerra Fria e a Segunda Guerra. Negociar com Hitler não trouxe a paz."
Antes de morrer, conta, o filho lhe escreveu. Dizia que não há bem sem o mal. (RM)
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