Questionada se tomaria tranquilizante para ir ao evento, ironizou indiretamente José Serra: "Não preciso de Lexotan. Carregar um governo com o do presidente Lula é uma tarefa leve. Outros governos é que são pesados. Aí a pessoa precisa de vários Lexotans."
Candidata inovou ao abrir reunião para imagens e conceder entrevista com ideias genéricas sobre educação
Operação para o "JN" fez campanha mudar tática de suspender aparições para que candidata se prepare para o debate
RANIER BRAGON
MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA
Em programação montada de última hora por sua campanha para lhe assegurar aparição no "Jornal Nacional", da TV Globo, a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) apresentou ontem propostas genéricas para a área da educação.
A campanha havia cancelado a agenda sob o argumento de que a candidata se prepararia para o debate de amanhã na TV Bandeirantes, mas mudou a estratégia e organizou uma reunião da coordenação para discutir o programa de governo.
Pela primeira vez, o encontro teve suas portas abertas. Em outra inovação, Dilma saiu para falar com os repórteres, num púlpito montado no jardim de seu escritório.
Ela prometeu ampliar o ProUni, construir escolas técnicas e creches e "romper" com a prática da progressão continuada no ensino, sistema adotado em São Paulo.
Dilma disse que o debate de amanhã não pode ser "torneio de provocação". Questionada se tomaria tranquilizante para ir ao evento, ironizou indiretamente José Serra: "Não preciso de Lexotan. Carregar um governo com o do presidente Lula é uma tarefa leve. Outros governos é que são pesados. Aí a pessoa precisa de vários Lexotans."
Dilma vem tendo "aulas" com auxiliares de Lula para se informar sobre o andamento de programas.
Dilma tentará desmontar a gestão de Serra na saúde. "Estive com ela conversando sobre a saúde, perspectivas e desafios. A questão é mostrar o que fizemos", disse o ministro José Gomes Temporão.
A equipe de internet de Dilma enviou aos militantes um e-mail sugerindo que petistas e simpatizantes convidem os "amigos, vizinhos e colegas de trabalho" para assistir o debate.
"Prepare a pipoca, a TV, e organize uma sessão bem animada", diz o texto.
O e-mail diz que Dilma mostrará que "é a pessoa mais preparada" para governar o país
PT usa R$ 2 mi para gastos com propaganda
DE BRASÍLIA
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a campanha de Dilma Rousseff gastou até agora cerca de R$ 10 milhões dos R$ 11,6 milhões arrecadados.
Desse total, pouco mais de R$ 2 milhões cobriram os custos com o início da produção da propaganda na TV, e R$ 60 mil foram usados para reembolsar o erário pela participação do presidente Lula na campanha.
A propaganda de Dilma na TV está sob a responsabilidade do marqueteiro João Santana, que já a levou "secretamente" para gravações no Chuí, no extremo sul do país, e no interior de Goiás. Os programas deverão custar cerca de 20% do orçamento da campanha, que é de R$ 157 milhões.
A participação de Lula ao lado da candidata também resulta em custo à campanha.
A Folha apurou que a Presidência apresentou uma fatura de R$ 59.598,72 para o PT restituir os gastos com o transporte do presidente para o lançamento da candidatura de Dilma em Brasília, em junho, e para o primeiro comício no Rio de Janeiro, no mês passado.
Segundo dados da Casa Civil, a legenda pagou R$ 1.400 pelo aluguel de um carro blindado e R$ 10,72 pela gasolina usados para Lula em junho -uma média de R$ 100 por cada um dos 14 quilômetros percorridos.
Para a estreia do presidente em comícios, o PT pagou R$ 2,5 mil com aluguéis de veículos e R$ 56 mil com as despesas do avião da FAB e de helicópteros. Ainda não foram fechadas as faturas das viagens de Lula à Garanhuns (PE), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). (FERNANDA ODILLA, MÁRCIO FALCÃO E RANIER BRAGON)
Luz, câmera, debate!
Eleição deste ano terá recorde de debates presidenciais no 1º turno com presença dos primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
A história é antiga. Em períodos eleitorais, sempre há no ar a sensação (verdadeira) de que os candidatos a presidente evitam debates.
Desta vez, os presidenciáveis podem até se esquivar da boa troca de ideias, mas 2010 ficará marcado por ter o maior número de debates da história entre os mais bem colocados nas pesquisas.
Amanhã, na TV Bandeirantes, começa a temporada desses encontros. Ao todo, serão cinco até o dia 3 de outubro -sempre reunindo, pelo menos, os três primeiros colocados nas pesquisas. Em todas as outras eleições presidenciais brasileiras, nunca todos os favoritos estiveram presentes a tantos debates.
Há também uma novidade: o debate Folha/UOL, marcado para o dia 18 e o primeiro até hoje com transmissão ao vivo pela internet. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) estarão presentes. Farão um confronto aberto, com menos regras do que as impostas ao rádio e à TV.
A eleição com mais debates foi 1989: ao todo, oito no primeiro turno. Um recorde numérico, mas não qualitativo. Nenhum desses encontros contou com o candidato depois vencedor, Fernando Collor de Mello. Ou seja, seria como realizar agora um debate sem Serra ou Dilma.
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só aceitou debater uma vez. Em 1998, não houve debates.
Em 2002, houve três debates entre os mais bem colocados nas pesquisas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Serra, Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS). Em 2006, foi a vez de Lula fazer "forfait": faltou a todos os debates no primeiro turno
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