sábado, 21 de agosto de 2010

Dilma abre 17 pontos sobre Serra e venceria no 1º turno, aponta Datafolha

Petista vai a 47%, e tucano tem 30% após horário eleitoral, aponta Datafolha

Marina oscilou de 10% para 9%; candidata do PT tem 54% dos votos válidos; 34% dizem ter assistido propaganda

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Na primeira pesquisa Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) dobrou sua vantagem sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), e seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país, com 2.727 entrevistas, Dilma tem 47%, contra 30% de Serra. No levantamento anterior, feito entre os dias 9 e 12, a petista estava com 41% contra 33% do tucano.
A diferença de 8 pontos subiu para 17 pontos. Marina Silva (PV) oscilou negativamente um ponto e está com 9%. A margem de erro máxima do levantamento é de dois pontos percentuais.
Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4% e os indecisos, 8%.
Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa em 3 de outubro.
Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira, são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%.
Nos primeiros programas, Dilma apostou na associação com Lula, que tem 77% de aprovação, segundo o último Datafolha (leia texto sobre propaganda na pág. A6).
A petista cresceu ou oscilou positivamente em todos os segmentos, exceto entre os de maior renda (acima de dez salários mínimos).
Dilma tinha 28% de intenção de voto entre os mais ricos e manteve esse percentual. Mas sua distância para Serra caiu porque o tucano recuou de 44% para 41% nesse grupo, que representa apenas 5% do eleitorado.

MULHERES E SUL
Já entre as mulheres, Dilma lidera pela primeira vez. Na semana anterior, havia empate entre ela e Serra, em 35%. Agora, a petista abriu 12 pontos de frente nesse grupo: 43% contra 31% de Serra.
Marina tinha 11% e está com 10% entre as mulheres. A verde continua estável desde março no Datafolha. Tem mostrado alguma reação só entre os mais ricos, faixa em que tinha 14% há um mês, foi a 17% e agora atingiu 20%.
A liderança de Dilma no eleitorado masculino é maior do que entre o feminino: tem 52% contra 30% de Serra. A candidata do PV tem 8%.
Outro número bom para Dilma é o empate técnico no Sul. Ela chegou a 38% contra 40% de Serra. Há um mês, ele vencia por 45% a 32%.
Serra não lidera de forma isolada em nenhuma região. No Sudeste, perde de 42% a 33%. No Norte/Centro-Oeste, Dilma tem 50%, e ele, 27%.
No Nordeste a petista teve uma alta de 11 pontos e foi a 60% contra 22% do tucano.
Houve também um distanciamento de Dilma na disputa de um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, ela teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41%.
Na pesquisa espontânea, em que eleitores declaram voto sem ver lista de candidatos, Dilma foi de 26% para 31%. Serra foi de 16% a 17%

Palco da TV explica disparada de Dilma
Exposição em programas de grande audiência e horário eleitoral atraem os que usam o meio para decidir voto


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PROPAGANDA DA PETISTA É A MAIS BEM AVALIADA; ENTRE QUEM VIU, ELA TEM 24 PONTOS A MAIS QUE SERRA
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MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
ALESSANDRO JANONI
DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

Em um mês, o cenário da disputa pela Presidência da República sofreu alterações importantes. Estável desde maio, com o empate entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), o quadro passou a apontar nova tendência há uma semana.
A ex-ministra de Lula disparou na liderança e passou a figurar como grande favorita, com possibilidade de vitória já no primeiro turno.
Como já demonstrado pelo Datafolha, o papel de Lula foi essencial para a evolução de sua pupila, mas é impossível negar a força de mais uma protagonista nesse roteiro.
A TV prova mais uma vez seu poder de alcance e penetração nos mais diversos estratos da população brasileira, inclusive naqueles onde o acesso à informação é raro.
Oficializadas as candidaturas, a cobertura das eleições na mídia, especialmente na TV, se intensificou.
A agenda dos candidatos, entrevistas em programas de grande audiência e o início do horário eleitoral atingiu segmentos que até então encontravam-se distantes do processo eleitoral.
Para ilustrar o peso da TV na composição do voto do brasileiro, pesquisa Datafolha feita há um mês mostrou que 88% dos eleitores costumam utilizá-la para se informar sobre os candidatos.
A segunda mídia mais acessada para este fim são os jornais, só que com uma participação bem menor 54%.
Ainda na mesma pesquisa, se tivessem que escolher apenas um meio para acompanhar a eleição, 61% dos brasileiros optariam pela TV.
Mais interessante do que observar esse resultado no total da amostra é verificá-lo nos subconjuntos nos quais Dilma mais cresceu. Entre os habitantes do Nordeste de baixa renda, por exemplo, os que se informam exclusivamente pela TV são 71%.
A taxa de indecisos na região caiu cinco pontos, igualando-se à média nacional.
A petista, na avaliação dos entrevistados, foi a candidata de melhor desempenho no horário eleitoral até aqui. Entre os que já assistiram ao programa, a vantagem da ex-ministra sobre o tucano é de 24 pontos percentuais. Entre os que ainda não o fizeram, ela cai para 13 pontos.
O registro histórico do momento exato em que variáveis relevantes -como a cobertura da TV e o horário eleitoral- passam a agir sobre a composição do voto é essencial para a compreensão do contexto em que as mudanças ocorreram. A pesquisa do Datafolha divulgada hoje representa mais um fotograma do filme desta eleição, tendo a TV como principal


Dilma sobre pesquisa: não podemos criar clima de já ganhou

Claudio Leal
Direto de Mauá
Em coletiva à imprensa, antes do comício em Mauá, no ABC paulista, neste sábado (21), a candidata Dilma Rousseff (PT) comentou o resultado da última pesquisa presidencial Datafolha, que lhe dá 17% de vantagem em relação ao adversário José Serra (PSDB) e afirmou que não se pode criar um clima de "já ganhou".

"Ainda temos mais de 40 dias de campanha. A gente não pode criar um clima de já ganhou e subir no salto alto. Eu acho que a vitória vai decorrer da aprovação ao projeto (sua campanha)", disse Dilma, que atribuiu o crescimento na pesquisa ao processo de conhecimento da candidatura apoiada pelo presidente Lula.

A candidata petista também criticou o uso da imagem de Lula na campanha de José Serra (PSDB). "Acho uma coisa muito estranha...é estranho alguém achar que o povo brasileiro é tão tolo. É uma imensa subestimação", afirmou

Petista critica tucanos e já fala em vitória
RANIER BRAGON
ENVIADO ESPECIAL A VITÓRIA

A candidata petista Dilma Rousseff (PT) adotou ontem no Espírito Santo um discurso de vitória e disse que precisa de uma bancada no Senado que dê apoio à "primeira presidenta" do país.
As declarações foram feitas durante almoço com aliados, em Vitória. "Eu acredito que eu vou ser a primeira presidente do Brasil [aplausos]. Eu preciso muito, mas muito mesmo, de senadores comprometidos com a sustentação do governo da primeira presidenta deste país", disse.
Dilma afirmou que, assim como o primeiro operário na Presidência não poderia errar, a primeira mulher também não poderá. Em seguida, Dilma negou a jornalistas que já esteja cantando vitória. Disse que falou no sentido do "desejo, da vontade". Pregou humildade e afirmou que precisa muito do eleitor.
Ela também criticou o uso da imagem do presidente Lula no programa de José Serra: "Acho um pouco arriscado essa tentativa de supor que o nosso povo seja muito ingênuo, ou melhor, de ter uma visão elitista sobre o povo, de achar que ele não tem condições de ter senso crítico. Eles [tucanos] vão mais uma vez se equivocar muito", disse.
À tarde, a petista se reuniu com o governador Paulo Hartung (PMDB). Apesar de ser amigo de Serra, Hartung declarou seu apoio a Dilma

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