segunda-feira, 23 de agosto de 2010

General pacifista do século 4 a.C. ensina táticas para liderança

Obra contemporânea de "A Arte da Guerra" traz ideias de estratégias para conquistar equipe e concorrentes

MARCOS DE VASCONCELOS
DE SÃO PAULO

"O Tao da Guerra" é um daqueles livros que criam um herói. O leitor, que provavelmente nunca ouviu falar no general chinês Er-Hu ou em sua habilidade para conduzir exércitos, passa, imediatamente, a admirá-lo.
A obra mostra a trajetória e os pensamentos de um líder respeitado por seus soldados, seus inimigos e seu rei. Em discursos e conversas transcritos no livro, o general descreve o que um homem precisa ser para liderar.
O autor e personagem, que viveu na primeira metade do século 4 a.C., foi um líder militar pacifista que comandou o exército da dinastia chinesa Zhao durante a era conhecida como Estados Combatentes, mesma época em que foi escrito "A Arte da Guerra", de Sun Tzu.
Nesse período, marcado por grandes batalhas, sete principados disputavam a supremacia na China. Os exércitos comandados por Er-Hu ficaram então conhecidos pelo domínio da estratégia, teorizada pelo general.
Isso os fazia ganhar batalhas sem desembainhar as espadas, apenas frustrando ataques inimigos e iludindo seus oponentes no combate.
É a primeira vez que esses escritos (de 370 a.C.) são publicados. O documento original, segundo Wagner Cunha, que organizou e comenta os textos do general, chegou a suas mãos por meio da tradutora Marie-Louise Koessler.
Ela passava férias em um mosteiro na França quando um monge lhe entregou os textos, traduzidos para o francês no século 17 d.C..
"Se queres a paz, deves preparar-te para a guerra", aconselha o general. Para ele, deter a guerra não é uma missão de paz, mas isso deve ser feito pacificamente.
A preparação para a batalha e, principalmente, a motivação daqueles que vão lutar são bastante exploradas.
"O que lhe era caro não eram espólios da guerra ou promessa de riqueza, mas perspicácia do espírito, sabedoria da razão e nobreza do ideal", comenta Cunha.

NO TRABALHO
Os paralelos com o mundo atual do trabalho e a liderança são traçados quase que automaticamente.
Sem deixar de lado os lucros, é preciso traçar metas como o aprendizado, a razão e os ideais pelos quais se trabalha. Os espólios e o respeito, para o general, vinham como resultado.
Os textos parecem feitos sob encomenda para uma época em que se discutem e novas estruturas dentro das empresas.
No livro, o líder aparece sempre junto a seus soldados, executando também as funções que ele delega aos seus subordinados.
"O general deve estar à frente da cavalaria. Ele é a força do exército, é o exército que o acompanha. O seu exemplo revigora a força e a vitalidade dos homens!"
Tratar de concorrentes e inimigos envolve respeito, planejamento, serenidade e autoconfiança.
Er-Hu nã vê o inimigo como alguémque deva ser eliminado, mas dominado com estratégias bem planejadas

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