quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Justiça censura jornais na Venezuela,"mas mídia irresponsável protesta"

Justiça censura jornais na Venezuela, ,"mas mídia irresponsável protesta, quer atuar acima da lei e dar o golkpe de Estado", dizem chavistas.
Frases

A pornografia nos meios de comunicação é o desespero da oligarquia que pretende frear a revolução, sabotá-la, desestabilizá-la

Tudo é parte de um complô que tomou espaços importantes em canais de mídia internacionais
HUGO CHÁVEZ
presidente da Venezuela


O EMBATE GOVERNO X IMPRENSA

FOTOS PROIBIDAS
Tribunal de Caracas proibiu anteontem jornais de publicar por um mês, até decisão final sobre o caso, fotos de "fatos violentos (...) que violem a integridade psíquica e moral" de menores

GLOBOVISIÓN
TV opositora Globovisón e Hugo Chávez têm disputa que remonta a 2002, quando canal apoiou golpe de Estado frustrado contra presidente
Guillermo Zuloaga, dono da emissora, foi preso e solto em março. Fugiu do país após Justiça decretar sua prisão, de seu filho e de um sócio
Chávez disse em julho que governo pretende controlar metade das ações da emissora

LEI DA EDUCAÇÃO
Criada em 2009 por Chávez, lei vetou publicação de notícias "que produzam terror nas crianças, incitem o ódio e atentem contra os valores sãos do povo venezuelano"

RÁDIOS
Chávez investiu contra rádios acusadas de funcionar ilegalmente -34 foram fechadas em agosto de 2009

CONCESSÃO
TV opositora RCTV teve sua concessão revogada em 2007


Decisão veta publicação, por um mês, deimagens "violentas, sangrentas e grotescas" em meios impressos

"El Nacional" também não poderá publicar informações sobre violência, preocupação nº 1 dos venezuelanos

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

Um tribunal de Caracas proibiu todos os jornais da Venezuela de publicar, por um mês, imagens "violentas, sangrentas e grotescas" para proteger crianças e adolescentes. Jornais locais e associações internacionais de imprensa classificaram a sentença de censura prévia.
A decisão foi tomada anteontem à noite em resposta a um processo aberto a pedido do Ministério Público e da Defensoria do Povo, equivalente à Ouvidoria Pública, para investigar a publicação de uma foto do necrotério de Caracas na edição de sexta-feira do jornal "El Nacional".
A fotografia, que o jornal de oposição ao governo diz ser de dezembro de 2009, mostra cadáveres em macas e no chão, sugerindo o colapso operacional do necrotério de Bello Monte, o único da cidade. Na segunda, o também oposicionista "Tal Cual" reproduziu a foto.
Além da proibição geral, o "El Nacional" também não poderá publicar "informações" de conteúdo grotesco e violento até a decisão final sobre a ação contra o jornal.
Por isso, o "El Nacional" trouxe a capa com espaços para fotos com a tarja "censurado". Duas páginas internas dedicadas a crimes e notas policiais também apareceram com a tarja.
A Sociedade Inter-Americana de Imprensa (SIP) lançou nota chamando a medida de "torpe política de Estado a favor da censura prévia", "mais um elemento" para tentar controlar informação às vésperas do pleito legislativo de setembro.
Já a ONG Repórteres Sem Fronteiras afirmou que a decisão peca "pela amplitude e imprecisão". Ressalvou, porém, que a publicação da foto "violenta" levanta questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação quanto a esse tipo de conteúdo.
À Folha o presidente e diretor do "El Nacional", Miguel Enrique Otero, disse que se trata de uma censura política e defendeu a publicação da foto.
À noite, investigadores do Ministério Público foram à Redação do jornal buscar a câmera e cartões de memória com a foto do necrotério. Desistiram, porém, da inspeção, disse o "El Nacional".

"PORNOGRAFIA"
A medida da Justiça provocou críticas até do jornal "Últimas Notícias", próximo do chavismo. "Toda a sentença é absurda e, pela primeira vez, desde 1999, o Estado venezuelano dá motivos a que digam que restringe a liberdade de informar", escreveu o diretor do jornal, Eleazar Díaz Rangel.
Em reunião ministerial transmitida pela TV, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a publicação da foto é um ato de "pornografia" jornalística do "El Nacional", ante a perspectiva da oposição ser derrotada nas eleições para a Assembleia Nacional.
A insegurança é a preocupação número um dos venezuelanos, segundo pesquisas. Não há cifras oficiais desde 2006, mas dados extraoficiais falam que Caracas registrou em 2009 a marca de 140 assassinatos por 100 mil habitantes.
A publicação da foto de fato acendeu o debate sobre a questão na Venezuela. Nesta semana, Chávez foi todos os dias à TV defender suas políticas de segurança. Disse que "assume" a responsabilidade pelo problema, mas também cobrou ações de governadores da oposição.
O venezuelano disse ainda que os delinquentes de hoje foram as crianças de rua dos governos anteriores

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