Censo 2010 traçará perfil minucioso de país em rápida transição demográfica, com cada vez menos crianças e jovens e mais idosos
O Censo 2010, que manda para as ruas nesta semana uma legião de 192 mil recenseadores, fará uma tomografia minuciosa do Brasil real. São dados fundamentais para o funcionamento de uma sociedade moderna e esclarecida.
O país que completa duas décadas de democracia plena tem cerca de 193 milhões de habitantes. Pela primeira vez, o recenseamento deverá registrar que menos da metade dos cidadãos se classificam como brancos. Apenas um terço conta 18 anos de vida ou menos. A fecundidade deve alcançar 1,8 ou 1,9 filho por mulher, bem abaixo da taxa de reposição (2,1).
Nesse nível de generalidade, os dados demográficos já são conhecidos. Eles provêm das radiografias convencionais traçadas a cada ano pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
No entanto, os detalhes que interessam sobretudo aos administradores municipais, como o número exato de moradores de uma favela, só podem ser obtidos com o Censo. Por sua complexidade (58 milhões de domicílios visitados, contra 150 mil na Pnad) e alto custo (R$ 1,7 bilhão), só se realiza de dez em dez anos.
Entre 1970 e 2010, a população brasileira mais que dobrou, acrescentando 100 milhões de pessoas aos "90 milhões em ação" da época do milagre econômico. Nova duplicação jamais voltará a ocorrer. Em 30 anos, a população começará a encolher.
Com base nos dados do Censo de 2000, o IBGE projetava ainda em 2004 que a taxa de fecundidade alcançaria 1,85 só em 2043. Esse futuro já chegou. O novo Censo virá robustecer a qualidade estatística dessa cifra surpreendente.
A queda da fecundidade está entre os indicadores mais sintomáticos da vertiginosa transição demográfica por que passa o país. Nesse ritmo, a parcela de crianças e jovens na população, que caía em termos relativos, passa a diminuir também de modo absoluto.
Com menos dependentes para manter, aumenta a renda per capita em cada família, e com ela a capacidade de consumir e investir. Configura-se o chamado "bônus demográfico", período em que a economia tem mais facilidade para crescer a altas taxas, mas de forma sustentável. Há mais adultos economicamente ativos do que indivíduos dependentes deles.
O aumento da expectativa de vida, contudo, contrabalança essa tendência na medida em que amplia o contingente de idosos. Tal janela de oportunidade deve fechar-se por volta de 2050, e o ritmo da queda na fecundidade pode antecipar ou adiar o evento.
Esse é apenas um exemplo dos dados cruciais que serão esmiuçados com o Censo 2010. O levantamento traz ainda informações não investigadas pela Pnad, como religião dos habitantes, presença de deficiências e uniões consensuais.
Além disso, pela primeira vez o Censo indicará se há cônjuges do mesmo sexo no domicílio, quais línguas indígenas são faladas e a renda familiar proveniente de programas sociais. Até a posse de motos foi incluída, o que permitirá aquilatar melhor sua contribuição para acidentes e poluição.
O Censo 2010 fornecerá a cada brasileiro, e a seus governantes, uma imagem bem mais clara do país em que vivem. Por isso é tão importante que todos abram suas portas para o IBGE.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
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