sábado, 7 de agosto de 2010

Quadrilha assalta banco com carro da polícia

MAURÍCIO SIMIONATO
DE CAMPINAS

Uma quadrilha formada por pelos menos dez pessoas invadiu na manhã de ontem a delegacia de Ibirarema (395 km de SP), rendeu todos que estavam no local, tomou a farda de um policial e depois levou um carro da Polícia Civil para assaltar uma agência bancária na cidade.
Após invadir a delegacia, uma parte da quadrilha ficou no local enquanto outros criminosos seguiram com o carro da polícia rumo ao banco, que fica no centro da cidade, segundo a Polícia Militar.
Os assaltantes estacionaram o carro na frente do Bradesco e entraram armados. Eles fizeram ao menos 20 funcionários e clientes reféns e arrombaram um cofre, fugindo com o dinheiro.
Segundo testemunhas, os criminosos deixaram o banco apontando armas para os pedestres e depois fugiram no carro da polícia. Ninguém ficou ferido na ação e não houve tiros.
Nenhum suspeito havia sido preso até o início da noite, mas a Polícia Civil disse que já tem pistas dos assaltantes.

Quando ouvi que o ladrão engatilhou o revólver, eu pulei"
Contabilista Amaro Mamede conta como escapou após ser sequestrado perto de sua casa, na zona norte de SP

Ele foi abordado por dois homens ao parar o carro na rua e por duas horas ficou em busca de um caixa eletrônico

JAMES CIMINO
DE SÃO PAULO

"Quando os bandidos entraram com o carro na rodovia dos Bandeirantes, pensei: "Agora já era..." No primeiro retorno, eles entraram e pararam embaixo da rodovia, era uma curva, um lugar onde não passava ninguém.
Me fizeram descer, tirar o paletó. Era junho e estava um frio desgraçado. Levaram relógio, celular, carteira e até a chave de casa.
O ladrão que estava no banco de trás ficou apontando o revólver. Quando ouvi que ele engatilhou, eu pulei. Era um buraco. Fui parar no meio de um matagal.
Não dá para explicar. É instinto de sobrevivência. Podia ter sido até pior, mas só machuquei o tornozelo."
A história do sequestro relâmpago vivida pelo contabilista Amaro Mamede, 55, ocorreu há cinco anos.
Ele e a família vinham da casa de sua sogra em carros separados. A mulher e os filhos gêmeos, então com oito anos, foram para casa. Ele parou para comprar pão.
Como só tinha uma vaga, Mamede estacionou seu carro na rua onde morava, na Casa Verde (zona norte de SP). Ao descer foi abordado por dois homens com cerca de 20 anos, que o mandaram para o banco do passageiro.
A partir daí, o contabilista permaneceu por duas horas nas mãos dos assaltantes em busca de um caixa eletrônico. Só conseguiram sacar R$ 100, pois já passava das 22h. Foi xingado e ameaçado de morte várias vezes.

SENHA DO BANCO
"Eles queriam a senha do banco, mas numa hora dessas você fica tão nervoso que não lembra, confunde tudo. Só pensava na minha família, nas coisas que não contei antes de morrer, como a senha da poupança, nos conselhos que não dei aos meus filhos, como mostrar para eles que a vida não era aquilo, aquela violência toda, que eles tinham que seguir um outro caminho..."
Após sair do buraco em que se jogou, Mamede andou durante 3 km, na pista contrária à dos bandidos, pedindo ajuda, sem sucesso.
Quando chegou ao Piqueri, parou em um telefone público, ligou para a mulher e pegou um táxi. Mamede foi à delegacia e em pouco tempo seu carro foi encontrado.
O trauma, no entanto, permanece. "Hoje em dia tenho medo de deixar meus filhos irem ao supermercado. Até deixo de fazer coisas simples, como ir ao parque."
Dessa experiência, ficou a lição de que a vida hoje em dia não vale R$ 100.

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