O Brasil conhece um processo gradual e silencioso de melhorias em diversos indicadores sociais.
É o que se pode concluir do último relatório divulgado pelo IBGE, reunindo estatísticas sobre desenvolvimento sustentável, relativas ao período que vai de 1992 a 2008.
Da reciclagem de latas de alumínio aos serviços de esgoto, da concentração de ozônio na atmosfera ao número de escolas de nível médio com acesso à internet, não são poucos os sinais de avanço em setores relevantes para o bem-estar da população -e em áreas que, até pouco tempo atrás, nem sequer mereciam acompanhamento estatístico.
Vivia-se o ocaso do governo Collor quando chegava a dois terços a proporção de moradias com padrões inadequados no Brasil. Problemas como excesso de moradores por dormitório, falta de tratamento correto do esgoto ou de serviços de coleta de lixo atingiam 63,2% das casas em 1992. Embora ainda impressionante, a porcentagem caiu para 43% em 2008.
Mais expressiva foi a queda nas internações hospitalares por motivos relacionados à falta de saneamento. Em 1993, havia 733 ocorrências desse tipo por 100 mil habitantes. Reduziram-se a menos da metade em 2008.
A velocidade com que se deram progressos desse tipo superou, em larga medida, o ritmo da atividade econômica: o avanço do PIB per capita do Brasil foi da ordem de 22% nos últimos 14 anos.
Outros dados se mostram surpreendentes. Poucos habitantes de São Paulo estariam propensos a notar que os índices de concentração máxima de monóxido de carbono e de ozônio declinaram fortemente na atmosfera da cidade, de 1995 a 2008. Ou que, nas escolas médias de todo o país, dois terços já contavam com acesso à internet em 2005.
Nada melhorou, por outro lado, no tocante à poluição dos rios nas grandes cidades. O progresso material também cobrou seu preço, dramaticamente, no aumento de mortes em acidentes de transporte, notadamente em Mato Grosso, em Santa Catarina e no Paraná.
A quantidade do que resta a fazer, tanto em números absolutos quanto no que diz respeito às desigualdades regionais, é evidentemente descomunal.
Em termos qualitativos, os serviços de educação, saúde e infraestrutura apresentam deficiências ainda mais graves, que dados como a proporção de crianças frequentando escolas (97%), por exemplo, não logram encobrir.
Vale notar, de todo modo, que os progressos obtidos se deram numa curva constante, sem alterar-se ao sabor dos acidentes da conjuntura e das mudanças de governo -União, Estados e municípios, aliás, dividem suas atribuições em muitas das áreas avaliadas na pesquisa.
Aspectos demográficos e tecnológicos certamente contribuem para o componente, digamos, vegetativo dos avanços registrados. O que leva a imaginar o grau de desenvolvimento que já se poderia ter atingido no Brasil, fossem mais transparentes e racionais os seus padrões de administração pública e de deliberação política.
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