segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ibope: SP e RS perto de segundo turno; BA, RJ e MG longe disso

Carta Capital

27 de setembro de 2010 às 11:18h

A poucos dias das eleições, a mais recente pesquisa Ibope dá o panorama da situação nos principais estados do país. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) segue na frente e venceria em primeiro turno, com 48% das intenções de voto. O segundo colocado, Aloizio Mercadante (PT), no entanto, subiu para 26%. Celso Russomano (PP) tem 8% do eleitorado. A chance de segundo turno, antes remota, começa a ser cogitada na eleição paulista.

Já o Rio de Janeiro aonta para decisão em primeiro turno com mais folga. O governador Sérgio Cabral (PMDB) tem 59% das intenções de voto na tentativa de reeleição. Fernando Gabeira, do PV, é o segundo colocado, com apenas 16% do eleitorado.

A pesquisa na Bahia também mostra um cenário de reeleição com tranquilidade. Jaques Wagner (PT) aparece com 52% das intenções de voto. Os principais adversários estão empatados com 15%: Geddel Vieira Lima (PMDB) e Paulo Souto (DEM).

Em Minas Gerais, segundo a pesquisa, Antonio Anastasia (PSDB) ampliou a vantagem sobre o ex-ministro Hélio Costa (PMDB). O tucano tem 46% das intenções de voto contra 33% do principal adversário. Em números válidos, Anastasia venceria a disputa no primeiro turno.

A chance de segundo turno no Rio Grande do Sul aumentou. Tarso Genro (PT) segue à frente, com 44% das intenções de voto. José Fogaça (PMDB) tem 26% e a atual governadora, Yeda Crusius (PSDB), fica em terceiro lugar, com 17%.

A margem de erro da pesquisa em SP, RJ e MG é de dois pontos para cima ou para baixo. A margem é de três pontos para cima ou para baixo nas pesquisas de RS e BA.


Eleição vai para o segundo turno no RS, diz Ibope
Paulo Cezar da Rosa

27 de setembro de 2010 às 9:20h

Pesquisa Ibope deste final de semana indica um provável segundo turno na disputa pelo governo gaúcho. Conforme o Ibope, excluídos os brancos, nulos e indecisos, Tarso (PT-PSB-PCdoB) teria 49% dos votos válidos contra 51% dos demais candidatos. Neste cenário, Fogaça (PMDB-PDT) teria 29%, Yeda (PSDB-PP) teria 19%, Pedro Ruas(PSOL), 2% e Júlio Flores (PSTU), 1%. Fogaça e Tarso iriam para a disputa no segundo turno.

A pesquisa, encomendada pelo grupo RBS, teve o campo realizado entre 21 e 23 de setembro (quase os mesmos dias do Datafolha, que deu Tarso no primeiro turno), mostra uma diminuição no número de indecisos. Na induzida, os indecisos diminuíram de 16 para 7%. Mas na espontânea, estes são 26% dos eleitores, o que demonstra que ainda há muita disputa pela frente.

Na eleição presidencial, os números do Ibope dão Dilma disparada, com 49%, seguida por Serra, com 32, e Marina com 10%. Desde agosto, quando ultrapassou Serra pela primeira vez no Rio Grande do Sul, Dilma não para de crescer e Serra de cair.

Uma interpretação dos dados é que os indecisos tendem a se distribuir de maneira desigual na reta final e engrossar as fileiras de Fogaça e Yeda mais que as de Tarso. Se isso ocorrer nos próximos dias, vai se consolidar a tendência da disputa ir para o segundo turno. Outra interpretação é que o crescimento ainda maior de Dilma ainda não teve tempo de ser transferido para Tarso e que esse impulso deve se manifestar nesta reta final.

Oráculos da modernidade – Pesquisas eleitorais feitas para serem publicadas são uma espécie da oráculo da modernidade. Na Grécia, os oráculos eram os intérpretes dos Deuses. Na modernidade, os números das pesquisas pretendem mostrar a vontade do povo.

Gosto de pensar que, diante das pesquisas eleitorais, me comporto como a maioria dos brasileiros: confio desconfiando. Ou seja, levo em conta o que elas dizem, mas mantenho uma razoável distância porque – como é sabido – pesquisa não ganha eleição e, estatisticamente, tenho visto mais erros que acertos.

Profissionalmente, trabalho com pesquisas. Uso as pesquisas para entender melhor uma determinada realidade. Confio nelas porque confio nas pessoas com quem trabalho e porque essas pesquisas são feitas para mim, com o objetivo exclusivo de me subsidiar. Normalmente, utilizo institutos pouco conhecidos do grande público, mas que me fornecem dados valiosos para formular estratégias e desenvolver campanhas.

O problema das pesquisas feitas para serem publicadas é que sempre envolvem um cálculo. Quem as patrocina tem um objetivo ao publicar os resultados. E nem sempre é atender a sede dos leitores por informações acerca da realidade. Muitas vezes, a meta é patrocinar um determinado tipo de percepção.

Na mão dos indecisos – A sorte está lançada. A reta final das eleições no pampa gaúcho será eletrizante. E caso a disputa vá para o segundo turno, tudo pode acontecer. Pode se confirmar a tendência atual, que indica Tarso favorito diante de Fogaça, com 49% contra 33%. Ou pode ocorrer o que aconteceu nas três últimas disputas no Rio Grande do Sul. O segundo lugar virou o jogo e ganhou no segundo turno.

Os oráculos gregos falavam de maneira enigmática. No filme “Os 300 de Esparta”, o rei e general Leônidas ignora a determinação do oráculo e diz que vai “passear” com 300 soldados de sua guarda pessoal para enfrentar o exército invasor. Resta saber quem, na eleição gaúcha, vai encarnar o invasor Xerxes e quem será o salvador de Atenas e da nascente civilização ocidental.



Paulo Cezar da Rosa
Paulo Cezar da Rosa é jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda. É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br

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