sábado, 25 de setembro de 2010

KOTSCHO - Ânimos se acalmam a 8 dias da eleição

BALAIO DO KOTSCHO
Posso estar enganado, claro, mas a impressão que me deu nesta sexta-feira esquisita em São Paulo, faltando apenas oito dias para irmos às urnas eleger o novo presidente da República, é que os ânimos começaram a se acalmar, depois do intenso tiroteio midiático-eleitoral dos últimos dias.

É como se todo mundo tivesse combinado que era melhor dar uma trégua porque a escalada radical estava chegando a um perigoso ponto de combustão. Até as manchetes hoje trataram de outros assuntos e inclusive deixaram escapar algumas notícias boas nas primeiras páginas.

O ar ficou mais respirável. Os programas eleitorais, desde quinta-feira, seguiram na mesma linha, apresentando propostas para melhorar o país, com mais música e gente sorrindo em lugar de denúncias e ameaças.

Certamente deve ter contribuído também para esfriar as cabeças a chuva que voltou a cair na cidade no meio da tarde. Melhor assim. Daqui a pouco, sairá mais um Ibope, amanhã vão às bancas as últimas revistas semanais antes da eleição, faltam poucos programas eleitorais a serem levados ao ar. O jogo está jogado.

Nestas horas é sempre bom saber o que anda refletindo sobre a vida um dos nossos mais brilhantes pensadores, o meu velho amigo Leonardo Boff. Em meio a tantas mensagens, tive a sorte de encontrar um artigo dele comentando a campanha eleitoral e o comportamento da mídia _ nem o teólogo conseguiu escapar do assunto dominante da semana.

Leonardo lembra logo no primeiro parágrafo de um projeto em que trabalhamos juntos, o do livro “Brasil Nunca Mais”, nos tempos em que escrever e editar textos sobre o que estava acontecendo no país implicava em correr risco de vida. Quem faz belos discursos hoje sobre as “ameaças à liberdade de expressão e em defesa da democracia” hoje não viveu aquele tempo de trevas ou não sabe do que está falando. Ou está querendo enganar alguém, achando que todo mundo é bobo e esquecido.

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