sábado, 4 de setembro de 2010

Só uma tempestade pode mudar a maré de bonança de Dilma

MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
ALESSANDRO JANONI
DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

A pesquisa Datafolha divulgada hoje revela a estabilidade do cenário eleitoral na disputa pela Presidência da República. É a primeira pesquisa, desde o início do horário eleitoral gratuito, em que a variação na diferença entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) fica dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.
No levantamento anterior, 20 pontos separavam a petista do tucano. Agora, são 22.
Do empate técnico, que perdurou de maio a julho, Dilma cresceu cinco pontos no início de agosto, após sua participação no "Jornal Nacional" da TV Globo.
Com a propaganda eleitoral, a petista subiu mais oito pontos ao longo do último mês. Agora, oscila positivamente apenas um ponto. Serra caiu oito pontos em agosto, e agora tem oscilação negativa de um ponto.
O quadro pode refletir a cristalização da preferência dos eleitores. O processo de formação do voto -que se sedimenta sobre o grau de conhecimento dos candidatos e os atributos de imagem que o compõem- já apresenta importantes definições.
Por meio de comunicação eficiente, de capilaridade expressiva, a maioria do eleitorado sabe que Dilma é candidata de Lula e sobre ela deposita a expectativa de continuidade aliada à capacidade técnica para exercer o cargo.
Ela já é mais candidata à Presidência do que candidata do presidente. Prova dessa aparente cristalização do voto encontra-se na evolução do conjunto de eleitores que se dizem totalmente decididos sobre seu candidato.
Em dez dias, esse segmento cresceu quatro pontos e alcança 81%. Hoje, 18% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de candidato. Eram 27% em julho.
Como exercício de projeção, pode-se calcular como ficaria a intenção de voto caso esse estrato dos que cogitam trocar de candidato realmente decidisse fazê-lo.
Dilma ficaria com 46%, Serra com 27% e Marina com 10%. Ainda assim, a petista teria 54% dos votos válidos.
Em condições normais, sem fatos que abalem a concentração do voto de um ou outro candidato, espera-se a manutenção da tendência.
Mas, vale a lembrança de que, em 2006, antes da denúncia dos "aloprados do PT", Lula tinha em 4 e 5 de setembro 51% das intenções de voto contra 27% de Geraldo Alckmin (PSDB). O presidente chegou nas urnas com 45%, o tucano com 38% e houve segundo turno

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